segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MOÇAMBIQUE: ONU aponta para até 500 combatentes insurgentes em Cabo Delgado... A insurgência armada em Cabo Delgado aumentou para entre 400 e 500 combatentes, intensificou o recrutamento e apresenta sinais de expansão para o sul daquela província moçambicana, segundo relatório das Nações Unidas apresentado ao Conselho de Segurança.

© Lusa  17/08/2026 

Os dados constam do 38.º relatório da Equipa de Apoio Analítico e Monitorização de Sanções das Nações Unidas sobre o Estado Islâmico (Daesh), a Al-Qaeda e entidades associadas, de 10 de agosto, a que a Lusa teve hoje acesso, elaborado com base em informações recolhidas até 09 de junho de 2026.

O documento foi preparado para o Comité de Sanções do Conselho de Segurança criado pelas resoluções 1267, 1989 e 2253 e, no capítulo dedicado à África Central e Austral, a ONU refere que a força da Ahlu Sunnah Wal Jamaa (ASWJ), grupo associado ao Estado Islâmico que atua em Cabo Delgado, "aumentou para um número estimado de 400 a 500 combatentes", apesar das operações militares multinacionais em curso na província.

Acrescenta que, ainda entre dezembro de 2025 e março de 2026, o grupo "intensificou os esforços de recrutamento", apelando à adesão de novos elementos e explorando "rotas de migração ilegal para movimentar novos recrutas regionais".

A atividade insurgente continua concentrada nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia, Muidumbe, Palma, Quissanga, Meluco e Nangade, mantendo atividade considerada negligenciável nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula, que registaram ataques em 2025, refere ainda o relatório.

Contudo, assinala que atividades emergentes nos distritos de Meluco e Montepuez, bem como em Ancuabe e Chiúre, "indicaram uma gradual expansão para sul", sugerindo um alargamento geográfico da área de atuação do grupo.

O relatório identifica a área formada pelos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia e Muidumbe como o principal centro operacional da ASWJ, devido às características do terreno.

Segundo a ONU, os insurgentes atuam normalmente em grupos de 10 a 15 combatentes para evitar a deteção, mas continuam capazes de realizar ataques coordenados em vários pontos em simultâneo.

Desde janeiro, diz, ocorreram vários ataques ao longo do corredor da estrada N380, no distrito de Macomia.

A equipa de monitorização destaca o crescente interesse da organização por atividades marítimas, referindo que o grupo demonstrou interesse em "operações marítimas, incluindo extorsão e ataques contra embarcações civis".

O relatório identifica a atual estrutura de liderança da organização, apontando Hassan Ulanga como líder, Farido Sulemane Arune como adjunto e responsável operacional, Suleimane Nguvu como facilitador logístico e especialista em explosivos, e Mamudo Ibraimo Dado como responsável pelas áreas financeira e logística.

Refere que a extorsão é a principal fonte de financiamento do grupo, nomeadamente no mar: "ASWJ continuou a extorquir barcos de pesca, camiões de transporte e o comércio de vida marinha, como pepinos-do-mar e cavalos-marinhos".

O relatório acrescenta que continuam a ocorrer raptos para obtenção de resgates, normalmente entre 20 e 50 dólares (17 e 43 euros), embora em alguns casos os montantes ultrapassem 500 dólares (430 euros), dependendo do alvo.

Os sistemas informais de transferência de valores permitem ao grupo movimentar pequenas quantias de forma recorrente, misturando-as com fluxos económicos legítimos da região e dificultando a sua deteção pelas autoridades.

O relatório conclui que, apesar da pressão militar exercida por forças moçambicanas e parceiros internacionais, a insurgência mantém capacidade de recrutamento, financiamento e adaptação operacional em Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, regista desde 2017 uma insurgência armada que já provocou cerca de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados.


ALGÉS: Jovem pediu ajuda antes de matar mãe e Estado ignorou: "Ninguém fez nada"... O jovem que matou a mãe em Algés fez vários pedidos de ajuda às autoridades, mas o Estado ignorou todas as denúncias e sinais de violência. A situação culminou em tragédia, levantando questões sobre a proteção de menores e o funcionamento da Justiça.

