sábado, 20 de junho de 2026

GUINÉ-BISSAU: Chefes militares da CEDEAO visitam Guiné-Bissau para processo de transição... Uma delegação de chefes das Forças Armadas da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) encontra-se em Bissau para se inteirar do processo de transição em curso no país, noticiaram hoje as autoridades militares guineenses.

Por  LUSA  20/06/2026 

Em publicações feitas na página oficial, as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) da Guiné-Bissau, indicaram que a delegação chegou a Bissau ao início da noite de sexta-feira e ficará durante cinco dias para contactos com entidades locais.

Os militares tomaram o poder a 26 de novembro de 2025 na Guiné-Bissau, anunciaram um período de transição de 12 meses e convocaram eleições gerais, presidenciais e legislativas, para 06 de dezembro.

Com a alteração da ordem constitucional, a Guiné-Bissau foi suspensa de todas as organizações internacionais de que é membro, nomeadamente da CEDEAO, que tem enviado missões de bons ofícios ao país para mediar a crise política.

A visita de cinco dias da delegação dos Chefes do Estado-maior General das Forças Armadas da CEDEAO "enquadra-se no propósito de acompanhar o período transitório no país", segundo informam as FARP da Guiné-Bissau.

De acordo ainda com a fonte, "durante este tempo, a missão chefiada pelo Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas da Serra Leoa (Amara Idara Bangura) irá manter sessões de trabalho com as entidades militares e paramilitares guineenses".

A delegação é ainda integrada pelos chefes militares de Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Senegal.

A imprensa local relatou que a missão, além de reuniões com o Alto Comando Militar, autor do golpe, terá encontros com as representações diplomáticas de países da CEDEAO em Bissau.

Esta mesma missão de chefes militares da CEDEAO devia ter visitado Bissau um mês depois do golpe de Estado, mas na altura foi cancelada, sem que tenham sido apresentados os motivos.

Nessa ocasião, o chefe da diplomacia senegalesa, Cheikh Niang, e mais tarde o ministro da Defesa do mesmo país, general Birame Diop, acabaram por visitar Bissau na tentativa de facilitar o cumprimento das diretrizes emitidas pelos chefes do Estado da CEDEAO na sequência do golpe.

Entre essas diretrizes está a formação de um governo civil e o retorno dos militares às casernas, bem como a libertação de opositores políticos detidos, entre os quais Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, dissolvido em 2023.

Simões Pereira foi detido no dia do golpe militar de novembro de 2025 e passou mais de 60 dias na prisão da Segunda Esquadra de onde saiu em janeiro passado para prisão domiciliária.

A oposição e os advogados de Simões Pereira têm apelado para a libertação com o argumento de que a prisão domiciliária é ilegal.

O político está a ser investigado pelo Tribunal Militar por suspeita de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado que terá ocorrido em outubro de 2025, acusação negada pelos seus advogados.

Esta alegada tentativa de golpe terá ocorrido um mês antes das eleições gerais que se realizaram a 23 de novembro de 2025 e que foram interrompidas pelo golpe militar consumado três dias depois sem que tenham sido divulgados os resultados oficiais.

O candidato da oposição, Fernando Dias, reclamava vitória sobre o Presidente da República e recandidato, Umaro Sissoco Embaló, deposto no golpe militar, que a oposição classifica como encenação para alegadamente contornar a derrota eleitoral.

O líder do histórico PAIGC, Simões Pereira, e o partido foram, pela primeira vez, afastados das eleições por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que esteve refugiado durante cerca de dois meses na embaixada da Nigéria, em Bissau, e atualmente na residência pessoal.

A CEDEAO tem acompanhado a situação na Guiné-Bissau que deverá ser um dos temas na próxima cimeira de chefes de Estado marcada para o próximo mês, em Freetown, capital da Serra Leoa.

Depois da saída de Níger, Burquina Faso e Mali, a organização dos Estados da África Ocidental integra atualmente 11 países: Benim, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Libéria, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.


Irão volta a encerrar Ormuz após ataques de Israel contra o Líbano... O Irão anunciou, este sábado, ter voltado a encerrar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, como consequência da "violação da promessa por parte do inimigo".

© Shady Alassar/Anadolu via Getty Images   Por  Notícias ao Minuto com Lusa  20/06/2026 

O comando militar central iraniano anunciou, este sábado, ter encerrado o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, devido aos ataques de Israel ao sul do Líbano, que classificou como uma  "violação da promessa por parte do inimigo".

"Fica por este meio anunciado que o Estreito de Ormuz será encerrado ao tráfego marítimo; salienta-se que esta primeira medida constitui uma resposta à violação da promessa por parte do inimigo e que, caso a agressão continue, serão planeadas e tomadas medidas adicionais para obrigar o inimigo a cumprir as suas obrigações", adiantou o Quartel-General Central de Khatam-al Anbiya, num comunicado transmitido pela televisão estatal e citado pela Al Jazeera.

O regime iraniano tinha encerrado esta passagem estratégica entre o oceano Índico e o golfo Pérsico, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo, após os ataques de Israel e dos Estados Unidos, em 28 de fevereiro.

A reabertura do estreito estava prevista no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, com vista ao início de negociações para pôr um fim ao conflito no Médio Oriente.

Na quinta-feira, 25 navios atravessaram o estreito de Ormuz, um volume cinco vezes superior à média dos primeiros dez dias de junho e sem precedentes desde meados de abril.

De notar que ataques israelitas mataram mais de 50 pessoas em 24 horas, apesar do anúncio, na véspera, de um cessar-fogo entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, segundo noticiou a agência oficial libanesa ANI.

Sublinhe-se ainda que o presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que Israel cessaria os ataques no Líbano, porque "cumpre o que promete", na sexta-feira. Além disso, alegou que, se não fosse Washington, os israelitas teriam sido aniquilados.

"Respeitam-me muito e fazem o que eu lhes digo", disse Trump, referindo-se às autoridades israelitas, numa entrevista concedida ao portal de notícias Axios, quando questionado se poderia impedir Israel de atacar o país vizinho.

O memorando de entendimento estipulava "o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano, onde Israel e o Hezbollah, aliado de Teerão, se confrontam há mais de três meses.

O texto previa também que a integridade territorial libanesa devia ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.


Leia Também: MNE iraniano e vice-presidente dos EUA vão para a Suíça para conversações

O chefe da diplomacia do Irão viajou hoje para a Suíça, onde devem decorrer "conversações técnicas" com os Estados Unidos, anunciou hoje o governo iraniano.

CABO VERDE: Ex-governante cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva deixa política ativa... O ex-primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva anunciou hoje que vai deixar a política ativa, depois de o novo Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), liderado por Francisco Carvalho, ter sido empossado na sexta-feira.

© Lusa    20/06/2026 

"Agora é o momento de continuar a vida fora da política ativa", escreveu no Facebook, numa mensagem em que informou ter renunciado ao mandato de deputado.

Ulisses Correia e Silva já tinha anunciado igualmente a demissão da presidência do Movimento pela Democracia (MpD) após a derrota nas eleições legislativas de 17 de maio.

