quarta-feira, 15 de julho de 2026

Irão ameaça suspender exportações de energia após novo bloqueio dos EUA... A Guarda Revolucionária iraniana ameaçou hoje suspender todas as exportações de energia do Médio Oriente após novo bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

© ATTA KENARE / AFP via Getty Images    Por LUSA   15/07/2026 

"A exportação de petróleo e gás da região será ou para todos ou para ninguém", declarou a força militar iraniana.

O exército norte-americano voltou a impor na madrugada de quarta-feira um bloqueio aos portos iranianos devido aos ataques de Teerão contra navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz, desencadeando novas ofensivas do Irão contra países que acolhem forças dos EUA, e numa altura em que o acordo interino para pôr fim à guerra se encontra perto do colapso.

O Comando Central dos EUA anunciou ter realizado uma nova vaga de ataques a várias áreas no Irão na terça-feira antes de restabelecer o bloqueio durante a madrugada, com sirenes de alerta de mísseis a soar no Bahrein e no Kuwait perante ataques iranianos.

O Ministério da Saúde iraniano confirmou hoje que a mais recente vaga de ataques aéreos dos EUA durante a noite provocou mais de 260 feridos, número superior ao registado em qualquer outra ronda recente de violência entre os dois países.

O porta-voz Hossein Kermanpour não forneceu dados sobre vítimas mortais, mas sublinhou que a ofensiva norte-americana agravou a crise em torno do estreito de Ormuz, por onde em tempos de paz circulava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural.

Os EUA justificaram os ataques como resposta à "agressão injustificada" de Teerão, enquanto a Guarda Revolucionária reiterou que poderá bloquear totalmente as exportações energéticas da região.

Os EUA tinham imposto o bloqueio em meados de abril e levantado a medida em meados de junho, um dia após assinarem o acordo interino que previa 60 dias de negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.

Mas as conversações estagnaram à medida que os combates pelo estreito se intensificaram.

O acordo provisório previa passagem gratuita pelo estreito durante 60 dias, mas deixou em aberto o futuro, com Teerão a afirmar ter direito a gerir o tráfego e cobrar taxas, posição contestada por Washington.

O preço do barril de Brent chegou a ultrapassar os 87 dólares (cerca de 74 euros) terça-feira, ainda abaixo dos quase 120 dólares (102 euros) registados no auge da guerra, mas caiu para 78 dólares (66 euros) após o anúncio de Trump.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Corrupção gera consenso entre candidatos presidenciais de São Tomé... Os quatro candidatos a Presidente de São Tomé e Príncipe expressaram esta terça-feira à noite consenso sobre o efeito devastador da corrupção no país, no primeiro e único debate previsto nas eleições agendadas para domingo.

© Shutterstock     Por LUSA    15/07/2026  

Quando Nito d'Abreu afirmou que a corrupção em São Tomé e Príncipe "é a maior catástrofe que o país tem vivido neste meio século [de independência]" e que o estado da Justiça afasta qualquer investimento na economia, já o atual Presidente, Carlos Vila Nova, lembrara que ninguém coloca dinheiro no país se os tribunais não funcionarem, tendo acabado uma das intervenções a defender que é preciso "fazer da Justiça uma causa nacional".

Já o jurista Eugénio Tiny falou numa "ferida cancerosa que está a destruir o país", argumentando que só pode existir uma Justiça forte se existir uma economia saudável.

Por sua vez, o advogado Miques João, denunciou existir uma "ingerência dos políticos nos tribunais" e lamentou o "flagelo nacional que é a corrupção".

No debate que durou mais de duas horas na Televisão São-Tomense (TVS), a cinco dias das eleições e a cerca de três meses das legislativas, todos os quatro candidatos garantiram que, uma vez eleitos, respeitariam os resultados das urnas, prometendo uma coabitação institucional com o Governo que sair da vontade popular, sublinhando que o chefe de Estado não governa, mas que pode influenciar as políticas governativas.

Carlos Vila, que não conta agora com o apoio Ação Democrática Independente (ADI), recandidata-se suportado por uma plataforma da oposição, que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala dissidente da ADI.

Nito d'Abreu, líder parlamentar da ADI, é o candidato oficial, apoiado pela fação leal ao presidente do partido, Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido em janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.

Tem o apoio de uma plataforma eleitoral que inclui também o Movimento de Cidadãos Independentes -- Partido Socialista (MCI - Partido Socialista), Partido de Unidade Nacional (PUN) e Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).

Eugénio Andrade é o mais veterano dos candidatos e um dos dois candidatos sem apoios partidários conhecidos. Foi vice-presidente da Assembleia Nacional e cofundador do Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM).

Miques João é o mais jovem dos candidatos, com 41 anos. Foi suspenso pela Ordem dos Advogados, após várias acusações não consubstanciadas feitas contra membros da classe política e judiciária.

Em maio de 2025 foi preso preventivamente após ser acusado de abuso sexual de uma menor -- o que classificou de cabala política -, mas foi libertado em agosto do mesmo ano e aguarda agora o desenrolar do processo em liberdade. Volta a não contar com qualquer apoio partidário.

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho, mas Jorge Bom Jesus anunciou a sua desistência, ainda que já fora do prazo legal.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.


Leia Também: Candidato quer mudar o nome e a bandeira de São Tomé e Príncipe

O jurista Eugénio Tiny, candidato à Presidência são-tomense, disse hoje à Lusa que quer um forte combate à corrupção e defende a alteração do nome do país e das cores da bandeira para reforçar a unidade nacional.

