© Al Drago/The Washington Post/Bloomberg via Getty Images Por LUSA 01/10/2026
"Este dia é uma vitória para os Estados Unidos, uma vitória para o Iraque e uma vitória decisiva sobre o EI (o grupo Estado Islâmico)", declarou o presidente norte-americano na Truth Social.
O republicano sublinhou ainda que teve a escolha "entre ficar ou partir" e que considerou "sem qualquer dúvida, que estava na altura de os Estados Unidos regressarem a casa".
Mobilizadas há mais de uma década no Iraque para combater o grupo EI, as últimas tropas da coligação antijihadista liderada pelos Estados Unidos abandonaram hoje o país, deixando os curdos apreensivos.
A aliança contava com efetivos de mais de 80 países, incluindo França e Grã-Bretanha, que partiram gradualmente ao longo dos últimos meses.
As forças internacionais tinham sido mobilizadas no Iraque e na Síria em 2014, quando o EI tomou vastas áreas de território e cometeu atrocidades.
Após derrotarem o grupo em 2017 no Iraque e, posteriormente, em 2019 na Síria, permaneceram no local para combater os seus últimos elementos.
No entanto, Bagdade e Washington decidiram, em 2024, terminar a missão, mesmo que ainda subsistam focos de jihadistas em algumas zonas desérticas.
A coligação, que deixou a Síria no início deste ano, iniciou a sua retirada do Iraque em 2025, limitando a sua presença ao aeroporto de Erbil, capital da região autónoma do Curdistão, no norte do país.
O Pentágono anunciou hoje a partida das últimas tropas de Erbil, saudando "a conclusão bem-sucedida da missão militar que derrotou" o EI.
Com o fim da missão da coligação, os curdos, que acusam os grupos armados iraquianos apoiados por Teerão de estarem por detrás destes ataques, não escondem a sua preocupação.
"Não temos meios para proteger o céu do Curdistão", realçou à agência France-Presse (AFP) o comandante militar curdo Sirwan Barzani.
Já o antigo presidente do Curdistão, Massoud Barzani, mencionou uma "coordenação muito boa com o governo federal iraquiano para enfrentar qualquer tipo de ameaça ou perigo".
Durante uma cerimónia, o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, saudou hoje o que chamou de "uma nova etapa" na história do país.
Segundo o governante, esta etapa será marcada "pela soberania do Iraque, pela solidez das suas instituições (...) e por parcerias equilibradas com os seus amigos" — uma aparente referência aos Estados Unidos e ao Irão, as duas potências rivais que exercem influência no país.
O Iraque enfrenta agora a difícil tarefa de desarmar os poderosos grupos pró-Irão que, durante anos, combateram o mesmo inimigo da coligação, o EI.
No entanto, após a derrota do grupo jihadista, a presença das tropas da coligação tornou-se uma importante fonte de tensão entre Bagdade e estas fações, que exigiram a retirada das forças antes de passarem a atacá-las, provocando ataques de retaliação por parte dos Estados Unidos.
Durante a guerra no Médio Oriente, desencadeada em fevereiro por uma ofensiva israelo-americana no Irão, os grupos armados intensificaram os seus ataques.
Sob forte pressão de Washington, Al-Zaidi comprometeu-se, este ano, a obter o seu desarmamento.
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