terça-feira, 14 de abril de 2026

Iémen acusa Teerão de envolver país no conflito via milícias Huthis... O representante do governo do Iémen na ONU acusou hoje o Irão de envolver o país no conflito do Médio Oriente através das milícias iemenitas Huthis, consideradas terroristas.

© Mohammed HUWAIS / AFP via Getty Por  LUSA  14/04/2026 

"A lertamos contra a contínua interferência iraniana nos assuntos internos do Iémen através do financiamento, armamento e apoio a milícias terroristas que desejam envolver-se em conflitos regionais que servem a agenda e os interesses do Irão", declarou Abdullah Ali Fadhel Al Saadi, representante do governo iemenita reconhecido internacionalmente.

Numa sessão do Conselho de Segurança sobre a situação na região e focada no seu país, Al Saadi criticou veementemente o Irão e "a sua contínua insistência em exportar crises, semear o caos e minar a segurança e a estabilidade na região".

Teerão lançou ataques contra os países vizinhos em retaliação pelo ataque conjunto norte-americano e israelita que desencadeou o conflito a 28 de fevereiro.

Os Huthis no Iémen, tal como o Hezbollah no Líbano, são um grupo xiita historicamente apoiado pelo Irão, tendo ambos entrado no conflito em retaliação pelos ataques contra Teerão.

As milícias iemenitas têm disparado mísseis e 'drones' sobretudo contra Israel.

"O Governo do Iémen reitera a sua firme rejeição e forte condenação destes ataques, incluindo os realizados diretamente ou através de intermediários e milícias afiliadas ao regime iraniano", afirmou o diplomata iemenita. 

"Qualquer processo político futuro deve basear-se na restauração das instituições estatais, no monopólio estatal sobre o armamento e no fim de todas as formas de rebelião generalizada", afirmou. 

Palco de uma grave crise humanitária, o Iémen mantém-se dividido há vários anos, com os Huthis a controlarem o norte e noroeste (incluindo a capital Sanaa e a costa do Mar Vermelho em torno de Hodeidah), enquanto o governo controla o sul e o leste.

O conflito interno tem-se mantido num impasse nos últimos meses, mas com fortes tensões entre as partes.

O Conselho Legislativo Provincial (PLC), que lidera o governo reconhecido internacionalmente, anunciou recentemente a criação de um Comité Militar Supremo encarregado de integrar todas as forças anti-Huthis e de preparar uma possível ofensiva caso estes rejeitem soluções pacíficas, segundo a cadeia de televisão árabe Al-Jazeera.

EUA anuncia fim da suspensão às sanções sobre petróleo iraniano... O Tesouro americano anunciou hoje que não vai prolongar a suspensão temporária de algumas sanções sobre o petróleo iraniano, decidida no mês passado para atenuar os efeitos da guerra no Médio Oriente sobre o mercado dos hidrocarbonetos.

Getty Images.   Por  LUSA  14/04/2026

"A autorização temporária que permite a venda do petróleo iraniano atualmente bloqueado no mar expira dentro de alguns dias e não será renovada", escreveu o Ministério das Finanças na sua conta na rede social X.

O Tesouro assegura participar no esforço de guerra americano "mantendo uma pressão máxima sobre o Irão".  

Neste contexto, diz estar "pronto a impor sanções secundárias às instituições financeiras estrangeiras que continuem a apoiar as atividades" de Teerão.  

O ministério tem em mente instituições financeiras baseadas na China, em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, segundo um responsável governamental que pediu para não ser identificado.  

Washington tinha autorizado por um mês a venda do petróleo iraniano armazenado no mar antes de 20 de março. O que permitiria "colocar cerca de 140 milhões de barris de petróleo no mercado mundial", tinha declarado o ministro das Finanças norte-americano Scott Bessent.  

Esta derrogação é válida até domingo.  

Antes, o governo americano anunciou, no entanto, a extensão por vários meses da flexibilização de uma parte das sanções que visavam o gigante russo dos hidrocarbonetos Lukoil.  

Hospital Nacional Simão Mendes anuncia novas medidas para reforçar transparência nos serviços

Por  RTB

Bissau — A Direção do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM) anunciou a implementação de novas medidas com vista à melhoria da qualidade e da transparência nos serviços de saúde prestados pela maior unidade hospitalar do país.

De acordo com o comunicado oficial, a partir do dia 20 de abril entrarão em vigor novos preços para todos os serviços oferecidos pelo hospital. A atualização faz parte de um conjunto de ações destinadas a melhorar a gestão interna e garantir maior clareza nos custos suportados pelos utentes.

Outra novidade é a criação do Guichê Único, um sistema que passará a centralizar todos os pagamentos relacionados aos atendimentos realizados no HNSM. A iniciativa pretende reforçar o controle das receitas, facilitar o processo de pagamento para pacientes e acompanhantes, além de reduzir práticas irregulares, como cobranças ilícitas.

A Direção apela ainda à colaboração dos utentes, recomendando que todos exijam o recibo de qualquer pagamento efetuado no guichê, como forma de garantir maior segurança e transparência nas transações.

O hospital solicita igualmente o apoio da população na divulgação da informação, de modo a assegurar que as novas medidas sejam amplamente conhecidas e cumpridas.

Gabite de Utentes

China classifica bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA como "perigoso e irresponsável"... A ameaça norte-americana de bloquear os portos iranianos avançou mesmo e a China já veio criticar a medida. Isto numa altura em que o Paquistão propõe nova ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão, depois do fracasso da primeira. Um encontro ainda sem data conhecida. Já Israel e Líbano tiveram esta terça-feira, nos Estados Unidos, uma "reunião preliminar" e a Itália suspendeu o acordo de defesa com Israel.

Por  sicnoticias.pt 

O bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos navios que fazem escala em portos iranianos começou às 15:00 de segunda-feira, hora de Portugal continental. Porém, durante as 24 horas seguintes, pelo menos três navios da lista de sanções, incluindo um chinês, conseguiram atravessar o estreito de Ormuz, de acordo com a Reuters.

A agência de notícias diz que eram embarcações que não se dirigiam ou saíam de portos iranianos.

Os Estados Unidos garantem que nenhum navio atravessou o estreito de Ormuz desde o início do bloqueio e que seis embarcações "inverteram a marcha".

O Comando Central norte-americano informa que estão envolvidos no bloqueio mais de dez mil militares, mais de uma dúzia de navios de guerra e dezenas de aeronaves.

Seja como for, o presidente chinês já apelou à "coexistência pacífica" e afirmou que o mundo não deve "regressar à lei da selva".

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou que a escalada militar dos Estados Unidos e a ação de bloqueio "apenas irão agravar as contradições, aumentar as tensões, prejudicar o frágil cessar-fogo e colocar ainda mais em risco a segurança da passagem pelo estreito", considerando tratar-se de um comportamento "perigoso e irresponsável".

