segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Kyiv e Londres assinam acordo sobre utilização de IA na defesa... A Ucrânia e o Reino Unido assinaram um acordo sobre a utilização de Inteligência Artificial (IA) nas forças armadas, anunciou hoje o Governo britânico, reforçando os laços militares entre os dois países.

© Getty Images    Por  LUSA   24/08/2026 

O acordo, assinado pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, à margem de uma reunião dos aliados de Kyiv, que hoje decorreu na capital da Ucrânia, prevê a partilha de dados sobre a IA e a sua utilização no campo de batalha.

Esta parceria "irá aliar a experiência operacional inigualável da Ucrânia ao ecossistema britânico de classe mundial em matéria de IA", afirmou Burnham num comunicado.

"Vamos acelerar o desenvolvimento de capacidades que não só reforçarão a nossa segurança nacional, como também vão proteger melhor as nossas infraestruturas críticas e promover o crescimento", acrescentou.

Ferramentas de Inteligência Artificial são utilizadas na Ucrânia, nomeadamente, para orientar drones, detetar alvos a atingir ou coordenar operações em grande escala.

Estes dados de combate relacionados com a IA serão em breve testados numa instalação de defesa britânica para "proteger as bases contra manifestantes e atores hostis que procurem obter informações", segundo o comunicado do Governo britânico.

A informação também vai servir para proteger aeroportos, redes ferroviárias, centrais elétricas e prisões britânicas.

Em contrapartida, o Reino Unido vai prestar "apoio à Ucrânia através das suas universidades, investigadores e empresas tecnológicas de vanguarda, bem como do seu ecossistema de IA".

O Reino Unido é um dos principais apoiantes europeus da Ucrânia face à Rússia e Burnham esteve hoje em Kyiv, naquela que foi a sua primeira deslocação ao estrangeiro desde que tomou posse, no mês passado. 

O chefe do Governo britânico copresidiu a uma reunião da chamada "Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia”, um conjunto de cerca de 30 países, incluindo Portugal, que hoje aconteceu em Kyiv e que coincidiu com a celebração do 35.º aniversário da independência ucraniana.

Londres aproveitou para anunciar que disponibilizou a Kyiv informações confidenciais sobre os componentes do míssil de cruzeiro franco-britânico Storm Shadow (designado em França por Scalp), para que Kyiv possa produzi-los localmente.

Estes mísseis, fornecidos à Ucrânia desde 2023, são utilizados para atingir alvos na Rússia.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.

Moscovo têm intensificado os ataques com mísseis balísticos e a liderança ucraniana tem pedido ajuda para reforçar a defesa aérea, fortemente debilitada ao nível de mísseis intercetores.

Já o lado ucraniano reforçou a campanha de ataques de longo alcance contra depósitos de armas, instalações militares e outros alvos estratégicos no interior do território russo.

Espanha pede formalmente a Bruxelas fundos de emergência pela crise migratória de Ceuta... O Executivo dá o passo que reclamava a Comissão Europeia depois de semanas de contatos e solicita financiamento adicional para enfrentar a emergência na cidade autônoma.

Por  Democrata.es  24/08/2026

O Governo da Espanha solicitou formalmente à Comissão Europeia financiamento de assistência de emergência para enfrentar a crise migratória em Ceuta, segundo avançou nesta segunda-feira a EFE. O pedido abre caminho para que Bruxelas mobilize recursos europeus adicionais após várias semanas de conversas entre o Executivo espanhol e as instituições comunitárias.

A solicitação representa uma mudança relevante em relação à situação dos últimos dias. Bruxelas havia confirmado que existiam contatos com a Espanha e uma avaliação das necessidades de Ceuta, mas ainda aguardava um pedido formal do Governo para ativar novo financiamento de emergência.

Por enquanto, não foi revelada a quantia solicitada pela Espanha nem quanto dinheiro poderia finalmente conceder a Comissão Europeia. A decisão agora dependerá da análise que o Executivo comunitário realizar das necessidades apresentadas pelas autoridades espanholas.

Bruxelas vinha oferecendo financiamento há semanas

A Comissão Europeia havia deixado em aberto desde os primeiros dias de agosto a possibilidade de reforçar economicamente a Espanha. O Executivo comunitário confirmou em 6 de agosto que mantinha conversas com as autoridades espanholas e que havia recebido uma primeira avaliação das necessidades provocadas pela chegada maciça de migrantes.

Bruxelas detalhou então que a Espanha dispõe de mais de 1.000 milhões de euros dos fundos europeus de Interior para o período 2021-2027. Também lembrou que o país já havia recebido 114 milhões de euros por meio de assistência de emergência e ações da União, dos quais aproximadamente 28 milhões estavam relacionados com o apoio à gestão migratória em Ceuta.

A nova solicitação anunciada nesta segunda-feira deve ser distinguida dessas partidas já concedidas. O que a Espanha pede agora é assistência de emergência adicional vinculada especificamente à crise desencadeada no final de julho.

Quais fundos pode utilizar a Comissão Europeia

Um dos principais instrumentos comunitários para responder a esse tipo de situações é o Fundo de Asilo, Migração e Integração (FAMI), que conta com 10.940 milhões de euros para o período 2021-2027.

O fundo está desenhado, entre outros objetivos, para melhorar a capacidade dos Estados para gerir os fluxos migratórios, combater a imigração irregular, financiar retornos e reforçar a solidariedade com os países submetidos a uma maior pressão migratória. Sua regulamentação contempla expressamente mecanismos de assistência de emergência.

Bruxelas dispõe também de outros instrumentos dentro dos fundos de Interior e pode complementar o apoio financeiro com recursos de suas agências.

Frontex, Europol e a Agência de Asilo

A Comissão leva semanas oferecendo à Espanha não só financiamento. O comissário europeu de Interior, Magnus Brunner, anunciou no dia 12 de agosto o envio a Ceuta de uma equipe da Direção Geral de Migração e Assuntos de Interior para realizar uma avaliação em campo.

Brunner assegurou então que a Comissão continuava oferecendo apoio junto com Frontex, Europol e a Agência de Asilo da União Europeia (EUAA).

A Comissão havia insistido igualmente que esses reforços dependem em determinados casos de um pedido do próprio Estado membro.

O pedido chega 25 dias após o início da crise

A solicitação ocorre 25 dias após a entrada maciça de migrantes registrada no final de julho e em um dia em que o Governo anunciou novas decisões para centralizar a gestão da emergência.

O vice-presidente primeiro e ministro de Economia, Comércio e Empresa, Carlos Cuerpo, anunciou nesta segunda-feira em Ceuta que o Conselho de Ministros declarará nesta terça-feira a situação de interesse para a Segurança Nacional e constituirá uma estrutura de coordenação dirigida pelo ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres.

O Governo prepara igualmente uma ampliação extraordinária do Plano de Desenvolvimento Integral Socioeconômico de Ceuta de 2022 para incorporar ações destinadas a reforçar a segurança, gerir os retornos e recuperar a atividade econômica da cidade.

O pedido de financiamento europeu adiciona agora um segundo frente a essa resposta: Espanha reclama a Bruxelas que participe economicamente no custo de uma crise que afeta a uma das fronteiras exteriores da União Europeia.

GUERRA NA UCRÂNIA: Aliados de Kyiv comprometem-se com reforço urgente de defesas aéreas... A coligação da boa vontade para a Ucrânia, composta maioritariamente por países europeus, comprometeu-se hoje com o reforço urgente das defesas aéreas de Kyiv, numa reunião que coincide com a celebração do 35.º aniversário da independência ucraniana.

