terça-feira, 23 de junho de 2026

MISSÃO CONJUNTA DA CEDEAO, UA E UMOWAS PROSSEGUE PARA AVALIAR PREPARAÇÃO DAD ELEIÇÕES NA GÂMBIA

Foto: CEDEAO   Rádio Sol Mansi   23 06 2026 

A missão conjunta de avaliação pré-eleitoral da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, da União Africana e do Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel continua a realizar consultas com as principais partes interessadas no processo eleitoral gambiano, com vista a avaliar o nível de preparação para as eleições presidenciais previstas para 5 de dezembro de 2026.

Segundo o gabinete de comunicação da organização, a missão, que decorre em Banjul entre os dias 14 e 21 de junho, tem como principal objetivo analisar o ambiente político e eleitoral do país, bem como identificar iniciativas capazes de fortalecer a confiança entre os diferentes intervenientes do processo, contribuindo para a realização de eleições livres, transparentes e credíveis.

No âmbito das suas atividades, a delegação reuniu-se com representantes da Comissão Interpartidária, organizações da sociedade civil, órgãos de comunicação social e entidades ligadas ao setor da justiça. 

As consultas permitiram à missão obter uma visão abrangente dos contextos político e mediático que antecedem as eleições, compreender as principais preocupações dos diferentes atores e identificar as necessidades de apoio técnico e financeiro consideradas essenciais para o bom desenrolar do processo eleitoral.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Por que não nos lembramos de quando éramos bebês? Estudo responde... A incapacidade de lembrar eventos específicos dos primeiros anos de vida é chamada, tecnicamente, de "amnésia infantil"

Estudo fornece pistas do porquê não temos lembranças de quando éramos bebês  • Giselleflissak/GettyImages  Por  CNN Brasil

Quando nos tornamos adultos, ainda temos algumas lembranças da nossa infância e adolescência, mas é muito difícil ter memórias de quando éramos bebês. Essa incapacidade de lembrar eventos específicos dos primeiros anos de vida é chamada, tecnicamente, de "amnésia infantil". Uma nova pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Yale, trouxe novas evidências do porquê isso acontece.

Publicado na revista Science, o estudo teve como objetivo entender o que acontece, ao longo do tempo, com as memórias criadas em nossos cérebros nos primeiros anos de vida. Para isso, os pesquisadores mostraram a bebês novas imagens e depois testaram se eles se lembravam delas.

A equipe mostrou essas imagens de um novo rosto, objeto ou cena a bebês de quatro meses a dois anos. Mais tarde, depois que os bebês tinham visto várias outras imagens, os pesquisadores mostraram a eles uma imagem vista anteriormente ao lado de uma nova.

“Quando os bebês viram algo apenas uma vez antes, esperamos que eles olhem mais quando o virem novamente”, explica Nick Turk-Browne, professor de psicologia na Faculdade de Artes e Ciências de Yale e autor sênior do estudo. “Então, nesta tarefa, se um bebê olha mais para a imagem vista anteriormente do que para a nova ao lado dela, isso pode ser interpretado como o bebê reconhecendo-a como familiar.”

Os pesquisadores mediram a atividade no hipocampo -- área do cérebro responsável por reter as memórias -- dos bebês enquanto visualizavam as imagens. Especificamente, os cientistas avaliaram se essa atividade estava relacionada à força das memórias de uma criança.

Eles descobriram que quanto maior a atividade no hipocampo quando a criança estava olhando para uma nova imagem, mais tempo a criança olhava para ela quando reaparecia mais tarde. A parte posterior do hipocampo, onde a atividade de codificação era mais forte, é a mesma área associada à memória episódica em adultos.

Essas descobertas foram verdadeiras em toda a amostra de 26 bebês, mas foram mais fortes entre aqueles com mais de 12 meses (metade do grupo da amostra). Esse efeito da idade está levando a uma teoria mais completa de como o hipocampo se desenvolve para dar suporte ao aprendizado e à memória, segundo Turk-Browne.

O trabalho mostra que as memórias episódicas podem ser codificadas pelo hipocampo mais cedo do que se pensava, muito antes das primeiras memórias que podemos relatar como adultos. Uma das teorias dos pesquisadores é que essas memórias podem não ser armazenadas a longo prazo. Outra possibilidade é de que as memórias continuam "armazenadas" por muito tempo depois da codificação e, simplesmente, não conseguimos acessá-las.

Em um trabalho contínuo, a equipe de Turk-Browne está testando se bebês, crianças pequenas e crianças conseguem se lembrar de vídeos caseiros feitos de sua perspectiva quando eram bebês (mais novos), com resultados provisórios mostrando que essas memórias podem persistir até a idade pré-escolar antes de desaparecerem.

"Estamos trabalhando para rastrear a durabilidade das memórias hipocampais ao longo da infância e até mesmo começando a entreter a possibilidade radical, quase de ficção científica, de que elas podem perdurar de alguma forma na idade adulta, apesar de serem inacessíveis", afirma o autor.

INE PROLONGA RECENSEAMENTO GERAL DA POPULAÇÃO E HABITAÇÃO ATÉ 26 DE JUNHO

Por Rádio Sol Mansi  22.06.2026 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou esta segunda-feira a prorrogação do Quarto Recenseamento Geral da População e Habitação até ao dia 26 de junho. A operação, inicialmente prevista para decorrer entre 1 e 21 de junho, foi prolongada para permitir a cobertura dos agregados familiares que ainda não foram recenseados.

O anúncio foi feito em Bissau durante uma conferência de imprensa destinada a informar a população sobre o andamento dos trabalhos e a apresentar os dados provisórios já recolhidos.

Na ocasião, o Presidente do INE, Roberto Vieira, garantiu que os trabalhos de recenseamento já chegaram a todo o território nacional, considerando o processo um passo importante para a obtenção de dados fiáveis sobre a população guineense.

Por sua vez, o Diretor Técnico Nacional do INE, Donato Candança Pereira, apresentou os números registados até ao dia 22 de junho, destacando a evolução positiva da operação em todas as regiões do país.

Entretanto, o Conselheiro Técnico Principal do Instituto Nacional de Estatística da Guiné-Bissau, Luciano Tavares Duarte, apelou à colaboração dos cidadãos, sublinhando que a qualidade dos dados depende da participação de toda a população.

Segundo explicou, a recusa em prestar informações pode comprometer a exatidão dos resultados estatísticos. Duarte assegurou ainda que todos os dados recolhidos são confidenciais e utilizados exclusivamente para fins estatísticos, garantindo que os nomes e os rendimentos dos cidadãos não serão divulgados.

O Quarto Recenseamento Geral da População e Habitação é considerado uma ferramenta fundamental para o planeamento do desenvolvimento nacional, permitindo ao Estado dispor de informações atualizadas sobre a realidade demográfica, social e económica do país e definir políticas públicas mais adequadas às necessidades da população.