© Shutterstock  Por  noticiasaominuto.com  17/08/2026 

O jovem de 15 anos que matou a mãe em Algés, na semana passada, fez diversos pedidos de ajuda às autoridades portuguesas. Acreditava que estava melhor - assim como a irmã de 4 anos - longe da progenitora. Institucionalizado, tal era o desespero.

Em dois anos, foram diversos os episódios violentos, as chamadas para as autoridades, as ocorrências que envolvem o casal e os dois filhos. Mas nenhuma foi suficiente para por fim à violência enraizada no seio desta família.

Hoje, o Correio da Manhã revela mais um dado dramático. Cerca de 15 dias antes do homicídio, o adolescente dirigiu-se a um posto policial e tentou apresentar queixa contra a mãe. Mostrou vídeos, imagens da violência que ocorria entre quatro paredes, mas a queixa foi rejeitada. Tinha de estar acompanhado por um adulto, por ser menor. E mandaram ligar depois, durante a hora de expediente.

Como é possível ouvir no áudio divulgado pelo matutino, gravado, alegadamente no final de julho, perante a impossibilidade de apresentar queixa e falta de respostas às suas denúncias, o jovem lamenta: "Os vídeos que eu tenho são de ameaças de morte. E, até agora, ninguém fez nada".

O agente que o atende rebate: "Mas lá está, é o que os meus colegas disseram. O Ministério Público (MP) já teve acesso a esses vídeos. O que o senhor pode fazer é ligar amanhã entre as 9h30 e as 17h, mais coisa menos coisa [...]. 17h não, 17h já é muito tarde. Até às 16h, 15h30".

Acrescenta o Correio da Manhã que, além deste contacto, dias antes do crime, no dia 5 de agosto, o menor foi ouvido, em conjunto com a mãe, Gabriela Barbosa, de 32 anos, pela assistente social. Nesse encontro foi-lhe assegurado que ia ser institucionalizado. Mas até ao dia do homicídio, nada aconteceu.

Tanto o jovem como a irmã mantiveram-se na companhia da progenitora até à madrugada de quarta-feira, 12 de agosto, dia em que, com um 'mata-leão' - golpe de estrangulamento e imobilização usado em artes marciais - a matou.

Foi o próprio adolescente quem, já na quinta-feira, várias horas depois do homicídio, ligou às autoridades a dar conta do sucedido.

Disse à polícia que o fez para proteger a irmã, mas terá ficado em silêncio quando foi ouvido no Tribunal de Menores. O juiz determinou que ficaria em internamento em regime fechado durante os próximos três meses, uma medida que será reavaliada dentro de dois meses.

"Não faz sentido haver tantos avisos e o Tribunal não ter reação"

Ao Notícias ao Minuto, na semana passada, o presidente da CPCJ de Oeiras, Rui Esteves explicou que tanto o jovem que matou a mãe como a irmã, hoje com 4 anos, estiveram sinalizados pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras entre 2024 e 2025. E que, em junho do ano passado, pediram ao Tribunal de Família e Menores de Cascais uma medida de proteção urgente para os menores. Encontrando-se a família, "desde essa data a ser acompanhada judicialmente".

Entretanto, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste confirmou também que corria desde 2025 um processo de promoção e proteção relativo às crianças. Em janeiro de 2026 foi celebrado um acordo de promoção e proteção, com a aplicação de uma medida de apoio junto da mãe. Mas, concretamente, como é que a família estava a ser acompanhada, não se sabe.

À Rádio Renascença, o bastonário da Ordem dos Advogados deixou duras críticas à Justiça na atuação do caso. Para João Massano "não faz sentido haver tantos avisos e o Tribunal [de Menores de Cascais] não ter reação".

Agora, é necessário perceber "quem é que recebeu os vídeos, porque é que não atuou, e se havia alguma razão para não o fazer".

O bastonário alertou ainda para o facto de, neste momento, "não termos o conhecimento total das coisas" e ser preciso conhecer "as razões pelas quais nada foi feito", antes de julgar alguém ou alguma instituição.