© Henry NICHOLLS / POOL / AFP via Getty Images   Por  LUSA  24/08/2026 

Os países aliados de Kyiv "expressaram a sua determinação em aumentar o apoio militar à Ucrânia, reforçar urgentemente as suas defesas aéreas, intensificar a cooperação com a sua indústria de defesa e partilhar tecnologias relevantes, incluindo através da Coligação de Mísseis Antibalísticos", segundo um comunicado conjunto dos governos da Alemanha, do Reino Unido e da França, que coorganizaram o encontro.

Entre os presentes na reunião realizada na capital ucraniana estiveram o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, tendo o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, participado por videoconferência.

O chefe da diplomacia de Lisboa, Paulo Rangel, também participou remotamente e observou na rede social X que o encontro “reforça o apoio a nível da defesa aérea, da preparação para o inverno (a nível militar, humanitário e energético) e os próximos passos da pressão económica sobre a Rússia”.

Os países da coligação reafirmaram igualmente disponibilidade para contribuir para uma força multinacional a ser mobilizada em solo ucraniano assim que um acordo de paz for alcançado com Moscovo, para dissuadir a Rússia de novas agressões militares.

A reunião foi realizada no dia em que a Ucrânia assinala o 35.º aniversário da sua independência e separação do antigo bloco soviético, numa fase em que a Rússia tem vindo a intensificar os seus ataques aéreos, explorando a escassez de recursos antiaéreos de Kyiv.

Em julho, a Rússia lançou um número recorde de mísseis balísticos, em concreto contra Kyiv.

No final do encontro, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que os representantes de cerca de 30 países se comprometeram com o envio de novos pacotes de defesa aérea e apoio ao sistema energético, bem como financiamento adicional para a produção de drones.

Segundo o líder ucraniano, Kyiv precisa de pelo menos 300 mísseis intercetores para os sistemas norte-americanos Patriot, para se defender com eficácia no próximo inverno.

A defesa aérea continua a ser "a prioridade", insistiu Zelensky a propósito da reunião de hoje, após ter pedido aos seus aliados que fornecessem "tudo o que a Ucrânia precisa para travar esta guerra" antes que o Presidente russo, Vladimir Putin, tenha tempo "de começar outra".

Como resposta a este apelo, o primeiro-ministro britânico anunciou que a empresa de defesa MBDA vai partilhar os elementos necessários para que Kyiv possa fabricar os seus próprios mísseis de longo alcance Storm Shadow, sistemas que Londres já fornece às forças ucranianas, instando a França a juntar-se a esta iniciativa.

Os sistemas Storm Shadow são mísseis de cruzeiro, produto da cooperação entre as indústrias de defesa britânica e francesa, e conhecidos como SCALP em França.

Num discurso proferido ao lado de Zelensky, Andy Burnham insurgiu-se contra as "ameaças ultrajantes" de Moscovo contra o seu país e defendeu que a Ucrânia é “a linha da frente que protege a Europa", comparando a resistência à Rússia à luta contra a Alemanha nazi.

O anúncio do fornecimento de tecnologia dos Storm Shadow provocou indignação no Kremlin (presidência russa), que acusou Londres de obstruir a paz e avisou que os militares russos vão identificar os locais de produção destes mísseis e destruí-los.

Durante a reunião, o Presidente francês advertiu, pelo seu lado, que "a Rússia tentará aumentar as tensões contra os países europeus para os dissuadir de ajudar a Ucrânia", prevendo um aumento de provocações.

"É claro que os países da NATO serão alvos e que as provocações se multiplicarão", disse Emmanuel Macron, exortando os seus parceiros a "manterem a calma e a seguirem com a vida normalmente", depois de Paris ter anunciado no sábado o envio de mais intercetores para o exército ucraniano.

Entre os últimos anúncios de apoio a Kyiv, a União Europeia vai libertar uma nova parcela de 6,1 mil milhões de euros de ajuda para reforçar defesas aéreas e fornecimento de mísseis e outras munições.

Este valor faz parte do empréstimo de 90 mil milhões de euros que a Ucrânia vai receber da União Europeia até 2027 e do qual Zelensky pretende uma antecipação das transferências como forma de cobrir o défice imprevisto de 27 mil milhões de dólares (23,1 mil milhões de euros) que o Ministério da Defesa enfrenta este ano.

Além dos equipamentos de defesa, a coligação para a boa vontade aprovou também o fornecimento de assistência energética adicional para ajudar a Ucrânia a reforçar o seu sistema antes do próximo inverno.

A Ucrânia receia voltar a enfrentar uma nova campanha de ataques contra a sua infraestrutura energética, como a que deixou milhões de pessoas em toda a Ucrânia sem eletricidade, água canalizada e aquecimento durante o último inverno.

Os líderes aliados de Kyiv destacaram também a necessidade de prosseguir o apoio à economia ucraniana face à campanha de ataques russos que provocou uma queda acentuada da atividade dos portos ucranianos nas últimas semanas.

A coligação para a boa vontade, fruto de uma iniciativa franco-britânica, tornou-se num fórum de apoio à Ucrânia, num ambiente de incerteza provocada pelo regresso do republicano Donald Trump a Casa Branca (presidência norte-americana), em janeiro do ano passado, e alteração radical da política de apoio de Washington a Kyiv desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

Entre as consequências desta alteração, de acordo com Zelensky, os Estados Unidos reduziram para quase metade desde 2023 as entregas dos sistemas avançados Patriot, de que a Ucrânia depende para proteger o seu espaço aéreo e cuja disponibilidade diminuiu com o começo da ofensiva israelo-americana, em 28 de fevereiro, contra o Irão.

Os membros da coligação também apelaram hoje para uma maior pressão sobre a Rússia, com uma repressão mais rigorosa da chamada “frota fantasma”, utilizada para contornar as sanções internacionais e manter as suas exportações, em particular de bens petrolíferos.

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, anunciou hoje que irá propor "sanções mais duras" contra a Rússia e a sua “frota fantasma” durante o outono, somando-se aos 21 pacotes de medidas restritivas já adotados desde a invasão da Ucrânia.

"Apertaremos ainda mais o cerco à frota fantasma russa para privar Moscovo dos fundos necessários para financiar a guerra. Quanto mais fortes tornarmos a Ucrânia, mais rapidamente forçaremos a Rússia à mesa de negociações", afirmou a chefe da diplomacia de Bruxelas, que também participou na reunião da coligação.


Leia Também: Kallas vai propor 22.º pacote de sanções contra a Rússia a membros da UE

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) anunciou hoje que, neste outono, irá propor aos Estados-membros “sanções mais severas” contra a Rússia que, a confirmarem-se, constituirão o 22.º pacote de medidas contra Moscovo.

CEUTA: Governo identificou quase 3 mil menores em Ceuta após entrada maciça... O governo de Ceuta identificou até agora mais de 2.900 menores migrantes na cidade autónoma espanhola localizada no norte de África, após a entrada maciça de migrantes ilegais ocorrida no final de julho, procedentes de Marrocos.

© Getty Images    Por  LUSA   24/08/2026 

“Neste momento, o número de crianças que foram registadas, ou seja, identificadas, neste caso, pelas autoridades, é um pouco superior a 2.900”, declarou hoje o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Comércio e Negócios espanhol, Carlos Cuerpo, após uma reunião com o presidente da Câmara de Ceuta, Juan Jesús Vivas, no Palácio da Assembleia da cidade.

