domingo, 23 de agosto de 2026

Guiné Conacri. Sobe para 22 n.º de mortos em desmoronamento de aterro... O deslizamento de um monte de lixo na madrugada de hoje no maior aterro sanitário da capital da Guiné, Conacri, provocou a morte de pelo menos 22 pessoas, de acordo com um balanço provisório do serviço de proteção civil do país.

© Getty Images  Por LUSA    23/08/2026 

O incidente aconteceu no bairro de Dar es Salam, nos subúrbios da capital.

Chuvas intensas que começaram por volta das 03:00 inundaram o lixo, provocando um desmoronamento, que soterrou as barracas nas proximidades.

A ministra da Administração do Território e da Descentralização, Djenabou Touré, deslocou-se esta manhã ao local e afirmou que aguardaria o fim das operações de busca para divulgar um balanço oficial.

O Governo anunciou, nos últimos dias, operações de despejo e de segurança nas áreas circundantes ao aterro, devido aos riscos de deslizamento.

De acordo com o tenente-coronel Baldé Mamadou Bailo, responsável pela higiene do Batalhão de Engenharia Militar, as autoridades previam encerrar o local hoje.

Trata-se de "uma tragédia que nos deixa consternados", afirmou na rede social Facebook um dos principais opositores guineenses, Cellou Dalein Diallo, exilado no estrangeiro, falando de "inúmeras vítimas".

A Guiné é governada pelo general Mamadi Doumbouya, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em 2021, antes de ser eleito presidente em dezembro de 2025.

© Reuters

Colisões no espaço preocupam cada vez mais. Plano para resolver o problema reacende guerra de poder

Esta imagem composta, resultado de exposições captadas ao longo de 30 minutos numa noite do início de junho, mostra um céu repleto de satélites. (Alan Dyer/VWPics/Universal Images Group/Getty Images)     Por  Cnnportugal.iol.pt, 23/08/2026

À medida que o número de satélites em órbita terrestre continua a aumentar, cresce também o risco de colisões entre estas naves espaciais. Este tipo de acidentes pode originar campos de destroços capazes de inviabilizar áreas inteiras no espaço

Objetos espaciais já colidiram ou estiveram perto de embater no passado. Embora esses episódios continuem a ser raros, existem hoje mais de 18 mil satélites ativos e inativos em órbita — um valor que mais do que duplicou apenas nos últimos seis anos. A grande maioria concentra-se na mesma região, a órbita terrestre baixa, onde o aumento de tráfego torna as colisões estatisticamente mais prováveis.

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) aprovou agora um novo conjunto de regras, largamente apoiado pelo setor, que visa "modernizar" o processo de licenciamento de satélites e introduzir novas disposições de "segurança espacial". Em concreto, a regulamentação exige que os operadores de satélites partilhem dados de rastreio em tempo real, permitindo aos gestores de tráfego espacial uma visão mais abrangente da posição dos objetos em órbita. Historicamente, prever potenciais colisões tem sido um desafio complexo e perigoso.

Se as regras da FCC não reúnem contestação significativa, a sua implementação reacendeu uma guerra de poder sobre quem deve ter a palavra final no setor espacial.

A FCC tem atuado como regulador de facto dos satélites há décadas devido à sua autoridade para gerir o espectro de radiofrequências, que permite a transmissão sem fios de dados a partir do espaço ou de aeronaves. Contudo, com a expansão do setor espacial comercial, os legisladores têm defendido a transferência dessa competência regulatória para o Departamento do Comércio dos EUA. A intenção é que essa entidade assuma a supervisão do setor e trabalhe em proximidade com as empresas para assegurar a competitividade global da indústria norte-americana.

Políticos de diferentes quadrantes têm manifestado apoio à alteração. Em fevereiro, os dois membros seniores da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes — o republicano Brian Babin e a democrata Zoe Lofgren — enviaram uma carta à FCC a instar o organismo a abandonar ou rever as novas regras. Os parlamentares sustentavam que a legislação federal "não contém qualquer autorização clara do Congresso que capacite a FCC a regular a segurança espacial, a gestão do tráfego espacial ou operações espaciais mais amplas sem fins de comunicação".

A FCC não respondeu publicamente à missiva nem prestou declarações à CNN.

Contactados para comentar a situação, assessores do lado republicano na Comissão de Ciência adiantaram esta terça-feira que Brian Babin e Zoe Lofgren enviaram uma nova carta ao presidente da FCC, Brendan Carr, a solicitar o adiamento da votação e o início de conversações com os legisladores.

A comissão acabou por aprovar as regras de tráfego espacial por unanimidade esta quarta-feira de manhã.

O impasse regulatório ilustra a evolução acelerada da indústria espacial: numa altura em que empresas como a SpaceX, a OneWeb e a Amazon colocam centenas ou milhares de novos satélites em órbita, permanece por esclarecer quem dispõe de autoridade para fiscalizar as operações.

Monitorizar os céus

Embora o Congresso e o presidente Donald Trump tenham sinalizado a vontade de atribuir ao Departamento do Comércio a função de regulador e gestor do tráfego espacial, o processo permanece num impasse, em parte devido à incerteza sobre as verbas a orçamentar para essa missão. O Departamento do Comércio não respondeu aos pedidos de esclarecimento da CNN.

"Estamos numa zona cinzenta nesta altura", referiu o presidente da Associação da Indústria de Satélites, Tom Stroup, à CNN. "Pouco tinha sido feito em matéria de sustentabilidade espacial" ou na prevenção de colisões no espaço.

Tom Stroup sublinhou ainda a urgência da situação, dado que o setor apresenta planos ambiciosos: a SpaceX, por exemplo, pretende lançar uma constelação de até 1 milhão de satélites para instalar centros de dados em órbita.

Um foguetão Falcon 9 da SpaceX descola da Base da Força Espacial de Vandenberg com 25 satélites de internet Starlink a bordo, numa imagem captada a partir de Pasadena, na Califórnia, a seis de abril. (Mario Tama/Getty Images)

Relativamente às novas normas de sustentabilidade aprovadas pela FCC, o responsável considerou que "se poderia argumentar que deveriam ter sido implementadas há cinco anos".

"Uma coisa é clara: não podemos esperar mais cinco anos", acrescentou.

A SpaceX tem trabalhado em cooperação com a comunidade de Vigilância e Acompanhamento Espacial (SSA) e garante encarar a gestão do tráfego com responsabilidade. Ainda assim, as regras da FCC podem fixar um padrão para toda a indústria e reforçar a adoção de boas práticas.

A intervenção da FCC para incentivar uma atuação mais responsável no espaço conta com antecedentes. Em 2022, o organismo aprovou uma norma que exige aos operadores a remoção de satélites inativos no prazo de cinco anos, de forma a evitar a acumulação de lixo espacial durante décadas. (A liderança da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes também contestou essa medida, alegando falta de competência jurídica da comissão).

Dois anos mais tarde, a FCC passou a exigir que os operadores declarassem se os seus satélites foram concebidos para se desintegrarem na atmosfera no final da vida útil ou se existia a probabilidade de resistirem à reentrada e atingirem o solo.

