segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DONALD TRUMP: Condutores de carros elétricos são "doentes" e "loucos"... Donald Trump voltou a criticar os carros elétricos, chamando recentemente os seus condutores de "doentes" e "loucos". O presidente dos Estados Unidos da América referiu-se à chamada "ansiedade de autonomia".

© Jabin Botsford/The Washington Post via Getty Images   Por   Notícias ao Minuto  10/08/2026 

No ano passado, Donald Trump acabou com os incentivos fiscais à aquisição de carros elétricos nos Estados Unidos da América, começando a desviar a eletrificação do panorama automóvel do país.

Num recente discurso em Las Vegas, transmitido pela NBC News, o presidente norte-americano começou por falar do fim do chamado "mandato elétrico": "A esquerda radical quer banir uma coisa chamada gasolina. Temos 100 anos de gasolina e é o que as pessoas preferem. Eu terminei com o mandato elétrico. Não quero falar sobre isto porque o Elon [Musk] não ficou propriamente emocionado comigo, mas tive de o fazer. Terminei porque dizia que, num período de tempo muito curto - 2030 - todos teriam de ter um carro elétrico apesar de não haver forma de o carregar".

Importa salientar que o "mandato elétrico" a que Donald Trump se referiu trata-se do conjunto de medidas da administração de Joe Biden para fomentar a adoção de veículos eletrificados - sem, no entanto, impor qualquer obrigação de comprar este tipo de automóveis.

Seguiram-se, então, as críticas aos condutores de carros elétricos, em particular por causa da ansiedade de autonomia: "Já viram os sinais de estar a conduzir um carro elétrico? Eles são doentes, é uma doença. As pessoas estão a conduzir e percebem que a bateria está a ficar com pouca carga, e começam a pensar nisso. Tem três quartos da carga, perde um bocado. Perguntam para onde estão a ir, estão a conduzir na autoestrada e veem uma estação de carregamento com uma seta de 143 km à direita. Estas pessoas são loucas".

A ansiedade de autonomia é o fenómeno de ficar apreensivo com a possível insuficiência de carga para chegar a um determinado destino, não havendo como recarregar entretanto. Mas têm vindo a surgir mais postos de carregamento (ainda que a um ritmo não uniforme). Nos EUA, ainda não há uma disponibilidade tão generalizada fora dos centros urbanos. Ainda assim, a capacidade das próprias baterias tem aumentado, permitindo percorrer mais quilómetros.

Sobre o tema, Donald Trump referiu ainda: "Eu gosto de carros elétricos, vendemos sete por cento [de carros elétricos] apesar de todos os impostos e tudo o que cedemos. Sete por cento. Mas a questão é que temos mais petróleo e gasolina do que qualquer outro país do mundo".

Presidente da República nomeia Vice-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas

Por  Presidência da República de Cabo Verde

Sua Excelência o Presidente da República, José Maria Neves, acaba de nomear, sob proposta do Governo, o Capitão-de-Navio, Silvino Monteiro Chantre, para o cargo de Vice-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

No uso da competência conferida pela alínea g) do n.º 2, do artigo 135.º da Constituição da República, o Presidente da República decreta: “É nomeado, sob proposta do Governo, o Capitão-de-Navio, Silvino Monteiro Chantre, para exercer o cargo de Vice-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas”, lê-se no Decreto Presidencial N.º 23/2026, publicado esta manhã no Boletim Oficial.

O Decreto Presidencial, datado de 6 de agosto, entra imediatamente em vigor.

Presidente de Transição da República da Guiné-Bissau, Horta Inta-A desloca-se, esta segunda-feira, à República do Chade, onde vai participar nas celebrações do Dia da Independência daquele país.

© Radio TV Bantaba

Nigéria: O presidente executivo do Serviço de Receita da Nigéria, Zacch Adedeji, defende o estilo de vida do presidente Tinubu, afirmando que o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, costuma ir a pé da sua residência até ao escritório e apenas utiliza o veículo para se deslocar para o aeroporto... Disse ainda que o presidente faz apenas uma refeição por dia e não viajou para fora da Nigéria nos últimos três meses.

Tinubu treks to office, eats once daily — The Executive Chairman of the Nigeria Revenue Service, Zacch Adedeji, has dismissed concerns over the alleged lavish lifestyles of public officials.

Adedeji said President Bola Tinubu does not live extravagantly despite his position.        ..,READ MORE

Relatório: Moçambique. Mais de 400 crianças recrutadas por grupos armados em 2024... Mais de 400 crianças foram recrutadas por grupos armados em Moçambique em 2024, num contexto de agravamento da violência em Cabo Delgado que continua a provocar deslocações e necessidades humanitárias no norte do país, segundo relatório oficial.

Por  RTP/Lusa  10 Agosto 2026  

Entre os 403 menores confirmados nessa situação contam-se 71 raparigas, enquanto outras 468 crianças foram raptadas, das quais 392 para recrutamento e utilização por grupos armados, refere o mais recente relatório Public Health Situation Analysis (PHSA), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Health Cluster, que congrega dados de fontes oficiais, a que a Lusa teve hoje acesso.

O documento acrescenta que Moçambique está entre os cinco países com o aumento mais acentuado das violações graves contra crianças, que cresceram 525% em 2024.

"As crianças em Cabo Delgado enfrentam violações graves, incluindo raptos e recrutamento por grupos armados não estatais", assinala o relatório. Segundo o mesmo documento, estes abusos "não apenas roubam às crianças a sua segurança e dignidade, como também deixam profundos traumas psicológicos".

O relatório alerta que, quase nove anos após o início da insurgência armada em Cabo Delgado - por grupos insurgentes associados ao Estado Islâmico -, as necessidades humanitárias permanecem elevadas. Atualmente, cerca de 1,1 milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária no norte de Moçambique, incluindo 919 mil residentes nos distritos mais afetados pelo conflito naquela província, rica em gás.

A insegurança continua igualmente a provocar novas deslocações e só em junho, refere o relatório, pelo menos 12.174 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas devido à violência, elevando para 26.184 o número de novos deslocados desde o início deste ano. Os movimentos ocorreram sobretudo dentro dos próprios distritos ou para distritos vizinhos de Cabo Delgado.

No total, o norte de Moçambique acolhe atualmente 506.214 deslocados internos, mais 9% do que no ano anterior, refletindo o agravamento da insegurança. Mulheres e crianças representaram 79% dos deslocados registados em junho.

O relatório acrescenta que mais de 715 mil pessoas regressaram às suas zonas de origem, embora muitas continuem dependentes de ajuda humanitária devido ao acesso limitado a terras agrícolas e à interrupção de serviços básicos.

Segundo o relatório, "quase todas as famílias deslocadas fugiram múltiplas vezes", num sinal da persistência da crise humanitária e da incapacidade de muitas comunidades regressarem em segurança às suas zonas de origem.

O documento refere preocupações relacionadas com separação familiar, violência baseada no género, perda de documentação e sofrimento psicossocial: "Mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis foram particularmente afetados pela incerteza e pela deterioração das condições de vida".

A OMS assinala que a recente escalada da violência em Cabo Delgado e Nampula é marcada por assassinatos, raptos e destruição generalizada, contribuindo para novas deslocações e para o agravamento das necessidades humanitárias.

A resposta internacional continua limitada pela falta de financiamento, com o Plano de Resposta Humanitária para 2026 a necessitar de 348 milhões de dólares (304 milhões de euros), tendo recebido apenas 116 milhões de dólares (101 milhões de euros) até meados do ano, equivalentes a 34% das necessidades identificadas.