O titular da Economia explicou que o trabalho de identificação em curso visa “agilizar ao máximo” o processamento destes casos.

Salientou ainda que a ação pública constitui uma resposta ao interesse primordial dos menores para encontrar uma solução para uma situação potencialmente “crítica”.

Esse trabalho está a ser realizado pelos Ministérios do Interior e das Migrações espanhóis em colaboração com o Ministério da Juventude e Infância e as autoridades locais.

Cuerpo indicou que a coordenação entre departamentos pretende solucionar e melhorar a situação das crianças sob tutela.

“Em muitos casos, constatamos que são meninas, algumas com menos de 13 anos, nem sequer adolescentes. Esta é, portanto, uma enorme prioridade para nós”, sublinhou.

O Governo não especificou quantos destes 2.900 menores são migrantes não-acompanhados.

De qualquer modo, o Ministério da Juventude e da Infância vai reunir-se na quinta-feira com as comunidades autónomas na Conferência Setorial para discutir a atribuição extraordinária de 25 milhões de euros a Ceuta, destinados ao acolhimento de menores migrantes não-acompanhados que se encontram naquele enclave espanhol no norte de África.

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, convocou para terça-feira uma reunião do Conselho de Segurança Nacional para analisar a situação em Ceuta após a entrada em julho de mais de 72.000 migrantes num período de 24 horas (mais de 70.000 dos quais regressaram durante a semana seguinte de forma voluntária a Marrocos, segundo as autoridades).

Fontes governamentais confirmaram à agência de notícias espanhola EFE esta informação, inicialmente divulgada pelo diário El País, sobre uma reunião que decorrerá antes da reunião do Conselho de Ministros desta terça-feira, a primeira após a pausa de verão.

Durante o mês de agosto, Sánchez realizou duas reuniões por videoconferência para coordenar a situação em Ceuta, concretamente nos dias 07 e 17, nas quais participaram vários ministros do seu executivo.

Entretanto, o vice-primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo vai declarar na terça-feira a “situação de interesse para a segurança nacional” em Ceuta e vai constituir um comando único para coordenar a resposta à crise migratória, além de ampliar o plano socioeconómico de 2022 para a cidade.

Essa estrutura será dirigida pelo ministro da Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Victor Torres.

Carlos Cuerpo anunciou também um alargamento extraordinário e imediato do Plano Integral de Desenvolvimento Socioeconómico de Ceuta para 2022, até agora dotado de mais de 180 milhões de euros, e que incluirá medidas para reforçar a segurança, gerir os retornos e reativar a economia da cidade.

O ministro espanhol explicou que ambas as ações se destinam a lidar tanto com a situação criada pelo afluxo maciço de migrantes no final de julho como com as suas consequências para a população e a atividade económica da cidade autónoma.

Ceuta, um pequeno território de cerca de 83.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com outro enclave espanhol, a cidade de Melilla.


Kyiv denuncia ataques durante Dia da Independência... As autoridades ucranianas denunciaram hoje vários bombardeamentos russos contra zonas residenciais em diferentes regiões do país que fizeram dezenas de feridos, ataques que coincidem com as comemorações do Dia da Independência.

© Francisco Richart/Anadolu via Getty Images   Por LUSA  24/08/2026 

Um ataque com drones contra edifícios residenciais na cidade de Chernigov, a norte de Kyiv, fez cerca de 20 feridos, de acordo com as autoridades locais.

“Qualquer ataque do inimigo contra alvos civis, independentemente da data, da hora ou de outras circunstâncias, é absolutamente cínico e criminoso”, denunciou a câmara municipal da cidade ucraniana num comunicado divulgado nas redes sociais.

O município salientou que Chernigov sofreu três ondas de ataques durante as quais a Rússia “atacou um edifício residencial de nove andares no centro da cidade”.

“Até ao momento, foram confirmadas 18 vítimas, entre as quais duas crianças”, indicou, atualizando posteriormente o balanço para 20 feridos, três dos quais menores.

Em consequência do ataque, deflagrou-se um incêndio no local, que foi extinto pelas unidades do Serviço Estatal de Emergências, detalhou a Câmara Municipal de Chernigov, que indicou que os serviços especializados estavam a trabalhar no local para prestar apoio às pessoas afetadas.

Esta onda de ataques ocorre no momento em que a Ucrânia celebra o 35.º aniversário da sua independência da União Soviética, um dia marcado pelo conflito e em que também se registaram ataques em Odessa, Kharkiv e Donetsk.

As autoridades ucranianas também registaram que pelo menos sete pessoas ficaram feridas em ataques aéreos contra a localidade de Sloviansk, na província de Donetsk.

“Por volta das 10:10, os russos lançaram vários ataques contra a cidade. Foram registados quatro impactos na zona central de Sloviansk”, informou o governador de Donetsk, Vadym Filashkin, numa mensagem nas suas redes sociais.

Segundo indicou, entre as vítimas encontra-se um jovem de 16 anos, estando todos os feridos “a receber os cuidados médicos necessários”.

“No Dia da Independência, os russos demonstram mais uma vez o que trazem à Ucrânia: sofrimento para o povo e destruição das cidades. Serão responsabilizados por todos os seus crimes”, denunciou Filashkin.

Por ocasião da independência, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelesnky, apelou à unidade dos ucranianos, numa altura em que o país atravessa uma situação que classificou de “realmente difícil”, no contexto da guerra desencadeada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, em 2022.


Leia Também: EUA reafirmam compromisso com soberânia da Ucrânia

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reafirmou hoje o compromisso dos Estados Unidos (EUA) com a soberania da Ucrânia e defendeu uma solução negociada para terminar com o conflito iniciado em 2022 após a invasão russa.

Talibãs proíbem por lei todas as manifestações no Afeganistão... O Governo talibã publicou hoje uma nova lei policial que proíbe todas as manifestações no Afeganistão e alarga os poderes das forças de segurança para manter a ordem pública, incluindo o uso de armas e outros meios coercivos.

© Lusa  24/08/2026 

O diploma, aprovado pelo líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada, é composto por cinco capítulos e 53 artigos, segundo uma cópia oficial fornecida à agência de notícias espanhola EFE pelo Ministério da Justiça local.

“Qualquer tipo de manifestação em território afegão é proibida”, estipula o artigo 50.º, formalizando uma prática já em vigor desde o regresso dos talibãs ao poder, em agosto de 2021.

Nos primeiros meses após a queda de Cabul, os protestos continuaram, muitos liderados por mulheres, contra as restrições à educação, ao emprego e à participação pública.

As autoridades responderam com detenções, dispersão de ajuntamentos e aumento das restrições à convocação de manifestações, até reduzir de forma drástica os protestos públicos organizados contra o regime.

A nova lei elimina agora qualquer enquadramento jurídico para esse tipo de mobilização, proibindo completamente as manifestações, sem distinguir entre protestos pacíficos, marchas políticas e outras concentrações reivindicativas.

Denominando a polícia com o termo árabe “Shurta”, a lei exige ainda que os seus agentes cooperem com o Ministério da Propagação da Virtude e da Prevenção do Vício na aplicação de restrições à exibição de imagens nas ruas e cruzamentos.

Entre os meios cuja utilização é autorizada para manter a ordem estão os canhões de água, algemas, bastões de borracha e elétricos, escudos, arame farpado, barreiras metálicas, armas de fogo, munições e explosivos, de acordo com o artigo 37.º.

