segunda-feira, 13 de abril de 2026

Magyar vence na Hungria e deixa Europa "ansiosa" e a palpitar. As reações... As reações pela vitória de Péter Magyar nas eleições legislativas não tardaram, com líderes europeus (e nacionais) a felicitar a ida às urnas, que aconteceu de forma massiva, assim como a falar do vencedor, que com os resultados deixou o país a retomar "o seu caminho europeu".

© Ferenc ISZA / AFP via Getty Images.  Notícias ao Minuto com Lusa  

Ainda Péter Magyar não tinha discursado e proclamado que a Hungria tinha sido "libertada" com as eleições deste domingo, que 'destronaram' Vikto Orbán após 16 anos no cargo, e já as reações a felicitar o novo primeiro-ministro surgiam.

Por cá, o Presidente da República, António José Seguro, começou por saudar "o povo húngaro pela elevada participação nas recentes eleições, expressão clara do compromisso cívico e da vitalidade democrática da Hungria". 

"Felicita igualmente o vencedor do ato eleitoral, Peter Magyar, desejando que o seu mandato corresponda a um firme compromisso com os valores fundamentais que unem os povos europeus: o respeito pelo projeto europeu, a promoção da paz e a observância do direito internacional", escreveu Seguro.

Da parte do Governo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, felicitou Magyar, escrevendo: "Que esta nova etapa, fundada numa ampla participação democrática, permita um trabalho conjunto em prol do projeto europeu e dos seus valores e princípios fundamentais."

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros, pasta tutelada por Paulo Rangel recorreu à rede social X (antigo Twitter), para felicitar não só o candidato vencedor, como também sublinhar a "enorme participação eleitoral - uma lição de democracia."

O Partido Socialista emitiu uma nota na qual considera que o resultado das eleições legislativas húngaras representa um momento "de grande alcance" para a Hungria e para a União Europeia (UE), com a rejeição das práticas que fragilizam a democracia.

Como reagiu a Europa? 

De Portugal para o coração da Europa, também houve reações, nomeadamente, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que diz estar "ansioso" por trabalhar com Magyar.

"O povo pronunciou-se - e a sua vontade é clara", escreveu o presidente do Conselho Europeu na rede social X.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, apontou que a "Hungria escolheu a Europa". "Esta noite, o coração da Europa bate um pouco mais rápido na Hungria", afirmou Úrsula Von der Leyen, considerando que, com esta votação, o país "retomou o seu caminho europeu".

Já a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, que recordou que "o lugar da Hungria está no coração da Europa".

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, parabenizou Peter Magyar e a partido Tisza pela "sua vitória esmagadora". "Estamos prontos para encontros e um trabalho conjunto construtivo no interesse das duas nações, bem como para a paz, a segurança e a estabilidade na Europa", escreveu Zelensky numa mensagem divulgada nas redes sociais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, publicou nas redes sociais uma fotografia sua com Magyar, a quem telefonou para felicitar pela vitória. "A França celebra esta vitória, que representa um triunfo da participação democrática, do compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e do lugar da Hungria na Europa", assinalou Macron, desejando que juntos consigam construir "uma Europa mais soberana, pela segurança do continente, pela competitividade e pela democracia".

Na mesma linha, o chanceler alemão, Friedrich Merz, transmitiu as suas "sinceras felicitações" a Magyar: "Espero trabalhar consigo. Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida."

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, por seu lado, congratulou-se com a vitória de Péter Magyar e do seu partido, o Tisza, e afirmou que "hoje vence a Europa e os valores europeus".

Sánchez, na sua conta da rede social X, felicitou "todos os cidadãos húngaros por estas eleições históricas" e disse estar "ansioso por trabalhar em conjunto" com o novo líder húngaro "por um futuro melhor para todos os europeus".

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, felicitou Magyar dizendo que se trata de "um momento histórico, não só para a Hungria, mas também para a democracia europeia" e que está "ansioso" por trabalhar com o novo primeiro-ministro húngaro "em prol da segurança e da prosperidade dos dois países".

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, destacou a "clara vitória eleitoral" de Magyar nas eleições legislativas frente ao primeiro-ministro cessante, Viktor Orbán, "amigo" a quem agradeceu pela sua "colaboração". "A Itália e a Hungria são nações unidas por um profundo laço de amizade e estou certa de que continuaremos a colaborar de forma construtiva no interesse dos nossos povos e a enfrentar os desafios comuns a nível europeu e internacional", acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prévot, comemorou a vitória do partido da oposição Tisza, do conservador Péter Magyar, nas eleições legislativas húngaras, e afirmou que o país optou por deixar de olhar para Moscovo e "voltar a olhar para o Ocidente".

