sábado, 22 de abril de 2023

Ataque suicida com carro-bomba faz 9 mortos e 60 feridos no Mali

© Lusa

POR LUSA   22/04/23 

Um ataque suicida com um veículo-bomba matou hoje nove civis e feriu pelo menos 60 pessoas, à entrada do aeroporto de Sevaré, no Mali, provocando ainda a morte a 16 terroristas e ferimentos graves em dois militares.

O ataque ocorreu por volta das cinco horas da madrugada, quando um veículo de dez toneladas explodiu com uma ou mais pessoas no interior, à entrada do aeroporto, perto de um posto de polícia, informaram fontes locais à agência EFE.

A explosão da viatura destruiu parte dos edifícios circundantes, segundo as mesmas fontes, que afirmaram que durante o ataque foram ouvidas três fortes detonações seguidas de intensos disparos.

No ataque, pelo menos, nove civis morreram e outros 60 ficaram feridos, além de dois militares com ferimentos graves, que foram transferidos para o hospital Somine Dolo de Sevaré, segundo fontes consultadas pela EFE.

As autoridades da região deslocaram-se ao hospital, que está lotado, e ao local do ataque, apelando à doação de sangue.

O aeroporto que os terroristas se preparavam para atacar é utilizado por forças civis e militares, e também pela missão da ONU no Mali, a Minusma.

As autoridades da junta militar do Mali no poder ainda não se pronunciaram sobre o número de mortos e feridos, mas confirmaram o atentado.

As Forças Armadas do Mali classificam, numa nota, o ataque como "complexo" e explicam que foram registadas "fortes explosões e disparos" nas imediações do aeroporto de Sevaré.

"A situação está sob controle desde os primeiros minutos. As incursões continuam. O Estado-Maior do Exército agradece à população de Sevaré e seus arredores pela assistência prestada aos civis vítimas das explosões", refere o comunicado, citado pela EFE.

As Forças Armadas recomendam que a população evite sair de casa e de se reunir na via pública para não prejudicar as operações militares na área afetada.

O ataque coincide com as férias do final do Ramadão, em que os militares e polícias costumam tirar férias para estar com as suas famílias.

O Mali, com a presença de grupos jihadistas leais ao Estado Islâmico e à Al Qaeda, sofre de grande insegurança, com ataques terroristas semanais contra militares e civis.

É governado por uma junta militar no poder após dois golpes de Estado, que não controla algumas zonas do leste e norte do país, onde operam estes grupos jihadistas e também milícias tuaregues.


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Rússia anuncia expulsão de "mais de 20" diplomatas alemães

© Lusa

POR LUSA   22/04/23 

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia anunciou hoje a expulsão de "mais de vinte" diplomatas alemães, em resposta a uma medida semelhante alegadamente tomada por Berlim, mas não confirmada pela Alemanha.

"Mais de 20" diplomatas alemães foram expulsos da Rússia, disse a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, à televisão Zvezda.

Questionado pela agência France-Presse, Berlim não confirmou a expulsão de diplomatas russos, indicando apenas ter estado "em contacto" com Moscovo "nas últimas semanas sobre questões de pessoal".

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado anunciando "medidas retaliatórias" após "a nova expulsão em massa" de diplomatas russos na Alemanha.

"Condenamos veementemente estas ações de Berlim, que continuam a destruir (...) todo o leque das relações russo-alemãs, incluindo a sua dimensão diplomática", criticou a diplomacia russa.

À AFP, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha disse "ter lido as declarações" da senhora Zakharova.

"O governo federal e o lado russo estiveram em contacto nas últimas semanas sobre questões de pessoal nas suas respetivas representações no exterior", acrescentou, sem maiores detalhes.

No comunicado de imprensa, Moscovo especifica que a 05 de abril "notificou oficialmente" o embaixador alemão, Geza Andreas von Geyr, da decisão de "limitar consideravelmente o número máximo de funcionários das missões diplomáticas alemãs" na Rússia.

Parceiro económico próximo da Rússia antes da ofensiva militar na Ucrânia, a Alemanha afastou-se de Moscovo, apoiando Kiev financeira e militarmente no conflito.

No final de janeiro, Berlim concordou em enviar um número substancial de tanques Leopard, um ponto de virada no apoio militar ocidental.


