domingo, 5 de julho de 2026

IRÃO: Teerão realiza oração fúnebre por Khamenei no segundo dia do funeral... Teerão realizou hoje a oração fúnebre pelo antigo líder supremo Ali Khamenei, com a participação de dezenas de milhares de pessoas no segundo dia do funeral público em que se ouviram apelos à vingança contra EUA e Israel.

© AFP via Getty Images    Por LUSA    05/07/2026 

Desde as primeiras horas da manhã, uma grande multidão com bandeiras do Irão e retratos de Ali Khamenei reuniu-se na Grande Mesquita de Mosalla, em Teerão, para dar o último adeus àquele que liderou o país durante mais de 36 anos e que foi assassinado no primeiro dia da guerra com Israel e Estados Unidos, em 28 de fevereiro.

O 'ayatollah' Yafar Sobhani, uma das principais autoridades religiosas xiitas do país, conduziu a oração fúnebre por Khamenei e pelos quatro familiares mortos nos ataques, incitando os presentes a gritar "morte aos Estados Unidos" e "morte a Israel".

Também estiveram presentes na oração o Presidente iraniano, Masud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohamad Baqer Qalibaf, e o chefe do Poder Judicial, Gholam Hossein Mohseni Ejei, entre outras autoridades.

No local, encontravam-se também os três filhos do falecido líder supremo iraniano, Mostafa, Masud e Meisam, o que tornou ainda mais notória a ausência do segundo filho e sucessor como líder supremo, Mojtaba.

Durante a cerimónia, os gritos de vingança ressoaram mais forte do que nunca no recinto. "O nosso único lema: vingança, vingança!", gritaram os participantes em uníssono.

Entre a multidão, destacava-se um retrato do Presidente norte-americano, Donald Trump, na mira de uma metralhadora com a frase "Vai derramar-se sangue".

Perante a presença maciça de fiéis, os meios de comunicação iranianos informaram que a sala principal da mesquita foi encerrada ao público.

As cerimónias fúnebres pela morte de Khamenei tiveram início na sexta-feira com uma cerimónia oficial de homenagem, na qual participaram altos responsáveis do país, bem como autoridades e delegações estrangeiras.

No sábado, realizou-se o primeiro dia das cerimónias fúnebres públicas, que se prolongam em Mosalla até às 20:00 (17:30 em Lisboa) de hoje. Na segunda-feira, o cortejo fúnebre percorre as ruas da capital iraniana, para depois ser transferido na terça-feira para a cidade de Qom.

Para quarta-feira estão previstas cerimónias fúnebres no Iraque, e Khamenei é sepultado na quinta-feira na cidade sagrada de Mashad, no nordeste do país.


Pequim e Moscovo anunciam exercícios navais no mar Amarelo e Pacífico... Pequim e Moscovo vão realizar exercícios militares este mês nas águas e no espaço aéreo chinês, seguindo-se uma operação de "patrulha marítima conjunta" em "áreas relevantes" do Pacífico, anunciou hoje o Ministério da Defesa da China.

© CFOTO/Future Publishing via Getty Images     Por LUSA   05/07/2026 

As manobras navais "Joint Sea-2026" vão decorrer nas proximidades do porto de Qingdao (província de Shandong, leste), na costa do mar Amarelo, de acordo com um comunicado divulgado hoje ministério chinês. 

A nota, de acordo com a agência de notícias EFE, não especifica as coordenadas das patrulhas marítimas seguintes, as quais, na edição de 2025, se estenderam até Guam, ao estreito de Bering e às águas próximas do Havai.

De acordo com a informação oficial, os exercícios fazem parte do plano anual de cooperação entre as forças armadas dos dois países e têm como objetivos "responder em conjunto aos desafios de segurança" e "salvaguardar a paz e a estabilidade regionais".

O anúncio surge depois de, no final de junho, os exércitos chinês e russo terem realizado uma patrulha aérea conjunta que sobrevoou o mar do Japão, o mar da China Oriental e a zona ocidental do oceano Pacífico, uma ação à qual a Coreia do Sul e o Japão responderam ao mobilizar caças para fazer face a qualquer contingência e sobre a qual Tóquio manifestou, por vias diplomáticas, "profunda preocupação" a Pequim e a Moscovo.

A isto junta-se também o reinício das patrulhas marítimas da guarda costeira da China em águas a leste de Taiwan, uma operação de controlo e inspeção de navios que teve início em junho e que suscitou queixas tanto por parte de Taipé como de vários países europeus, que a consideram uma ameaça à estabilidade regional e à liberdade de navegação.