Até ao final de maio, a comunidade humanitária tinha conseguido prestar algum tipo de assistência a cerca de 520 mil pessoas, correspondentes a 46% da população-alvo. Nos distritos considerados mais críticos de Cabo Delgado, foram apoiadas 263 mil pessoas, muito abaixo das 919 mil consideradas prioritárias.

A violência continua igualmente a afetar serviços básicos em Cabo Delgado, com 30 das 150 unidades sanitárias da província totalmente destruídas no final de 2025, enquanto vários parceiros humanitários suspenderam atividades devido à insegurança e às dificuldades de acesso.


Leia Também:  Cinco mortos em ataque aéreo russo na região de Kharkiv

Pelo menos cinco pessoas morreram num ataque aéreo russo hoje na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, anunciaram as autoridades locais.

Pelo menos 13 mortos num dos mais letais ataques de drones ucranianos em território russo... Ataque “massivo” teve como alvo instalações petrolíferaas. Do outro lado do conflito, pelo menos cinco pessoas morreram num ataque aéreo russo na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia,

Por  DN/Lusa  10 Ago 2026 

Pelo menos 13 pessoas morreram e 30 ficaram feridas na região do Tartaristão, no centro da Rússia, atacada durante a noite por drones ucranianos, anunciaram esta segunda-feira (10 de agosto) as autoridades russas.

“De acordo com as informações disponíveis neste momento, 13 pessoas morreram e outras 39 ficaram feridas na sequência de um ataque com drones inimigos contra Nizhnekamsk”, indicou o governo do Tartaristão num comunicado, posterior às primeiras informações.

Segundo as autoridades, este ataque “massivo” teve como alvo “instalações industriais e civis” nesta cidade, situada a cerca de 1.600 quilómetros (km) da fronteira ucraniana, que alberga, nomeadamente, refinarias de petróleo e uma importante fábrica petroquímica.

Foi declarado um dia de luto no Tartaristão na segunda-feira, por decisão do líder local, Rustam Minnikhanov.

Num comunicado, o Ministério da Defesa russo indicou anteriormente que os sistemas de defesa aérea russos intercetaram e destruíram, durante a noite passada, 456 drones ucranianos, que tiveram como alvo cerca de 15 regiões russas e a Crimeia anexada.

Por seu lado, as autoridades da região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, relataram a morte de uma mulher num ataque com drones que teve como alvo uma casa na localidade de Novaya Tavolyanka.

Mais de quatro anos após o início da ofensiva russa em grande escala contra a Ucrânia, a diplomacia encontra-se num impasse e os dois países intensificam os seus ataques de longo alcance, causando um número crescente de vítimas civis.

Do outro lado do conflito, pelo menos cinco pessoas morreram num ataque aéreo russo na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, anunciaram as autoridades locais.

As forças russas realizaram um "bombardeamento de artilharia massivo" contra uma zona residencial de uma aldeia no distrito de Chuhuiv, informou a procuradoria-geral na rede social Telegram, divulgando imagens de casas destruídas.

Ataques ucranianos à Crimeia querem tornar península "inutilizável" para operações militares

O comandante responsável pela guerra de drones da Ucrânia afirmou que os recentes ataques na Crimeia representam a primeira fase de uma campanha destinada a tornar a península, anexada pela Rússia em 2014, inutilizável para operações militares.

O major Robert Brovdi, um dos comandantes mais proeminentes da nova geração de militares ucranianos, disse à agência Associated Press (AP) que as suas forças poderiam atingir sete vezes mais alvos militares na Crimeia se o financiamento prometido pelos aliados ocidentais chegasse mais rapidamente.

Apesar dessa limitação, a campanha de verão já provocou danos significativos, atingindo pontes ferroviárias, depósitos de combustível e infraestruturas elétricas para cortar linhas de abastecimento e cegar as defesas aéreas russas à medida que os drones avançam.

“A Crimeia insere‑se nos pilares conceptuais essenciais para pôr fim à guerra”, declarou.

Segundo Brovdi, as suas forças dispõem apenas de 14% da capacidade necessária para executar a campanha na Crimeia em pleno.

Antigo empresário do comércio internacional de cereais, Brovdi juntou‑se voluntariamente à defesa territorial nos primeiros dias da invasão e rapidamente ascendeu ao comando de uma das brigadas de drones mais eficazes do país, antes de ser nomeado líder das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, uma estrutura sem precedentes antes da guerra.

CRIMEIA: Ataques à Crimeia destinados a tornar península "inutilizável" para operações... O comandante responsável pela guerra de drones da Ucrânia afirmou hoje que os recentes ataques na Crimeia representam a primeira fase de uma campanha destinada a tornar a península, anexada pela Rússia em 2014, inutilizável para operações militares.

© REUTERS     Por LUSA   10/08/2026 

O major Robert Brovdi, um dos comandantes mais proeminentes da nova geração de militares ucranianos, disse à agência Associated Press (AP) que as suas forças poderiam atingir sete vezes mais alvos militares na Crimeia se o financiamento prometido pelos aliados ocidentais chegasse mais rapidamente.

"A Crimeia insere-se nos pilares conceptuais essenciais para pôr fim à guerra", declarou.

Apesar dessa limitação, a campanha de verão já provocou danos significativos, atingindo pontes ferroviárias, depósitos de combustível e infraestruturas elétricas para cortar linhas de abastecimento e cegar as defesas aéreas russas à medida que os drones avançam.

Segundo Brovdi, as suas forças dispõem apenas de 14% da capacidade necessária para executar a campanha na Crimeia em pleno.

Antigo empresário do comércio internacional de cereais, Brovdi juntou-se voluntariamente à defesa territorial nos primeiros dias da invasão e rapidamente ascendeu ao comando de uma das brigadas de drones mais eficazes do país, antes de ser nomeado líder das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, uma estrutura sem precedentes antes da guerra.

"Não se trata de falta de capacidade de produção dos fabricantes ucranianos para produzir drones em quantidade suficiente", explicou. "É o problema banal do financiamento tardio atribuido pelos nossos parceiros, mas que chega muito mais devagar do que os nossos planos exigem."

Patrono dedicado das artes, Brovdi transformou o seu posto de comando subterrâneo num espaço semelhante a um museu, com obras de artistas ucranianos, incluindo da pintora Maria Prymachenko, acompanhadas de legendas e códigos QR.

As peças convivem com dezenas de ecrãs que transmitem imagens em direto da frente de combate e dados em tempo real para decisões militares. Os soldados podem beber café, ler, treinar ou descansar em cápsulas, um ambiente mais próximo de um escritório do que de uma sala de guerra.

Brovdi destacou que, em quatro recentes ataques maciços de mísseis russos a partir da Crimeia, apenas cinco foram lançados, atribuindo a redução à destruição sistemática de mais de 300 ativos de defesa aérea russos, incluindo sistemas antiaéreos, radares e equipamentos de guerra eletrónica.

A infraestrutura elétrica da península tornou-se um alvo recorrente, deixando os militares russos "cegos", dependentes apenas de armas ligeiras, com Brovdi a dizer já ter pedido desculpa publicamente aos civis da Crimeia pelos cortes de energia.

Com recurso à ligação Starlink, as forças ucranianas conseguem destruir alvos fortemente defendidos com apenas três drones, calibrando munições diferentes consoante o objetivo - uma ponte, um camião cisterna ou um comboio em movimento - e evitando atingir infraestruturas civis.

