terça-feira, 30 de junho de 2026

África do Sul: Pelo menos 51 moçambicanos com casas queimadas em ataques... Manifestantes sul-africanos incendiaram hoje residências de pelo menos 51 moçambicanos e saquearam os seus bens na sequência dos ataques xenófobos naquele país vizinho, com as autoridades a tentarem repatriar as vítimas.

© Lusa    30/06/2026 

"Pelo menos 51 cidadãos moçambicanos viram as suas residências incendiadas e perderam todos os seus bens na região de Mamelodi, em Pretória, no contexto da escalada de tensão associada ao dia 30 de junho, data apontada por grupos anti-imigração na República da África do Sul como prazo para a saída de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular", lê-se num comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo), divulgado hoje.

Segundo o órgão estatal, as vítimas encontram-se sob proteção policial, estando já em curso diligências para o seu repatriamento a Moçambique, apontando ainda que continuam a ser reportados casos de intimidação e agressões contra cidadãos moçambicanos na região de Durban e outras áreas adjacentes daquele país africano, "obrigando muitos a abandonar temporariamente as suas residências"

"O dia foi marcado por um ambiente de elevada tensão, reforço das medidas de segurança pública e manifestações localizadas em várias províncias daquele país", refere o Gabinfo.

Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de junho, terça-feira, para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.

O Gabinfo avança ainda que continuam a registar-se incidentes isolados de agressão, intimidação e deslocações forçadas de cidadãos estrangeiros, embora, reconhece, a violência generalizada temida pelas autoridades "não se tenha materializado à escala prevista".

As manifestações ocorreram em Joanesburgo, Pretória, Cabo Ocidental, North West e KwaZulu-Natal, com forte presença policial, indica a fonte, descrevendo que em várias cidades, os estabelecimentos comerciais permaneceram encerrados e os transportes públicos funcionaram de forma condicionada, quando as missões diplomáticas de Moçambique acompanham a situação e continuam a prestar assistência às vítimas.

Ainda hoje, o antigo estadista moçambicano Joaquim Chissano instou aos cidadãos nacionais para legalizarem a documentação como condição primordial para a trabalhar ou viver na vizinha África do Sul, assegurando a disponibilidade do Governo para apoiar no processo.

"Posso aconselhar aqueles moçambicanos que realmente pensem em recomeçar as suas vidas, mesmo se tiverem que voltar à África do Sul, mas que se possam legalizar e o Estado está pronto para ajudar nisso (...) com passaporte e negociações com o Governo [sul-africano]", disse Joaquim Chissano.

O antigo Presidente moçambicano criticou a violência pelos manifestantes, apesar de reconhecer a legitimidade das exigências, até porque, explicou, as mesmas estão em vigor em Moçambique.

Na terça-feira, o Governo moçambicano admitiu desafios relativos ao repatriamento e reintegração de cidadãos nacionais vítimas de xenofobia na vizinha África do Sul, quando nove moçambicanos já foram mortos e 738 repatriados devido aos ataques.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.


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O encerramento do prazo estipulado por manifestantes para a saída de estrangeiros sem documentos provocou saques, vandalismo e a reação da polícia com balas de borracha e veículos táticos

Negociações entre Cuba e EUA "não mostram qualquer progresso"... O Governo cubano afirmou hoje não existir qualquer progresso nas negociações entre Havana e Washington, num momento em que os Estados Unidos continuam a pressionar a ilha com sanções.

© Lusa    30/06/2026 

"As negociações entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos não mostram qualquer progresso", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, em conferência de imprensa. 

Havana "continua disposta ao diálogo e a uma solução pacífica [para resolver] as divergências" com Washington, reiterou.

"Estamos dispostos ao diálogo, sem ilusões, sabendo que a atitude dos Estados Unidos e do Departamento de Estado (...) deve ser analisada à luz dos factos e dos atos, e os atos são o bloqueio energético e as medidas adicionais do bloqueio", acrescentou Rodríguez.

O ministro anunciou ter pedido a realização de um debate a 07 de julho na Assembleia-geral das Nações Unidas sobre as sanções norte-americanas.

O debate não deverá ser seguido de uma votação.

"Cuba denunciará as ações agressivas do governo norte-americano contra o nosso país, nomeadamente a ameaça de uma agressão militar direta", acrescentou o chefe da diplomacia cubana.

"É urgente, pois a agressão multidimensional do governo norte-americano contra Cuba já está em curso e está a intensificar-se", sublinhou.

As relações entre os Estados Unidos e Cuba tornaram-se consideravelmente tensas desde o início do ano, nomeadamente desde que Washington capturou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, e suspendeu a comercialização de petróleo da Venezuela para Cuba.

Washington promulgou, desde então, novas sanções contra empresas e dirigentes cubanos.

O Presidente norte-americano considerou que a ilha, situada a cerca de 150 quilómetros da costa da Flórida (sudeste), representa "uma ameaça extraordinária" para a segurança dos Estados Unidos.

Donald Trump ameaçou por diversas vezes que deseja assumir o controlo da ilha e vários membros da sua administração, como o vice-presidente, JD Vance, referiram que a atenção de Washington vai recair sobre Havana depois de terminado o conflito com o Irão.

Cuba atravessa uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, uma medida considerada pelas Nações Unidas como contrária ao direito internacional e que paralisou quase totalmente a sua economia. 

Para tentar remediar a crise económica, Havana adotou, a 18 de junho, um pacote de medidas sem precedentes a favor da economia de mercado, o que representa uma revolução no modelo económico da ilha desde a adoção do comunismo há quase 70 anos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano precisou ainda que no próximo dia 27 de outubro terá lugar a votação do projeto de resolução que pede ao fim do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, como já é tradição na Assembleia-geral da ONU.

A votação desta resolução não vinculativa contra as sanções dos Estados Unidos a Cuba já se realizou em 33 ocasiões anteriores e, nos últimos anos, tem contado com um apoio praticamente unânime da comunidade internacional. 


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A Prisoners Defenders declarou hoje ter documentado mais de 175 novos presos políticos em Cuba no primeiro semestre de 2026, dos quais 114 foram encarcerados por exercerem direitos de reunião, associação e liberdade de expressão.

Irão nega acesso dos inspetores da ONU a instalações nucleares... As autoridades iranianas reiteraram hoje que o acesso dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) às instalações nucleares atingidas por ataques dos Estados Unidos e de Israel "continua bloqueado".

© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images   Por LUSA    30/06/2026 

Em declarações divulgadas pela estação de televisão IRIB, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, dirigiu duras críticas à agência da ONU e ao seu diretor-geral, Rafael Grossi. 

"A conselhamos Grossi a cumprir as suas funções com mais responsabilidade, em vez de se envolver em propaganda eleitoral", afirmou Baghaei, referindo-se à candidatura do diplomata argentino ao cargo de secretário-geral da ONU.

O memorando de entendimento assinado em 17 de junho por Estados Unidos e Irão, que suspendeu as hostilidades mais de três meses após o início do conflito entre os dois lados, estipula que Teerão não irá desenvolver armas nucleares.

O texto prevê também o estabelecimento de um mecanismo para processar os 'stocks' iranianos de urânio altamente enriquecido, "no mínimo, por um método de diluição no local sob a supervisão da AIEA".

Ao abrigo do memorando, as partes têm, a partir da assinatura do documento, 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.

O diretor da AEIA alertou na sexta-feira para a necessidade um sistema de verificação "muito robusto" e "o mais rapidamente possível" no Irão para garantir que o país não está a desenvolver armas nucleares.

"Acredito que o objetivo deste acordo é garantir que não há desenvolvimento de armas nucleares no Irão. O Governo iraniano afirmou muito claramente que não é essa a sua intenção", disse Grossi em conferência de imprensa no Japão, advertindo, no entanto, que "as intenções não bastam".

Antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel, na chamada guerra dos 12 dias contra a República Islâmica em junho do ano passado, a AIEA calculava que o Irão possuía cerca de 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo dos 90% necessários para o fabrico de uma bomba.

Desde então, o destino destes 'stocks' permanece incerto, uma vez que as autoridades iranianas negam o acesso dos inspetores aos locais bombardeados.

Teerão tem sempre negado também o objetivo de desenvolvimento de armas atómicas, mantendo-se inflexível quanto ao seu direito de prosseguir um programa nuclear civil.

Depois de suspenderem a cooperação com a AIEA em julho de 2025, as autoridades iranianas concordaram em setembro com o regresso dos inspetores, que visitaram o Irão nos últimos meses, embora sem acesso aos locais bombardeados.

Segundo Rafael Grossi, a AIEA "mal começou" as discussões com o Irão sobre o futuro do seu 'stock' de urânio enriquecido.

Uma alternativa à diluição no local seria retirar o urânio enriquecido do Irão, sugeriu, opção também apoiada por Washington mas recusada por Teerão.

As negociações entre Irão e Estados Unidos, que têm sido mediadas pelo Paquistão com apoio de outros países do Médio Oriente, estão centradas no programa nuclear iraniano e no futuro do estreito de Ormuz, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.

O diálogo foi ameaçado nos últimos dias por ataques de ambos os lados, bem como pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.


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O Bahrein, Kuwait, Omã, Arábia Saudita, Qatar e os Emirados Árabes Unidos juntaram-se aos Estados Unidos na imposição de novas sanções contra o movimento xiita Hezbollah, que afetam cinco empresas e 16 pessoas envolvidas na estrutura financeira.

Tropas ficarão no Líbano enquanto Hezbollah ameaçar Israel, diz Netanyahu... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reiterou hoje, durante uma visita à zona controlada por Israel no sul do Líbano, que o exército permanecerá no local enquanto o movimento xiita Hezbollah ameaçar Telavive.

© Amos Ben Gershom/GPO via Getty Images   Por LUSA     30/06/2026 

"A nossa posição é clara: não sairemos do sul do Líbano enquanto a ameaça não desaparecer e enquanto o Hezbollah, armado, estiver presente aqui e nos ameaçar. Permaneceremos aqui", disse Netanyahu às tropas israelitas destacadas no sul do Líbano, de acordo com um vídeo divulgado pelo seu gabinete. 

"Dizemos ao Irão e ao Hezbollah: saiam daqui, já não têm lugar aqui. Há dois Estados soberanos que querem viver em paz, restabelecer uma realidade de segurança e prosperidade, tanto para os habitantes do norte de Israel como para os habitantes do Líbano", prosseguiu o governante israelita.

As declarações de Netanyahu surgem um dia depois do ministro da Defesa, Israel Katz, ter avisado que a ocupação israelita no Líbano era de "longo prazo", sublinhando que as forças de Telavive não se retirarão até que o Hezbollah, um aliado do regime iraniano, seja desarmado.

Na sexta-feira, Beirute e Telavive assinaram em Washington um acordo-quadro que prevê que o exército libanês restabeleça a sua "autoridade soberana efetiva em todo o território libanês, sob reserva do desarmamento verificado dos grupos armados não estatais".

Na prática, estipula que as forças armadas libanesas assumirão gradualmente o controlo de "zonas piloto" no sul do Líbano, como um passo preliminar para uma retirada gradual das tropas israelitas, que, durante, este conflito, expandiram as posições militares que já ocupavam no país.

O acordo-quadro prevê ainda a formação de grupos de trabalho conjuntos para concluir as negociações sobre um acordo permanente, bem como o compromisso do Líbano em exercer a plena soberania sobre todo o território e desarmar grupos armados não estatais, sobretudo o Hezbollah, que, além de se opor a estas conversações diretas, recusa entregar as suas armadas enquanto persistir a ameaça israelita.

O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 4.247 pessoas morreram e cerca de 12.200 ficaram feridas, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão, em fevereiro passado.


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Israel reforçou hoje o sistema de defesa antiaérea, após vários testes balísticos para melhorar as capacidades militares do país, com operações na Faixa de Gaza e no Líbano, apesar dos acordos de cessar-fogo.

África do Sul tem protestos contra imigrantes após milhares fugirem da violência... O encerramento do prazo estipulado por manifestantes para a saída de estrangeiros sem documentos provocou saques, vandalismo e a reação da polícia com balas de borracha e veículos táticos

Manifestantes anti-imigrantes percorrem as ruas de Johanesburgo 30 de junho de 2026 REUTERS/Oupa Nkosi   Por infomoney.com.br/Reuters  30/06/2026 

DURBAN, ÁFRICA DO SUL, ⁠30 Jun (Reuters) – Manifestantes contra imigrantes, envoltos em bandeiras e empunhando ⁠armas de madeira, marcharam por várias cidades da África do Sul nesta terça-feira para marcar ‌o fim do prazo que haviam estabelecido para que os migrantes sem documentos deixassem o país, com algumas marchas marcadas por violência.