Já o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, saudou "uma vitória gloriosa" de Peter Magyar. "Hungria, Polónia, Europa novamente reunidas! Vitória gloriosa, caros amigos!", escreveu Tusk na plataforma X em inglês, acrescentando em húngaro: "Ruszkik haza!" (Russos, voltem para casa!).

Da Suécia, o primeiro-ministro Ulf Kristersson destacou a vitória "histórica" do partido de Magyar, apontando que "é um novo capítulo na história da Hungria".

O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, destacou também a "eleição histórica" por "uma Hungria livre e forte" no seio de uma "Europa unida" e "rejeitou as forças que ignoram os seus interesses".

Também a primeira-ministra da Letónia, Evika Silina, felicitou Magyar pela sua "vitória histórica". "Espero trabalhar consigo em prol dos valores e interesses europeus comuns", afirmou.

A completar o trio báltico, o presidente lituano, Gitanas Nauseda, destacou a "grande vitória da Europa". "Parabéns a Péter Magyar. Há muitas coisas que poderíamos e deveríamos fazer em prol da democracia, da justiça e da paz", afirmou.

Também se juntaram às felicitações o primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic e o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin.


Leia Também: "Libertámos a Hungria": Péter Magyar celebra "vitória esmagadora" sobre Orbán

O candidato da oposição húngara Peter Magyar, que venceu as eleições legislativas deste domingo, disse que o seu partido libertou a Hungria, após colocar fim a 16 anos de poder do nacionalista Viktor Orbán.

domingo, 12 de abril de 2026

Trump diz que Reino Unido ajudará na desminagem do Estreito de Ormuz... O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que o Reino Unido, como outros países, vão ajudar nas tarefas de desminagem do Estreito de Ormuz, que ameaçou bloquear com recurso à marinha norte-americana.

© REUTERS/Kevin Lamarque. Por LUSA  12/04/2026

"Contamos com draga-minas de última geração, os mais modernos e avançados, mas também estamos a usar caça-minas mais tradicionais. Pelo que entendo, o Reino Unido e um par de outros países vão enviar" esses navios, declarou Trump, em entrevista à Fox News.

O Governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticado por Trump por não se envolver na reabertura do estreito, na sequência da ofensiva israelo-norte-americana ao Irão, não confirmou a participação nestas ações.

O Presidente dos Estados Unidos anunciou que a marinha pode bloquear "imediatamente" o estreito e a sua desminagem, após as negociações de paz no Paquistão, entre Teerão e Washington, terem acabado hoje sem acordo firmado.

Antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã sugeriu a Irão e Estados Unidos que consigam fazer "concessões dolorosas" para avançar as negociações, apelando a "uma prorrogação do cessar-fogo".

Antes da comunicação de Trump, o sultão de Omã, Haitham bin Tarik al Said, conversou com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, com este último a instar os Estados Unidos e o Irão a "encontrarem uma solução" e a evitarem qualquer escalada significativa do conflito.

Ambos abordaram as conversações de paz entre Washington e Teerão e concordaram que é vital que o cessar-fogo se mantenha e que todas as partes evitem qualquer escalada, referiu o gabinete de Starmer, em comunicado.

O sultão de Omã atualizou Starmer sobre a situação no estreito de Ormuz, tendo o líder britânico agradecido os esforços de Omã para resgatar os marinheiros dos navios em perigo na região.

Um dos principais pontos de discórdia entre Teerão e Washington é em torno do estreito de Ormuz.

Uma das condições que Teerão levou para as negociações em Islamabad foi a da manutenção do controlo do estreito e cobrança de taxas à navegação, a dividir com Omã, na outra margem de Ormuz.

O Irão tem mantido o controlo total sobre a navegação pelo estreito, tendo apenas permitido desde o início da guerra a passagem de navios de países aliados, e com os quais manteve conversações recentes, como são os casos da China e da índia.

Trump justificou a decisão em torno do estreito com a intransigência de Teerão em abandonar as suas ambições nucleares, ainda que as discussões no Paquistão tenham corrido bem e que "a maioria dos pontos" tenham sido "objeto de um acordo".