"Criar condições que impossibilitem qualquer capacidade militar de permanecer ali tornará a Crimeia irrelevante como base de operações", afirmou, acrescentando que Kyiv procura também desmantelar o papel da península como base naval russa.

Moscovo procura contrariar a vantagem ucraniana instalando sistemas de bloqueio para degradar a ligação Starlink e desenvolvendo um sistema próprio de comunicações por satélite.

Brovdi alertou ainda para o aumento de drones iranianos Shahed a jato, mais difíceis de abater, e para a capacidade russa de lançar salvas de até 77 mísseis balísticos, com planos para elevar esse número a 200, enquanto a Ucrânia enfrenta escassez de mísseis interceptores Patriot.

Entre os novos alvos está a plataforma russa de comércio online Wildberries, que o comandante descreveu como um "administrador da guerra", por vender produtos destinados às forças armadas. Os ataques visam também fazer os cidadãos russos sentir diretamente o impacto da guerra.

Brovdi sublinhou que a perda de acesso à plataforma afeta o quotidiano de milhões de russos que se julgavam imunes às ações do seu país agressor.

"Acabou por ser um sensor sensível do conforto da vasta população russa - pessoas que se consideram completamente intocadas pelas ações do país agressor", acrescentou.


Leia Também: Governo de Taiwan planeia aumentar em 16% despesas com a Defesa em 2027

O Governo de Taiwan vai propor aumentar em 16% a despesa em Defesa para 1,1 biliões de dólares taiwaneses (29.5 mil milhões de euros) em 2027, informou este domingo a agência de notícias estatal CNA.

TUPAC SHAKUR: Suspeito da morte de Tupac vai a julgamento 30 anos depois: O que se sabe.... O julgamento de um ex-líder de um grupo criminoso acusado de ter orquestrado o homicídio de Tupac Shakur começa hoje em Las Vegas, 30 anos após a morte do famoso rapper norte-americano.

© Lusa   10/08/2026 

O julgamento provavelmente não deverá desvendar quem disparou contra o músico na noite de 07 de setembro de 1996, que visitava a cidade para assistir a um combate de boxe de Mike Tyson.

Contudo, a acusação espera demonstrar que Duane "Keffe D" Davis, o ex-líder do gangue South Side Compton Crips, encomendou o homicídio e forneceu a arma do crime. Aos 63 anos, arrisca uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O homicídio continua a ser um dos casos não desvendados mais famosos dos Estados Unidos, e objeto de debates sem fim entre os fãs de música. Morto aos 25 anos, '2Pac' era uma figura central na famosa rivalidade entre as cenas de rap da costa oeste e da costa leste dos Estados Unidos.

Com os seus êxitos "California Love" e "All Eyez on Me", interpretados sobre melodias que misturavam melodias suaves com batidas intensas, este filho de uma membro dos Panteras Negras, conhecido grupo militante afro-americano, encarnava a ideia de um rapaz rebelde da "West Coast".

O julgamento promete mergulhar de novo nas guerras de egos entre a sua editora Death Row Records, fundada por Marion "Suge" Knight, e a Bad Boy Records, criada na costa leste por Sean "P. Diddy" Combs, onde trabalhava Christopher "The Notorious B.I.G." Wallace - outro rapper notório morto seis meses após a morte de Tupac Shakur.

Segundo a acusação, a Death Row Records era protegida pelos Mob Piru, uma gangue de Los Angeles da qual Suge era membro; enquanto a Bad Boy Records tinha contratado para a sua proteção a organização rival dos South Side Compton Crips, liderada por Duane Davis.

Após o combate de Mike Tyson no casino MGM Grand, Suge e Tupac agrediram o sobrinho de Duane Davis, Orlando "Baby Lane" Anderson, por este ter arrancado um medalhão do pescoço de um dos funcionários da Death Row. O chefe da gangue terá então organizado uma vingança, segundo a acusação.

Por falta de provas, a investigação estagnou durante décadas, antes de ser reativada pela publicação, em 2019, das memórias de Duane Davis.

No livro, relata que se encontrava no banco da frente do Cadillac branco de onde foram disparadas as balas fatais contra Tupac. Explica também ter passado uma pistola para o banco traseiro, sem nunca dizer quem disparou. Todos os passageiros do veículo faleceram entretanto.

Declarações comprometedoras e coerentes com entrevistas anteriormente concedidas à imprensa, que se voltaram contra ele e levaram à sua detenção em setembro de 2023. No entanto, o ex-chefe de gangue nega agora essas confissões e declara-se não culpado.

"Sou inocente. Nunca matei ninguém", assegurou Davis em março de 2025 à emissora ABC News, numa entrevista a partir da prisão. "Não têm qualquer prova contra mim. Nem sequer conseguem provar que eu estava em Las Vegas."

O mesmo assegura agora que se encontrava em Los Angeles na noite do crime e que nunca leu as suas próprias memórias, segundo ele romantizadas pelo seu coautor por razões comerciais.

"Apenas lhe dei detalhes sobre a minha vida", afirmou. "E ele foi fazer a sua pequena investigação e escreveu o livro sozinho."

Antes do julgamento, os seus advogados lutaram para que o livro, bem como um interrogatório policial realizado em 2008 como testemunha, não pudessem ser utilizados como elementos de acusação. Em vão.

A audiência deverá durar quatro semanas, sendo a primeira inteiramente dedicada à seleção dos jurados. Qualquer que seja o veredicto, é pouco provável que satisfaça os familiares de Tupac Shakur.

Em maio, o seu meio-irmão apresentou uma ação civil na qual considera que "continuam a existir indivíduos envolvidos no homicídio de Tupac que, há 30 anos, não foram responsabilizados pelos seus crimes".

A queixa menciona, nomeadamente, a recente minissérie documental "Sean Combs: The Reckoning" onde Duane Davis assegura, num interrogatório policial, que P. Diddy lhe terá oferecido um milhão de dólares (865.360 euros) para assassinar Tupac.

domingo, 9 de agosto de 2026

Guiné-Bissau: "Prémio da Justiça" atribuído à Embaixada de Portugal... A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau atribuiu hoje à Embaixada de Portugal o "Prémio da Justiça" pelo contributo na promoção do acesso à justiça e direitos humanos naquele país, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

© Shutterstock    Por LUSA  09/08/2026 

A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau atribuiu também o prémio à União Europeia, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e ao presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, indicou à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. 

De acordo com o MNE, o "Prémio da Justiça" foi atribuído àquelas quatro entidades "em reconhecimento pelo respetivo contributo para a promoção do acesso à justiça e dos direitos humanos na Guiné-Bissau".

O galardão foi atribuído no âmbito das comemorações do 35.º aniversário da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau.

Em 2024, a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau já tinha também atribuído o "Prémio da Justiça" ao Camões -- Instituto da Cooperação e da Língua pelo contributo e apoio que a cooperação portuguesa tem prestado à Guiné-Bissau nas áreas da defesa da justiça, dos direitos humanos e do Estado de direito democrático.

A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância.


Leia Também: Guiné-Bissau. LGDH recebe "Prémio Justiça" pela Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau 

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) foi distinguida este sábado (08.08) pela Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau (OAGB) com o "Prémio Justiça", em reconhecimento do seu "relevante papel" na promoção e proteção dos direitos humanos no país.