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Exclusivo. Há provas de que o Grupo Wagner está a influenciar o conflito no Sudão

A movimentação do avião de transporte Ilyushin-76 começou dois dias antes do início do conflito no Sudão. Tecnologias Maxar

Por Cnnportugal.iol.pt   22/04/23

O grupo mercenário russo Wagner está a fornecer mísseis às Forças de Apoio Rápido (RSF) do Sudão para ajudar na sua luta contra o exército do país, disseram à CNN fontes diplomáticas sudanesas e regionais.

Segundo as fontes, mísseis terra-ar têm reforçado significativamente os combatentes paramilitares da RSF e o seu líder Mohamed Hamdan Dagalo na luta pelo poder com o general Abdel Fattah al-Burhan, governante militar do Sudão e chefe das Forças Armadas.

Na fronteira com a Líbia, onde um general desonesto apoiado por Wagner, Khalifa Haftar, controla extensões de terra, imagens de satélite suportam estas reivindicações, mostrando um aumento invulgar de atividade nas bases da Wagner.

O poderoso grupo mercenário russo tem desempenhado um papel público e central nas campanhas militares estrangeiras de Moscovo, nomeadamente na Ucrânia, e tem sido repetidamente acusado de cometer atrocidades. Em África, tem ajudado a apoiar a crescente influência de Moscovo e na apropriação de recursos.

Dagalo e Burhan disputavam o poder em negociações sobre o restabelecimento da liderança civil no Sudão, quando estas terminaram abruptamente, resultando numa das piores violências que o país conheceu em décadas.

Os combates resultaram já na morte de centenas de pessoas e privaram milhões de eletricidade, água e alimentos.

Mohamed Hamdan Dagalo, antigo chefe adjunto do Conselho Militar Transitório do Sudão e líder paramilitar, na cerimónia de assinatura do acordo de paz e cessar-fogo em Juba, Sudão do Sul, a 21 de outubro de 2019. REUTERS/Samir Bol

Imagens de satélite mostram aumento de atividade

Imagens de satélite analisadas pela CNN e pelo grupo de open source "All Eyes on Wagner" ["Todos os olhos na Wagner", na tradução para português] mostram um avião de transporte russo a voar entre duas bases aéreas líbias pertencentes a Haftar e usadas pelo grupo paramilitar russo, que é alvo de sanções internacionais.

Haftar tem apoiado a RSF, dizem fontes, embora negue tomar partido. E o aumento de atividade da Wagner nas bases de Haftar, combinado com observações de fontes diplomáticas sudanesas e regionais, sugere que tanto a Rússia como o general líbio estavam a preparar-se para apoiar a RSF, mesmo antes da erupção dos confrontos.


A movimentação do avião de transporte Ilyushin-76, de fabrico soviético, começou dois dias antes do início do conflito no Sudão, no sábado, e continuou pelo menos até quarta-feira, de acordo com imagens de satélite e com o analista de imagens Gerjon, sediado nos Países Baixos.

O Ilyushin-76 voou da base aérea de Khadim, na Líbia, para a cidade costeira síria de Latakia - onde a Rússia tem uma importante base aérea - na quinta-feira, 13 de abril. No dia seguinte, voou de volta para Khadim. No dia seguinte, voou novamente para outra base aérea de Haftar na Líbia, agora em Jufra. Estacionou numa área isolada, algo que o rastreador de voo Gerjon considerou altamente invulgar. Este foi o dia em que o conflito eclodiu.

O avião de transporte regressou a Latakia na terça-feira antes de voar de volta para a base aérea da milícia líbia de Khadim e depois para Jufra, de acordo com a pesquisa de Gerjon. Nesse dia, a Rússia lançou mísseis terra-ar para as posições da milícia de Dagalo no noroeste do Sudão, de acordo com fontes regionais e sudanesas.

Durante anos, Dagalo foi um dos principais beneficiários do envolvimento russo no Sudão, como o maior destinatário das armas e treino de Moscovo.

Imagem de satélite mostra o Ilyushin-76, de fabrico soviético, na base aérea al-Khadim da Líbia, utilizada pela Wagner, em 18 de abril de 2023. Maxar Technologies

Uma investigação da CNN de julho de 2022 expôs o aprofundamento dos laços entre Moscovo e a liderança militar do Sudão, que concedeu à Rússia acesso às riquezas de ouro do país da África Oriental em troca de apoio militar e político. A relação séria começou após a invasão da Crimeia em 2014, quando a Rússia começou a ver as riquezas de ouro africanas como uma forma de contornar uma série de sanções ocidentais.