"Os detritos orbitais degradam o ambiente para toda a atividade espacial futura", afirmou a então presidente da FCC, Jessica Rosenworcel, em comunicado emitido em 2024. "Por essa razão, as políticas que adotamos para resolver o problema são fundamentais."

As regras aprovadas esta quarta-feira visam resolver um problema antigo na gestão do tráfego espacial.

Atualmente, a monitorização de objetos no espaço é efetuada por telescópios e radares operados por governos e empresas privadas. No entanto, estes sistemas apresentam falhas de cobertura. Embora as empresas disponham de dados de localização em tempo real sobre os seus satélites operacionais, têm demonstrado reticência histórica em partilhar essa informação com terceiros.

A reserva devia-se, no passado, a preocupações com a privacidade ou com a salvaguarda de dados proprietários. Contudo, o setor evoluiu nos últimos anos, explicou o vice-presidente de soluções técnicas da LeoLabs, Adam Marsh, empresa especializada em vigilância espacial comercial.

Adam Marsh indicou que a maioria dos operadores de satélites não se opõe a partilhar dados de rastreio em direto. As novas regras da FCC dão um passo adicional ao tornar essa partilha obrigatória e ao exigir que a informação seja "precisa e oportuna".

A disponibilização de dados de qualidade é considerada essencial pela FCC. Se os sistemas de vigilância dependerem apenas de dados de observação limitados, podem falhar a deteção de manobras súbitas ou subtis que os operadores acompanham com facilidade. Nesses cenários, perante o risco de colisão entre dois objetos, torna-se difícil para os especialistas determinar o nível exato de perigo.

A nova regulamentação da FCC procura evitar esse cenário, solicitando aos operadores que partilhem informações com entidades governamentais de vigilância espacial ou com empresas especializadas que venham a ser indicadas pela própria comissão.

Uma das empresas que poderá vir a ser reconhecida pela FCC como prestadora destes serviços é a LeoLabs, que desde 2016 utiliza uma rede de radares em terra para monitorizar o espaço e detetar potenciais colisões. A entidade já recolhe dados em tempo real junto de operadores recetivos à partilha.

Os detalhes sobre a implementação das normas e o processo de seleção das empresas de vigilância pela FCC permanecem por definir, esclareceu Adam Marsh. A LeoLabs saúda a iniciativa, sustentando que a criação de salvaguardas no espaço ganha relevância à medida que o número de satélites em órbita aumenta.

"Estamos todos a testemunhar o que está a acontecer e o crescimento é enorme — o objetivo comum deve ser aumentar a segurança", referiu o responsável.

"Aquilo é uma grande vizinhança", acrescentou. "Se algo correr mal, afeta todos."

Modernização da regulamentação espacial

Permanece incerto o cenário que se colocaria caso o Departamento do Comércio avançasse com normas próprias de segurança espacial que entrassem em conflito com as diretivas existentes.

Para já, os próprios operadores de satélites mostram-se maioritariamente favoráveis às medidas da FCC.

"O que está a ser traçado é um excelente primeiro passo e creio que a comunidade deve tentar perceber o que mais pode ser feito", afirmou Derek Huerta, antigo gestor sénior da Starlink na SpaceX e atual responsável pela startup Eclipse Space.

O setor beneficia ainda de um incentivo adicional: as regras de rastreio de satélites integram um documento de 200 páginas que contempla reformas regulatórias amplas, desenhadas para tornar o lançamento de satélites mais simples e económico.

A indústria tem sustentado que os processos atuais se encontram desatualizados, constituindo um obstáculo para pequenos e grandes operadores. Avaliações técnicas complexas, exigências burocráticas e requisitos rígidos podem arrastar-se por vários meses.

Derek Huerta recordou o período em que estudava na Universidade Estatal Politécnica da Califórnia, no início dos anos 2000, altura em que uma equipa de estudantes de engenharia procurava aprovação para lançar um pequeno satélite experimental destinado a testar tecnologia de dissipação de energia.

O processo revelou-se moroso e desgastante, prolongando-se por mais de um ano.

O sistema foi concebido para dar resposta ao mercado de satélites de há várias décadas, quando "o setor lançava poucos satélites por ano", contextualizou Tom Stroup.

A realidade atual é distinta, com a maioria dos novos dispositivos a pertencer a operadores de megaconstelações como a SpaceX, a OneWeb, a Planet Labs ou a Amazon, que pretendem colocar milhares de pequenos satélites em órbita terrestre baixa.

A nova regulamentação da FCC afasta-se do modelo tradicional e prescritivo de aprovação — no qual as empresas eram obrigadas a apresentar relatórios e análises específicos para demonstrar o cumprimento dos padrões de segurança — em favor de regras baseadas em desempenho, que conferem maior flexibilidade às entidades na demonstração dessa conformidade.

A alteração permitirá "acelerar substancialmente" o processo de licenciamento, segundo a FCC. A simplificação das exigências será "uma vitória importante para pequenas startups e empresas de menor dimensão", defendeu Derek Huerta, e não apenas para gigantes como a SpaceX ou a Amazon.

O custo do processo de licenciamento tem constituído outro fator dissuasor, explicou o responsável, barreira que a nova regulamentação poderá ajudar a reduzir.

"Existem cauções que é necessário dar em determinadas fases do processo", esclareceu. "É preciso mobilizar cerca de 10 milhões de dólares [cerca de 9,2 milhões de euros], valor acessível para uma empresa como a Amazon ou a SpaceX. Mas para um empreendedor em fase inicial, esse montante pode representar a totalidade do capital angariado pela empresa."

Em suma, Derek Huerta considerou que as novas normas da FCC serão "excelentes" para o desenvolvimento do setor.

"Tornam o processo muito mais claro e permitem planear o licenciamento com maior previsibilidade", concluiu.

Tom Stroup acrescentou que a iniciativa legislativa da FCC reflete a crescente relevância nacional das atividades espaciais.

"Com a expansão da indústria vem o reconhecimento da importância do espaço e das oportunidades extraordinárias que estão a ser criadas", observou. O crescimento acelerado pode gerar desafios, admitiu o responsável, "mas são problemas que vale a pena resolver".

Irão anuncia descoberta de grandes depósitos de gás no sul do país... O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

© Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images     Por  LUSA  23/08/2026 

Teerão, 23 ago 2026 (Lusa) -- O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

"Esta descoberta acrescenta uma quantidade significativa de hidrocarbonetos às reservas nacionais do Irão e reflete os esforços da indústria petrolífera para identificar e explorar novos recursos", afirmou Mohsen Paknejad, em declarações divulgadas pela agência de notícias Shana, ligada ao Ministério do Petróleo.

O governante iraniano estimou que poderão ser extraídos cerca de 5,7 biliões de pés cúbicos do total descoberto, o que equivaleria a 15 anos de produção da primeira fase de South Pars, o maior campo de gás natural do mundo.

O depósito contém também um volume significativo de gás condensado, que, segundo Paknejad, poderá gerar vários milagres de milhões de dólares para o Irão".

Desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, o exército israelita atacou duas vezes o campo 'offshore' de South Pars, dividido entre o Qatar e a República Islâmica, que retaliou contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo Pérsico.