O diploma permite ainda o uso de armas de fogo durante levantamentos, crimes à mão armada contra a segurança e confrontos armados.

Outro artigo restringe a divulgação de informações por parte dos agentes da autoridade, proibindo-os de revelar dados cuja difusão possa causar danos a pessoas ou ao “interesse público”.

Em junho, um protesto de cidadãos em Herat contra a detenção arbitrária de dezenas de mulheres foi violentamente reprimido pelas forças talibãs, fazendo pelo menos dois mortos e mais de 20 feridos, segundo a ONU.

A nova lei formaliza, assim, parte do sistema policial desenvolvido pelos talibãs durante os cinco anos desde que regressaram ao poder no Afeganistão e consagra explicitamente proibições e práticas que até agora eram executadas através de ordens, decretos e decisões das autoridades de segurança.


Leia Também: Rebeldes do Iémen reivindicam ataque contra petroleiro saudita

Os rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, reivindicaram hoje o ataque a um petroleiro saudita ao largo de Yanbu, porto estratégico da Arábia Saudita no mar Vermelho.

Putin pode tomar controlo de empresas que falhem contra drones... O presidente russo assinou hoje um decreto que permite às autoridades tomar controlo provisório de "infraestruturas vitais" cujos proprietários não garantam a respetiva proteção face aos crescentes ataques de drones ucranianos.

© Gavriil Grigorov / POOL / AFP via Getty Images    Por   LUSA  24/08/2026 

O documento em questão, publicado no portal de informação jurídica do Estado russo, indicou como motivo para a implementação desta medida "a deteção de ações ineficazes" para defender as instalações contra ataques inimigos ou violações das normas de segurança.

Outra das razões para o estabelecimento do controlo temporário é o atraso na reparação das instalações danificadas, segundo o decreto.

Na sequência do aumento dos ataques ucranianos contra alvos na retaguarda russa e da incapacidade das defesas antiaéreas de proteger todo o território, muitas empresas viram-se obrigadas a tomar medidas para se protegerem, seja através da instalação de redes antidrones, de meios de guerra radioeletrónica ou de armamento antiaéreo.

O ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o Estado não tencionava financiar a segurança das empresas face aos ataques com drones.

A empresa mais afetada nas últimas semanas pelos drones ucranianos foi a empresa de comércio eletrónico Wildberries, cujos sete maiores centros logísticos foram encerrados após terem sido atingidos, segundo Kiev.

Segundo o Serviço de Inteligência Externa da Ucrânia, durante os primeiros seis meses de 2026, o setor comercial russo "aumentou as suas compras de sistemas antidrones em 6,6 vezes, em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo os 5,32 milhões de dólares [cerca de 4,59 milhões de euros ao câmbio atual]".

"As empresas estão a alargar a sua gama de equipamentos. A maior parte da procura centra-se em detetores de drones fixos e portáteis, sistemas de alerta, bem como em equipamentos para interferir com canais de controlo, transmissão de dados e navegação por satélite", assinalou o órgão ucraniano.

Além disso, "as grandes empresas estão a formar unidades de resposta móveis equipadas com dispositivos de deteção e neutralização de drones; a criação de cada unidade deste tipo custa entre 600.000 e 850.000 dólares [entre 514 mil e 728 mil euros]", acrescentaram os serviços de informação ucranianos.

Por sua vez, o jornal russo Nezavísimaya Gazeta salientou que as empresas russas, particularmente as do setor petrolífero, enfrentam dificuldades na instalação de sistemas antidrones, uma vez que são necessárias autorizações de várias entidades russas e não existem normas sobre como construir instalações de proteção contra drones.

O jornal acrescentou que esta situação se complica ainda mais devido a obstáculos burocráticos que exigem autorizações do Ministério da Defesa e do Ministério Público, sem as quais as empresas podem ser sujeitas a processo penal por incumprimento da legislação russa.

Esta é mais uma medida no sentido de proteger empresas do setor privado visadas pela nova onda de ataques ucranianos.

No final de julho, as autoridades da região de Krasnodar (sul da Rússia) anunciaram que iriam organizar defesas antiaéreas contra drones ucranianos empregando funcionários de empresas locais, aos quais prometiam não os enviar para a linha da frente e um salário.

Esta região banhada pelo Mar Negro tem sido das mais afetadas pelos ataques ucranianos.

Os responsáveis pela administração da região consideram que a melhor solução face aos ataques ucranianos é criar grupos móveis de resposta antiaérea compostos por funcionários de empresas locais.

No final de maio, o jornal russo RBC informou que as empresas russas poderiam, a partir de agora, adquirir armas de grande calibre para se defenderem de ataques com drones.

Assim, as empresas poderão adquirir artilharia antiaérea, torres de artilharia, sistemas de radar, veículos especiais e sistemas de guerra eletrónica.

As autoridades esperam que as novas regulamentações adotadas a nível estatal permitam um fornecimento mais rápido de armas e equipamentos aos grupos responsáveis pela defesa móvel, compostos por reservistas, voluntários e funcionários do setor privado, com o objetivo de proteger as infraestruturas russas.


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O Presidente ucraniano acusou hoje o homólogo russo de estar "preso ao passado" e pediu à China que se manifeste contra as ameaças de Moscovo sobre o uso de armas nucleares.

UCRÂNIA/RÚSSIA: Ataques com drones fazem pelo menos seis mortos no sul da Rússia... Pelo menos três crianças e três adultos morreram hoje no sul da Rússia em ataques com drones atribuídos pelo Kremlin à Ucrânia, que atingiram também instalações da empresa de comércio eletrónico Ozon.

© Dmytro Smolienko/Ukrinform/NurPhoto via Getty Images   Por  LUSA  24/08/2026 

"Uma tragédia horrível na região de Krasnodar. Esta noite, como resultado do ataque maciço vindo da Ucrânia, três adolescentes de 13, 15 e 16 anos foram mortos", afirmou a provedora russa dos direitos da criança, Maria Lvova-Belova, através da plataforma Telegram.

O governador da região de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, denunciou um ataque em grande escala contra "instalações civis, a população civil e as nossas crianças".

"Os restos de um drone caíram num centro infantil privado", afirmou Kondratiev, acrescentando que outras sete crianças ficaram feridas e estão a receber assistência médica.

Dois adultos foram igualmente hospitalizados, segundo o governador, que acrescentou que vários edifícios residenciais, incluindo alguns ainda em construção, sofreram danos provocados pela queda de drones.

Kondratiev reportou também um incêndio num armazém, sem identificar as instalações atingidas.

Na região fronteiriça de Belgorod, um homem morreu na localidade de Otradnoe depois de um drone FPV, de curto alcance, ter atingido o veículo em que seguia, segundo as autoridades locais.

Outros dois homens morreram em Tavrovo, depois de um drone ter explodido num centro comercial, informou o Governo regional.

A empresa russa de comércio eletrónico Ozon anunciou, por seu lado, ataques contra três dos seus armazéns, localizados em Adygeysk, na Adiguésia, Makhachkala, no Daguestão, e Nevinnomisse, na região de Stavropol.

Segundo a empresa, não foram registadas vítimas nem danos em Adygeysk e Nevinnomisse, embora os dois armazéns permaneçam encerrados.

Em Makhachkala, a Ozon afirmou que vários trabalhadores ficaram feridos e que deflagrou um incêndio, embora o governador interino do Daguestão, Fyodor Shchukin, tenha indicado que não existiam feridos.