Milhares de estrangeiros de outros países africanos já haviam fugido da ‌África do Sul antes do “prazo” de terça-feira, quando lojas fecharam e trabalhadores estrangeiros ficaram em casa, antecipando-se a novos distúrbios após meses de agitação que geraram condenação internacional.

Pelo menos quatro pessoas foram mortas e milhares de estrangeiros foram expulsos de suas casas e viram seus negócios e propriedades vandalizados.

A líder do movimento antimigrante afirmou que o grupo vai organizar marchas semanais até que seus objetivos sejam alcançados.

“Nos ⁠próximos ‌seis meses, pedimos que nossos recursos nacionais sejam utilizados para expulsar os imigrantes ilegais deste país. ⁠De prédio em prédio, eles precisam ir embora”, disse Jacinta Ngobese, líder do grupo “March and March”, na cidade portuária de Durban.

Entre aqueles que entoavam slogans contra os imigrantes em uma manifestação na cidade estava Silindile Xaba, de 31 anos.

“As pessoas não estão trabalhando, os empregos estão sendo ocupados por estrangeiros ilegais. Não é justo”, disse.

Políticos têm sido acusados de se aliarem ​à xenofobia para conquistar votos nas eleições locais previstas para novembro.

VIOLÊNCIA CONTRA IMIGRANTES

Os migrantes interpretaram o prazo como uma ameaça física, e houve sinais esporádicos de violência, embora muitas marchas ​tenham sido pacíficas. A polícia informou ter prendido alguns saqueadores, sem fornecer mais detalhes.

Em Thembisa, um subúrbio ao norte do principal centro comercial de Johanesburgo, manifestantes atiraram pedras contra a polícia e supostos migrantes, enquanto tiros esporádicos podiam ser ouvidos perto do distrito comercial central.

O jornal Daily Maverick noticiou que a polícia mobilizou veículos táticos e disparou tiros em Benoni, a leste de Johanesburgo, ‌após ser ameaçada por 500 manifestantes.

Um porta-voz da polícia não respondeu ​imediatamente a um pedido de comentário. No bairro de Soweto, manifestantes saquearam barracos de estrangeiros, informou a emissora nacional SABC, acrescentando que a polícia havia disparado balas de borracha para dispersar manifestações em Pietermaritzburg, perto de Durban.

Nos ataques contra imigrantes, ⁠que vêm ocorrendo esporadicamente na África ​do Sul desde 2008, há ​pouca distinção entre aqueles que entraram legalmente e aqueles que não o fizeram.

A March and March afirma que não pode ⁠ser responsabilizada por atos espontâneos de raiva por parte ​dos sul-africanos.

“Infelizmente, não podemos estar em todas as comunidades dizendo a elas… como se comportar”, disse Ngobese à Reuters em uma entrevista há duas semanas.

O sentimento anti-imigrante e o que os críticos consideram uma falha da polícia ​em proteger as vítimas mancharam a reputação da África do Sul, que, na era pós-Nelson Mandela, sempre foi vista como defensora dos direitos humanos.

Os imigrantes são acusados ​de roubar empregos, aumentar a criminalidade ⁠e sobrecarregar os serviços públicos, alegações que, segundo cientistas sociais, carecem de evidências.

Três décadas após o fim do apartheid, a África ⁠do Sul continua desigual e um terço da população está desempregada. Apesar disso, o país continua sendo a maior economia da África e continua atraindo migrantes.

A população de imigrantes é de cerca de 3 milhões, ou aproximadamente 4% do total — uma proporção relativamente baixa em comparação com os padrões globais.

(Reportagem adicional de Rogan Ward, em Durban, e de Tim Cocks, Nilutpal Timsina, Anathi Madubela, Alexander Winning e Sisipho Skweyiya, em ​Johanesburgo;)

EUA: Supremo confirma cidadania por nascimento e rejeita restrições de Trump... O Supremo Tribunal dos Estados Unidos rejeitou hoje uma ordem executiva do Presidente, Donald Trump, que pretendia acabar com a cidadania concedida a pessoas nascidas no país filhas de imigrantes ilegais ou residentes temporários.

© Reuters     Por  LUSA   30/06/2026 

A decisão, em linha com a interpretação judicial consolidada da 14.ª Emenda da Constituição norte-americana, foi conhecida no último dia da atual sessão do Supremo Tribunal, marcada por processos relacionados com a interpretação alargada dos poderes presidenciais defendida por Trump, em relação aos quais o tribunal decidiu maioritariamente a seu favor. 

Nas restantes decisões hoje divulgadas, o Supremo confirmou a constitucionalidade das leis em cerca de metade dos estados norte-americanos que proíbem raparigas e mulheres transgénero de integrarem equipas desportivas de escolas públicas e universidades, e declarou inconstitucionais as limitações às despesas dos partidos políticos em campanhas para eleições federais.

Na decisão maioritária sobre a cidadania por nascimento, o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, escreveu que "a cidadania, ontem como hoje, era o direito de ter direitos, de participar livremente na nossa comunidade política".

Citando os debates no Congresso sobre a aprovação da 14.ª Emenda, Roberts acrescentou que os seus autores estenderam essa promessa "a todas as pessoas nascidas livres" no país e concluiu: "Hoje mantemos essa promessa".

Ao contrário do que acontece em grande parte do mundo, a cidadania por nascimento é comum na América do Norte, Central e do Sul. Muitos historiadores do direito consideram que a origem desta diferença remonta a há mais de 500 anos, quando as potências europeias começaram a enviar colonos para os territórios americanos.

Os governantes europeus pretendiam incentivar a colonização, enquanto os colonos queriam assegurar que os seus filhos, mesmo nascidos fora da Europa, mantivessem a cidadania dos países de origem.

Esta prática manteve-se à medida que os movimentos de independência ganharam força e começaram a surgir novos Estados independentes.

"Nessa altura, as suas tradições jurídicas já estavam a formar-se", afirmou César Cuauhtémoc García Hernández, professor de Direito da Universidade Estatal do Ohio. "De um modo geral, mantiveram algumas das principais práticas jurídicas dos governos coloniais europeus com os quais tinham acabado de romper", acrescentou.

O presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, saudou a decisão do Supremo Tribunal.

"A tentativa de Trump de atacar a 14.ª Emenda sofreu hoje um duro revés. Esta decisão constitui uma poderosa reafirmação da Constituição e da promessa duradoura de igualdade que ela representa", afirmou.