De visita oficial à China, o chefe do governo espanhol apelou a Xi Jinping para que reforce a ação na defesa do direito internacional e do fim de conflitos como o do Médio Oriente.

Pedro Sánchez afirmou que "é muito difícil encontrar outros interlocutores capazes de resolver esta situação criada no Irão e no estreito de Ormuz sem ser a China".

Giorgia Meloni voltou também a pedir que sejam feitos "todos os esforços possíveis" para reabrir a circulação no estreito de Ormuz. A primeira-ministra italiana anunciou ainda a suspensão do acordo de defesa com Israel.

A governante afirmou que, tendo em conta a situação atual, o governo decidiu "suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel".

Ao jornal italiano Corriere della Sera, Donald Trump afirmou que está "chocado" com Meloni, acrescentando: "Pensei que ela tivesse coragem, mas enganei-me".

De Trump, alguns líderes europeus, como Emmanuel Macron, continuam a esperar que cheguem notícias da retoma de negociações com o Irão.

O Paquistão já propôs uma nova ronda de negociações. Donald Trump admite que possa acontecer nos próximos dois dias.

O que teve lugar esta terça-feira, em Washington, foi a primeira reunião entre o Líbano e Israel.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmou que o objetivo é "pôr fim permanente a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nesta parte do mundo" e acrescentou que, embora as questões não sejam resolvidas nas próximas horas, é possível começar a criar um enquadramento para avançar.

É a primeira vez, em décadas, que há conversações diretas entre Israel e o Líbano, dois países que não têm relações diplomáticas.

Embaixador de Israel elogia "excelente diálogo" após reunião com o Líbano... O embaixador israelita em Washington elogiou o "excelente diálogo" com a homóloga libanesa, após uma primeira reunião com vista a negociações de paz, comentando que Israel e o Líbano "descobriram hoje que estão do mesmo lado".

© Andrew Harnik/Getty Images    Por  LUSA   14/04/2026 

Yechiel Leiter falava aos jornalistas no final de um encontro de cerca de duas horas no Departamento de Estado, na capital federal norte-americana, com a diplomata libanesa Nada Hamadeh Moawad, para discutir o conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, que não participa nestas conversações.

"Esta é a conclusão mais positiva que podemos tirar deste encontro: estamos ambos unidos no desejo de libertar o Líbano da ocupação, de uma potência dominada pelo Irão e chamada Hezbollah", afirmou o embaixador israelita, remetendo esclarecimentos para uma declaração conjunta a divulgar mais tarde.

Antes da reunião, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, alertou para uma "oportunidade histórica", referindo que em causa está não só uma trégua, mas também "uma solução permanente para 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah" na região, da qual sustentou que tanto israelitas como libaneses foram vítimas.

"Este é um processo, não um evento isolado. Vai além de um único dia e levará tempo", advertiu o chefe da diplomacia de Washington, ao indicar que a reunião de hoje iria servir para "definir uma estrutura sobre a qual se possa construir uma paz duradoura".

Antecedendo as primeiras negociações em mais de 30 anos entre os dois países, que não têm relações diplomáticas, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, exigiu na segunda-feira o cancelamento do encontro.

"Recusamos negociações com a entidade israelita. Esta negociação é submissão e capitulação", declarou o secretário-geral do Hezbollah, enquanto avisava que o seu movimento vai resistir "até ao último suspiro".

O grupo xiita retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024, nunca verdadeiramente respeitado.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do Hezbollah, que, apesar disso, não parou os seus lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita.

Em resposta, Israel desencadeou uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no conflito anterior.

Segundo as autoridades de Beirute, pelo menos 2.089 pessoas morreram, entre as quais 166 crianças, e 6.762 ficaram feridas no Líbano desde o início da campanha militar de Israel, registando ainda acima de um milhão de deslocados.

O Presidente libanês, Josef Aoun, afirmou hoje que espera que as negociações marquem "o início do fim do sofrimento do povo libanês", após o seu país ter sido arrastado para o conflito.

"A estabilidade não será restaurada no sul do Líbano se Israel continuar a ocupar território", advertiu.

Em alternativa, propõe que, "o exército libanês se reposicione nas fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional" e seja "o único responsável pela segurança da área e dos seus habitantes, sem qualquer parceria com ninguém."

No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, insistiu na segunda-feira que Israel vai dar continuidade ao plano de criar uma "zona de segurança sólida e mais profunda" no sul do Líbano, onde assinalou que "os combates continuam", apesar da reunião em Washington.

"Estamos a falar de uma zona de segurança sólida e mais profunda que previna o perigo de invasão e neutralize a ameaça dos mísseis antitanque", acrescentou.

Irão: EUA garantem que bloqueio em Ormuz travou navios iranianos... O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) disse hoje que nenhuma embarcação iraniana conseguiu romper o bloqueio imposto pelo seu país no Estreito de Ormuz durante as primeiras 24 horas da operação.

© Donald Trump For President   Por  LUSA  14/04/2026 

Segundo o CENTCOM, seis navios cumpriram as ordens das forças norte-americanas e regressaram a portos iranianos no Golfo de Omã, após serem impedidos de prosseguir.

O comando militar indicou que o bloqueio está a ser aplicado a embarcações de todas as bandeiras que entrem ou saiam de portos iranianos, tanto no Golfo Pérsico como no Golfo de Omã, garantindo simultaneamente a "livre navegação" para navios com origem ou destino em portos não iranianos.

Para a operação, os Estados Unidos mobilizaram mais de 10.000 militares da Marinha e da Força Aérea, apoiados por mais de uma dezena de navios de guerra e dezenas de aeronaves.

Na segunda-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou "eliminar" quaisquer embarcações iranianas que tentem contornar o bloqueio, recorrendo a métodos semelhantes aos utilizados no combate ao narcotráfico marítimo.

Apesar do bloqueio, dados da empresa de análise marítima Kpler revelam que vários navios conseguiram atravessar o estreito na segunda-feira, incluindo o petroleiro Elpis e o navio Christianna, bem como o cargueiro chinês Rich Starry, alguns dos quais sujeitos a sanções norte-americanas.

Outro navio, o petroleiro Murlikishan, também terá atravessado a passagem na manhã de hoje, com destino ao Iraque, segundo sinais de 'transponder' analisados pela mesma fonte.

A China apelou à manutenção da navegação "sem entraves" no Estreito de Ormuz e instou Washington e Teerão a respeitarem o cessar-fogo temporário, defendendo uma solução diplomática para o conflito.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, defendeu que a segurança e a estabilidade desta rota são do interesse da comunidade internacional, rejeitando como "calúnias infundadas" as alegações de apoio militar chinês ao Irão.

