segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, presidi à cerimónia de celebração do Dia Internacional das Alfândegas, sob o lema: “Uma alfândega que protege a sociedade pela sua vigilância e engajamento”.

EUA: Nova Iorque abre centros de aquecimento após declarar estado de emergência... A cidade não registava níveis de frio e neve tão intensos há pelo menos oito anos, levando as autoridades a reforçar os alertas à população.

Por sicnoticias.pt

Em Nova Iorque, foi declarado o estado de emergência devido à forte tempestade de neve e gelo que está a atingir grande parte dos Estados Unidos. As autoridades locais estão a abrir centros de aquecimento para apoiar a população mais vulnerável, numa altura em que o frio intenso está a provocar fortes perturbações no quotidiano da cidade.

De acordo com a correspondente da SIC, Marta Moreira, já se acumularam cerca de 30 centímetros de neve, prevendo-se ainda a queda de mais 10 centímetros ao longo das próximas horas.

Este agravamento das condições meteorológicas tem afetado significativamente a rotina dos nova-iorquinos, com várias lojas encerradas e limitações nos transportes públicos. As autoridades apelam à população para que permaneça em casa e evite deslocações desnecessárias.

Apesar das recomendações, algumas pessoas deslocaram-se aos parques da cidade para aproveitar a neve de forma recreativa. No entanto, os responsáveis reforçam que as condições atmosféricas continuam a ser perigosas.

No sábado, cinco pessoas foram encontradas mortas. As autoridades estão a investigar se as mortes estão relacionadas com o frio extremo e a tempestade de neve que tem atingido o país.

Entretanto, foram já abertos dez centros de aquecimento distribuídos pelos cinco bairros de Nova Iorque, sobretudo destinados à população em situação de sem-abrigo.

Há pelo menos oito anos que a cidade não enfrentava um episódio de frio e neve desta intensidade, o que leva as autoridades a apelarem a uma cautela redobrada.

Pelo menos 17 mil voos cancelados

A tempestade está a afetar não só Nova Iorque, mas também várias outras cidades e estados norte-americanos.

As aulas desta segunda-feira foram canceladas em diversas localidades, milhares de casas estão sem energia elétrica e os supermercados registam prateleiras vazias, devido ao receio de escassez de alimentos caso a tempestade se prolongue.

Em todo o país, cerca de 17 mil voos foram cancelados, e estima-se que dois terços da população dos Estados Unidos estejam a ser afetados por este fenómeno meteorológico extremo.

Canadá não vai assinar acordo comercial com a China após ameaças de Trump... O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou hoje que não tem qualquer intenção de assinar um acordo de comércio livre com a China, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado impor tarifas de 100% se assinasse.

Por LUSA 

"De acordo com o USMCA [acordo comercial trilateral que inclui o México, o Canadá e os Estados Unidos], estamos empenhados em não procurar acordos de comércio livre com economias não de mercado sem notificação prévia. Não temos qualquer intenção de o fazer com a China ou qualquer outra economia não de mercado", explicou hoje Carney à imprensa, citado pela agência Efe.

As suas declarações surgem um dia depois de Trump ter afirmado nas redes sociais que, se o Canadá concordar com um acordo de comércio livre com a China, irá impor "uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadianos que entrem nos Estados Unidos".

Carney especificou que o objetivo dos acordos assinados durante a sua recente visita a Pequim é "corrigir alguns problemas que surgiram nos últimos anos" no comércio com o gigante asiático em setores como a agricultura, as pescas e os veículos elétricos.

O líder canadiano salientou ainda que Otava acabara de concordar com uma quota anual máxima de 49.000 de automóveis elétricos para entrar no Canadá com tarifas reduzidas.

"Isto está totalmente de acordo com o acordo USMCA, com as nossas obrigações, que respeitamos profundamente ao abrigo deste acordo", acrescentou o primeiro-ministro canadiano.

