terça-feira, 7 de julho de 2026

Alemanha defende que Líbano deve eliminar ameaça do Hezbollah... O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, apelou hoje, em Jerusalém, às autoridades libanesas para que ponham termo ao "controlo" exercido pelo movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, no sul do Líbano.

© Osmancan Gurdogan/Anadolu via Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"É fundamental que o Líbano demonstre agora determinação, afirme a sua autoridade e garanta que o Hezbollah deixe de exercer um controlo efetivo sobre o sul do país", declarou Wadephul numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo israelita, Gideon Saar, no âmbito de uma visita a Jerusalém.

"Nenhuma ameaça, seja qual for, deve partir do território libanês contra Israel", acrescentou.

O Hezbollah envolveu o Líbano no mais recente conflito no Médio Oriente a 02 de março, ao disparar foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, em ataques norte-americanos e israelitas, que tiveram início a 28 de fevereiro.

Desde então, Israel tem conduzido uma vasta campanha de bombardeamentos e operações militares no sul do Líbano, que provocaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas, mantendo igualmente a ocupação de uma parte significativa daquela região. Do lado israelita, morreram 38 militares e um contratado civil.

A situação estabilizou parcialmente após a entrada em vigor, a 21 de junho, de um frágil cessar-fogo, antes da assinatura, cinco dias depois, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma "paz duradoura".

O acordo condiciona a retirada israelita ao desarmamento do Hezbollah, exigência que o movimento xiita rejeita.

Wadephul, que apoia a ofensiva terrestre israelita no Líbano, classificou como um "passo histórico" as negociações em curso entre Israel e o Líbano, sob mediação dos Estados Unidos, que deverão ser retomadas em Roma na próxima semana.

O chefe da diplomacia alemã abordou também a situação na Cisjordânia ocupada, criticando a expansão dos colonatos israelitas, que, na sua opinião, compromete "as perspetivas de paz".

 Wadephul apelou ainda a Israel para desbloquear as receitas fiscais e aduaneiras destinadas à Autoridade Palestiniana, com sede em Ramallah, de forma a evitar o seu colapso.

"A Autoridade Palestiniana necessita urgentemente de reformas, mas enfraquecê-la não contribui para a segurança de Israel", afirmou, alertando para o risco de se criar "um vazio que poderá ser ocupado por forças mais radicais".

"Os palestinianos precisam de uma perspetiva de futuro político e económico", sublinhou.

Durante o encontro de hoje entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, o nono realizado no último ano, a Alemanha comprometeu-se a apoiar o memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, com cinco milhões de euros por ano até 2030.

Devido à sua responsabilidade histórica pelo Holocausto, a Alemanha tornou-se, nas últimas décadas, um dos principais aliados de Israel.

Terceiro navio atingido no estreito de Ormuz em 24 horas... Um terceiro navio foi atingido no estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, disse hoje a agência de segurança marítima britânica UKMTO, depois de um ataque contra um petroleiro ter sido atribuído pelo Qatar ao Irão.

© Amirhossein KHORGOOEI / ISNA / AFP via Getty Images     Por  LUSA   07/07/2026 

"A UKMTO recebeu um relato de um novo incidente envolvendo um navio-cisterna em trânsito no estreito de Ormuz. O navio foi atingido por um drone de origem desconhecida e sofreu danos estruturais ligeiros. Não há registo de feridos nem de qualquer derrame de poluentes", indicou a agência nas redes sociais.

Momentos antes, a UKMTO tinha indicado que um segundo navio foi atingido por um projétil não identificado igualmente no estreito de Ormuz.

"O navio-petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e terá sofrido danos estruturais. Não foram registados feridos nem qualquer impacto ambiental", indicou a UKMTO em comunicado.

Pouco antes, o Qatar acusou o Irão de ter visado um dos seus petroleiros quando este navegava ao largo da costa de Omã.

Na segunda-feira à noite, a UKMTO avançou que um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado ao largo de Omã, na região do estreito de Ormuz.

O ataque, que não causou feridos nem danos ambientais, ocorreu a oito milhas náuticas (15 quilómetros) a leste de Limah, no Sultanato de Omã.

Os navios mercantes têm sido fortemente afetados pelo conflito no Médio Oriente desde 01 de março, quando o Irão fechou esta passagem vital em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, tendo os EUA, por seu lado, imposto um bloqueio aos portos iranianos.

O tráfego marítimo foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito.

Mas o Irão reiterou, apesar da oposição dos EUA, que não haverá regresso à situação pré-guerra, quando a passagem pelo estreito era gratuita, e ameaçou os navios que tentarem contornar a única rota que autorizou, ao longo das suas costas.

No final de junho, ao acusar Teerão de ter atacado dois navios, os Estados Unidos bombardearam o país em retaliação, e o Irão, por sua vez, atacou o Kuwait e o Bahrein.

Teerão e Washington chegaram depois a novo acordo sobre uma trégua nas hostilidades.

O estreito de Ormuz constitui a principal rota marítima que liga os países petrolíferos do Médio Oriente ao resto do mundo, em particular aos mercados asiáticos.

Em 2024, circulavam diariamente pelo estreito cerca de 20 milhões de barris de crude, o equivalente a quase 20% do consumo mundial de petróleo líquido, segundo a Agência de Energia norte-americana.


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O Qatar condenou hoje um ataque a um dos seus navios de transporte de gás natural liquefeito (GNL), quando navegava ao largo da costa de Omã, responsabilizando o Irão pelo incidente.

Trump considera venda de F-35 à Turquia (mesmo após pedido de Israel)... O Presidente norte-americano disse hoje que está a ponderar vender caças F-35 à Turquia, um dia depois do primeiro-ministro israelita ter pedido aos Estados Unidos para não venderem estas aeronaves a Ancara.

© Emrah Gurel - Pool/Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"Temos uma relação muito boa. Porque não havíamos de fazer isso? Temos uma relação melhor com a Turquia, e a Turquia tem sido, em muitos aspetos, muito mais leal do que outros países de quem esperávamos lealdade", afirmou Donald Trump aos jornalistas depois de chegar à capital turca para a cimeira da NATO. 

"Por isso, é algo que estamos, sem dúvida, a considerar. É um excelente avião, é o melhor, atualmente o melhor avião e é certamente algo que voltaremos a considerar", acrescentou Trump depois de ser questionado sobre a possível venda desses caças à Turquia, algo que Washington tinha descartado após Ancara ter recebido sistemas antiaéreos da Rússia em 2019.

Já o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia recebeu "um compromisso" relativamente aos F-35 e Trump deu a sua palavra.