O PAICV assegurou uma maioria absoluta de 37 deputados entre os 72 lugares da Assembleia Nacional e o MpD regressou à oposição, com 33 eleitos, após dois mandatos (10 anos) na governação do arquipélago sob a liderança de Ulisses Correia e Silva.

O parlamento conta ainda com dois deputados da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID).

O MpD escolheu, no início do mês, Eurico Monteiro como presidente interino e agendou para 06 de setembro a eleição de um novo líder.

Na Assembleia Nacional, onde a nova composição tomou assento na quinta-feira, a bancada do MpD será liderada pelo deputado Luís Carlos Silva e integra, na qualidade de vice-presidentes, os deputados Damião Medina, Sandra Galina, Lídia Lima e Liver Gomes.

‎CASTANHA ARMAZENADA JÁ ULTRAPASSA PREVISÃO DO GOVERNO PARA A CAMPANHA DE 2026

Por  Rádio Sol Mansi  ‎ 20-06-2026 

‎‎O secretário-geral da Confederação dos Atores da Fileira do Caju, Lassana Sambo, revelou que a quantidade de castanha de caju armazenada no país já ultrapassou a previsão estabelecida pelo Governo para a campanha de comercialização deste ano.

‎‎A informação foi divulgada aos jornalistas no final do encontro de avaliação de meio percurso da campanha de comercialização da castanha de caju, realizado em Bissau, com a participação de representantes de diferentes setores envolvidos no processo de comercialização e exportação do principal produto de exportação da Guiné-Bissau.

‎‎Representando o setor privado no encontro, Lassana Sambo explicou que, das 70 mil toneladas declaradas para exportação, cerca de 37 mil toneladas já foram exportadas. Relativamente ao escoamento da produção, indicou que mais de 200 mil toneladas de castanha já deram entrada em Bissau.

‎‎Segundo o responsável, os dados apresentados pelos delegados regionais apontam ainda para a existência de mais de 25 mil toneladas armazenadas nas diferentes regiões do país.

‎‎Para Lassana Sambo, estes números demonstram que, apesar da fraca produção registada durante a presente campanha, a capacidade produtiva da Guiné-Bissau continua a situar-se acima das 200 mil toneladas.

‎‎No que diz respeito ao mercado, o secretário-geral da Confederação dos Atores da Fileira do Caju afirmou que a procura já ultrapassa a oferta, uma situação que está a contribuir para a valorização do preço da castanha de caju no mercado nacional.

‎‎Por sua vez, o ministro do Comércio, Jaimentino Có, orientou os delegados regionais e as forças de defesa e segurança a reforçarem as ações de vigilância e controlo das viaturas que transportam castanha de caju em direção contrária a Bissau, com o objetivo de combater o contrabando e garantir o normal funcionamento da campanha de comercialização.

Migrações: ONU rejeita que UE transfira obrigações para países terceiros... As Nações Unidas lamentaram hoje profundamente a nova legislação da União Europeia (UE) sobre o "retorno" dos migrantes rejeitados, sublinhando que os países europeus não podem transferir as suas obrigações para países terceiros.

© Shutterstock      Por LUSA    20/06/2026 

"Os países da UE não podem simplesmente passar as suas obrigações em matéria de direitos humanos para países terceiros", afirmou o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, em comunicado.

O Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira o regulamento sobre o retorno de requerentes de asilo rejeitados, uma reforma que inclui a possibilidade de os Estados-membros celebrarem acordos para estabelecer centros de detenção -- os chamados "centros de retorno" - fora das fronteiras da UE.

"A detenção e o regresso a países terceiros de pessoas vulneráveis, incluindo crianças, é um exercício particularmente delicado do poder estatal e acarreta elevados riscos de violações dos direitos humanos", acrescentou Türk.

O alto-comissário sublinhou que, dentro deste contexto, deve haver "uma atenção especial à proteção dos direitos humanos e da dignidade -- na prática e na lei".

Hoje, na União Europeia, apenas cerca de 20% das ordens de deportação de migrantes indocumentados é que resultam, na realidade, no seu retorno ao país de origem, uma estatística fortemente criticada por aqueles que defendem uma política de imigração mais rigorosa.

Sob pressão para endurecer as regulamentações, a Comissão Europeia apresentou, há um ano, uma proposta com o objetivo de aumentar o número de deportações, criticada por políticos de esquerda e por organizações não-governamentais (ONG) de defesa dos direitos humanos.

"A legislação internacional sobre os direitos humanos e dos refugiados é muito clara: ninguém deve ser devolvido a um local onde corra o risco de sofrer graves violações dos direitos humanos", enfatizou Turk.

"Este é o princípio fundamental da não-rejeição. Deve ser plenamente respeitado por todos os países e territórios, em todas as circunstâncias", acrescentou.

Segundo o responsável, "as ordens de deportação devem sempre ser baseadas em casos individuais e não devem entrar em vigor antes da conclusão dos procedimentos de recurso".

O alto-comissário destacou a necessidade de uma abordagem da questão "que tenha em conta a contribuição dos migrantes para as sociedades e economias europeias".

Irão acusa França de "hipocrisia" pelas críticas à repressão no país... O Irão acusou hoje a França de "hipocrisia e dupla moral" após o ministro dos Negócios Estrangeiros francês se ter referido ao povo iraniano como "o maior perdedor da guerra" e uma sociedade "enredada entre a repressão e os bombardeamentos".

© Lusa      20/06/2026 

"Parece que a hipocrisia e a dupla moral continuam a ser caraterísticas da cultura política francesa até aos dias de hoje", declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, na rede social X, citando uma frase de Jean-Baptiste Poquelin (Molière), dramaturgo e poeta francês do século XVII, na obra "Tartufo": "A hipocrisia tornou-se moda". 

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou na sexta-feira que a população iraniana é "a maior perdedora da guerra", após o memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão, argumentando que se trata de um povo "encurralado entre a repressão estatal" e os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Em resposta, Bagaei criticou duramente o ministro francês pelo seu silêncio durante a guerra iniciada em 28 de fevereiro por Israel e os EUA contra o Irão.

"Manteve-se em silêncio enquanto cidades iranianas eram brutalmente bombardeadas e cidadãos inocentes eram massacrados em Minab, Teerão, Lamard, Isfahan e noutros locais, tornando-se, na prática, cúmplice dos agressores", afirmou.

Bagaei sustentou que as atuais críticas de Paris decorrem de interesses políticos franceses e acusou o ministro francês de despertar seletivamente a sua consciência para "dar lições aos iranianos sobre direitos humanos".

As declarações de Barrot surgiram após a relatora da ONU para o Irão, Mai Sato, juntamente com outros peritos daquela organização, terem solicitado que o memorando de entendimento anunciado entre os Estados Unidos e o Irão abordasse a situação dos direitos humanos no país, onde continua a repressão contra civis.

Os especialistas lamentaram que o memorando se concentre quase exclusivamente na retirada militar, na reabertura do Estreito de Ormuz, nos compromissos nucleares e noutras questões estratégicas, enquanto o povo iraniano, "que sofreu enormemente tanto com a agressão militar externa como com a repressão interna, pouco é mencionado neste acordo".