A invasão da Ucrânia em 2022 e a onda de sanções que se seguiu aceleraram a pilhagem de ouro da Rússia no Sudão e reforçaram ainda mais o domínio militar, aumentando a atividade da Wagner no país.

Na véspera da Rússia lançar a sua invasão em grande escala da Ucrânia em 2022, Dagalo chefiou uma delegação sudanesa em Moscovo para "fazer avançar as relações" entre os dois países.

A movimentação do avião de transporte Ilyushin-76 começou dois dias antes do início do conflito no Sudão. Tecnologias Maxar

Burhan e o exército sudanês também receberam anteriormente o apoio da Rússia. Burhan e Dagalo eram aliados antes do início dos combates. Juntos, lideraram golpes de Estado em 2019 e 2021. Ambos os líderes foram também anteriormente apoiados pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita.

As duas potências do Médio Oriente apelaram à calma no Sudão, com receios de repercussões regionais mais amplas.

No entanto, os atores estrangeiros já estão a começar a intervir no conflito. O Egito tem uma relação de longa data com Burhan e tem-o apoiado privadamente na luta pelo poder, segundo fontes diplomáticas sudanesas e regionais. Um grupo de soldados egípcios foi capturado pela RSF num aeroporto militar no norte do Sudão, no primeiro dia da violência, e libertado dias depois.

Numa declaração à CNN, a RSF negou ter recebido ajuda da Rússia e da Líbia. Reiterou a sua negação na sexta-feira e alegou que o seu rival, as Forças Armadas do Sudão (SAF) de al-Burhan, é que se tinha alinhado "com estas forças estrangeiras, não a RSF".

A CNN contactou a SAF para obter um esclarecimento.

O chefe russo do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, negou qualquer envolvimento no conflito.

"Deixem-me reiterar mais uma vez: o Grupo Wagner não está de forma alguma envolvido no conflito sudanês", disse Prigozhin no canal de Telegram oficial. "As perguntas dos meios de comunicação sobre qualquer assistência ao general Daglo, ou a Al-Burhan, ou quaisquer outros indivíduos no Sudão não são mais do que uma tentativa de provocação."

Haftar ainda não respondeu ao pedido de esclarecimentos da CNN.

*Niamh Kennedy contribuiu para este artigo


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Guerra? Lula não quer "agradar a ninguém" e defende "3.ª via" para a paz

© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images

POR LUSA   22/04/23 

O Presidente do Brasil disse hoje, após o encontro com o seu homólogo, Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém, que "não quer agradar a ninguém", sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, mas sim encontrar "uma terceira via" para a paz.

"Estamos numa situação em que a guerra entre a Rússia e Ucrânia está a afetar a humanidade (...) e é por isso que temos de encontrar um grupo de pessoas que esteja disposto a falar em paz e não em guerra", afirmou Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso, acrescentou: "eu não quero agradar a ninguém, eu quero é construir uma forma de colocar os dois à mesa", lembrando que o que parecia impossível aconteceu na II Guerra Mundial.

Agora, defendeu, Lula da Silva, "o facto está criado, a guerra (...) e eu quero é escolher uma terceira via que é da construção da paz", salientou, assegurando que não vai visitar nenhum dos dois países até que a situação esteja estabilizada.

Por isso, avançou: "Vou falar com mais países (...) e quem sabe um dia, que deve estar perto, a gente vai encontrar um jeito de sentar à mesa para conversar".

Lula da Silva frisou ainda, respondendo às questões dos jornalistas, que, desde o início que a posição do Brasil "é muito clara", de condenação à Rússia pela invasão da Ucrânia, mas de procurar reunir um conjunto de países que possam convencer as duas partes a sentarem-se à mesa para uma negociação.

O ministro de Estado brasileiro, Márcio Macedo, disse esta sexta-feira, após um encontro com a Associação de Ucranianos em Portugal, que o Presidente Lula da Silva determinou que o seu assessor para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, visite a Ucrânia, o que Lula confirmou hoje.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou na sexta-feira a Lisboa para uma visita oficial a Portugal, com uma agenda intensa, que inclui a cimeira luso-brasileira que decorre hoje no Centro Cutlural de Belém.