"Durante as nossas conversas nesta cimeira, iremos valorizar positivamente o compromisso que recebemos da sua parte relativamente aos F-35 no que diz respeito ao futuro. Trump sempre cumpriu a sua palavra nesta matéria. Creio que também será tomada uma decisão favorável sobre a questão dos F-35", afirmou Erdogan.

Trump, por outro lado, destacou a boa relação que mantém com o líder turco, no poder há quase 25 anos e acusado pela oposição do país de governar de forma cada vez mais autoritária.

"Nunca se sabe por que razão uma relação é especial, por vezes, damo-nos bem com as pessoas mais fortes, como ele [Erdogan], e outras vezes não se dá bem com as pessoas mais fracas e patéticas. Mas desde o momento em que nos conhecemos que nos damos bem", afirmou o líder republicano.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu aos EUA para não venderem caças F-35 e os motores destas aeronaves à Turquia, por considerar que tal podia desencadear uma "alteração no equilíbrio de poder" na região.

Netanyahu referiu-se então à Turquia como um "grande país", mas lamentou que seja liderada por Erdogan, que "ameaça abertamente Israel" e "ocupa metade de Chipre".

A diplomacia turca criticou já o pedido do primeiro-ministro israelita, feito algumas horas antes do início da cimeira da NATO. São "acusações sem qualquer fundamento" que circularam "de forma coordenada", promovidas por Telavive no âmbito de "uma campanha que visa desinformar", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, em comunicado.

"Netanyahu e os seus cúmplices procuram distorcer deliberadamente qualquer crítica contra si e desviar a atenção através de propaganda sistemática", salientou o ministério turco, antes de sublinhar que estes esforços "já não convencem a comunidade internacional nem conseguem ocultar o genocídio perpetrado pelo Governo de Netanyahu em Gaza, as políticas de ocupação e anexação e as ações de desestabilização na região".

"O objetivo da Turquia é que todos os países e povos da região vivam em paz, estabilidade e prosperidade. Com este entendimento, voltamos a exortar Israel a adotar uma política construtiva e pacífica. A Turquia continuará a dizer a verdade", referiu ainda na mesma nota.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, reiterou que Israel se opõe à venda dos caças.

"É fundamental que Israel, na região em que vivemos, mantenha a sua vantagem militar qualitativa. Sempre foi política dos Estados Unidos apoiar essa vantagem. E estou certo de que esta é também a política do Presidente Trump e da sua administração, que é uma administração muito amiga. Por isso, espero que isso não venha a acontecer", afirmou Saar numa conferência de imprensa em Jerusalém com o homólogo alemão, Johann Wadephul, citado pelo jornal Times of Israel.

Os EUA retiraram a Turquia do programa de desenvolvimento e aquisição dos caças F-35 em 2019, na sequência da compra, por Ancara, do sistema russo de defesa antiaérea S-400, cuja aquisição tinha sido anunciada em 2017.

No entanto, Erdogan poderá tentar capitalizar as boas relações que mantém com o homólogo norte-americano para garantir a entrega de seis caças F-35 já pagos por Ancara, de acordo com a agência de notícias France-Presse.


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O presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que provavelmente não estaria a participar na cimeira da NATO se o encontro fosse realizado na Europa, reiterando as críticas aos aliados europeus no âmbito da guerra no Irão.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Ucrânia: NATO diz que ataques russos a civis revelam "desespero" de Putin... O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou hoje que os mais recentes ataques russos contra alvos civis na Ucrânia demonstram o "desespero" do Presidente russo, Vladimir Putin, e apelou aos aliados para reforçarem o apoio a Kiev.

© Berkan Cetin/Anadolu via Getty Images      Por  LUSA   06/07/2026 

Durante uma conferência de imprensa na véspera da cimeira da NATO, em Ancara, Rutte defendeu que a Ucrânia tem apresentado um desempenho "muito melhor do que há apenas três ou quatro meses" e está a alterar a dinâmica da guerra.

"A Ucrânia está a mudar a dinâmica no campo de batalha, graças à coragem, dedicação e engenho das suas forças armadas", afirmou o líder da Aliança Atlântica.

As declarações surgem depois de a Rússia ter lançado, durante a última noite, um ataque com mísseis balísticos e drones contra várias zonas da Ucrânia, provocando pelo menos 20 mortos, 14 dos quais em Kyiv, segundo as autoridades ucranianas.

Perante esta situação, Rutte reiterou que os aliados e parceiros da NATO devem continuar a garantir o fornecimento de meios militares à Ucrânia.

"Enquanto a Ucrânia continua a defender a sua soberania, os aliados e parceiros da NATO devem continuar a assegurar que a Ucrânia recebe o que precisa", afirmou Rutte, destacando a necessidade de reforçar os sistemas de defesa aérea.

Sobre uma eventual negociação de paz, o secretário-geral da NATO afirmou que "são precisos dois para dançar o tango", acrescentando que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está disponível para negociar com Putin "em qualquer formato" para colocar um fim ao conflito.

"Obviamente, até agora Putin recusou-se a fazê-lo", explicou Rutte, reconhecendo que não consegue prever o que levará o líder russo a aceitar conversações.

"É difícil compreender a mente deste homem", acrescentou Rutte, acusando Putin de estar disposto a sacrificar "até 35.000 dos seus próprios homens no campo de batalha", o que classificou como "loucura".

A cimeira da NATO, que começa na terça-feira em Ancara, deverá voltar a centrar-se na guerra na Ucrânia e no reforço do apoio aliado a Kyiv.

Zelensky é esperado na capital turca, onde deverá reunir-se, entre outros líderes, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, para solicitar novo reforço de armamento, em particular baterias de defesa antiaérea.


Israel alega que Hamas pretende implementar "modelo Hezbollah" em Gaza... O Governo de Israel defendeu hoje que a "aparente disponibilidade" do Hamas para "dar lugar" a um Governo tecnocrático visa evitar o seu próprio desarmamento e replicar na Faixa de Gaza o "chamado modelo Hezbollah" imposto no Líbano.

© Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images  Por  LUSA  06/07/2026 

"O Hamas procura reproduzir na Faixa de Gaza o chamado 'modelo Hezbollah': uma administração tecnocrática seria responsável pela recolha de lixo e por outros serviços municipais, enquanto o Hamas permaneceria como a força militar dominante", escreveu nas redes sociais o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar.

"Enquanto mantiver o seu arsenal, qualquer Governo civil funcionará, naturalmente, segundo as orientações do Hamas", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, insistindo na exigência do desarmamento total do movimento extremista palestiniano.

Para Saar, esta perspetiva permitirá ao Hamas "continuar a oprimir a população palestiniana na Faixa de Gaza", ao mesmo tempo que "prossegue a sua guerra jihadista contra Israel".