Denunciaram ainda que "desde o início do conflito, no final de fevereiro, as autoridades iranianas têm agido com dureza contra a dissidência", com milhares de detidos e pelo menos 42 executados sob acusações relacionadas com espionagem e segurança nacional.

O Irão foi palco de protestos antigovernamentais maciços em janeiro passado, que foram brutalmente reprimidos, fazendo mais de 3.100 mortos, segundo a versão oficial. No entanto, as organizações não-governamentais (ONG) da oposição, como a HRANA, sediada nos EUA, elevam o número de mortos para mais de 7.000.

As autoridades iranianas, que classificaram as manifestações como "tumultos" e "atos terroristas" orquestrados por Israel e pelos EUA, executaram até ao momento pelo menos 20 manifestantes.


ONU: Há quase 118 milhões de pessoas refugiadas no mundo... Quase 118 milhões de pessoas estão refugiadas ou deslocadas à força em todo o mundo, segundo a ONU, que assinala hoje o Dia Mundial dos Refugiados com a promessa de o diminuir para metade até 2035.

© Eyad Baba / AFP via Getty Images     Por  LUSA  20/06/2026 

Apesar de o total de pessoas que fugiram das suas casas ou países ter diminuído em 2025 -- pela primeira vez numa década -, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) considera que os valores "continuam em níveis dramaticamente altos".

Além disso, a redução do número, de 123 milhões em 2024 para 118 milhões no ano passado, deveu-se sobretudo "a retornos forçados", seja por deportações, seja por que as pessoas "não tiveram oportunidades de integração e inclusão nos países de acolhimento", referiu a agência da ONU.

De acordo com o 'Relatório de Tendências Globais de 2026', publicado esta semana pelo ACNUR, muitas pessoas retornam aos seus países de origem em contextos instáveis e coagidos, como nos casos do Afeganistão, Sudão e Síria.

O retorno aos países de origem aumentou 49%, em comparação com 2024, o que marca o segundo maior pico dos últimos 60 anos.

Em 2025, quase 15 milhões de pessoas regressaram aos seus países de origem, inclusive 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos.

Ainda assim, no ano passado, 5,4 milhões de pessoas -- 70% das quais provindas Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela - foram obrigadas a fugir de guerras, violências e perseguições, e procurar proteção em outros países.

Embora o Sudão continue a ser o país com a crise de refugiados mais grave do mundo, com 9,1 milhões de pessoas obrigadas a fugir das suas casas, o Médio Oriente tornou-se outra área de grande preocupação, com cerca de um milhão de refugiados do Líbano e 3,2 milhões de deslocados no Irão.

Face ao cenário e no ano em que se comemora o 75º aniversário da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, o alto-comissário da agência da ONU que se dedica ao tema anunciou querer reduzir o número para metade na próxima década.

Barham Salih, que foi, ele próprio, um refugiado durante a sua juventude, antes de se tornar Presidente do Iraque, lembrou a necessidade de reconhecer e integrar os milhões de pessoas desenraizadas dos seus países pela guerra, violência ou perseguição, lembrando que ajudam a fortalecer as sociedades que os acolhem.

"Fugir de casa em busca de segurança é uma das escolhas mais difíceis que alguém pode fazer", avançou.

"Embora uma pessoa possa, durante algum tempo, ser definida como refugiada, tornar-se refugiada não deve definir a vida de uma pessoa", defendeu o alto-comissário.

O Dia Mundial dos Refugiados é celebrado anualmente a 20 de junho, com o objetivo de realçar a coragem, os direitos, as necessidades e a resiliência dos refugiados.

A efeméride procura mobilizar a vontade política e os recursos para que os refugiados possam não só sobreviver, mas também prosperar, mas também pretende lembrar todos os que tiveram de escapar a guerras, perseguições ou cenários de terror, por razões como raça, religião, nacionalidade, pertença a um grupo social particular ou opinião política.

Este ano, o dia é subordinado ao tema "Até que todos estejam em segurança", com a ONU a apelar aos governos para que garantam sistemas de proteção internacional justos e acessíveis.

O Dia Mundial dos Refugiados foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 04 de dezembro de 2000.

Delegação militar da CEDEAO chega a Bissau para acompanhar transição... Uma delegação dos Chefes do Estado-Maior-General das Forças Armadas da CEDEAO chegou a Bissau no início da noite desta sexta-feira, 19 de junho, num voo da ASKY Airlines. A missão, que se prolonga por cinco dias, tem como objetivo acompanhar o período de transição em curso no país.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Trump apresenta novo (e luxuoso) Air Force One oferecido pelo Qatar... Trump usará o novo avião para viajar para a cimeira da NATO na Turquia em julho. O aparelho também fará parte das celebrações do feriado de 4 de julho.

ELIZABETH FRANTZ/REUTERS  Por  SIC Notícias  19 jun.2026 

Donald Trump apresentou sexta-feira o novo Air Force One, designação tradicional do avião que transporta o presidente do EUA, um jumbo do Qatar que lhe foi oferecido.

"Este avião foi transformado numa Casa Branca voadora com um nível de luxo que ninguém viu até agora", disse Trump.

ELIZABETH FRANTZ/REUTERS

A apresentação do avião aconteceu num hangar da base aérea de Andrews, perante cerca de 200 militares da Força Aérea.

Trump confirmou que vai viajar no novo Air Force One para a Turquia, em julho, para a cimeira da NATO. O seu regresso de França, onde esteve na cimeira do G7, correspondeu à última viagem do avião atual.

O Air Force One antigo, que deixará agora de ser utilizadoMARTIAL TREZZINI/REUTERS

Trump acrescentou que o novo aparelho vai fazer um sobrevoo durante as celebrações do 4 de julho.

Trump aceitou a 'oferta' do luxuoso Boeing 747 do Qatar em 2025 para ser usado como avião presidencial, apesar das polémicas éticas e legais sobre a aceitação de uma prenda de montante elevadíssimo de um governo estrangeiro.

Trump tem dito que não vai usar o aparelho quando sair do cargo e que este pode ser oferecido a uma futura biblioteca presidencial.

A Força Aérea informou em comunicado que qualquer avião destinado a ser um Air Force One “tem de respeitar exigências rigorosas de segurança” e que o aparelho do Qatar "foi modificado sob uma disciplinada abordagem de engenharia que deu prioridade a capacidades essenciais sobre tudo o resto".

GUINÉ-BISSAU OBTÉM RESULTADOS POSITIVOS NAS ASSEMBLEIAS DO BID E REFORÇA PERSPECTIVAS DE FINANCIAMENTO PARA PROJECTOS ESTRUTURANTES

Por Radio Voz Do Povo 

As expectativas da delegação guineense nas Assembleias Anuais do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID), realizadas de 16 a 19 de junho em Baku, Azerbaijão, traduziram-se em resultados encorajadores para o financiamento de importantes projetos de desenvolvimento da Guiné-Bissau. 

