sábado, 11 de julho de 2026

Rússia anuncia abate de 178 drones. Kyiv denuncia novos ataques... As defesas aéreas russas abateram 178 drones ucranianos de longo alcance durante a noite sobre oito regiões da Rússia, Crimeia e os mares Negro e de Azov, não havendo relatos de danos em infraestruturas críticas, anunciaram hoje as autoridades.

© REUTERS    Por  LUSA    11/07/2026 

"Durante a noite as defesas aéreas intercetaram e abateram 178 drones ucranianos de asa fixa", afirmou o Ministério da Defesa russo numa nota publicada no MAX, a rede de mensagens russa.

De acordo com o comando militar, os engenhos foram neutralizados sobre as regiões russas de Bryansk, Kaluga, Rostov, Smolensk, Tver, Adiguésia, região de Moscovo, Krasnodar e península ucraniana anexada da Crimeia, bem como sobre os mares Negro e de Azov.

Durante a noite, nenhum órgão de comunicação russo ou ucraniano noticiou qualquer dano nas infraestruturas críticas russas, o principal alvo dos ataques de Kiev, que visam abrandar a máquina de guerra russa com os seus ataques de retaguarda em profundidade.

Já hoje de manhã, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou "ataques" que terão atingido infraestruturas civis "mesmo antes do soar da sirene de alerta aéreo" e que, além da capital, as regiões de Odessa, Sumy, Kharkiv e Chernihiv também foram afetadas.

Segundo as autoridades ucranianas, pelo menos 11 pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas em consequência na onda de ataques que terá atingido edifícios residenciais e comerciais.

A este número junta-se a pelo menos um morto e 29 feridos, incluindo um menor, resultantes de bombardeamentos anteriores lançados pela Rússia na noite de sexta-feira contra a região de Zaporizhzhia.

Zelensky afirmou que a Rússia lançou mais de 120 drones e 12 mísseis, seis deles mísseis balísticos que conseguiram penetrar as defesas ucranianas, razão pela qual o Presidente ucraniano insistiu para que o seu país assinasse o mais rapidamente possível os acordos de licenciamento para fabricar os seus próprios sistemas de defesa aérea Patriot, acordos que tem vindo a solicitar há meses.

Os ataques noturnos da Rússia sobre a Ucrânia foram confirmados pelas autoridades russas.

"Durante a noite, as Forças Armadas da Rússia lançaram múltiplos ataques com armas de precisão e de longo alcance, disparadas por terra e ar, bem como com drones", afirmou o Ministério da Defesa numa nota publicada no MAX.

Os ataques terão tido como alvo instalações do complexo militar-industrial ucraniano em Kiev, que se dedicam à produção e ao armazenamento de drones de longo e médio alcance.

Moscovo acrescentou que "instalações de infraestruturas portuárias em Odessa, Chornomorsk e Izmail, na região de Odessa, utilizadas para o transporte e armazenamento de carga militar, combustível e lubrificantes", também foram atacadas.

Em particular, o Ministério da Defesa russo informou que, em Kiev, a empresa Aerodron, especializada no fabrico dos veículos aéreos não tripulados (VANT) pesados de longo alcance E-300 Enterprise e D-80 Discovery, foi atacada, assim como a empresa Fanplit, dedicada à montagem e armazenamento dos drones Fair Point 2, com um alcance de 200 quilómetros, e dos seus componentes.

Segundo o comando russo, esta última apresentava-se como uma empresa civil produtora de madeira prensada e de mobiliário, o que lhe permitia ocultar as suas verdadeiras atividades e transportar cargas clandestinamente.

Na região de Odessa, foi atacado o porto de Chornomorsk que movimenta 90% das exportações agrícolas da Ucrânia, sendo considerado um centro logístico fundamental para o fornecimento de carga militar e combustível ao exército Ucraniano.


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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assinou hoje um decreto que viabiliza a criação de uma força militar de reação rápida, visando dotar o exército de uma formação moderna de tropas de assalto.

CPLP. Brasil justifica candidatura à presidência com alternância regional... O Brasil justificou a candidatura à presidência da CPLP para o biénio 2027-2029 com o princípio da alternância regional, após sete anos consecutivos de presidências exercidas por países africanos.

© Shutterstock        Por  LUSA   11/07/2026 

Em entrevista à Lusa, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte Duarte, alega que o Brasil é o único Estado-membro que ainda não exerceu essa função na presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Atualmente, Guiné Equatorial reivindica a presidência rotativa da CPLP para o biénio 2027-2029.

O diplomata afirmou que o Brasil apresentou a candidatura durante a conferência de chefes de Estado e de Governo realizada em julho de 2025.

