terça-feira, 3 de novembro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: Estamos a criar filhos que não sabem ouvir não e pais que não sabem dizer... Vera de Melo reflete sobre a dificuldade dos pais em dizer não e dos filhos em ouvi-lo, alertando para os riscos de uma parentalidade sem limites.

© Shutterstock   Por  Notícias ao Minuto  03/11/2026 

"Há uma geração de pais aterrorizada com a possibilidade de os filhos não gostarem deles.

Querem ser compreendidos, disponíveis, emocionalmente inteligentes, presentes, amigos. Querem que os filhos falem sobre tudo, que não tenham medo, que nunca se sintam sozinhos. Querem fazer diferente dos próprios pais. E, nessa tentativa legítima de não repetir erros, estão a cometer outros.

Começámos a confundir parentalidade respeitosa com parentalidade sem frustração. Acreditamos que validar uma emoção significa satisfazer um desejo. Que respeitar uma criança é evitar que chore. Que estabelecer um limite pode comprometer a sua autoestima.

Não pode.

Uma criança pode estar zangada com os pais e continuar a sentir-se profundamente amada. Pode chorar porque não teve o que queria e não estar a sofrer um trauma. Pode ouvir um não sem que isso represente uma ferida emocional.

Aliás, é precisamente na relação com os adultos que a criança aprende a tolerar a frustração, a adiar a gratificação e a perceber que o mundo não se organiza permanentemente à medida dos seus desejos.

Na psicologia do desenvolvimento, sabemos que a segurança emocional não nasce da ausência de desconforto. Nasce da previsibilidade, da consistência e da existência de adultos capazes de acolher emoções sem abdicar da sua função de orientar.

E aqui está o problema: há pais que estão tão ocupados a tentar ser emocionalmente disponíveis que deixaram de estar disponíveis para assumir a responsabilidade de educar.

Negociam tudo. Justificam tudo. Pedem desculpa por estabelecer limites. Sentem-se culpados quando os filhos ficam frustrados.

Mas uma criança não precisa de ganhar todas as discussões. Precisa de saber que não tem de ganhar todas as discussões para continuar a ser amada.

O mais curioso é que muitos destes pais cresceram em casas onde não havia espaço para sentir. Agora querem construir casas onde não há espaço para frustrar.

E são coisas muito diferentes.

Não precisamos de voltar à autoridade cega, ao medo ou ao “enquanto viveres debaixo do meu teto”. Precisamos de recuperar uma ideia que parece ter ficado fora de moda: os adultos são responsáveis pela relação, mas também pela direção.

Porque há uma verdade que talvez custe ouvir: não estamos a preparar os nossos filhos para a vida quando tentamos tornar a infância livre de todas as frustrações. Estamos apenas a adiar o momento em que a vida lhes vai dizer não.

E a vida, ao contrário dos pais, não costuma explicar duas vezes."

Moscovo reclamou ataque contra instalações de energia ucranianas... As forças russas reclamaram hoje um ataque com mísseis e drones contra instalações de produção e distribuição de energia nas regiões ucranianas de Vinnitsia, Dnipropetrovsk e Kharkiv.

Foto: Ukrainian Presidential Press Service via REUTERS   Por  RTP/Lusa 3 Novembro 2026 

De acordo com o Ministério da Defesa russo, os ataques foram também dirigidos contra as infraestruturas portuárias e embarcações em Odessa, no Mar Negro, sul da Ucrânia. 

Em concreto, o Governo russo disse que os ataques ocorreram durante a última noite contra o complexo energético da Ucrânia nas regiões de Vinnitsia, Dnipropetrovsk e Kharkiv, que forneciam eletricidade a empresas da indústria militar e a instalações das Forças Armadas ucranianas.

O Ministério da Defesa detalhou que na região de Vinnitsia foi atacada a central termoelétrica de Ladyzhyn, com uma potência de 1.800 megawatts; em Dnipropetrovsk, foram danificadas as centrais termoelétricas de Kryvyi Rih (2.800 megawatts) e Prydniprovska (1.765 megawatts).

Na região de Kharkiv, foram visadas a central termoelétrica de Kharkiv (86 megawatts) e as subestações de Zmiiv e Losevo, ambas de 330 quilovolts.

Na região de Odessa, foram atacadas as infraestruturas do porto de Kiliya e duas embarcações de carga seca no porto de Yuzhny, segundo o Ministério da Defesa da Rússia.

A Ucrânia foi invadida pelas forças russas em 2014 que anexaram a Península da Crimeia.