Questionado hoje na televisão sobre a razão pela qual Trump, que há menos de dez dias tinha manifestado apoio a um acordo entre o Canadá e a China, atacou subitamente Otava, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, pareceu aludir ao recente discurso de Carney no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.

"Não tenho a certeza do que o primeiro-ministro Carney está a fazer, além de tentar parecer virtuoso aos seus amigos globalistas em Davos. Não creio que esteja a fazer o melhor pelo povo canadiano", disse Bessent em entrevista à ABC, também citada pela agência Efe.

No seu discurso em Davos, Carney afirmou que as potências médias devem trabalhar em conjunto para resistir à intimidação e à coerção económica das grandes potências.

Embora nunca tenha mencionado Trump nominalmente, muitos analistas sugerem que as suas palavras podem ter irritado o presidente norte-americano.

Por sua vez, Bessent enfatizou à ABC que Otava é obrigada a cumprir o USMCA e manifestou apoio à imposição de tarifas de 100% sobre o Canadá caso o país vizinho se torne "uma porta de entrada para os chineses inundarem os Estados Unidos com os seus produtos baratos".

Congelar pão pode trazer benefícios (inesperados) para a saúde... Há quem compre o pão em quantidade e o guarde no congelador de maneira a evitar desperdício alimentar e a prolongar o seu tempo de vida. Mas sabia que isto pode trazer benefícios para a saúde? Especialistas revelaram ao Huffington Post quais.

Por noticiasaominuto.com 

O pão é um dos alimentos chave para muitas pessoas, mas sabia que a forma como o guarda pode influenciar os benefícios para a saúde?

Talvez faça parte do grupo que guarda o pão à temperatura ambiente ou mesmo no frigorífico (prática pouco recomendada, uma vez que o deixa mais seco), no entanto, o recomendado é colocar o pão no congelador. 

Para além de evitar desperdício alimentar, uma vez que o pão dura mais tempo quando armazenado desta forma, congelá-lo pode trazer benefícios significativos para a saúde intestinal, para os níveis de açúcar no sangue e digestão. Tal acontece por causa de uma alteração natural no amigo através de um processo chamado retrogradação.

A ciência que explica a retrogradação do pão

O amido é um tipo de carboidrato encontrado em alimentos como o pão, batatas e grãos, absorvendo humidade e formando uma espécie de gelatina quando cozinhado com água.

A nível molecular, o amido é composto por dois polímeros de glicose: amilose e amilopectina.

Segundo o que a nutricionista Avery Zenker revelou ao jornal Huffington Post, o calor do cozimento rompe as ligações de hidrogénio que mantêm as moléculas de amido compactadas numa estrutura cristalina, permitindo que a amilose e a amilopectina se tornem mais acessíveis às enzimas digestivas.

À medida que o pão arrefece após ser cozinhado, estes amidos começam a reorganizar-se. "Durante a retrogradação, algumas moléculas de amido realinham-se e formam novas estruturas cristalinas que são mais difíceis para o corpo digerir e absorver, daí o nome 'amido resistente'", notou a nutricionista. 

A quantidade de amido resistente que se forma no pão pode variar, dependendo de fatores como o tipo de trigo, o modo como o pão é processado, os ingredientes utilizados e o método de cozimento.

Benefícios de amido resistente para a saúde

As mudanças de temperaturas a que o pão é sujeito - antes e depois de ser congelado - leva a que o pão produza uma resposta glicémica maior do que o congelado.

Um estudo apurou que torrar o pão depois de congelá-lo e descongelá-lo reduz ainda mais a resposta da glicose. Como o amido resistente não é absorvido pela corrente sanguínea, acaba por fazer pouco efeito no açúcar no sangue, algo positivo para as pessoas com diabetes tipo 2.

"O amido resistente atrasa a absorção de outros carboidratos na corrente sanguínea", revelou Zenker. "Como menos carboidratos dos alimentos são absorvidos, o impacto no açúcar no sangue é atenuado, reduzindo os picos de glicose e insulina. Isso contribui para um nível constante de energia ao longo do dia, ajudando a prevenir quedas bruscas de açúcar e promovendo a sensação de saciedade", completa.