"A viagem faz parte do relançamento das relações diplomáticas do Brasil com seus principais parceiros, como já foi o caso da visita à China, há 10 dias, e aos Estados Unidos, Argentina e Uruguai nesse início de governo", indicou a presidência brasileira, em comunicado.

"Cerca de 252 mil brasileiros residem legalmente em Portugal, de acordo com dados. Isso não contabiliza os brasileiros com nacionalidade portuguesa ou outra nacionalidade europeia. Segundo estimativas das repartições consulares do Brasil em Portugal, a comunidade brasileira poderia estar entre 275 mil e 300 mil pessoas", recordou o Governo brasileiro, de forma a enfatizar a importância desta viagem, a primeira à Europa desde que Lula tomou posse em 1 de Janeiro.

Hoje, Lula da Silva iniciou o dia com uma cerimónia de boas vindas com honras militares na Praça do Império, em Lisboa, seguida de uma outra breve cerimónia no interior do Mosteiro dos Jerónimos, com deposição de coroa de flores no túmulo de Luís de Camões, acompanhado do Presidente Português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Algumas dezenas de pessoas acompanham desde o início da manhã as várias etapas da visita em Belém, numa manifestação de apoio a Lula da Silva, mas onde apareceram também alguns manifestantes críticos do Presidente brasileiro.

Depois, reuniu-se com o homólogo português no Palácio de Belém, a que se seguiu um encontro ampliado de delegações.

Agora, seguiu para um almoço com o primeiro-ministro português António Costa, após o qual ocorrerá um dos pontos altos do programa, a 13.ª cimeira luso-brasileira.

Depois do encontro deverão ser assinados mais do dobro dos acordos que na última que existiu entre os dois países em 2016.

O Governo brasileiro frisou que "a preparação para o encontro começou no fim do ano passado, após as eleições presidenciais", em outubro de 2022, nas quais Lula da Silva saiu vencedor contra Jair Bolsonaro.

Na quarta-feira passada, em conferência de imprensa no Palácio Itamaraty, em Brasília, a secretária de Europa e América do Norte, Embaixadora Maria Luisa Escorel de Moraes, detalhou que serão ainda assinados, no Centro Cultural de Belém, memorandos de entendimento da área da energia, geologia e mineração, o "reconhecimento mútuo dos títulos de condução" entre os dois países, direitos de pessoas com deficiências, um memorando de área do turismo, entre outros.

O dia de hoje termina com um jantar de Estado oferecido pelo Presidente português no Palácio da Ajuda.

Domingo, a agenda de Lula da Silva, para já, "está livre", disse a diplomata brasileira.



Bombardeados 13 hospitais desde o início do conflito no Sudão

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POR LUSA   22/04/23 

Pelo menos 13 hospitais foram bombardeados desde o início do conflito, há uma semana, entre o exército sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR), indicou hoje o Sindicato dos Médicos do Sudão.

No relatório diário que tem estado a efetuar sobre a situação sanitária no conflito, o sindicato adiantou que mais de 70% dos centros de saúde existentes nas zonas de combate foram desativados por causa dos confrontos.

"[Sexta-feira] quatro hospitais da cidade de al-Obeid [centro] foram bombardeados, o que aumenta para 13 o total de hospitais atingidos. Os funcionários e pacientes de outros 19 centros de saúde foram obrigados a abandoná-los" devido à perigosidade dos combates, acrescentou.

Segundo o sindicato, dos 79 hospitais básicos da capital e das regiões onde ocorrem os confrontos, há 56 fora de serviço, o que representa 70,8% dos postos de saúde localizados nas zonas de combate.

Os demais hospitais funcionam total ou parcialmente -- alguns deles prestam apenas serviços de primeiros socorros -- e também correm o risco de encerrar devido à falta de pessoal médico, de medicamentos, de água e de eletricidade, observa-se no relatório do sindicato.

O documento assinala ainda que pelo menos seis ambulâncias foram atacadas por ambas as forças, enquanto outras não foram autorizadas a passar pelos controlos para transportar pacientes e prestar o devido socorro.

Desde sexta-feira que vigora uma trégua de três dias para o Eid el Fitr, festa que marca o fim do mês sagrado do Ramadão, embora haja indicações de que não tem sido totalmente observada.