"Israel insiste na plena aplicação do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, cujos princípios fundamentais são o desarmamento do Hamas e de todas as restantes organizações terroristas, bem como a desmilitarização total da Faixa de Gaza", concluiu.

O movimento islamita palestiniano, também um aliado do Irão como é o libanês Hezbollah, anunciou hoje a dissolução das suas estruturas governativas na Faixa de Gaza, após quase 20 anos no poder, abrindo caminho à administração do território por um comité tecnocrático.

"O presidente do comité de emergência do Governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente a sua demissão", declarou à agência noticiosa francesa AFP Ismail al-Thawabta, diretor do gabinete de comunicação social do Governo do Hamas, acrescentando que foi decidida "a dissolução do comité para facilitar a transição administrativa e governativa para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)".

O comité foi criado pelo Conselho da Paz, estabelecido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, durante as negociações que conduziram ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025.

O NCAG, presidido pelo palestiniano Ali Shaath, tem sede no Cairo há vários meses, depois de Israel se ter oposto, segundo várias informações, ao seu destacamento para o território devastado pela guerra.

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelitas detidos pelo Hamas, em troca de palestinianos presos por Israel.

Contudo, a passagem à segunda fase, que previa o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas da Faixa de Gaza, permanece bloqueada há vários meses.

Pelo contrário, as forças israelitas reforçaram a sua presença no enclave, enquanto o modelo de governação da Faixa de Gaza no pós-guerra continua a ser um dos principais pontos de divergência.

Israel exclui qualquer regresso do Hamas ao poder, mas rejeita igualmente, nesta fase, o restabelecimento da administração direta da Faixa de Gaza pela Autoridade Palestiniana.

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Apesar do acordo de cessar-fogo, as duas partes acusam-se mutuamente e regularmente de violar a trégua.


Avião iraniano que aterrou em Sana transportava especialistas militares... O presidente do Governo iemenita acusou hoje o Irão de utilizar um avião civil que aterrou em Sana, a capital controlada pelos rebeldes xiitas Huthis, para transportar especialistas e equipamento militar.

© Abdulnasser Alseddik/Anadolu via Getty Images    Por  LUSA   06/07/2026 

Rashad al Alimi afirmou, durante uma reunião em Riade com embaixadores de países que apoiam o processo de paz no Iémen, que "as informações preliminares desmentem completamente a versão Huthi sobre o caráter humanitário do voo", avançou a agência noticiosa estatal Saba.

Al-Amini adiantou que o voo transportava "pessoal militar e de segurança, especialistas iranianos especializados no desenvolvimento de drones e sistemas de mísseis, bem como equipamento eletrónico que poderia ser utilizado em sistemas de comando e controlo militar", ao mesmo tempo que na aeronave se encontravam "iemenitas que tinham recebido formação em segurança no Irão", segundo a agência.

O Presidente do Governo iemenita reconhecido internacionalmente acrescentou que o sinal de localização do avião desapareceu repetidamente enquanto este atravessava o espaço aéreo iemenita.

"Este comportamento contradiz as afirmações da milícia de que se tratava de um voo humanitário e justifica uma investigação internacional independente", declarou Al-Alimi.

O líder iemenita acrescentou que a aeronave pertencia à companhia aérea iraniana Mahan Air e afirmou que esta "tem estado associada, nos últimos anos, a sanções internacionais e a acusações de prestar apoio logístico à Guarda Revolucionária iraniana", o que torna o incidente "ainda mais perigoso" e exige "o máximo grau de vigilância internacional".

As acusações surgem três dias após um avião civil iraniano ter aterrado no Aeroporto Internacional de Sana, o que intensificou as tensões entre os Huthis e a coligação militar liderada pela Arábia Saudita.

A aliança, que controla o espaço aéreo do Iémen, não permite voos do Irão para zonas controladas pelos Huthis, sob o pretexto de que estes poderiam violar as sanções da ONU.

Os Huthis declararam na sexta-feira que enfrentaram caças sauditas que tentavam impedir a aterragem do avião iraniano e prometeram continuar os voos entre Teerão e Sana.

O porta-voz militar do grupo Huti, Yahya Sarea, advertiu que os rebeldes atacariam aeroportos sauditas e infraestruturas terrestres e marítimas vitais caso a Arábia Saudita continuasse com o que o grupo descreveu como violações do espaço aéreo iemenita.

Al Alimi apelou a "uma postura internacional mais firme face à flagrante ingerência do Irão nos assuntos iemenitas" e exigiu uma "investigação internacional sobre a carga do avião e sanções mais severas contra os Huthis".

O Irão negou repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo.


Hamas dissolve estruturas governativas em Gaza. O que se sabe?... O movimento islamita palestiniano Hamas anunciou hoje a dissolução das suas estruturas governativas na Faixa de Gaza, após quase 20 anos no poder, abrindo caminho à administração do território por um comité tecnocrático.

© Ahmad Salem/Bloomberg via Getty Images     Por  LUSA   06/07/2026 

"O presidente do comité de emergência do Governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente a sua demissão", declarou à AFP Ismail al-Thawabta, diretor do gabinete de comunicação social do Governo do Hamas, acrescentando que foi decidida "a dissolução do comité para facilitar a transição administrativa e governativa para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)".

O comité foi criado pelo Conselho de Paz, estabelecido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, durante as negociações que conduziram ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025.

O NCAG, presidido pelo palestiniano Ali Shaath, tem sede no Cairo há vários meses, depois de Israel se ter oposto, segundo várias informações, ao seu destacamento para o território devastado pela guerra.

Decisão do Hamas é simbólica mas constitui uma viragem política

A decisão do Hamas representa um ponto de viragem político para o movimento islamita, que tomou o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com a Fatah, movimento do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

Alguns meses após o início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque do movimento islamita em território israelita em 07 de outubro de 2023, o Hamas afirmou estar disposto a abandonar o poder em Gaza em favor de outra liderança palestiniana.

Desde então, foram avançados vários cenários, mas a situação no terreno permanece bloqueada. Um dos principais pontos de discórdia continua a ser o desarmamento do Hamas, que insiste que apenas aceitará essa medida no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, condição rejeitada por Israel.

"O Hamas dá um novo passo ao renunciar à administração da Faixa de Gaza, retirando à ocupação qualquer pretexto para prosseguir a sua agressão e a sua guerra de extermínio", afirmou à agência France-Presse (AFP) o porta-voz do movimento, Hazem Qassem.

Um responsável do Hamas tinha indicado anteriormente à AFP que o movimento já tinha informado as restantes fações palestinianas da decisão durante uma recente reunião realizada no Cairo.

Principal obstáculo é desarmamento do Hamas

Para o politólogo palestiniano Mkhaimar Abusada, ouvido pela AFP, a decisão do Hamas é, acima de tudo, "simbólica".

