sexta-feira, 27 de março de 2026

Um mês depois conflito mostra imprevisibilidade e risco global crescente... Um mês depois do início do conflito militar no Golfo, a guerra permanece longe do rápido desfecho antecipado pelo Presidente norte-americano e ameaça a estabilidade regional e a economia global.


Por LUSA 

Fontes militares e analistas sublinharam que, apesar da "inegável superioridade operacional" das forças norte-americanas, Washington parece ter sido apanhado desprevenido pela resiliência iraniana, nomeadamente no uso de mísseis balísticos e redes regionais de influência.

A realidade no terreno na ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, marcada por avanços táticos, recuos estratégicos e uma elevada imprevisibilidade, tem contrariado a previsão inicial de Donald Trump, expondo a complexidade de um conflito que rapidamente extravasou o quadro de uma operação militar limitada.

Logo nas primeiras horas da operação Fúria Épica, em 28 de fevereiro, forças norte-americanas e israelitas realizaram cerca de 900 ataques aéreos em 12 horas, atingindo sistemas de defesa, bases de mísseis e centros de comando em todo o Irão, numa ofensiva que incluiu bombardeiros estratégicos e cerca de 200 caças israelitas.

Entre os alvos esteve a liderança iraniana, com Washington e Telavive primeiro, e Teerão posteriormente, a confirmarem a morte do líder supremo Ali Khamenei, num ataque de "decapitação" que marcou o ponto de viragem inicial do conflito.

A resposta iraniana foi imediata e significativa: cerca de 170 mísseis balísticos foram lançados contra Israel e contra bases norte-americanas no Golfo, atingindo infraestruturas no Bahrein e áreas urbanas como Haifa e Telavive.

Nos dias seguintes, Teerão intensificou o uso combinado de mísseis e drones, numa estratégia de desgaste que visou não apenas alvos militares, mas também a disrupção logística e energética da região.

Rapidamente, o conflito assumiu contornos particularmente sensíveis com a extensão das operações iranianas a países vizinhos que acolhem bases ou interesses norte-americanos, alimentando receios de um alargamento do teatro de guerra.

Apesar de ataques pontuais contra alvos ligados aos Estados Unidos em territórios como Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estes países têm mantido uma postura de contenção, evitando uma escalada direta que podia desencadear um conflito regional de maiores dimensões.

A partir da segunda semana, o conflito expandiu-se de forma mais visível ao Líbano, com o movimento xiita Hezbollah, apoiado por Teerão, a lançar foguetes e drones contra o norte de Israel e este a responder com bombardeamentos intensos e, posteriormente, com operações terrestres no sul libanês.

Trump tem criticado repetidamente os aliados, em particular os países-membros da NATO, por não contribuírem de forma mais ativa para garantir a segurança da navegação no estreito de Ormuz, alegando que a Europa precisa mais daquela passagem do que os EUA.

O bloqueio de Ormuz tem provocado perturbações significativas nos mercados energéticos globais, com reflexos diretos nos preços do petróleo e do gás, alimentando receios de uma nova crise energética com impacto na economia mundial.

No plano diplomático, a ONU tem reiterado apelos para um cessar-fogo imediato, enquanto líderes europeus e a NATO defendem uma solução negociada que evite uma escalada irreversível.

No que respeita ao balanço humano, as estimativas disponíveis --- com forte variação consoante as fontes --- apontam para vários milhares de mortes na região ao fim de um mês de combates.

No Líbano, o Ministério da Saúde do Líbano anunciou que os ataques israelitas fizeram 1.094 mortos desde o início da guerra, mais de 3.000 feridos e mais de um milhão de deslocados.

Do lado norte-americano, fontes militares apontam para pelo menos 13 militares mortos e cerca de 150 feridos; em Israel, as autoridades têm sido reservadas, mas admitem várias vítimas entre militares e civis, sobretudo na sequência de ataques com mísseis e drones iranianos e de confrontos diretos com o Hezbollah no norte do país.

Já no Irão, além das baixas militares - estimadas em mais de mil apenas na primeira semana - o número de civis mortos tem aumentado, particularmente em resultado de ataques a infraestruturas em zonas urbanas.

Nos últimos dias, Trump tem referido a existência de contactos diplomáticos com o Irão, afirmando que "as discussões continuam e são produtivas" e, embora estas declarações tenham sido negadas pelas autoridades iranianas.

Ainda na quinta-feira, o enviado norte-americano Steve Witkoff falava em "fortes indícios" da possibilidade de uma solução de paz a curto prazo, com a mediação das autoridades do Paquistão.

Nos últimos dias, Teerão admitiu trocas indiretas de mensagens, mas rejeitou um plano de paz de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos, o que mantém o impasse, com novas ameaças de escalada de todas as partes.