"A partir de agora, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, dará início ao processo de bloqueio de todos os navios que tentem entrar ou sair do estreito de Ormuz", escreveu na sua rede social, a respeito da via marítima estratégica por onde transita um quinto do petróleo bruto mundial e que se situa entre o Irão e o sultanato de Omã.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deu hoje por terminadas as negociações entre Washington e Teerão, sem acordo de paz, depois de os iranianos se recusarem a aceitar as condições americanas de não desenvolverem uma arma nuclear.


Leia Também: Guarda Revolucionária ameaça inimigos com "turbilhão mortal" em Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou hoje ter o controlo total do tráfego no Estreito de Ormuz e ameaçou prender os seus inimigos num "turbilhão mortal", após declarações dos Estados Unidos (EUA).

Emirados dizem que Estreito de Ormuz não é propriedade de Teerão... O Estreito de Ormuz "nunca foi propriedade do Irão para que eles possam fechá-lo ou restringir a navegação", declarou hoje o ministro da Indústria e Tecnologia dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber.

Por  LUSA 

"O Estreito de Ormuz nunca foi propriedade do Irão para que eles possam fechá-lo ou restringir a navegação", pode ler-se numa mensagem publicada hoje por Al Jaber na rede social 'X' (antigo Twitter).

O ministro dos emirados notou que qualquer intenção de o bloquear "não é meramente uma questão regional, mas também a interrupção de uma artéria económica mundial vital e uma ameaça direta à segurança energética, alimentária e sanitária de todas as nações", num comportamento "ilegal, perigoso e inaceitável", que o mundo "não pode tolerar nem permitir".

Segundo o governante, desde 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão, pelo menos 22 navios foram atacados, 10 tripulantes morreram e 20 mil marinheiros estão sem poder navegar em segurança, com 800 outros navios parados, incluindo 400 petroleiros.

As críticas de Al Jaber surgem no dia em que foi o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dizer que a marinha do seu país pode iniciar "imediatamente" um bloqueio de entradas e saídas de navios no Estreito, após o fim, sem acordo, das conversações com o Irão.

"Instruí a nossa marinha para procurar intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagens ao Irão. Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar", declarou hoje Donald Trump, citado pela Associated Press (AP).

Trump disse ainda que os Estados Unidos estavam prontos para acabar com o Irão no "momento apropriado", sublinhando que as ambições nucleares de Teerão estavam no cerne do fracasso em terminar a guerra.

As negociações presenciais terminaram hoje de madrugada (em Lisboa), após 21 horas, deixando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.

As autoridades norte-americanas disseram que as negociações falharam devido ao que descreveram como a recusa do Irão em comprometer-se a abandonar o caminho para uma arma nuclear, enquanto as autoridades iranianas culparam os Estados Unidos pelo fracasso das negociações, sem especificar os pontos de discórdia.

Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o fim do cessar-fogo de 14 dias, a 22 de abril, e os mediadores paquistaneses instaram todas as partes a mantê-lo.

Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra, a 28 de fevereiro, pelo menos 3.000 pessoas morreram no Irão, 2.020 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia em estados árabes do Golfo, além de terem causado danos duradouros nas infraestruturas em vários países do Médio Oriente.

O controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz isolou em grande parte o Golfo Pérsico e as suas exportações de petróleo e gás da economia global, fazendo disparar os preços da energia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o seu país vai tentar facilitar um novo diálogo entre o Irão e os EUA nos próximos dias.


Leia Também: Trump ameaça impor tarifas de 50% à China caso dê apoio militar a Teerão

O Presidente norte-americano ameaçou hoje impor tarifas de 50% sobre os produtos provenientes da China, caso Pequim preste ajuda militar ao Irão na guerra no Médio Oriente.


Trump anuncia que EUA vão bloquear Estreito de Ormuz: "Todos os navios"... O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, "com efeito imediato", o bloqueio de todos os navios no Estreito de Ormuz, após o fracasso das negociações de paz com o Irão.

Por LUSA 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou este domingo que o país vai bloquear "todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", após o fracasso das negociações para um acordo de paz entre Washington e Teerão, em Islamabad, no Paquistão.

"Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de bloqueio de todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", escreveu na rede social Truth Social.