"O problema não é a dissolução do seu comité governativo, mas a aceitação do seu desarmamento. [...] Esse continua a ser o principal obstáculo", afirmou.

"Do ponto de vista do Hamas, este anúncio permite responder a vários objetivos", explicou à AFP uma fonte diplomática que participou em algumas das negociações no Cairo.

A mesma fonte considerou que a decisão "mostra que o movimento faz avançar o processo, ao mesmo tempo que procura evidenciar aquilo que considera ser o incumprimento, por parte de Israel, dos compromissos assumidos".

Segunda fase do cessar-fogo ainda bloqueada

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelitas detidos pelo Hamas, em troca de palestinianos presos por Israel.

Contudo, a passagem à segunda fase, que previa o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas da Faixa de Gaza, permanece bloqueada há vários meses.

Pelo contrário, as forças israelitas reforçaram a sua presença no enclave, enquanto o modelo de governação da Faixa de Gaza no pós-guerra continua a ser um dos principais pontos de divergência.

Israel exclui qualquer regresso do Hamas ao poder, mas rejeita igualmente, nesta fase, o restabelecimento da administração direta da Faixa de Gaza pela Autoridade Palestiniana.

O Hamas e Israel acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

Mais de mil palestinianos mortos desde a trégua

Pelo menos 1.072 palestinianos morreram na Faixa de Gaza desde a entrada em vigor da trégua, segundo o Ministério da Saúde do território, tutelado pelo Hamas, cujos dados são considerados fiáveis pelas Nações Unidas.

O Exército israelita afirma ter perdido, no mesmo período, cinco militares e um prestador de serviços civis em Gaza.


Leia Também: 40 mil funcionários públicos de Gaza pedem proteção após queda do Governo

Cerca de 40.000 funcionários do setor público de Gaza exigiram hoje a salvaguarda dos direitos profissionais e económicos, após a dissolução do Governo do Hamas, que dará lugar ao Comité Nacional para a Administração de Gaza.

Guiné-Bissau: Referendo popular sobre nova Constituição a 30 de agosto... Os guineenses são chamados a 30 de agosto a pronunciar-se sobre a nova Constituição do país, de acordo com um decreto presidencial publicado hoje.

©Radio TV Bantaba     06/07/2026 

Presidência da República de transição convoca referendo nacional sobre entrada em vigor da nova Constituição

Bissau, 6 de julho de 2026 — A Presidência da República de transição da Guiné-Bissau anunciou, através do Decreto Presidencial n.º 19/2026, a convocação de um referendo nacional para que os cidadãos eleitores se pronunciem sobre a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição.

De acordo com o decreto, a decisão foi tomada considerando a proposta para a realização do referendo nacional, sobre a qual o Supremo Tribunal de Justiça emitiu parecer favorável nos termos da Lei n.º 12/2026, de 16 de junho, bem como o cumprimento dos procedimentos previstos nos artigos 29.º e 30.º da referida lei.

A consulta popular terá como pergunta:

“Concorda com a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição?”

Os eleitores deverão responder através de uma das seguintes opções:

* SIM;

* NÃO.

O referendo nacional está marcado para o dia 30 de agosto de 2026.

O Decreto Presidencial entra em vigor na data da sua publicação.

Bissau, 6 de julho de 2026.

Ataques da Ucrânia à energia russa afetam abastecimento no Cazaquistão... Os constantes ataques da Ucrânia às infraestruturas energéticas da Rússia, que já provocaram uma crise de escassez de combustível, estão também a afetar o Cazaquistão, país vizinho, de onde os russos estão a contrabandear gasolina.

© Getty Images     Por  LUSA    06/07/2026 

Segundo o ministro do Interior do Cazaquistão, Yerzhan Sadenov, foram impedidas este ano 593 tentativas de exportação ilegal de produtos petrolíferos, num total de mais de 40.000 litros. 

As autoridades estão também a monitorizar os postos de abastecimento de combustível onde o volume de atendimento aumentou para níveis classificados como anormais.

Como resultado da crise de escassez de combustível na Rússia, provocada pelos ataques ucranianos, os cidadãos russos estão a atravessar a fronteira com o Cazaquistão para abastecer e, ocasionalmente, encher contentores para contrabando.

As autoridades cazaques foram forçadas a aumentar a vigilância e a investir mais recursos em controlos alfandegários, referiu o vice-ministro das Finanças do Cazaquistão, Yerzhan Birzhanov.

Nos últimos dias, adiantou, foram registadas 61 tentativas de contrabando envolvendo mais de três toneladas de mercadorias.

Os ataques às refinarias russas, que nas últimas semanas atingiram as regiões de Yaroslavl, Nozhny Novgorod e Saratov, estão também a afetar o fluxo de produtos cazaques para a Rússia.

A questão levou à realização de uma reunião governamental de emergência em Astana para abordar a ameaça de escassez de produtos petrolíferos antes da época da colheita do trigo, uma das principais exportações daquela república da Ásia Central.

A Ucrânia tem levado a cabo constantes ataques contra a retaguarda da Rússia, que visam sobretudo refinarias e depósitos de petróleo, o que já provocou uma grave escassez de combustível, com as autoridades russas a impor restrições à venda de gasolina e gasóleo.

Pelo menos 20 regiões russas restringiram oficialmente a venda de combustível, de acordo com o portal de notícias independente russo Meduza, embora existam restrições não oficiais em mais do dobro de localidades.


Leia Também:  Pelo menos 20 mortos em ataques russos contra o território ucraniano

Pelo menos 20 pessoas morreram nos ataques russos com mísseis e drones contra a Ucrânia na madrugada de hoje, segundo um novo balanço das autoridades ucranianas.

Netanyahu pede aos EUA que não vendam caças F-35 à Turquia... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu pediu hoje aos Estados Unidos que não autorizem a venda de caças F-35 à Turquia, considerando que tal alteraria o equilíbrio estratégico no Médio Oriente.

© Getty Images/Ilia YEFIMOVICH/AFP     Por LUSA   06/07/2026 

Numa entrevista à cadeia televisiva Fox News, Netanyahu afirmou que não considera que Washington deva fornecer à Turquia os caças F-35 nem os motores destinados a estas aeronaves, porque isso "desequilibraria a balança de poder no Médio Oriente".

As declarações surgem numa altura em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, deverá participar na próxima cimeira da NATO em Ancara.

Os Estados Unidos retiraram a Turquia do programa de desenvolvimento e aquisição dos caças F-35 em 2019, na sequência da compra, por Ancara, do sistema russo de defesa antiaérea S-400, cuja aquisição tinha sido anunciada em 2017.


