terça-feira, 14 de abril de 2026

Espanha inicia processo para regularizar meio milhão de imigrantes... O Governo espanhol aprovou hoje um decreto que permite iniciar de imediato o processo de regularização extraordinária de meio milhão de imigrantes, anunciado pelo executivo no final de janeiro.

© Lusa    14/04/2026 

"Um ato de normalização, de reconhecer a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte da nossa vida quotidiana. E também um ato de justiça e uma necessidade" de um país "que envelhece" e que "sem novas pessoas a trabalhar e a descontar para a segurança social" verá a "prosperidade travada", defendeu o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, numa publicação nas redes sociais.

O decreto vai ser publicado na quarta-feira e entrar de imediato em vigor, podendo os imigrantes solicitar a regularização da situação a partir de quinta-feira e até 30 de junho, disse a ministra com da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, numa conferência de imprensa em Madrid.

Espanha reforçou em 550 pessoas as equipas ligadas a este processo, acrescentou a ministra.

O processo legislativo para concretizar a medida tem por base um "real decreto" do Governo que não terá de passar pelo parlamento espanhol, onde uma iniciativa semelhante, resultante de uma petição popular com 700 mil assinaturas e o apoio de 900 instituições, incluindo a Igreja Católica, foi admitida a debate, mas está bloqueada desde abril de 2024 pelos partidos de direita e extrema-direita. 

Elma Saiz considerou que o decreto agora aprovado tem um "tripla legitimidade, social, política e económica", referindo que, apesar do bloqueio parlamentar, a petição popular foi admitida a debate com o voto favorável de todos os partidos menos o Vox (extrema-direita) e sindicatos, associações empresariais e entidades de apoio social, como a Igreja Católica, apoiam a medida e a reivindicam "há meses ou até anos".

Saiz sublinhou que vai ser regularizada a situação de pessoas que já vivem em Espanha, a quem serão reconhecidos "plenos direitos" e que vão também poder passar "a cumprir as suas obrigações" e invocou os diversos estudos nacionais e internacionais que atribuem à imigração um papel determinante no crescimento da economia espanhola, mas também o peso no "rejuvenescimento da população".

Este processo destina-se a estrangeiros que viviam em Espanha há pelo menos cinco meses em 31 de dezembro de 2025 ou que tenham pedido proteção internacional às autoridades espanholas até à mesma data e que não tenham, nos dois casos, antecedentes penais.

A estimativa do governo é que 500 mil pessoas vejam a situação regularizada com este processo extraordinário.

Cerca de 840 mil pessoas viviam de forma irregular em Espanha em 2025, de acordo com uma estimativa do 'think tank' (grupo de reflexão) Funcas, feita com base em dados oficiais.

O mesmo estudo estima que a população estrangeira oriunda de países de fora da União Europeia em situação irregular em Espanha multiplicou-se oito vezes entre 2017 e 2025 (de 107 mil para 840 mil pessoas).

Espanha já fez nove processos de regularização extraordinária de imigrantes desde 1986, tanto por governos de esquerda como de direita.

O último foi em 2005, quando foi regularizada a situação de mais de 575 mil pessoas.

Itália suspende acordo de defesa com Israel... O Governo italiano "decidiu suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel, tendo em conta a situação atual", anunciou hoje a primeira-ministra, Giorgia Meloni.

© Remo Casilli/Reuters    Por  LUSA  14/04/2026 

A decisão, anunciada por Meloni em declarações aos jornalistas à margem de um evento em Verona, ocorre em vésperas de o memorando de cooperação, originalmente assinado em 2006, ser renovado automaticamente por mais cinco anos, e na sequência de vários atritos diplomáticos entre Roma e Telavive, devido às ações de Israel na Faixa de Gaza e, mais recentemente, no Líbano.

Na semana passada, o Governo italiano protestou junto de Israel, depois de um veículo italiano da missão da ONU no Líbano (Finul) ter sido atingido por tiros de advertência do exército israelita, convocou o embaixador israelita e advertiu que "os soldados italianos são intocáveis".

