© Danylo Antoniuk/Ukrinform/NurPhoto via Getty Images Por LUSA 12/08/2026 Segundo os serviços de informações de Kiev, a campanha de ataques com drones contra a Wildberries atingiu pelo menos 14 centros de distribuição da empresa e "destruiu o modelo de negócio da maior plataforma de comércio eletrónico da Rússia, que vendia anualmente produtos equivalentes a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional".
Através da rede social Telegram, os serviços de informações indicaram que a empresa perdeu pelo menos 20% da sua capacidade de armazenamento em poucas semanas e acumulou prejuízos acima de 100 mil milhões de rublos, com as estimativas mais extremas a apontarem para o dobro.
Kiev calcula ainda que as necessidades totais de financiamento da Wildberries ascendem já a 1,3 biliões de rublos, ou cerca de 13,6 mil milhões de euros.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, justificou os ataques à Wildberries desde meados de julho argumentando que a empresa russa armazena mantimentos militares e componentes de drones.
Já hoje, Zelensky afirmou que as forças ucranianas recapturaram 26 localidades na região de Zaporijia, no sul do país, e nas regiões vizinhas de Dnipro e Donetsk, numa ofensiva lançada em janeiro último.
Esta campanha militar permitiu a libertação de 745 quilómetros quadrados de território, declarou o líder ucraniano nas redes sociais, após uma reunião com as chefias militares.
Zelensky disse também que o exército atacou "o último grande bastião da frota russa no Mar Negro", localizado na base naval de Novorossisk, na região de Krasnodar, e que alberga um importante terminal petrolífero internacional e também instalações de armazenamento e escoamento de cereais.
Segundo as autoridades russas, os ataques resultaram em duas mortes.
O governador de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, detalhou que, durante a noite, as defesas aéreas russas repeliram "um ataque massivo de centenas de drones" que "infelizmente causou mortes e feridos", incluindo um rapaz de 8 anos em Novorossisk.
"Foram confirmados impactos em posições de defesa aérea, docas e infraestruturas portuárias", escreveu, pelo seu lado, Zelensky nas redes sociais, elogiando o sucesso dos ataques, com recurso a drones Palianitsia e mísseis Neptune, a instalações situadas a mais de 300 quilómetros da linha da frente.
"A frota de ocupação e todas as infraestruturas que a apoiam não estarão seguras enquanto a agressão russa continuar", ameaçou Zelensky, reiterando que "todas as propostas diplomáticas razoáveis se mantêm em cima da mesa" para negociar o fim da guerra o mais rapidamente possível.
Os ataques aéreos intensificaram-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, resultando num número crescente de vítimas civis.
Os drones de última geração desenvolvidos por Kiev desde a invasão russa, há mais de quatro anos, têm visado repetidamente a frota russa no mar Negro, incluindo navios de guerra e petroleiros.
As autoridades ucranianas acreditam que o Presidente russo, Vladimir Putin, está determinado em prosseguir a invasão da Ucrânia, apesar da acumulação de baixas e sem conquistas de relevo no terreno, a par de uma economia em dificuldades e concentrada no esforço de guerra.
No entanto, Putin está a planear "uma mobilização rápida adicional de várias centenas de milhares de russos até ao final do ano", disse Zelensky nas redes sociais na noite de terça-feira, citando relatórios dos serviços de informações ucranianos.
Os relatórios afirmaram também recentemente que a Rússia está a expandir a produção de mísseis balísticos e de drones a jato, ambos difíceis de serem neutralizados pelas defesas aéreas ucranianas.
Ao mesmo tempo, a Ucrânia está também a tentar aumentar a sua produção de armas através de acordos com países parceiros, uma vez que ambos os países continuam longe de uma solução negociada, apesar das tentativas de mediação dos Estados Unidos.
Na Crimeia, ilegalmente anexada desde 2014, as defesas aéreas derrubaram 115 drones ucranianos sobre Sebastopol durante a noite, disse o governador local, acrescentando que 10 edifícios de apartamentos e 25 casas particulares foram danificados.
Na Ucrânia, os bombardeamentos russos atingiram várias regiões na última noite e duas pessoas foram mortas e outras ficaram feridas em ataques com drones em Kherson, no sul do país.
De acordo com a Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou mísseis e 138 drones durante a última noite, dos quais 112 foram abatidos ou intercetados.
A Rússia reclama também avanços terrestres na província de Donetsk, no leste da Ucrânia, que tenta capturar na totalidade desde o início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022. quando já ocupava partes da região.