segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

EUA abdicam de comandos da NATO para sul da Europa e norte... Os Estados Unidos vão abdicar da liderança dos comandos da NATO para o do sul da Europa e para o norte e assumir o Comando Marítimo Aliado, no Reino Unido, noticiou a agência AFP.

Por  LUSA 09/02/2026

Citando fontes diplomáticas, a agência noticiosa adianta que Washington irá abdicar da liderança do Comando Conjunto Aliado (JFC, na sigla em inglês), sediado em Nápoles (sul de Itália) e focado nas operações na região sul da Europa e do Atlântico, que será assumido por Roma.

Também o JFC em Norfolk (leste dos Estados Unidos), focado no norte, deixará a liderança norte-americana e passará para o Reino Unido, segundo as mesmas fontes, que confirmaram informações reveladas pelo jornal francês La Lettre.

Os JFC são os comandos operacionais responsáveis pelo planeamento e condução de potenciais operações da NATO.

O terceiro JFC, focado na região leste da Aliança, está sediado em Brunssum (Países Baixos) e é atualmente comandado por um oficial alemão. 

Segundo a AFP, as forças norte-americanas vão assumir o Comando Marítimo Aliado (MARCOM), sediado em Northwood, na Grã-Bretanha.

Estas mudanças deverão ser implementadas dentro de alguns meses, disseram dois diplomatas da NATO à AFP sob anonimato.

"É um bom sinal de uma transferência de facto de responsabilidades", afirmou uma fonte.

Os Estados Unidos têm o papel militar central na NATO desde a sua criação, em 1949.

Vão agora exercer o comando central dos três ramos da NATO: forças terrestres (LANDCOM), forças marítimas (MARCOM) e forças aéreas (AIRCOM). 

O cargo de comandante supremo aliado na Europa (SACEUR), um posto estratégico, continuará a ser ocupado por um oficial norte-americano, tal como acontece desde a criação da Aliança.

O cargo mais "político" de secretário-geral é tradicionalmente ocupado por um europeu, atualmente o neerlandês Mark Rutte.

O The Washington Post noticiou recentemente que o Departamento de Defesa (Pentágono) dos Estados Unidos planeia reduzir a participação do país em elementos da estrutura de forças da NATO e em vários grupos consultivos da aliança.

O jornal, que citou várias autoridades norte-americanas ligadas ao processo, referiu que este é o mais recente sinal da iniciativa da administração liderada por Donald Trump de reduzir a presença militar na Europa.

A mudança está a ser equacionada há meses, de acordo com duas autoridades norte-americanas, uma das quais disse não estar relacionada com as crescentes ameaças do Presidente Donald Trump de tomar o território dinamarquês da Gronelândia.

As provocações de Trump atraíram uma ampla condenação de líderes europeus e de muitos legisladores no Congresso, que temem que o chefe de Estado republicano corra o risco de causar danos irreparáveis e desnecessários à aliança.

Sob pressão da administração Trump, a aliança concordou no verão passado em aumentar as despesas com a defesa para 5% do PIB nos próximos 10 anos, incluindo 1,5% destinados a infraestruturas e outros projetos civis.

A NATO tem em curso o exercício Steadfast Dart 26, com participação de forças portuguesas e de outros aliados, mas sem forças norte-americanas. 

Com cerca de 10.000 militares de onze países aliados, o Steadfast Dart 26 faz parte do treino da Força de Reação Aliada (ARF, na sigla em inglês), uma força de reação rápida da Aliança capaz de ser mobilizada onde for necessário, dentro e fora dos Estados-membros, em poucos dias. 

O principal objetivo do Steadfast Dart 26 é demonstrar a capacidade de desdobramento rápido e a convergência no tempo e no espaço com o resto das forças da AFR.

Em conferência de imprensa na semana passada, o general alemão Ingo Gerharzt, chefe do Comando da NATO na Europa Central negou que a ausência de forças norte-americanas no exercício deste ano estivesse relacionada com as tensões em torno da atual política internacional dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump.