Gabú: Criança de 13 anos morre após alegado ataque de abelhas em Afia Ocumaunde

Por Saliu Sera  Radio Sintchan ôcco   09.08.2026

Uma criança de aproximadamente 13 anos, identificada como Bubacar Camara, morreu neste domingo (09/08/2026) após ser alegadamente atacada por abelhas enquanto se encontrava em cima de uma árvore, nas matas da zona de Afia Ocumaunde, região de Gabú.

Segundo informações de uma fonte a que a TV Sintchan Occo teve acesso, a vítima encontrava-se nas matas na companhia de alguns colegas, à procura de foles, quando foi surpreendida por um enxame de abelhas.

A criança não terá resistido aos ataques e acabou por morrer no local.

Ainda de acordo com a mesma fonte, uma equipa dos Bombeiros da Região de Gabú deslocou-se ao local para retirar a vítima e encaminhá-la para o Hospital Regional de Gabú. No entanto, à chegada ao hospital, a criança já se encontrava sem vida.

Guiné-Bissau - Boé: Falta de água potável continua a preocupar responsável do Centro de Saúde de Lugadjol

Por: Saliu Sera  Radio Sintchan ôcco   09.08.2026

A situação do Centro de Saúde de Lugadjol, no setor de Boé, continua a preocupar o responsável da área sanitária, devido às dificuldades no acesso à água potável.

Segundo o responsável, o centro de saúde enfrenta sérias limitações no abastecimento de água, obrigando os funcionários a percorrer longas distâncias para conseguir água necessária ao funcionamento da unidade sanitária.

Perante a situação, foi lançado um pedido de socorro às autoridades competentes e às pessoas de boa vontade, no sentido de apoiarem o Centro de Saúde de Lugadjol e ajudarem a minimizar as dificuldades enfrentadas diariamente.

De referir que, na semana passada, a Direção Regional de Saúde de Gabú deslocou-se a Lugadjol e Beli para tentar resolver alguns dos problemas existentes. Em Lugadjol, foram recuperadas as baterias dos painéis solares do centro de saúde, enquanto em Beli foram realizados trabalhos no furo de água.

Para minimizar a falta de água em Lugadjol, foi também adquirida uma motobomba. Embora o equipamento já permita a produção de alguma água, a quantidade continua insuficiente para responder às necessidades do centro de saúde.

O responsável apela, por isso, à solidariedade das autoridades, organizações e pessoas de boa vontade para apoiarem o Centro de Saúde de Lugadjol, sobretudo na resolução definitiva do problema de abastecimento de água potável.

Novo Governo da Colômbia começa com vários ataques com explosivos registados no país

Bandeira da Colômbia (Fernando Vergara/AP)   Por CNN  09/08/2026

Durante a sua tomada de posse, o novo Presidente de direita, prometeu combater "sem tréguas o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas", e afirmou que a opção do diálogo com os principais grupos armados estava completamente esgotada

Vários ataques com explosivos contra esquadras policiais e portagens municipais foram registados em diferentes regiões da Colômbia, no primeiro dia do novo Governo do Presidente Abelardo de la Espriella.

O primeiro ataque, perpetrado durante a madrugada de sábado, destruiu uma portagem em construção na Via Pan-Americana, entre as cidades de Popayán e Cali, onde na sexta-feira se realizou a tomada de posse de De la Espriella.

O Ministério da Defesa colombiano denunciou outro "atentado terrorista" no sábado com um veículo carregado de explosivos contra uma portagem em construção no município de Santander de Quilichao, em Cauca (sudoeste), que provocou ferimentos em dois seguranças.

O novo chefe de Estado condenou o sucedido e assinalou que atentar contra "a infraestrutura do país é atacar o progresso, a mobilidade e a tranquilidade de milhões de colombianos".

Pouco depois foi informada a morte do subintendente Argemiro Rodelo Canchila, que faleceu após um ataque com explosivos lançados a partir de drones contra o posto de Polícia de San Roque, na região de Cesar (nordeste).

"Este crime não ficará impune. Os responsáveis serão encontrados e enfrentarão todo o peso da lei. Cada ataque contra os nossos homens da Força Pública fortalece ainda mais a nossa determinação em derrotar o terrorismo e devolver a tranquilidade aos colombianos", afirmou De la Espriella.

Por sua vez, o governador de Antioquia, Andrés Julián Rendón, denunciou um ataque com drones contra a esquadra de Polícia Porce III, localizada no município de Guadalupe (noroeste).

Rendón assegurou que o atentado, que não fez qualquer ferido, foi executado pela Frente 36 das antigas FARC, sob o comando de Alexander Díaz Mendoza.

A autoridade qualificou o ato como uma "provocação ao novo Governo" de De la Espriella, que sublinhou durante o seu primeiro discurso a intenção de combater sem tréguas o "narcotráfico, a delinquência e a narcoguerrilha".

Como parte da "luta frontal" contra o conflito armado que prometeu, De la Espriella anunciou a captura de Héctor Bastidas, no município de Guamal (centro), identificado como o segundo comandante dos Comandos de la Frontera, um grupo armado ilegal que fazia parte da Coordinadora Nacional Ejército Bolivariano (CNEB), um grupo dissidente das FARC.

"Esta captura, realizada por ordem judicial e graças ao trabalho de inteligência, demonstra que a Força Pública está a agir para recuperar a segurança e a tranquilidade dos colombianos. Acabou-se a impunidade para os criminosos. A autoridade do Estado respeita-se", afirmou De la Espriella na sua conta da rede social X.

Este antigo advogado, representante da direita dura, iniciou o seu mandato com Presidente num momento em que a Colômbia atravessa a sua pior vaga de violência da última década.

Durante a sua tomada de posse, o novo Presidente de direita, prometeu combater "sem tréguas o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas", e afirmou que a opção do diálogo com os principais grupos armados estava completamente esgotada.

De la Espriella prometeu intensificar, com o apoio de Israel e dos Estados Unidos, os bombardeamentos contra as guerrilhas e os narcotraficantes que estão ativos na Colômbia, e construir megaprisões semelhantes às de El Salvador.

Anunciou também a intenção de interromper as negociações de paz iniciadas pelo seu antecessor, o líder de esquerda Gustavo Petro.

Entre as suas primeiras medidas, De la Espriella ordenou a transferência para prisões de alta segurança de 117 detidos "de alto perfil" que participaram nos diálogos de paz com Petro, assegurou o Governo colombiano num comunicado publicado no sábado.

Pentágono pressiona indústria de Defesa a acelerar produção perante escassez de munições... O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) está a pressionar a indústria de armamento do país a acelerar a produção, de maneira a restabelecer o seu arsenal de munições reduzido pela guerra com o Irão.

Kent Nishimura - AFP   Por  RTP  9 Agosto 2026 

O porta-voz do Pentágono Sean Parnell, afirmou num comunicado no sábado que o Departamento estava ativamente focado em impulsionar a aquisição de munições para fornecer "as armas" de que o Exército dos Estados Unidos precisa "ao ritmo que a ameaça exige".

Parnell confirmou os esforços do Pentágono na última semana para acelerar significativamente a produção de armas, mas insistiu que isso fazia parte de um esforço de modernização mais amplo, anterior ao conflito que dura há cinco meses.

O vice-secretário norte-americano da Defesa, Steve Feinberg, escreveu na quarta-feira a líderes da indústria, concedendo-lhes no máximo 21 dias para apresentar planos para "promover calendários de entrega significativamente mais rápidos e agressivos e/ou o aumento da produção de capacidades críticas", de acordo com um memorando obtido pelo jornal The Washington Post.