Segundo o secretário, a proposta brasileira pretende reforçar o pilar da cooperação para o desenvolvimento.

Entre as prioridades apontadas estão saúde, direitos humanos, segurança alimentar, defesa e promoção da língua portuguesa.

"A prioridade atribuída pelo Brasil à CPLP, as suas contribuições históricas para a comunidade, e o seu engajamento com os seus princípios e objetivos asseguram o exercício de uma presidência inclusiva em benefício de todos os Estados-membros", afirmou.

O embaixador destacou que entre 2018 e 2025 a presidência rotativa foi ocupada de forma ininterrupta por quatro países africanos.

"Sem prejuízo de que todos possam aspirar à presidência, é tempo de dar a oportunidade a outra região", declarou.

Ao avaliar o papel do país dentro da CPLP, Carlos Duarte disse que desde a criação da comunidade, "o Brasil tem sido um membro ativo, propositor de projetos de cooperação e de atividades de promoção da língua portuguesa".

O embaixador disse ainda que o Brasil é o maior contribuinte financeiro da CPLP, com uma cota anual equivalente a cerca de 28% do orçamento total da comunidade.

Além disso, "o Brasil realiza contribuições anuais regulares para o Fundo Especial da CPLP, que financia as atividades de cooperação da comunidade".

"Temos plena consciência do nosso peso e, consequentemente, das nossas responsabilidades. Por isso, atuamos de modo a facilitar a consecução dos objetivos da comunidade, em benefício de todos os Estados-membros", avaliou.

Carlos Duarte destacou ainda que o Brasil tem "atenção especial" para o facto de que a maioria dos nove membros da CPLP são países em desenvolvimento, enquanto alguns são de menor desenvolvimento relativo.

"Por isso, priorizamos as áreas da educação, da saúde, da segurança alimentar e nutricional e dos direitos humanos, com foco em mulheres e pessoas com deficiência, além de buscar promover atividades de capacitação para pequenos empreendimentos", indicou.

Entre os feitos concretos de integração entre o país e as nações africanas, o embaixador cita que "a política externa educacional brasileira tem no continente africano uma das suas áreas prioritárias"

"Por meio da cooperação educacional, o Brasil procura intensificar a formação de recursos humanos em países africanos", afirmou, ao citar parceria com 29 países do continente.

"1.000 mísseis estão prontos para disparar e apontados": Trump ameaça destruir o Irão se for alvo de uma tentativa de assassínio

Donald Trump (Alex Brandon/AP)   Por  CNN 

O presidente dos EUA assegurou que as ordens "já foram dadas" e afirmou que as Forças Armadas norte-americanas estão "prontas, dispostas e aptas" para "dizimar e destruir completamente todas as regiões do Irão"

Donald Trump afirmou que deu instruções às forças armadas norte-americanas para responderem com um ataque devastador caso o Irão tente assassiná-lo. Numa publicação feita na sexta-feira na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos garantiu que "1.000 mísseis estão apontados e prontos a disparar contra a República Islâmica do Irão", acrescentando que "milhares mais" seriam lançados de imediato se Teerão concretizar essa ameaça.

"1.000 mísseis estão prontos para disparar e apontados para a República Islâmica do Irão, com mais milhares a seguir-se imediatamente, caso o Governo iraniano concretize a sua ameaça — proclamada em muitos cantos do mundo — de assassinar, ou tentar assassinar, o atual Presidente dos Estados Unidos da América, neste caso, EU!", começou por alertar o presidente norte-americano.

O chefe de Estado assegurou que as ordens "já foram dadas" e afirmou que as Forças Armadas norte-americanas estão "prontas, dispostas e aptas", durante um período de um ano, renovável, para "dizimar e destruir completamente todas as regiões do Irão" caso seja alvo de um atentado.

Horas antes, e em declarações ao The New York Post, Trump tinha revelado que deixou "instruções" para que os Estados Unidos "bombardeiem o Irão a níveis nunca antes vistos" se for assassinado. "Ando na lista deles há muito tempo. É com isso que estamos a lidar", afirmou.

Questionado sobre ter recebido informações das secretas alegadamente fornecidas por Israel relativas a um novo plano iraniano para o matar, Trump afastou a ideia. "Não, não. Israel não apresentou nada", disse. Ainda assim, reiterou que acredita que Teerão o quer morto há vários anos.

"Tenho estado em primeiro lugar [na lista de pessoas que o Irão quer matar] há muito tempo, e é assim que a vida é", contou durante a mesma entrevista.

