domingo, 10 de maio de 2026

Resposta do Irão à proposta dos EUA "é totalmente inaceitável", diz Trump... O Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou hoje a resposta do Irão à mais recente proposta dos Estados Unidos (EUA) para terminar a guerra no Médio Oriente, numa declaração feita na sua plataforma Truth Social.

© Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg via Getty Images       Por  LUSA   10/05/2026 

"Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irão. Não gosto nada - É totalmente inaceitável [escrito em maiúsculas]! Agradeço a vossa atenção a este assunto", escreveu na sua rede social, sem adiantar mais pormenores sobre a recusa.

O chefe de Estado norte-americano voltou a recorrer à escrita em letras maiúsculas, como faz frequentemente para enfatizar a mensagem.

Noutra mensagem publicada duas horas antes, Trump acusou o Irão de se "rir dos EUA há décadas" e prometeu que tal situação não vai continuar por muito mais tempo.

Criticou ainda os anteriores presidentes norte-americanos democratas Barack Obama e Joe Biden por terem apoiado e beneficiado economicamente o Irão.

"O Irão tem vindo a enganar os Estados Unidos e o resto do mundo há 47 anos. Eles gozam com o nosso país, que agora recuperou a sua grandeza, mas não vão rir por muito mais tempo!", afirmou.

Na mensagem, Trump elencou os motivos: "Os iranianos têm-nos vindo a enganar, mantendo-nos à espera, matando o nosso povo com as suas bombas à beira da estrada, destruindo protestos e, recentemente, exterminando 42.000 manifestantes inocentes e desarmados, e rindo do nosso país", escreveu.

Referiu ainda que Barack Obama "não só foi benevolente para com os iranianos, como foi fantástico, passando efetivamente para o lado deles, abandonando Israel e todos os outros aliados, e dando ao Irão uma nova oportunidade de vida significativa e muito poderosa".

"Centenas de milhares de milhões de dólares e 1,7 mil milhões de dólares em dinheiro vivo, transportados de avião para Teerão, foram-lhes entregues numa bandeja de prata. Todos os bancos em Washington D.C., Virgínia e Maryland foram esvaziados --- era tanto dinheiro que, quando chegou, os bandidos iranianos não faziam ideia do que fazer com ele. Nunca tinham visto dinheiro assim, e nunca mais verão", afirmou ainda Donald Trump na mensagem.

A imprensa estatal iraniana avançou hoje que o Irão transmitiu a sua resposta à mais recente proposta dos Estados Unidos para terminar a guerra no Médio Oriente, através do Paquistão, que está a fazer a mediação.

Segundo uma fonte próxima das negociações citada pela agência IRNA, "de acordo com o plano proposto, a fase atual das negociações está focada exclusivamente na cessação das hostilidades na região".

A ISNA, uma outra agência de notícias do Irão, noticiou posteriormente que a resposta iraniana se centra no "fim da guerra e na segurança marítima".

"O eixo principal da resposta do Irão à proposta dos EUA é 'o fim da guerra e a segurança marítima' no Golfo Pérsico e no estreito de Ormuz", escreveu a ISNA na sua conta na plataforma Telegram.

As propostas norte-americanas eram uma resposta a uma proposta anterior, com 14 pontos, apresentada pelo Irão na semana passada.

Teerão tinha anteriormente insistido que as negociações deveriam focar-se, numa primeira fase, num acordo de paz e no fim do bloqueio no estreito de Ormuz, adiando qualquer negociação sobre o seu programa nuclear para uma fase posterior.

Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão está em vigor desde 08 de abril, depois de Estados Unidos e Israel terem iniciado ataques contra o Irão, em 28 de fevereiro.

Teerão retaliou com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo, e atacando vários países do Golfo Pérsico.

Irão e EUA realizaram uma reunião de alto nível em Islamabad a 11 e 12 de abril, mas não conseguiram chegar a um acordo para terminar o conflito e desde então não chegaram a um consenso para retomar as conversações. No entanto, ambos os lados continuaram a trocar mensagens e propostas.

Zelensky preparado para encontro com Putin e confirma troca de prisioneiros... O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse hoje que está preparado para reunir-se com o líder do Kremlin (presidência russa), faltando encontrar o formato adequado, e confirmou que está a ser preparada uma nova troca de prisioneiros.

© Lusa   10/05/2026 

"Agora o próprio Putin (o Presidente russo) afirma que finalmente está pronto para reuniões reais. Empurrámo-lo um pouco nessa direção e nós próprios estamos há muito tempo preparados; falta encontrar um formato", disse Zelensky no seu habitual discurso diário à nação. 

Zelensky falava depois de o homólogo russo, Vladimir Putin, ter dito no sábado que a guerra na Ucrânia "está a chegar ao fim", criticando os países ocidentais pelo seu apoio a Kiev, e manifestando disponibilidade para encontrar-se com o homólogo ucraniano.

No discurso de hoje, Volodymyr Zelensky afirmou também que já está a ser preparada uma nova troca de prisioneiros com a Rússia, com a mediação dos Estados Unidos.

"A troca de prisioneiros -1.000 por 1.000- está a ser preparada e deve ser realizada. Os americanos assumiram a responsabilidade de a garantir", disse o Presidente ucraniano, precisando que o quartel-general de Coordenação da Ucrânia entregou à parte russa as listas desses prisioneiros de guerra.

Zelensky frisou que a Ucrânia espera que a parte norte-americana "desempenhe um papel ativo para garantir o seu cumprimento".

A troca de prisioneiros foi anunciada na sexta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, como parte de um acordo temporário de cessar-fogo, e Putin tinha dito que esperava receber a proposta da Ucrânia.

Sobre o cessar-fogo de três dias que deveria vigorar desde sexta-feira, os dois lados acusaram-se mutuamente no sábado de violações e essas acusações continuaram hoje.

O Presidente ucraniano afirmou hoje que a Rússia está a realizar ataques na linha da frente, em violação do cessar-fogo de três dias, com ataques a vários pontos do país.

Por seu lado, o ministro russo da Defesa acusou a Ucrânia de "16.071 violações" nas últimas 24 horas, incluindo milhares de ataques com recurso a drones.


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A resposta do Irão à proposta de paz dos Estados Unidos inclui o levantamento das sanções económicas sobre a República Islâmica, o fim do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos e a gestão iraniana do estreito de Ormuz.