"Não fazem parte do exercício deste ano, mas poderão fazê-lo nos próximos anos", garantiu o general alemão, acrescentando que a NATO conta com "um forte contributo dos EUA". 

Domingos Simões Pereira e PAIGC felicitam António José Seguro... O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, felicitou hoje António José Seguro pela sua eleição como Presidente da República Portuguesa, comunicou o partido guineense.

Por  LUSA 09/02/2026

"Foi com particular satisfação que tomamos conhecimento da sua eleição ao cargo da mais alta magistratura da República Portuguesa", lê-se na nota de imprensa divulgada nas redes sociais.

"O povo português e guineense, estão unidos por intemporais e indeléveis laços afetivos que se tem traduzido em insubstituíveis relações de amizade e cooperação", acrescentou o comunicado.

O documento reiterou ainda que Domingos Simões Pereira felicita, em seu nome pessoal e do PAIGC, António José Seguro "pela confiança merecida do povo amigo e irmão de Portugal" e que se mostra disponível para "expandir e aprofundar a singular amizade e cooperação que" une os povos lusófonos citados, quer de forma bilateral, quer de forma multilateral, particularmente no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), instituição da qual Simões Pereira já foi secretário executivo.

Também hoje a secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, saudou António José Seguro e o povo português por mais um escrutínio livre e democrático. 

Por outro lado, a embaixadora angolana reafirmou a sua disponibilidade para aprofundar a cooperação, tendo em vista o progresso e o desenvolvimento dos Estados-membros da CPLP e dos "povos irmãos".

António José Seguro foi eleito domingo Presidente da República com dois terços dos votos expressos, com cerca de 3,48 milhões, quando faltam apurar 20 freguesias.

O chefe de Estado eleito alcançou uma percentagem próxima dos 67% e tomará posse no dia 09 de março.

A CPLP, que este ano assinala 30 anos, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Reservas minerais de África valem quase 30 biliões mas são subaproveitadas... África tem 29,5 biliões de dólares em reservas minerais, cerca de 20% do total mundial, mas 8,6 biliões equivalem a recursos por explorar, segundo um relatório da Corporação Financeira Africana (AFC) divulgado hoje.

© LUSA   09/02/2026 

"África possui uma das reservas minerais mais diversificadas e estrategicamente significativas do mundo, com um valor estimado de 29,5 biliões de dólares [24,7 biliões de euros] em minas, aproximadamente 20% do total global", lê-se no Compêndio de Recursos Minerais Estratégicos de África, hoje divulgado pela AFC, vocacionada para potenciar investimentos estratégicos em infraestruturas e indústria e um dos principais intervenientes no Corredor do Lobito, em Angola.

Do total de 29,5 biliões de dólares, "8,6 biliões de dólares [7,2 biliões de euros] permanecem por explorar, o equivalente a cerca de 2,5 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) anual do continente", revela a AFC, que lamenta que os países ganhem apenas uma pequena parte do valor destes recursos que lhe pertencem.

O problema, explica no documento, é a transformação de matérias-primas em produtos de valor acrescentado, ou seja, "a capacidade de transformar a riqueza mineral em ativos produtivos, infraestruturas, capacidade industrial, cadeias de valor regionais e plataformas de fabrico competitivas".

A título de exemplo, o relatório aponta o valor da transformação de minério de ferro em aço, afirmando: "Os 2,8 biliões de dólares [2,3 biliões de euros] em minério de ferro de África à saída da mina traduzem-se num valor estimado de 25,4 biliões de dólares [21,3 biliões de euros] em aço".

O processamento é definido como fundamental para o continente poder reclamar o valor dos recursos que tem.

"Até agora, estes ganhos permaneceram em grande parte não realizados porque África está presa num sistema de desalinhamento estrutural; os três pilares da viabilidade dos projetos minerais --- recursos naturais, infraestrutura facilitadora (especialmente energia e transporte) e procura --- raramente coexistem", lê-se no documento.

O Compêndio visa demonstrar a necessidade de uma mudança estrutural na maneira como os países olham para os seus recursos, defendendo que é preciso "um melhor planeamento regional e uma abordagem mais integrada para o desenvolvimento mineral de África".