Os encontros mantidos pelo Ministro da Economia, Plano e Integração Regional, acompanhado pelo Diretor-Geral do Plano, permitiram consolidar compromissos de apoio financeiro e abrir novas perspetivas de cooperação com instituições financeiras internacionais.

Um dos principais resultados da missão foi alcançado durante a reunião com o Presidente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA). 

As duas partes analisaram o estado de execução dos projetos financiados pela instituição no país, com destaque para o Projeto de Construção de Vias Urbanas de Bissau – Segunda Fase e Segunda Saída de Bissau (Antula-Nhacra), incluindo uma ponte de 200 metros. 

Na sequência da atualização dos estudos de viabilidade económica e ambiental, foi constatado que o financiamento inicialmente previsto é insuficiente para cobrir a totalidade das obras. Perante esta situação, o BADEA manifestou disponibilidade para aumentar o montante do financiamento, garantindo a conclusão integral do projeto.

A delegação guineense reuniu-se igualmente com o Diretor-Geral do Banco Islâmico de Desenvolvimento, acompanhado pelo Diretor Regional e pelo Gestor de Operações para a região. O encontro permitiu identificar novas oportunidades de cooperação e discutir mecanismos de reforço do apoio do Banco à infraestruturação do país. 

O BID mostrou-se disponível para rever as taxas administrativas aplicáveis aos novos financiamentos, em conformidade com as recomendações do Fundo Monetário Internacional, e para procurar soluções destinadas a facilitar a gestão dos fundos do projeto de construção das centrais solares de 20 megawatts em Canchungo e Gabú. 

O Banco reafirmou ainda o seu compromisso de continuar a apoiar a mobilização de recursos para projetos estratégicos de desenvolvimento económico e social da Guiné-Bissau.

//TV VOZ DO POVO

// MEPIR

Embaixador dos EUA critica França por pedir pressão sobre Israel... O embaixador dos EUA em Israel criticou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, por ter pedido aos Estados Unidos que "exerçam a pressão necessária" sobre o Governo israelita para que cesse os ataques no Líbano.

© Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images      Por   LUSA    19/06/2026 

"O ministro dos Negócios Estrangeiros francês disse que Israel deve parar os seus ataques contra o Hezbollah. A França recebe todas as suas informações do Hezbollah?", disse Mike Huckabee, numa publicação nas redes sociais, lembrando os ataques sofridos pelo Exército israelita em solo libanês.

"Na noite passada, Israel registou a morte de quatro dos seus soldados. Israel reage quando atacado. O cessar-fogo chegará quando o Hezbollah parar de disparar e matar", declarou o representante diplomático dos EUA em Israel.

Em entrevista à rádio France Info, Jean-Noël Barrot afirmou que o Governo israelita deve "respeitar" o acordo assinado entre Washington e Teerão, que "estipula a cessação das hostilidades", apontando os Estados Unidos como fundamentais para garantir o cumprimento do acordo.

"Os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o Governo israelita para garantir o seu cumprimento", enfatizou Barrot.

Israel confirmou a morte de quatro soldados em ataques do grupo xiita Hezbollah, enquanto pelo menos 18 pessoas foram mortas e mais de 30 ficaram feridas em ataques aéreos israelitas contra várias localidades no sul do Líbano.

Estes acontecimentos ocorrem quando as autoridades israelitas insistem que não retirarão as suas tropas do sul do Líbano e continuarão os seus ataques contra o país, apesar do memorando de entendimento assinado pelos Estados Unidos e pelo Irão para terminar com a guerra no Médio Oriente.

O Vice-Presidente dos EUA, J.D. Vance, numa conferência de imprensa a defender o acordo assinado com o Irão, insistiu que Israel deve "respeitar o processo de paz", afirmando que é "benéfico para eles e para toda a região".

"O que esperamos é que o Hezbollah não lance 'rockets' ou drones contra os israelitas, e esperamos também que os israelitas não atuem de forma descontrolada no Líbano", referiu Vance, embora tenha sublinhado o direito de Israel à autodefesa.


Leia Também: Irão: Chefe da equipa de negociações exige respeito por linhas vermelhas

O chefe da equipa de negociação do Irão para um acordo de paz, Mohammad Bagher Ghalibaf, exigiu hoje que sejam respeitadas as "linhas vermelhas" iranianas durante as futuras negociações com os Estados Unidos.

Ministro israelita diz que "todo o Líbano deve arder"... O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, declarou hoje que "todo o Líbano deve arder", após o anúncio da morte de quatro soldados israelitas.

© Lusa     19/06/2026 

"Com todo o respeito pelos norte-americanos, Israel deve deixar claro ao mundo que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não serão sacrificados. Todo o Líbano deve arder", afirmou em um comunicado.

O Exército israelita anunciou hoje a morte de quatro dos seus soldados, mortos em operações no sul do Líbano.

"Morreram na sequência de um projétil [drone explosivo] que atingiu um tanque no sul do Líbano", informaram as Forças de Defesa de Israel (FDI), atribuindo o ataque ao grupo xiita libanês Hezbollah.

Entre os mortos estava o tenente-coronel Dor Gedalya, de 32 anos, e outros três militares cujos nomes não foram divulgados. O comunicado também não especificou quando é que os quatro membros das FDI foram mortos.

Noutro comunicado, o exército israelita indicou que, na sexta-feira à noite, um oficial da reserva das FDI ficou gravemente ferido e três soldados, entre reservistas e no ativo, sofreram ferimentos ligeiros na sequência de um outro ataque com um drone explosivo, também no sul do Líbano.

Estas foram as primeiras perdas israelitas desde a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerão no domingo, que visa terminar a guerra no Médio Oriente em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel e o movimento xiita Hezbollah, aliado de Teerão, estão em conflito.

Pelo menos 18 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas numa nova vaga de bombardeamentos levados a cabo pelo exército israelita contra vários locais no sul do Líbano, informou hoje o Ministério da Saúde Pública libanês.


Leia Também: Israel afirma ter atacado alvos do Hezbollah no sul do Líbano

O exército israelita anunciou hoje ter atacado alvos do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah em várias zonas do sul do Líbano.

CRIOPRESERVAÇÃO DE ÓVULOS: Há mais mulheres a congelar óvulos: Social egg freezing e o adiar ser mãe... O social egg freezing tem vindo a ganhar alguma expressão. Trata-se de congelar óvulos, ou seja, a criopreservação de óvulos sem razão médica. Falámos com um especialista para perceber mais sobre esta tendência e recolhemos ainda dois testemunhos de mulheres que aderiram à mesma.

© Shutterstock  Por noticiasaominuto.com  19/06/2026 

Durante muitos anos, congelar óvulos estava associado a mulheres com alguma doença  e que viam aqui uma solução de aumentar as hipóteses de virem a ser mães. Hoje em dia, o social egg freezing é visto como uma tendência. Pode não existir uma razão médica para a criopreservação de óvulos e acaba por ser uma escolha para adiar a constituição de uma família. Falámos com um médico para perceber melhor os motivos, quem deve fazê-lo e em que condições. Recolhemos ainda os testemunhos de duas mulheres que optaram por fazer a criopreservação de óvulos.