Em 2022, a Rússia lançou um ataque de grande escala contra todo o território da Ucrânia.

ESTUDO: Bebidas energéticas podem causar paragens cardíacas, diz estudo... As bebidas energéticas e produtos estimulantes com cafeína estão associados a paragens cardíacas e enfartes em jovens adultos, segundo análise de 28 mil relatos nos Estados Unidos da América.

© Shutterstock   Por  LUSA   03/11/2026 

As bebidas energéticas e os produtos estimulantes que contêm cafeína estão associados a paragens cardíacas e enfartes em jovens adultos, de acordo com uma análise de mais de 28 mil relatos de eventos adversos apresentados nos Estados Unidos.

Os casos submetidos à FDA (agência para os medicamentos e alimentação dos Estados Unidos) apontam, em particular, para adultos dos 18 aos 34 anos, um grupo que, normalmente, não é considerado de alto risco para eventos cardiovasculares, de acordo com este estudo de associação (não de causalidade).

Os investigadores salientaram, no entanto, que são necessários mais estudos para compreender a relação entre os produtos que contêm cafeína e os problemas cardiovasculares.

As conclusões da investigação serão apresentadas numa sessão da Associação Americana do Coração, que terá lugar em Chicago a partir de 06 de novembro.

Os resultados são considerados preliminares até serem publicados na íntegra num artigo científico revisto por pares.

Embora a investigação sobre bebidas energéticas e outros suplementos estimulantes com cafeína seja limitada, as evidências disponíveis indicam que doses elevadas de cafeína estão associadas a danos cardiovasculares, aponta um comunicado da referida organização.

"Estes produtos são comercializados para consumo diário e vendidos ao lado de refrigerantes e água engarrafada. Por isso, a maioria das pessoas assume que não oferecem qualquer risco real", alertou Sai Samayamanthula, da Universidade da Virgínia.

Para muitas pessoas saudáveis, se o consumo for ocasional, é provável que o risco seja baixo.

No entanto, aqueles que os consomem habitualmente podem ultrapassar rapidamente o limite diário recomendado de cafeína.

"Por isso, é importante que saibam que estes produtos podem representar um risco de danos cardiovasculares", acrescentou.

Para chegar às suas conclusões, os investigadores analisaram 28.345 relatos enviados para uma base de dados de segurança da FDA sobre possíveis eventos adversos entre 2017 e 2025.

Destes, 854 relatos mencionavam bebidas energéticas ou suplementos alimentares que continham cafeína ou estimulantes.

Os investigadores compararam estes dados com 27.491 relatos sobre produtos que não continham cafeína nem outros estimulantes.

Foram notificados casos de paragem cardíaca com uma frequência aproximadamente 11 vezes superior em relação a produtos que contêm cafeína e estimulantes, em comparação com outros que não possuem estes ingredientes.

Os relatos relacionados com bebidas energéticas e suplementos apresentavam uma probabilidade cerca de 4,5 vezes maior de envolver ataques cardíacos e 4 vezes maior de incluir arritmias ventriculares (ritmo anormal nas cavidades inferiores do coração) ou palpitações.

Cerca de 45% dos relatos que associavam produtos contendo cafeína e estimulantes a eventos cardiovasculares referiam-se a adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos.

Padrões semelhantes foram observados em relatos envolvendo tanto homens como mulheres.

"As nossas descobertas reforçam a necessidade de uma supervisão mais sistemática da segurança dos produtos que contêm cafeína e estimulantes. Além disso, os profissionais de saúde devem lembrar-se de perguntar aos seus pacientes mais jovens que apresentam palpitações, dor no peito ou desmaios se consumiram estes produtos recentemente ou se o fazem habitualmente", concluiu Samayamanthula.


Leia Também: Dentista deixa aviso para sinal na boca: Parece afta, mas pode ser cancro

Uma dentista alerta para sinais na boca que muitas pessoas confundem com aftas, mas que podem indicar cancro oral. A especialista revela os sintomas que não devem ser ignorados. Conheça-os.

Pode parecer uma simples afta, mas a verdade é que pode ser algo mais grave. Uma dentista deixa um aviso sério sobre sinais na boca que podem estar relacionados com cancro oral.

Ao Daily Mail, a dentista Catherine Brady alertou para alguns sintomas que são fáceis de desvalorizar e que precisam de alguma atenção extra. "É fácil de ignorar uma úlcera, mancha ou caroço, especialmente se não dói”, começou por dizer...