❗️ATENÇÃO || REGIME ESPECIAL 2026 🇬🇼

Por  Consulado Geral da República da Guiné-Bissau no Algarve - Portugal

Timor-Leste irá assumir a próxima presidência da CPLP... O primeiro-ministro de Timor-Leste anunciou hoje, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência atual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau.

© Lusa    22/06/2026 

"O [período de presidência] 'Pro Tempore' é o período que pertenceria à Guiné-Bissau. Depois da Guiné-Bissau somos nós. Portanto, o próximo somos nós", declarou o primeiro-ministro timorense, Kay Rala Xanana Gusmão, aos jornalistas, em Lisboa, quando questionado sobre o destino da próxima presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). 

Sobre a Guiné-Bissau, que presidiu à organização entre agosto e dezembro de 2025, quando foi suspensa da CPLP, e de outras organizações internacionais, devido ao golpe militar de 26 de novembro, Xanana Gusmão respondeu que a organização se está a esforçar para ajudar o país, mas salvaguardou que respeita o princípio da não-interferência.

"Há o princípio de não-interferência, mas deve haver também o princípio de obedecer, seguir os princípios universais de direitos humanos, da Democracia", declarou o ex-Presidente da República de Timor-Leste.

"Eu não posso dizer quando, mas acredito que os guineenses vão compreender quanto custa a nós perceber e quanto custa a eles viver numa sociedade em que os direitos humanos não são uma regra, uma norma", declarou. 

Para o governante, esta é uma "questão complicada" e de difícil previsão. 

"O que temos para dizer é que vai haver todo o esforço para podermos ajudar a mudar a situação ali", rematou. 

Sobre a morte do ex-Presidente de Timor-Leste Francisco Guterres, respondeu que a única certeza que temos na vida é a morte, apenas não sabemos "quando, onde e como".

Durante a conferência de imprensa que sucedeu à sessão solene com a secretária-executiva, Maria de Fátima Jardim, e representantes permanentes dos Estados-membros junto da CPLP, o líder histórico timorense declarou que esta visita à sede foi ainda mais essencial pelo facto de a organização estar prestes a fazer 30 anos, que se assinalam a 17 de julho. 

"Neste aniversário reafirmamos o nosso compromisso com a unidade na diversidade e reforçamos os laços históricos, culturais e políticos que unem os nossos povos de língua portuguesa", referiu, no seu discurso. 

"Hoje, tivemos ainda a oportunidade de refletir sobre a importância do multilateralismo, do diálogo e da cooperação para o desenvolvimento dos nossos povos num contexto internacional marcado por incertezas e instabilidade", prosseguiu.

Por fim, referiu que foram abordados temas centrais para os cidadãos lusófonos, em particular a mobilidade no espaço da CPLP, e a vontade em aprofundar a união e cooperação económica, bem como a vontade em fortalecer a cooperação para os oceânos e aproximar a CPLP de outras regiões estratégicas do mundo, particularmente com a região da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), de que Timor-Leste faz parte.

A 26 de novembro de 2025, na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas em 23 de novembro, houve um golpe militar na Guiné-Bissau.

A junta militar proclamou o general Horta Inta-a chefe de um Governo de transição de um ano, com eleições previstas para dezembro deste ano.

Na sequência do golpe, a Guiné-Bissau foi suspensa da CPLP, da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que reclamam o regresso à normalidade constitucional.

O líder do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e ex-secretário-executivo da CPLP (2008-2010), Domingos Simões Pereira, foi detido e está em prisão domiciliária.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

SAÚDE MENTAL: Mais de metade dos portugueses poderão sofrer de uma doença do cérebro... Um novo relatório alerta para o impacto crescente das doenças neurológicas e mentais em Portugal. Mais de metade da população poderá ser afetada ao longo da vida, num cenário que pode chegar aos dois terços, com custos de saúde que já ultrapassam os 4,7 mil milhões de euros anuais.

© Shutterstock   Por  noticiasaominuto.com    22/06/2026 

Um novo relatório sublinha que mais de metade dos portugueses terá, ao longo da vida, uma doença neurológica ou mental, "um valor que poderá chegar a dois terços da população. O custo direto em saúde já ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros por ano", revela um comunicado de imprensa. 

Os dados do relatório Headway - intitulado "Saúde do Cérebro em Portugal: Um roteiro para o investimento no capital humano" - foram discutidos no evento "Brain Collective – Cérebros Saudáveis, Sociedades Vibrantes", que reuniu especialistas em saúde, economia e políticas públicas, promovido pela Angelini Pharma. 

"As doenças do cérebro são o grupo de patologias mais prevalente em Portugal. No seu conjunto, as condições neurológicas afetam quase metade da população (47,1%). Em paralelo, as perturbações mentais, por si só, afetam mais de uma em cada cinco pessoa", realça-se. 

Assim, "estima-se que mais de metade dos portugueses venha a ser afetado por pelo menos uma perturbação neurológica ou mental, podendo este valor chegar a dois terços da população. O impacto económico destas condições ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde". 

Os alertas não se ficam por aqui. O relatório, desenvolvido pelo TEHA Group (subsidiária do think tank The European House – Ambrosetti) em parceria com a Angelini Pharma, sublinha que "Portugal em apenas 4,6 neurologistas e 13,6 psiquiatras por 100.000 habitantes, números abaixo da média europeia. No caso da epilepsia, 44% dos doentes não têm acompanhamento médico regular, e persistem lacunas significativas no apoio e na representação dos mesmos". 

"Continuamos a separar a saúde mental da saúde física, mas a saúde é uma só e começa no cérebro. Enquanto o estigma impedir as pessoas de procurar ajuda e os sistemas não integrarem os cuidados, vamos continuar a falhar. Estes dados devem servir para nos unir numa única missão: cuidar da pessoa como um todo", sublinhou o psiquiatra Gustavo Jesus. 

Do ponto de vista dos cuidados de saúde primários, Nuno Jacinto, especialista em Medicina Geral e Familiar e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), sublinhou: "O médico de família é, muitas vezes, a primeira porta de entrada para estes doentes. Somos essenciais no diagnóstico precoce e no acompanhamento, mas precisamos de mais formação, de melhores ferramentas e de uma articulação eficaz com os cuidados hospitalares. Reforçar os cuidados de saúde primários é o primeiro passo para um sistema mais eficiente."

"O país precisa de um Plano Nacional para a Saúde do Cérebro, com metas mensuráveis, financiamento dedicado e uma abordagem que integre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A oportunidade está quantificada: transformar um custo de 4,7 mil milhões de euros num investimento com retorno comprovado para as pessoas, para as famílias e para a economia", termina o comunicado. 

PORTUGAL: Mais imigrantes e menos jovens. Quem vive em Portugal? Eis os números... O Instituto Nacional de Estatística atualizou o número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras. Qual o retrato da população no nosso país em 2025?

