© Getty Images Por LUSA 26/06/2026
As celebrações ocorrem após o acordo provisório para o fim da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, país de maioria xiita.
Durante a manhã realizou-se o ritual de 'Tuwairij', uma cerimónia que reuniu centenas de milhares de pessoas e na qual os peregrinos correram em lágrimas em direção ao santuário do imã Hussein, em Kerbala, seguindo depois para o santuário de Al Abbas bin Ali, após a oração do meio-dia do décimo dia do mês islâmico de Muharram, que assinala a Ashura.
Com temperaturas a rondar os 42 graus Celsius, os fiéis concluíram o ritual na cidade santa, no âmbito de um plano governamental reforçado com medidas de segurança, bem como com "procedimentos especiais para gerir os transportes e as multidões, incluindo a organização das operações de embarque e desembarque após o termo das cerimónias", informou a agência noticiosa oficial iraquiana INA.
As ruas e bairros de Kerbala exibiam bandeiras negras de luto em casas e edifícios, enquanto as procissões percorriam a cidade distribuindo comida e bebidas aos peregrinos vindos de várias regiões do Iraque e do estrangeiro.
Muitos habitantes de Kerbala abriram igualmente as portas das suas casas para acolher os visitantes e oferecer-lhes hospitalidade como sinal de respeito e apreço.
Um dos aspetos mais destacados deste ano foi o dispositivo de segurança e de apoio logístico, descrito pelo Governo como "amplo e sem precedentes", que envolveu todos os ministérios, organismos e instituições do Estado iraquiano para garantir a circulação dos peregrinos e a prestação de serviços.
Paralelamente, foi igualmente ativado um plano especial para facilitar o regresso dos visitantes de Kerbala a Bagdade e às restantes províncias do país.
O diretor-geral da Companhia Geral de Transporte de Passageiros e Delegações, Karim Kadhim Hassan, afirmou à INA que foram colocados em circulação 100 autocarros na rota de Bagdade e 150 na rota de Kerbala, representando um aumento de 25% face aos anos anteriores, devido à previsão de um maior número de peregrinos.
O ministro da Saúde do Iraque, Abdulhusein al-Mussawi, deslocou-se a Kerbala para acompanhar diretamente, a partir do Hospital Cirúrgico Especializado al-Safeer, as cerimónias de 'Tuwairij', com o objetivo de garantir a prestação de cuidados médicos e serviços de ambulância aos peregrinos, segundo a INA.
Neste contexto, um coronel do Comando Conjunto de Operações iraquiano explicou que mais de 60 mil elementos das forças de segurança participaram no dispositivo destinado a proteger as cerimónias do décimo dia de Muharram.
O oficial, que solicitou anonimato, afirmou à agência noticiosa espanhola EFE que não foi registado qualquer incidente que comprometesse a segurança durante as celebrações, apesar da participação de milhões de pessoas de diferentes idades e nacionalidades.
Em 2019, Kerbala foi palco da mais mortífera debandada de peregrinos registada na cidade santa, da qual resultaram 31 mortos e cerca de uma centena de feridos.
A Ashura assinala a morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé, na batalha de Kerbala, no ano 680.
Este acontecimento constitui o mais importante dia de luto para os muçulmanos xiitas, que evocam a sua morte através de procissões religiosas, sermões e rituais de luto marcados pelo choro, durante os quais alguns fiéis se autoflagelam ou provocam ferimentos na cabeça com espadas ou facas.



