UCRÂNIA: Zelensky acusa Rússia de destruir perspetiva de paz após ataque com 29 mortos... O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de comprometer qualquer "progresso rumo à paz", após um ataque que matou pelo menos 29 pessoas durante a distribuição de ajuda humanitária no sudeste do país.

© Danil Shamkin/NurPhoto via Getty Images   Por  LUSA  03/11/2026 

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou esta segunda-feira a Rússia de comprometer qualquer "progresso rumo à paz", após um ataque que matou pelo menos 29 pessoas durante a distribuição de ajuda humanitária no sudeste do país.

Os ataques prosseguiram durante esta madrugada em várias regiões da Ucrânia, atingindo nomeadamente um hospital em Kherson, no sul do país, onde 46 pessoas ficaram feridas e 200 pacientes tiveram de ser retirados. Infraestruturas energéticas foram igualmente atingidas em várias regiões.

Na véspera das eleições intercalares nos Estados Unidos, o enviado norte-americano Steve Witkoff garantiu ao final da tarde de segunda-feira que decorrerão "negociações de trabalho" entre a Rússia e a Ucrânia nos dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, sob mediação dos Estados Unidos.

"As discussões incidirão sobre as disposições de segurança do pós-guerra, a desescalada, os esforços humanitários e os próximos passos rumo à paz", detalhou na rede social X.

Contudo, a última reunião deste tipo, realizada em meados de fevereiro em Genebra, na Suíça, terminou sem resultados concretos, com a Rússia a manter posições extremas, segundo Kyiv.

As perspetivas deterioraram-se ainda mais com o ataque, na segunda-feira, contra o centro de distribuição de ajuda humanitária de Komyshuvakha, na região de Zaporijia.

"Todas as segundas-feiras era aí distribuída ajuda humanitária. Os russos lançaram o primeiro ataque precisamente no momento em que as pessoas chegavam, recorrendo a várias bombas aéreas. Depois houve um segundo ataque, com mais bombas aéreas, desta vez dirigido ao abrigo (...), onde as pessoas se tinham refugiado", descreveu Zelensky.

Estes ataques destruíram "toda a esperança de progresso rumo à paz", sublinhou o líder ucraniano, considerando tratar-se de "mais uma prova de que a Rússia não pretende nem a desescalada nem uma verdadeira justiça".

O chefe da administração militar local, Mykhailo Semikine, indicou que foram utilizadas "pelo menos nove bombas guiadas FAB-3000", engenhos com três toneladas de peso. O balanço foi revisto esta terça-feira para 29 mortos, face aos 26 inicialmente anunciados.

A Rússia retomou igualmente os bombardeamentos na região vizinha de Kherson, após uma rara trégua local negociada para permitir a evacuação da cidade de Olechky, ocupada pelas forças russas.

Depois desta operação humanitária, escreveu Zelensky nas redes sociais, "houve um momento em que se podia acreditar que novas etapas de progresso em direção à paz eram possíveis".

"Com este massacre, a Rússia envia um sinal completamente oposto, aposta em novos assassínios", acrescentou.

Neste contexto, os aliados de Kyiv reunidos na Força Multinacional para a Ucrânia anunciaram que realizarão, entre 09 e 22 de novembro, na Polónia, um exercício militar de grande escala destinado a testar a sua capacidade de destacamento e atuação conjunta no terreno.

Cerca de 2.800 militares de dez países participarão no exercício, sob liderança da França e do Reino Unido.

Do lado russo, o presidente da Câmara de Moscovo, Serguei Sobianine, informou que 493 drones ucranianos foram neutralizados durante a noite enquanto se dirigiam para a capital. Um ataque atingiu ainda uma refinaria em Iaroslavl, a nordeste de Moscovo, segundo o governador local, Mikhail Ievraiev.

A trégua na região de Kherson começou na manhã de terça-feira passada e terminou no domingo à noite sem incidentes.

A Rússia recusou uma proposta ucraniana para prolongar este cessar-fogo localizado, revelou à agência France-Presse um alto responsável ucraniano que não quis ser identificado.

"Vai ser o inferno, ainda pior do que antes", previu uma fonte militar local que também pediu para não ser identificado.

Segundo este oficial, as forças russas aproveitaram o período de calma para concentrar novas tropas e munições na outra margem do rio Dnipro, que atravessa a cidade, bem como para recolher informações de inteligência.