Já esta semana, na segunda-feira, Israel convocou o embaixador da Itália depois do ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, ter condenado os "ataques inaceitáveis" de Israel contra civis no Líbano, durante uma visita a Beirute.

Há vários meses que os partidos da oposição pediam ao governo de Meloni para suspender o acordo bilateral, que enquadra a cooperação entre os dois países nos setores da indústria de defesa, da formação militar, da investigação e das tecnologias da informação, entre outros.

Nas mesmas declarações à imprensa, Meloni reiterou ainda o repúdio às declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Papa Leão XIV, por este condenar a guerra em curso no Médio Oriente.

Meloni, que divulgou um comunicado na segunda-feira ao final do dia para condenar as palavras de Trump -- que considerou que Leão XIV é "fraco em relação ao crime e péssimo em política externa" -, reiterou que "as declarações sobre o papa foram inaceitáveis".

"Manifestei, e continuo a manifestar, a minha solidariedade com o Papa Leão. Vou mais longe: francamente, não me sentiria à vontade numa sociedade em que os líderes religiosos fazem o que os líderes políticos dizem", declarou a chefe de governo.

Considerada próxima de Trump, Meloni comentou ainda que, "quando se é amigo e se tem aliados, especialmente se forem estratégicos, também é preciso ter a coragem de dizer quando se discorda", e garantiu que Roma e Washington continuam a ter uma boa relação.

“GUINÉ-BISSAU NÃO TEM CONDIÇÕES FINANCEIRAS PARA MANTER UMA PRISÃO DE ALTA SEGURANÇA” – DG dos serviços prisionais

Por  JORNAL ODEMOCRATA   14/04/2026 

O diretor-geral dos Serviços Prisionais da Guiné-Bissau, Tcherno Jaló, afirmou que o país não dispõe, atualmente, de condições financeiras para suportar os custos operacionais de uma prisão de alta segurança. Diante dessa realidade, defendeu como prioridade a construção de um estabelecimento prisional de grande porte, com condições adequadas de funcionamento e que inclua uma ala destinada à alta segurança.

“Não temos capacidade para suportar os custos operacionais de uma estrutura prisional exclusivamente de alta segurança. O prioritário, neste momento, é construir uma prisão com uma ala de alta segurança, o que seria mais viável. Não temos condições para gerir uma prisão totalmente dedicada a esse perfil. Dispomos de um terreno em Ilondé, nos arredores de Bissau, com mais de 50 mil metros quadrados. Se conseguíssemos vedar o perímetro para evitar invasões e construir ali uma prisão convencional, incluindo uma ala de alta segurança, essa seria a solução ideal. Essa é a real necessidade do país em termos penitenciários”, afirmou o diretor dos Serviços Prisionais, numa entrevista ao Boletim Informativo do Observatório Guineense da Droga e Toxicodependência (BID), retomada na edição desta semana do Semanário O Democrata.

Na entrevista, Tcherno Jaló abordou ainda a situação atual dos centros prisionais do país e as perspetivas para o futuro do sistema penitenciário.

Sobre a faixa etária dos reclusos, explicou que a maioria da população prisional da Guiné-Bissau é composta por jovens. Ainda assim, sublinhou que há uma diversidade etária entre os detidos, incluindo pessoas com mais de 50 anos. Em Bissau, por exemplo, existe atualmente um recluso com 56 anos de idade.

BID: Que avaliação faz da política de centros prisionais na Guiné-Bissau?

Tcherno Jaló (TJ): A avaliação que faço é negativa, devido a vários fatores. Em primeiro lugar, destaco a falta de vontade política, essencial para o bom funcionamento dos estabelecimentos prisionais, bem como a incapacidade de atender às necessidades básicas dos serviços.

Outro fator crítico é a escassez de técnicos qualificados. O país não dispõe de quadros suficientes para suprir as lacunas existentes, o que afeta diretamente a eficiência das operações. Soma-se a isso a carência de materiais e recursos essenciais. Por essas razões, a minha avaliação do sistema penitenciário é desfavorável.

BID: Que comentários faz sobre o estado das infraestruturas dos três centros prisionais do país?