Os ataques contra centros de distribuição da Ozon começaram durante o fim de semana, depois de uma campanha contra instalações de outra grande empresa russa de comércio eletrónico, a Wildberries.

O canal independente russo Astra noticiou inicialmente uma queda de 12% das ações da Ozon, enquanto a bolsa de valores de Moscovo informou posteriormente que os títulos da empresa chegaram a recuar 29,09%.

O Ministério da Defesa russo afirmou hoje ter abatido 351 drones ucranianos de asa fixa durante a noite em oito regiões da Rússia, na península da Crimeia, anexada por Moscovo, e sobre os mares Negro e de Azov.


China ordena inspeções após uso ilegal de formaldeído para conservar couves... A China ordenou inspeções especiais a couves e outros produtos hortícolas perecíveis em todo o país, após um caso de utilização ilegal de formaldeído para conservar produtos durante o transporte ter desencadeado nova polémica sobre segurança alimentar.

© Lusa    24/08/2026 

O Gabinete de Segurança Alimentar do Conselho de Estado (o Executivo chinês), o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e a Administração Estatal para a Regulação do Mercado anunciaram conjuntamente que pediram às autoridades locais a realização de controlos específicos e o rastreio dos produtos afetados, para impedir que cheguem ao mercado.

A medida foi adotada depois de as autoridades do condado de Kangbao, pertencente à cidade de Zhangjiakou, no norte da China, terem confirmado a autenticidade de vídeos divulgados na Internet que denunciavam que algumas couves eram mergulhadas numa solução de formaldeído.

Segundo a investigação preliminar, a prática foi realizada ilegalmente por compradores grossistas dos produtos hortícolas durante o processo de carregamento, para prolongar a conservação durante o transporte.

Os três organismos centrais garantiram que qualquer infração detetada será punida "de forma firme" e que as inspeções vão abranger diferentes regiões do país.

O formaldeído pode ser prejudicial para a saúde: a exposição à substância pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, enquanto a ingestão aguda de soluções que a contenham tem sido associada a efeitos graves, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

O caso gerou várias reações na rede social chinesa Weibo, onde a palavra-chave ('hashtag') sobre o assunto acumulava hoje mais de 14 milhões de visualizações.

"Parece que vamos ter de comprar os nossos próprios aparelhos e transformar-nos em inspetores de segurança", lamentou, em tom sarcástico, um utilizador, enquanto outro afirmou que este tipo de práticas é "um segredo conhecido por todos".

A segurança alimentar tem sido alvo recorrente de polémica na China nas últimas décadas.

Um dos episódios mais graves ocorreu em 2008, quando leite para bebés adulterado com melamina causou a morte de pelo menos seis crianças e afetou cerca de 300 mil menores, num escândalo que abalou durante anos a confiança de muitos consumidores nos produtos lácteos chineses.

Mais recentemente, em 2024, as autoridades multaram sete empresas após terem descoberto que óleo alimentar tinha sido transportado em camiões-cisterna anteriormente utilizados para produtos químicos, sem uma limpeza adequada.

Em julho de 2025, uma intoxicação por chumbo num jardim-de-infância de Tianshui, no noroeste da China, levou à hospitalização de 201 crianças.


UCRÂNIA: Coligação da Boa Vontade reúne-se em Kyiv no Dia da Independência... A chamada Coligação da Boa Vontade sobre a Ucrânia, composta por cerca de 30 Estados aliados de Kyiv, reúne-se na capital ucraniana por ocasião do 35.º aniversário da independência do país, hoje assinalado.

© Lusa    24/08/2026 

A reunião terá um formato híbrido - alguns dirigentes não estarão em Kyiv, caso do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, participando por videoconferência - e será coorganizada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que participa pela primeira vez num encontro deste grupo.

"A Rússia não deve ter dúvidas sobre a nossa determinação", declarou Burnham, em comunicado, antes de chegar a Kyiv.

"Não cederemos até que se estabeleça uma paz justa e duradoura", afirmou o líder do Governo do Reino Unido, na primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo, no final de julho.

O líder trabalhista "deve anunciar que o governo concordou em permitir que a empresa de defesa MBDA partilhe informações confidenciais sobre componentes britânicos do míssil de longo alcance Scalp", referiu o comunicado.

Este míssil de cruzeiro é a versão francesa do Storm Shadow britânico, ambos baseados em tecnologia franco-britânica partilhada.

Esta decisão "permitirá aos franceses e ucranianos avançar na montagem deste míssil na Ucrânia", explicou Downing Street.

Em Kyiv, ao lado do Presidente Volodymyr Zelensky, estará, entre outros representantes, o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Esta coligação, lançada em março de 2025 por Paris em coordenação com o Reino Unido e que Portugal integra, reúne países dispostos a fornecer garantias de segurança à Ucrânia para impedir uma nova agressão da Rússia após o fim do atual conflito.

É a terceira vez que o grupo se reúne em Kyiv desde que foi criado e este encontro acontece num momento em que Moscovo têm intensificado os ataques com mísseis balísticos e a liderança ucraniana pede ajuda para reforçar a defesa aérea, fortemente debilitada ao nível de mísseis intercetores.

A última reunião da coligação aconteceu em julho, em França. Na altura, Macron anunciou que a força multinacional criada para ser destacada na Ucrânia após o fim da guerra com a Rússia ia começar a treinar nos "países vizinhos" nos "próximos meses".

No domingo, dirigentes dos oito países nórdicos e bálticos europeus estiveram em Kyiv para discutir com o Presidente ucraniano o reforço da defesa aérea face aos mísseis e artilharia russa.

"A Ucrânia precisa urgentemente de reforçar a sua defesa aérea", afirmou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que integra uma comitiva governamental que junta a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Islândia, Letónia, Lituânia, Noruega e Suécia.

Para a governante, é necessário avançar com uma "coligação" para produzir "antimísseis balísticos que irá desenvolver um moderno sistema europeu de defesa antimísseis, baseado nas capacidades e na experiência tanto ucranianas como europeias".

Frederiksen antecipou que, durante a cimeira entre a Ucrânia e o chamado NB-8, todos os líderes irão abordar, em especial, a importância de "reduzir os tempos de produção" deste sistema; uma combinação de plataformas de interceção e de técnicas de combate aos drones.

A reunião aconteceu após várias semanas de recrudescimento dos bombardeamentos por parte da Rússia.

Foi precisamente esta questão que esteve na ordem do dia durante parte da chamada realizada no sábado entre Zelensky e o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Na reunião, mais uma vez, o líder ucraniano pediu que seja acelerada a "entrega de mísseis" e uma solução para "resolver a questão das licenças para a produção" dos equipamentos na Ucrânia.

Macron prometeu que a França iria entregar a Kyiv novos mísseis intercetores.

domingo, 23 de agosto de 2026

Guiné Conacri. Sobe para 22 n.º de mortos em desmoronamento de aterro... O deslizamento de um monte de lixo na madrugada de hoje no maior aterro sanitário da capital da Guiné, Conacri, provocou a morte de pelo menos 22 pessoas, de acordo com um balanço provisório do serviço de proteção civil do país.

© Getty Images  Por LUSA    23/08/2026 

O incidente aconteceu no bairro de Dar es Salam, nos subúrbios da capital.

Chuvas intensas que começaram por volta das 03:00 inundaram o lixo, provocando um desmoronamento, que soterrou as barracas nas proximidades.