"A dada altura, chegaremos a um ponto em que todos poderão entrar e sair livremente, mas o Irão não permitiu que isso acontecesse simplesmente dizendo: 'Pode haver uma mina por aí algures', da qual ninguém sabe, excepto eles", atirou.

Para o presidente norte-americano, a ameaça iraniana é "extorsão mundial" e "os líderes dos países, especialmente os Estados Unidos da América, nunca serão extorquidos". 

Além disso, Trump disse ter instruído a Marinha norte-americana a "procurar e intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagem ao Irão", defendendo que "ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar". 

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deu por terminadas as negociações entre Washington e Teerão, sem acordo de paz, depois de os iranianos se recusarem a aceitar as condições americanas de não desenvolverem uma arma nuclear.

"A verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear", disse Vance aos jornalistas, numa breve conferência de imprensa em Islamabad.

Segundo a Irib, a televisão estatal iraniana, foram as "exigências irracionais" dos Estados Unidos que levaram ao fracasso das negociações.

"A delegação iraniana negociou incansavelmente e de forma intensiva durante 21 horas para defender os interesses nacionais do povo iraniano. Apesar de várias iniciativas da parte [iraniana], as exigências irrazoáveis da parte americana impediram que as negociações avançassem. As negociações chegaram, portanto, ao fim", anunciou a Irib na rede de mensagens Telegram.

Já o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou as delegações do seu país nas negociações com os Estados Unidos, no Paquistão, afirmou este domingo que Washington "não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana".

Numa publicação, na rede social X, o responsável garantiu que a delegação iraniana tinha "boa-fé e a vontade necessárias" para resolver o conflito, "mas, devido às experiências das duas guerras anteriores", não confia no lado oposto.

"Os meus colegas da delegação iraniana apresentaram iniciativas promissoras, mas o lado oposto, em última análise, não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta ronda de negociações", frisou.

"Os Estados Unidos compreenderam a nossa lógica e os nossos princípios, e agora é tempo de decidirem se podem ou não merecer a nossa confiança", acrescentou.

GUERRA NA UCRÂNIA: Rússia diz que "divergências" com Ucrânia "são apenas uns quilómetros"... O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as divergências territoriais entre a Rússia e a Ucrânia resumem-se a poucos quilómetros, numa altura em que os dois países trocam acusações de violações de cessar-fogo.

© Alexander Zemlianichenko / POOL / AFP via Getty Images   Notícias ao Minuto com Lusa  12/04/2026 

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou este domingo que as "divergências territoriais" que ainda existem entre a Ucrânia e a Rússia resumem-se a "apenas alguns quilómetros de distância". 

"São apenas alguns quilómetros", enfatizou aos jornalistas, citado pela agência de notícias russa TASS.

"De grosso modo, representa de 17 a 18% da República Popular de Donetsk, que ainda precisamos de libertar", acrescentou, frisando que a Rússia precisa de "alcançar as fronteiras administrativas". 

As declarações de Peskov surgem numa altura em que os dois países trocam acusações de violações ao cessar-fogo por ocasião da Páscoa ortodoxa, em vigor desde sábado, com Kyiv a denunciar quase 2.300 violações e Moscovo cerca de 2.000.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira um cessar-fogo de 32 horas durante o fim de semana da Páscoa Ortodoxa, ordenando às forças russas que suspendessem as hostilidades até ao final do domingo.

Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prometeu respeitar o cessar-fogo, descrevendo-o como uma oportunidade para avançar com iniciativas de paz.

No entanto, advertiu que as forças ucranianas iriam responder a quaisquer violações na mesma medida.

Este é o quarto cessar-fogo desde o início da invasão russa em 2022, cujas negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, estão num impasse há quase dois meses devido ao conflito no Irão.

As tentativas anteriores de cessar-fogo tiveram pouco impacto, com ambas as partes a acusarem-se mutuamente de violações.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.   

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).  

Irão diz que EUA "não conseguiram conquistar a confiança da delegação"... O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os EUA "não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana", em Islamabad, o que levou ao fracasso.

© Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images)     noticiasaominuto.com com Lusa  12/04/2026 

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou as delegações do seu país nas negociações com os Estados Unidos, no Paquistão, afirmou este domingo que Washington "não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana". 

Numa publicação, na rede social X, o responsável garantiu que a delegação iraniana tinha "boa-fé e a vontade necessárias" para resolver o conflito, "mas, devido às experiências das duas guerras anteriores", não confia no lado oposto.