Questionado na segunda-feira sobre estas acusações, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que "se trata de uma prática absolutamente comum em situações deste tipo" e que "as forças armadas ucranianas também aproveitaram este período para efetuar um reagrupamento semelhante".


Leia Também: Ucrânia: Primeiro exercício na Polónia da Força multinacional

Aliados da Ucrânia, liderados por França e Reino Unido, realizam na Polónia um exercício em grande escala para testar a capacidade de operarem juntos no terreno.

Reunidos na Força Multinacional para a Ucrânia (MNF-U), aliados de Kyiv, liderados por França e Reino Unido, vão realizar na Polónia um exercício em grande escala para testarem a capacidade de se mobilizarem e operarem juntos no terreno.

Assim, cerca de 2.800 militares de dez países, Alemanha, Bélgica, Espanha, Estónia, França, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Reino Unido e Suécia, participarão de 9 a 22 de novembro na Polónia neste exercício chamado "Koalicja", que significa coligação em polaco, anunciaram hoje Londres e Paris...

EUA lançam ataque contra ilha iraniana a poucas horas das eleições... Os Estados Unidos atacaram esta segunda-feira a ilha iraniana de Qeshm, no Golfo Pérsico, numa nova operação militar contra o Irão na véspera das eleições legislativas intercalares, mas Donald Trump minimizou o risco de recomeço da guerra.

Foto: U.S. Central Command via REUTERS   Por  RTP/Lusa  03/11/2026 

Segundo o jornal The Wall Street Journal (WSJ), responsáveis norte-americanos descreveram os ataques como operações de caráter defensivo, destinadas a limitar a capacidade do Irão de ameaçar o tráfego marítimo comercial no estreito de Ormuz.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) não anunciou publicamente as operações. No entanto, responsáveis norte-americanos citados por vários meios de comunicação do país indicaram que o ataque foi uma resposta ao abate de uma aeronave militar norte-americana na região.

Qeshm, situada à entrada do estreito de Ormuz, alberga uma instalação subterrânea de mísseis, uma base naval e uma importante estação de dessalinização.

O Pentágono reforçou nas últimas semanas a presença militar na região e preparou várias opções para uma eventual ampliação dos ataques, segundo o WSJ.

O Presidente norte-americano afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos "já tinham vencido a guerra contra o Irão" e minimizou a importância de um possível reinício dos combates.

"Não sei se se pode sequer chamar a isto uma guerra, porque já há meses que não combatemos", disse aos jornalistas em Washington.

Questionado sobre se está a considerar novos ataques após as eleições legislativas de hoje, respondeu que não, embora responsáveis da Administração tenham indicado que o Presidente continua a avaliar diferentes opções.

"Os preços do petróleo estão a cair como pedras (...), porque as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irão. O Irão quer um acordo, o mais rápido possível. Isso poderá acontecer!", escreveu esta segunda-feira Donald Trump na rede que lhe pertence, Truth Social, depois de ter dito no domingo que estava pronto para dar um "golpe de marreta" no Irão.

Também o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou na segunda-feira que Trump e ele estavam a sentir-se "bem otimistas" quanto a um acordo negociado para pôr fim à guerra com o Irão.

As declarações dos números 1 e 2 da Casa Branca foram divulgadas no mesmo dia em que dois responsáveis da região e uma terceira pessoa familiarizada com o assunto disseram à agência de notícias Associated Press que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está a pressionar os Estados Unidos para uma nova onda de ataques ao Irão após as eleições intercalares nos Estados Unidos.

Na segunda-feira, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, deu nota de estarem em curso discussões "muito intensas" com os Estados Unidos através de mediadores, numa tentativa de evitar a retoma das hostilidades.

"Tendo em conta a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e as deliberações são muito intensas", declarou Araghchi à agência iraniana IRNA, destacando o "papel de mediador muito ativo" do Qatar e do Paquistão nas negociações.

O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, fez finalmente saber na segunda-feira através do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que concedeu poderes ao Governo iraniano no âmbito dos esforços para pôr fim à guerra com os Estados Unidos.

"Estamos a esforçar-nos para resolver o problema através do diálogo. A este respeito, o líder supremo conferiu certos poderes ao Governo", anunciou Pezeshkian, citado pela agência estatal iraniana IRNA.


Leia Também: Trump diz que Estados Unidos têm "controlo total" sobre Venezuela

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos têm "controlo total" sobre a Venezuela, o que lhes daria acesso a 50% do petróleo mundial, segundo declarações feitas na segunda-feira...