TJ: Recebi a visita de altos funcionários das Nações Unidas e fui muito sincero: considero que a Guiné-Bissau não possui verdadeiros estabelecimentos prisionais, mas sim infraestruturas com características de habitações adaptadas para alojar pessoas em conflito com a lei. Um estabelecimento prisional deve oferecer condições mínimas que permitam ao recluso cumprir a sua pena com dignidade, sem agravar problemas, sobretudo de saúde.

BID: Os serviços administrativos sob a dependência da sua direção conseguem responder às necessidades?

TJ: Fazemos o possível dentro das nossas limitadas capacidades. Muitas situações dependem de financiamento, e temos tido dificuldades. A Direção-Geral conta apenas comigo e com um funcionário contratado. Trata-se de um técnico de assistência social com contrato temporário com o Ministério da Justiça e Direitos Humanos. Não é funcionário efetivo. É ele quem me representa em diversas situações e, quando não é possível, recorremos a guardas prisionais para nos representarem em cerimónias oficiais.

BID: Que avaliação faz do trabalho do corpo da guarda prisional?

TJ: É um trabalho digno de elogio. Em 2012, quando a Guarda Prisional foi criada, contava com mais de 90 elementos. Hoje, restam menos de 60. Ainda assim, os guardas esforçam-se para garantir o funcionamento dos serviços, muitas vezes com apenas cinco homens por turno.

Por lei, um guarda deveria trabalhar um dia e descansar nos dois seguintes, retomando o serviço no quarto dia. Contudo, devido à falta de efetivos, essa norma não é cumprida, e os turnos acabam por ser excessivamente longos.

BID: A que se deve essa redução do número de efetivos?

TJ: Alguns faleceram, outros abandonaram a profissão por frustração com a falta de resultados e decidiram emigrar. Há também casos de afastamento disciplinar por incumprimento das normas estabelecidas.

BID: O sistema prisional tem exemplos de reintegração bem-sucedida?

TJ: Sim. Antes de mais, importa recordar que a finalidade da prisão é corrigir comportamentos e transmitir à sociedade uma mensagem dissuasora. No centro prisional de Bafatá, por exemplo, existia uma serralharia que formava reclusos, mas está atualmente inoperacional por problemas técnicos.

Um dos reclusos formados era um excelente serralheiro e ajudou a capacitar outros detidos. Produziam grelhas, camas, portas, fogões e outras ferramentas, que eram vendidas para gerar receitas. Além disso, hoje existe um ex-recluso que criou uma iniciativa de apoio a antigos presos, facilitando contactos com advogados e familiares.

BID: Como avalia os programas de recuperação existentes?

TJ: As atividades são, neste momento, quase inexistentes. A exceção é Bafatá, onde existem ações de tecelagem e agricultura. Em Mansoa, ainda funciona a criação de galinhas, mas a padaria e a alfaiataria estão paradas por razões técnicas. Os produtos agrícolas são consumidos nos centros e os excedentes vendidos nos mercados locais.

BID: Quais são as faixas etárias dos reclusos?

TJ: Não disponho, neste momento, de dados detalhados por faixa etária. No entanto, temos relatórios trimestrais. O que posso afirmar é que a maioria dos reclusos é jovem, embora existam detidos com mais de 50 anos.

BID: Como é feito o tratamento de reclusos doentes?

TJ: Dispomos de enfermarias para avaliação clínica. Casos mais graves são encaminhados para hospitais. Em situações de doenças infeciosas, como a tuberculose, recomenda-se a liberdade condicional para continuidade do tratamento. Temos também reclusos seropositivos, diabéticos e hipertensos que recebem a medicação adequada.

BID: O país precisa de uma prisão de alta segurança?

TJ: Não de uma exclusivamente de alta segurança. A solução mais viável é uma prisão convencional com uma ala de alta segurança. Não temos capacidade para gerir nem financiar uma estrutura totalmente dedicada a esse fim.

BID: Quais são as perspetivas para o futuro?