"Os meus colegas da delegação iraniana apresentaram iniciativas promissoras, mas o lado oposto, em última análise, não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta ronda de negociações", frisou.

"Os Estados Unidos compreenderam a nossa lógica e os nossos princípios, e agora é tempo de decidirem se podem ou não merecer a nossa confiança", acrescentou.

Ghalibaf defendeu que o Irão considera "cada confronto uma nova ferramenta de diplomacia, ao lado da luta militar, para defender os direitos da nação iraniana" e garantiu: "Não cessaremos, em momento algum, os nossos esforços para consolidar as conquistas dos quarenta dias da defesa nacional do Irão".

Na nota, deixou uma palavra de agradecimento ao Paquistão "por facilitar o processo destas negociações" e à delegação iraniana pelas "intensas negociações de 21 horas".

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, recorde-se, deu por terminadas as negociações entre Washington e Teerão, sem acordo de paz, depois de os iranianos se recusarem a aceitar as condições americanas de não desenvolverem uma arma nuclear.

"A verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear", disse Vance aos jornalistas, numa breve conferência de imprensa em Islamabad.

Segundo a Irib, a televisão estatal iraniana, foram as "exigências irracionais" dos Estados Unidos que levaram ao fracasso das negociações.

"A delegação iraniana negociou incansavelmente e de forma intensiva durante 21 horas para defender os interesses nacionais do povo iraniano. Apesar de várias iniciativas da parte [iraniana], as exigências irrazoáveis da parte americana impediram que as negociações avançassem. As negociações chegaram, portanto, ao fim", anunciou a Irib na rede de mensagens Telegram.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, por sua vez, considerou que "ninguém estava à espera" que os Estados Unidos e o Irão chegassem a um acordo logo na primeira ronda de negociações.

"Era evidente desde o início que não devíamos esperar chegar a um acordo numa única sessão [de negociações]. Ninguém estava à espera disso", declarou Esmaeil Baqaei em declarações à televisão estatal iraniana, após o anúncio do fracasso das discussões em Islamabad para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou estar "certo de que os contactos com o Paquistão, bem como com os outros amigos na região, irão prosseguir".


Leia Também: Turquia acusa Netanyahu de sabotar negociações para evitar julgamento

O governo turco acusou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de sabotar as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão para evitar ser julgado por corrupção no seu país.

Kyiv e Moscovo trocam acusações de violação da trégua de Páscoa... A Ucrânia e a Rússia acusaram-se hoje mutuamente de violações ao cessar-fogo por ocasião da Páscoa ortodoxa, em vigor desde sábado, com Kyiv a denunciar quase 2.300 violações e Moscovo cerca de 2.000.

© Nina Liashonok/Ukrinform/NurPhoto via Getty Images    Por LUSA   12/04/2026 

O exército ucraniano acusou hoje as forças russas de, até às 07h00 (05h00 em Lisboa), terem violado 2.299 vezes o cessar-fogo da Páscoa, que entrou em vigor na véspera na linha da frente na Ucrânia, com mais de 1.200 quilómetros de extensão. 

O Estado-Maior ucraniano, num relatório publicado no Facebook, especificou que foram registados "28 ataques inimigos, 479 bombardeamentos de artilharia, 747 ataques com drones de ataque ('Lancet', 'Molniya') e 1.045 ataques de drones FPV".

"Não houve nenhum ataque com mísseis, bombas aéreas guiadas ou drones do tipo Shahed", acrescentou.

Segundo o Ministério da Defesa russo, "no total", entre as 16h00 (14h00 em Lisboa) de sábado, quando a trégua teve início, e as 08h00 (06h00 em Lisboa) de hoje, "foram registadas 1.971 violações do cessar-fogo por parte do exército ucraniano".

Mais concretamente, Kyiv terá lançado 1.329 drones de vigilância e atacado as posições russas em 258 ocasiões com lançadores de mísseis, artilharia e tanques, indicou, num comunicado citado pela agência noticiosa TASS.

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira um cessar-fogo de 32 horas durante o fim de semana da Páscoa Ortodoxa, ordenando às forças russas que suspendessem as hostilidades até ao final do domingo.

Por sua vez, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prometeu respeitar o cessar-fogo, descrevendo-o como uma oportunidade para avançar com iniciativas de paz.

No entanto, advertiu que as forças ucranianas iriam responder a quaisquer violações na mesma medida.