Pequim reiterou ainda disponibilidade para desempenhar um papel "positivo e construtivo" na desescalada da crise, sublinhando a importância de um cessar-fogo imediato e da continuação das negociações diplomáticas.

Hezbollah reivindica 13 ataques contra norte de Israel... O movimento xiita libanês pró-iraniano Hezbollah reivindicou hoje 13 ataques contra posições do exército israelita no norte de Israel, num momento em que representantes israelitas e libaneses estão em Washington para negociações de paz.

© Reuters    Por  LUSA   14/04/2026 

O Hezbollah especificou num comunicado que atacou "Kiryat Shmona, Metula, Misgav Am, Kfar Giladi, Manara, Margaliot, Kfar Blum, Malkiya, Tel Hai, Dishon, Liman, Saar e Nahariya com salvas simultâneas de foguetes".

O exército israelita tinha indicado momentos antes que esperava uma intensificação dos disparos do Hezbollah em direção a Israel.

"Na sequência de uma avaliação da situação e tendo em conta os últimos desenvolvimentos, é possível uma intensificação dos disparos provenientes do Líbano, provavelmente visando o norte de Israel", afirmou o exército num comunicado.

Israel também prosseguiu hoje com os bombardeamentos contra o Líbano, atingindo um grande número de localidades nas horas que antecederam o início das conversações em Washington, sob mediação dos Estados Unidos (EUA), entre os embaixadores dos dois países.

Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano (ANN), caças e drones israelitas atacaram as zonas meridionais de Zawtar al Sharqiya, Baraachit, Chebaa, Srifa, Al Shahabie, Blida, Tiro e Ain Baal, entre outras, bem como uma casa em Rihan ou um veículo numa estrada de Abassiya.

Dezenas de habitações foram destruídas, entre elas mais de dez apenas na aldeia de Sohmor, no Vale de Bekaa, a leste do país, com a agência noticiosa estatal também registar danos nas imediações do Hospital de Tebnine, no sul do país.

Vários dos ataques causaram vítimas mortais, incluindo quatro membros de uma mesma família em Sohmor, que os meios de comunicação social locais identificaram como um casal e os seus dois filhos.

Entretanto, o ministro da Informação libanês, Paul Morcos, afirmou, após uma reunião com o Presidente, Joseph Aoun, que a solução para a situação atual passa por negociações sob auspícios internacionais e que se está a avançar no sentido da saída proposta pelo chefe de Estado.

"Os esforços do Presidente Aoun visam claramente apelar, sublinhar e pressionar para um cessar-fogo e para o fim da guerra. Estamos a avançar no âmbito desta iniciativa presidencial", afirmou Morcos.

O embaixador israelita nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, e a homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad, estão reunidos em Washington para tentar encontrar uma solução para uma guerra que já provocou mais de 2.000 mortos e cerca de um milhão de deslocados no Líbano desde o seu início, há seis semanas.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, tinha exigido na segunda-feira o cancelamento das reuniões de hoje em Washington, argumentando que este diálogo significaria uma capitulação.

"Recusamos negociações com a entidade israelita. Esta negociação é submissão e capitulação", afirmou o secretário-geral do grupo aliado do Irão, numa declaração televisiva, exigindo "o cancelamento da reunião" dos embaixadores de Israel e do Líbano, a decorrer hoje à tarde no Departamento de Estado, em Washington.

Naim Qassem realçou que, antes das negociações, nas quais deverá ser discutido um cessar-fogo a pedido de Beirute, é necessário "um acordo e consenso libanês" e que "ninguém pode conduzir o Líbano por este caminho" sem o alcançar primeiro, dirigindo-se diretamente ao Presidente libanês, Joseph Aoun.

Trump "chocado" com Meloni: "Pensava que tinha coragem, mas enganei-me"... Donald Trump deixou duras críticas à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, alegando que a chefe do governo italiano não tem coragem e que espera que os Estados Unidos façam o trabalho por ela. Na mesma entrevista, teve ainda espaço para criticar a Europa e (de novo) o Papa Leão XIV.

© Italian Government/Handout via REUTERS   Por  Notícias ao Minuto  14/04/2026 

O presidente norte-americano Donald Trump, criticou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, acusando-a de não ter coragem e de querer que os Estados Unidos façam "o trabalho por ela".

Numa entrevista telefónica ao jornal italiano Corriere della Sera, que terá durado apenas seis minutos, o presidente dos Estados Unidos iniciou logo a conversa com uma questão, antes mesmo de os jornalistas fazerem a primeira pergunta.

"As pessoas gostam do facto de a sua primeira-ministra não estar a fazer nada para conseguir petróleo?", questionou. "Gostam? Não consigo imaginar".

"Estou chocado com ela. Achei que fosse corajosa, mas estava enganado", atirou logo de seguida.

Questionado se tinha conversado como Giorgia Meloni sobre o assunto, Trump admitiu que não e que a chefe do Governo italiano apenas lhe disse "que a Itália não se quer envolver".

"Mesmo que a Itália obtenha o seu petróleo de lá [do Irão], mesmo que os Estados Unidos sejam muito importantes para a Itália. Ela não acha que Itália deva envolver-se. Ela acha que os Estados Unidos devem fazer o trabalho por ela", considerou.

Trump, que admitiu não conversar com Meloni "há já muito tempo", denunciou a primeira-ministra não só pela sua posição sobre o Irão, mas também sobre o Papa Leão XIV.

"Não quer ajudar-nos com a NATO, não quer ajudar-nos a livrar-nos das armas nucleares. É muito diferente do que pensava. [...] É ela que é inaceitável, porque não se importa se o Irão tem uma arma nuclear, que faria Itália explodir em dois minutos, se tivesse oportunidade", disse, numa referência às acusações da primeira-ministra sobre os comentários que tecidos pelo norte-americano contra o Papa Leão XIV, na segunda-feira.

Questionado quanto à possibilidade de pedir a Itália a mobilização de navios caça-minas no Estreito de Ormuz, o presidente deu conta de que solicitou "que enviassem tudo o que quisessem, mas não querem porque a NATO é um tigre de papel".

Há apenas um mês, Trump considerou Meloni uma amiga e uma grande líder que "procura sempre ajudar", numa outra entrevista ao mesmo meio. Agora, a história mudou de figura: "Já não é a mesma pessoa, e Itália não será o mesmo país; a imigração está a destruir a Itália e toda a Europa."

As críticas a Giorgia Melonia acontecem depois de a primeira-ministra italiana ter considerado "inaceitáveis" as palavras de Donald Trump contra o Papa Leão XIV, a quem chamou "fraco".

O presidente norte-americano foi ainda mais longe, deixando Meloni e indo até à Europa como um todo, afirmando que "se está a destruir a si própria por dentro" com as suas políticas de imigração e de energia, tendo em conta que paga "os custos de energia mais elevados do mundo e nem sequer está disposta a lutar pelo Estreito de Ormuz, de onde a recebe". "[A Europa] depende de Donald Trump para que ele o mantenha aberto", disse.