Presidente do Líbano acusa Israel de travar destacamento do exército... O presidente libanês afirmou hoje que a permanência de tropas israelitas no sul do Líbano impede o exército libanês de se posicionar nessa região, quando o acordo-quadro entre os dois países prevê a retirada progressiva de Israel.

© Houssam Shbaro/Anadolu via Getty Images     Por LUSA   06/07/2026 

Joseph Aoun sublinhou "a importância de exercer pressão sobre Israel para que se retire das zonas que ocupa no sul", uma vez que "a manutenção desta ocupação mina a legitimidade do Estado, impede a mobilização do exército e (...) uma paz justa e duradoura", segundo um comunicado da presidência.

Momentos antes, a Agência Nacional de Informação libanesa (ANI) avançou que um novo ataque israelita com um drone matou quatro pessoas no sul do país, entre as quais três mulheres, apesar do cessar-fogo em vigor.

O protocolo de acordo assinado a 17 de junho entre Teerão e Washington permitiu a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo no Líbano a partir de 21 de junho, antes da assinatura, a 26 de junho em Washington, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma paz duradoura.

No entanto, Telavive tem reiterado que pretende manter as suas tropas na zona, que podem estender-se até dez quilómetros para além da fronteira, em território libanês, e continua a realizar ataques pontuais.

Este acordo-quadro prevê que o exército libanês restabeleça a sua autoridade no sul do país, sob a condição do desarmamento do Hezbollah, apoiado pelo Irão, começando por "zonas-piloto" das quais o exército israelita se retiraria.

Contestado pelo movimento xiita Hezbollah, o acordo não estabelece um calendário para a retirada israelita, sem o qual o regresso dos deslocados às localidades fronteiriças permanece em suspenso.

O desarmamento do Hezbollah, que o acordo estabelece como condição prévia para a retirada israelita, é uma exigência de longa data, que o Governo libanês tem dificuldade em implementar, apesar da pressão dos Estados Unidos.

Ambas as partes acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

De acordo com o Ministério da Saúde Pública libanês, pelo menos 4.301 pessoas morreram e 12.199 ficaram feridas desde o início da ofensiva israelita no Líbano, em 02 de março.

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano, que começou a 28 de fevereiro.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior.


Comité palestiniano diz-se pronto para governar a Faixa de Gaza... O comité tecnocrático palestiniano criado pelo Conselho de Paz estabelecido pelo Presidente norte-americano declarou-se hoje preparado para administrar a Faixa de Gaza, após o anúncio da dissolução do governo do Hamas.

© Lusa   06/07/2026 

"Afirmamos que o Comité Nacional para a Administração de Gaza está plenamente preparado para assumir as suas responsabilidades nacionais assim que estejam reunidos os recursos e as capacidades necessários", escreveu na rede social X o presidente do organismo, Ali Shaath.

A dissolução do órgão de 15 membros que administrava a Faixa de Gaza sob a autoridade do Hamas há cerca de duas décadas abre caminho à transferência das responsabilidades administrativas no território para o Comité Nacional para a Administração de Gaza, mas que permaneceu parado e fora de Gaza durante vários meses.

Hoje de manhã o grupo islamita confirmou a decisão, que abre caminho para que o território seja gerido por um comité tecnocrático já formado, cuja missão é garantir a representação palestiniana nas instituições de Gaza.

A iniciativa do Hamas marca uma importante viragem política do movimento islamita, que assumiu o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com o Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

"Os movimentos [palestinianos reunidos no Cairo] saudaram a decisão do Hamas, considerando-a um passo importante que permite ao Comité Nacional assumir o seu papel na governação", disse outro representante do Hamas.

Poucos meses após o início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque em solo israelita de 07 de outubro de 2023, o movimento islamita anunciou a sua disponibilidade para ceder o poder na Faixa de Gaza a outra liderança palestiniana.

Desde então, têm sido discutidos vários cenários, mas, na prática, o progresso estagnou.

Um dos principais pontos de discórdia continua a ser o desarmamento do Hamas, que afirma que só o fará no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, posição rejeitada por Israel.


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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, advertiu hoje a comunidade internacional de que não permitirá a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada após meses de bombardeamentos israelitas, sem garantias de que as milícias do Hamas tenham sido completamente desarmadas.

RÚSSIA: Kremlin defende teste de míssil da China que "não ameaça ninguém"... O Kremlin defendeu hoje o teste de um míssil, sem carga nuclear, realizado pela China, principal aliado de Moscovo, no oceano Pacífico, e criticado por vários países da região.

© Lusa    06/07/2026 

"É um direito soberano da China testar os seus mísseis (...). A China não ameaça ninguém no mundo", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em resposta a uma pergunta da AFP, durante a conferência de imprensa diária.

A Austrália classificou o lançamento como "desestabilizador para a região", por ter ocorrido poucas horas depois da assinatura de um importante tratado de defesa entre a Austrália e as ilhas Fiji.

Peskov garantiu ainda que os exercícios navais anuais iniciados hoje pelas marinhas chinesa e russa, ao largo de Qingdao, importante porto militar e estância balnear no leste da China, não representam uma ameaça para "qualquer Estado da região".

A China realizou hoje um teste com um míssil balístico estratégico lançado de um submarino nuclear para águas do Pacífico, numa operação que Pequim classificou como rotineira, mas que motivou críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.

O míssil, equipado com uma ogiva simulada de treino, foi lançado às 12:01 locais (05:01 em Lisboa) e atingiu com precisão a zona marítima prevista, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Segundo a agência estatal, o ensaio integrou o plano anual de treino das Forças Armadas chinesas, foi previamente comunicado aos países relevantes e "não está dirigido contra nenhum país nem alvo específico", acrescentando que decorreu em conformidade com o direito e as práticas internacionais.

A Xinhua indicou apenas que o lançamento foi efetuado por um submarino nuclear estratégico da Marinha do Exército de Libertação Popular para "águas internacionais relevantes" do Pacífico, sem revelar o tipo de míssil, a classe do submarino ou o local exato do impacto.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, trata-se do primeiro teste conhecido de um míssil lançado de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado a partir de um submarino de propulsão nuclear.

O ensaio ocorre ainda após o agravamento das relações entre Pequim e Tóquio, marcado por novas restrições chinesas à exportação de produtos de dupla utilização para entidades japonesas e por protestos do Japão devido à presença de navios chineses junto da ilha de Yonaguni, a cerca de 150 quilómetros de Taiwan.

O teste coincide ainda com os preparativos para novos exercícios navais conjuntos entre a China e a Rússia, previstos para decorrer este mês em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de patrulhas marítimas conjuntas em zonas do Pacífico.