Se por acaso, no final, se concluir que "a falha é efetivamente de alguém da CPCJ ou do próprio tribunal, obviamente que tem de haver consequências".

"Objetivamente, um tribunal estar tanto tempo sem ter uma reação quando a situação é explosiva - quando temos alguém que está preso por violência doméstica e por violação, um jovem que avisa que a irmã e ele estão a ser vítima de violência doméstica também - é claro que o tribunal deveria reagir mais depressa, teria de reagir mais depressa", evidenciou ainda.

Perante isso, João Massano pede que se explique "exatamente o que é que aconteceu", que é, no fundo, "ouvir a versão da CPCJ e do Tribunal para não ter havido essa atuação".

"E se a justificação for, pura e simplesmente, excesso de trabalho, incapacidade, etc., diria que não é isso que pode justificar uma situação destas", defendeu, lamentando "falta de investimento na justiça de há muitos anos".

Vídeos mostram espiral de violência

Entretanto, na noite de domingo, a CNN Portugal, divulgou uma série de vídeos que mostram que a violência fazia parte do quotidiano da família.

Nas imagens partilhadas pelo canal de televisão vê-se Gabriela Barbosa inconsciente, deitada no chão, alegadamente, depois de o filho, que agora a matou, lhe ter feito um 'mata-leão'. Ao lado da mãe está a filha de 4 anos, a chorar compulsivamente. Noutro vídeo, vê-se Gabriela a agredir a menina.

Mas a espiral de violência no seio desta família, de nacionalidade brasileira, não vem de agora. Segundo o canal de televisão, começou quando Gabriela e o marido e pai dos menores, José, eram ainda adolescentes.

A mudança para Portugal, há dois anos, tornou a situação ainda pior. As constantes agressões e o facto de ser a única a "sustentar a casa", levaram Gabriela a querer acabar a relação. No dia que o disse ao marido, em outubro do ano passado, quase morreu.

"Eles começaram a brigar muito e o meu sobrinho ligou para uma amiga da minha irmã e falou: 'tia, o meu pai e a minha mãe estão a brigar muito, posso dormir na sua casa?'. Ela falou: 'pode'. E foi nesse dia que ele tentou matar a minha irmã", contou Gilmara Barbosa, irmã da mulher agora morta pelo filho.

Depois do crime, José acreditou que tinha matado Gabriela. "Ela estava inconsciente, com o pulso fraco, para ele ela estava morta. Ele mandou mensagem para a mãe como se a tivesse matado. E a mãe dele falou para ele ligar para o número de emergência. E eles conseguiram reanimá-la. Mas não foi violência doméstica. Foi tentativa de homicídio", garantiu ainda.

A estação televisiva divulga ainda um vídeo de Gabriela a contar que viu a filha a ver o marido a estrangulá-la: "Meu Deus, eu vou morrer aqui com a minha filha a ver tudo isso".

José foi detido e colocado em preventiva. O julgamento começa em setembro. Mas violência no lar desta família não terminou com a sua prisão. Continuou até culminar na morte de Gabriela na passada quinta-feira.


Leia Também: Jovem que matou mãe já tinha agredido pai (que quer guarda dos 2 filhos)

O adolescente que matou a mãe, na semana passada, em Algés, já tinha agredido a vítima e o pai, que se encontra, neste momento, em prisão preventiva pelo crime de violência doméstica. Apesar disso, a família paterna está disponível para o acolher, assim como a irmã, de 4 anos.

Adeus, dores na lombar. O exercício que melhora 50% das dores de costas... Se sofre de dores na lombar, não desista de se exercitar. Estudos recentes mostram que existe uma modalidade desportiva pode reduzir significativamente as dores nas costas. Descubra aqui qual é o exercício que tem de começar a implementar no seu dia a dia.

© Shutterstock   Por  noticiasaominuto.com  17/08/2026 

Se está com dores na lombar, saiba que o segredo não é parar de se exercitar, pelo contrário! Estudos recentes mostram que há uma modalidade desportiva que pode fazer muito pela saúde das suas costas.