Durante a mesma entrevista, o presidente norte-americano teve ainda espaço para deixar uma nova crítica ao Papa Leão XIV, afirmando que o Bispo de Roma "não faz ideia do que se está a passar no Irão".

"Ele não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42 mil manifestantes foram mortos no Irão no mês passado", argumentou o chefe de Estado norte-americano.

Passando depois para a Hungria, onde Viktor Orbán perdeu as últimas eleições, pondo assim um fim ao seu governo de 16 anos, Trump afirmou que o primeiro-ministro era seu "amigo" e "um bom homem". 

E acrescentou: "Ele fez um bom trabalho em relação à imigração. Ele não deixou que pessoas viessem arruinar o seu país como a Itália fez."

Irão: Trump diz que Papa não compreende o que está a acontecer... O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que o Papa Leão XIV não compreende o que se passa no Irão, em declarações por telefone ao diário italiano Corriere della Sera.

© Grzegorz Galazka/Archivio Grzegorz Galazka/Mondadori Portfolio via Getty Images   Por LUSA  14/04/2026  

Em resposta às críticas reiteradas do líder da Igreja Católica à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, Trump afirmou que o Papa "não faz ideia do que se está a passar no Irão".

Segundo Trump, Leão XIV não entende que o Irão representa uma ameaça nuclear.

"Ele não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado", argumentou o chefe de Estado norte-americano.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

A 02 de março, Israel iniciou uma guerra com o Líbano, em resposta a um ataque do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, o que fez aumentar os receios de alastramento da guerra a todo o Médio Oriente.

Washington e Teerão acordaram na noite de 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociações assentes num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.

O plano iraniano inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.

Desde 28 de fevereiro, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas pararam a 05 de março de atualizar o balanço oficial.

A 12 de abril, forneceram um novo balanço, após 39 dias de guerra: 3.375 mortos, entre os quais 383 crianças.

Segundo o diretor da Organização de Medicina Legal do Irão, Abbas Masyedi, entre as vítimas mortais, há cidadãos de outros países, como Afeganistão, Síria, Turquia, Paquistão, China, Iraque e Líbano.

Já a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, que todos os dias atualizou o número total de vítimas mortais no Irão, situou-as no seu último relatório antes da entrada em vigor do cessar-fogo em pelo menos 3.636, entre as quais 1.701 civis.


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AUMENTO ALARMANTE DE CASOS DE SAÚDE MENTAL E CONSUMO DE DROGAS PREOCUPA AUTORIDADES NA GUINÉ-BISSAU

Por RSM  14/04/2026

A Diretora do Centro de Saúde Mental Osvaldo Máximo Vieira revelou que, apenas no primeiro trimestre de 2026, foram registados 1.051 pacientes com problemas de saúde mental, dos quais 197 casos estão ligados ao consumo de drogas  um número considerado altamente preocupante.

Os dados foram avançados esta segunda-feira à Rádio Sol Mansi, durante uma reportagem sobre denúncias de organizações da sociedade civil que alertam para o aumento significativo do consumo de drogas no país, um fenómeno que já se reflete de forma visível em várias regiões.

Finhamba Quissangue manifestou grande preocupação com a tendência crescente dos casos, alertando que, se a situação continuar neste ritmo, os números de 2026 poderão ultrapassar os registados no ano passado.

“Só neste primeiro trimestre temos um total de 1.051 pacientes, de janeiro a março. Ainda falta muito tempo para o fecho do ano, o que poderá levar a ultrapassar o índice do ano passado. Em relação ao consumo de drogas, registámos 197 casos. Por isso, é necessário que as autoridades tomem medidas para diminuir a situação”, alertou a diretora.

De acordo com dados oficiais, em 2025 o centro registou um total de 2.909 pacientes com problemas de saúde mental, o que reforça o cenário de agravamento progressivo.

A responsável destacou ainda que o maior centro de saúde mental do país tem capacidade para internar apenas 36 pacientes, mas atualmente não está a realizar internamentos devido à falta de condições de trabalho, atribuída à ausência de apoio por parte das sucessivas entidades responsáveis. Como consequência, muitos pacientes são obrigados a regressar às suas casas sem qualquer acompanhamento adequado.

“Não se trata apenas dos atendimentos que realizamos. Muitos casos deveriam ser de internamento, mas, infelizmente, a nossa missão reduziu-se apenas à consulta médica com tratamento ambulatório”, acrescentou Finhamba Quissangue.

O Centro de Saúde Mental Osvaldo Máximo Vieira conta com um total de 32 funcionários, sendo que 12 são contratados há vários anos, e neste momento a instituição funciona sem nenhum assistente social.

Questionada sobre os tipos de drogas mais consumidas entre os pacientes, Finhamba Quissangue apontou substâncias como MD, crack e “cus”, destacando o impacto devastador destas no aumento dos casos.

“Posso falar de MD, crack e ‘cus’. Há também casos de policonsumo, ou seja, pessoas que consomem mais de uma droga. Posso dizer que o ‘cus’ é uma das substâncias mais fatais para os consumidores”, salientou a responsável.

A diretora alertou ainda que a maioria dos casos registados envolve jovens, apelando às autoridades para assumirem as suas responsabilidades. Caso contrário, advertiu, o consumo de drogas poderá atingir níveis fora de controlo no país.

Espanha inicia processo para regularizar meio milhão de imigrantes... O Governo espanhol aprovou hoje um decreto que permite iniciar de imediato o processo de regularização extraordinária de meio milhão de imigrantes, anunciado pelo executivo no final de janeiro.

© Lusa    14/04/2026 

"Um ato de normalização, de reconhecer a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte da nossa vida quotidiana. E também um ato de justiça e uma necessidade" de um país "que envelhece" e que "sem novas pessoas a trabalhar e a descontar para a segurança social" verá a "prosperidade travada", defendeu o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, numa publicação nas redes sociais.

O decreto vai ser publicado na quarta-feira e entrar de imediato em vigor, podendo os imigrantes solicitar a regularização da situação a partir de quinta-feira e até 30 de junho, disse a ministra com da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, numa conferência de imprensa em Madrid.

Espanha reforçou em 550 pessoas as equipas ligadas a este processo, acrescentou a ministra.

O processo legislativo para concretizar a medida tem por base um "real decreto" do Governo que não terá de passar pelo parlamento espanhol, onde uma iniciativa semelhante, resultante de uma petição popular com 700 mil assinaturas e o apoio de 900 instituições, incluindo a Igreja Católica, foi admitida a debate, mas está bloqueada desde abril de 2024 pelos partidos de direita e extrema-direita. 