TJ: Estamos a investir na formação do pessoal. O Reino de Espanha comprometeu-se a enviar técnicos, e a União Europeia também aprovou ações formativas. Precisamos urgentemente de mais efetivos, fardamento, botas, algemas e bastões. Propusemos ainda ao governo a contratação de assistentes sociais e psicólogos para apoiar a reintegração dos reclusos.

Fonte: Boletim do OGDT  

ISRAEL: Ministro das Finanças israelita comparou o governo alemão ao nazismo... O ministro das Finanças de Israel comparou hoje o Governo alemão liderado por Friedrich Merz ao regime nazi, afirmando que já acabou o tempo em que Berlim ditava aos judeus "onde podiam ou não viver".

© MENAHEM KAHANA/AFP via Getty Images    Por LUSA    14/04/2026 

O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, reagia ao chanceler alemão, Freidrich Merz, que manifestou oposição à anexação da Cisjordânia por Israel.

"Senhor chanceler [Freidrich Merz], os dias em que os alemães ditavam aos judeus onde podiam ou não viver acabaram e não vão voltar. O senhor não nos vai forçar a viver em guetos novamente, muito menos na nossa própria terra", escreveu Smotrich hoje numa mensagem difundida através das redes sociais. 

"O nosso regresso à Terra de Israel - a nossa pátria bíblica e histórica - é a resposta a qualquer pessoa que nos tenha tentado ou esteja a tentar destruir, e não pedimos desculpa por isso, nem por um momento", acrescentou o ministro, que acusou ainda os membros do movimento Hamas de serem "nazis".

Na segunda-feira, Merz propôs ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a realização de "negociações de paz" com o Governo libanês no sentido do fim dos combates no Líbano, acrescentando que "não deve haver anexação de facto da Cisjordânia".

As posições do chanceler alemão foram transmitidas durante um contacto telefónico com o chefe do Governo de coligação de Israel. 

Smotrich, na mesma mensagem, referindo-se à Europa disse que rejeita instruções de líderes "hipócritas" acrescentando que o "continente está a perder a consciência e a capacidade de distinguir entre o certo e o errado".

Após os ataques do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023, a Alemanha demonstrou apoio a Israel, reprimindo os protestos de apoio à Palestina que se realizaram em território alemão. 


Leia Também: Nova Iorque: Detidos em protesto para bloquear venda de bombas a Israel

Perto de uma centena de manifestantes foram detidos na segunda-feira durante um protesto em Nova Iorque, para pedir ao líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e à senadora Kirsten Gillibrand que bloqueiem a venda de bombas norte-americanas a Israel.

VENEZUELA: EUA dizem que 150 milhões de barris vendidos desde captura de Maduro... O secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou na segunda-feira que, desde a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foram vendidos pelo menos 150 milhões de barris de petróleo venezuelano.

© Nick Oxford/Reuters      Por  LUSA   14/04/2026 

"Arredondando, provavelmente terão sido vendidos 150 milhões de barris de petróleo venezuelano, talvez um pouco mais, mas algo assim, desde 03 de janeiro", declarou Wright durante uma intervenção no fórum Semafor World Economy, realizado em Washington. 

O responsável estimou em mais de 1,2 milhões de barris de crude por dia a produção atual do país latino-americano, o que representa, segundo explicou, um aumento face ao "pouco menos de" um milhão de barris diários antes da captura de Maduro em janeiro.

Wright sublinhou que um dos objetivos do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é atrair novamente as petrolíferas norte-americanas para Caracas, e apontou que existem cinco empresas petrolíferas dos EUA na Venezuela, desde produtores offshore --- empresas que exploram, desenvolvem e extraem petróleo e gás no leito marítimo --- até produtores convencionais e não convencionais em terra.

Por outro lado, o titular da pasta da Energia considerou "um prazo muito ambicioso" esperar que os preços do petróleo baixem este verão, prevendo, nesse sentido, preços da energia "altos e talvez, até, em alta" até que se consiga um "tráfego marítimo significativo" através do estratégico estreito de Ormuz.

"Uma vez terminado o conflito e quando a energia voltar a fluir, começará a verificar-se uma pressão em baixa, embora demore algum tempo", precisou Wright, sublinhando ainda que "quanto mais se prolongar o conflito, mais tardará a recuperação".