Assim, em vez da lista de minerais críticos para a transição energética, o documento centra-se "no desenvolvimento de infraestruturas, industrialização, sistemas energéticos, segurança alimentar e resiliência da indústria transformadora", defendendo que os minerais só são importantes enquanto 'alimento' para sistemas económicos nacionais e regionais, o que faz com que o minério de ferro ou os fertilizantes minerais "sejam tão, se não mais, estrategicamente importantes para a transformação de África como os minerais de transição energética".

COREIA DO SUL: Político sul-coreano sugere "importar mulheres" para aumentar natalidade... Kim Hee-soo sugeriu do "importar mulheres jovens" do Vietname ou do Sri Lanka para aumentar a taxa de natalidade do país. A sugestão, feita durante uma reunião pública, foi amplamente condenada e resultou na expulsão de Kim do Partido Democrático.

POR NOTÍCIAS AO MINUTO   09/02/2026 

Um dirigente político sul-coreano sugeriu "importar mulheres jovens" do Vietname e do Sri Lanka para aumentar a taxa de natalidade da Coreia do Sul.

"Se for preciso, temos de importar mulheres jovens não casadas de sítios como o Sri Lanka ou o Vietname, arranjar casamentos com solteiros nas zonas rurais e preparar outras medidas especiais", afirmou, citado pelo The Korea Times,. 

As declarações de Kim Hee-soo, o chefe do condado de Jindo, no Sul, aconteceram durante uma reunião pública sobre uma possível fusão entre a província de Jeolla e uma cidade próxima, devido à diminuição da densidade demográfica na zona - um problema que se tem tornado cada vez mais regular na Coreia do Sul. A reunião foi transmitida em direto pelos órgãos de comunicação locais.

Note-se que, segundo as projeções nacionais, a população de 50 milhões da Coreia do Sul deverá diminuir para metade em apenas 60 anos.

A alegada solução de Kim não foi vista com bons olhos e depressa gerou polémica, não só dentro da própria Coreia do Sul, como também por um dos países mencionados.

A própria província já emitiu um pedido formal de desculpa pela "declaração inapropriada" de Kim, a qual "causou profunda dor aos vietnamitas e às mulheres".

Já a embaixada do Vietname em Seoul, condenou as palavras do dirigente polícia, afirmando que "não foram uma simples forma de se expressar, mas uma questão de valores e atitudes para com mulheres imigrantes e grupos minoritários".

O Sri Lanka não se pronunciou publicamente sobre o assunto, para já.

Kim já veio a público esclarecer que queria apenas discutir soluções para o problema da diminuição da população, nomeadamente em zonas rurais. Contudo, admitiu que a forma como se expressou, e a linguagem utilizada, foram inadequados, emitindo, de seguida, um pedido de desculpas - que não foi aceite na generalidade.

A polémica levou a que o Conselho Supremo do Partido Democrático (ao qual Kim pertencia) levasse a cabo uma votação sobre a permanência do político no partido. O voto foi unânime: Kim foi expulso.

Eurodeputados alertam que "não há tempo a perder" para dar armas a Kyiv... Eurodeputados advertiram hoje que "não há tempo a perder" no fornecimento de apoio militar à Ucrânia, após observarem na capital ucraniana "ataques contínuos" da Rússia e em vésperas de o Parlamento Europeu votar um novo empréstimo a Kyiv.

© FREDERICK FLORIN / AFP via Getty Images   Por  LUSA  09/02/2026 

Cinco membros da Comissão de Segurança e Defesa (SEDE) do Parlamento Europeu visitaram a capital ucraniana no final da semana passada, onde "testemunharam em primeira mão que a Ucrânia se mantém corajosa e desafiadora diante da economia de guerra da Rússia e de atos ilegais que incluem matar civis, sequestrar crianças e aterrorizar a população com ataques à energia e infraestruturas", segundo um comunicado divulgado hoje. 