Elma Saiz considerou que o decreto agora aprovado tem um "tripla legitimidade, social, política e económica", referindo que, apesar do bloqueio parlamentar, a petição popular foi admitida a debate com o voto favorável de todos os partidos menos o Vox (extrema-direita) e sindicatos, associações empresariais e entidades de apoio social, como a Igreja Católica, apoiam a medida e a reivindicam "há meses ou até anos".

Saiz sublinhou que vai ser regularizada a situação de pessoas que já vivem em Espanha, a quem serão reconhecidos "plenos direitos" e que vão também poder passar "a cumprir as suas obrigações" e invocou os diversos estudos nacionais e internacionais que atribuem à imigração um papel determinante no crescimento da economia espanhola, mas também o peso no "rejuvenescimento da população".

Este processo destina-se a estrangeiros que viviam em Espanha há pelo menos cinco meses em 31 de dezembro de 2025 ou que tenham pedido proteção internacional às autoridades espanholas até à mesma data e que não tenham, nos dois casos, antecedentes penais.

A estimativa do governo é que 500 mil pessoas vejam a situação regularizada com este processo extraordinário.

Cerca de 840 mil pessoas viviam de forma irregular em Espanha em 2025, de acordo com uma estimativa do 'think tank' (grupo de reflexão) Funcas, feita com base em dados oficiais.

O mesmo estudo estima que a população estrangeira oriunda de países de fora da União Europeia em situação irregular em Espanha multiplicou-se oito vezes entre 2017 e 2025 (de 107 mil para 840 mil pessoas).

Espanha já fez nove processos de regularização extraordinária de imigrantes desde 1986, tanto por governos de esquerda como de direita.

O último foi em 2005, quando foi regularizada a situação de mais de 575 mil pessoas.

Itália suspende acordo de defesa com Israel... O Governo italiano "decidiu suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel, tendo em conta a situação atual", anunciou hoje a primeira-ministra, Giorgia Meloni.

© Remo Casilli/Reuters    Por  LUSA  14/04/2026 

A decisão, anunciada por Meloni em declarações aos jornalistas à margem de um evento em Verona, ocorre em vésperas de o memorando de cooperação, originalmente assinado em 2006, ser renovado automaticamente por mais cinco anos, e na sequência de vários atritos diplomáticos entre Roma e Telavive, devido às ações de Israel na Faixa de Gaza e, mais recentemente, no Líbano.

Na semana passada, o Governo italiano protestou junto de Israel, depois de um veículo italiano da missão da ONU no Líbano (Finul) ter sido atingido por tiros de advertência do exército israelita, convocou o embaixador israelita e advertiu que "os soldados italianos são intocáveis".

Já esta semana, na segunda-feira, Israel convocou o embaixador da Itália depois do ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, ter condenado os "ataques inaceitáveis" de Israel contra civis no Líbano, durante uma visita a Beirute.

Há vários meses que os partidos da oposição pediam ao governo de Meloni para suspender o acordo bilateral, que enquadra a cooperação entre os dois países nos setores da indústria de defesa, da formação militar, da investigação e das tecnologias da informação, entre outros.

Nas mesmas declarações à imprensa, Meloni reiterou ainda o repúdio às declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Papa Leão XIV, por este condenar a guerra em curso no Médio Oriente.

Meloni, que divulgou um comunicado na segunda-feira ao final do dia para condenar as palavras de Trump -- que considerou que Leão XIV é "fraco em relação ao crime e péssimo em política externa" -, reiterou que "as declarações sobre o papa foram inaceitáveis".

"Manifestei, e continuo a manifestar, a minha solidariedade com o Papa Leão. Vou mais longe: francamente, não me sentiria à vontade numa sociedade em que os líderes religiosos fazem o que os líderes políticos dizem", declarou a chefe de governo.

Considerada próxima de Trump, Meloni comentou ainda que, "quando se é amigo e se tem aliados, especialmente se forem estratégicos, também é preciso ter a coragem de dizer quando se discorda", e garantiu que Roma e Washington continuam a ter uma boa relação.

“GUINÉ-BISSAU NÃO TEM CONDIÇÕES FINANCEIRAS PARA MANTER UMA PRISÃO DE ALTA SEGURANÇA” – DG dos serviços prisionais

Por  JORNAL ODEMOCRATA   14/04/2026 

O diretor-geral dos Serviços Prisionais da Guiné-Bissau, Tcherno Jaló, afirmou que o país não dispõe, atualmente, de condições financeiras para suportar os custos operacionais de uma prisão de alta segurança. Diante dessa realidade, defendeu como prioridade a construção de um estabelecimento prisional de grande porte, com condições adequadas de funcionamento e que inclua uma ala destinada à alta segurança.

“Não temos capacidade para suportar os custos operacionais de uma estrutura prisional exclusivamente de alta segurança. O prioritário, neste momento, é construir uma prisão com uma ala de alta segurança, o que seria mais viável. Não temos condições para gerir uma prisão totalmente dedicada a esse perfil. Dispomos de um terreno em Ilondé, nos arredores de Bissau, com mais de 50 mil metros quadrados. Se conseguíssemos vedar o perímetro para evitar invasões e construir ali uma prisão convencional, incluindo uma ala de alta segurança, essa seria a solução ideal. Essa é a real necessidade do país em termos penitenciários”, afirmou o diretor dos Serviços Prisionais, numa entrevista ao Boletim Informativo do Observatório Guineense da Droga e Toxicodependência (BID), retomada na edição desta semana do Semanário O Democrata.

Na entrevista, Tcherno Jaló abordou ainda a situação atual dos centros prisionais do país e as perspetivas para o futuro do sistema penitenciário.

Sobre a faixa etária dos reclusos, explicou que a maioria da população prisional da Guiné-Bissau é composta por jovens. Ainda assim, sublinhou que há uma diversidade etária entre os detidos, incluindo pessoas com mais de 50 anos. Em Bissau, por exemplo, existe atualmente um recluso com 56 anos de idade.

BID: Que avaliação faz da política de centros prisionais na Guiné-Bissau?

Tcherno Jaló (TJ): A avaliação que faço é negativa, devido a vários fatores. Em primeiro lugar, destaco a falta de vontade política, essencial para o bom funcionamento dos estabelecimentos prisionais, bem como a incapacidade de atender às necessidades básicas dos serviços.

Outro fator crítico é a escassez de técnicos qualificados. O país não dispõe de quadros suficientes para suprir as lacunas existentes, o que afeta diretamente a eficiência das operações. Soma-se a isso a carência de materiais e recursos essenciais. Por essas razões, a minha avaliação do sistema penitenciário é desfavorável.

BID: Que comentários faz sobre o estado das infraestruturas dos três centros prisionais do país?