Cerca de 210 milhões de eleitores norte-americanos decidem esta terça-feira o controlo do Congresso e o rumo da administração Trump

Eleições intercalares norte-americanas (Associated Press)  Por  cnnportugal.iol.pt/Agência Lusa,   03/11/2026 

O nome de Trump não está no boletim de voto, mas ao longo das últimas semanas o líder republicano fez questão de centrar a campanha em si

Cerca de 210 milhões de eleitores norte-americanos decidem esta terça-feira quem - republicanos ou democratas - irá controlar o Congresso dos Estados Unidos (EUA) durante os últimos dois anos do segundo mandato presidencial de Donald Trump.

Em jogo estão os 435 lugares na Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) e cerca de um terço (35) dos 100 postos no Senado (a câmara alta). Esta terça-feira também 36 estados elegem o governador. Outros responsáveis estaduais e locais são igualmente eleitos.

As eleições intercalares norte-americanas (‘midterms’) deverão ser marcadas pelo habitual castigo do eleitorado à administração em funções, mas para Donald Trump e os republicanos poderá significar o fim do domínio absoluto nas instituições políticas.

O nome de Trump não está no boletim de voto, mas ao longo das últimas semanas o líder republicano fez questão de centrar a campanha em si.

“Imaginem que também estou no boletim de voto”, apelou de forma reiterada nos comícios dos candidatos republicanos, juntamente com a promessa de oferecer 5 mil dólares (cerca de 4.400 euros) a todos os cidadãos adultos norte-americanos, caso os republicanos vençam as eleições.

Na reta final da campanha, anunciou uma recompensa de um milhão de dólares (mais de 890 mil euros) para quem denunciar fraudes nas eleições.

Atualmente, os republicanos controlam as duas câmaras.

A perda de pelo menos uma das câmaras dificultaria a aprovação da agenda legislativa de Trump durante os últimos dois anos do mandato e permitiria aos democratas lançar investigações parlamentares à administração.

Na câmara baixa, os republicanos têm atualmente uma maioria pouco confortável, com 218 congressistas no limiar da maioria, mas estados como o Texas, Ohio ou Iowa estão recorrentemente nas sondagens como volúveis a uma mudança que poderá alterar o equilíbrio de forças.

No Senado, os republicanos têm 53 senadores contra 45 democratas e dois independentes.

A tendência nas sondagens parece favorecer os democratas, que nos últimos meses têm aparecido com vantagem sobre os republicanos. No fim de semana, os democratas continuavam a liderar nas intenções de voto face aos republicanos por 51,5% contra 43,1%, segundo o site realclearpolling.com, que reúne várias sondagens e faz uma média.

Se acontecer uma derrota republicana, Trump ver-se-á até ao fim do mandato, em 2028, no papel de Presidente "lame duck" (literalmente "pato coxo"), incapaz de combater uma maioria hostil no Congresso.

Mas perante tal cenário, Donald Trump, cuja taxa de desaprovação atingiu uns históricos 60%, já deu a conhecer a sua estratégia.

“Acho que vou tornar-me o ‘Sr. Veto’", comentou ao canal televisivo Fox News.

As sondagens recentes indicam que os norte-americanos votarão sobretudo “com o bolso”, com o aumento dos preços da gasolina, dos custos da habitação e dos custos com os cuidados de saúde a pesarem cada vez mais nos orçamentos familiares.

Os direitos reprodutivos continuam a ser uma questão importante, enquanto a imigração e o estado da democracia nos EUA também estão em jogo.

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irão e o rápido crescimento da Inteligência Artificial (IA) e dos centros de dados suscitaram novas questões sobre segurança, emprego e custos energéticos.

Outro dado em destaque é o aumento do número de norte-americanos que já votaram antecipadamente: mais de 50 milhões, mais cerca de 10 milhões do que nas ‘midterms’ de 2022, segundo os dados do Election Lab da Universidade da Florida, .

Entre estes eleitores está o próprio Trump, que votou no dia 24 de outubro na Florida, e o Papa Leão XIV, natural de Chicago, que votou por correspondência, anunciou o Vaticano na passada sexta-feira.

Até à data não existiam registos da participação de um chefe da Igreja Católica em eleições, fazendo deste anúncio um ato histórico.

O número de norte-americanos que votam nas eleições intercalares é inferior ao das eleições presidenciais. Desde 1944, a afluência média às urnas tem sido de cerca de 42% nas intercalares, em comparação com 58% nas eleições presidenciais.

A nova composição do Congresso dos EUA assumirá funções a 03 de janeiro de 2027.