O Irão possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a terceira maior de petróleo, mas não dispõe de recursos para explorar estes recursos.

Como resultado, o país enfrenta apagões tanto no verão como no inverno e é obrigado a importar gasolina.

Ao mesmo tempo, enfrenta também dificuldades na exportação dos seus produtos petrolíferos devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

A descoberta acontece numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou "a operação económica mais devastadora alguma vez realizada contra qualquer país", no que chamou de "Dia D económico" contra o Irão, com o objetivo de terminar a guerra e reabrir o estreito de Ormuz.

Washington ainda não divulgou os detalhes das novas medidas económicas contra a República Islâmica, mas o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou os países que prestarem "qualquer tipo de ajuda vital ao Irão" que sofrerão consequências económicas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu hoje que a sociedade iraniana enfrenta "numerosas dificuldades", à medida que os Estados Unidos procuram aumentar a pressão sobre a economia iraniana.

Num discurso transmitido pela televisão estatal, o líder iraniano disse porém que o seu país está empenhado "numa guerra total nas frentes económica, militar e de segurança".

O presidente iraniano comentou também que a tentativa dos Estados Unidos de desmantelar a atual estrutura de poder da República Islâmica e de instalar autoridades mais favoráveis ??a Washington, como ocorreu na Venezuela, falhou completamente.

"O Irão não só não se tornou como a Venezuela, como o mundo ficou surpreendido com o nosso poder", declarou Pezeshkian, acusando os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.

As partes assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, que implicou um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, prazo que terminou na segunda-feira.

Os dois lados voltaram entretanto aos confrontos pouco depois da assinatura do memorando e o Irão repôs as restrições que mantinha à navegação comercial no estreito de Ormuz - por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra -, enquanto os Estados Unidos voltaram a aplicar um bloqueio naval aos portos iranianos.

As ameaças em Ormuz obrigaram os países exportadores de petróleo da região a procurar rotas alternativas, nomeadamente no mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, impuseram por sua vez um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já advertiu que o estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado em junho, mantendo a pressão sobre os preços de bens petrolíferos e sobre o presidente norte-americano, Donald Trump, a cerca de dois meses das eleições intercalares nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países vizinhos nas duas margens do estreito, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem, num acordo negociado à margem do processo de diálogo entre Washington e Teerão.


Putin afirma que tem combustíveis sob controlo apesar de ataques... O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que a escassez de combustíveis na Rússia está controlada e que os problemas estão a ser resolvidos, após sucessivas vagas de ataques ucranianos contra instalações petrolíferas.

© Contributor/Getty Images   Por  LUSA  23/08/2026 

"Embora nem todos os problemas tenham sido resolvidos, o trabalho está em curso. O primeiro-ministro [Mikhail Mishustin] está a acompanhar a situação. Foi criada uma comissão especial", disse o líder do Kremlin numa entrevista transmitida hoje pela televisão estatal.

Putin reconheceu que "é claro que há certos incómodos para as pessoas" devido à falta de combustíveis, mas reforçou que "o Governo, obviamente, deve manter a situação sob controlo".

Dias antes, as autoridades russas admitiram que o país está a viver a "segunda fase" da crise dos combustíveis devido à intensificação dos ataques ucranianos às infraestruturas petrolíferas.

Na quarta-feira, foi divulgado que pelo menos duas cadeias de postos de abastecimento voltaram a restringir a venda de combustíveis em Moscovo.

Da mesma forma, o ministro da Energia russo, Sergey Tsiviliov, reconheceu que as filas regressaram aos pontos de venda.

Além de limitar a venda de combustíveis, o Governo russo autorizou a venda de gasolina Euro-2, muito abaixo dos padrões de qualidade habituais, numa tentativa de lidar com a crise do mercado.

Anteriormente, o Presidente russo tinha tentado minimizar os bombardeamentos ucranianos no seu país, alguns dos quais a largas centenas de quilómetros da frente de combate entre os exércitos dos dois países, ao comentar que "estes ataques não têm consequências graves, nunca tiveram nem nunca terão".

Mas depois acabou por admitir que prejudicam a economia nacional.

Na sexta-feira, as autoridades russas reconheceram que o abastecimento de combustível era difícil em algumas regiões do país, devido à recente intensificação dos ataques da Ucrânia contra refinarias.

"A situação mantém-se tensa em várias regiões do país em relação ao fornecimento de combustível aos postos de abastecimento de combustível", afirmou o Governo nas redes sociais, acrescentando que foi realizada uma reunião sobre o assunto.

As empresas petrolíferas "estão a tomar as medidas necessárias para aumentar o fornecimento às regiões mais vulneráveis", acrescentou.

O vice-primeiro-ministro russo para a Energia, Alexander Novak, instruiu as autoridades para monitorizarem os preços dos combustíveis, segundo o executivo.

Na Rússia, os motoristas e as empresas têm enfrentado dificuldades de abastecimento nos últimos meses, à medida que a Ucrânia intensificou os seus ataques com drones e mísseis de longo alcance contra as infraestruturas petrolíferas russas, procurando cortar os recursos financeiros que alimentam a ofensiva de grande escala lançada contra o seu território em fevereiro de 2022.

Quase todas as regiões tiveram de restringir as vendas em algum momento, por exemplo, limitando a quantidade de combustível que cada cliente pode comprar.

A região sul de Krasnodar, popular entre os turistas pelos seus 'resorts' no Mar Negro, está entre as mais afetadas.

Os ataques aéreos ucranianos visaram também os gigantescos armazéns da Wildberries, o maior retalhista 'online' da Rússia, provocando avultados prejuízos e deixando a guerra mais próxima dos cidadãos.

Os ataques a cerca de 20 instalações da Wildberries demonstraram a capacidade de Kiev para atingir alvos distantes e representaram um novo desafio para Vladimir Putin, antes das eleições legislativas no próximo mês.

A economia da Rússia cresceu 1,3% no segundo trimestre, depois de ter contraído no início do ano pela primeira vez desde 2023, segundo dados os dados oficiais, que Putin já admitiu ser um valor "modesto" ainda que positivo.

Analistas observam porém que a elevada inflação associada aos ataques ucranianos e sanções internacionais, a par da escassez de mão de obra e fragilidade da indústria não dedicada ao esforço de guerra, inviabilizam o regresso a crescimentos económicos sustentados.


Ucrânia testa alternativa ao Starlink sem deixar de usar rede de Musk... A Ucrânia está a trabalhar numa alternativa ao Starlink com um país europeu e já iniciou testes nesse sentido, prevendo continuar usar a rede de satélites do grupo de Elon Musk, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

© Lusa   23/08/2026 

"Os russos estão a construir um equivalente ao Starlink com os chineses e acreditam que concluirão este projeto até dezembro de 2026", afirmou Zelensky aos jornalistas em declarações tornadas públicas hoje.

O acesso à rede Starlink, serviço fornecido pela SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, foi cortado aos russos na Ucrânia em 2025 pelo presidente executivo da multinacional, numa decisão que, segundo os especialistas, contribuiu para o sucesso dos contra-ataques localizados de Kiev contra a Rússia.