As causas podem ser distintas, mas se o seu médico autorizar, este exercício pode resolver até 50% dos seus problemas de costas em apenas oito semanas.

Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine revela que a natação é a modalidade que, além de trabalhar todos os grupos musculares, "é um tratamento eficaz para as dores na lombar".

Embora não seja uma forma de cura total para alguns dos problemas de costas, os investigadores sublinham que este é um tipo de "terapia aquática que pode aliviar a dor, especialmente em pessoas com problemas crónicos ou artrites."

O que mostra a ciência?

A investigação com 76 participantes que se queixavam de dores na lombar há mais de doze semanas, monitorizou a saúde óssea destas pessoas ao longo de 52 semanas. No entanto, a prática de natação foi implementada somente ao longo de oito semanas.

No tempo restante, os especialistas procuraram verificar se o alívio da dor permaneceria, mesmo sem a prática deste exercício físico. "Com o tempo, os efeitos positivos da natação diminuíram após o término do programa estruturado de oito semanas" sugerindo, portanto, que a natação "pode ser mais benéfica como opção de tratamento a curto prazo.

O que precisa de fazer para intensificar os benefícios?

Se não souber nadar, não desespere! Estes especialistas adiantam que não precisa de ser um atleta de elite, para conseguir retirar todos os benefícios desta modalidade basta fazer algo muito simples: Flutuar.

Uma das investigadoras, Deborah Wareham revela que "em média, as pontuações de deficiência óssea melhoraram 50% ao longo do programa de oito semanas."

Segundo a especialista revela ao Very Well Health, os participantes concordaram. "Um estudo qualitativo em simultâneo com este estudo, os participantes descreviam que a natureza de baixo impacto e a flutuabilidade da natação os ajudava a sentirem-se mais confortáveis ao exercitarem-se".

"Muitos descreveram a sensação de poderem movimentar-se mais livremente na água, e outros sentiam que podiam exercitar-se mais do que em terra", remata.

Irão ameaça EUA com "surpresas estratégicas" e postura "ofensiva"... Um alto cargo da Guarda Revolucionária do Irão disse que "a partir de agora, qualquer ação que empreendamos, mesmo que seja defensiva, deve ter um caráter ofensivo."

Por  DN/Lusa  17 Ago 2026 

 Irão garantiu ter "surpresas estratégicas" para os Estados Unidos, com o acordo, que estabelecia um cessar-fogo e um período de 60 dias para resolver questões pendentes, a expirar esta segunda-feira.

Numa entrevista à televisão iraniana realizada hoje pela agência IRNA, um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irão (IRGC, na sigla em inglês) defendeu uma "reorganização, modernização e desenvolvimento da doutrina de defesa da República Islâmica".

"A partir de agora, qualquer ação que empreendamos, mesmo que seja defensiva, deve ter um caráter ofensivo", afirmou o subcomandante da IRGC para os Assuntos Políticos, Yadollah Javani, antes de assinalar que as forças armadas iranianas "adotarão abordagens transformadoras".

"O inimigo deve saber que não pode realizar ataques de surpresa nem apanhar-nos desprevenidos. Talvez deva esperar surpresas estratégicas", advertiu.

As declarações enquadram-se no endurecimento do tom de Teerão contra Washington, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito na sexta-feira que planeia declarar o estreito de Ormuz "território dos Estados Unidos" após "derrotar o Irão".

Após a afirmação de Trump, as forças iranianas garantiram no domingo que não cederão até alcançarem a "derrota completa" dos EUA e anunciaram uma recompensa equivalente a 30 mil dólares (25.893 euros) para qualquer cidadão iraniano que mate ou capture e entregue um soldado norte-americano, com um prémio que duplicará se a ação for levada a cabo por uma mulher.

Esta segunda-feira expira o memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington a 17 de junho, que estabelecia o fim imediato das operações militares e fixava um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo de paz.

No entanto, as hostilidades reataram a 07 de julho, depois de Washington ter acusado Teerão de atacar navios comerciais no estreito de Ormuz, ao que se seguiram novos bombardeamentos norte-americanos contra o sul do país persa.