A ministra da Administração do Território e da Descentralização, Djenabou Touré, deslocou-se esta manhã ao local e afirmou que aguardaria o fim das operações de busca para divulgar um balanço oficial.

O Governo anunciou, nos últimos dias, operações de despejo e de segurança nas áreas circundantes ao aterro, devido aos riscos de deslizamento.

De acordo com o tenente-coronel Baldé Mamadou Bailo, responsável pela higiene do Batalhão de Engenharia Militar, as autoridades previam encerrar o local hoje.

Trata-se de "uma tragédia que nos deixa consternados", afirmou na rede social Facebook um dos principais opositores guineenses, Cellou Dalein Diallo, exilado no estrangeiro, falando de "inúmeras vítimas".

A Guiné é governada pelo general Mamadi Doumbouya, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em 2021, antes de ser eleito presidente em dezembro de 2025.

© Reuters

Colisões no espaço preocupam cada vez mais. Plano para resolver o problema reacende guerra de poder

Esta imagem composta, resultado de exposições captadas ao longo de 30 minutos numa noite do início de junho, mostra um céu repleto de satélites. (Alan Dyer/VWPics/Universal Images Group/Getty Images)     Por  Cnnportugal.iol.pt, 23/08/2026

À medida que o número de satélites em órbita terrestre continua a aumentar, cresce também o risco de colisões entre estas naves espaciais. Este tipo de acidentes pode originar campos de destroços capazes de inviabilizar áreas inteiras no espaço

Objetos espaciais já colidiram ou estiveram perto de embater no passado. Embora esses episódios continuem a ser raros, existem hoje mais de 18 mil satélites ativos e inativos em órbita — um valor que mais do que duplicou apenas nos últimos seis anos. A grande maioria concentra-se na mesma região, a órbita terrestre baixa, onde o aumento de tráfego torna as colisões estatisticamente mais prováveis.

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) aprovou agora um novo conjunto de regras, largamente apoiado pelo setor, que visa "modernizar" o processo de licenciamento de satélites e introduzir novas disposições de "segurança espacial". Em concreto, a regulamentação exige que os operadores de satélites partilhem dados de rastreio em tempo real, permitindo aos gestores de tráfego espacial uma visão mais abrangente da posição dos objetos em órbita. Historicamente, prever potenciais colisões tem sido um desafio complexo e perigoso.

Se as regras da FCC não reúnem contestação significativa, a sua implementação reacendeu uma guerra de poder sobre quem deve ter a palavra final no setor espacial.

A FCC tem atuado como regulador de facto dos satélites há décadas devido à sua autoridade para gerir o espectro de radiofrequências, que permite a transmissão sem fios de dados a partir do espaço ou de aeronaves. Contudo, com a expansão do setor espacial comercial, os legisladores têm defendido a transferência dessa competência regulatória para o Departamento do Comércio dos EUA. A intenção é que essa entidade assuma a supervisão do setor e trabalhe em proximidade com as empresas para assegurar a competitividade global da indústria norte-americana.

Políticos de diferentes quadrantes têm manifestado apoio à alteração. Em fevereiro, os dois membros seniores da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes — o republicano Brian Babin e a democrata Zoe Lofgren — enviaram uma carta à FCC a instar o organismo a abandonar ou rever as novas regras. Os parlamentares sustentavam que a legislação federal "não contém qualquer autorização clara do Congresso que capacite a FCC a regular a segurança espacial, a gestão do tráfego espacial ou operações espaciais mais amplas sem fins de comunicação".

A FCC não respondeu publicamente à missiva nem prestou declarações à CNN.

Contactados para comentar a situação, assessores do lado republicano na Comissão de Ciência adiantaram esta terça-feira que Brian Babin e Zoe Lofgren enviaram uma nova carta ao presidente da FCC, Brendan Carr, a solicitar o adiamento da votação e o início de conversações com os legisladores.

A comissão acabou por aprovar as regras de tráfego espacial por unanimidade esta quarta-feira de manhã.

O impasse regulatório ilustra a evolução acelerada da indústria espacial: numa altura em que empresas como a SpaceX, a OneWeb e a Amazon colocam centenas ou milhares de novos satélites em órbita, permanece por esclarecer quem dispõe de autoridade para fiscalizar as operações.

Monitorizar os céus

Embora o Congresso e o presidente Donald Trump tenham sinalizado a vontade de atribuir ao Departamento do Comércio a função de regulador e gestor do tráfego espacial, o processo permanece num impasse, em parte devido à incerteza sobre as verbas a orçamentar para essa missão. O Departamento do Comércio não respondeu aos pedidos de esclarecimento da CNN.

"Estamos numa zona cinzenta nesta altura", referiu o presidente da Associação da Indústria de Satélites, Tom Stroup, à CNN. "Pouco tinha sido feito em matéria de sustentabilidade espacial" ou na prevenção de colisões no espaço.

Tom Stroup sublinhou ainda a urgência da situação, dado que o setor apresenta planos ambiciosos: a SpaceX, por exemplo, pretende lançar uma constelação de até 1 milhão de satélites para instalar centros de dados em órbita.

Um foguetão Falcon 9 da SpaceX descola da Base da Força Espacial de Vandenberg com 25 satélites de internet Starlink a bordo, numa imagem captada a partir de Pasadena, na Califórnia, a seis de abril. (Mario Tama/Getty Images)

Relativamente às novas normas de sustentabilidade aprovadas pela FCC, o responsável considerou que "se poderia argumentar que deveriam ter sido implementadas há cinco anos".

"Uma coisa é clara: não podemos esperar mais cinco anos", acrescentou.

A SpaceX tem trabalhado em cooperação com a comunidade de Vigilância e Acompanhamento Espacial (SSA) e garante encarar a gestão do tráfego com responsabilidade. Ainda assim, as regras da FCC podem fixar um padrão para toda a indústria e reforçar a adoção de boas práticas.

A intervenção da FCC para incentivar uma atuação mais responsável no espaço conta com antecedentes. Em 2022, o organismo aprovou uma norma que exige aos operadores a remoção de satélites inativos no prazo de cinco anos, de forma a evitar a acumulação de lixo espacial durante décadas. (A liderança da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes também contestou essa medida, alegando falta de competência jurídica da comissão).

Dois anos mais tarde, a FCC passou a exigir que os operadores declarassem se os seus satélites foram concebidos para se desintegrarem na atmosfera no final da vida útil ou se existia a probabilidade de resistirem à reentrada e atingirem o solo.

"Os detritos orbitais degradam o ambiente para toda a atividade espacial futura", afirmou a então presidente da FCC, Jessica Rosenworcel, em comunicado emitido em 2024. "Por essa razão, as políticas que adotamos para resolver o problema são fundamentais."

As regras aprovadas esta quarta-feira visam resolver um problema antigo na gestão do tráfego espacial.

Atualmente, a monitorização de objetos no espaço é efetuada por telescópios e radares operados por governos e empresas privadas. No entanto, estes sistemas apresentam falhas de cobertura. Embora as empresas disponham de dados de localização em tempo real sobre os seus satélites operacionais, têm demonstrado reticência histórica em partilhar essa informação com terceiros.

A reserva devia-se, no passado, a preocupações com a privacidade ou com a salvaguarda de dados proprietários. Contudo, o setor evoluiu nos últimos anos, explicou o vice-presidente de soluções técnicas da LeoLabs, Adam Marsh, empresa especializada em vigilância espacial comercial.