"Há mais de 150 anos que a 14.ª Emenda garante a cidadania a todas as pessoas nascidas neste país. Hoje, o tribunal rejeitou, e bem, as tentativas de enfraquecer essa proteção fundamental e confirmou um princípio essencial para a nossa democracia", acrescentou.

A decisão hoje divulgada tem uma extensão invulgar. O acórdão maioritário ocupa 26 páginas, enquanto a declaração de voto vencido do juiz Clarence Thomas, subscrita também pelo juiz Neil Gorsuch, se estende por 91 páginas.

As restrições propostas por Trump tinham sido suspensas por vários tribunais de instância inferior e nunca chegaram a entrar em vigor em qualquer parte do país.

Durante a audiência realizada em abril, tanto juízes de orientação conservadora como liberal manifestaram dúvidas quanto à legalidade da ordem executiva, num processo que ganhou maior destaque devido à presença inédita de Trump na sala de audiências do Supremo Tribunal.


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O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu hoje ao Congresso para aprovar legislação que ponha termo à cidadania por nascimento, depois de o Supremo Tribunal ter reafirmado que esse direito está protegido pela Constituição e contrariado a administração republicana.

DIREÇÃO DO HOSPITAL NACIONAL SIMÃO MENDES GARANTE REGRESSO DOS TÉCNICOS ESTAGIÁRIOS E PEDE UM MÊS PARA DAR SOLUÇÃO AS SUAS REIVINDICAÇÕES

Por  Rádio Sol Mansi  30/06/2026
O Diretor-Geral do Hospital Nacional "Simão Mendes, Malam Sabale, garantiu que até amanhã quarta-feira, todos os técnicos de estagiários de saúde que suspenderam as suas atividades, deverão voltar aos seus postos  trabalho.

A garantia foi dada numa entrevista à Rádio Sol Mansi (RSM), na qual foi questionado sobre a forma, como a direção pretende colmatar a ausência dos 399 técnicos de saúde estagiários que aderiram à paralisação.

Malam Sabale reconheceu que vários serviços deste maior centro hospitalar da Guiné-Bissau funcionaram esta terça-feira, com enormes dificuldades devido à greve dos técnicos estagiários
O Diretor-Geral revelou ainda que, a situação é agravada pelo facto de 323 técnicos de saúde efetivos, se encontrarem fora do país há vários anos, o que limita a capacidade de resposta da unidade hospitalar.

Recorde-se que na segunda-feira, o coletivo dos técnicos de saúde estagiários  suspenderam a prestação dos serviços por um tempo indeterminado, exigindo a sua efetivação na função pública. Em resposta, a direção do hospital "Simão Mendes" apelou aos profissionais para retomarem o trabalho e concederem um prazo de um mês, período durante o qual promete envidar esforços para encontrar solução para as suas reivindicações.

MENINA DE 8 ANOS MORRE APÓS ATROPELAMENTO NA ZONA DE PAULO BARROS, EM BÔR

Por  Rádio Sol Mansi   30 06 2026

Uma menina de apenas 8 anos morreu após ser atropelada na zona de Paulo Barros, em Bôr, num acidente que chocou a comunidade local.

Segundo informações recolhidas no local, a criança teria atravessado a estrada para comprar óleo de cozinha. No regresso, quando tentava voltar para casa, foi colhida por um veículo de transporte interurbano, conhecido como "toca-toca".

Testemunhas afirmam que, após o impacto, o condutor chegou a parar o veículo ao perceber a aglomeração de pessoas. No entanto, momentos depois, voltou a entrar no automóvel e abandonou o local, sem prestar assistência à vítima.

A menina foi rapidamente socorrida por populares e transportada para o Hospital Militar, onde recebeu atendimento na urgência. Apesar dos esforços da equipa médica, não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer.

O caso gerou revolta entre os moradores da região, que apelam a uma maior responsabilidade por parte dos condutores e ao reforço das medidas de segurança rodoviária, sobretudo em zonas frequentadas por crianças.

As autoridades policiais deslocaram-se ao local para investigar o acidente, identificar o condutor envolvido e apurar as circunstâncias em que ocorreu o atropelamento.

PRT, General de Exército Horta Inta-a, recebeu, nesta terça-feira, em audiência, cinco médicos guineenses que concluíram a sua formação de especialização em diferentes áreas da Medicina na República Bolivariana da Venezuela.

Governo da Guiné-Bissau esclareceu as informações que têm vindo a circular nas redes sociais sobre uma alegada visita de Chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ao país.

Em comunicado, o Executivo afirma que as informações divulgadas não correspondem à realidade e apela à população para que evite partilhar notícias sem confirmação oficial. O Governo reforça que qualquer visita oficial de Chefes de Estado ou de delegações da CEDEAO será anunciada pelos canais institucionais competentes.

Irão rejeita reunião com os EUA no Qatar para discutir programa nuclear... O Irão voltou hoje a descartar a possibilidade de manter conversações com os Estados Unidos em Doha, depois de o Presidente norte-americano ter afirmado que os dois países se reuniriam para discutir o programa nuclear iraniano.

© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images     Por LUSA   30/06/2026 

"Não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte norte-americana", declarou na segunda-feira à noite o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, citado pela agência IRNA.

O diplomata acrescentou que a deslocação de representantes dos EUA "não tem relação com a viagem da delegação iraniana".

Segundo Baghaei, uma equipa técnica iraniana desloca-se hoje a Doha apenas para abordar com as autoridades cataris a libertação de ativos bloqueados, no âmbito da aplicação do memorando de entendimento assinado com Washington a 17 de junho para pôr fim à guerra.

O porta-voz sublinhou que a prioridade da República Islâmica é garantir a execução das cláusulas do memorando, nomeadamente a cláusula 11, que prevê a libertação dos ativos iranianos.

Acrescentou que o país "ainda não entrou na fase de negociação para um acordo definitivo", já que, de acordo com a cláusula 13, essas conversações só poderão começar quando forem aplicadas as disposições relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a reabertura do estreito de Ormuz, a suspensão das sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos e a libertação dos fundos iranianos.

Na mesma linha, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, reiterou que em Doha não será mantida "nenhuma negociação com os Estados Unidos", embora tenha admitido que o memorando "está a avançar em alguns aspetos". Denunciou ao mesmo tempo incumprimentos relacionados com o Líbano.