"Não vamos simplesmente esperar que os chineses e os russos lancem o seu próprio equivalente ao Starlink", disse Zelensky, confirmando que Kiev "está atualmente a desenvolver um projeto semelhante com um país europeu" e que já foram iniciados testes.

O presidente ucraniano garantiu que Kyiv continuará a trabalhar com o Starlink e que espera convencer Elon Musk a permitir utilizar a rede de satélites para realizar ataques na Rússia, com a aprovação de Washington.

"Por enquanto, [Elon Musk] disse que isso representaria uma escalada, mas pode mudar de ideias quando vir argumentos mais convincentes", referiu.

A gigante tecnológica norte-americana mudou de posição em relação à Ucrânia várias vezes desde o início da invasão russa em grande escala, iniciada em fevereiro de 2022, e tem mantido contacto próximo com o ex-ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, que foi demitido em julho.

Para o líder ucraniano, os ataques poderiam "levar a uma redução das capacidades que a Rússia está a utilizar para prolongar a guerra", ao permitir visar os lançadores de mísseis balísticos russos, cada vez mais utilizados por Moscovo.

Kiev reclama mais munições para os intercetar, particularmente de mísseis Patriot norte-americanos, cuja ausência se agravou desde o início da guerra no Médio Oriente.

A Ucrânia recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, por comparação com 364 em 2025 e 264 em 2026, disse Zelensky.


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A Rússia retirou o seu embaixador no Reino Unido, Andrei Kelin, para pressionar Londres a reconsiderar o seu apoio à Ucrânia, revela hoje o jornal The Sunday Times.

Portugal : GNR apreende cinco toneladas de droga e detém sete pessoas no Algarve... A GNR apreendeu mais de cinco toneladas de haxixe e deteve sete pessoas, no âmbito de uma operação realizada no sábado junto ao rio Guadiana, no Algarve, foi hoje anunciado.

© ShutterStock   Por LUSA   23/08/2026 

A operação foi executada pelos militares do subdestacamento de Controlo Costeiro de Vila Real de Santo António, nos concelhos de Vila Real de Santo António e Castro Marim, no distrito de Faro, esclareceu a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR, em comunicado.

Segundo a GNR, a Guardia Civil espanhola detetou "movimentações suspeitas, em frente à Costa Ezuri, na zona de Corte Velha", no Azinhal, em Castro Marim, "nas imediações de ruínas situadas em território nacional".

Na sequência, foi executada "uma operação de vigilância e controlo costeiro" e foram empenhados meios terrestres, marítimos e aéreos "com o objetivo de intercetar os envolvidos e assim evitar quaisquer ilícitos criminais que decorressem naquele local, incluindo o tráfico de estupefacientes por via marítima", lê-se na nota.

No decorrer da operação, alguns indivíduos aperceberam-se da presença dos militares e tentaram a fuga do local, numa primeira fase apeados e, depois, numa viatura ligeira de passageiros e numa embarcação, referiu a GNR.

A viatura utilizada foi intercetada "já sem os seus ocupantes", enquanto os meios marítimos conseguiram deter os sete homens que se encontravam a bordo da embarcação em fuga.

Os detidos são todos de nacionalidade estrangeira e têm idades entre os 21 e os 39 anos, especificou a força de segurança, acrescentando ter sido ainda "identificado um outro homem que estará relacionado com esta ocorrência".

Na noite de sexta-feira, uma patrulha marítima da UCCF já tinha tentado proceder à abordagem de uma embarcação suspeita "relacionada" com a operação agora executada, "que reagiu de forma hostil" à presença dos militares e tentou abalroá-los, iniciando uma fuga em direção ao esteiro de Canela, já em território espanhol.

"Os militares conseguiram impedir este objetivo, acabando os suspeitos por fugir apeados na marina de Ayamonte e a embarcação foi apreendida", informou a GNR.

A operação resultou na apreensão de 2.133 fardos de resina de canábis (haxixe), "aproximadamente 5320 quilogramas, considerando o peso médio de 40 quilogramas de cada fardo", enquadrou.

Foram ainda apreendidas três viaturas, duas embarcações, uma pistola com carregador e munições, seis telemóveis e mais de 1.000 euros em numerário.

A operação contou com o reforço de meios do Comando Territorial de Faro, Unidade de Intervenção e com o apoio da Guardia Civil.

Iraque anuncia repatriamento de seis mil estrangeiros jihadistas... O Governo do Iraque deu início aos procedimentos de repatriação de 6.000 estrangeiros ligados à organização jihadista Estado Islâmico que permanecem detidos no país após a sua transferência inicial das prisões da Síria.

© Reuters    Por LUSA   23/08/2026 

O porta-voz do Ministério da Justiça iraquiano, Murad al Sadi, explicou, citado pela agencia Europa Press, que nenhum condenado à morte por terrorismo será incluído nestes procedimentos, que envolvem 61 países de todo o mundo.

"É necessário que os países assinem acordos bilaterais de repatriação", explicou o responsável à agência curdo-iraquiana Rudaw, para ativar um procedimento que, de qualquer forma, é imprescindível.

O responsável lembrou que "a pressão que estão a exercer nas prisões iraquianas é imensa", especialmente num momento em que o Governo enfrenta dificuldades para pagar os salários dos funcionários prisionais devido ao enorme impacto económico da guerra com o Irão.

A isto acresce o facto de o Iraque estar a ser alvo de críticas por parte de organizações internacionais especializadas na monitorização dos direitos humanos, como a Human Rights Watch (HRW), que denunciam julgamentos sumários, sem critérios éticos, nos tribunais iraquianos a alegados membros do Estado Islâmico, que, além disso, teriam confessado sob alegadas torturas.

Em termos gerais, trata-se de 5.704 alegados membros do Estado Islâmico, de 61 nacionalidades. A maioria é síria, mas há também marroquinos, turcos, tunisinos e até norte-americanos, canadianos e russos.

Quando os procedimentos preliminares terminarem, os repatriados serão transferidos temporariamente para a grande prisão de Karj, em Bagdade, na sua última paragem antes de deixarem o país.


Zelensky contra eleições: "Risco enorme" que "dividiria a Ucrânia"... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considera que a realização de eleições em tempo de guerra constituiria um perigo para o país, respondendo ao apelo do seu ex-ministro da Defesa para realizar um escrutínio.

© Oliver Bunic/Bloomberg via Getty Images   Por LUSA  23/08/2026 

"Penso que, numa guerra como esta, as eleições, por si só, representam um risco enorme", afirmou Zelensky, considerando que seriam um "tsunami" que "dividiria a Ucrânia".

O líder ucraniano respondeu hoje em conferência de imprensa às polémicas recentes, como a demissão, em meados de julho, do jovem e popular ministro da Defesa, Mikhaïlo Fedorov.

Este último causou grande agitação na terça-feira com um vídeo, no qual denuncia a corrupção e pede a "restauração de um processo democrático" através de eleições, apesar da invasão russa do país.

O mandato presidencial de Zelensky terminou em maio de 2024, mas não podem ser organizadas eleições na Ucrânia sob a lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa em grande escala do país, desencadeada em fevereiro de 2022.