As declarações surgem horas depois de o Wall Street Journal e a CNN noticiarem, com base em fontes anónimas, que Israel transmitiu às autoridades norte-americanas informações dos seus serviços secretos que apontam para um alegado novo plano iraniano para assassinar Donald Trump. Segundo a CNN, uma das fontes indicou que Israel confirmou um plano que já tinha sido parcialmente identificado pelos serviços de informações dos Estados Unidos.

Confrontada com essas notícias, a Casa Branca não desmentiu a existência do alegado plano, remetendo apenas para declarações feitas por Trump na quarta-feira, quando afirmou: "Querem eliminar o líder americano – eu. Estou numa espécie de lista. Vi esta manhã que estou em todas as listas."

De acordo com o New York Times, Trump abandonou a cimeira da NATO, realizada na Turquia, a bordo do antigo avião presidencial e não da nova aeronave oferecida pelo Catar, por razões de segurança. As informações sobre o alegado complô surgem numa altura de tensão nas relações entre Israel e os Estados Unidos, bem como entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump, devido à guerra com o Irão.

Irão diz ter "cumprido a palavra" perante EUA no protocolo de cessar-fogo... O Irão afirmou hoje ter "cumprido a palavra" perante os Estados Unidos desde a assinatura do protocolo de acordo de cessar-fogo, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a declarar rescindido após o reinício das hostilidades.

© Lusa     11/07/2026 

"Até agora, o Irão cumpriu a sua palavra", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X, acrescentando que "só pode haver respeito quando este é mútuo".

Os confrontos recomeçaram na passada terça-feira entre iranianos e norte-americanos. Os ataques trocados desde então pelas duas partes foram os mais intensos desde a assinatura, a 17 de junho, de um protocolo de acordo destinado a pôr um fim definitivo à guerra desencadeada a 28 de fevereiro por um ataque israelo-americano contra o Irão.

Donald Trump voltou a afirmar na sexta-feira que este cessar-fogo estava "terminado", embora tenha aceitado continuar a dialogar com Teerão.

"A República Islâmica do Irão pediu-nos para continuar com as 'discussões'. Aceitámos fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro, em termos inequívocos, que o cessar-fogo estava TERMINADO!", declarou o presidente norte-americano.

Teerão "não fez qualquer pedido", afirmou, porém, o porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, ao mesmo tempo que anunciou que Araghchi se deslocará hoje a Omã para discutir o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica no centro do diferendo com os Estados Unidos.

Teerão autoriza apenas um corredor de navegação ao longo da sua costa e exclui qualquer regresso à situação anterior à guerra, quando a passagem era livre neste estreito por onde, em condições normais, transitava um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.

Os Estados Unidos atacaram o Irão durante duas noites consecutivas, após terem atribuído a Teerão a responsabilidade por ataques contra três navios comerciais no estreito.

Em retaliação, o Irão atacou os vizinhos do Golfo: o Kuwait, onde pelo menos uma pessoa ficou ferida, o Bahrein e ainda o Qatar, um dos mediadores nos esforços para resolver o conflito.

De acordo com os meios de comunicação norte-americanos Axios e Politico, Washington comunicou a Teerão que lhe concedia ao final do dia de hoje para se comprometer publicamente a não voltar a atacar navios no estreito.

Washington restabeleceu, além disso, as sanções económicas contra o petróleo iraniano, suspensas pelo protocolo de acordo de 17 de junho, o que Araghchi denunciou hoje como uma "violação" do cessar-fogo.

O recrudescimento das tensões ocorreu em plena cerimónia fúnebre do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra e que foi sepultado na sexta-feira no mausoléu do imã Reza, o santuário xiita mais sagrado do país, em Mashhad (nordeste do Irão).

Embora os Estados Unidos tenham afirmado ter atacado alvos militares, a República Islâmica acusou Washington de ter também atingido infraestruturas civis, com o objetivo de impedir que os fiéis se deslocassem ao funeral de Ali Khamenei.

A calma regressou entretanto desde a noite de quinta para sexta-feira e uma delegação do Qatar, país mediador entre Teerão e Washington, chegou na sexta-feira ao Irão para encetar conversações, segundo um meio de comunicação local.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país também desempenha um papel de mediador, afirmou no X ter exortado o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, a salvar uma paz "conquistada com muito esforço".

No Irão, o principal negociador nas conversações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que a guerra "nunca terminaria com a rendição do Irão".


O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohammad Bagher Zolghadr, advertiu que o seu país responderá a "qualquer ataque" contra as suas infraestruturas, incluindo ataques contra Israel.


Leia Também: Irão diz que guerra com os EUA "nunca terminará com rendição"

A guerra entre o Irão e os Estados Unidos "nunca terminará com a rendição" de Teerão, advertiu hoje o principal negociador iraniano nas conversações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo a agência iraniana Isna.