“O social egg freezing é o termo usado para a criopreservação de óvulos sem ser por motivo médico ou doença, servindo para guardar óvulos para uso no futuro, não havendo no imediato um plano de ter filhos por qualquer motivo que não médico. Em termos técnicos não difere do outro tipo de criopreservação”, começa por revelar ao Lifestyle ao Minuto Miguel Lopo Tuna, médico especialista em ginecologia e obstetrícia, e sub-especialista em medicina de reprodução da AVA Clinic.

Social egg freezing: Adiar a hipótese de ser mãe

Desta forma, muitas mulheres acabam assim por querer adiar a hipótese de vir a constituir família e de serem mães. O avançar da idade é uma das razões. “Saber que a idade é fundamental em termos de probabilidade de gravidez, quer natural, quer com tratamentos, e ver na vitrificação uma maneira de ‘parar’ a idade dos óvulos e assim manter no futuro a mesma probabilidade de gravidez que teria na data da criopreservação.”

O especialista afirma que esta tendência do social egg freezing tem aumentado nos últimos cinco anos. Acaba também por ser algo que os especialistas aconselham a algumas mulheres. “Esta criopreservação é recomendada a uma mulher que tenha mais de 35 anos e não pretenda ter filhos nos próximos dois anos, mas também a uma mulher que tenha uma reserva ovárica baixa ou que, apesar de saudável, tenha história familiar de insuficiência ovárica e esteja ainda a entrar na menopausa precoce.”

Miguel Lopo Tuna é médico especialista em ginecologia e obstetrícia  © AVA Clinic

Realizar a criopreservação acaba por ter algumas vantagens, como revela Miguel Lopo Tuna. “Preserva óvulos, ficando a saber a qualidade dos mesmos e ficando com uma hipótese de num eventual futuro tratamento, numa idade mais avançada, ter exatamente a mesma hipótese de sucesso, em termos de qualidade ovocitária, que no momento da sua preservação, uma vez que o processo e o tempo de congelamento não alteram a qualidade dos óvulos. Por outro lado, este processo não afeta a reserva ovárica da mulher.”

Apesar de ser um processo simples e com vantagens no futuro, é sempre importante que a tomada de decisão seja o mais consciente e informada possível.

“É um procedimento acerca do qual os médicos devem informar as pacientes, esclarecendo os riscos e benefícios para que possa haver uma decisão informada. A preservação de óvulos, tal como qualquer tratamento de Procriação Medicamente Assistida, nunca é realizada sem a leitura e assinatura de um consentimento informado, elaborado por uma entidade externa às clínicas.”

Criopreservação: Há uma idade limite?

Criopreservação de óvulos sem um motivo médico é algo mais procurado por mulheres mais velhas. Contudo, é importante perceber que pode existir uma idade em que as taxas de sucesso mais tarde, numa futura gravidez, poderão ser mais complicadas.

“A fertilidade máxima nunca é superior a 30% por mês e, por isso, está em declínio a partir dos 30 anos, não havendo uma idade mínima nem máxima para a preservação, já que a idade máxima é limitada pela evolução da reserva ovárica da mulher.” Contudo, o médico revela que é algo que pode ser mais difícil a partir dos 43 anos.

“A recomendação é variável mediante a realidade clínica de cada mulher, mas a partir dos 43 anos, uma mulher teria de preservar mais de 20 óvulos, o que implicaria, provavelmente, várias colheitas. Todavia, uma doente devidamente informada de que a taxa de gravidez, com esses óvulos colhidos, nessa idade (sem estudo genético), é inferior a 10%, pode argumentar que será sempre melhor recorrer a criopreservação do que, entretanto, entrar na menopausa já só podendo recorrer a doação de óvulos.”

Falsa sensação de segurança?

Além da idade, e do facto de ser saudável, existem outros motivos que devem ser tidos em conta neste processo. “Qualquer mulher que decida preservar óvulos recebe um consentimento informado em que se abordam os riscos do procedimento, é submetida a uma história e exames clínicos rigorosos. São também pedidos exames complementares em que se avalia a reserva ovárica e se despistam doenças relevantes.”

O social egg freezing poderá ser visto por muitas mulheres como apenas um adiar da decisão, mas pode também ser uma falsa sensação de segurança e de que tudo irá correr como gostaria no futuro.

“As pacientes têm de estar cientes que este procedimento não garante uma gravidez e que implicará uma fertilização in vitro após os óvulos serem descongelados”, revela o médico Miguel Lopo Tuna. Aliás, é deste ponto que chegam algumas das questões que acredita que muitas mulheres não fazem, mas deveriam, quando avançam para a criopreservação de óvulos.

“Deviam sempre ser feitas sempre duas questões: Qual a probabilidade real de vir a ter um bebé com os óvulos congelados e quais as taxas de sucesso na clínica que procurou.” Ainda assim, nos últimos anos, os estudos e técnicas têm vindo a aumentar, o que se pode traduzir numa melhoria da taxa de sucesso.

“O processo de vitrificação garante uma quase totalidade da sobrevivência dos óvulos nas mulheres antes dos 40 anos e uma taxa de fertilização semelhante aos óvulos “frescos”, mas a técnica poderá ainda melhorar.”

Os testemunhos

"Mónica", 35 anos (nome fictício)

Aos 34 anos, Mónica recorreu à IVI Lisboa para fazer a criopreservação de óvulos. A experiência da madrinha fez com que considerasse este processo. O não saber bem o que o futuro lhe reserva e o desejar ser mãe mas não para já levou-a a iniciar a preservação, isto sem ter nenhuma doença ou problema que, à partida, a impediriam de vir a ter filhos.

Porque decidiu congelar os óvulos?

Decidi congelar os óvulos porque recebi esse “empurrão” de quem mais aprendeu à custa da própria experiência: a minha madrinha. Ela nunca tinha pensado muito no impacto do tempo na fertilidade e, quando decidiu ser mãe, acabou por precisar de recorrer a um tratamento com óvulos doados. Foi um presente dela.

Já tinha conhecimento da tendência do social egg freezing?

Muito pouco. Sabia que existia, mas via sempre como algo distante, quase exclusivo de celebridades ou de mulheres com carreiras muito específicas. Nunca tinha parado verdadeiramente para pensar se isso fazia sentido para mim.

Vê como um plano B ou uma segurança emocional?

Vejo claramente como uma segurança emocional. Não é um plano fechado, nem uma decisão definitiva sobre a maternidade. É saber que estou a cuidar de mim para se for preciso ter mais escolhas no futuro.

Foi fácil tomar esta decisão? O que mais pesou?

Não foi uma decisão fácil, mas foi muito consciente. O que mais pesou foi mesmo a história da minha madrinha. Perceber que ninguém acha que “vai acontecer comigo”, até acontecer, mesmo ao nosso lado. Também pesou a sensação de tranquilidade que senti ao perceber que existiam hoje ferramentas muito mais avançadas e personalizadas que me ajudaram a tomar a decisão com base em dados concretos.

Durante o processo nunca se arrependeu ou pensou sempre que seria para avançar?