RELATÓRIO: Mais de 13 milhões de crianças não foram vacinadas em 2025... Mais de 13 milhões de crianças não foram vacinadas em 2025 no mundo, o que pode comprometer a meta prevista na agenda da imunização global de reduzir esse número para 6,4 milhões em 2030.

© Lusa    15/07/2026 

O alerta consta do relatório Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje divulgado, e que indica que, no último ano, um total de 13,5 milhões de crianças não receberam qualquer dose de vacinas, ficando vulneráveis a doenças preveníveis pela vacinação, enquanto outras 6,2 milhões obtiveram apenas proteção parcial.

Apesar destes números representarem menos 745.000 crianças sem qualquer dose da vacina do que em 2024, as duas organizações avisam que os dados de 2025 apontam para que se esteja ainda longe de atingir a meta de redução de "crianças com dose zero" em 2030.

A Agenda da Imunização 2030 pretende diminuir para metade o número de "crianças com dose zero" a nível global, ou seja, das 12,8 milhões estimadas em 2019 para as 6,4 milhões dentro de quatro anos.

A meio da década - em 2025 - as 13,5 milhões de crianças que não tomaram qualquer dose de vacina representavam mais 700 mil do que em 2019 e 3,9 milhões acima da média intermédia de 9,6 milhões prevista para este ano, alerta o documento.

Globalmente, nove países -- Nigéria, Iémen, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão, Paquistão e Angola - foram responsáveis por mais de metade (52,4%) de todas as crianças que não receberam qualquer dose da vacina no último ano.

Segundo o relatório, a vacinação contra o sarampo com pelo menos uma dose está a tentar recuperar para os níveis de 2019, uma vez que há mais 1,8 milhões de crianças não vacinadas contra essa doença do que há sete anos, mas, por outro lado, cobertura da última dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV) entre as raparigas aumentou de 28% para 31% no último ano.

Os programas de vacinação em 2025 melhoraram ligeiramente a cobertura da vacina contra difteria, tétano e tosse convulsa (DTP) em comparação com 2024, mas também estão abaixo dos níveis de 2019.

Em conferência de imprensa, a diretora do departamento de imunização e vacinas da OMS reconheceu que os progressos da vacinação entre 2024 e 2025 são modestos, mas salientou que, nos últimos 25 anos, especialmente depois do investimento da Aliança Global para as Vacinas (Gavi), "foram enormes".

"Uma das grandes conquistas é que as crianças estão hoje protegidas de mais doenças do que alguma vez estiveram", realçou Kate O'Brien, para quem isso foi possível porque "vacinas seguras e eficazes contra doenças que não eram preveníveis foram desenvolvidas e licenciadas e estão agora a ser administradas".

A meio da década, o relatório da Unicef e a OMS faz um balanço intermédio dos progressos feitos pelos países que aderiam ao objetivo de reduzir em 50% o número de crianças sem qualquer dose da vacina em 2030, salientando que 90 países mantiveram uma cobertura elevada e estável, acima dos 95%.

Outros nove países fizeram alguns progressos, mas não atingiram essa meta, e 74 tinham mais crianças sem qualquer dose da vacina em 2025 do que em 2019.


Trump ameaça atacar centrais elétricas e pontes iranianas... O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou na terça-feira atacar centrais elétricas e pontes iranianas na próxima semana, caso não seja alcançado um acordo com Teerão.

© Getty Images/Chip Somodevilla/Getty Images      Por LUSA   15/07/2026 

"A situação vai ser muito má para eles, porque na próxima semana serão as centrais elétricas. Na próxima semana serão as pontes", a não ser que os iranianos "se sentem à mesa das negociações", frisou o republicano na estação Fox News.

Questionado sobre a duração dos ataques norte-americanos, Donald Trump garantiu: "Vão continuar até que eu diga que já chega".

Trump frisou que não deseja negociar com o Irão neste momento, embora tenha revelado que representantes de ambos os países mantiveram conversações esta terça-feira e assegurado que Teerão continua a procurar um acordo com Washington.

Na entrevista, Trump afirmou ainda que os Estados Unidos poderiam voltar a atacar uma instalação nuclear iraniana, se considerassem necessário.

Comentando imagens de satélite que, segundo o entrevistador, mostravam obras em curso num destes complexos após bombardeamentos anteriores, o chefe de Estado norte-americano afirmou que o Irão tinha selado alguns pontos de acesso com betão, mas alertou que Washington poderia causar "danos enormes" no local "em questão de minutos".

Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irão na terça-feira à noite e retomaram o bloqueio aos seus portos.

Donald Trump, no entanto, absteve-se de impor tarifas aos navios que transitam pelo estreito de Ormuz, o epicentro do conflito.

O retomar deste bloqueio marítimo às 21:00 de terça-feira (hora de Lisboa), bem como os bombardeamentos a uma escala sem precedentes desde o cessar-fogo em abril, minam os esforços diplomáticos para viabilizar o memorando de entendimento assinado a 17 de junho.

Na mesma entrevista, o Presidente defendeu ainda o bloqueio norte-americano aos portos iranianos e reiterou que o estreito de Ormuz continua aberto ao tráfego marítimo internacional, embora "fechado ao Irão, tanto à entrada como à saída".

Classificou ainda os anteriores líderes iranianos como maus e disse que, embora a atual liderança também inclua "pessoas muito más", são elas que, na sua opinião, estão a impedir um possível acordo.


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O exército iraniano reivindicou hoje um novo ataque com 'drones' contra tropas e caças F-18 norte-americanos na base aérea de Al-Azraq, na Jordânia, local já visado na quinta-feira anterior, nas hostilidades entre Teerão e Washington.