As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que os enviados especiais da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, se reuniriam hoje em Doha com representantes iranianos para abordar o programa nuclear.

No passado dia 21 de junho, Teerão e Washington acordaram um calendário de 60 dias para alcançar um acordo definitivo de paz que inclua o programa nuclear iraniano.

Contudo, a tensão voltou a aumentar nos últimos dias com ataques iranianos contra navios e bombardeamentos norte-americanos contra alvos militares na costa sul do Irão, seguidos de represálias iranianas contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein.

Estes foram os primeiros ataques trocados entre as partes desde o memorando de entendimento assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irão em 17 de junho.

Ao abrigo do memorando, os dois lados vão prosseguir negociações com um prazo de 60 dias, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.

Também hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou ter discutido a futura gestão de Ormuz com Omã, país situado no extremo oposto do estreito.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) - adotada em 1982, mas não ratificada por Teerão - garante o direito de "passagem em trânsito" por estreitos utilizados para a navegação internacional, como o de Ormuz, essencial para ligar o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Além da tensão em torno do estreito, o diálogo encontra-se também ameaçado pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.


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RELATÓRIO: Portugal e Espanha entre os destinos industriais mais atrativos da Europa... Portugal e Espanha estão entre os destinos industriais mais atrativos da Europa devido aos custos competitivos da energia e a níveis de investimento produtivo superiores aos das principais economias europeias, concluiu um relatório do McKinsey Global Institute (MGI).

© Lusa    30/06/2026 

De acordo com o "Catalyzing competitiveness: Where investment happens and why", divulgado hoje, a Europa enfrenta um défice estrutural de investimento de cerca de 800 mil milhões de euros por ano, o que compromete o crescimento e a competitividade de longo prazo.

O estudo sustenta que o investimento produtivo tornou-se o principal indicador da competitividade das economias e refere que as decisões de localização são cada vez mais determinadas por fatores como custos, produtividade e rapidez de execução, em detrimento de fatores históricos ou geográficos.

Neste contexto, a Península Ibérica destaca-se pela disponibilidade de energia renovável a custos mais baixos, oferecendo condições mais favoráveis para indústrias intensivas em eletricidade.

Segundo o MGI, Portugal constitui um dos casos mais expressivos de recuperação do investimento na Europa após a crise da dívida soberana da zona euro.

Em 2024, a taxa de investimento produtivo líquido atingiu 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em Espanha superou os 2% do PIB.

Em comparação, a Alemanha registou uma taxa de cerca de 0,2% do PIB no mesmo período, segundo o relatório.

Neste sentido, vários projetos industriais intensivos em energia estão já a ser direcionados para a Península Ibérica e para os países nórdicos, em detrimento dos tradicionais centros industriais europeus, refletindo uma alteração da geografia industrial do continente.

A nível global, o MGI aponta para uma crescente divergência entre as principais economias.

Enquanto a Europa apresenta um investimento insuficiente, os Estados Unidos procuram reforçar a capacidade industrial para reduzir dependências externas e a China continua a expandir a capacidade produtiva a um ritmo cerca de três vezes superior ao dos Estados Unidos e da Europa em conjunto.

O relatório indica igualmente que produzir na Europa ou nos Estados Unidos pode custar, em média, pelo menos mais 50% do que nas economias que atualmente captam mais investimento.

No caso da investigação e desenvolvimento, essa diferença poderá atingir cerca de 300%, devido a processos mais demorados e a um tempo mais longo de colocação de novos produtos no mercado.

Entre os fatores que penalizam a competitividade europeia, o MGI destacou os custos da energia e das matérias-primas, bem como diferenças nos apoios públicos ao investimento, que podem variar até oito vezes entre regiões.

Para reforçar a competitividade europeia, o instituto defende medidas como o aumento da produtividade através da automatização e da Inteligência Artificial (IA), a simplificação de processos administrativos, o acesso a energia limpa e competitiva, a aceleração do desenvolvimento de novos produtos, o reforço da inovação e a especialização em setores estratégicos, como os semicondutores, a biotecnologia e as infraestruturas para IA.

Segundo o relatório, ganhos de produtividade de cerca de 30%, aliados à redução dos custos de equipamentos, energia e materiais e a uma maior rapidez na execução de projetos, poderão reduzir entre 30% e 80% o diferencial de custos que atualmente separa a Europa das economias mais competitivas.

Zelensky recorda 15 prazos falhados pela Rússia para captura de Donetsk... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recordou segunda-feira que a Rússia já falhou 15 prazos para captura da província de Donetsk desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, há quatro anos.

© Alberto Gardin/SOPA Images/LightRocket via Getty Image     Por LUSA   30/06/2026 

No seu pronunciamento diário ao país, o líder ucraniano atribuiu os "15 prazos diferentes para a captura da região de Donetsk", desde 2022, à "obsessão" da liderança política russa.

"Quinze vezes sucumbiram a esta ilusão de que tomariam todo o Donbass", região no leste do país que inclui também a província de Lugansk, declarou.

"Em 2022, a data era 31 de março. Depois, 09 de maio. A seguir, 01 de junho, 15 de setembro e 31 de dezembro. Em 2023, [o Presidente russo, Vladimir] Putin estabeleceu duas datas para a captura de Donbass: 01 de março e, após mais uma tentativa falhada, 31 de dezembro", relatou Zelensky.

O Presidente ucraniano recordou ainda as duas datas mencionadas em 2024 e as de 2025, quando "os russos tentaram convencer o Presidente [norte-americano] Donald Trump de que a Ucrânia acabaria por entrar em colapso".

Este ano, afirmou Zelensky, "os russos adiaram mais uma vez a data para a captura da região de Donetsk". "Primeiro disseram 31 de março deste ano, depois 01 de setembro e agora a data mais recente é 31 de dezembro", declarou.

"Se a Rússia não acabar com esta guerra, terá de adiar novamente este prazo final", disse Zelensky na mensagem.

O Presidente ucraniano denunciou ainda a "caça a civis", referindo-se aos recentes ataques russos em Zaporijia com 'drones' e outros veículos aéreos não tripulados.

Criticou em particular o ataque russo "brutal e totalmente insensato" a Dnipro, como parte da "guerra de terror" da Rússia e avisou que haverá uma "resposta justa".

Resultado do sucesso dos ataques ucranianos a refinarias russas, Zelensky destacou ainda as longas filas nos postos de abastecimento russos como uma "consequência direta da guerra".