Este é o quarto cessar-fogo desde o início da invasão russa em 2022, cujas negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, estão num impasse há quase dois meses devido ao conflito no Irão.

As tentativas anteriores de cessar-fogo tiveram pouco impacto, com ambas as partes a acusarem-se mutuamente de violações.

No sábado, a Rússia e a Ucrânia anunciaram também a troca de 350 prisioneiros de guerra, 175 de cada lado, com a mediação dos Emirados Árabes Unidos.


Leia Também: Kyiv acusa Rússia de 469 violações do cessar-fogo da Páscoa Ortodoxa

O Exército ucraniano informou, este sábado, que as forças russas realizaram até 469 violações do cessar-fogo declarado na quinta-feira pelo Presidente Vladimir Putin para o feriado da Páscoa Ortodoxa, que Volodymyr Zelensky tinha proposto há cerca de uma semana.

REALEZA BRITÂNICA: Donald Trump vai ser "encantador" com Carlos III durante visita de Estado... O biógrafo real britânico Robert Hardman considerou que o presidente norte-americano vai evitar críticas ou comentários controversos durante a próxima visita do rei Carlos III aos Estados Unidos, de 27 a 30 de abril, por ser um admirador da monarquia britânica.

© Anna Moneymaker/Getty Images    Por  LUSA  12/04/2026 

O biógrafo real britânico Robert Hardman considerou que o presidente norte-americano vai evitar críticas ou comentários controversos durante a próxima visita do rei Carlos III aos Estados Unidos por ser um admirador da monarquia britânica.

Hardman, autor de várias obras sobre a família real britânica, disse acreditar que "Trump vai ser absolutamente encantador" durante a visita do monarca britânico, entre 27 e 30 de abril, por ocasião da celebração dos 250 anos de independência dos Estados Unidos.

O escritor está convencido que o magnata republicano vai manter a cordialidade com Carlos III, independentemente das tensões políticas com Londres. 

"Ele adora a monarquia. É um grande fã do rei. Já esteve hospedado em Windsor e tem uma enorme admiração pela rainha Isabel II", afirmou.

Nas últimas semanas, Trump criticou repetidamente o primeiro-ministro britânico depois de Keir Starmer ter recusado autorizar os EUA a utilizar as bases britânicas em ataques ofensivos contra o Irão.

O chefe de Estado norte-americano afirmou publicamente que "não está contente com o Reino Unido", que Starmer "não é nenhum Winston Churchill" [primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial] e ridicularizou as capacidades militares britânicas.

Este comportamento levou políticos a sugerirem que Starmer cancelasse a visita de Estado de Carlos III para demonstrar a insatisfação do Reino Unido e para evitar potenciais constrangimentos ao rei.

Mas, para Hardman, o que Trump "diz sobre o governo britânico antes e depois da visita é diferente".

"Durante o período em que o rei estiver em solo norte-americano, Trump será absolutamente encantador e caloroso", afirmou, durante uma apresentação na sexta-feira do livro "Isabel II - Em privado. Em público. A história vista por dentro".

O autor lembrou que existem diferenças de opinião evidentes entre Carlos III e Donald Trump, nomeadamente em questões como as alterações climáticas, mas ambos deverão "colocar esses assuntos de lado". 

"O rei tem um longo historial de ativismo ambiental, o que contrasta com a política energética de Trump, mas estas questões vão ficar provavelmente em segundo plano", previu Hardman.

Autor de três livros sobre Isabel II e um sobre Carlos III, o biógrafo afirmou ter entrevistado Donald Trump para a sua obra mais recente na residência em Mar-a-Lago, na Florida, e que o presidente mantém em destaque um retrato da rainha Isabel II na sala de jantar, sinal de respeito e admiração pela família real. 

O quadro é uma cópia do último retrato oficial pintado antes da morte da monarca pela artista britânico-polaca Basia Hamilton.

"Acho que se pode afirmar com segurança que ele a adorava, admirava e respeitava", resumiu, desmentindo rumores de que Trump terá sido indelicado durante a revista das tropas ao passar à frente dela, em 2018. 

"Ele fez exatamente o que devia fazer. O convidado vai sempre primeiro", salientou.

Hardman sublinhou que a rainha e Trump "deram-se bem" nas duas visitas oficiais que realizou ao Reino Unido, em 2018 e 2019, e que ele foi sempre "educado e respeitador".