© Reuters   Por  Notícias ao Minuto com Lusa   22/06/2026 

Portugal tem 11.424.031 residentes, dos quais 1.597.539 são estrangeiros (representando 14,0% do total da população residente). Os dados foram revelados esta segunda-feira, dia 22 de junho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nos quais se assinala ainda que, relativamente a 2024, houve "um aumento de 36.809 pessoas (0,32%)".

De acordo com as estimativas de população residente de 2025, apresentadas hoje e que incluem revisões dos números referentes ao período entre 2021 e 2024, a 31 de dezembro de 2025, a população em Portugal tem 11.424.031 pessoas, mais do que os valores apresentados no ano passado, referente a 2024 (10.749.635), que também foram atualizados para 11.387.222. 

Em 2024, em vez dos 1,6 milhões de estrangeiros residentes, o INE havia contabilizado apenas 177.557 pessoas.

De acordo com o INE, os dados anteriormente divulgados foram atualizados, concluindo que, "entre 2021 e 2025, a população residente aumentou 824.914 pessoas, destacando-se os anos de 2022, 2023 e 2024, nos quais se verificaram fluxos migratórios excecionalmente elevados, traduzindo-se em acréscimos populacionais", respetivamente, de 330 mil, 275 mil e 183 mil pessoas.

Por outro lado, "o envelhecimento demográfico em Portugal continuou a acentuar-se, ainda que atenuado pelo reforço relativo da população em idade ativa" e em 2025, o índice de envelhecimento atingiu o valor de quase o dobro de idosos do que jovens "19 idosos por cada 10 jovens", quando em 2021 os valores eram de 18 por 10.

Já a idade mediana da população residente em Portugal passou para 45,8 anos, quando em 2021, data dos últimos censos, era de 46,1, indicando ligeiro rejuvenescimento.

1,6 milhões de estrangeiros residentes. Mais de um terço são brasileiros

De acordo com os dados das estimativas da população residente em 2025, hoje apresentadas pelo INE, a população residente de nacionalidade estrangeira em Portugal "foi estimada em 1.597.539 pessoas, das quais 913.249 (57,2%) homens e 684.290 (42,8%) mulheres, representando 14,0% do total da população residente".

No que diz respeito às nacionalidades, o INE estima que residiam em 2025 um total de "574.195 cidadãos de nacionalidade brasileira, o que corresponde a 35,9% da população estrangeira residente", mais do que duplicando o número em relação a 2021 (106,5%), com um acréscimo de 296.086 pessoas.

"A nacionalidade angolana era, em 2025, a segunda principal nacionalidade estrangeira, abrangendo 103.140 pessoas (6,5% do total de estrangeiros), o que representa igualmente um acentuado aumento em comparação com 2021 (33.099)".

Seguem-se os indianos (93.683 pessoas, com 37.914 em 2021), cabo-verdianos (76.099), nepaleses (56.866), cidadãos do Bangladesh (56.724) e guineenses (53.555).

A seguir a estas nacionalidades, seguem-se os ucranianos (53.555), são-tomenses (47.731), paquistaneses (39.638), cidadãos do Reino Unido (38.640), italianos (32.784), franceses (26.549), chineses (23.439) e alemães (21.635), na lista publicada pelo INE.

Numa comparação entre os dados de 2021 e 2025, segundo o INE, os são-tomenses constituem o grupo de imigrantes que mais aumentou em termos percentuais (mais 263%), seguindo-se os cidadãos do Bangladesh (230%), do Paquistão (215%) e angolanos (212%), as únicas nacionalidades que triplicaram o seu volume.

E quanto às regiões? Norte concentra 33,2%, segue-se Grande Lisboa

O Instituto Nacional de Estatística divulgou também uma análise por regiões, a partir das regiões-plano (NUT2), na qual se revela que o Norte é a região "onde reside o maior número de pessoas (3.790.554), concentrando 33,2% do total da população, seguida pela Grande Lisboa (2.415.261) e pelo Centro (1.771.259), onde residem, respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total".

"Em 2025, a região Grande Lisboa, onde residiam 546.419 pessoas de nacionalidade estrangeira, concentrava 34,2% do total de estrangeiros em Portugal, seguindo-se a região Norte, com 311.095 residentes de nacionalidade estrangeira e representando 19,5% do total", pode ler-se nas conclusões do INE

Numa análise proporcional, os Açores são a região com menor número de população estrangeira (apenas 0,6% do total) enquanto "o Algarve, com 161.556 estrangeiros, destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes na região, com 27,9%", seguindo-se Lisboa (22,6%) e Península de Setúbal (18,3%).

De vincar ainda que presença de imigrantes também contribuiu para um aumento da população ativa, contrariando a redução da população jovem. "Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (população dos 0 aos 14 anos de idade) diminuiu de 13% para 12,4% da população total" e a "percentagem de pessoas em idade ativa (população dos 15 aos 64 anos de idade) aumentou, de 63,7% para 64,3%, contributo dos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade", refere o INE.

Imigrantes têm assegurado a reposição da população em Portugal

Segundo os dados do INE, o aumento dos imigrantes permanentes em Portugal começou a diminuir em Portugal em 2024, quando o Governo mudou as regras migratórias, mas a entrada regular de estrangeiros tem assegurado a reposição da população.

Entre 2024 e 2025, o aumento da população residente foi de 36.809 pessoas, que só se verificou porque continuaram a entrar imigrantes no país, já no quadro das novas medidas migratórias, definidas pelo Executivo PSD/CDS.

Por sua vez, o Governo, pela voz do ministro da Presidência disse que a revisão do número de estrangeiros residentes em Portugal divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) significa que "a imigração hoje está controlada".

"Se o Governo não tivesse, no início do verão de 2024, acabado com a manifestação de interesse e depois regulado os outros fluxos, hoje estaríamos a falar de uma realidade em que a população imigrante representaria 20% da população total", disse António Leitão Amaro, à margem da sessão de abertura da conferência 'Bibliotecas e Poder Local: cidadania, redes e futuro', na Torre do Tombo, em Lisboa.


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O secretário de Estado Adjunto e do Trabalho português, Adriano Rafael Moreira, disse hoje, em Maputo, que Portugal vai recrutar este ano quase 160 trabalhadores moçambicanos para as áreas de transportes, metalomecânica e construção civil.

Netanyahu dá a Exército israelita "total liberdade de ação" no Líbano... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje ter dado ao Exército "total liberdade de ação para frustrar qualquer ameaça direta ou iminente" procedente do Líbano, num comunicado em vídeo divulgado pelo seu gabinete.

© Lusa    22/06/2026 

"A ordem que o ministro da Defesa (Israel Katz) e eu demos ao Exército israelita é clara e não mudou: os nossos combatentes no sul do Líbano têm total liberdade de ação para frustrar qualquer ameaça direta ou iminente contra eles ou contra os habitantes do norte", declarou Netanyahu.

O chefe do Governo israelita afirmou também que o Exército, apoiado por si e "por todo o povo" de Israel, não tem "qualquer restrição" quanto às suas operações no país vizinho, do qual atualmente ocupa cerca de 570 quilómetros quadrados.