"Se quisermos destruir o país, então podemos avançar para a realização de eleições nestes tempos de guerra", respondeu Zelensky.

Hoje "é impossível nas condições em que nos encontramos atualmente, quando Putin não está disposto a considerar opções para um cessar-fogo", acrescentou ainda.

As declarações de Fedorov causaram mal-estar até mesmo entre os seus apoiantes.

De acordo com a última sondagem de opinião do Instituto de Sociologia de Kiev (KIIS), realizada em julho e agosto, apenas 15% dos inquiridos consideram que as eleições deveriam realizar-se antes do fim da guerra.

A decisão do Presidente de demitir Fedorov deu origem a manifestações que reuniram milhares de pessoas nas ruas de várias cidades do país, levando Zelensky a substituir também o comandante do exército, Oleksandre Syrsky, considerado um rival de Fedorov.

Sobre os protestos, o Presidente ucraniano defendeu o direito dos cidadãos a manifestarem-se, mas alertou para qualquer atitude "desrespeitosa" em relação ao exército e para o risco que representa uma divisão "entre a sociedade e os soldados".

"Desde quando é que o marketing começou a ter prioridade sobre as pessoas que dão a vida?" - questionou.


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O presidente da Ucrânia pediu hoje ao parlamento ucraniano que aprove as reformas internas indispensáveis para receber os 30 mil milhões de euros em fundos europeus destinados a colmatar o atual défice nas despesas com a defesa

Presidente iraniano diz que EUA falharam: "Irão não se tornou Venezuela"... O presidente do Irão, Masud Pezeshkian, afirmou hoje que a tentativa dos Estados Unidos de destruir a atual estrutura governamental da República Islâmica para instalar autoridades mais favoráveis a Washington, tal como aconteceu na Venezuela, fracassou completamente.

© Iranian Presidency/Anadolu via Getty Images  Por LUSA  23/08/2026 

"O Irão não só não se tornou na Venezuela, como o mundo ficou impressionado com o nosso poder", afirmou Pezeshkian num discurso hoje difundido pela televisão estatal, no qual acusou os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.

Segundo Pezeshkian, os "inimigos" do Irão "esperam criar divisões e fissuras na sociedade através de problemas", reconhecendo, no entanto, que essas dificuldades existem.

"É uma vergonha para nós que existam problemas", indicou o político iraniano a este respeito, antes de argumentar que a sociedade iraniana se encontra neste momento "envolvida numa guerra económica, militar e de segurança em grande escala".

Perante as "sanções esmagadoras" prometidas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Pezeshkian garantiu que o governo iraniano se manterá firme e envidará "todos os esforços possíveis para servir o povo face a esta guerra desigual".

"Esforçamo-nos ao máximo para superar a inflação, os problemas de subsistência, a falta de emprego e para garantir um futuro digno e de orgulho para o povo", afirmou o Presidente iraniano, antes de explicar que, para tal, é imprescindível que Teerão se mantenha firme nas negociações, porque se "decidirem algo e depois recuarem vão deparar-se com uma situação muito delicada".

E concluiu: "espero que esta união e coesão se mantenham estáveis. O inimigo pretende criar divisões e fissuras na sociedade através de problemas e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para as evitar, bem como os conflitos e os egos".

Estas declarações surgem após os Estados Unidos, na quinta-feira, terem prometido "derrubar" o regime iraniano com a campanha de sanções anunciada, quase seis meses após o início da guerra.

"Estamos envolvidos numa guerra total nos planos económico, militar e de segurança. Ele (o Presidente norte-americano, Donald Trump) afirma sem rodeios que está a impor ao Irão as sanções mais esmagadoras ou mais temíveis", declarou Pezeshkian.

Nos últimos anos, o governo iraniano tem enfrentado várias ondas de manifestações, muitas vezes desencadeadas pela deterioração da situação económica, pela inflação e pela diminuição do poder de compra.

No final de dezembro, um movimento de protesto, inicialmente desencadeado pelo aumento do custo de vida, transformou-se rapidamente em vastos protestos contra o poder.

As autoridades registaram mais de 3.000 mortos, atribuindo a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.

Por seu lado, organizações não-governamentais sedeadas no estrangeiro relataram uma repressão que causou milhares de mortos.

LOURES: Quatro homens esfaqueados em Sacavém. Três estão em estado grave... Quatro homens ficaram feridos, três dos quais em estado grave, após serem esfaqueados por outro indivíduo durante a madrugada deste domingo, em Sacavém, no concelho de Loures. O suspeito está em fuga e a Polícia Judiciária investiga o crime.

© Global Imagens  Por  noticiasaominuto.com  23/08/2026 

Quatro homens ficaram feridos, três dos quais em estado grave, após terem sido esfaqueados por outro indivíduo em Sacavém, no concelho de Loures, durante a madrugada deste domingo. 

Segundo confirmou o Notícias ao Minuto junto de fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP), o crime ocorreu "por volta da meia-noite" junto a uma café na Rua Pêro Escobar.

A mesma fonte adiantou que "um homem agrediu quatro indivíduos", estando três deles em "estado grave". 

Os três feridos foram encaminhados para o Hospital São Francisco Xavier, Hospital de Santa Maria e Hospital Beatriz Ângelo.

O suspeito está em fuga e as autoridades também não conseguiram localizar a arma do crime. 

A Polícia Judiciária (PJ) foi acionada por se tratar de um crime de tentativa de homicídio e encontra-se a realizar diligências.

ENTREVISTA: Será difícil colocar travão na IA – Rui Gonçalves, da KPMG Portugal... O responsável pela área de consultoria de tecnologia da KPMG Portugal considera, em entrevista à Lusa, que será difícil colocar um travão na IA, defendendo a necessidade de encontrar uma solução de compromisso entre gestão do risco e dependência

© Shutterstock.  Por executivedigest.sapo.pt, 23/08/2026

Lisboa, 23 ago 2026 (Lusa) – O responsável pela área de consultoria de tecnologia da KPMG Portugal considera, em entrevista à Lusa, que será difícil colocar um travão na IA, defendendo a necessidade de encontrar uma solução de compromisso entre gestão do risco e dependência.

Várias têm sido as vozes a apelar para abrandar o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial (IA), desde o Papa, passando pela norte-americana Anthropic, como pelo presidente executivo (CEO) do Machine Intelligence Research Institute (MIRI), Malo Bourgon, que em entrevista recente à Lusa considerou que é possível abrandar esta tecnologia com intervenção dos governos.

Para Rui Gonçalves, responsável pela área de consultoria de tecnologia (head of technology consulting) da KPMG Portugal, que integra ainda o ‘global AI council’ [conselho global de IA] do grupo, considera que travar a inteligência artificial é algo que é difícil de fazer.

“Travar a IA, meter um botão de pausa (…), não sei se isso é possível porque os centros de decisão sobre isso estarão de tal maneira espalhados (…) pelo mundo e nenhum deles, com certeza, está em Portugal”, refere.

Os centros de decisão dos modelos de IA estão em São Francisco, Seattle (Estados Unidos) ou em Yangzhou, China, aponta.