"Estamos a trazer a realidade da guerra de volta para a Rússia e a tornar o mais difícil possível para eles continuarem a ocupar as nossas terras", argumentou.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.  

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).  

AFRICOM defende investimento como motor de estabilidade em África... O comandante do AFRICOM rejeitou hoje a presença de tropas americanas para assegurar a paz na República Democrática do Congo e defendeu que o plano para a região assenta no investimento como motor de estabilidade.

© Lusa   30/06/2026 

Dagvin Anderson, general que lidera a estrutura do Departamento de Defesa norte-americano responsável pelas relações militares com os países africanos, falava à Lusa à margem da Conferência de Chefes de Defesa do AFRICOM (Comando dos Estados Unidos para África), que reúne hoje e quarta-feira representantes de 35 países, em Luanda.

Questionado sobre se os acordos de paz para a República Democrática do Congo (RDCongo), negociados pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington, poderiam implicar presença militar dos EUA no terreno, Anderson foi categórico: "Não estamos a planear ter quaisquer tropas americanas no terreno. Não há nenhuma discussão sobre isso neste momento".

O general reconheceu que os chamados Acordos de Washington para a Paz e a Prosperidade --- que incluem um cessar-fogo permanente entre a RDCongo e o Ruanda, o desarmamento de grupos armados e acordos bilaterais que concedem a empresas norte-americanas prioridade no acesso a reservas de minerais críticos --- associam paz e investimento económico, mas rejeitou que se trate de uma troca direta.

"Não diria que é um 'quid pro quo', mas permitem o investimento e o desenvolvimento para beneficiar desses minerais que lá estão, tanto para os países anfitriões como para outras empresas que estejam disponíveis e sejam capazes de investir", acrescentou.

 Anderson reconheceu que o Presidente angolano, João Lourenço, tem estado muito envolvido na mediação do conflito, adiantando que há oportunidades para que as nações da região trabalhem em conjunto, com o AFRICOM a disponibilizar-se para apoiar, nomeadamente, na partilha de experiências no combate ao terrorismo.

Sobre a escolha de Luanda para acolher a conferência, Anderson sublinhou o papel central de Angola na região e no continente, referindo que a relação bilateral tem vindo a aprofundar-se ao longo dos últimos cinco a seis anos.

Relativamente ao Corredor do Lobito - projeto ferroviário que atravessa Angola, ligando o porto angolano do Lobito à RDCongo e considerado estratégico por Washington ---, Anderson afirmou que o AFRICOM não terá um papel direto na sua segurança, mas destacou que o investimento económico e estabilidade andam lado a lado: "O investimento ajuda a construir estabilidade e a construir prosperidade em geral, e isso acaba por levar à segurança".

O general afastou, por outro lado, a hipótese de instalação de uma base militar norte-americana em Angola, esclarecendo que o Acordo de Aquisição e Serviços Recíproco assinado entre os dois países estabelece apenas um quadro logístico para cooperação pontual e não implica uma presença permanente.

A visita coincidiu com a assinatura, segunda-feira, de uma parceria entre a Guarda Nacional do estado norte-americano do Ohio e Angola, no âmbito do State Partnership Program, iniciativa que, segundo Anderson, permite construir relações entre forças armadas que vão além do domínio militar, estendendo-se a instituições académicas, sociais e oportunidades de investimento.

O general citou o exemplo da parceria entre o Ohio e a Hungria, como modelo do tipo de envolvimento de longo prazo que os EUA pretendem replicar em Angola.

Sobre o fim de projetos da USAID (agência dos EUA para o desenvolvimento internacional), o fecho de embaixadas e a redução de pessoal diplomático norte-americano em África, Anderson negou que o AFRICOM pretenda substituir o "soft power" pelo poder militar, afirmando que o papel das forças armadas é complementar e não substituto dos restantes instrumentos de poder.

Quanto às principais ameaças para o continente, o comandante identificou o terrorismo 'jihadista' como preocupação central, alertando que a Al-Qaida e o Estado Islâmico transferiram liderança e operações para África, que se tornou "o epicentro do terrorismo global".

Anderson destacou a este propósito a colaboração recente com a Nigéria, que resultou na eliminação de Al-Minuki, que descreveu como o segundo terrorista mais procurado do Estado Islâmico a nível mundial.

Sobre uma eventual relocalização do quartel-general do AFRICOM, atualmente sediado na Alemanha, para o continente africano, Anderson disse não antever mudanças a curto prazo, invocando os custos de uma tal transferência e o atual contexto orçamental norte-americano, mas remeteu qualquer decisão para os responsáveis políticos.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Coletivo de Técnicos de Saúde do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM) está em conferência de imprensa, para exigir ao Governo e ao Ministério da Saúde Pública a efetivação dos profissionais, o pagamento dos subsídios e a regularização das remunerações.

Rússia abateu mais de 200 drones e ucranianos mais de 80... As autoridades russas reivindicaram hoje ter abatido mais de 200 drones lançados pelo Exército ucraniano no país e as Forças Armadas da Ucrânia declararam ter intercetado mais de 80 drones da Rússia no seu território.

© YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images     Por LUSA   29/06/2026 

O Ministério da Defesa russo afirmou, num comunicado publicado nas redes sociais, que abateu 209 drones ucranianos sobre vários locais do país nas últimas horas, incluindo a região de Moscovo, assim como sobre as águas do mar de Azov, do mar Negro e da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

A Força Aérea ucraniana acusou as tropas russas de lançarem 108 drones contra o país, sublinhando que 82 destes foram abatidos e houve impactos em onze locais no território ucraniano.

"O ataque continua e existem inúmeros drones no espaço aéreo", sublinharam os militares ucranianos, aconselhando a população a "seguir as diretrizes de segurança".

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.


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O Governo sírio acusou hoje o exército israelita de ter bombardeado duas cidades no sudoeste da Síria, deslocando os habitantes de uma aldeia, e pediu à comunidade internacional que tome medidas para pôr fim às agressões israelitas.

CPLP/30 ANOS: Acordo de mobilidade foi comprometido pelos próprios Estados-membros... Analistas entrevistados pela Lusa no âmbito dos 30 anos da CPLP reconheceram que o acordo de mobilidade da organização foi comprometido pelos próprios Estados-membros, particularmente por Portugal, apesar de estar em vigor.

© Lusa   29/06/2026 

Em 17 de julho de 2021, no 25.º aniversário da organização, durante a XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo, em Luanda, Angola, foi adotado o "Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]".