No comunicado, Netanyahu insistiu que Israel permanecerá na "faixa de segurança" -- como se refere ao território libanês ocupado -- "durante o tempo que for necessário" para "proteger os habitantes do norte e todos os cidadãos do país".

Apesar do memorando de entendimento alcançado entre os Estados Unidos e o Irão na semana passada, que inclui a frente libanesa, o Governo de Netanyahu reivindicou o direito de Israel de continuar a ocupar território do país vizinho e a trocar fogo com o movimento xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerão.

Este ponto de fricção, que por diversas vezes fez perigar as negociações para o fim da guerra no Médio Oriente, tinha parecido abrandar no fim de semana, quando Israel reduziu a intensidade e a frequência dos seus ataques em território libanês, após uma trégua não-oficial com o Hezbollah, anunciada na tarde de sexta-feira.

O número de mortos da ofensiva israelita no Líbano desde 02 de março atingiu 4.106, ao passo que o número de feridos é 12.153, segundo os mais recentes dados divulgados pelas autoridades libanesas no domingo.


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O Líbano sofreu danos estimados em mais de mil milhões de dólares e mais de 11.000 edifícios destruídos no sul devido ao conflito entre Israel e o movimento xiita Hezbollah, indicou um estudo hoje divulgado.

INE: Mais de um terço dos estrangeiros em Portugal são brasileiros... Dos 1,6 milhões de estrangeiros residentes em Portugal, 574 mil são brasileiros, uma contagem global que continua a indicar mais homens do que mulheres imigrantes, segundo dados hoje divulgados pelo INE.

© Lusa   22/06/2026 

De acordo com os dados das estimativas da população residente em 2025, hoje apresentadas pelo INE, a população residente de nacionalidade estrangeira em Portugal "foi estimada em 1.597.539 pessoas, das quais 913.249 (57,2%) homens e 684.290 (42,8%) mulheres, representando 14,0% do total da população residente".

No que diz respeito às nacionalidades, o INE estima que residiam em 2025 um total de "574.195 cidadãos de nacionalidade brasileira, o que corresponde a 35,9% da população estrangeira residente", mas do que duplicando o número em relação a 2021 (106,5%), com um acréscimo de 296.086 pessoas.

"A nacionalidade angolana era, em 2025, a segunda principal nacionalidade estrangeira, abrangendo 103.140 pessoas (6,5% do total de estrangeiros), o que representa igualmente um acentuado aumento em comparação com 2021 (33.099)".

Seguem-se os indianos (93.683 pessoas, com 37.914 em 2021), cabo-verdianos (76.099), nepalês (56.866), cidadãos do Bangladesh (56.724) e guineenses (53.555).

A seguir a estas nacionalidades, seguem-se os ucranianos (53.555), são-tomenses (47.731), paquistaneses (39.638), cidadãos do Reino Unido (38.640), italianos (32.784), franceses (26.549), chineses (23.439) e alemães (21.635), na lista publicada pelo INE.

Numa comparação entre os dados de 2021 e 2025, segundo o INE, os são-tomenses constituem o grupo de imigrantes que mais aumentou em termos percentuais (mais 263%), seguindo-se os cidadãos do Bangladesh (230%), do Paquistão (215%) e angolanos (212%), as únicas nacionalidades que triplicaram o seu volume.

Numa análise a partir das regiões-plano (NUT2), o Norte é a região "onde reside o maior número de pessoas (3.790.554), concentrando 33,2% do total da população, seguida pela Grande Lisboa (2.415.261) e pelo Centro (1.771.259), onde residem, respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total".

"Em 2025, a região Grande Lisboa, onde residiam 546.419 pessoas de nacionalidade estrangeira, concentrava 34,2% do total de estrangeiros em Portugal, seguindo-se a região Norte, com 311.095 residentes de nacionalidade estrangeira e representando 19,5% do total", pode ler-se nas conclusões do INE

Numa análise proporcional, os Açores são a região com menor número de população estrangeira (apenas 0,6% do total) enquanto "o Algarve, com 161.556 estrangeiros, destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes na região, com 27,9%", seguindo-se Lisboa (22,6%) e Península de Setúbal (18,3%).

A presença de imigrantes também contribuiu para um aumento da população ativa, contrariando a redução da população jovem.

"Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (população dos 0 aos 14 anos de idade) diminuiu de 13% para 12,4% da população total" e a "percentagem de pessoas em idade ativa (população dos 15 aos 64 anos de idade) aumentou, de 63,7% para 64,3%, contributo dos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade", refere o INE.


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Presidente ucraniano acusa Rússia de "assassínios injustificados"... Kiev, 22 jun 2026 (Lusa) -- O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, acusou hoje a Rússia de "novos assassínios injustificados" durante os mais recentes ataques da noite e madrugada, que provocaram pelo menos cinco mortos e vários feridos.

© Lusa     22/06/2026 

Zelensky declarou que as ofensivas ocorreram no mesmo dia em que a Rússia assinala o 85.º aniversário da invasão da União Soviética pela Alemanha nazi, questionando se o regime do homólogo Vladimir Putin está a "comemorar" com bombardeamentos mortais em Sumi e Zaporijia.

O líder ucraniano especificou que na província de Sumi, três pessoas morreram, incluindo um menor, enquanto outros três membros da mesma família ficaram feridos.

Em Zaporijia, duas pessoas morreram durante os ataques da noite e Zelensky lamentou outras vítimas em Odessa, Kherson, Donetsk e Kharkiv. Em Chernihiv, registaram-se novos ataques contra instalações de produção de energia.

"A Rússia começou este dia não honrando a memória daqueles que morreram na II Guerra Mundial, nem a mostrar qualquer sinal de que pretende pôr fim à guerra, mas sim com novos assassínios injustificados", frisou.

Para Zelensky, "este é precisamente o momento do século XX que deveria ter mudado para sempre a atitude de cada Estado e do mundo inteiro em relação à vida humana... Não teria havido guerras mundiais se os líderes daquela época tivessem sido guiados pelo valor da vida humana em vez de ilusões imperialistas".


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Irão exige fim dos ataques no Líbano para avançar com acordo com EUA... O Irão condicionou hoje a continuação de negociações para um acordo de paz com os Estados Unidos ao fim dos ataques israelitas no Líbano.

© Lusa    22/06/2026 

Numa mensagem divulgada nas redes sociais após o início das conversações com os Estados Unidos, na Suíça, com mediação do Qatar e do Paquistão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baqaei, insistiu que a base das conversações é o princípio do "compromisso em troca de compromisso".

Baqaei salientou que Teerão saudou os progressos alcançados nas negociações do fim de semana na localidade suíça de Bürgenstock, sobretudo na criação de mecanismos de controlo dos pontos do acordo preliminar que prevê a cessação das hostilidades no Médio Oriente em troca da reabertura do estreito de Ormuz.

"Foram estabelecidos mecanismos de supervisão para garantir a aplicação das disposições do memorando. Foi igualmente acordada a continuação das conversações a nível técnico e entre peritos para avançar na implementação efetiva do acordo para o fim da guerra", afirmou.