“E nem na Europa estarão”, pelo que “acho que o tema deve ser mais se a escolha real é acelerar ou travar um pouco o ritmo e decidir a que ritmo é que se regula e que se cria aqui mais mecanismos de gestão do risco sem travar a capacidade de construir”, prossegue o responsável.

A questão é “como é que nós poderemos acelerar ou desacelerar esse tema, colocando mais regulação ou gerindo o risco de forma mais eficiente sem estrangular a capacidade de construir”, sugere, apontando que na Europa não há capacidade para travar a IA e, muito menos, em Portugal.

Só para se ter uma ideia, a Europa “importa mais de 80% das nossas tecnologias digitais”, de acordo com um estudo recente.

Além disso, “70% dos modelos fundacionais saem dos Estados Unidos”, depois, dos 30% que restam, “25% a 29% sairão da China e 1% sairá da Europa”, ilustra Rui Gonçalves.

Além disso, colocar “travões de forma desregulada vai-nos só aumentar a dependência a prazo”, adverte o responsável da KPMG Portugal.

Isto porque a existir um travão, haverá quem não cumpra essa medida, criando uma maior assimetria no desenvolvimento da tecnologia.

“Daí o tema que se coloca (…) é tentar encontrar aqui uma solução de compromisso entre a gestão do risco e a gestão da dependência de outros países”, conclui Rui Gonçalves.

GUERRA NA UCRÂNIA: Nova jornada de ataques deixa nove mortos na Ucrânia e quatro na Rússia... Pelo menos nove pessoas morreram este sábado na Ucrânia em ataques com drones e mísseis russos, enquanto uma ofensiva ucraniana com drones na região russa de Krasnodar e na Crimeia provocou quatro mortos, incluindo duas crianças, segundo autoridades locais.

© Lusa   23/08/2026 

Os ataques ocorreram um dia depois de uma ofensiva russa contra um centro comercial em Kryvyi Rih, que causou 16 mortos e cerca de 130 feridos.

Na capital ucraniana, o Presidente Volodymyr Zelensky informou que mísseis balísticos atingiram infraestruturas ferroviárias, provocando um morto e um ferido. O Ministério da Defesa russo disse ter atingido um depósito de locomotivas.

Na região de Zaporijia, o governador Ivan Fedorov confirmou três mortos e 15 feridos em ataques russos. Em Borispil, na região de Kiev, um míssil balístico matou duas pessoas e feriu oito, atingindo um armazém, veículos, uma casa e uma bomba de gasolina.

Em Leópolis, o autarca Andri Sadovi relatou três mortos e cinco feridos após um ataque contra uma fábrica Iskra, onde estavam armazenados aerossóis. Já em Seredino-Bud, na região de Sumi, um homem de 61 anos morreu ao passar de bicicleta sobre um explosivo e uma mulher de 50 anos perdeu a vida em nova detonação; outra mulher ficou ferida.

Na Crimeia, península ucraniana conquistada e gerida pela Rússia desde 2014, dois civis morreram e cinco ficaram feridos em Sebastopol, quando drones ucranianos atingiram um autocarro.

Do lado russo, em Yeisk, na região de Krasnodar, dois menores morreram e dois adultos da mesma família ficaram feridos em ataque ucraniano com drones contra infraestruturas civis.

Os bombardeamentos vieram um dia depois de uma ofensiva russa contra Kryvyi Rih, cidade natal de Zelensky, onde drones russos atingiram um centro comercial. O governador regional Oleksandr Hanzha disse que quatro pessoas continuam desaparecidas. O incêndio, que se espalhou por 9.000 metros quadrados, foi entretanto extinto.

Kryvyi Rih tem sido alvo frequente desde o início da guerra, há quatro anos e meio, incluindo um ataque em abril de 2025 que matou 20 pessoas, nove delas crianças.

Paralelamente, a Ucrânia intensificou ataques de longo alcance contra refinarias e armazéns russos, provocando escassez de combustível e atingindo empresas como a retalhista online Wildberries.

Segundo Zelensky, forças ucranianas atingiram a refinaria de Novokuibyshevsk, na região de Samara, a cerca de 1.000 quilómetros da frente de combate. O portal russo Astra noticiou que um drone incendiou uma instalação industrial e um centro logístico da empresa Ozon.

O Presidente russo Vladimir Putin declarou durante uma entrevista televisão estatal russa este sábado que os ataques a alvos civis "causam danos económicos e perdas", mas não representam "qualquer ponto de viragem" no conflito, garantindo que Kiev "nunca obterá vantagem".

Ao mesmo tempo, reconheceu que a Rússia intensificou os ataques em Kiev e noutras cidades ucranianas em resposta às ações inimigas contra a logística e as infraestruturas civis russas.

Na mesma entrevista Putin, afirmou estar aberto ao diálogo sobre a paz na Ucrânia, mas rejeitou algumas propostas "exóticas" que chegam a Moscovo, sem dar detalhes sobre as mesmas.


Leia Também: Líderes de 8 paises europeus discutem em Kiev reforço da defesa antimíssil

Kiev, 23 ago 2026 (Lusa) — Dirigentes dos oito países nórdicos e bálticos europeus chegaram hoje a Kiev para discutir com o Presidente ucraniano o reforço da defesa aérea face aos mísseis e artilharia russa.

Portugal: PJ mostra as imagens da apreensão de 150 kg de cocaína em polpa de fruta... A Polícia Judiciária (PJ) divulgou imagens da Operação Frutális/Medulla, que levou à apreensão de 150 quilos de cocaína escondidos em embalagens de polpa de fruta, num contentor proveniente do Equador com destino a Portugal. A droga, avaliada em quatro milhões de euros, foi apreendida.

© Polícia Judiciária    Por  noticiasaominuto.com  23/08/2026 

A Polícia Judiciária (PJ) divulgou um vídeo que mostra as imagens da Operação Frutális/Medulla, que permitiu apreender 150 quilogramas de cocaína escondidos dentro de embalagens de polpa de fruta num contentor que tinha como destino final Portugal.

Em comunicado, enviado no sábado às redações, a PJ explicou que a operação policial foi levada a cabo ao longo dos últimos dias, em conjunto com a Guardia Civil e o Serviço de Vigilância Alfandegária do Reino de Espanha. 

"A investigação iniciou-se no Porto de Algeciras, em Espanha, na sequência de uma inspeção ao contentor, que tinha como destino final Portugal", explicou a PJ, acrescentando que no interior do contentor estavam, "dissimulados nas embalagens de polpa congelada, 500 pequenos pacotes suspeitos, que continham uma substância branca prensada".

Posteriormente, foi possível apurar que a substância era cocaína, com um peso de cerca de 150 quilogramas. 

No entanto, com o objetivo de identificar as pessoas ligadas à mercadoria, o carregamento, oriundo do Equador, "continuou o seu percurso, sob vigilância controlada, até ser localizado num armazém, nas imediações de Lisboa".

O administrador de uma empresa ligada ao armazém foi identificado e detido na passada quinta-feira, 20 de agosto, "face à presumível relação com os bens apreendidos".