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Pequim rejeitou hoje "conclusões exageradas" pelo lançamento de um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para o oceano Pacífico, após o ensaio ter suscitado críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.

Xi Jinping felicitou Trump pelo 250.º aniversário da independência... O Presidente chinês, Xi Jinping, felicitou o homólogo norte-americano, Donald Trump, pelo 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, assinalado em 04 de julho, num gesto protocolar entre duas potências em plena rivalidade estratégica.

© Getty Images      Por LUSA   06/07/2026 

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou hoje em conferência de imprensa que Xi enviou a mensagem de felicitações "em nome do Governo e do povo chineses", sem adiantar mais pormenores.

O aniversário ocorreu após a visita de Estado que Trump realizou à China em maio, a primeira de um Presidente norte-americano ao país asiático em quase uma década.

Desde então, os dois rivais anunciaram mecanismos de diálogo nas áreas do comércio e do investimento, compromissos nos setores da agricultura e da aviação e contactos militares, numa tentativa de manter abertos os canais de comunicação após anos de tensões.

A relação continua, porém, marcada por divergências em torno das taxas alfandegárias, dos controlos tecnológicos, das terras raras, de Taiwan, da segurança regional e das restrições impostas pelos Estados Unidos a empresas chinesas.

Hamas prepara-se para dissolver administração que gere Gaza... O Hamas prepara-se para dissolver a sua administração, que governou a Faixa de Gaza durante quase 20 anos, avançaram responsáveis do grupo islamita palestiniano.

Foto: Eyad Baba/AFP      Por  JN/Agências   6 de julho, 2026 

A decisão pode abrir caminho para que o território seja gerido por um comité tecnocrático já formado, cuja missão é garantir a representação palestiniana nas instituições de Gaza.

"O movimento decidiu dissolver a comissão do Governo de Gaza e nomear uma figura de consenso nacional para supervisionar os trabalhos até que o Comité Nacional para a Administração de Gaza assuma oficialmente as suas responsabilidades", disse um responsável do Hamas, citando pela agência francesa de notícias AFP sob anonimato, já que não estava autorizado a falar publicamente sobre o assunto.

A assessoria de imprensa do Governo do Hamas em Gaza anunciou que irá realizar hoje uma "importante conferência de imprensa".

A iniciativa do Hamas marca uma importante viragem política do movimento islamita, que assumiu o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com o Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

"Os movimentos [palestinianos reunidos no Cairo] saudaram a decisão do Hamas, considerando-a um passo importante que permite ao Comité Nacional assumir o seu papel na governação", disse outro representante do Hamas.

Poucos meses após o início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque em solo israelita de 07 de outubro de 2023, o movimento islamita anunciou a sua disponibilidade para ceder o poder na Faixa de Gaza a outra liderança palestiniana.

Desde então, têm sido discutidos vários cenários, mas, na prática, o progresso estagnou.

Um dos principais pontos de discórdia continua a ser o desarmamento do Hamas, que afirma que só o fará no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, posição rejeitada por Israel.

A dissolução do comité do Hamas que administra a Faixa de Gaza permite a instalação do Comité Nacional para a Administração de Gaza, liderado por Ali Shaath, que deverá assumir a gestão diária do território.

Este comité foi criado pelo Conselho de Paz, organização instituída pelo presidente dos EUA, Donald Trump, mas permaneceu parado e fora de Gaza durante vários meses.

Angolanos vão poder entrar em Macau sem visto prévio... Macau anunciou hoje que os angolanos vão poder entrar na região sem obter visto com antecedência, algo que, segundo a Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), irá facilitar as viagens de negócios.

© Lusa   06/07/2026 

As duas jurisdições irão firmar um acordo sobre a dispensa mútua de visto, segundo uma ordem executiva, assinada pelo líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai. 

A ordem, datada de 02 de julho, mas publicada hoje no Boletim Oficial de Macau, confere ao secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, "todos os poderes necessários" para celebrar o acordo com o Governo de Luanda.

O presidente da assembleia-geral da CCAMO, Pedro Lobo, disse à Lusa que a medida "pode ajudar, e muito, as relações comerciais (...), ainda para mais com o consulado a encerrar".

Em maio, o Ministério das Relações Exteriores angolano anunciou o fecho de quatro consulados, incluindo o de Macau, algo que justificou com um excesso de pessoal nas representações externas e a insuficiência de orçamento.

O cônsul de Angola na região chinesa, Eduardo Velasco Galiano, era também o delegado angolano junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).

"Há bastante tempo que as relações entre Macau e Angola que se estavam estreitar", disse Pedro Lobo, mas a medida vem "tirar alguma instabilidade e incerteza" nas viagens de negócios.

O dirigente da CCAMO confirmou que "sempre houve problemas" nas viagens de Angola para Macau e recordou o caso de empresários angolanos que "tiveram de voltar para trás, porque não tinham visto para fazer trânsito em Hong Kong".

Apesar das "grandes expectativas", Lobo defendeu que a isenção de visto só terá um impacto significativo, caso sejam estabelecido voos diretos de passageiros entre Angola e Macau ou as regiões vizinhas de Hong Kong e Cantão.

Angola irá tornar-se o quarto país de língua portuguesa, a seguir a Portugal, Brasil e Cabo Verde, cujos cidadãos beneficiam de isenção de visto, a beneficiar deste regime com Macau.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.

O organismo integra os membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.

O Fórum de Macau organiza anualmente a Semana Cultural China-Países de Língua Portuguesa, cuja edição deste ano, a decorrer até 10 de julho, não conta com artistas angolanos devido a preocupações com a epidemia de Ébola.

Em 22 de junho, o secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Danilo Henriques, indicou que a decisão se deve a instruções das autoridades sanitárias do território.

O Governo de Macau decidiu impor um período de vigilância de 21 dias a todas as pessoas provenientes dos 10 países africanos em risco por causa da epidemia de Ébola.

Entre esses países está Angola, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, onde começou o surto, que depois evoluiu para epidemia.

Em maio de 2025, Macau e Angola assinaram um acordo para trocar informações, de forma a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo ou à proliferação de armas de destruição maciça.


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Taiwan alerta para aumento dos destacamentos navais chineses no Pacífico... A Marinha chinesa mantém destacadas quatro forças-tarefa navais no Pacífico Ocidental, afirmou hoje o diretor do Gabinete de Segurança Nacional (NSB) de Taiwan, Tsai Ming-yen, que alertou para uma "tendência crescente" deste tipo de destacamentos.

© Lusa    06/07/2026 

Em declarações citadas pela agência noticiosa CNA, Tsai afirmou que uma das forças navais chinesas se encontra atualmente no Pacífico Sul, duas operam a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e uma quarta está posicionada em águas a nordeste das Filipinas. 