É um processo fácil. Sinceramente nem pensei nisso. Foi um presente e estou simplesmente a congelar óvulos.

Sentiu alguma pressão social?

Curiosamente, pensando bem, senti mais pressão, ainda que muito leve, antes de congelar os óvulos do que depois. A pressão para “já devias pensar em ser mãe”. Congelar ajudou-me a desligar desse ruído externo.

Houve algo que a surpreendeu de forma positiva ou negativa?

Surpreendeu-me que a tecnologia permita ter informação tão fascinante quanto a previsão de um simples óvulo, um dia poder ser um bebé.

Mudou a sua forma de olhar para a maternidade?

Acho que não. Continua a ser um desejo, mas agora é um desejo com espaço para respirar.

Sentiu ansiedade, alívio ou dúvida durante o processo?

Não senti nada disso. Como disse, é mesmo um processo simples.

O congelamento trouxe-lhe mais tranquilidade em relação ao futuro?

Acho que sim. Não me dá garantias, mas dá-me margem. Ter congelado os óvulos não me garante que no futuro consiga ser mãe, mas é uma possibilidade de se precisar de fazer tratamento de fertilidade tentar com os meus óvulos e não com doados como foi o caso da madrinha.

Recomendaria a outras mulheres? Em que situações?

Recomendaria sobretudo a mulheres que, como eu, ainda não sabem quando querem ser mães ou que sentem que a vida ainda não está alinhada para isso. E, claro, quem tenha histórico familiar de dificuldades para engravidar, não deve ignorar isso.

Como foi todo o processo de informação sobre o tema? Foi bem acompanhada em todo o processo?

Na IVI senti que o foco era informar-me e saber cada etapa do processo. Gosto de sentido prático e gostei de me terem explicado que não seria nunca uma garantia de que iria engravidar no futuro, mas também me fascinou a parte mais tecnológica do tratamento. O programa IVI Prediction ajudou-me a perceber o meu potencial reprodutivo. No fundo, é um software que utiliza a inteligência artificial para avaliar a quantidade e a qualidade dos óvulos que se traduz num relatório com a probabilidade de ter um bebé com os óvulos extraídos. Depois, um dia, existem muitos fatores para isso conseguir mesmo acontecer. Isso é importante que as pessoas percebam. Acho que ainda se fala pouco sobre estas coisas.

Raquel Comprido, 36 anos

Raquel viu a sua vida a mudar depois de ter recebido o diagnóstico de endometriose e de ter descoberto um quisto de grandes dimensões no ovário esquerdo, motivo pelo qual foi aconselhada a fazer criopreservação de óvulos. 

Apesar de ter tido uma razão médica para recorrer à criopreservação, a história de Raquel assemelha-se à de "Mónica" no que diz respeito à pressão social exercida nas mulheres relativamente à maternidade e à sensação de corrida contra o tempo. 

Sempre  foi um sonho da Raquel ser mãe ou nem pensava nisto? 

Na verdade, ainda não sei se tenho esse sonho. Quando era pequenina dizia que queria ter duas meninas, mas queria ser mãe jovem, porque tenho muito medo da morte e queria viver o máximo de tempo com elas.

Queria que fossem duas gémeas, enfim, aquelas coisas que idealizamos. Depois, à medida que foi avançando a idade, sempre achei que não tinha muito jeito para crianças, não tinha muita paciência e também tenho uma vida um bocado mais nómada ou digital.

Com o nascimento da minha sobrinha, que tem dois anos e meio, comecei a pensar nisso. Percebi que queria sim ser mãe, ter uma família, mas sempre numa relação saudável.

Então não teve aquela altura em que sentiu o relógio biológico assim a despertar?

Sinto muitas vezes que estou sem tempo, porque eu tenho 36 [anos]. Não tenho uma relação saudável, portanto acabei por abdicar desse sonho, uma vez que ainda não tenho a estrutura de que preciso para isso. Fui um bocadinho "obrigada" a fazer o procedimento por questões de saúde.

Como é que tomou a decisão de congelar os óvulos?

Já deixei de tomar a pílula há muitos anos, sempre fui muito regular e nunca tive muitas dores. Também faço imenso desporto e foi sempre tudo ok. O ano passado comecei a ter imensas dores ao ponto de, inclusive, não conseguir andar, o que para mim é muito estranho.

Entretanto, pedi ao médico para me passar análises de rotina. Fiz muitos exames, muitas coisas e descobriram que eu tinha um quisto gigante no ovário esquerdo. Demorou bastante tempo até conseguir finalmente ter um diagnóstico de endometriose. Depois, fui a uma consulta com uma médica especializada, que me disse que tinha de congelar os óvulos.

Como é que se sentiu quando recebeu essa notícia de que havia a possibilidade de nunca mais conseguir ter filhos por causa do quisto?

Sou uma pessoa muito inquieta e ansiosa por natureza, por isso até achei que ia reagir pior. Na ecografia estava mesmo super assustada com o tamanho do meu quisto e o médico disse-me aquelas coisas que não se dizem a ninguém: "provavelmente nunca vais ser mãe". Desatei a chorar.

Entretanto conseguiu encontrar uma clínica de fertilidade. Como é que tem sido este processo?

O  processo em si para mim foi rápido e foi tranquilo, mas exige logística à mesma. Temos de abdicar de muitas coisas, dar injeções diárias - eu, que sempre tive medo de agulhas. Temos de fazer acompanhamento, com ecografias, e quando o médico diz "está tudo pronto", temos de ir. 

Quando acordei, porque tem anestesia, o médico disse-me que só tinha quatro [óvulos]. Pensei: "Mas isso é bom ou é mau?" Estava lá uma senhora que tinha 12 e eu tinha quatro.

Mesmo nessas circunstâncias surge a comparação.

Sim. Este médico foi super cuidadoso e disse-me: "Não, Raquel, está dentro do esperado, porque é uma mulher 36 anos, com endometriose muito avançada e um quisto gigantesco".

Quando se faz o congelamento de óvulos é por quanto tempo? Quais foram os avisos ou as recomendações que fizeram à Raquel?

Podemos escolher se queremos dois anos ou cinco anos. No meu caso, fiz dois anos e depois posso estender. Podemos pensar "mas dois anos passam num instante." Passam e posso até nem precisar. Posso conseguir engravidar naturalmente, até porque existe a outra parte que é a qualidade do esperma.

Uma vez que não tem parceiro, nunca pensou em recorrer a um banco de esperma para ser mãe?

Não. Nunca sabemos o que a vida nos reserva e se a certa altura vou decidir ter um filho sozinha, mas não me passou pela cabeça. Inclusive, uma das questões que colocam é se estamos de acordo/se queremos doar os óvulos, mas não me sentia confortável. Até já pensei na adoção, mas preferia o convencional. 

"Não vais casar?" e "quando é que vais ter filhos?" devem ter sido questões que ouviu. Quer em relação a isto, quer em relação ao congelamento de óvulos, acredita que poderá estar a haver uma mudança de mentalidades ou ainda temos um longo caminho pela frente?