No entanto, em Portugal, a lei de estrangeiros, aprovada em julho do ano passado, alterou a entrada no país de cidadãos lusófonos, que passam a ter de pedir na origem um visto de trabalho ou de residência para obterem autorização de residência.

O analista português Fernando Jorge Cardoso classifica o acordo de mobilidade da CPLP como a maior realização conseguida dentro da comunidade.

Questionado sobre o recuo de Portugal nesse tema, explicou que essa questão se deveu a uma mudança no partido que governa - o Partido Socialista liderado por António Costa, que governou até 2024, foi um dos grandes defensores do acordo - e pelo facto de essa estar a ser uma corrente política que paira no contexto internacional. 

"Portugal está limitado não só pela sua política interna, como pelas regras do espaço Schengen", explicou.

No entanto, frisou, Portugal não eliminou o acordo. 

O politólogo angolano Almeida Henriques considerou que Portugal "precisa de ser mais visionário" em matéria de mobilidade e que as restrições "não ajudam e desmotivam os cidadãos da comunidade".

Já o presidente da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe, Liberato Moniz, lamentou que a livre circulação praticamente não tenha sido aplicada no bloco lusófono e que seja sim usada quando há necessidade de mão-de-obra, particularizando o caso português. 

Para Redy Lima, analista cabo-verdiano, o problema é mais estrutural.

"A facilitação de vistos acaba por ser uma ideia neocolonial: Portugal precisa de mão-de-obra e facilita as pessoas para irem trabalhar, mas o cabo-verdiano que quer ir de férias ou visitar a família continua a ter dificuldades", lamentou o sociólogo.

Para si, que se assume como cético da organização, o "projeto CPLP falhou e o acordo de mobilidade espelha a relação desigual entre os Estados-membros".

Elísio Macamo, professor universitário moçambicano na Suíça, relatou que o acordo de mobilidade não impactou de "modo nenhum a sua vida" e que isso seja, "talvez, a parte mais dececionante", pois demonstra "os limites deste mundo lusófono", em que "muitas iniciativas têm encalhado".

Por outro lado, explicou que, por exemplo, Portugal, por pertencer à União Europeia, e o Brasil, por fazer parte do Mercosul, estão limitados naquilo que podem fazer em termos de mobilidade.

"Mesmo do lado africano, não há muita flexibilidade para facilitar a entrada de portugueses ou de brasileiros", reconheceu.

Adriano de Freixo, analista brasileiro de ascendência portuguesa, com dupla nacionalidade, declarou que, a seu ver, a questão da mobilidade não teve impacto e relatou que amigos e colegas seus já lhe descreveram que as filas nos aeroportos portugueses para cidadãos da CPLP são, por vezes, maiores que as filas dos cidadãos de outras nacionalidades.

Redy Lima defendeu que, para a próxima década, a CPLP devia focar-se nesta questão da mobilidade e consolidá-la.

"Avançar com a questão da mobilidade seria meio caminho andado para a CPLP se consolidar. As pessoas têm que sentir a CPLP. Se ela conseguir ultrapassar esse obstáculo, abre outras oportunidades", considerou.

Por seu turno, Almeida Henriques pediu que haja uma "liberalização do ponto de vista da mobilidade no espaço CPLP".

A CPLP, que assinala 30 anos em 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. 

domingo, 28 de junho de 2026

Acordo com Israel acabará com poder armado do Hezbollah, defende partido... O partido cristão Forças Libanesas, inimigo declarado do movimento xiita libanês Hezbollah, defendeu hoje o acordo entre o Líbano e Israel, afirmando que vai acabar com o poder armado do grupo no sul do país.

© KAWANT HAJU / AFP via Getty Images     Por  LUSA  28/06/2026 

O líder das Forças Libanesas, Samir Geagea, declarou que o acordo é o "passo político mais importante dado pelo Estado libanês em meio século", segundo um comunicado divulgado pela Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA) e citado pela agência noticiosa espanhola EFE.

Geagea afirmou que o objetivo do acordo é "tirar o Líbano e o povo libanês da situação trágica e das suas repercussões provocadas pelos sucessivos movimentos de 'resistência' no sul", numa clara referência ao Hezbollah.

"Este acordo-quadro não se limita à retirada dos israelitas do Líbano, permitindo que a população do sul regresse às suas casas e aldeias. Além disso, uma vez implementado, fechará definitivamente a ferida aberta no nosso sul, que afetou todos os libaneses", disse.

"Esta ferida aberta, ao contrário do que alegam as várias fações da chamada 'resistência', não contribuiu em nada para a causa palestiniana e destruiu repetidamente o Líbano", acrescentou.

As declarações do político surgem numa altura de grande polarização no país mediterrânico na sequência da assinatura, na passada sexta-feira, em Washington, do acordo negociado pelo Presidente libanês, Josef Aoun, em conjunto com o primeiro-ministro, Nawaf Salam.

O documento estipula que as Forças Armadas libanesas assumirão gradualmente o controlo de "zonas piloto" no sul do Líbano, como um passo preliminar para uma retirada gradual de Israel. A saída gradual das forças israelitas é condicionada ao desarmamento das milícias do pró-iraniano Hezbollah.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, criticou duramente as autoridades libanesas no sábado, acusando-as de ultrapassarem "linhas vermelhas" com a assinatura do acordo, que descreveu como "uma humilhação, uma desgraça e uma rendição da soberania".

No mesmo dia, o presidente do parlamento do Líbano, Nahib Berri, lamentou que o pacto tenha desencadeado uma agitação interna e apelou à calma do povo libanês.

Desde 02 de março, pelo menos 4.240 pessoas morreram e cerca de 12.200 ficaram feridas nos ataques israelitas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês. Os ataques obrigaram ainda à deslocação de mais de um milhão de pessoas.

Israel e o Hezbollah iniciaram desta vez os combates no seguimento da guerra no enclave palestiniano da Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

Netanyahu diz levar "muito a sério" declarações de Erdogan contra Israel... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que leva "muito a sério" as declarações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, contra Israel e garantiu que transmitirá as suas preocupações aos Estados Unidos.

© Getty Images/Ilia YEFIMOVICH/AFP      Por  LUSA    28/06/2026 

"Raramente passa um dia sem que Erdogan exija a destruição do Estado de Israel, levamos essas palavras muito a sério porque, se há algo que aprendemos com a história do nosso povo, é que quando alguém diz que nos pretende destruir, é preciso levá-lo a sério", afirmou Netanyahu, segundo declarações recolhidas pelo canal israelita 12.

