Por: Aguinaldo Ampa, JORNAL ODEMOCRATA 09/09/2026 A Federação Nacional das Associações dos Motoristas e Transportadores da Guiné-Bissau e a Associação dos Motoristas e Transportadores de Ziguinchor (Senegal) reuniram-se esta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, com o objetivo de ultrapassar o diferendo que opõe as duas partes e que impede a entrada de transportes públicos dos dois países no Senegal e na Guiné-Bissau.
Segundo soube o jornal O Democrata, desde 12 de agosto deste ano, os transportes públicos da Guiné-Bissau deixaram de entrar no Senegal, deixando de seguir diretamente para a paragem central de Ziguinchor, como era habitual. Da mesma forma, os transportes públicos senegaleses deixaram de entrar em território guineense.
A situação tem provocado constrangimentos aos cidadãos de ambos os países, particularmente aos guineenses, que, por vezes, são obrigados a pagar cerca de cinco mil francos CFA por uma viagem de mototáxi entre Djegue, na linha de fronteira, e Mpack, no Senegal. Posteriormente, têm ainda de apanhar um transporte público, pagando mais mil francos CFA para chegarem à paragem central de Ziguinchor.
O diferendo surgiu entre os condutores guineenses e os agentes das alfândegas do Porto de Ziguinchor, devido à cobrança de uma taxa sobre as bagagens. A parte guineense alega já ter efetuado o pagamento dessa taxa aos agentes do posto de Ponte, razão pela qual se recusou a pagar novamente aos agentes do Porto de Ziguinchor.
A cobrança da taxa de bagagem pelas alfândegas do Porto de Ziguinchor, associada às taxas exigidas pelo sindicato da paragem central daquela cidade e às cobranças efetuadas nos postos de controlo de ambos os lados da fronteira, acabou por agravar a crise. Em consequência, os transportadores guineenses suspenderam a circulação para o Senegal, limitando as suas operações à zona do posto de controlo de Mpack.
Os motoristas senegaleses decidiram igualmente suspender a circulação para a Guiné-Bissau. Quase um mês após o início da crise, as partes reuniram-se hoje em Bissau, num restaurante situado no centro da cidade, com o propósito de encontrar uma solução para o impasse. Contudo, após cinco horas de negociações, os trabalhos foram suspensos e as duas organizações decidiram solicitar a mediação das autoridades dos respetivos países.
Os dois sindicatos decidiram remeter o problema às autoridades competentes, sobretudo no que se refere às cobranças denunciadas pelos cidadãos nos postos de controlo. Relativamente às taxas cobradas aos transportes públicos da Guiné-Bissau na paragem de Ziguinchor, os representantes senegaleses assumiram o compromisso de procurar uma solução, mas solicitaram que, antes, seja realizada uma concertação com a direção do sindicato.
“Não existe conflito entre os sindicatos do Senegal e da Guiné-Bissau”, diz dirigente senegalês
O vice-presidente da Associação dos Motoristas e Transportadores de Ziguinchor, Ousmane Thiam, afirmou ao O Democrata que a reunião realizada em Bissau teve como principal objetivo encontrar soluções para os problemas que afetam os motoristas de transportes públicos que operam nas rotas transfronteiriças entre a Guiné-Bissau e o Senegal, particularmente na região de Ziguinchor.
O responsável reconheceu que não existe qualquer conflito entre os dois sindicatos e sublinhou que ambas as organizações enfrentam os mesmos constrangimentos. Admitiu, contudo, que poderão ter ocorrido falhas de comunicação ou desentendimentos que acabaram por originar algumas anomalias.
“Esta situação já se arrasta há algum tempo, mas estamos aqui para encontrar soluções possíveis e capazes de pôr fim a este problema”, afirmou.
O sindicalista aproveitou ainda a ocasião para apelar à intervenção das autoridades guineenses e senegalesas, defendendo que devem ajudar a encontrar soluções adequadas para ultrapassar os problemas registados nas fronteiras.
Thiam explicou que os dois sindicatos continuam a trabalhar em conjunto sobre a situação na fronteira e garantiu:
“Se, num curto espaço de tempo, as autoridades guineenses e senegalesas não reagirem, então nós, em conjunto com o sindicato da Guiné-Bissau, procuraremos uma solução adequada para resolver este problema.”
Motoristas do Senegal e da Guiné-Bissau exigem o fim das cobranças nos postos de controlo
Por sua vez, o presidente da Federação Nacional das Associações dos Motoristas e Transportadores da Guiné-Bissau, Izequel Domingos Agebane, anunciou que a sua organização e os transportadores de Ziguinchor conseguiram ultrapassar o mal-entendido que existia entre ambas as associações.Segundo o dirigente, cabe agora aos governos dos dois países resolver, com a maior brevidade possível, a questão das cobranças efetuadas nas fronteiras. Caso contrário, poderá verificar-se uma paralisação total dos transportes que asseguram a ligação entre a Guiné-Bissau e o Senegal.
Agebane informou igualmente ao repórter O Democrata que, durante o encontro, as duas organizações concordaram em unir esforços numa luta comum para resolver os problemas que afetam os motoristas e os passageiros. Segundo explicou, os principais prejudicados pela situação continuam a ser os profissionais do setor e os cidadãos que utilizam esta rota.
Questionado sobre a eventual data de início de uma paralisação, o responsável esclareceu que ainda não foi definido qualquer prazo. Acrescentou, no entanto, que cada organização irá comunicar a situação às autoridades do respetivo país e aguardar por compromissos concretos. Caso não haja resposta, poderá ser desencadeada uma greve conjunta dos motoristas senegaleses e guineenses.
“As duas organizações sindicais não têm qualquer problema entre si. Houve apenas algumas anomalias entre motoristas, mas, com este encontro, ultrapassámos a situação e agora vamos travar uma luta conjunta para resolver todos os problemas que dificultam o trabalho dos motoristas de ambos os lados. Somos todos transportadores com objetivos comuns, pelo que não pode haver desentendimento entre nós. Vamos aguardar que as autoridades dos dois países resolvam a questão dos pagamentos o mais rapidamente possível, porque quem paga a fatura mais elevada são os cidadãos da Guiné-Bissau e do Senegal”, sublinhou.