© Kristian Tuxen Ladegaard Berg/SOPA Images/LightRocket via Getty Images Por LUSA 28/04/2026
Numa declaração enviada à agência espanhola Europa Press, o porta-voz do Serviço Europeu para a Ação Externa, Anouar El Anouni, indicou que já foram feitos contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel para expressar condenação pela descarga de cereais ucranianos roubados no porto de Haifa.
"Condenamos todas as ações que contribuem para o financiamento do esforço de guerra ilegal da Rússia, para iludir as sanções da União Europeia (UE), e continuamos preparados para responder a estas ações, acrescentando à lista indivíduos e entidades em países terceiros, se necessário", disse o porta-voz comunitário.
El Anouni acrescentou que a UE "tomou conhecimento" de relatos de que um navio da chamada "frota fantasma" russa, transportando cereais ucranianos roubados, foi autorizado a descarregar no porto de Haifa, "apesar de contactos prévios entre as autoridades ucranianas e israelitas sobre o assunto".
O porta-voz comunitário disse que a UE "mantém-se firme" no seu apoio a Kiev e na "pressão sobre a Rússia" até que ponha fim à "sua guerra de agressão", iniciada com a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Como exemplo, apontou a aprovação final do empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e do vigésimo pacote de sanções contra Moscovo.
Apesar da ameaça a Israel, qualquer medida de política externa, como a imposição de sanções, exige a unanimidade dos 27 Estados-membros do bloco europeu, uma tarefa complexa quando diz respeito a Israel, como sucedeu na semana passada, quando não se chegou a acordo para suspender o Acordo de Associação bilateral, proposto por Espanha.
Também não se chegou a acordo sobre a aplicação de medidas comerciais, que apenas exigem uma maioria qualificada, depois de países como a Alemanha e a Itália considerarem que era inapropriado sancionar Israel, alegando que também prejudicaria os seus cidadãos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia convocou hoje o embaixador israelita em Kiev para entregar uma nota de protesto.
O Governo ucraniano condenou a "contínua chegada a Israel de produtos agrícolas exportados ilegalmente pela Rússia a partir dos territórios temporariamente ocupados" durante a guerra.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lamentou pelo seu lado a inação de Israel, sublinhando que as autoridades "não podem desconhecer os navios que chegam aos portos do país ou que carga transportam" e que, "em qualquer país normal", a compra de mercadorias roubadas acarreta responsabilidade legal.
Pouco antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, também criticou que "é difícil compreender a falta de uma resposta adequada de Israel ao legítimo pedido da Ucrânia".
O seu homólogo israelita, Gideon Saar, argumentou que Kiev "não apresentou qualquer prova para sustentar" as acusações contra os navios russos e "nem sequer solicitou assistência jurídica", criticando o facto de a Ucrânia ter recorrido aos meios de comunicação social e às redes sociais antes de abordar a questão bilateralmente.





