Segundo a PJ, "caso chegasse ao mercado ilícito, o produto estupefaciente apreendido tinha potencial para atingir um valor de quatro milhões de euros".

O homem detido ficou sujeito à medida de coação mais gravosa, a de prisão preventiva.

Na nota, a PJ destacou que esta operação representou "mais um marco no âmbito da cooperação internacional relativamente ao combate às redes criminosas que utilizam rotas marítimas e carregamentos comerciais para o tráfico de cocaína com destino à Europa".

Pode ver o vídeo da operação AQUI.

SAÚDE: Tirar ou não tirar os sapatos? Eis o que um médico faz ao chegar a casa... É daquelas pessoas que chegam a casa e tira os sapatos ou acaba por entrar em várias divisões com eles calçados? Um médico revela o que faz e os motivos de saúde que estão associadas à sua escolha.

© Shutterstock  Por  noticiasaominuto.com   23/08/2026 

Em diversas culturas, antes de entrar em casa, os sapatos são deixados à porta ou mesmo até na entrada. Tem este hábito de tirar os sapatos ou acaba por entrar com eles calçados e seguir para várias divisões? Um médico revela o que faz e os motivos de saúde que estão na base na sua escolha.

Amir Khan é médico e na sua conta de TikTok revelou tudo o que sempre quis dizer às pessoas que entram em casa com os sapatos depois de virem na rua e de terem andado todo o dia com os mesmos.

Tirar os sapatos ao chegar a casa: Eis a razão para o fazer

“Se são como eu e tiram os sapatos assim que entram em casa é um sinal de respeito quando se está na casa de outra pessoa, mas também pode reduzir o risco de insetos e produtos químicos que são levados para dentro de casa”, começou por dizer no vídeo, aqui citado pelo Mirror.

“Os sapatos podem ter muitas bactérias. Sejamos honestos: os animais fazem cocó e chichi na rua, então coisas como a E. coli, que tem sido associada a infeções no estômago e infeções do trato urinário, podem ser trazidas para dentro de casa através dos nossos sapatos”, continuam.

Revela que outras bactérias também podem acabar por entrar em casa, em pequenas doses, e não é bom tê-las por casa. Deixa ainda mais motivos para deixar os sapatos da rua à porta de casa.

"Outro fator importante são os pólens, poeira e mofo. Tudo isso também está presente, e se sofre de rinite alérgica ou outras alergias, é importante reduzir a quantidade dessas substâncias que entram em casa. Portanto, tire os sapatos”, deixa o aviso.

Contudo, e apesar de trazem vários problemas associados, convém criar algumas defesas para o sistema imunitário. “Nem toda a sujidade é má. Pode ajudar a treinar o sistema imunitário e a construir um organismo mais saudável. Mas não quero que certas coisas de fora entrem em casa”, continua Amir Khan.

É isto que acontece quando não tira os sapatos ao chegar a casa

Muitas pessoas já têm o hábito de retirar os sapatos com que andaram durante o dia na rua e no trabalho assim que chegam a casa. Se ainda não o faz, saiba que só está a trazer bactérias para o interior da habitação. E são aos milhares.

Jill Litt, professora de estudos ambientais da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, recomenda que se retire os sapatos ao entrar em casa. Ao 'website' House Beautiful refere que reduz a sujidade no interior e os vestígios de fezes.

Explica que deve ter especial atenção se tiver crianças em casa, que costumam andar muito pelo chão. "O contato da mão com a boca é uma das principais formas de exposição das crianças a substâncias tóxicas e agentes de doenças infeciosas", continua.

Explica também que, em algumas cidades, podem ser trazidos para casa pesticidas usados em jardins públicos. Jill Litt fala ainda de um estudo da Universidade do Arizona que identificou mais de 421 mil bactérias que eram trazidas do exterior.

Durante duas semanas, 10 participantes usaram sapatos novos no exterior e depois andavam em casa com os mesmos. A E. coli foi uma das bactérias encontradas.


sábado, 22 de agosto de 2026

Ucrânia ataca pela primeira vez com drones um armazém do gigante russo Ozon... O ataque contra as instalações da plataforma de comércio eletrônico, localizadas na região russa de Samara, obrigou a interromper sua atividade.

POR DEMÓCRATA  22 AGO. 2026 

A Ucrânia atacou pela primeira vez com drones um armazém da Ozon, um dos gigantes do comércio eletrônico da Rússia. O ataque ocorreu durante a noite deste sábado em umas instalações da companhia situadas em Chapáyevsk, na região de Samara, e provocou danos que obrigaram a interromper temporariamente a atividade do centro.

A ofensiva faz parte de uma nova onda de ataques com drones ucranianos contra diferentes pontos do território russo. Segundo as autoridades russas, durante a noite foram interceptados 457 drones ucranianos em diferentes regiões.

Primeiro ataque contra Ozon

O armazém da Ozon se torna um novo tipo de alvo dentro da campanha de ataques ucranianos contra infraestruturas situadas em território russo. A Reuters aponta que se trata do primeiro ataque conhecido contra instalações da Ozon, depois que seu principal concorrente, Wildberries, também sofreu ataques nas últimas semanas.

O impacto no centro logístico de Chapáyevsk interrompeu as operações da companhia. Várias pessoas ficaram feridas, segundo a Reuters, embora por enquanto não tenha sido especificado o número exato de afetados nas instalações.

Uma onda de ataques contra alvos na Rússia

O ataque contra a Ozon ocorreu em uma noite especialmente intensa. A Reuters informa que pelo menos oito civis morreram em diferentes ataques com drones registrados em várias regiões russas, enquanto ocorreram danos em infraestruturas industriais e logísticas.

Entre os locais afetados também figura a região de Samara, onde além do armazém da Ozon foram atacadas instalações industriais, incluindo uma refinaria de petróleo em Novokuibyshevsk.

Em outras regiões, como Krasnodar e Bélgorod, também foram registradas vítimas fatais e feridos. O ataque ocorre um dia depois de outra ofensiva russa contra a Ucrânia que causou pelo menos 15 mortos e mais de uma centena de feridos em Kryvyi Rih.

Ozon, um dos grandes operadores do comércio eletrônico russo

A Ozon é a segunda maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia, segundo a Reuters, e conta com uma ampla rede de armazéns e centros logísticos para distribuir produtos por todo o país.

O ataque adiciona assim as instalações de uma grande empresa de distribuição e logística a uma lista cada vez mais ampla de alvos afetados pela guerra em território russo.

Por enquanto, não se atribuiu oficialmente o ataque à Ucrânia por parte das autoridades ucranianas, enquanto a Rússia informou sobre a onda de drones e os danos provocados em diferentes regiões.

Irão: Países que apoiem "guerra económica" dos EUA serão "inimigos"... O Irão anunciou hoje que todos os países que participem na "imposição de restrições económicas" serão considerados inimigos do país, na sequência da guerra económica anunciada pelos Estados Unidos.

© Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images    Por LUSA  22/08/2026 

"Declaramos a todos os países à nossa volta e a todos os países do mundo: não se juntem à guerra económica liderada pelos Estados Unidos", afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezai, na televisão estatal.