A questão central permanece em aberto: como sair de uma guerra que, apesar de inicialmente concebida como rápida e cirúrgica, se transformou num teste prolongado à capacidade de gestão estratégica de Washington, Telavive e Teerão.

Ataques de drones ucranianos atrasam mais de 50 voos na Rússia... Ataques de drones lançados pela Ucrânia contra território russo obrigaram as autoridades de aviação russas a atrasar hoje mais de 50 voos, principalmente nos aeroportos de São Petersburgo e Kaliningrado.

© Sergei Mikhailichenko/SOPA Images/LightRocket via Getty Images    Por  LUSA  27/03/2026 

De acordo com um comunicado do Aeroporto de Pulkovo, na antiga capital imperial, 43 voos sofreram atrasos superiores a duas horas e 23 foram cancelados.

Outros 23 voos foram desviados para aeroportos alternativos, informou o aeroporto.

Entretanto, 11 voos foram atrasados no Aeroporto de Kaliningrado, segundo o 'site' oficial do terminal.

No total, segundo o Ministério da Defesa russo, 85 drones de asa fixa foram "intercetados e destruídos" sobre nove regiões russas e o Mar Negro.


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O principal porto comercial do Kuwait foi hoje alvo de um ataque com drones inimigos, anunciaram as autoridades portuárias locais, esclarecendo que a infraestrutura de Shuwaikh teve somente danos materiais, sem quaisquer vítimas, em comunicado na rede social X.

China adverte para riscos de ataque a instalações nucleares... O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que atacar instalações nucleares no Médio Oriente "teria consequências incalculáveis" e mergulharia a região na miséria, numa reunião com o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

© Kevin Frayer/Getty Images    Por  LUSA   27/03/2026 

"Devemos impedir que o confronto se intensifique (...). Só um cessar-fogo imediato e o reinício do diálogo e da negociação podem eliminar verdadeiramente as causas do conflito [entre o Irão e os EUA e Israel]", afirmou na quinta-feira o chefe da diplomacia chinesa, que recebeu Rafael Grossi na quinta-feira, de acordo com um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. 

O ministro salientou que a AIEA desempenha "um papel vital na governação nuclear mundial", manifestou o desejo do seu país de reforçar a cooperação com a agência para salvaguardar o regime internacional de não proliferação e reiterou o desejo da China de fortalecer a ONU.

De acordo com o comunicado oficial, Grossi apelou para que todos os países colaborem para enfrentar os "preocupantes" desafios atuais e assegurou que a AIEA está disposta a aprofundar a comunicação e a cooperação com a China "para resolver as questões críticas pertinentes e promover a utilização pacífica da energia nuclear".

Esta semana, Grossi afirmou numa entrevista concedida ao jornal italiano Corriere della Sera que poderão realizar-se em Islamabade (Paquistão), este fim de semana, novas conversações entre delegações do Irão e dos Estados Unidos, nas quais Washington poderá exigir o "enriquecimento zero" por parte de Teerão como condição para o acordo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês intensificou esta semana os contactos com os homólogos de outras potências e do Médio Oriente, com quem já falara quando o conflito teve início no final de fevereiro, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com o lançamento de mísseis e veículos aéreos não tripulados ("drones") contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do abastecimento mundial de petróleo bruto.

Perante a crise, Pequim enviou o enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, numa visita a vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein, do Kuwait, do Qatar e do Egito, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.


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O Presidente chinês felicitou hoje o líder norte-coreano, Kim Jong-un, pela reeleição à frente do Comité de Assuntos de Estado, o cargo mais alto do principal órgão de orientação política do país, informou a imprensa estatal.

Assinatura de Trump vai passar a aparecer nas notas de 100 dólares... A assinatura do presidente dos Estados Unidos da América (EUA) aparecerá pela primeira vez nas futuras notas de dólares norte-americanos, anunciou esta sexta-feira o Departamento do Tesouro dos EUA.

Por  sicnoticias.pt

"Em homenagem ao 250.º aniversário dos Estados Unidos da América, a assinatura do presidente Donald Trump passará a aparecer nas futuras notas de papel-moeda dos EUA juntamente com a do Secretário do Tesouro", revelou o Departamento do Tesouro dos EUA, em comunicado.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse, citado em comunicado, que as notas de dólares com o nome de Donald Trump são a forma mais "poderosa de reconhecer as conquistas históricas" dos Estados Unidos e do atual presidente norte-americano.

As primeiras notas de 100 dólares com a nova assinatura serão impressas em junho, de acordo com a agência de notícias francesa Agence France-Press (AFP).

Segundo a mesma fonte, a medida será depois alargada a outras denominações.