Ainda temos, mas acredito que está a mudar. Há cada vez mais pessoas com a minha idade que estão a pensar em congelar óvulos. Chega a ser um pouco assustador, porque as que eu conheci não têm uma relação. Não é porque não querem, não é uma escolha, é mesmo porque está super difícil [encontrar parceiro]. As mulheres ainda estão assim um bocadinho perdidas nesta questão.

Qual era o conselho que gostava que lhe tivessem dado?

Penso que devíamos ser informadas para ir testar a nossa reserva ovárica, perceber como é que isso funciona. Acredito que a maior parte das pessoas nem sequer sabe como é que está a sua fertilidade.

Mas mesmo que uma mulher saudável queira congelar os óvulos existe ainda outra questão: os custos associados ao processo.

Exato, não é comparticipado. Para quem tem endometriose é, mas também não me serviu. Cheguei com a carta da minha médica à Maternidade Alfredo da Costa e disseram que "estava demorado", teria de esperar dois anos. Eu não tenho dois anos. Esta clínica onde eu estou a fazer tem planos de pagamento, o que já ajuda. Mas sim, também é preciso prepararmo-nos para essa parte.

Depois há a questão mental. O meu tratamento durou uma semana e dois dias, mas é preciso ir à clínica dia sim, dia não. E temos de conseguir fazer o procedimento como o médico nos indica.

Em algum momento este foi um tema desconfortável para si?

Não. É engraçado que a minha mãe ao início disse: "não vais partilhar isto, pois não? É a tua vida pessoal". E eu disse: "vou sim, mãe, não tem mal". Percebi que mesmo não sendo especialista nisto poderia ajudar alguém ao contar a minha experiência. Claro que o processo é diferente para toda gente, pode ser fácil para mim e difícil para outra mulher, mas sinto-me tranquila ao falar sobre isto.


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Trump quer concentrar-se na Coreia do Norte após acordo com Irão... O Presidente sul-coreano, que se encontrou esta semana com o homólogo norte-americano, afirmou hoje que Donald Trump pretende agora concentrar-se na resolução da "questão norte-coreana", após celebrar um memorando de entendimento com o Irão.

© Roberto Schmidt/Getty Images     Por  LUSA    19/06/2026 

"O Presidente Trump afirmou que chegou o momento de dedicar atenção à questão norte-coreana", afirmou Lee Jae-myung aos jornalistas em Seul, revelando detalhes do encontro com o Presidente dos Estados Unidos durante a cimeira do G7 em Évian, França.

O dirigente sul-coreano afirmou ainda ter dito a Trump que "as sanções e a pressão" impostas à Coreia do Norte devido ao programa nuclear eram ineficazes.

"A eficácia das sanções diminuiu devido à cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia relacionada com a guerra na Ucrânia", prosseguiu.

"Mesmo uma ajuda modesta da Rússia é de grande utilidade para a Coreia do Norte", acrescentou.

No domingo, poucas horas depois de ter anunciado um acordo com o Irão, Trump publicou nas redes sociais uma fotografia sem legenda ao lado do líder norte-coreano Kim Jong-un, tirada durante o encontro entre os dois em Singapura, em 2018.

Isto alimentou as especulações de que o Governo de Trump poderia agora voltar-se para a Coreia do Norte, que possui armas nucleares.

Trump e Lee encontraram-se num jantar em Évian esta semana, onde discutiram a rivalidade de longa data entre a Coreia do Sul e o vizinho do Norte, que possui armas nucleares.

Lee escreveu na rede social X que os dois governantes tiveram "conversas aprofundadas sobre a paz na península coreana e as relações entre a Coreia e os Estados Unidos, tendo sido alcançados progressos significativos".

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz, e estão separadas por uma zona desmilitarizada ao longo da qual se estende a fronteira.

Rússia acusou a Ucrânia de ataques contra central de Zaporíjia... As autoridades russas reportaram hoje 14 ataques de drones ucranianos contra a estação de transporte da central nuclear que ocupam na região de Zaporijia, Ucrânia.

© State Emergency Service of Ukraine / Handout/Anadolu via Getty Images      Por  LUSA     19/06/2026 

Os funcionários que monitorizam a central afirmaram que, desde a tarde de quinta-feira e a madrugada de hoje, pelo menos 14 drones atingiram o local, sem provocar mortes.

De acordo com as mesmas fontes, os edifícios de uma das instalações e a área de reparação ficaram danificados.

A Rússia ocupou a central nuclear, a maior da Europa, durante o início da ofensiva contra a Ucrânia, em 2022, e planeia integrar a instalação ucraniana na rede russa de energia.

Por outro lado, as autoridades da região russa de Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia, informaram ter sofrido mais de 100 ataques nas últimas 24 horas, resultando na morte de um civil.

O Ministério da Defesa russo disse que 133 drones ucranianos foram abatidos durante a última madrugada nas regiões de Belgorod, Bryansk, Kaluga, Kursk, Voronezh, Oryol, Smolensk, Tula, Rostov, Ryazan e Moscovo.

Os drones ucranianos foram também intercetados sobre a Península da Crimeia, anexada pela Rússia.

Hoje, após a divulgação do primeiro relatório militar, as autoridades russas emitiram alertas de drones nas cidades costeiras de Anapa e Tuapse, destinos populares entre os turistas da Rússia.

Na quinta-feira, Moscovo e a zona metropolitana da capital russa sofreram um dos maiores ataques com drones desde o início da guerra.


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CABO VERDE: Presidente cabo-verdiano dá hoje posse ao novo Governo... O Presidente cabo-verdiano vai dar hoje posse ao novo primeiro-ministro do país, Francisco Carvalho, e aos restantes membros do Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

© Lusa     19/06/2026 

A cerimónia está marcada para as 17h00 (19h00 em Lisboa) no jardim da Presidência da República, no centro histórico da cidade da Praia.

O presidente do PAICV e ex-presidente da Câmara da Praia venceu as legislativas de 17 de maio com maioria absoluta, derrotando o primeiro-ministro cessante, Ulisses Correia e Silva, e pondo termo a 10 anos de poder do Movimento para a Democracia (MpD).

Francisco Carvalho disse ser necessário "diminuir a gordura" do Estado para haver "mais recursos para aplicar junto das pessoas", prometendo transportes entre ilhas mais baratos e saúde e ensino superior gratuitos.

Em entrevista à Lusa, poucos dias antes das eleições, antecipou "uma administração pública tão veloz quanto a mente de um empresário" para marcar o regresso do PAICV à governação e dinamizar a criação de emprego.

A posse de hoje sucede à sessão inaugural do parlamento, na quinta-feira, em que a nova maioria absoluta, de 37 dos 72 deputados, elegeu Janira Hopffer Almada, antiga ministra e ex-líder do partido, como presidente da Assembleia Nacional - é a primeira mulher a ocupar o cargo em Cabo Verde.

O PAICV conquistou 90.660 votos, correspondentes a 48,04%, nas eleições de 17 de maio, o MpD recolheu 84.458 votos, ou 44,75%, e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) obteve 9.812 votos, ou 5,2%.

As legislativas registaram uma abstenção recorde, com 53,5% dos eleitores inscritos a não votarem.