TJ: Recebi a visita de altos funcionários das Nações Unidas e fui muito sincero: considero que a Guiné-Bissau não possui verdadeiros estabelecimentos prisionais, mas sim infraestruturas com características de habitações adaptadas para alojar pessoas em conflito com a lei. Um estabelecimento prisional deve oferecer condições mínimas que permitam ao recluso cumprir a sua pena com dignidade, sem agravar problemas, sobretudo de saúde.

BID: Os serviços administrativos sob a dependência da sua direção conseguem responder às necessidades?

TJ: Fazemos o possível dentro das nossas limitadas capacidades. Muitas situações dependem de financiamento, e temos tido dificuldades. A Direção-Geral conta apenas comigo e com um funcionário contratado. Trata-se de um técnico de assistência social com contrato temporário com o Ministério da Justiça e Direitos Humanos. Não é funcionário efetivo. É ele quem me representa em diversas situações e, quando não é possível, recorremos a guardas prisionais para nos representarem em cerimónias oficiais.

BID: Que avaliação faz do trabalho do corpo da guarda prisional?

TJ: É um trabalho digno de elogio. Em 2012, quando a Guarda Prisional foi criada, contava com mais de 90 elementos. Hoje, restam menos de 60. Ainda assim, os guardas esforçam-se para garantir o funcionamento dos serviços, muitas vezes com apenas cinco homens por turno.

Por lei, um guarda deveria trabalhar um dia e descansar nos dois seguintes, retomando o serviço no quarto dia. Contudo, devido à falta de efetivos, essa norma não é cumprida, e os turnos acabam por ser excessivamente longos.

BID: A que se deve essa redução do número de efetivos?

TJ: Alguns faleceram, outros abandonaram a profissão por frustração com a falta de resultados e decidiram emigrar. Há também casos de afastamento disciplinar por incumprimento das normas estabelecidas.

BID: O sistema prisional tem exemplos de reintegração bem-sucedida?

TJ: Sim. Antes de mais, importa recordar que a finalidade da prisão é corrigir comportamentos e transmitir à sociedade uma mensagem dissuasora. No centro prisional de Bafatá, por exemplo, existia uma serralharia que formava reclusos, mas está atualmente inoperacional por problemas técnicos.

Um dos reclusos formados era um excelente serralheiro e ajudou a capacitar outros detidos. Produziam grelhas, camas, portas, fogões e outras ferramentas, que eram vendidas para gerar receitas. Além disso, hoje existe um ex-recluso que criou uma iniciativa de apoio a antigos presos, facilitando contactos com advogados e familiares.

BID: Como avalia os programas de recuperação existentes?

TJ: As atividades são, neste momento, quase inexistentes. A exceção é Bafatá, onde existem ações de tecelagem e agricultura. Em Mansoa, ainda funciona a criação de galinhas, mas a padaria e a alfaiataria estão paradas por razões técnicas. Os produtos agrícolas são consumidos nos centros e os excedentes vendidos nos mercados locais.

BID: Quais são as faixas etárias dos reclusos?

TJ: Não disponho, neste momento, de dados detalhados por faixa etária. No entanto, temos relatórios trimestrais. O que posso afirmar é que a maioria dos reclusos é jovem, embora existam detidos com mais de 50 anos.

BID: Como é feito o tratamento de reclusos doentes?

TJ: Dispomos de enfermarias para avaliação clínica. Casos mais graves são encaminhados para hospitais. Em situações de doenças infeciosas, como a tuberculose, recomenda-se a liberdade condicional para continuidade do tratamento. Temos também reclusos seropositivos, diabéticos e hipertensos que recebem a medicação adequada.

BID: O país precisa de uma prisão de alta segurança?

TJ: Não de uma exclusivamente de alta segurança. A solução mais viável é uma prisão convencional com uma ala de alta segurança. Não temos capacidade para gerir nem financiar uma estrutura totalmente dedicada a esse fim.

BID: Quais são as perspetivas para o futuro?

TJ: Estamos a investir na formação do pessoal. O Reino de Espanha comprometeu-se a enviar técnicos, e a União Europeia também aprovou ações formativas. Precisamos urgentemente de mais efetivos, fardamento, botas, algemas e bastões. Propusemos ainda ao governo a contratação de assistentes sociais e psicólogos para apoiar a reintegração dos reclusos.

Fonte: Boletim do OGDT  

ISRAEL: Ministro das Finanças israelita comparou o governo alemão ao nazismo... O ministro das Finanças de Israel comparou hoje o Governo alemão liderado por Friedrich Merz ao regime nazi, afirmando que já acabou o tempo em que Berlim ditava aos judeus "onde podiam ou não viver".

© MENAHEM KAHANA/AFP via Getty Images    Por LUSA    14/04/2026 

O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, reagia ao chanceler alemão, Freidrich Merz, que manifestou oposição à anexação da Cisjordânia por Israel.

"Senhor chanceler [Freidrich Merz], os dias em que os alemães ditavam aos judeus onde podiam ou não viver acabaram e não vão voltar. O senhor não nos vai forçar a viver em guetos novamente, muito menos na nossa própria terra", escreveu Smotrich hoje numa mensagem difundida através das redes sociais. 

"O nosso regresso à Terra de Israel - a nossa pátria bíblica e histórica - é a resposta a qualquer pessoa que nos tenha tentado ou esteja a tentar destruir, e não pedimos desculpa por isso, nem por um momento", acrescentou o ministro, que acusou ainda os membros do movimento Hamas de serem "nazis".

Na segunda-feira, Merz propôs ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a realização de "negociações de paz" com o Governo libanês no sentido do fim dos combates no Líbano, acrescentando que "não deve haver anexação de facto da Cisjordânia".

As posições do chanceler alemão foram transmitidas durante um contacto telefónico com o chefe do Governo de coligação de Israel. 

Smotrich, na mesma mensagem, referindo-se à Europa disse que rejeita instruções de líderes "hipócritas" acrescentando que o "continente está a perder a consciência e a capacidade de distinguir entre o certo e o errado".

Após os ataques do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023, a Alemanha demonstrou apoio a Israel, reprimindo os protestos de apoio à Palestina que se realizaram em território alemão. 


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Perto de uma centena de manifestantes foram detidos na segunda-feira durante um protesto em Nova Iorque, para pedir ao líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e à senadora Kirsten Gillibrand que bloqueiem a venda de bombas norte-americanas a Israel.

VENEZUELA: EUA dizem que 150 milhões de barris vendidos desde captura de Maduro... O secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou na segunda-feira que, desde a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foram vendidos pelo menos 150 milhões de barris de petróleo venezuelano.

© Nick Oxford/Reuters      Por  LUSA   14/04/2026 

"Arredondando, provavelmente terão sido vendidos 150 milhões de barris de petróleo venezuelano, talvez um pouco mais, mas algo assim, desde 03 de janeiro", declarou Wright durante uma intervenção no fórum Semafor World Economy, realizado em Washington. 