Ainda assim, o Irão sublinhou a necessidade de cumprir os pontos do acordo para continuar a avançar nas conversações com Washington.

"Em particular o ponto 1, relativo ao fim da guerra e das operações militares do regime sionista no Líbano, através da criação de um mecanismo de controlo do conflito com a participação das partes envolvidas e da República do Líbano", frisou.

O responsável destacou igualmente o ponto relativo às exportações de petróleo e produtos petroquímicos iranianos e ao desbloqueamento dos ativos iranianos congelados, medidas que aliviam a pressão económica sobre o Irão.

"Facilitarão o processo de cumprimento dos compromissos mútuos", indicou.

Neste contexto, recordou que "o princípio fundamental é compromisso em troca de compromisso".

"A República Islâmica do Irão, ao mesmo tempo que supervisiona o cumprimento das obrigações pela outra parte, utilizará todos os instrumentos ao seu dispor para garantir que esses compromissos sejam efetivamente cumpridos", resumiu.

O Paquistão e o Qatar, países mediadores nas negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irão afirmaram na madrugada de hoje que a primeira sessão "decorreu num ambiente positivo" e resultou em "progressos encorajadores" para a aplicação do acordo preliminar.

Em concreto, as partes acordaram a criação de um comité de alto nível que "supervisionará politicamente a mediação" e ao qual os principais negociadores prestarão informações "periodicamente".

O objetivo é que o comité "coordene grupos de trabalho centrados em questões nucleares, sanções e um grupo de acompanhamento e resolução de litígios, para garantir a implementação efetiva do Memorando de Entendimento".

REINO UNIDO: Primeiro-ministro britânico Keir Starmer anuncia demissão... Keir Starmer anunciou a demissão do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, dando conta de que o sucessor será conhecido até ao final do verão. Num discurso visivelmente emocionado, Starmer referiu que assumir o cargo de primeiro-ministro foi dos maiores feitos da sua vida.

© Henry NICHOLLS / AFP via Getty Images    Por   noticiasaominuto.com com Lusa  22/06/2026 

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou, esta segunda-feira a sua demissão, revelando também que o sucessor vai ser conhecido até ao final do verão.

Num discurso visivelmente emocionado desde o início, Starmer falou sobre o trabalho que foi desenvolvido para dar um novo rumo ao Partido Trabalhista.

"Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que eu amo em primeiro lugar. É por isso que me vou demitir da liderança do Partido Trabalhista", afirmou.

Sobre a sua jornada em cargos de liderança, Starmer considerou que os dois anos como primeiro-ministro foi o momento que mais o orgulhou na sua vida.

"Há seis anos, herdei um Partido Trabalhista que se encontrava em falência política, financeira e moral", considerou, dando conta de que ouviu muitas vezes que o partido "estava acabado".

"Disseram-me repetidamente que o meu partido estava acabado, que estávamos condenados a ficar na história, que era impossível obter uma maioria nas eleições gerais, quanto mais uma maioria esmagadora", apontou.

Starmer disse durante a sua comunicação ao país que iria ficar no cargo até que o processo para que um novo líder do Partido Trabalhista fosse encontrado, garantindo que "fará de tudo para garantir uma transição de poder tranquila".

"Vou solicitar ao Comité Executivo Nacional do Partido Trabalhista que estabeleça um calendário, com o início das candidaturas a 9 de julho e a sua conclusão antes das férias parlamentares de verão (16 de julho). No caso de haver uma disputa, isto garantirá que um novo líder esteja em funções antes do regresso do Parlamento em setembro", adiantou também.

O chefe do governo britânico referiu ainda, já no final do seu discurso, que vai dar o apoio necessário a quem quer que venha a suceder-lhe no cargo, referindo que este futuro responsável irá herdar um país "mais forte" do que o que o próprio herdou há dois anos. O Reino Unido está agora "mais bem preparado para os desafios que se avizinham, assim como para garantir que o Partido Trabalhista tem um segundo mandato em Downing Street.

"Quero agradecer a todos os amigos e colegas que estiveram ao meu lado nestes últimos seis anos pelo seu incrível empenho, dedicação e apoio. Quero agradecer à brilhante equipa do N.º 10 e à extraordinária função pública do nosso país, que dedica a sua vida ao serviço público", referiu.

Em jeito mais particular, rematou: "E quando deixar o maior cargo do país, vou dedicar mais tempo ao trabalho mais importante: ser o melhor marido possível para a minha fantástica esposa Vic, que tem sido um pilar ao meu lado nos bons e maus momentos, e ser o melhor pai possível para os meus lindos filhos, que são o meu orgulho e a minha alegria. Muito obrigado."

Keir Starmer, cuja impopularidade é refletida nas sondagens, estava sob intensa pressão interna para se demitir na sequência de vários erros políticos e após maus resultados nas eleições locais e regionais de maio.

Starmer indicou que falou com o Rei Carlos III esta manhã para o informar da decisão, embora a demissão de primeiro-ministro só aconteça após ser encontrado um sucessor à frente do Partido Trabalhista.

Segundo a tradição, este será chamado a formar governo enquanto líder do partido com maioria parlamentar, sem a necessidade de convocar eleições legislativas. 

domingo, 21 de junho de 2026

Guiné Equatorial prepara-se para assumir próxima presidência da CPLP... O ex-secretário-executivo da CPLP Murade Murargy declarou à Lusa que a Guiné Equatorial prepara-se para assumir a próxima presidência da organização e que esta cumpre o prometido aquando da adesão, embora considere que Portugal nada faz pelo país.

© Lusa   21/06/2026 

O ex-secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) anunciou à Lusa, numa entrevista feita por telefone no âmbito dos 30 anos que a organização assinala em 17 de julho, que a Guiné Equatorial prepara-se para assumir a presidência da organização, em 2027, e confessou que, pessoalmente, esse foi o motivo que o fez prolongar, por um ano, as suas funções naquele país africano, que cessaria este ano. 

O atual conselheiro do Governo equato-guineense para os Assuntos dos Países da Língua Portuguesa defende que a Guiné Equatorial está pronta para assumir as funções - apesar de precisar do apoio dos outros países - mas necessitará de dar mais formação em língua portuguesa aos seus altos quadros, missão para a qual contribui, assegurou.

O embaixador, que esteve no secretariado-executivo entre 2012 e 2016, recordou que tal já foi feito no passado com Timor-Leste, para onde, na altura, foram enviados "sete conselheiros".

"A Guiné Equatorial solicitou a entrada na CPLP logo em 1996, quando esta foi criada, mas houve objeção de um país", contextualizou o diplomata.

Ao iniciar as suas funções na CPLP, a pedido do Presidente moçambicano Armando Guebuza, que detinha a presidência da comunidade, foi rapidamente confrontado com a questão do pedido de adesão da Guiné Equatorial.