Para além disto, destacam-se ainda benefícios para a saúde intestinal, uma vez que o amido resistente chega intacto ao cólon, onde vai alimentando as bactérias intestinais. 

Há ainda evidências de que o amido resistente pode promover a sensação de saciedade. "Indiretamente, o amido resistente pode impactar a saciedade e o açúcar no sangue, aumentando a produção de GLP-1 no intestino", afirmou a nutricionista. 

Benefícios não se aplicam apenas ao pão...

Para além do pão, existem outros alimentos que adquirem amido resistente quando são levados ao frigorífico. É o caso do arroz, da massa e das batatas. 

A nutricionista Sarah Glinski recomendou que alimentos como as batatas devem ser guardados no frigorífico até três dias, descartando a congelação uma vez que pode afetar o sabor. 

Já em relação ao arroz e a massa, a escolha deverá ser feita consoante a perspetiva de consumo, uma vez que no congelador poderão durar até três meses.


Existem alguns sinais de alerta que pode indicar que os seus rins não estão a funcionar da melhor forma. O melhor é perceber o que está a acontecer para evitar problemas mais tarde.


Um novo estudo revela que a vitamina B1, comum em muitos alimentos, pode influenciar a frequência com que as pessoas vão à casa de banho. A pesquisa foi realizada por investigadores da LUM University, que analisaram dados genéticos e de saúde de mais de 268 mil pessoas.



Após morte pelo ICE, Clinton e Obama instam americanos a manifestarem-se... O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton instou os norte-americanos a manifestarem-se, denunciando as "cenas horríveis" em Minneapolis, onde duas pessoas foram mortas pela polícia.

Por LUSA 

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton instou os norte-americanos a manifestarem-se, denunciando as "cenas horríveis" em Minneapolis, onde duas pessoas foram

"Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia norte-americana manifestarmo-nos", disse no domingo o ex-líder democrata, acusando o Governo do Presidente Donald Trump de mentir sobre as duas mortes.

Também o antigo presidente norte-americano Barack Obama já tinha reagido, considerando a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) uma "tragédia desoladora" e apelando a uma reação face ao que considera serem ataques perpetrados contra os valores fundamentais dos Estados Unidos.

"Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso Governo", refere Barack Obama, num comunicado citado pela agência de notícias France Presse, no qual acusa a Administração de Donald Trump de estar "ansiosa por agravar a situação".

Agentes da ICE mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota (centro-norte).

Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos antigos militares.

Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois (centro). Tal como Renee Good, morta em 07 de janeiro, Pretti não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press (AP) que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.

Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês) e "possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais".

Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 (15:05 em Lisboa), quando agentes realizavam uma operação contra um "imigrante indocumentado", chamado José Huerta Chuma, que "tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública".

Durante a operação, "um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente", relatou Bovino, acrescentando que, "temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa".

Vários vídeos analisados pela AP, que mostram um agente ICE a disparar contra Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.

Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.

De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de janeiro, de Renee Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente da ICE quando conduzia, embora o Governo de Donald Trump a acuse de "terrorismo interno".

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas (sul), aumentou a indignação de muitos cidadãos, que acusam a ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O'Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações na cidade.


Leia Também: Trump atribui mortes pelo ICE em Minneapolis a "caos de democratas"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a morte a tiro de dois cidadãos norte-americanos, pela polícia anti-imigração este mês em Minneapolis, ao "caos provocado pelos democratas".


EUA reforçam fornecimento de equipamento militar à Nigéria... Os Estados Unidos estão a reforçar o fornecimento de equipamento e partilha de informações com a Nigéria, que luta contra grupos fundamentalistas islâmicos e grupos criminosos armados, disse um responsável do exército norte-americano.