O responsável estimou em mais de 1,2 milhões de barris de crude por dia a produção atual do país latino-americano, o que representa, segundo explicou, um aumento face ao "pouco menos de" um milhão de barris diários antes da captura de Maduro em janeiro.

Wright sublinhou que um dos objetivos do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é atrair novamente as petrolíferas norte-americanas para Caracas, e apontou que existem cinco empresas petrolíferas dos EUA na Venezuela, desde produtores offshore --- empresas que exploram, desenvolvem e extraem petróleo e gás no leito marítimo --- até produtores convencionais e não convencionais em terra.

Por outro lado, o titular da pasta da Energia considerou "um prazo muito ambicioso" esperar que os preços do petróleo baixem este verão, prevendo, nesse sentido, preços da energia "altos e talvez, até, em alta" até que se consiga um "tráfego marítimo significativo" através do estratégico estreito de Ormuz.

"Uma vez terminado o conflito e quando a energia voltar a fluir, começará a verificar-se uma pressão em baixa, embora demore algum tempo", precisou Wright, sublinhando ainda que "quanto mais se prolongar o conflito, mais tardará a recuperação".

Maduro foi capturado no âmbito de uma operação realizada no início de janeiro pelo Exército norte-americano, em cumprimento de um mandado de captura do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que acusa o antigo Presidente venezuelano de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de armas.

Em janeiro passado, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou uma "associação produtiva" de longo prazo com os Estados Unidos, depois de Washington ter levantado as sanções a Caracas para permitir às empresas norte-americanas operar no mercado petrolífero venezuelano, como parte de um processo iniciado a 07 de janeiro que autoriza a venda e o transporte de crude para todo o mundo.

Isso abriu caminho para que a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) assinasse novos contratos de fornecimento com empresas comercializadoras de petróleo e derivados, destinados ao mercado norte-americano.

O próprio Presidente dos Estados Unidos qualificou como "realmente bom" o trabalho realizado por Rodríguez na exploração dos recursos petrolíferos, destacando que estão a ser extraídos "milhões, literalmente milhões de barris de petróleo".


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O Presidente norte-americano afirmou esta segunda-feira que acredita poder concentrar-se em Cuba assim que resolver a guerra contra o Irão, num momento em Washington garante que continua a manter contactos com Havana.

EUA propõem a Irão pausa de 20 anos no enriquecimento de urânio... Os Estados Unidos propuseram uma suspensão de 20 anos do programa de enriquecimento de urânio iraniano, com vista a um acordo para pôr fim à guerra, informou a comunicação social norte-americana na segunda-feira.

© Lusa   14/04/2026 

Jornais norte-americanos, que citam responsáveis próximos das discussões, realizadas no sábado em Islamabade, Washington pediu a Teerão, nessa ocasião, que se comprometesse a não enriquecer urânio durante duas décadas. 

Esta pausa de 20 anos seria acompanhada por um alívio das sanções, indica o Wall Street Journal.

Em troca, o Irão teria proposto suspender as atividades nucleares durante cinco anos, escreveu, por sua vez, o The New York Times

O Presidente norte-americano, Donald Trump, desencadeou a guerra em 28 de fevereiro, afirmando que o Irão estava a desenvolver uma bomba atómica --- o que Teerão nega --- e prometendo nunca permitir que o país tivesse uma arma nuclear.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, saiu de mãos vazias das negociações com o Irão no domingo, sendo que os principais pontos de discórdia dizem respeito à reabertura do estreito de Ormuz e ao programa nuclear iraniano.

Estas propostas relatadas pela imprensa dos EUA parecem ser uma versão atenuada das exigências formuladas publicamente por Donald Trump, que exigiu que o Irão renunciasse definitivamente às ambições nucleares.

Em 2018, durante o primeiro mandato presidencial, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear celebrado em 2015 entre o Irão e as grandes potências, um documento que previa um alívio das sanções em troca de limitações rigorosas ao enriquecimento de urânio e de um controlo reforçado das instalações do país.

"Uma coisa é os iranianos afirmarem que não irão dotar-se de armas nucleares, mas outra coisa é nós implementarmos os mecanismos necessários para garantir que isso não aconteça", afirmou JD Vance na segunda-feira, no final das negociações de paz infrutíferas no Paquistão, acrescentando que os Estados Unidos apresentaram "linhas vermelhas claras".

O Irão já afirmou excluir qualquer restrição ao direito de enriquecer urânio no âmbito do que afirma ser um programa nuclear civil.

A "questão central" é a retirada de todo o urânio que o Irão já enriqueceu a alto nível, bem como "a garantia de que não haverá mais enriquecimento nos próximos anos, ou mesmo nas próximas décadas", indicou na segunda-feira o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aliado próximo de Trump.

Moscovo anunciou na segunda-feira que está disposta a acolher em território russo urânio enriquecido iraniano, no âmbito de um eventual acordo de paz entre Washington e Teerão.


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Quatro congressistas democratas e republicanos podem ser excluídos nos próximos dias da Câmara dos Representantes dos EUA, que só conheceu tal cenário por seis vezes na sua história.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

VENEZUELA: Delcy nomeia ex-ministro da Defesa Vladimir Padrino para a Agricultura... A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nomeou hoje o ex-ministro da Defesa Vladimir Padrino López como novo titular do Ministério da Agricultura e Terras.

© Federico PARRA / AFP via Getty Images    Por LUSA   13/04/2026 

Padrino López, indicou Rodríguez no seu canal do Telegram, "assume o compromisso de impulsionar a produção agrícola para garantir o abastecimento nacional e contribuir para o novo modelo económico diversificado do país".  

No passado dia 18 de março, dois meses após a captura do presidente Nicolás Maduro numa operação militar norte-americana em Caracas, a presidente interina destituiu Padrino López após mais de uma década como ministro da Defesa no país e nomeou no seu lugar o general Gustavo González López. 

Padrino López ocupou esta pasta desde 24 de outubro de 2014, tendo sido nomeado na sequência de uma onda de protestos antigovernamentais em massa que marcaram o início do primeiro mandato presidencial de Maduro. 

Desde 05 de janeiro, quando tomou posse como presidente interina, Delcy Rodríguez fez várias mudanças no governo, entre elas a nomeação de Paula Henao como ministra de Hidrocarbonetos e a de Luis Villegas para o Ministério das Indústrias e do Comércio Nacional, em substituição do empresário de origem colombiana Alex Saab, que esteve preso nos Estados Unidos e era próximo de Maduro. 

A mandatária interina iniciou um processo de aproximação com a Administração de Donald Trump - a quem chamou de "parceiro e amigo" - e recebeu na capital venezuelana vários altos funcionários norte-americanos, como os secretários da Energia e do Interior, Chris Wright e Doug Burgum, respetivamente.

A administração Trump surpreendeu os venezuelanos ao optar por trabalhar com Rodríguez após a destituição de Maduro, ignorando a oposição política do país. 