"Quando comecei a exercer as minhas funções, tive de imediato uma visita a Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, onde estava também o Presidente [da Guiné Equatorial Teodoro Obiang Nguema Mbasogo], que me solicitou uma reunião para reiterar o seu pedido de adesão", recordou.

"Ao regressar a Lisboa, enviei à Guiné Equatorial um roteiro - que já tinha sido feito, com principal contribuição do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português Luís Amado - com tudo o que tinham de cumprir", prosseguiu.

Para que esta nação fosse integrada, teve de se comprometer a abolir a pena de morte da Constituição e a introduzir a língua portuguesa no país, entre outras questões.

"Prometeram fazer uma moratória à pena de morte e fizeram-na", frisou.

Relativamente à língua portuguesa, garante que "aos poucos, o trabalho foi sendo feito" e criticou Portugal por não se ter empenhado em ajudar mais.

"Não podemos esperar que uns velhotes de 70 ou 80 anos falem português. Mas hoje, talvez, a juventude já fale", disse.

Questionado sobre se a Guiné Equatorial, um dos países africanos exportadores de petróleo, não tem fundos para financiar as próprias medidas de incentivo à língua portuguesa, respondeu que "sim", mas reiterou que "é preciso que outros países também participem, porque a língua não é só da Guiné [Equatorial]" e "Portugal é o maior interessado".

Segundo o diplomata, em contraste face a nações que criaram centros culturais e de aprendizagem, assim como bolsas de estudo, "Portugal nada faz com a Guiné Equatorial, mas exige que esta fale português". 

"Eu próprio, que sou conselheiro do Presidente, dou aulas de português aos funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros", referiu.

Sobre a pena de morte, o conselheiro frisou que esta já não se aplica e que a situação "foi tratada", pois foi "abolida da Constituição".

Questionado sobre o facto de a Guiné Equatorial ser considerada, em vários estudos, um dos países mais repressivos do mundo, respondeu que vive lá há oito anos e não reconhece "repressão nenhuma", mas salvaguardou "que todos os países têm cadeias".

Murargy recordou ainda a cimeira de Díli, em 2014, com orgulho, tendo sido nesta que foi anunciada pela presidência timorense, antes da reunião de chefes de Estado e de Governo sobre o tema, a adesão da Guiné Equatorial.

"Eu sinto orgulho de ter sido secretário-executivo durante a primeira cimeira de Díli. Produziu muitos resultados. Se a cimeira durasse mais tempo, nós até podíamos ter criado um banco de desenvolvimento", indicou.

A CPLP, que assinala 30 anos dia 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. 

sábado, 20 de junho de 2026

GUINÉ-BISSAU: Chefes militares da CEDEAO visitam Guiné-Bissau para processo de transição... Uma delegação de chefes das Forças Armadas da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) encontra-se em Bissau para se inteirar do processo de transição em curso no país, noticiaram hoje as autoridades militares guineenses.

Por  LUSA  20/06/2026 

Em publicações feitas na página oficial, as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) da Guiné-Bissau, indicaram que a delegação chegou a Bissau ao início da noite de sexta-feira e ficará durante cinco dias para contactos com entidades locais.

Os militares tomaram o poder a 26 de novembro de 2025 na Guiné-Bissau, anunciaram um período de transição de 12 meses e convocaram eleições gerais, presidenciais e legislativas, para 06 de dezembro.

Com a alteração da ordem constitucional, a Guiné-Bissau foi suspensa de todas as organizações internacionais de que é membro, nomeadamente da CEDEAO, que tem enviado missões de bons ofícios ao país para mediar a crise política.

A visita de cinco dias da delegação dos Chefes do Estado-maior General das Forças Armadas da CEDEAO "enquadra-se no propósito de acompanhar o período transitório no país", segundo informam as FARP da Guiné-Bissau.

De acordo ainda com a fonte, "durante este tempo, a missão chefiada pelo Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas da Serra Leoa (Amara Idara Bangura) irá manter sessões de trabalho com as entidades militares e paramilitares guineenses".

A delegação é ainda integrada pelos chefes militares de Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Senegal.

A imprensa local relatou que a missão, além de reuniões com o Alto Comando Militar, autor do golpe, terá encontros com as representações diplomáticas de países da CEDEAO em Bissau.

Esta mesma missão de chefes militares da CEDEAO devia ter visitado Bissau um mês depois do golpe de Estado, mas na altura foi cancelada, sem que tenham sido apresentados os motivos.

Nessa ocasião, o chefe da diplomacia senegalesa, Cheikh Niang, e mais tarde o ministro da Defesa do mesmo país, general Birame Diop, acabaram por visitar Bissau na tentativa de facilitar o cumprimento das diretrizes emitidas pelos chefes do Estado da CEDEAO na sequência do golpe.

Entre essas diretrizes está a formação de um governo civil e o retorno dos militares às casernas, bem como a libertação de opositores políticos detidos, entre os quais Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, dissolvido em 2023.

Simões Pereira foi detido no dia do golpe militar de novembro de 2025 e passou mais de 60 dias na prisão da Segunda Esquadra de onde saiu em janeiro passado para prisão domiciliária.

A oposição e os advogados de Simões Pereira têm apelado para a libertação com o argumento de que a prisão domiciliária é ilegal.

O político está a ser investigado pelo Tribunal Militar por suspeita de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado que terá ocorrido em outubro de 2025, acusação negada pelos seus advogados.

Esta alegada tentativa de golpe terá ocorrido um mês antes das eleições gerais que se realizaram a 23 de novembro de 2025 e que foram interrompidas pelo golpe militar consumado três dias depois sem que tenham sido divulgados os resultados oficiais.

O candidato da oposição, Fernando Dias, reclamava vitória sobre o Presidente da República e recandidato, Umaro Sissoco Embaló, deposto no golpe militar, que a oposição classifica como encenação para alegadamente contornar a derrota eleitoral.

O líder do histórico PAIGC, Simões Pereira, e o partido foram, pela primeira vez, afastados das eleições por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que esteve refugiado durante cerca de dois meses na embaixada da Nigéria, em Bissau, e atualmente na residência pessoal.

A CEDEAO tem acompanhado a situação na Guiné-Bissau que deverá ser um dos temas na próxima cimeira de chefes de Estado marcada para o próximo mês, em Freetown, capital da Serra Leoa.

Depois da saída de Níger, Burquina Faso e Mali, a organização dos Estados da África Ocidental integra atualmente 11 países: Benim, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Libéria, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.


Irão volta a encerrar Ormuz após ataques de Israel contra o Líbano... O Irão anunciou, este sábado, ter voltado a encerrar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, como consequência da "violação da promessa por parte do inimigo".

© Shady Alassar/Anadolu via Getty Images   Por  Notícias ao Minuto com Lusa  20/06/2026 

O comando militar central iraniano anunciou, este sábado, ter encerrado o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, devido aos ataques de Israel ao sul do Líbano, que classificou como uma  "violação da promessa por parte do inimigo".