Na nota de imprensa, o Parlamento Europeu relatou que os eurodeputados "viram poucas evidências de cessar-fogo, com ataques aéreos, sirenes durante toda a visita e ataques contínuos a infraestruturas civis" e "puderam perceber a realidade do impacto desses ataques em condições de inverno rigoroso que deixaram milhares de pessoas sem aquecimento e eletricidade, criando sofrimento humanitário severo".

A delegação do Parlamento Europeu reconheceu "o progresso nas negociações de paz", após mais uma ronda de conversações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na semana passada, mas, alertou que "não há tempo a perder para fornecer apoio militar à Ucrânia", sob ataque russo há quase quatro anos.

"Não podemos apenas 'esperar' pela paz, precisamos agir agora e garantir que a Ucrânia esteja em posição de alcançar a paz através da força", disse a presidente da SEDE, Marie-Agnes Strack-Zimmermann (Renew Europe, Alemanha), que chefiou a comitiva.

Citada no comunicado, a eurodeputada alemã sublinhou que "não pode haver segurança na Europa sem segurança na Ucrânia".

Os ucranianos, acrescentou, "estão a mostrar coragem a toda a Europa e o mundo perante tais atrocidades".

Os cidadãos europeus "reconhecem" que os ucranianos estão também a defender toda a Europa e "pedem que a Europa faça mais" para apoiar a Ucrânia e para fortalecer a defesa europeia, prosseguiu.

"Chega, devemos erguer-nos contra os agressores e defender os nossos valores e democracias juntos", frisou a responsável.

Na próxima quarta-feira, o Parlamento Europeu vota, em sessão plenária, o pacote de Empréstimos de Apoio à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, dos quais 60 mil milhões de euros "dedicados às necessidades urgentes de defesa da Ucrânia".

Durante a visita, os eurodeputados encontraram-se com representantes da presidência e do parlamento, bem como da sociedade civil e da indústria de defesa.

"Expressaram uma forte mensagem de solidariedade e apoio inabalável à Ucrânia e aos seus cidadãos diante da guerra de agressão injusta e ilegal da Rússia" e transmitiram às autoridades ucranianas que o Parlamento Europeu está a usar "todos os seus poderes legislativos e orçamentais para fortalecer a defesa europeia, fornecer apoio militar à Ucrânia e integrar a indústria ucraniana na base industrial europeia de defesa", acrescentou a nota informativa.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados de Kyiv também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

A ofensiva militar russa no território ucraniano mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Leia Também: UE anuncia 1,3 milhões para turismo de natureza em Cabo Verde

A União Europeia convidou hoje a sociedade civil de Cabo Verde a apresentar projetos sobre turismo de natureza, que serão selecionados para beneficiar de um montante global de 1,3 milhões de euros.

Lesmes Monteiro é o novo Diretor-Geral da INACEP – Imprensa Nacional, a maior empresa pública de produção gráfica do Estado.

O antigo Secretário de Estado da Juventude, que exercia até ao momento as funções de Conselheiro do Primeiro-Ministro para a área da Juventude e Empreendedorismo, foi empossado na manhã desta segunda-feira pelo Ministro da Comunicação Social. 

Na ocasião, Abduramane Turé manifestou confiança no novo Diretor-Geral e apelou a uma maior dinâmica e visão inovadora, com vista à modernização e ao reforço da capacidade institucional da INACEP.

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O T1 Phone, o telemóvel de Donald Trump, será lançado até ao final do ano... Anunciado em junho do ano passado, o T1 Phone da Trump Mobile sofreu algumas alterações, mas a intenção de o fazer chegar ao mercado continua. O telemóvel ficou, entretanto, mais caro do que se esperava.

© The Verge    Notícias ao Minuto    09/02/2026 

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em junho de 2025 que planeava lançar o T1 Phone - um telemóvel desenvolvido pela empresa Trump Mobile que, entretanto, acabou por ter o lançamento adiado.

Agora, o site The Verge está de volta com novos pormenores sobre o projeto e, ao que parece, foram feitas algumas alterações a este telemóvel nos últimos meses.

