Por Radio TV Bantaba / Radio Voz Do Povo 25/09/2026
Nova Iorque, 25 de setembro de 2026 — O Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, discursou hoje perante a 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, apresentando à comunidade internacional as prioridades diplomáticas do país, a situação da transição política guineense e a visão de Bissau sobre os grandes desafios internacionais.
A intervenção ocorreu durante o Debate Geral da 81.ª sessão, que decorre em Nova Iorque entre 22 e 28 de setembro. A sessão é presidida pelo diplomata e Ministro dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh, Khalilur Rahman, sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: umas Nações Unidas que produzem resultados para todos”.
No início da sua intervenção, Ilídio Vieira Té evocou o 53.º aniversário da Independência Nacional da Guiné-Bissau, celebrado ontem, 24 de Setembro, levando às Nações Unidas uma mensagem de paz, liberdade, soberania e fraternidade entre os povos.
O Chefe do Governo destacou a necessidade de respostas coletivas aos conflitos, às alterações climáticas, ao terrorismo, ao crime organizado transnacional, às desigualdades, ao endividamento dos países em desenvolvimento e às dificuldades de financiamento do desenvolvimento.
Uma das mensagens centrais foi a defesa da reforma da governação mundial, particularmente do Conselho de Segurança, considerando que África continua insuficientemente representada nas estruturas internacionais onde são tomadas decisões fundamentais sobre a paz, a segurança e o desenvolvimento.
TRANSIÇÃO POLÍTICA E ELEIÇÕES DE 6 DE DEZEMBRO
No plano nacional, Ilídio Vieira Té abordou diretamente a situação política resultante dos acontecimentos de 26 de novembro de 2025, que qualificou como uma interrupção da ordem constitucional.
O Primeiro-Ministro apresentou o referendo constitucional de 30 de agosto de 2026 como uma etapa do processo de transição e afirmou perante a comunidade internacional que o Governo está empenhado em criar condições para que as eleições presidenciais e legislativas previstas para 6 de dezembro decorram de forma “inclusiva, livre, transparente e credível”.
Agradeceu igualmente o acompanhamento da CEDEAO, União Africana e demais parceiros internacionais no processo destinado ao retorno à normalidade constitucional.
ECONOMIA, ENERGIA E DESENVOLVIMENTO
O Primeiro-Ministro apresentou também a leitura do Governo sobre a evolução económica e social do país, citando um crescimento real de 5,8% em 2025, redução da inflação e progressos em indicadores sociais.
Destacou ainda a importância da interligação energética da OMVG, bem como os investimentos em infraestruturas, emprego e empreendedorismo, particularmente dirigidos aos jovens e às mulheres.
GUINÉ-BISSAU CANDIDATA AO CONSELHO DE SEGURANÇA
Um dos pontos de maior projeção diplomática do discurso foi a reafirmação da candidatura da Guiné-Bissau a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2028–2029.
Ilídio Vieira Té sintetizou a orientação dessa candidatura em três palavras:
“PREVENÇÃO. COOPERAÇÃO. PAZ.”
Segundo o discurso, a Guiné-Bissau pretende privilegiar a diplomacia preventiva, as soluções políticas dos conflitos, a participação das mulheres e dos jovens nos processos de paz, o combate ao terrorismo e ao crime organizado, a cooperação ONU–organizações regionais e a relação entre alterações climáticas, paz e segurança.
O Primeiro-Ministro recordou igualmente que a Guiné-Bissau exerce uma das Vice-Presidências da Assembleia Geral nesta 81.ª sessão, responsabilidade que o país pretende desempenhar com imparcialidade, diálogo e espírito construtivo.
No plano internacional, o discurso abordou ainda a questão do Saara Ocidental, manifestando apoio ao processo político conduzido pelas Nações Unidas, e reiterou o apelo guineense ao levantamento do embargo económico, comercial e financeiro contra Cuba.
A intervenção terminou com uma defesa firme do multilateralismo, da solidariedade internacional e da ação coletiva, particularmente importantes para os pequenos Estados em desenvolvimento.
A mensagem final condensou a visão apresentada pela Guiné-Bissau em Nova Iorque: trabalhar por “um mundo mais pacífico, mais justo, mais solidário e mais sustentável”, no qual a paz deixe de ser apenas uma promessa, o desenvolvimento seja um direito e ninguém seja deixado para trás.
Com esta intervenção, o Governo colocou perante os 193 Estados representados na Assembleia Geral — órgão central deliberativo e representativo das Nações Unidas — tanto a agenda interna da transição guineense como as prioridades que pretende defender na diplomacia multilateral.





