"Fica por este meio anunciado que o Estreito de Ormuz será encerrado ao tráfego marítimo; salienta-se que esta primeira medida constitui uma resposta à violação da promessa por parte do inimigo e que, caso a agressão continue, serão planeadas e tomadas medidas adicionais para obrigar o inimigo a cumprir as suas obrigações", adiantou o Quartel-General Central de Khatam-al Anbiya, num comunicado transmitido pela televisão estatal e citado pela Al Jazeera.

O regime iraniano tinha encerrado esta passagem estratégica entre o oceano Índico e o golfo Pérsico, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo, após os ataques de Israel e dos Estados Unidos, em 28 de fevereiro.

A reabertura do estreito estava prevista no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, com vista ao início de negociações para pôr um fim ao conflito no Médio Oriente.

Na quinta-feira, 25 navios atravessaram o estreito de Ormuz, um volume cinco vezes superior à média dos primeiros dez dias de junho e sem precedentes desde meados de abril.

De notar que ataques israelitas mataram mais de 50 pessoas em 24 horas, apesar do anúncio, na véspera, de um cessar-fogo entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, segundo noticiou a agência oficial libanesa ANI.

Sublinhe-se ainda que o presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que Israel cessaria os ataques no Líbano, porque "cumpre o que promete", na sexta-feira. Além disso, alegou que, se não fosse Washington, os israelitas teriam sido aniquilados.

"Respeitam-me muito e fazem o que eu lhes digo", disse Trump, referindo-se às autoridades israelitas, numa entrevista concedida ao portal de notícias Axios, quando questionado se poderia impedir Israel de atacar o país vizinho.

O memorando de entendimento estipulava "o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano, onde Israel e o Hezbollah, aliado de Teerão, se confrontam há mais de três meses.

O texto previa também que a integridade territorial libanesa devia ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.


Leia Também: MNE iraniano e vice-presidente dos EUA vão para a Suíça para conversações

O chefe da diplomacia do Irão viajou hoje para a Suíça, onde devem decorrer "conversações técnicas" com os Estados Unidos, anunciou hoje o governo iraniano.

CABO VERDE: Ex-governante cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva deixa política ativa... O ex-primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva anunciou hoje que vai deixar a política ativa, depois de o novo Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), liderado por Francisco Carvalho, ter sido empossado na sexta-feira.

© Lusa    20/06/2026 

"Agora é o momento de continuar a vida fora da política ativa", escreveu no Facebook, numa mensagem em que informou ter renunciado ao mandato de deputado.

Ulisses Correia e Silva já tinha anunciado igualmente a demissão da presidência do Movimento pela Democracia (MpD) após a derrota nas eleições legislativas de 17 de maio.

O PAICV assegurou uma maioria absoluta de 37 deputados entre os 72 lugares da Assembleia Nacional e o MpD regressou à oposição, com 33 eleitos, após dois mandatos (10 anos) na governação do arquipélago sob a liderança de Ulisses Correia e Silva.

O parlamento conta ainda com dois deputados da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID).

O MpD escolheu, no início do mês, Eurico Monteiro como presidente interino e agendou para 06 de setembro a eleição de um novo líder.

Na Assembleia Nacional, onde a nova composição tomou assento na quinta-feira, a bancada do MpD será liderada pelo deputado Luís Carlos Silva e integra, na qualidade de vice-presidentes, os deputados Damião Medina, Sandra Galina, Lídia Lima e Liver Gomes.

‎CASTANHA ARMAZENADA JÁ ULTRAPASSA PREVISÃO DO GOVERNO PARA A CAMPANHA DE 2026

Por  Rádio Sol Mansi  ‎ 20-06-2026 

‎‎O secretário-geral da Confederação dos Atores da Fileira do Caju, Lassana Sambo, revelou que a quantidade de castanha de caju armazenada no país já ultrapassou a previsão estabelecida pelo Governo para a campanha de comercialização deste ano.

‎‎A informação foi divulgada aos jornalistas no final do encontro de avaliação de meio percurso da campanha de comercialização da castanha de caju, realizado em Bissau, com a participação de representantes de diferentes setores envolvidos no processo de comercialização e exportação do principal produto de exportação da Guiné-Bissau.

‎‎Representando o setor privado no encontro, Lassana Sambo explicou que, das 70 mil toneladas declaradas para exportação, cerca de 37 mil toneladas já foram exportadas. Relativamente ao escoamento da produção, indicou que mais de 200 mil toneladas de castanha já deram entrada em Bissau.

‎‎Segundo o responsável, os dados apresentados pelos delegados regionais apontam ainda para a existência de mais de 25 mil toneladas armazenadas nas diferentes regiões do país.

‎‎Para Lassana Sambo, estes números demonstram que, apesar da fraca produção registada durante a presente campanha, a capacidade produtiva da Guiné-Bissau continua a situar-se acima das 200 mil toneladas.

‎‎No que diz respeito ao mercado, o secretário-geral da Confederação dos Atores da Fileira do Caju afirmou que a procura já ultrapassa a oferta, uma situação que está a contribuir para a valorização do preço da castanha de caju no mercado nacional.

‎‎Por sua vez, o ministro do Comércio, Jaimentino Có, orientou os delegados regionais e as forças de defesa e segurança a reforçarem as ações de vigilância e controlo das viaturas que transportam castanha de caju em direção contrária a Bissau, com o objetivo de combater o contrabando e garantir o normal funcionamento da campanha de comercialização.

Migrações: ONU rejeita que UE transfira obrigações para países terceiros... As Nações Unidas lamentaram hoje profundamente a nova legislação da União Europeia (UE) sobre o "retorno" dos migrantes rejeitados, sublinhando que os países europeus não podem transferir as suas obrigações para países terceiros.

© Shutterstock      Por LUSA    20/06/2026 

"Os países da UE não podem simplesmente passar as suas obrigações em matéria de direitos humanos para países terceiros", afirmou o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, em comunicado.

O Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira o regulamento sobre o retorno de requerentes de asilo rejeitados, uma reforma que inclui a possibilidade de os Estados-membros celebrarem acordos para estabelecer centros de detenção -- os chamados "centros de retorno" - fora das fronteiras da UE.

"A detenção e o regresso a países terceiros de pessoas vulneráveis, incluindo crianças, é um exercício particularmente delicado do poder estatal e acarreta elevados riscos de violações dos direitos humanos", acrescentou Türk.

O alto-comissário sublinhou que, dentro deste contexto, deve haver "uma atenção especial à proteção dos direitos humanos e da dignidade -- na prática e na lei".

Hoje, na União Europeia, apenas cerca de 20% das ordens de deportação de migrantes indocumentados é que resultam, na realidade, no seu retorno ao país de origem, uma estatística fortemente criticada por aqueles que defendem uma política de imigração mais rigorosa.

Sob pressão para endurecer as regulamentações, a Comissão Europeia apresentou, há um ano, uma proposta com o objetivo de aumentar o número de deportações, criticada por políticos de esquerda e por organizações não-governamentais (ONG) de defesa dos direitos humanos.