Por LUSA 

"Estamos a tentar acelerar o processo de vendas militares ao estrangeiro para que possam comprar mais", afirmou o general John Brennan, do comando dos Estados Unidos para África (Africom), numa entrevista, na semana passada, em Abuja e hoje divulgada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Os Estados Unidos também fornecem "toda a gama de informações partilhadas", incluindo voos de reconhecimento para apoiar os ataques aéreos realizados pela Nigéria, acrescentou.

John Brennan confirmou ainda que os ataques norte-americanos no dia de Natal, no noroeste da Nigéria, visavam os fundamentalistas ligados ao Estado Islâmico no Sahel, que atua principalmente no Níger.

"Os alvos eram zonas utilizadas como base por todos os grupos terroristas do Sahel. As informações mais recentes que recebemos dos nigerianos indicavam que se tratava do Estado Islâmico no Sahel [ISSP, na sigla em inglês]", afirmou o general, numa entrevista à margem das discussões sobre segurança entre os Estados Unidos e a Nigéria.

Especialistas estão preocupados com a propagação do ISSP nos países costeiros da África Ocidental, como é o caso da Nigéria.

Um porta-voz do Presidente nigeriano já tinha dito, após o ataque do dia de Natal, que os alvos foram militantes do Estado Islâmico que vieram do Sahel para colaborar com o movimento fundamentalista islâmico local Lakurawa e grupos de criminosos.

"O Estado Islâmico encontrou uma maneira de usar o Sahel para ajudar o Lakurawa e os bandidos, fornecendo-lhes equipamentos e treino", disse Daniel Bwala, porta-voz do Presidente Bola Tinubu.

A Nigéria está a coordenar os esforços com os Estados Unidos e são esperados mais ataques das forças armadas norte-americanas, disseram na altura altos funcionários nigerianos, que pediram para não serem identificados.

Os Estados Unidos não se pronunciaram publicamente sobre possíveis novos ataques, mas o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, incluiu as palavras "mais por vir" numa publicação na rede social X, em que anunciou o ataque no dia de Natal.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por outro lado republicou o anúncio do ataque, sem mais comentários.

Trump regressou à Casa Branca com a promessa aos eleitores norte-americanos de retirar os Estados Unidos de conflitos em todo o mundo, mas dedicou grande parte do primeiro ano do segundo mandato à política externa e nem sempre no tabuleiro da diplomacia.

O Presidente norte-americano fez uso da força por várias vezes, desde em ataques contra alegados terroristas na Somália, Iémen e Síria até ao ataque massivo a instalações nucleares do Irão e terminou o ano envolvendo-se militarmente na Venezuela, ao liderar, no início de janeiro, o rapto do Presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro.

O ataque no noroeste da Nigéria atingiu a região de Sokoto, uma área onde um bispo católico local afirmou em outubro que os cristãos não estão a enfrentar perseguições.

O ministério da Defesa nigeriano disse que os alvos estavam ligados ao grupo Estado Islâmico e o ministro da Informação da Nigéria, Mohammed Idris, afirmou na rede social X que os ataques foram lançados a partir de navios no Golfo da Guiné e utilizaram drones MQ-9 Reaper.

Terão sido disparadas 16 munições guiadas por GPS, que neutralizaram elementos do Estado Islâmico que tentavam entrar na Nigéria pelo corredor do Sahel.

O país de cerca de 230 milhões de pessoas, o mais populoso da África, está dividido de forma praticamente igual entre populações muçulmanas e cristãs e é dilacerado pela violência há décadas.

Após um ano a processar algas, cabo-verdianas colhem tomate e milho... Um ano após começarem a apanhar algas na costa da ilha de Santiago, Cabo Verde, Maria José Carvalho e as colegas estão a colher o tomate e milho que essas mesmas algas ajudaram a fertilizar, numa receita útil para todo o mundo.

Por LUSA 

"Eu já acreditava nesta ideia, mas agora tenho a certeza de resulta: o tomate é excelente, já provei, ao fazer salada e é muito bom", conta à Lusa, no meio de uma parcela de terreno em Moia Moia, onde já apanharam mais de 70 quilos de tomate e muita maçaroca de milho.