O responsável salientou que o período entre julho e setembro corresponde à "época alta" dos exercícios e treinos militares de rotina do Exército chinês, em particular ao nível dos teatros de operações, acrescentando que o NSB acompanha "de perto" a evolução destes movimentos.

"O Gabinete observará se os exercícios de rotina da China este ano apresentam alguma particularidade e compará-los-á com manobras anteriores para detetar possíveis novos padrões", explicou.

As declarações surgem dois dias depois de o secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, ter afirmado que Pequim mobilizou um número "recorde" de mais de 110 navios da Marinha e da Guarda Costeira ao longo da primeira cadeia de ilhas.

A primeira cadeia de ilhas corresponde à linha de arquipélagos que se estende do Japão às Filipinas, passando por Taiwan, e separa os mares costeiros chineses do oceano Pacífico.

"A mobilização marítima em grande escala da China ao longo da primeira cadeia de ilhas é um sinal claro do seu expansionismo (...). Este valentão tem dinheiro para gastar indiscriminadamente, mas nada para o seu próprio povo", escreveu Wu na rede social X.

Estes movimentos coincidem com o aumento das patrulhas da Guarda Costeira chinesa em águas a leste de Taiwan -- a mais recente iniciada no sábado --, que suscitaram protestos de Taipé e de vários países europeus, que consideram estas operações uma ameaça à estabilidade regional.

Na semana passada, o Governo chinês defendeu que estas operações são "razoáveis, legais, legítimas e necessárias" e acusou o Japão e as Filipinas de violarem o direito internacional e de atentarem contra os direitos marítimos da China na região.

O ministério da Defesa Nacional de Taiwan detetou no mês passado mais de uma centena de embarcações oficiais chinesas nas imediações da ilha e contabilizou já cerca de 30 este mês.

Entretanto, o Ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as Marinhas da China e da Rússia vão realizar exercícios militares durante este mês nas águas e no espaço aéreo chineses, aos quais se seguirá uma operação de "patrulhamento marítimo conjunto" em "áreas relevantes" do oceano Pacífico.


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RÚSSIA: Abatidos mais de 500 drones ucranianos, refinaria atingida na Rússia... A Rússia abateu 519 drones ucranianos durante a madrugada de hoje sobre cerca de 20 regiões russas e a Crimeia anexada, informou o Ministério da Defesa russo, adiantando que foi atingida uma refinaria a 250 quilómetros de Moscovo.

© YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images       Por  LUSA   06/07/2026 

Esses ataques com drones ocorreram ao mesmo tempo que diversos ataques aéreos russos mataram pelo menos 10 pessoas na região de Kyiv, onde jornalistas da Agência France Presse (AFP) testemunharam dezenas de explosões.

No ataque da madrugada de hoje, a Ucrânia atingiu uma refinaria na região russa de Yaroslavl, a 250 quilómetros a nordeste de Moscovo, interrompendo o fornecimento de energia para a cidade portuária de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da Rússia.

Esta não é a primeira vez que a Ucrânia ataca esta instalação, uma das maiores do seu género na Rússia.

Em maio, a refinaria já tinha sido ser atingida por fragmentos de drones.

Na região de Yaroslavl, duas pessoas ficaram feridas num "ataque massivo" de drones ucranianos, mais de 70 dos quais foram abatidos, segundo anunciou o governador regional, Mikhail Yevrayev, no Telegram.

Os ataques ucranianos que tiveram como alvo a região de Moscovo, sendo que 11 drones que se dirigiam para a capital russa foram destruídos, e 56 foram abatidos na região de Leningrado (noroeste), segundo autoridades locais.

Drones ucranianos também foram abatidos sobre a Península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Nessa região, Sebastopol, na costa do Mar Negro, está sem eletricidade devido a um ataque da Ucrânia à infraestrutura energética próxima da cidade, segundo Mikhail Razvozhayev, governador nomeado por Moscovo.

A Rússia tem atacado a Ucrânia diariamente desde que lançou sua ofensiva em larga escala, em fevereiro de 2022.

Por sua vez, o exército ucraniano lança drones regularmente contra a Rússia, visando principalmente a infraestrutura energética que permite a Moscovo financiar o seu esforço de guerra.

As negociações mediadas pelos Estados Unidos para pôr fim a esse conflito estão atualmente paralisadas.


Bombardeio contra Kiev mata 14 pessoas antes da reunião de cúpula da Otan

Por   swissinfo.ch  06 julho 2026 
A Rússia lançou mísseis e drones nesta segunda-feira (6) contra prédios residenciais em Kiev pela segunda vez em uma semana, uma ofensiva que deixou pelo menos 14 mortos um dia antes do início de uma reunião de cúpula crucial da Otan.

O presidente ucraniano Volodimir Zelensky fez um apelo aos países aliados a adotarem “decisões firmes” para aumentar o fornecimento de sistemas de defesa aérea à Ucrânia após o ataque, que aconteceu poucos dias após outro bombardeio russo matar mais de 30 pessoas em Kiev.

O ataque desta segunda-feira abriu uma cratera em um bloco de apartamentos de vários andares na capital ucraniana, destruindo os andares superiores. Durante a noite, jornalistas da AFP em Kiev ouviram mais de 10 explosões durante um alerta de mísseis balísticos.

Este foi o segundo ataque em que a Rússia utilizou mísseis balísticos difíceis de interceptar, o que provocou um novo e desesperado apelo de Zelensky para que os aliados enviem mísseis avançados para os sistemas de defesa aérea Patriot, de fabricação americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky devem conversar sobre a guerra iniciada em 2022, à margem da cúpula da Otan que começa na terça-feira em Ancara (Turquia).

“É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, declarou Zelensky nas redes sociais.

Pelo menos 14 pessoas morreram em Kiev e sua região após o lançamento de 68 mísseis e 351 drones, acrescentou o presidente. Os ataques também deixaram mais de 60 feridos.

As autoridades de Vyshneve, um subúrbio de Kiev, ordenaram a saída dos moradores devido à possível presença de munições não detonadas entre os escombros.

– Um ataque contundente –

Os habitantes do distrito de Podilski, zona norte da capital, viveram momentos de angústia.

“Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes”, contou à AFP Oleksandr Bakhlukov, que mora em um prédio próximo. “Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento”, acrescentou o homem de 68 anos.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um “ataque em larga escala” com mísseis e drones contra o que descreveu como “empresas do complexo militar-industrial” e contra instalações de energia em várias regiões ucranianas.

Quase 30 edifícios residenciais em Kiev foram atingidos e as equipes de resgate continuavam removendo os escombros várias horas depois do ataque, informaram as autoridades.