A publicação chegou à fala com dois executivos da Trump Mobile, Don Hendrickson e Eric Thomas, e teve até acesso à atual versão do T1 Phone. No que diz respeito ao design, será mantida a cor dourada, o ‘branding’ da Trump Mobile e até a bandeira dos EUA, mas o módulo da câmara será um pouco diferente.

Ao invés do design semelhante ao dos últimos modelos Pro do iPhone da Apple, o T1 Phone terá uma câmara com os três sensores orientados verticalmente no canto superior direito. Mais ainda, parece que a produção não será totalmente levada a cabo nos EUA como estava inicialmente previsto. Neste momento, só a “montagem final” acontecerá em Miami.

O preço também passou por algumas alterações. Os interessados que já pagaram 100 dólares (84,26 euros) pelo T1 Phone ainda terão de pagar mais 499 dólares (420,44 euros) pelo telemóvel, sendo que quem decidir comprar agora este modelo terá de estar disposto a dar até 999 dólares (841,73 euros).

Ainda não se sabe ao certo quando é que a Trump Mobile lançará no mercado o T1 Phone, mas o site oficial indica que o lançamento acontecerá até ao final do ano. 


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Bad Bunny foi o protagonista do intervalo mais famoso do mundo e aproveitou o momento para enaltecer a cultura latina. Donald Trump não gostou da ousadia e considerou mesmo que "foi uma bofetada" no rosto do país.


António José Seguro eleito Presidente com "o seu estilo", Ventura segue "sem drama"... A noite eleitoral não se arrastou pela madrugada dentro e antes da meia-noite deste domingo já António José Seguro terminava o seu discurso enquanto vencedor, tal como as primeiras projeções indicavam. Dos resultados às promessas de "cooperação" no futuro, eis o que foi dito.

© Horacio Villalobos#Corbis/Getty Images     Por  noticiasaominuto.com   09/02/2026 

António José Seguro foi eleito Presidente da República no domingo, depois de uma segunda volta disputada com André Ventura, tornando-se assim o sexto Presidente eleito em democracia. A escolha de um chefe de Estado à segunda volta aconteceu pela última vez em 1986, quando Diogo Freitas do Amaral e Mário Soares disputaram o cargo. Há 40 anos, Soares venceu o duelo histórico e também agora Seguro faz história, ao superar o número de votos dados a Soares e conquistando o maior número de votos de sempre alcançado por um candidato presidencial.

De acordo com os resultados provisórios mais atuais à data da publicação deste artigo, Seguro tem 66,82% dos votos e André Ventura arrecada 33,18%. Os resultados - que pode consultar aqui mais detalhadamente em cada distrito, concelho ou freguesia - foram, desde o início da noite eleitoral, distanciados. Sondagens à boca das urnas davam uma distância 'confortável' entre Seguro e Ventura.

Seguro não esperava "força desta grandeza", mas recebe-a "com honra"

Na saída da sua casa até à sede de campanha, Seguro começou por dizer que o "povo português era o melhor do mundo". À medida que os resultados eram apurados, percebeu-se que a noite eleitoral não se ia transformar numa madrugada eleitoral - pelo menos, no que diz respeito ao discurso do vencedor, que antes da meia-noite já dizia a todos os que concorreram a Belém e ficaram pelo caminho: "A partir desta noite, deixámos de ser adversários."

Marcelo Rebelo de Sousa foi lembrado no discurso de Seguro, que disse que seria Presidente de "todos, todos, todos os portugueses", sublinhando ainda acerca de Marcelo e de outros antigos Presidentes da República: "Cada um no seu tempo e estilo serviu o nosso país com devoção e compromisso com o interesse nacional com a democracia. Servirei Portugal com o mesmo compromisso, mas com o meu próprio estilo."

Já quando respondia às questões dos jornalistas, Seguro confessou que não estava à espera dos resultados tão favoráveis à sua vitória. "Pedi confiança reforçada e a certa altura pensei que a poderia ter. Não desta grandeza, mas sou humildade para dizer aos portugueses que a recebo com muita honra."