Adam Marsh indicou que a maioria dos operadores de satélites não se opõe a partilhar dados de rastreio em direto. As novas regras da FCC dão um passo adicional ao tornar essa partilha obrigatória e ao exigir que a informação seja "precisa e oportuna".

A disponibilização de dados de qualidade é considerada essencial pela FCC. Se os sistemas de vigilância dependerem apenas de dados de observação limitados, podem falhar a deteção de manobras súbitas ou subtis que os operadores acompanham com facilidade. Nesses cenários, perante o risco de colisão entre dois objetos, torna-se difícil para os especialistas determinar o nível exato de perigo.

A nova regulamentação da FCC procura evitar esse cenário, solicitando aos operadores que partilhem informações com entidades governamentais de vigilância espacial ou com empresas especializadas que venham a ser indicadas pela própria comissão.

Uma das empresas que poderá vir a ser reconhecida pela FCC como prestadora destes serviços é a LeoLabs, que desde 2016 utiliza uma rede de radares em terra para monitorizar o espaço e detetar potenciais colisões. A entidade já recolhe dados em tempo real junto de operadores recetivos à partilha.

Os detalhes sobre a implementação das normas e o processo de seleção das empresas de vigilância pela FCC permanecem por definir, esclareceu Adam Marsh. A LeoLabs saúda a iniciativa, sustentando que a criação de salvaguardas no espaço ganha relevância à medida que o número de satélites em órbita aumenta.

"Estamos todos a testemunhar o que está a acontecer e o crescimento é enorme — o objetivo comum deve ser aumentar a segurança", referiu o responsável.

"Aquilo é uma grande vizinhança", acrescentou. "Se algo correr mal, afeta todos."

Modernização da regulamentação espacial

Permanece incerto o cenário que se colocaria caso o Departamento do Comércio avançasse com normas próprias de segurança espacial que entrassem em conflito com as diretivas existentes.

Para já, os próprios operadores de satélites mostram-se maioritariamente favoráveis às medidas da FCC.

"O que está a ser traçado é um excelente primeiro passo e creio que a comunidade deve tentar perceber o que mais pode ser feito", afirmou Derek Huerta, antigo gestor sénior da Starlink na SpaceX e atual responsável pela startup Eclipse Space.

O setor beneficia ainda de um incentivo adicional: as regras de rastreio de satélites integram um documento de 200 páginas que contempla reformas regulatórias amplas, desenhadas para tornar o lançamento de satélites mais simples e económico.

A indústria tem sustentado que os processos atuais se encontram desatualizados, constituindo um obstáculo para pequenos e grandes operadores. Avaliações técnicas complexas, exigências burocráticas e requisitos rígidos podem arrastar-se por vários meses.

Derek Huerta recordou o período em que estudava na Universidade Estatal Politécnica da Califórnia, no início dos anos 2000, altura em que uma equipa de estudantes de engenharia procurava aprovação para lançar um pequeno satélite experimental destinado a testar tecnologia de dissipação de energia.

O processo revelou-se moroso e desgastante, prolongando-se por mais de um ano.

O sistema foi concebido para dar resposta ao mercado de satélites de há várias décadas, quando "o setor lançava poucos satélites por ano", contextualizou Tom Stroup.

A realidade atual é distinta, com a maioria dos novos dispositivos a pertencer a operadores de megaconstelações como a SpaceX, a OneWeb, a Planet Labs ou a Amazon, que pretendem colocar milhares de pequenos satélites em órbita terrestre baixa.

A nova regulamentação da FCC afasta-se do modelo tradicional e prescritivo de aprovação — no qual as empresas eram obrigadas a apresentar relatórios e análises específicos para demonstrar o cumprimento dos padrões de segurança — em favor de regras baseadas em desempenho, que conferem maior flexibilidade às entidades na demonstração dessa conformidade.

A alteração permitirá "acelerar substancialmente" o processo de licenciamento, segundo a FCC. A simplificação das exigências será "uma vitória importante para pequenas startups e empresas de menor dimensão", defendeu Derek Huerta, e não apenas para gigantes como a SpaceX ou a Amazon.

O custo do processo de licenciamento tem constituído outro fator dissuasor, explicou o responsável, barreira que a nova regulamentação poderá ajudar a reduzir.

"Existem cauções que é necessário dar em determinadas fases do processo", esclareceu. "É preciso mobilizar cerca de 10 milhões de dólares [cerca de 9,2 milhões de euros], valor acessível para uma empresa como a Amazon ou a SpaceX. Mas para um empreendedor em fase inicial, esse montante pode representar a totalidade do capital angariado pela empresa."

Em suma, Derek Huerta considerou que as novas normas da FCC serão "excelentes" para o desenvolvimento do setor.

"Tornam o processo muito mais claro e permitem planear o licenciamento com maior previsibilidade", concluiu.

Tom Stroup acrescentou que a iniciativa legislativa da FCC reflete a crescente relevância nacional das atividades espaciais.

"Com a expansão da indústria vem o reconhecimento da importância do espaço e das oportunidades extraordinárias que estão a ser criadas", observou. O crescimento acelerado pode gerar desafios, admitiu o responsável, "mas são problemas que vale a pena resolver".

Irão anuncia descoberta de grandes depósitos de gás no sul do país... O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

© Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images     Por  LUSA  23/08/2026 

Teerão, 23 ago 2026 (Lusa) -- O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

"Esta descoberta acrescenta uma quantidade significativa de hidrocarbonetos às reservas nacionais do Irão e reflete os esforços da indústria petrolífera para identificar e explorar novos recursos", afirmou Mohsen Paknejad, em declarações divulgadas pela agência de notícias Shana, ligada ao Ministério do Petróleo.

O governante iraniano estimou que poderão ser extraídos cerca de 5,7 biliões de pés cúbicos do total descoberto, o que equivaleria a 15 anos de produção da primeira fase de South Pars, o maior campo de gás natural do mundo.

O depósito contém também um volume significativo de gás condensado, que, segundo Paknejad, poderá gerar vários milagres de milhões de dólares para o Irão".

Desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, o exército israelita atacou duas vezes o campo 'offshore' de South Pars, dividido entre o Qatar e a República Islâmica, que retaliou contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo Pérsico.

O Irão possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a terceira maior de petróleo, mas não dispõe de recursos para explorar estes recursos.

Como resultado, o país enfrenta apagões tanto no verão como no inverno e é obrigado a importar gasolina.

Ao mesmo tempo, enfrenta também dificuldades na exportação dos seus produtos petrolíferos devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

A descoberta acontece numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou "a operação económica mais devastadora alguma vez realizada contra qualquer país", no que chamou de "Dia D económico" contra o Irão, com o objetivo de terminar a guerra e reabrir o estreito de Ormuz.

Washington ainda não divulgou os detalhes das novas medidas económicas contra a República Islâmica, mas o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou os países que prestarem "qualquer tipo de ajuda vital ao Irão" que sofrerão consequências económicas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu hoje que a sociedade iraniana enfrenta "numerosas dificuldades", à medida que os Estados Unidos procuram aumentar a pressão sobre a economia iraniana.

Num discurso transmitido pela televisão estatal, o líder iraniano disse porém que o seu país está empenhado "numa guerra total nas frentes económica, militar e de segurança".

O presidente iraniano comentou também que a tentativa dos Estados Unidos de desmantelar a atual estrutura de poder da República Islâmica e de instalar autoridades mais favoráveis ??a Washington, como ocorreu na Venezuela, falhou completamente.