Desde 1861 que apenas as assinaturas do Secretário do Tesouro e do Tesoureiro dos EUA apareciam nas notas de dólares.

O anúncio sobre a presença do nome do presidente dos Estados Unidos nas notas de dólares norte-americanos faz parte de uma série de decisões que visam colocar a assinatura de Donald Trump em vários edifícios e símbolos dos EUA, segundo a AFP.

No dia 19 de março, uma comissão federal de belas-artes (cujos membros foram todos nomeados por Donald Trump) aprovou a cunhagem de uma moeda de ouro comemorativa com a imagem do presidente dos EUA.

Vários edifícios públicos já foram renomeados em homenagem a Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca, no ano passado, como a instituição cultural de renome em Washington, o Kennedy Center.

Na Florida, onde fica a residência privada do presidente dos EUA, foi aprovada uma lei que alterará o nome do Aeroporto Internacional de Palm Beach em homenagem a Donald Trump.


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O Pentágono está a considerar a possibilidade de enviar mais 10 mil soldados para o Médio Oriente, incluindo tropas terrestres, de acordo com notícia avançada na quinta-feira pelo The Wall Street Journal.

Irão lança novos ataques contra Israel e alvos dos EUA no Golfo Pérsico... O Irão anunciou hoje uma nova vaga de ataques contra Israel e alvos norte-americanos em países do Golfo Pérsico, tendo explosões sido ouvidas também no sul de Beirute, com a comunicação social a noticiar ataques israelitas.

© Lusa   27/03/2026 

A Guarda Revolucionária iraniana publicou um comunicado, divulgado pela agência Fars, no qual detalhou os alvos da 83.ª vaga de bombardeamentos, desta vez dirigida contra a localidade israelita de Modiin e os depósitos de petróleo de Ashdod, uma das maiores refinarias de Israel, bem como as bases militares de Al Dafra (Emirados Árabes Unidos), Al Adairi e Ali Al Salem (Kuwait) e Sheikh Isa (Bahrein).

As Forças de Defesa de Israel (FDI) identificaram, por sua vez, pelo menos duas salvas de mísseis sobre o país, que não causaram feridos nem vítimas, de acordo com serviços de emergência israelitas.

O Exército do Kuwait afirmou ter intercetado drones, tal como o Ministério da Defesa da Arábia Saudita.

Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciados no passado dia 28 de fevereiro, provocaram a resposta de Teerão sob a forma de lançamentos constantes de mísseis sobre Israel e bases militares norte-americanas no Golfo.

Entretanto, explosões foram ouvidas no sul de Beirute nas primeiras horas de hoje, de acordo com jornalistas da agência France-Presse (AFP), com os meios de comunicação locais a noticiarem ataques israelitas.

Imagens da AFP mostraram fumo a subir dos subúrbios a sul da capital libanesa, considerada por Israel como um reduto do movimento pró-Irão Hezbollah. Não se sabe para já se o ataque causou vítimas.

Esta zona tem sido alvo de ataques regulares desde que o Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente, em 02 de março.

O exército israelita não emitiu qualquer aviso ou pedido de evacuação prévia na zona atingida pelo ataque.

Normalmente densamente povoada, esta área ficou praticamente deserta desde o início das hostilidades.

O Líbano foi arrastado para a guerra no início de março, quando o Hezbollah, apoiado por Teerão, começou a disparar foguetes contra Israel para vingar o assassínio do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva americano-israelita no Irão.

Enquanto Israel manifesta determinação em intensificar a campanha militar contra o movimento islamista, este último reivindicou uma série de ataques contra as tropas israelitas que estão a realizar uma incursão terrestre no sul do Líbano.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na quarta-feira que Israel estava a alargar uma "zona tampão" no Líbano para "afastar a ameaça dos mísseis" do Hezbollah.

O movimento declarou que combatentes continuavam hoje os ataques contra as tropas israelitas no sul do Líbano.

Na quinta-feira, meios de comunicação oficiais noticiaram ataques mortíferos de Israel em várias zonas do sul do país. O Hezbollah reivindicou mais de 90 ataques contra alvos israelitas no interior do Líbano e do outro lado da fronteira.

Por seu lado, o exército israelita declarou na quinta-feira que dois soldados foram mortos no sul do Líbano, enquanto os serviços de emergência israelitas indicaram que um foguete disparado a partir do Líbano matou um homem na região de Nahariya, no norte de Israel.

De acordo com as autoridades libanesas, os ataques israelitas realizados desde 02 de março causaram pelo menos 1.116 mortos, incluindo 121 crianças, e mais de um milhão de pessoas foram deslocadas.


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O exército de Israel anunciou hoje novos ataques contra Teerão, capital do Irão, quando se aproxima o primeiro mês de guerra entre os dois países.