"Ciclos de desenvolvimento de vários anos não são aceitáveis", escreveu Feinberg. "Temos de acelerar dramaticamente os calendários dos nossos programas e expandir a nossa capacidade de produção agora."

O memorando surge num momento em que os combates recentes com o Irão consumiram ainda mais os arsenais já reduzidos de intercetores de mísseis avançados dos Exército norte-americano, o que pode colocar as tropas americanas em maior risco caso as hostilidades recomecem, segundo uma nova análise.

De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), um `think tank` (grupo de reflexão) de Washington, a diminuição dos inventários de intercetores Patriot e THAAD pode forçar os EUA e os seus aliados do Médio Oriente a assumir mais riscos para conservar essas defesas aéreas.

O Centro referiu que as forças norte-americanas poderão lançar menos mísseis contra drones e mísseis iranianos que se aproximem, aumentando a probabilidade de um deles conseguir passar.

Nos últimos dias, o Presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu com irritação aos relatos públicos de uma escassez de munições, publicando na sua rede social Truth Social no sábado que os EUA dispõem de "quantidades massivas" de munições, e que "grandes quantidades estão a ser fabricadas e enviadas para os EUA conforme necessário".

No sábado, Parnell confirmou que o memorando, que procura uma escalada rápida na produção de armas, é "real", acrescentando que este "irá informar o orçamento do ano fiscal de 2028 submetido ao Congresso para financiamento, e é inteiramente coerente com o nosso esforço contínuo para reconstruir a base industrial de defesa".

Um projeto de lei sobre despesas de defesa está atualmente estagnado no Congresso, com os legisladores indignados com a ação militar de Trump contra o Irão e a resistirem ao pedido da Casa Branca para aumentar substancialmente o orçamento do Pentágono para 1,5 biliões de dólares (1,37 biliões de euros), em comparação com os cerca de 900 mil milhões (825 mil milhões de euros) do ano passado.

O número de mísseis intercetores Patriot caiu de 2.330 antes da guerra para 1.030 quando o cessar-fogo de abril entrou em vigor, estimou o CSIS no mês passado. Após os combates recentes, estima-se agora que o stock esteja entre 759 e 827, uma diminuição de pelo menos 65% em relação ao período anterior ao início do conflito.

O número de intercetores THAAD caiu de 452 antes da guerra para entre 232 e 262 no início do cessar-fogo de abril, indicou o CSIS. Os EUA conseguiram reabastecer parte do inventário para entre 234 e 278 intercetores. Contudo, o stock continua pelo menos 38% menor do que era antes do conflito.

As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram também esta semana estar a abrir campos de testes a empresas privadas que desenvolvem mísseis, drones e outras armas, esperando conseguir comprá-las mais rapidamente para utilização no campo de batalha.

Equador. Sete pessoas acusadas por assassinato de candidato à presidência... O Ministério Público do Equador acusou formalmente no sábado sete pessoas suspeitas de envolvimento na morte do candidato à presidência Fernando Villavicencio em 2023, incluindo dois antigos políticos, um empresário, e vários membros de um grupo criminoso.

© Lusa   09/08/2026 

Fernando Villavicencio, crítico do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), foi abatido a tiro a 09 de agosto de 2023 por um assassino contratado colombiano em Quito, uma semana antes das eleições presenciais. O atirador foi morto por seguranças.

No sábado à noite, o Ministério Público anunciou na rede social X que acusou sete pessoas "pela alegada participação no delito de assassínio".

Entre as sete pessoas acusadas figuram o empresário Xavier Jordán, o ex-ministro do Interior José Serrano, o ex-deputado Ronny Aleaga, bem como o principal líder do grupo criminoso 'Los Lobos', Wilmer Chavarría, conhecido como 'Pipo', além de três outras pessoas ligadas a esta organização.

O Ministério Público pediu que a ordem de prisão preventiva fosse mantida contra os sete e solicitou às autoridades a emissão de uma difusão vermelha através da Interpol contra quatro deles que residem no estrangeiro.

No início de julho, o Ministério Público já tinha anunciado as acusações contra as sete pessoas mencionadas.

Jordán, que reside nos Estados Unidos, é suspeito de ter "financiado e planeado" o assassínio, enquanto Serrano, ex-ministro do Interior sob a presidência de Rafael Correa, encontra-se atualmente num centro de controlo migratório nos Estados Unidos. O antigo político é suspeito de ter fornecido informações "sensíveis" ao grupo 'Los Lobos' relativamente às deslocações do candidato Villavicencio.

Por seu lado, Aleaga é suspeito de ter coordenado "as ações com vista a concretizar o assassínio", enquanto 'Pipo', que enfrenta em Espanha um processo de extradição para o Equador, terá planeado o homicídio em troca de um milhão de dólares (864.950 euros).

Cinco pessoas ligadas ao homicídio foram condenadas em 2024 a penas de até 34 anos de prisão, enquanto seis homens de nacionalidade colombiana, alegadamente associados a este caso, foram assassinados na prisão.

Antes de se lançar na política, Fernando Villavicencio era jornalista e investigava casos de corrupção que envolviam o Governo de Rafael Correa. As suas investigações anticorrupção também tinham implicado o acusado Xavier Jordán.


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O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, iniciou hoje uma visita à Colômbia e ao Equador, no âmbito de uma estratégia de aproximação de Israel a governos de direita na América Latina.

UNICEF: Uma em cada 3 crianças africanas sem acesso a água potável, diz UNICEF... Uma em cada três crianças africanas não tem acesso a água potável e mais de metade vive sem saneamento, situação que está a piorar, disse à Lusa a coordenadora da Unicef Martina Rama.

 Por  LUSA   09/08/2026 

Apesar de a falta de água, saneamento e higiene ser um grave problema em vários países, é sobretudo na região do Sahel - faixa semiárida que se estende horizontalmente por todo o continente africano --, que se registam mais mortes, mais abandonos escolares, mais doenças e mais migrações.

Dados relativos a 2025 compilados pela Unicef e pela Organização Mundial de Saúde, mas ainda não publicados, mostram que cerca de 28% das crianças em África não têm acesso a água potável, avançou a especialista e responsável pelo programa WASH (Água, Saneamento e Higiene) da ONU.

"Há quase 200 milhões de crianças em África sem água corrente", alertou, lembrando que o número quase duplica quando a questão é a falta de saneamento em condições.

Até aos cinco anos de idade, as crianças têm um sistema imunitário mais frágil e "a falta de acesso à água e saneamento causa muitas doenças, das quais a mais frequente é a diarreia, mas também as infeções respiratórias, a desnutrição e os parasitas", disse Martina Rama.

Segundo avançou, os últimos dados recolhidos - referentes a 2019 - já indicavam que 264 mil crianças desta idade morreram num só ano devido a doenças relacionadas com falta de água e saneamento.

E se as crianças são as mais afetadas, as meninas são o grupo que mais perde com a situação.

"São elas que têm o papel de ir buscar água quando não têm acesso a uma torneira em casa ou no quintal", esclareceu Martina Rama, adiantando que têm, muitas vezes, de caminhar uma ou duas horas por dia para chegarem a um poço, esperar na fila pela sua vez de recolher água e, depois, regressar a casa.

Por causa disso, muitas meninas não têm a possibilidade de ir à escola ou acabam por abandoná-la muito cedo, referiu.

Mesmo quando conseguem manter uma educação escolar durante alguns anos, deparam-se com problemas práticos logo na adolescência.