"O Irão não só não se tornou como a Venezuela, como o mundo ficou surpreendido com o nosso poder", declarou Pezeshkian, acusando os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.

As partes assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, que implicou um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, prazo que terminou na segunda-feira.

Os dois lados voltaram entretanto aos confrontos pouco depois da assinatura do memorando e o Irão repôs as restrições que mantinha à navegação comercial no estreito de Ormuz - por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra -, enquanto os Estados Unidos voltaram a aplicar um bloqueio naval aos portos iranianos.

As ameaças em Ormuz obrigaram os países exportadores de petróleo da região a procurar rotas alternativas, nomeadamente no mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, impuseram por sua vez um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já advertiu que o estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado em junho, mantendo a pressão sobre os preços de bens petrolíferos e sobre o presidente norte-americano, Donald Trump, a cerca de dois meses das eleições intercalares nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países vizinhos nas duas margens do estreito, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem, num acordo negociado à margem do processo de diálogo entre Washington e Teerão.


Putin afirma que tem combustíveis sob controlo apesar de ataques... O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que a escassez de combustíveis na Rússia está controlada e que os problemas estão a ser resolvidos, após sucessivas vagas de ataques ucranianos contra instalações petrolíferas.

© Contributor/Getty Images   Por  LUSA  23/08/2026 

"Embora nem todos os problemas tenham sido resolvidos, o trabalho está em curso. O primeiro-ministro [Mikhail Mishustin] está a acompanhar a situação. Foi criada uma comissão especial", disse o líder do Kremlin numa entrevista transmitida hoje pela televisão estatal.

Putin reconheceu que "é claro que há certos incómodos para as pessoas" devido à falta de combustíveis, mas reforçou que "o Governo, obviamente, deve manter a situação sob controlo".

Dias antes, as autoridades russas admitiram que o país está a viver a "segunda fase" da crise dos combustíveis devido à intensificação dos ataques ucranianos às infraestruturas petrolíferas.

Na quarta-feira, foi divulgado que pelo menos duas cadeias de postos de abastecimento voltaram a restringir a venda de combustíveis em Moscovo.

Da mesma forma, o ministro da Energia russo, Sergey Tsiviliov, reconheceu que as filas regressaram aos pontos de venda.

Além de limitar a venda de combustíveis, o Governo russo autorizou a venda de gasolina Euro-2, muito abaixo dos padrões de qualidade habituais, numa tentativa de lidar com a crise do mercado.

Anteriormente, o Presidente russo tinha tentado minimizar os bombardeamentos ucranianos no seu país, alguns dos quais a largas centenas de quilómetros da frente de combate entre os exércitos dos dois países, ao comentar que "estes ataques não têm consequências graves, nunca tiveram nem nunca terão".

Mas depois acabou por admitir que prejudicam a economia nacional.

Na sexta-feira, as autoridades russas reconheceram que o abastecimento de combustível era difícil em algumas regiões do país, devido à recente intensificação dos ataques da Ucrânia contra refinarias.

"A situação mantém-se tensa em várias regiões do país em relação ao fornecimento de combustível aos postos de abastecimento de combustível", afirmou o Governo nas redes sociais, acrescentando que foi realizada uma reunião sobre o assunto.

As empresas petrolíferas "estão a tomar as medidas necessárias para aumentar o fornecimento às regiões mais vulneráveis", acrescentou.

O vice-primeiro-ministro russo para a Energia, Alexander Novak, instruiu as autoridades para monitorizarem os preços dos combustíveis, segundo o executivo.

Na Rússia, os motoristas e as empresas têm enfrentado dificuldades de abastecimento nos últimos meses, à medida que a Ucrânia intensificou os seus ataques com drones e mísseis de longo alcance contra as infraestruturas petrolíferas russas, procurando cortar os recursos financeiros que alimentam a ofensiva de grande escala lançada contra o seu território em fevereiro de 2022.

Quase todas as regiões tiveram de restringir as vendas em algum momento, por exemplo, limitando a quantidade de combustível que cada cliente pode comprar.

A região sul de Krasnodar, popular entre os turistas pelos seus 'resorts' no Mar Negro, está entre as mais afetadas.

Os ataques aéreos ucranianos visaram também os gigantescos armazéns da Wildberries, o maior retalhista 'online' da Rússia, provocando avultados prejuízos e deixando a guerra mais próxima dos cidadãos.

Os ataques a cerca de 20 instalações da Wildberries demonstraram a capacidade de Kiev para atingir alvos distantes e representaram um novo desafio para Vladimir Putin, antes das eleições legislativas no próximo mês.

A economia da Rússia cresceu 1,3% no segundo trimestre, depois de ter contraído no início do ano pela primeira vez desde 2023, segundo dados os dados oficiais, que Putin já admitiu ser um valor "modesto" ainda que positivo.

Analistas observam porém que a elevada inflação associada aos ataques ucranianos e sanções internacionais, a par da escassez de mão de obra e fragilidade da indústria não dedicada ao esforço de guerra, inviabilizam o regresso a crescimentos económicos sustentados.


Ucrânia testa alternativa ao Starlink sem deixar de usar rede de Musk... A Ucrânia está a trabalhar numa alternativa ao Starlink com um país europeu e já iniciou testes nesse sentido, prevendo continuar usar a rede de satélites do grupo de Elon Musk, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

© Lusa   23/08/2026 

"Os russos estão a construir um equivalente ao Starlink com os chineses e acreditam que concluirão este projeto até dezembro de 2026", afirmou Zelensky aos jornalistas em declarações tornadas públicas hoje.

O acesso à rede Starlink, serviço fornecido pela SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, foi cortado aos russos na Ucrânia em 2025 pelo presidente executivo da multinacional, numa decisão que, segundo os especialistas, contribuiu para o sucesso dos contra-ataques localizados de Kiev contra a Rússia.

"Não vamos simplesmente esperar que os chineses e os russos lancem o seu próprio equivalente ao Starlink", disse Zelensky, confirmando que Kiev "está atualmente a desenvolver um projeto semelhante com um país europeu" e que já foram iniciados testes.

O presidente ucraniano garantiu que Kyiv continuará a trabalhar com o Starlink e que espera convencer Elon Musk a permitir utilizar a rede de satélites para realizar ataques na Rússia, com a aprovação de Washington.

"Por enquanto, [Elon Musk] disse que isso representaria uma escalada, mas pode mudar de ideias quando vir argumentos mais convincentes", referiu.

A gigante tecnológica norte-americana mudou de posição em relação à Ucrânia várias vezes desde o início da invasão russa em grande escala, iniciada em fevereiro de 2022, e tem mantido contacto próximo com o ex-ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, que foi demitido em julho.

Para o líder ucraniano, os ataques poderiam "levar a uma redução das capacidades que a Rússia está a utilizar para prolongar a guerra", ao permitir visar os lançadores de mísseis balísticos russos, cada vez mais utilizados por Moscovo.

Kiev reclama mais munições para os intercetar, particularmente de mísseis Patriot norte-americanos, cuja ausência se agravou desde o início da guerra no Médio Oriente.

A Ucrânia recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, por comparação com 364 em 2025 e 264 em 2026, disse Zelensky.


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A Rússia retirou o seu embaixador no Reino Unido, Andrei Kelin, para pressionar Londres a reconsiderar o seu apoio à Ucrânia, revela hoje o jornal The Sunday Times.