Maduro foi capturado no âmbito de uma operação realizada no início de janeiro pelo Exército norte-americano, em cumprimento de um mandado de captura do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que acusa o antigo Presidente venezuelano de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de armas.

Em janeiro passado, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou uma "associação produtiva" de longo prazo com os Estados Unidos, depois de Washington ter levantado as sanções a Caracas para permitir às empresas norte-americanas operar no mercado petrolífero venezuelano, como parte de um processo iniciado a 07 de janeiro que autoriza a venda e o transporte de crude para todo o mundo.

Isso abriu caminho para que a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) assinasse novos contratos de fornecimento com empresas comercializadoras de petróleo e derivados, destinados ao mercado norte-americano.

O próprio Presidente dos Estados Unidos qualificou como "realmente bom" o trabalho realizado por Rodríguez na exploração dos recursos petrolíferos, destacando que estão a ser extraídos "milhões, literalmente milhões de barris de petróleo".


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O Presidente norte-americano afirmou esta segunda-feira que acredita poder concentrar-se em Cuba assim que resolver a guerra contra o Irão, num momento em Washington garante que continua a manter contactos com Havana.

EUA propõem a Irão pausa de 20 anos no enriquecimento de urânio... Os Estados Unidos propuseram uma suspensão de 20 anos do programa de enriquecimento de urânio iraniano, com vista a um acordo para pôr fim à guerra, informou a comunicação social norte-americana na segunda-feira.

© Lusa   14/04/2026 

Jornais norte-americanos, que citam responsáveis próximos das discussões, realizadas no sábado em Islamabade, Washington pediu a Teerão, nessa ocasião, que se comprometesse a não enriquecer urânio durante duas décadas. 

Esta pausa de 20 anos seria acompanhada por um alívio das sanções, indica o Wall Street Journal.

Em troca, o Irão teria proposto suspender as atividades nucleares durante cinco anos, escreveu, por sua vez, o The New York Times

O Presidente norte-americano, Donald Trump, desencadeou a guerra em 28 de fevereiro, afirmando que o Irão estava a desenvolver uma bomba atómica --- o que Teerão nega --- e prometendo nunca permitir que o país tivesse uma arma nuclear.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, saiu de mãos vazias das negociações com o Irão no domingo, sendo que os principais pontos de discórdia dizem respeito à reabertura do estreito de Ormuz e ao programa nuclear iraniano.

Estas propostas relatadas pela imprensa dos EUA parecem ser uma versão atenuada das exigências formuladas publicamente por Donald Trump, que exigiu que o Irão renunciasse definitivamente às ambições nucleares.

Em 2018, durante o primeiro mandato presidencial, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear celebrado em 2015 entre o Irão e as grandes potências, um documento que previa um alívio das sanções em troca de limitações rigorosas ao enriquecimento de urânio e de um controlo reforçado das instalações do país.

"Uma coisa é os iranianos afirmarem que não irão dotar-se de armas nucleares, mas outra coisa é nós implementarmos os mecanismos necessários para garantir que isso não aconteça", afirmou JD Vance na segunda-feira, no final das negociações de paz infrutíferas no Paquistão, acrescentando que os Estados Unidos apresentaram "linhas vermelhas claras".

O Irão já afirmou excluir qualquer restrição ao direito de enriquecer urânio no âmbito do que afirma ser um programa nuclear civil.

A "questão central" é a retirada de todo o urânio que o Irão já enriqueceu a alto nível, bem como "a garantia de que não haverá mais enriquecimento nos próximos anos, ou mesmo nas próximas décadas", indicou na segunda-feira o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aliado próximo de Trump.

Moscovo anunciou na segunda-feira que está disposta a acolher em território russo urânio enriquecido iraniano, no âmbito de um eventual acordo de paz entre Washington e Teerão.


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Quatro congressistas democratas e republicanos podem ser excluídos nos próximos dias da Câmara dos Representantes dos EUA, que só conheceu tal cenário por seis vezes na sua história.