"A higiene menstrual, muito ligada ao saneamento, é um grande obstáculo quando não há uma casa de banho" na escola, expôs a especialista, sublinhando que isto, misturado com a vergonha inata naquela idade, leva mutas raparigas a faltar às aulas uma semana por mês.

Mais tarde ou mais cedo, muitas desistem completamente, lamentou.

O problema não afeta só os mais novos, é suficientemente grave para ter impacto em toda uma comunidade ou país e está a causar conflitos entre vizinhos, previne a especialista, para quem esta vai ser uma das questões mais prementes do futuro breve.

"Sobretudo na zona do Sahel, onde há um grande problema de secas e os recursos hídricos são muito baixos, estão a criar-se conflitos entre as comunidades sedentárias, os agricultores, e as comunidades nómadas, os pastores. Havia alguns equilíbrios históricos entre estes dois grupos, mas agora não", admitiu.

Quando uma comunidade tem água, por exemplo através de um poço, e outra tenta lá ir abastecer-se, "os 'donos' do poço dizem que não, que a água é deles e não querem partilhar. Criam-se muitos conflitos".

Os confrontos escalam facilmente e, muitas vezes, como referiu Marina Rama, a solução passa por migrar, seja para outras regiões do continente, seja para países mais desenvolvidos.

"As alterações climáticas estão a agravar o problema porque chove menos e as fontes de água, como os rios e os lagos, não se enchem suficientemente para poder fornecer água durante todos os meses de seca", avisou a responsável.

Mesmo com as autoridades a tentar criar mais infraestruturas, não têm capacidade para resolver o problema e as organizações humanitárias, como é o caso da ONU, têm cada vez menos orçamento para ajudar.

"O Banco Mundial estima que, para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no âmbito da água e saneamento a nível global, os investimentos devam atingir entre 130 e 140 mil milhões de dólares [cerca de 112 a 120 mil milhões de euros] por ano", avançou, reconhecendo que esse valor "nunca será atingido".

Embora o problema da falta de água seja mais crítico em África, a questão está a tornar-se crucial também na América Latina, como avançou à Lusa o coordenador da Unicef para esta região do mundo, Franck Bouvet.

Nesta zona, além da pobreza e das secas, também as chuvas persistentes e consequentes inundações têm destruído as poucas infraestruturas que algumas regiões têm.

"A magnitude da crise é enorme", sublinhou Franck Bouvet, para quem o investimento neste setor é um caso de sobrevivência.

"A comunidade humanitária [as organizações] considera que é necessário fornecer um mínimo de cinco litros de água para a sobrevivência de uma pessoa, mas é preciso atingir os 20 litros para uma situação normal", que inclua higiene ou limpeza do ambiente.

"Nos países desenvolvidos, o padrão é de cerca de 250 a 350 litros de água por dia por pessoa, sendo que em Nova Iorque, por exemplo, chega aos 500 litros", comparou o responsável, segundo quem esta desigualdade tem um impacto real na saúde, na sobrevivência e no desenvolvimento infantil, assim como na capacidade das comunidades crescerem economicamente.

Segundo os últimos dados publicados, em 2024, há 2,1 mil milhões de pessoas no mundo sem acesso a água potável e 3,4 mil milhões sem acesso a saneamento seguro.

Mais de 106 milhões só conseguem beber água em rios, lagos ou canais e 1,7 mil milhões nunca souberam o que é ter uma casa de banho em casa.

sábado, 8 de agosto de 2026

GUERRA NA UCRÂNIA: Zelensky pede cooperação a Seul para repelir ataques de norte-coreanos... O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu à Coreia do Sul mais cooperação, especialmente através da entrega de sistemas de defesa aérea, para tentar repelir ataques de militares e mísseis norte-coreanos às forças ucranianas.

© Benjamin Girette/Bloomberg via Getty Images      Por LUSA   08/08/2026 

Zelensky vem dizendo há semanas que a Rússia prepara o iminente envio de "entre 30.000 e 50.000 norte-coreanos" para participar de alguma forma numa "guerra moderna".

"É para nós evidente que a Coreia do Norte continuará a acumular experiência em guerra moderna, recebendo licenças da Rússia e obtendo todo o tipo de ferramentas militares dos russos", afirmou Zelensky numa entrevista à agência ucraniana Ukrinform.

Zelensky também argumentou que já existem mísseis norte-coreanos na Rússia apontados ao seu país, e pediu ao Governo de Seul "uma cooperação mais estreita" com o seu país, através da entrega de sistemas de defesa aérea, de que as forças ucranianas têm falta.

Além disso, o Presidente da Ucrânia sugeriu à Coreia do Sul que pondere a possibilidade de impor uma moratória constitucional para facilitar a entrega de drones à Ucrânia, apesar das restrições impostas pela Carta Magna do país.

"Eles têm uma restrição legal na sua Constituição, mas gostaríamos de ter esta cooperação e contamos com ela. Os nossos diplomatas estão em contacto", referiu.

A Ucrânia levou a guerra aos armazéns de Tatyana, a mulher mais rica da Rússia

Por cnnportugal.iol.pt  08/08/2026

Pelo menos 23 instalações da maior plataforma russa de comércio eletrónico foram atacadas desde meados de julho e nove trabalhadores morreram. Kiev diz que a empresa ajuda a abastecer militares russos, enquanto Tatyana Kim acusa a Ucrânia de tentar espalhar "pânico e choque" entre a população

Tatyana Kim passou mais de duas décadas a construir a Wildberries até a transformar numa espécie de Amazon russa — e numa das empresas mais presentes na vida quotidiana do país. 

Agora vê essa rede ser atingida quase noite após noite por ataques ucranianos. Desde meados de julho, pelo menos 23 instalações da empresa foram alvo de bombardeamentos e nove trabalhadores morreram, numa campanha que surgiu depois de meses em que a Ucrânia concentrou parte dos ataques em refinarias russas e que, segundo o New York Times, marca uma mudança importante: é a primeira vez que Kiev dirige de forma tão sistemática os ataques contra uma única empresa privada russa. 

O objetivo declarado das autoridades ucranianas é fazer com que a guerra se faça sentir cada vez mais dentro da Rússia e aumentar a pressão sobre Vladimir Putin para terminar o conflito.

A Wildberries não é uma empresa qualquer no país. Representa cerca de 10% das vendas a retalho na Rússia, tem quase 95 mil pontos de recolha e mais de metade da população compra através da plataforma pelo menos uma vez por mês. 

Tatyana Kim, que começou por ser professora de inglês, lançou o negócio em 2004 com o então marido, Vladislav Bakalchuk, vendendo pela internet roupa retirada de catálogos europeus, e a empresa cresceu ainda mais depois da invasão russa da Ucrânia, quando várias marcas ocidentais abandonaram o mercado. Pelo caminho, Tatyana Kim atravessou uma fusão empresarial que terá sido mediada pelo Kremlin e uma guerra aberta com o marido, que acusou a operação de ser uma tomada hostil da empresa e chegou a aparecer nos escritórios da Wildberries acompanhado por homens armados chechenos. 

O confronto terminou num tiroteio que matou duas pessoas e feriu sete. 

O casal divorciou-se no ano seguinte e Tatyana Kim ficou à frente de um império que agora enfrenta um problema que não se resolve numa sala de reuniões.