"Chamaremos a atenção dos nossos amigos norte-americanos para estas palavras, não as estamos a ignorar", acrescentou o líder israelita.

Nos últimos anos, as hostilidades entre as autoridades de Israel e da Turquia têm vindo a aumentar, com trocas de acusações entre altos responsáveis de ambos os governos relativamente aos massacres em Gaza e às deficiências democráticas ou ao tratamento dado aos curdos.

Além disso, o Governo de Israel aprovou hoje o reconhecimento do genocídio arménio, durante o qual, entre 1915 e 1923, cerca de 1,5 milhões de arménios morreram às mãos do Império Otomano, segundo anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, que irá agora submeter esse reconhecimento ao parlamento para ratificação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, negou que o reconhecimento constitua uma retaliação contra a Turquia, embora na imprensa local a medida tenha sido interpretada como um ato de reprovação.


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O exército israelita aprovou hoje a continuidade das operações militares no sul do Líbano, tendo feito novos ataques nesta região já depois do acordo anunciado entre os dois países.

Guiné Equatorial "não deveria fazer parte" da CPLP, dizem analistas... Analistas entrevistados pela Lusa no âmbito dos 30 anos da CPLP afirmaram que a Guiné Equatorial desrespeita os estatutos comunitários, mas integrar a organização legitimou o regime da família Obiang e permitiu ao país cessar o seu isolamento internacional.

© Lusa    28/06/2026 

"A Guiné Equatorial não está em condição de fazer parte de um organismo que se define pelos valores que as constituições dos outros países procuram elevar", afirmou Elísio Macamo, professor moçambicano numa universidade na Suíça.

"Aquele país, do ponto de vista de valores e de princípios, não deveria fazer parte desta Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]", acrescentou o académico.

Para Tutu Alicante, ativista equato-guineense no exílio por ser 'persona non grata' no seu país, "aderir à CPLP ajudou a legitimar o regime da Guiné Equatorial", liderado pelo chefe de Estado, Teodoro Obiang, desde 1976. 

Além disso, na opinião do advogado que vive nos Estados Unidos da América, a família Obiang usou a organização para quebrar o isolamento internacional do regime.

No entanto, segundo o ativista, a Guiné Equatorial não cumpriu parte das tarefas que tinha aquando da sua adesão, segundo o roteiro que lhe foi imposto pela CPLP, como o investimento da língua portuguesa no país e a abolição da pena de morte.

"O português ainda não é falado nas ruas, exceto por uma pequena minoria de pessoas que conseguiu ir estudar para o Brasil, para Portugal ou talvez até para Angola", indicou.

Sobre a pena de morte, "embora o Governo tenha aprovado uma moratória no código civil, a pena continua a existir nos códigos militares", explicou Tutu Alicante.

"O que o Governo faz, se quer aplicar a pena de morte, é julgar civis através de tribunais militares. Além disso, muitos presos continuam a ser torturados até à morte e a desaparecer na prisão", salientou.

Em termos sociais, o advogado referiu que as pessoas desejavam que a CPLP ajudasse a impulsionar a criação de instituições democráticas, assim como o acesso à educação, saúde, entre outros aspetos, mas que isso acabou por não acontecer.

Para Tutu Alicante, "os cidadãos comuns na Guiné Equatorial não viram qualquer impacto com a adesão do país à CPLP".

"Para nós, qualquer coisa como trazer o Papa, acolher conferências internacionais e agora liderar ou presidir à CPLP é o tipo de coisa que faz os equato-guineenses duvidar da seriedade de uma organização", salientou, quando questionado sobre a possibilidade de o seu país presidir a organização lusófona.

Referindo que "Obiang pagou dinheiro para pertencer" à CPLP, o advogado considera que se a Guiné Equatorial assumir a presidência isso "retira legitimidade à própria organização".

Nesse seguimento, o sociólogo cabo-verdiano Redy Lima declarou que "a CPLP é tão moribunda que não é o facto de a Guiné Equatorial estar na presidência que vai mudar alguma coisa". 

O analista cabo-verdiano disse achar que a sua integração no bloco se deveu "a dinheiro" e que, já que faz parte da comunidade, é legítimo que a possa presidir, mas realçou que isso dará uma má imagem da organização.

Para Liberato Moniz, académico são-tomense, esse seria "um ponto muito negativo" e "talvez mesmo um dos pontos principais para o descrédito final da CPLP".

"Se vier a coordenar os trabalhos, isso quer dizer que as pessoas não estão verdadeiramente preocupadas com a CPLP, mas sim com o aproveitamento que cada um pode tirar da organização", refletiu o presidente da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe.

O especialista brasileiro em História das Relações Internacionais Adriano de Freixo declarou que a pertença da Guiné Equatorial à CPLP é mais interessante para o país do que para a organização em si, pois permitiu-lhe "quebrar o seu isolamento internacional".

O historiador recordou o episódio em que escolas de samba, no Brasil, foram financiadas pela Guiné Equatorial, numa estratégia que classificou de "processo de limpeza de imagem".

Já o politólogo angolano Almeida Henriques defende que a rotatividade deve ser respeitada. 

"Não podemos olhar a Guiné Equatorial como se fosse um obstáculo", declarou, apesar de reconhecer que a organização precisa de criar "mecanismos de controlo sobre o cumprimento" dos compromissos de adesão.

Para o português Fernando Jorge Cardoso, as coisas devem ser vistas noutra perspetiva: "Podemos legitimar um regime ao admitir que ele entre dentro de uma organização, mas também podemos levar a que esse regime fique obrigado a um conjunto de regras a que não está habituado".

Além disso, prosseguiu, "a razão pela qual não há um efeito mais positivo relativamente a uma maior abertura, e uma melhoria da situação política na Guiné Equatorial, é o facto de alguns membros fundadores da CPLP - Angola, Guiné-Bissau e Moçambique - terem 'telhados de vidro'" e não querem ser confrontados com os seus próprios défices democráticos.

A CPLP, que assinala 30 anos em 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. 


Leia Também: "Guiné-Bissau não reúne condições para estar na CPLP"

O politólogo angolano Almeida Henriques declarou hoje à Lusa que, ao contrário do que considera em relação à Guiné Equatorial, a Guiné-Bissau não reúne condições para fazer parte da CPLP.