"A legislação internacional sobre os direitos humanos e dos refugiados é muito clara: ninguém deve ser devolvido a um local onde corra o risco de sofrer graves violações dos direitos humanos", enfatizou Turk.

"Este é o princípio fundamental da não-rejeição. Deve ser plenamente respeitado por todos os países e territórios, em todas as circunstâncias", acrescentou.

Segundo o responsável, "as ordens de deportação devem sempre ser baseadas em casos individuais e não devem entrar em vigor antes da conclusão dos procedimentos de recurso".

O alto-comissário destacou a necessidade de uma abordagem da questão "que tenha em conta a contribuição dos migrantes para as sociedades e economias europeias".

Irão acusa França de "hipocrisia" pelas críticas à repressão no país... O Irão acusou hoje a França de "hipocrisia e dupla moral" após o ministro dos Negócios Estrangeiros francês se ter referido ao povo iraniano como "o maior perdedor da guerra" e uma sociedade "enredada entre a repressão e os bombardeamentos".

© Lusa      20/06/2026 

"Parece que a hipocrisia e a dupla moral continuam a ser caraterísticas da cultura política francesa até aos dias de hoje", declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, na rede social X, citando uma frase de Jean-Baptiste Poquelin (Molière), dramaturgo e poeta francês do século XVII, na obra "Tartufo": "A hipocrisia tornou-se moda". 

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou na sexta-feira que a população iraniana é "a maior perdedora da guerra", após o memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão, argumentando que se trata de um povo "encurralado entre a repressão estatal" e os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Em resposta, Bagaei criticou duramente o ministro francês pelo seu silêncio durante a guerra iniciada em 28 de fevereiro por Israel e os EUA contra o Irão.

"Manteve-se em silêncio enquanto cidades iranianas eram brutalmente bombardeadas e cidadãos inocentes eram massacrados em Minab, Teerão, Lamard, Isfahan e noutros locais, tornando-se, na prática, cúmplice dos agressores", afirmou.

Bagaei sustentou que as atuais críticas de Paris decorrem de interesses políticos franceses e acusou o ministro francês de despertar seletivamente a sua consciência para "dar lições aos iranianos sobre direitos humanos".

As declarações de Barrot surgiram após a relatora da ONU para o Irão, Mai Sato, juntamente com outros peritos daquela organização, terem solicitado que o memorando de entendimento anunciado entre os Estados Unidos e o Irão abordasse a situação dos direitos humanos no país, onde continua a repressão contra civis.

Os especialistas lamentaram que o memorando se concentre quase exclusivamente na retirada militar, na reabertura do Estreito de Ormuz, nos compromissos nucleares e noutras questões estratégicas, enquanto o povo iraniano, "que sofreu enormemente tanto com a agressão militar externa como com a repressão interna, pouco é mencionado neste acordo".

Denunciaram ainda que "desde o início do conflito, no final de fevereiro, as autoridades iranianas têm agido com dureza contra a dissidência", com milhares de detidos e pelo menos 42 executados sob acusações relacionadas com espionagem e segurança nacional.

O Irão foi palco de protestos antigovernamentais maciços em janeiro passado, que foram brutalmente reprimidos, fazendo mais de 3.100 mortos, segundo a versão oficial. No entanto, as organizações não-governamentais (ONG) da oposição, como a HRANA, sediada nos EUA, elevam o número de mortos para mais de 7.000.

As autoridades iranianas, que classificaram as manifestações como "tumultos" e "atos terroristas" orquestrados por Israel e pelos EUA, executaram até ao momento pelo menos 20 manifestantes.


ONU: Há quase 118 milhões de pessoas refugiadas no mundo... Quase 118 milhões de pessoas estão refugiadas ou deslocadas à força em todo o mundo, segundo a ONU, que assinala hoje o Dia Mundial dos Refugiados com a promessa de o diminuir para metade até 2035.

© Eyad Baba / AFP via Getty Images     Por  LUSA  20/06/2026 

Apesar de o total de pessoas que fugiram das suas casas ou países ter diminuído em 2025 -- pela primeira vez numa década -, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) considera que os valores "continuam em níveis dramaticamente altos".

Além disso, a redução do número, de 123 milhões em 2024 para 118 milhões no ano passado, deveu-se sobretudo "a retornos forçados", seja por deportações, seja por que as pessoas "não tiveram oportunidades de integração e inclusão nos países de acolhimento", referiu a agência da ONU.

De acordo com o 'Relatório de Tendências Globais de 2026', publicado esta semana pelo ACNUR, muitas pessoas retornam aos seus países de origem em contextos instáveis e coagidos, como nos casos do Afeganistão, Sudão e Síria.

O retorno aos países de origem aumentou 49%, em comparação com 2024, o que marca o segundo maior pico dos últimos 60 anos.

Em 2025, quase 15 milhões de pessoas regressaram aos seus países de origem, inclusive 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos.

Ainda assim, no ano passado, 5,4 milhões de pessoas -- 70% das quais provindas Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela - foram obrigadas a fugir de guerras, violências e perseguições, e procurar proteção em outros países.

Embora o Sudão continue a ser o país com a crise de refugiados mais grave do mundo, com 9,1 milhões de pessoas obrigadas a fugir das suas casas, o Médio Oriente tornou-se outra área de grande preocupação, com cerca de um milhão de refugiados do Líbano e 3,2 milhões de deslocados no Irão.

Face ao cenário e no ano em que se comemora o 75º aniversário da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, o alto-comissário da agência da ONU que se dedica ao tema anunciou querer reduzir o número para metade na próxima década.

Barham Salih, que foi, ele próprio, um refugiado durante a sua juventude, antes de se tornar Presidente do Iraque, lembrou a necessidade de reconhecer e integrar os milhões de pessoas desenraizadas dos seus países pela guerra, violência ou perseguição, lembrando que ajudam a fortalecer as sociedades que os acolhem.

"Fugir de casa em busca de segurança é uma das escolhas mais difíceis que alguém pode fazer", avançou.

"Embora uma pessoa possa, durante algum tempo, ser definida como refugiada, tornar-se refugiada não deve definir a vida de uma pessoa", defendeu o alto-comissário.

O Dia Mundial dos Refugiados é celebrado anualmente a 20 de junho, com o objetivo de realçar a coragem, os direitos, as necessidades e a resiliência dos refugiados.

A efeméride procura mobilizar a vontade política e os recursos para que os refugiados possam não só sobreviver, mas também prosperar, mas também pretende lembrar todos os que tiveram de escapar a guerras, perseguições ou cenários de terror, por razões como raça, religião, nacionalidade, pertença a um grupo social particular ou opinião política.

Este ano, o dia é subordinado ao tema "Até que todos estejam em segurança", com a ONU a apelar aos governos para que garantam sistemas de proteção internacional justos e acessíveis.

O Dia Mundial dos Refugiados foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 04 de dezembro de 2000.