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem elogiado o seu trabalho com frequência.

Desde então, Rodríguez tem colaborado na implementação do plano faseado da administração para pôr fim à complexa crise do país, promovendo o setor do petróleo junto de investidores internacionais e abrindo o seu setor energético ao capital privado e à arbitragem internacional.  

O Departamento de Justiça norte-americano acusa Maduro de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de armas, considerando que não era um chefe de Estado soberano com imunidade, mas sim um fugitivo da justiça com uma recompensa de 50 milhões de dólares pela sua captura.  


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O sistema de controlo biométrico dos aeroportos nacionais entrou em pleno funcionamento na passada sexta-feira, mas o sistema tem sido interrompido sempre que se formam largas filas de passageiros, de forma a garantir que conseguem embarcar a tempo e horas.

Cérebro 'rejuvenesce' 10 anos quando passa menos tempo ao telemóvel... Estes foram os resultados de um estudo publicado em 2025, realça o Huffington Post. Os participantes demonstraram menos sintomas de ansiedade e depressão após uma redução do tempo no telemóvel.

© Shutterstock    noticiasaominuto.com  13/04/2026 

Há pesquisadores que acreditam que passar muito tempo ao telemóvel pode acelerar o envelhecimento cerebral. Um estudo, inclusive, apurou que fazer scroll poderá estar ligado a um maior risco de demência.  

Um outro estudo, publicado pelo PNAS em 2025, realça que as mudanças negativas usadas ao uso contínuo do telemóvel não são, necessariamente, permanentes. 

Os investigadores apuraram que estar sem telemóvel duas semanas está associado à melhoria do bem estar, saúde mental e atenção, dados equivalente a um "rejuvenescimento de 10 anos" no cérebro.

Em que consistiu o estudo?

Nesta pesquisa, os participantes usaram uma aplicação que transformava os seus smartphones em 'dumbphones', isto é, desativava o acesso à internet, mantendo apenas a capacidade dos aparelhos receberem chamadas e mensagens escritas. A idade média dos participantes era de 32 anos. 

Após um período de 14 dias, o tempo que as pessoas passavam em frente ao ecrã diminuiu quase para metade (de 314 minutos por dia para 161 minutos).

Estas também se mostravam menos deprimidas e ansiosas, um efeito que, segundo o estudo, foi "superior ao de antidepressivos".

O bem estar subjetivo, isto é, o quão bem os participantes disseram que se sentiam, também aumentou significativamente.

Para os investigadores, estes resultados são frutos não da desintoxicação digital em si, mas sim dos "mediadores do uso de tempo, conexão social, autocontrolo e do sono" que a redução do tempo online permite. 

Equilíbrio digital: não precisa de ser perfeito!

No que diz respeito à relação com os ecrãs, a boa notícia é que não precisa de ser perfeito. "Mesmo aqueles que não aderiram completamente à intervenção sentiram melhorias significativas, embora mais modestas", realça o artigo com os resultados do estudo. 

Tal "sugere que bloquear completamente a internet móvel não é necessário para produzir benefícios. Em vez disso, simplesmente reduzir o uso da internet móvel pode ser suficiente". 

"Equilibrar os benefícios práticos que os smartphones oferecem com estas consequências negativas significativas é uma tarefa importante para os que usam smartphones. Os nossos resultados sugerem que, para muitas pessoas, passar menos tempo com os dispositivos pode ajudar a alcançar esse equilíbrio". 

Guiné-Bissau - Tribunal Militar Superior iliba Bubu Na Tchuto e suspende medidas de coação

@Radio TV Bantaba 

O Tribunal Militar Superior decidiu favoravelmente ao suspeito Bubu Na Tchuto, rejeitando o pedido de condenação a seis anos de prisão apresentado pela promotoria militar.

A decisão foi anunciada durante a leitura do acórdão realizada esta tarde, num processo que vinha sendo acompanhado com grande expectativa. Para além de recusar a condenação, o tribunal determinou também a suspensão de todas as medidas de coação anteriormente impostas ao arguido.

Com esta decisão, Bubu Na Tchuto poderá aguardar em liberdade os próximos desenvolvimentos do processo, caso venham a existir.

Entretanto, aguarda-se a reacção do seu advogado, que deverá pronunciar-se nas próximas horas sobre o desfecho do julgamento.


Guiné-Bissau: Financiamento do Banco Mundial volta após golpe de Estado... O Banco Mundial retomou, no início de abril, os desembolsos relativos às operações em curso na Guiné-Bissau, depois de terem sido suspensos no seguimento do golpe de Estado de novembro, confirmou hoje à Lusa a instituição.

© Lusa   13/04/2026 

"Na sequência da suspensão das operações após o golpe de Estado de novembro de 2025 e de uma revisão da carteira de projetos, os desembolsos relativos às operações existentes foram retomados a partir de 3 de abril de 2026", disse uma fonte oficial do Banco Mundial. 

Na declaração, a mesma fonte sublinhou que "as novas operações continuam sujeitas a uma avaliação separada" e acrescentou: "O Banco Mundial continua empenhado em apoiar o desenvolvimento da Guiné-Bissau".

"O nosso foco centra-se no reforço das instituições, na formação de capital humano e na consolidação dos ganhos de desenvolvimento para o povo da Guiné-Bissau", disse à Lusa a mesma fonte.

A confirmação da retoma dos desembolsos para as operações em curso surge depois da suspensão anunciada a 14 de janeiro, devido ao golpe de Estado de novembro do ano passado.

"O Grupo Banco Mundial está a monitorizar atentamente a situação na Guiné-Bissau", disse uma fonte oficial em resposta a questões da Lusa a 14 de janeiro, quando confirmou que os desembolsos e os projetos tinham sido suspensos neste país lusófono africano.

Entre os projetos em curso no país, o Banco Mundial tem um projeto de resposta a emergências, vários na área da melhoria da conectividade, fortalecimento da administração pública e um financiamento significativo ao recenseamento da população, previsto para começar no final deste mês.

Um autoproclamado Alto Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau no dia 26 de novembro de 2025, na véspera da proclamação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido no dia 23 do mesmo mês, depondo o então Presidente cessante e recandidato Sissoco Embaló, que, entretanto, abandonou o país.

Na sequência deste golpe de Estado, vários responsáveis políticos da oposição, magistrados, membros da Comissão Nacional das Eleições e o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, foram detidos. Já o candidato que reclama vitória nas presidenciais da Guiné-Bissau, Fernando Dias, "foi forçado a procurar refúgio na Embaixada da Nigéria durante mais de sessenta dias". 

 O general Hora Inta-a foi designado pelos militares Presidente da República de transição, que, por sua vez, instituiu um Governo e um Conselho Nacional de Transição (CNT), que substituiu o parlamento.