Guiné-Bissau: O Instituto Nacional de Estatística (INE) realizou a última atualização dos dados do IV Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH-4), reforçando a fiabilidade das informações sobre a população e as condições de habitação no país.

PORTUGAL 🇵🇹 | Líderes associativos alertam estudantes guineenses: cumpram requisitos do visto para evitar barramento em Lisboa.

No 1º Encontro Académico dos Líderes Associativos de Estudantes da Guiné-Bissau em Portugal, os dirigentes destacaram o aumento da mobilidade de estudantes guineenses para Portugal. Em declarações à TV Voz do Povo, os líderes apelaram aos selecionados da Lista DGES 2026/2027 para cumprirem todos os requisitos da check-list da Embaixada. 

O objetivo é evitar casos de barramento no Aeroporto de Lisboa por falta de documentos como alojamento, meios de subsistência ou seguro de viagem. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Guiné-Bissau: Morreu Armando da Costa Marna, diretor-geral do SIS

Por  Rádio Capital Fm 

O diretor-geral do Serviço de Informação e Segurança (SIS), Major-general Armando da Costa Marna, morreu esta madrugada, em Bissau, confirmou à Rádio Capital FM fontes das autoridades nacionais.

O também antigo Comandante-Geral da Guarda Nacional (GN) terá estado, recentemente, em Marrocos para tratar de problemas de saúde, tendo o processo corrido aparentemente bem e regressado a Bissau. Mas o seu estado de saúde "voltou a complicar-se" na manhã desta quinta-feira e morreu no Hospital Militar,  na capital.

Em maio de 2015, quando tinha a patente de coronel, Armando da Costa Marna foi nomeado Comandante-Geral da Guarda Nacional, uma das principais forças de segurança da Guiné-Bissau.

Em 2016, Marna foi promovido a Brigadeiro-General. Na ocasião, declarou que a promoção estava ligada à exigência legal de que o Comandante-Geral da Guarda Nacional tivesse essa patente. Em março de 2023, foi nomeado diretor-geral do Serviço de Informação e Segurança, o principal serviço de inteligência do país.

Paz entre EUA e Irão? O que está em causa no acordo e o que se segue... Os Estados Unidos e o Irão assinaram o memorando de entendimento que formaliza o fim da guerra iniciada há mais de três meses. Dos termos do cessar-fogo à reabertura do Estreito de Ormuz, eis o que se segue.

© Dan Scavino/X   Por noticiasaominuto.com  18/06/2026 

Os Estados Unidos e o Irão assinaram, na noite de quarta-feira, o memorando de entendimento para colocar fim à guerra no Médio Oriente. Os dois países chegaram a acordo no domingo passado, mais de três meses após o início do conflito, que já provocou milhares de mortos. 

O documento foi assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Palácio de Versalhes, em França, após um jantar oferecido pelo seu homólogo francês, Emmanuel Macron, segundo adiantou um responsável norte-americano.

Numa nota, partilhada na rede social X, Macron divulgou um vídeo do momento em que Trump assinou o acordo, que descreveu como "um caminho a uma paz duradoura".

"O presidente Trump assinou esta noite, em Versalhes, o acordo entre o Irão e os Estados Unidos. Este acordo abre caminho a uma paz duradoura e permite a reabertura do Estreito de Ormuz", escreveu na rede social X.

"É um passo importante na direção certa para os nossos compatriotas, que em breve possibilitará uma redução dos preços da energia", acrescentou Macron.

Posteriormente, o Irão confirmou a assinatura do acordo, acrescentando que "o texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com as assinaturas dos presidentes" dos dois países, sendo agora "tempo de testar a implementação deste acordo".

Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghai, a assinatura foi feita eletronicamente.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, tinha anunciado, na noite de domingo, que fora concluído um acordo entre os Estados Unidos e o Irão e que "as duas partes declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano".

Na altura, o governante do país mediador anunciou que a cerimónia oficial de assinatura do acordo seria na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.

No entanto, na quarta-feira, Baghai já veio dizer que a cerimónia formal de assinatura pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, parece agora desnecessária.

Afinal, o que estipula o acordo?

Eis os 14 pontos

  1. O primeiro ponto refere-se ao "cessar imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano";
  2. EUA e o Irão concordam em "respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro e em abster-se de interferir nos assuntos internos um do outro";
  3. Os dois países comprometem-se a "negociar e alcançar o acordo final no prazo máximo de 60 dias, prorrogável mediante consentimento mútuo".
  4. Após a assinatura do memorando de entendimento, os EUA vão começar a retirar o bloqueio naval imposto e "quaisquer perturbações ou impedimentos" que tenham sido colocados nos portos iranianos.  O bloqueio terminará num prazo de 30 dias e o número de embarcações que irão passar pelos portos iranianos será proporcional ao tráfego restabelecido no Estreito de Ormuz. 
  5. O Irão compromete-se a permitir a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz, que necessita de ser desminado, "sem custos". 
  6. Os EUA comprometem-se a "desenvolver um plano definitivo e mutuamente acordado com pelo menos 300 mil milhões de dólares (260 mil milhões de euros) para a reconstrução e o desenvolvimento económico" do Irão.
  7. Os EUA comprometem-se a suspender todas as sanções contra o Irão, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, quando for assinado um acordo final.
  8. Irão "reafirma que não adquirirá nem desenvolverá armas nucleares" e aceita também diluir o seu stock de urânio enriquecido através de um mecanismo "mutuamente acordado" sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica.
  9. Os dois países "manterão o status quo" até que seja assinado um acordo final em relação ao programa nuclear iraniano e à postura dos EUA.
  10. Os EUA concederão isenções para a exportação de petróleo bruto iraniano, produtos petrolíferos e derivados, bem como todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros e transporte.
  11. Os EUA desbloquearão alguns fundos e bens da República Islâmica após a implementação bem-sucedida do Memorando de Entendimento.
  12. Os dois países concordam em estabelecer um mecanismo para monitorizar a implementação bem-sucedida e o cumprimento futuro do Memorando de Entendimento.
  13. Os EUA e o Irão comprometem-se a iniciar negociações sobre o acordo final exclusivamente com base nos restantes parágrafos após a assinatura do Memorando de Entendimento.
  14. O acordo final será objeto de ratificação por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Estreito de Ormuz será reaberto "instantaneamente"

Para já, o primeiro-ministro paquistanês garantiu que o Estreito de Ormuz será reaberto "instantaneamente" e o bloqueio norte-americano aos portos iranianos terminará "imediatamente".

O protocolo "entrará em vigor com efeito imediato e, numa primeira fase, a República Islâmica do Irão reabrirá sem demora o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos da América levantarão imediatamente o bloqueio naval", escreveu Shehbaz Sharif, na rede social X.

O governante paquistanês, principal mediador das negociações, confirmou ainda que se realizará na sexta-feira, na Suíça, uma cerimónia "para comemorar este acontecimento marcante e dar início às discussões técnicas", ainda que fontes iranianas e norte-americanas tenham sugerido que o encontro se tornou irrelevante.