"Qualquer país que participe na imposição de restrições económicas" contra o Irão será "considerado um inimigo", afirmou.

"Ainda não atacámos nenhum interesse económico norte-americano (...). Até agora, apenas visámos bases militares, mas se quiserem impor-nos sanções económicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e económicas na região do Irão e noutros locais, e iremos atacá-las", prosseguiu Rezai.

Se o Presidente norte-americano "tomar medidas [contra o Irão], o nosso confronto será como um terramoto", ameaçou ainda.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acusou na quinta-feira os Estados Unidos de "terrorismo económico", após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter prometido que Washington iria "derrubar o regime" iraniano com as novas sanções.

Na quarta-feira, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a "operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país".

Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar "qualquer tipo de tábua de salvação" ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.

A advertência foi reforçada na quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, que avisou que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.

"Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime", disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à "maior operação coordenada de isolamento económico do mundo", reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou "um dia D" contra a economia iraniana.

Bessent apelou também à China para que "se alinhe" caso deseje "ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem".

Já na sexta-feira, a China respondeu opondo-se à "guerra económica" declarada pela administração norte-americana ao Irão, apontando que as "sanções unilaterais ilegais" e as pressões de Washington não são a solução para o problema.

"As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis e resolvam o problema por via política e diplomática", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa.

Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos e um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão.

Mais de 80% das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra, de acordo com a empresa de análise Kpler.

Além da China, entre os países que mantêm laços económicos com Teerão contam-se os Emirados Árabes Unidos, que suspenderam esta semana todas as transações com a República Islâmica, mas também a Turquia, a Rússia, Iraque, Índia e a Alemanha.

As exportações alemãs para o Irão atingiram 870,5 milhões de euros entre janeiro e novembro de 2025, segundo o Gabinete Federal de Estatística alemão (Destatis).

ESTADOS UNIDOS: Tribunal dos EUA anula suspensão de vistos imposta por Trump a 75 países... Um tribunal federal norte-americano anulou a suspensão dos vistos de imigrantes de 75 países, considerando que o secretário de Estado, Marco Rubio, excedeu a sua autoridade legal ao tomar esta medida no início de 2026.

© Shutterstock   Por  LUSA  22/08/2026 

A decisão foi tomada na sexta-feira pela juíza Jeannette Vargas, do Tribunal Distrital do Estados Unidos da América (EUA) para o Distrito Sul de Nova Iorque.

Numa sentença de 61 páginas, a magistrada argumenta que a proibição decidida pela administração de Donald Trump é "manifestamente ilegal" e questiona a justificação do Governo de que os requerentes oriundos dos países em causa representavam um elevado risco de se tornarem um "ónus económico" para os Estados Unidos.

A decisão do tribunal pode resultar na revisão de milhares de pedidos já processados.

A juíza nota que as autoridades norte-americanas receberam ordens para negar vistos mesmo a imigrantes elegíveis, considerados provavelmente autossuficientes, em violação de uma norma que exige avaliações individualizadas de cada caso.

Os países afetados pela diretiva da administração Trump incluem várias nações da América Latina e das Caraíbas, como o Brasil, Colômbia, Cuba, Guatemala, Haiti, Nicarágua e Uruguai.

O congelamento da emissão de vistos foi implementado em janeiro deste ano e também abrangia o Afeganistão, Egito, Iraque, Irão, Marrocos, Nigéria, Rússia, Somália, Tailândia e Iémen.

Entre os autores da ação judicial estão cinco trabalhadores da Colômbia a quem foram negados os vistos com base nas novas regras, bem como por seis norte-americanos que alegam que a proibição prejudicou os seus familiares no Gana, Jamaica, Guatemala e Etiópia, segundo noticiou o jornal The New York Times.

"Esta decisão representa uma vitória significativa para as centenas de milhares de famílias em todo o país e em todo o mundo cujas vidas foram mergulhadas no caos pela proibição de vistos ilegal e discriminatória desta administração", reagiu Joanna Cuevas Ingram, advogada sénior do National Immigration Law Center, em comunicado.

De acordo com Cuevas Ingram, o tribunal "deixou claro que as leis de imigração não podem ser utilizadas para justificar a discriminação".

Skye Perryman, presidente e CEO da organização não governamental Democracy Forward defendeu que a decisão representa uma "rejeição retumbante de uma política ilegal e discriminatória que causou enormes danos a famílias e comunidades de todo o país".

"A administração Trump-Vance não pode instrumentalizar a lei da imigração para criar listas negras de países inteiros, separar famílias e negar direitos garantidos pela Constituição impunemente", disse.


CEUTA: Três semanas depois, milhares de migrantes continuam nas ruas de Ceuta... Milhares de migrantes que entraram irregularmente em Ceuta em massa a 30 de julho continuam ainda na cidade, três semanas depois, enquanto as autoridades tentam habilitar novos espaços de acolhimento para fazer face à situação que ultrapassa os recursos disponíveis.

© Getty Images    Por LUSA   22/08/2026 

Hoje, mais de 300 migrantes concentravam-se nas imediações da zona de acolhimento de Loma Colmenar, onde se encontra uma das instalações temporárias criadas para atender quem permanece em Ceuta após essa entrada em massa.

O centro está lotado e quem permanece no exterior espera conseguir uma vaga e, em muitos casos, dar início aos trâmites para solicitar asilo.

A cena reflete uma realidade que continua a alastrar-se por vários pontos da cidade: pessoas que vagueiam durante o dia e procuram locais onde passar a noite, enquanto aguardam uma resposta à sua situação.

O Governo criou novos espaços temporários face à permanência de milhares de migrantes em Ceuta, depois de o despejo da praia do Trampolín ter obrigado à transferência de centenas de pessoas para outros pontos de acolhimento.

Hamza, um jovem marroquino que afirma ter entrado ilegalmente em Ceuta a 30 de julho, está na cidade há cerca de 23 dias. Hoje, esperava juntamente com outros migrantes nas imediações do ponto de concentração de Loma Colmenar.

"Esperamos qualquer solução", explicou, citado pela agência de noticias EFE, ao mesmo tempo que refere que a sua intenção é poder aceder ao centro para solicitar asilo.

"Somos pobres, não fizemos nada, queremos uma solução", afirma. Quanto às razões que o levaram a atravessar para Ceuta, garante que o fez porque queria "mudar de vida" e porque era pobre em Marrocos.

Três semanas após aquela entrada em massa, a imagem de centenas de pessoas reunidas em frente a um centro sem vagas disponíveis evidencia que a crise migratória continua em aberto em Ceuta.

Enquanto se procuram novos espaços para aliviar a pressão sobre as estruturas de acolhimento, milhares de migrantes continuam à espera de uma solução e de poder regularizar a sua situação ou, se for o caso, dar início aos procedimentos de proteção internacional correspondentes.


Leia Também: HRW insta governo espanhol a oferecer opção de asilo a ilegais em Ceuta

A Human Rights Watch (HRW) apelou ao Governo de Espanha para que acolha e ofereça a oportunidade de asilo aos migrantes ilegais que permanecem em Ceuta após a entrada maciça no final de julho.