A Ucrânia justifica os ataques dizendo que a Wildberries vende produtos utilizados por soldados russos e, por isso, deve ser tratada como um alvo legítimo. Tatyana Kim rejeita essa leitura e insiste que a plataforma comercializa o mesmo tipo de artigos que gigantes como a Amazon ou a chinesa Alibaba. 

"Não há lógica, bom senso ou racionalidade nas ações dos terroristas", afirmou num vídeo divulgado no final de julho, referindo-se aos ucranianos, antes de acusar o "inimigo" de tentar "pressionar, desestabilizar e provocar pânico e choque entre um grande número de pessoas". 

A discussão sobre o que é vendido na Wildberries tornou-se, por isso, parte da própria guerra e ganhou outra dimensão quando o New York Times encontrou na plataforma anúncios de material que também pode ter utilização militar — como drones FPV, bobinas de fibra ótica e até um e até um anúncio, entretanto esgotado, de um aparelho equipado com um sistema para largar explosivos.

Entretanto, os ataques já começaram a medir-se em armazéns e mercadoria perdida. Segundo a consultora Data Insight, citada pelo New York Times, a Wildberries poderá ter perdido até um terço de todo o seu espaço de armazenamento e bens avaliados em cerca de 5,2 mil milhões de euros. "Quase ficou sem os seus maiores armazéns", resumiu Sergei Semko, analista da consultora, acrescentando que "todos os dias, um armazém depois de outro está a ser metodicamente destruído". 

O impacto começa também a chegar ao consumo, com os gastos dos russos em produtos não alimentares vendidos nestas plataformas a caírem nas últimas semanas, enquanto alguns vendedores começam a transferir os negócios para a Ozon, a segunda maior empresa russa de comércio eletrónico — que não tem sido alvo da mesma campanha de ataques.

Tatyana Kim está agora a tentar fazer rapidamente aquilo que os ataques lhe impõem: espalhar a operação por mais locais para que a destruição de um grande armazém não paralise uma parte tão grande da rede. A Wildberries está a reorganizar a logística, já fez duas rondas de pagamentos voluntários a mais de 80 mil pequenos e médios vendedores, enquanto o Governo russo prepara medidas de apoio que deverão incluir benefícios fiscais. 

A Wildberries mantém nas suas regras que é proibido vender armas — e Tatyana Kim fala em "ataques contra pessoas pacíficas".

Na secção de perguntas do anúncio ao aparelho capaz de largar explosivos, alguns compradores mostravam preocupação com a legalidade e outros identificavam a unidade militar russa para a qual pretendiam adquirir drones. Um deles perguntou diretamente se o aparelho podia ser usado na "operação militar especial", a expressão utilizada pelo Kremlin para designar a invasão da Ucrânia.

Washington acusa Pequim de desestabilizar mar do Sul da China... Os Estados Unidos voltaram hoje a acusar Pequim de seguir uma política de desestabilização perto do Recife de Scarborough, disputado com as Filipinas, no mar do Sul da China, sob o pretexto da criação de uma reserva natural.

© OLIVER CONTRERAS/AFP via Getty Images   Por LUSA  08/08/2026 

Washington rejeita "as repetidas tentativas da China de impor a sua 'reserva natural nacional' no Recife de Scarborough e de privar os pescadores filipinos do acesso às suas zonas de pesca tradicionais", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em comunicado.

Os Estados Unidos denunciam "mais uma tentativa unilateral da China de utilizar pretextos ambientais e jurídicos duvidosos, apoiados por medidas coercivas, para afirmar as suas reivindicações territoriais e marítimas", acrescentou.

A China publicou recentemente novas regras sobre a gestão da reserva natural que estabeleceu o ano passado em torno do atol, rico em recursos pesqueiros e controlado por Pequim, mas cuja soberania é disputada também pelas Filipinas.

Os confrontos entre Pequim e Manila perto das ilhas disputadas são regulares, com julho passado marcado por uma série de incidentes.

A China reivindica em nome de razões históricas quase todas as ilhas e recifes no Mar do Sul da China.

“Há liberdade”: porque é que as mulheres asiáticas estão a deixar os maridos aos 50 e 60 anos

Por Cnnportugal.iol.pt, 08/08/2026

Cada vez mais mulheres asiáticas estão a divorciar-se aos 50 e 60 anos, depois de décadas em casamentos infelizes. Para muitas, a separação não representa um fracasso, mas liberdade e a oportunidade de recomeçar

Eiko Toyama esperou 32 anos para deixar o marido.

Ao longo do casamento, contou, foi ela quem tratou de todas as tarefas domésticas e dos filhos na casa da família, no Japão, além de contribuir financeiramente para o sustento familiar. O marido “queria controlar tudo”, desde a sua vida social às ambições profissionais, fazendo-a sentir-se presa e infeliz. Ainda assim, aguentou pelo bem dos dois filhos.

Isso mudou finalmente quando fez 60 anos. Os filhos, já adultos, deixaram de precisar dela, e o marido estava saudável - ainda não era suficientemente idoso para precisar de alguém que cuidasse dele. Era uma preciosa janela de oportunidade, e ela aproveitou-a.

“Não senti nada além de felicidade depois do divórcio. Foi a única emoção que senti”, afirmou. “Estava tão feliz que me apetecia correr por todo o lado.”

Histórias como a sua são cada vez mais comuns em todo o mundo, à medida que o número de “divórcios grisalhos” - separações entre casais com 50 ou mais anos - aumenta todos os anos. A tendência tem sido observada em países como os Estados Unidos e noutras partes do mundo, mas ganha um significado particular na Ásia, onde, em geral, as pessoas vivem mais tempo.

Muitos lugares, como a Coreia do Sul, o Japão, Hong Kong, Taiwan e a China continental, enfrentam crises demográficas, à medida que as taxas de natalidade diminuem e as populações idosas aumentam.

O aumento dos divórcios na terceira idade também é frequentemente impulsionado pelas mulheres - que, por muito tempo, enfrentaram normas de género restritivas em sociedades asiáticas conservadoras, bem como barreiras legais, financeiras e sociais à procura do divórcio. Esse cenário está agora a mudar; no Japão, por exemplo, entre os casais que se separaram após décadas de casamento, em 2024 houve o dobro de mulheres a pedir o divórcio do que homens.

Isto poderá transformar a realidade da população idosa da Ásia na próxima década: mais pessoas a viver sozinhas e a precisar de maior apoio social, como previram os especialistas - mas, talvez, também mais capacitadas para seguir o seu próprio caminho.

Para mulheres como Toyama, que cresceram nas décadas de 1960 e 1970, o divórcio era pouco comum - e frequentemente recebido com julgamentos e vergonha.

Naquela época, para uma mulher, “divorciar-se era uma espécie de fim da vida”, afirmou Sangyoub Park, professor associado de Sociologia na Universidade Washburn, no Kansas, que escreveu em 2023 um artigo sobre divórcios numa fase tardia da vida na Coreia do Sul.

Isso começou a mudar na segunda metade do século XX, à medida que mais mulheres entraram no mercado de trabalho e prosseguiram estudos superiores. Os divórcios entre os idosos têm aumentado de forma constante - sobretudo desde que a Geração X começou a chegar aos 50 anos na última década, afirmou Park.

Trata-se de um grupo demográfico importante: nascida entre 1965 e 1980, a Geração X foi a primeira a crescer numa Ásia em processo de globalização, a ver televisão e filmes norte-americanos. Através da cultura popular, absorveu também valores norte-americanos, como dar prioridade às “escolhas pessoais em vez das obrigações familiares”, o que - somado a fatores económicos mais amplos - contribuiu para uma mudança gradual das atitudes em relação ao divórcio, explicou Park.