A China mantém um litígio territorial com o Japão no mar da China Oriental relativamente às ilhas Diaoyu (nome atribuído pela China) ou Senkaku (atribuído pelo Japão), além de reivindicar quase a totalidade do mar da China Meridional, por onde transita cerca de um terço do comércio marítimo mundial e onde mantém disputas com vários países do Sudeste Asiático.

As águas do porto de Qingdao, no entanto, encontram-se longe - entre mil e quase dois mil quilómetros - das zonas em disputa com Tóquio e Manila.

Pequim e Moscovo realizam exercícios militares periodicamente desde que, no início de 2022 - pouco antes da invasão russa da Ucrânia -, assinaram uma estreita aliança estratégica que se tem intensificado desde então e que incluiu visitas do Presidente Xi Jinping à Rússia e de Vladimir Putin à China.


Trump exalta "grandeza" dos EUA no 250.º aniversário da Independência... O Presidente norte-americano exaltou "a grandeza" dos Estados Unidos no discurso das comemorações dos 250 anos da Independência, numa intervenção adiada devido ao mau tempo e na qual afirmou que ninguém poderá igualar o poderio do país.

© Lusa   05/07/2026

"Durante 250 anos, os Estados Unidos da América têm sido a esperança, a promessa, a luz e a glória entre todas as nações do mundo, em todo o planeta. Tentam ser como nós. Ninguém pode ser como nós", afirmou no sábado Donald Trump, no início do discurso, que começou mais de uma hora depois do previsto. 

O republicano agradeceu à multidão, composta na grande maioria por apoiantes, que tiveram de esperar várias horas no meio de uma onda de calor, para depois terem de abandonar o recinto e passar novamente pelo rigoroso controlo de segurança ao regressarem.

Ao estilo de um comício político, Trump reiterou advertências sobre a ameaça do comunismo. "Não queremos comunistas no nosso país. Nunca funcionou", afirmou, referindo-se às recentes vitórias de candidatos democratas socialistas nas primárias para as eleições intercalares de novembro próximo.

Aproveitou também para promover a controversa reforma eleitoral, que tornaria mais rigorosos os requisitos para se registar e votar nas eleições federais, ainda paralisada no Congresso.

"Os Estados Unidos estão de volta e queremos manter a sua grandeza. Conseguiremos isso aprovando a Lei 'SAVE America', o que implica que todos os eleitores, todos, absolutamente todos, terão de apresentar um documento de identificação e fornecer algo chamado prova de cidadania, e não haverá voto por correspondência, salvo em alguns casos", insistiu.

Trump encadeou relatos de heroísmo e acontecimentos para refletir os valores de patriotismo e liberdade que, segundo afirmou, constituem o espírito norte-americano, ao mesmo tempo que convidou veteranos a subir ao palco para saudar várias bandeiras históricas.

"Juntos, reafirmamos também a verdade de que a força e o poder dos Estados Unidos não são motivo de vergonha. É algo de que nos sentimos muito, muito orgulhosos", acrescentou.

Entre as bandeiras homenageadas no evento encontrava-se a que hasteou no navio almirante quando a Marinha norte-americana afundou a frota espanhola na baía de Manila, "uma das maiores vitórias navais da história", que comparou à "recente vitória ao afundar toda a Marinha iraniana" no recente conflito com Teerão.

Além disso, afirmou que iria entregar uma bandeira que hasteou no Capitólio e que "em breve será hasteada por astronautas norte-americanos no próximo regresso à Lua", assegurou.

O discurso de Trump no 'National Mall' marcou o ponto alto de uma série de celebrações que se prolongaram por semanas na capital norte-americana e que suscitaram polémica entre os críticos, que acusam o Presidente de politizar uma comemoração que, pela sua natureza, deve incluir todos os norte-americanos.

A Administração republicana criou o "Freedom 250" para organizar eventos alternativos aos planeados pela organização apartidária "America250", entre os quais a Grande Feira Estadual Americana na capital, um evento que ficou aquém das expectativas devido a um número de participantes inferior ao previsto, a uma onda de calor e ao cancelamento de dezenas de artistas.

As palavras de Trump foram precedidas por um espetáculo de fogo de artifício, o maior do género em Washington, com o qual o Governo pretende estabelecer um recorde, mas que provocaria condições insalubres em partes da cidade, de acordo com documentos do Serviço Nacional de Parques analisados pelo jornal The Washington Post.

Outras cidades, como Nova Iorque ou Los Angeles, celebraram os 250 anos da Independência dos Estados Unidos com concertos, desfiles, feiras e festivais, embora vários destes eventos ao ar livre tenham sido adiados ou cancelados devido à onda de calor extremo que assola o país.