Garantindo que iria utilizar a força que lhe foi dada para, junto do Governo e partidos políticos, reforçar uma "cultura de compromisso" que faça nascer políticas públicas duradouras - e que estas ultrapassem ciclos eleitorais -, acrescentou: "Esta força que o povo português me dá é uma força que está em sintonia com essa cultura. Como sempre disse: ou a política serve para resolver os problemas das pessoas ou não serve para rigorosamente nada."

Da corrida a Belém para "governar o país". A reação de Ventura

No discurso de André Ventura, que aconteceu antes de Seguro subir ao palco, o líder do Chega começou por dizer que já tinha transmitido as felicitações ao socialista, reconhecendo: "Independentemente de termos sido adversários nesta segunda volta, o sucesso de António José Seguro em Portugal será o sucesso de todos."

Disse, no entanto, que "pela primeira vez em 50 anos havia uma alternativa que não era do espaço do Partido Socialista ou do Partido Social Democrata" e prometeu: "Liderámos a Direita e vamos liderar a Direita"

André Ventura admitiu a derrota, reforçando: "É justo dizer que, não tendo vencido, os portugueses colocaram-nos no caminho para governar o país".

À saída da noite eleitoral, Ventura negou ter feito campanha a pensar em ser primeiro-ministro, depois de ter dito no seu discurso final da noite que o país o colocou nesse trajeto.

Com Belém pelo caminho, o líder do Chega afirmou: "O meu adversário sabe também que temos hoje caminho para continuar naquilo que o país precisar, em cooperação, como sempre foi. Não há aqui nenhum drama em relação a isso."

Com 99,20% dos resultados apurados, de acordo com a Secretaria-Geral da Administração Interna, André Ventura obteve, na segunda volta das presidenciais, cerca de um milhão e setecentos mil votos, superando o número de votos que somou nas últimas eleições legislativas.

O caminho até Belém

Nas sondagens de há cerca de um ano, em que não chegava aos dois dígitos, Seguro terminou a corrida presidencial com o dobro do resultado do seu adversário, e com uma força política reforçada pelo segundo melhor resultado percentual de sempre de um candidato a Belém.

Com esta vitória, Portugal volta a ter um Presidente da República militante do Partido Socialista, após os mandatos de Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos 20 anos e numa altura em que o Partido Social Democrata está no poder e os partidos à direita dos socialistas dominam dois terços do Parlamento.

A vitória de António José Seguro é tanto mais assinalável quanto a sua entrada na corrida presidencial se fez de forma pouco entusiástica, inclusive no seu campo político, gerando apreensão entre muitos socialistas, como o ex-presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que chegou a afirmar que a candidatura "não parecia cumprir os requisitos mínimos" para poder ser apoiada pelo PS, designadamente porque se ficava "pelas banalidades".

Após uma travessia do deserto de 11 anos, iniciada após ser derrotado por António Costa nas primárias no PS de 2014, o nome de Seguro foi lançado pelo anterior líder socialista, Pedro Nuno Santos, numa entrevista televisiva há pouco mais de um ano, mas então pouco levada a sério nas hostes do partido. O próprio PS, liderado por José Luís Carneiro, um homem de quem Seguro é muito próximo, demorou a declarar o seu apoio ao candidato.

Seguro anunciou oficialmente a candidatura em meados de junho de 2025 e o PS só em outubro, passadas as eleições autárquicas, aprovou formalmente o apoio ao candidato, por sinal um antigo secretário-geral do partido que continuava a gerar resistências entre alguns destacados dirigentes, alguns dos quais esperavam uma candidatura do ex-ministro António Vitorino.

Da primeira para a segunda volta das presidenciais, muitos prognosticaram uma abstenção mais elevada e que os votos brancos e nulos poderiam chegar percentualmente à casa dos dois dígitos, o que acabou por não acontecer. Não só a abstenção ficou abaixo dos 50% e da primeira volta, como os brancos e nulos somados andaram por volta de 5%, ou seja, cerca de 270 mil votos.


Leia Também: Marcelo felicitou Seguro e vai recebê-lo na segunda à tarde

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou hoje o seu sucessor, António José Seguro, que venceu a segunda volta das eleições presidenciais, e vai recebê-lo na segunda-feira às 16:00.