Idosos caminham por um parque em Xangai, na China, a 10 de abril de 2021. (Qilai Shen/Bloomberg/Getty Images)

Isso reflete-se nos dados da região. Na Coreia do Sul, no ano passado, o número de divórcios entre casais que estavam casados há pelo menos 30 anos ultrapassou, pela primeira vez, o de casais mais jovens, casados há menos de cinco anos.

Taiwan também registou um aumento dos divórcios entre casais juntos há muitos anos, segundo dados oficiais. Em Hong Kong, vários escritórios de advogados descreveram um aumento dos divórcios na terceira idade e, na China continental, o número de divórcios entre idosos duplicou nos últimos 30 anos.

Parte deste fenómeno poderá ser demográfica: uma sociedade envelhecida tem um grupo maior de pessoas mais velhas e, por isso, terá também mais divórcios entre idosos. Atualmente, os jovens casam-se menos, pelo que os seus divórcios também são menos numerosos.

Mas as reformas jurídicas também fizeram uma enorme diferença, criando redes de proteção para mulheres que anteriormente dependiam dos rendimentos dos maridos.

Idosos sentados num banco circular em redor de uma grande árvore, numa praça pública, em Chongqing, na China, a 27 de janeiro de 2026. (Cheng Xin/Getty Images)

Por exemplo, em 2014, a Coreia do Sul decidiu que as futuras pensões e indemnizações de cessação do contrato de trabalho poderiam ser incluídas na divisão de bens. Isso significa que, se uma dona de casa tratou de todo o trabalho doméstico e dos filhos durante o casamento, permitindo assim que o marido trabalhasse, tem direito a parte da pensão de velhice dele depois do divórcio. O Japão introduziu uma reforma semelhante em 2007.

Estas medidas são especialmente importantes, tendo em conta a elevada taxa de pobreza entre os idosos na Ásia. Entre os países da OCDE, a Coreia do Sul apresenta a taxa de pobreza mais elevada entre as pessoas com mais de 65 anos; Hong Kong, que não é membro da OCDE, apresenta valores igualmente elevados. Embora o Japão esteja ligeiramente abaixo, continua acima da média mundial.

E, apesar destas reformas, continuam a existir profundas desigualdades de género.

“Para as mulheres em particular, a principal razão pela qual não conseguem divorciar-se é a incapacidade de serem financeiramente independentes”, afirmou Toyama, apontando para os salários mais baixos das mulheres no Japão. “Quando uma mulher se torna dona de casa a tempo inteiro, é muito difícil deixar o marido e tornar-se independente.”

“Os meus dois filhos são rapazes, mas, se tivesse uma filha, dir-lhe-ia constantemente: ‘Aconteça o que acontecer, nunca deixes o teu emprego’”, acrescentou.

O maior fator comum em toda a Ásia é a longevidade, afirmou Park - e a forma como as pessoas encaram de maneira diferente a fase final das suas vidas.

“Ter mais 20 ou 30 anos cria novas expectativas”, com as pessoas mais “dispostas a abandonar um casamento infeliz e insatisfatório”, afirmou. O divórcio “já não é um fracasso - pelo contrário, é algo novo. É o início de um novo capítulo”.

Iman Lau, de 50 anos, viveu esse renascimento em primeira mão. Ao crescer em Hong Kong, as suas expectativas em relação ao casamento não eram propriamente inspiradoras: os cônjuges comem juntos, fazem atividades juntos e partilham vidas pacificamente monótonas, pensava. “É simplesmente assim que o casamento é.”

Essa mentalidade manteve-se mesmo durante anos de infidelidade por parte do marido. Perguntava-se se teria feito algo de errado, se não seria suficientemente boa. No fim, foi ele quem deu início ao divórcio, apesar dos apelos dela para continuarem juntos; chegou mesmo a compará-la a um pássaro que se recusava a sair de uma gaiola aberta.

Iman Lau, de 50 anos, posa para uma fotografia no seu apartamento, em Hong Kong. (Noemi Cassanelli/CNN)

“Sou uma mulher bastante tradicional”, afirmou. “Em toda a minha vida, nunca pensei que me fosse divorciar.”

Foi um choque, como se tivesse perdido um membro ou um órgão. Mas também a fez perceber que, algures durante aquele casamento de 14 anos, tinha perdido o sentido de quem era, negligenciando os amigos e os seus interesses para simplesmente “girar à volta dele”, afirmou.

Prometeu mudar isso este ano, depois de concluir o divórcio, e lançou-se ao mundo com uma energia determinada. Juntou-se a grupos de encontros online e fez novos amigos. Descobriu uma paixão por atividades ao ar livre, como caminhadas, natação, canoagem e snorkeling. Está a aprender a tocar piano e adora jazz.

Depois de viajar pela Europa, imprimiu e pendurou fotografias das férias no apartamento; é a sua “parede da felicidade”, que lhe recorda a alegria que sentiu ao percorrer a Sicília e ao acampar na Geórgia.

“Não sabia que a vida sozinha podia ser tão extraordinária”, afirmou.

Toyama iniciou uma viagem semelhante, descrevendo-se, aos 63 anos, como alguém “cheia de vida”.

Começou a fazer transmissões em direto no TikTok e criou uma conta numa aplicação de mensagens para dar conselhos às pessoas que lhe telefonam e enviam mensagens todas as semanas. Está a trabalhar no lançamento de novos negócios, incluindo uma agência de casamentos e uma empresa de eventos ao vivo.

Depois do divórcio, Eiko Toyama começou a fazer transmissões em direto no TikTok. (Yumi Asada/CNN)

“Durante 32 anos, não pude fazer nada, mas agora finalmente estou no terceiro ano em que posso fazer tudo o que quiser”, afirmou. O processo não foi fácil, mas quaisquer desafios que enfrente agora continuam a ser “muito melhores do que a ansiedade de estar com o meu ex-marido”, afirmou. “Acima de tudo, há liberdade.”

As duas mulheres disseram ter notado uma mudança nas atitudes das pessoas quando partilharam a notícia do divórcio. No caso de Toyama, as reações foram extremamente positivas, com algumas pessoas a demonstrarem até inveja. No caso de Lau, dividiram-se mais - e de formas reveladoras.

“Amigos da minha idade tratam o assunto como um tabu, como se tivesse havido uma morte na família - não se atrevem a perguntar, limitam-se a dizer: ‘Lamento muito’”, afirmou. “Mas, com os jovens da Geração Z, toda a gente me dá os parabéns.”

O aumento dos divórcios grisalhos poderá começar a estabilizar quando os millennials - que se casaram em circunstâncias e sob atitudes sociais muito diferentes das gerações anteriores - começarem a chegar à idade da reforma, afirmou Park. Mas isso só acontecerá daqui a cerca de uma década, e as separações deverão continuar a aumentar até lá.

Para esses futuros divorciados, Lau deixa algumas palavras de encorajamento do outro lado da experiência. “Na verdade, este mundo é extraordinário”, afirmou.

“Os asiáticos, em particular, pensam muitas vezes que o divórcio é como uma mancha ou um tabu na vida, como um rótulo de fracasso. Mas isso não é verdade”, acrescentou. “Pensem nisso apenas como dar a si próprios a oportunidade de perceber que podem ter uma vida ainda mais vibrante - desde que estejam dispostos a dar esse passo.”