Zelensky disse que o Exército ucraniano derrubou os drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que dispõe de “um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores” para deter os mísseis balísticos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa “com urgência” de mais defesa aérea e que a questão será abordada na reunião da Otan.

O Exército russo afirmou que suas forças também derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite.

– Apagão na Crimeia –

Na Crimeia, o governador da península designado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, anunciou no Telegram que, “após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia perto de Sebastopol”, a cidade ficou sem eletricidade.

O presidente Trump deve se encontrar com Zelensky na terça-feira em Ancara. “Obviamente vai se reunir com ele para conversar sobre como acabar com a guerra”, declarou um funcionário de alto escalão do governo americano que pediu anonimato.

Trump também tem em sua agenda uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin, para tentar reativar os esforços de paz na Ucrânia.

A Rússia lança com frequência ondas de mísseis e drones contra as cidades ucranianas desde o início da invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022.

O conflito entre Ucrânia e Rússia é o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Ataques e xenofobia na África do Sul: Fuga da África do Sul expõe transportadores moçambicanos a medo... Por entre o fluxo constante de moçambicanos que escapam a ataques xenófobos na África do Sul, transportadores relatam, em Maputo, fugas marcadas pelo medo e a urgência de resgatar compatriotas, enfrentando a incerteza de perder o sustento.

© Lusa    06/07/2026 

João Zandamela, transportador moçambicano com mais de 20 anos de experiência nas rotas entre Maputo, Joanesburgo e Durban, descreve à Lusa um cenário que se alterou rapidamente nos últimos dias, com o fluxo de passageiros a inverter-se quase por completo, apenas de regresso a Moçambique, entre tensões e incertezas em cada viagem desde o país vizinho.

"Fui ontem a tarde [à África do Sul], cheguei ontem à noite. Carreguei e saí lá para as 22:00, agora estou a chegar, mas na nossa ida para Durban as coisas não estavam bem", explica, no meio do movimento intenso na terminal rodoviário da Junta, arredores de Maputo, onde se acumulam passageiros, moçambicanos e malauianos.

Todos estão em fuga dos ataques e xenofobia na África do Sul, carregados de bagagens e incerteza, enquanto aguardam por um transporte que os leve para casa.

O transportador relata que, durante a última viagem, foram alvo de ameaças de grupos xenófobos, mas a urgência de retirar o maior número possível de moçambicanos e malauianos falou mais alto, levando-os a prosseguir. Descreve que terá sido a sua última viagem de resgate, concluída antes de 30 de junho, data limite imposta por estes grupos anti-imigração sul-africanos para a saída dos estrangeiros, africanos, do país.

"Tínhamos de ir até lá porque os nossos compatriotas são muitos e esses nossos vizinhos malauianos estavam super cheios do outro lado", diz, admitindo que o receio o acompanhava ao longo do percurso, pela possibilidade de ser interpelado por esses grupos violentos, num contexto em que pelo menos nove moçambicanos perderam a vida.

Para João Zandamela, os próximos dias são de incerteza, à medida que a África do Sul - a única rota em que trabalha - se esvazia rapidamente, deixando a certeza da aproximação de uma crise sem precedentes.

"Saímos daqui vazios para Durban, Durban para Maputo, com passageiros. Daqui em diante, há-de haver crise", lamenta, admitindo, ainda assim, que não vai abandonar a rota, enquanto der.

Também Armindo Machavane, que opera desde 2016 na rota entre a província de Gaza, sul de Moçambique, e Pretória, prevê que o negócio se torne cada vez mais difícil nos próximos dias.

"Não tem clientes que vão para a África do Sul agora, só tem aqueles que estão a abandonar", conta, apontando como principal causa o ultimato lançado por manifestantes anti-imigração na África do Sul para a saída de estrangeiros.

Acabado de regressar da África do Sul, e enquanto os passageiros rapidamente tentam descer da viatura, o transportador relata que, apesar do atual pico de saídas "muito bom", a rota deverá enfrentar uma quebra na procura nos próximos dias.

"Daqui a nada não teremos trabalho, porque já não tem ninguém lá na África do Sul", lamenta Machavane.

Na terminal da Junta, passageiros e bagagens amontoam-se, disputando espaço com o movimento constante de viaturas, entre as quais algumas, as últimas, vindas da África do Sul, incluindo carros particulares mobilizados para trazer compatriotas, aumentando a pressão sobre quem procura lugar nas viagens seguintes rumo às províncias, mais a norte de Maputo.

Entre essas viaturas particulares está a de Pedro Massango, que desde 2008 assegura o transporte de passageiros entre Maputo e a cidade de Stanger, na África do Sul, num trajeto regular de ida e volta.

"Em Stanger não tem grande problema, o grande problema está na cidade de Durban", relata Massango, já de saída do terminal rodoviário para mais uma viagem, acrescentando que, apesar da insegurança, terá de voltar porque "as pessoas estão mal lá".

Segundo o transportador, algumas pessoas vivem agora escondidas no mato, em condições precárias, tentando escapar à violência e à insegurança: "Mesmo agora, estou a receber muitas chamadas de pessoas que estão no mato (...), precisam de ajuda".

Se para os transportadores que fazem a rota entre África do Sul e Moçambique o movimento representa uma corrida para retirar compatriotas, para quem assegura o transporte interno o impacto faz-se sentir na redistribuição desse fluxo pelo país.

É o caso de Sérgio Kivi, que opera na rota Maputo-Gaza, e que tem registado um aumento do número de passageiros provenientes da África do Sul, refletindo a chegada de migrantes em regresso do país vizinho.

Ainda assim, o motorista evita encarar o fenómeno como positivo, sublinhando que o aumento resulta de dificuldades enfrentadas pelos passageiros. "Não é para tanto dizer que fico feliz por isso".

Acrescenta que esse aumento do fluxo intensificou-se há pouco mais de uma semana, não escondendo agora a preocupação com a sustentabilidade da atividade daqui para a frente.

Kivi diz que o momento exige cautela, já que o fluxo poderá diminuir rapidamente assim que cessarem os regressos, deixando o setor novamente com pouca procura e sem alternativas claras.

Oficialmente, deixaram a África do Sul, retirados pelas autoridades nas últimas semanas, menos de mil moçambicanos.

Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na vizinha África do Sul, avançou na quarta-feira o Governo de Moçambique, que tenta assegurar assistência e o repatriamento.

O Governo moçambicano admitiu recentemente desafios relativos ao repatriamento e reintegração de cidadãos nacionais vítimas de xenofobia na vizinha África do Sul, quando nove moçambicanos já foram mortos e 738 repatriados devido aos ataques.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia.

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.

*** Lina Cebola (texto e fotos), Fernando Cumaio (vídeo), da agência Lusa ***