Ao mesmo tempo fazem medição de vários parâmetros (acidez, humidade, calibre, peso) antes de enviarem amostras para análises detalhadas na Universidade de Iorque, Reino Unido, parceiro científico, para certificação dos produtos.

Um trabalho em conjunto com o Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) cabo-verdiano, explica Edita Magileviciute, bióloga marinha e presidente da Associação Cabo-Verdiana de Ecoturimo (Eco-CV), motor do projeto.

A colheita que agora é feita mostra que "a agroecologia funciona, não precisamos de fertilizantes químicos" e até o estrume animal poder ser opcional, "sobretudo nas comunidades costeiras", indica Edita, que mostra pacotes de algas secas nas mãos.

São fertilizantes que as mulheres produzem num pequeno pavilhão e que tanto podem ser secos como líquidos.

De uma ou outra forma, "são mais baratos e, mais importante, mais saudáveis" que quaisquer químicos.

No último ano, contabilizaram-se "mais de 150 toneladas de algas encalhadas" só na baía de Moia Moia, que, "em princípio, são consequência das mudanças climáticas", arrastando-as desde as Caraíbas.

A subida de nível do mar e o aumento de nutrientes fazem com que as algas cresçam mais, desequilibrando ecossistemas em vários pontos do planeta.

"Procurando soluções na componente social, resolvemos problemas ecológicos", assinalou.

O projeto está a transformar um problema numa oportunidade, adaptando a uma comunidade cabo-verdiana um processo que já funcionou noutros países -- onde até se fazem biocombustíveis a partir de algas.

"Esperamos que o projeto vá em frente, para termos mais rendimentos. Somos sete mulheres no mar e no campo, não temos planos para emigrar", conta Leise Fernandes, acrescentando que os maridos apoiam a iniciativa de emancipação feminina.

"Explicámos o que queríamos ir eles entenderam", acrescenta, enquanto ajuda colegas no terreno: além da colheita, há um trabalho metódico em redor de uma tabela de monitorização do crescimento do tomate, onde são registados vários parâmetros.

Maria José Carvalho carrega um analisador de solo, uma régua de precisão e uma fita métrica para verificar valores.

O projeto arrancou no final de 2024, incluiu aulas de natação e identificação de algas e os próximos passos incluem "testes de composição nutritiva e certificação, para os produtos entrarem no mercado", com o objetivo de que a iniciativa seja rentável e autossustentável, refere Edita.

"Criámos uma microempresa liderada por mulheres que preparam tudo", incluindo a metodologia, sobre a qual "podem dar formação" e replicar o projeto com a sigla AMMAR -- Alga Mulher Mar Agricultura Resiliência.

O núcleo passa agora por uma capacitação nas áreas de gestão e informática, "para que, no final de 2026, as mulheres estejam prontas a 100%" para comercializar os produtos agrícolas.

O foco é capacitá-las, torná-las "fortes e independentes" e Edita acredita que o projeto já não vai acabar: "com os resultados positivos que temos, absolutamente, não" - e mesmo que chegasse a um beco sem saída, este grupo já tem conhecimentos para seguir em frente.

A emigração na região, "infelizmente, continua", e até levou dois elementos da equipa no último ano.

"É a realidade", refere Edita, esperando que, quando a empresa começar a ganhar corpo, ajude a "atenuar um bocadinho" a saída de população.

Um dos parceiros mais importantes é a Universidade de Iorque, com um centro de novos produtos agrícolas por onde passam os produtos para análises e testes que não existem em Cabo Verde e que são muito caros.

No arquipélago, o INIDA tem fornecido sementes e colaborado noutros testes e tem havido ainda o envolvimento de associações comunitárias e instituições de ensino superior, como a Universidade Jean Piaget (UniPiaget) e a Universidade de Cabo Verde (UniCV).

Leise Fernandes e as colegas retomam o caminho, porque é preciso fazer de tudo um pouco: apanhar algas, fazer o composto, tratar dos campos experimentais e "ter pensamento positivo".

LFO // VM

Lusa/Fim