Esta é a quinta pausa humanitária tentada numa semana, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de a violar.

Segundo a mais recente contagem da Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 413 pessoas morreram e 3.551 ficaram feridas desde o início do conflito no Sudão.

Os combates iniciados a 15 deste mês entre o Exército sudanês e as FAR surgiram após semanas de tensão sobre a reforma das forças de segurança nas negociações para a formação de um novo governo de transição.

Ambas as forças arquitetaram o golpe de Estado conjunto que derrubou o governo de transição do Sudão, em outubro de 2021.


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Rússia a "lutar" para manter narrativa usada para justificar guerra... Análise é dos serviços de inteligência britânicos.

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Notícias ao Minuto    22/04/23 

A Rússia está "a lutar" para manter a "consistência" da narrativa usada para justificar a guerra, numa altura em que o líder do grupo de mercenários Wagner questionou se existem realmente "nazis" na Ucrânia, segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido, que divulgou o mais recente relatório dos seus serviços de inteligência.

"O estado russo está a lutar para manter a consistência numa narrativa central que usa para justificar a guerra na Ucrânia: que a invasão é análoga à experiência soviética na Segunda Guerra Mundial", começa por referir o relatório divulgado este sábado. 

Lembrando que, no passado dia 18 de abril, a imprensa estatal russa anunciou o cancelamento das marchas de lembrança da 'Grande Guerra Patriótica' (II Guerra Mundial) por "motivos de segurança", a Defesa britânica diz que, "na realidade, as autoridades provavelmente estavam preocupadas" com a possibilidade de os participantes colocarem o foco nas perdas russas.

Além disso, nota a tutela, estes factos ocorrem depois de "o proprietário do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, questionar publicamente se há realmente algum 'nazi' na Ucrânia, indo contra a justificação da Rússia para a guerra".

"As autoridades continuaram a tentar unificar o público russo em torno de mitos polarizadores sobre a década de 1940. Em 12 de abril de 2023, a agência de notícias estatal RIA Novosti relatou documentos 'únicos' dos arquivos do FSB, implicando os nazis no assassinato de 22.000 cidadãos polacos no Massacre de Katyn em 1940. Na realidade, a agência predecessora do FSB, a NKVD, foi a responsável. A Duma da Rússia condenou oficialmente Joseph Stalin por ordenar os assassinatos em 2010", lê-se no relatório.

Recorde-se que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, justifica o conflito com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia. 



O especialista Doowan Lee alerta que a desinformação promovida por China e Rússia é uma ameaça que mata pessoas, como na pandemia de covid-19, e que o ocidente está a preparar-se, enquanto África e América Latina permanecem expostos.

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POR LUSA   22/04/23 

 Desinformação promovida pela China e Rússia "mata" e Covid-19 foi exemplo

O especialista Doowan Lee alerta que a desinformação promovida por China e Rússia é uma ameaça que mata pessoas, como na pandemia de covid-19, e que o ocidente está a preparar-se, enquanto África e América Latina permanecem expostos.

O professor de Segurança Internacional na Universidade de São Francisco considerou, em entrevista à Lusa, que os efeitos da desinformação e manipulação são difíceis de avaliar, mas mensuráveis por exemplo na recente pandemia de covid-19, sustentados num estudo que apontava que 6% dos norte-americanos estavam convencidos de que não precisavam de vacinas.

Nos Estados Unidos, a covid-19 provocou mais de um milhão de vítimas, o que significa, segundo Doowan Lee, que "cerca de 75 mil pessoas morreram de porque foram expostas a desinformação:

"É como, literalmente, a vida e a morte. E a desinformação mata pessoas", afirmou.

A título de comparação, aquele número, referiu, é 25 vezes superior às mortes provocadas pelos atentados do 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington.

De visita a Portugal para participar a convite Universidade do Minho e também para proferir uma palestra na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em Lisboa, sobre "Soberania e Democracia em Risco: Estratégias de Soluções Cibernéticas e de Informação Contra o Extremismo e a Autocracia", Doowan Lee disse que a cadeia de desinformação é liderada pela China e pela Rússia, com um objetivo.

"Uma das suas principais mensagens tem sido minar a capacidade, a confiança das democracias ocidentais para que eles possam justificar a razão por que têm de se permanecer [estados] autocráticos e, essencialmente, tão opressivos quanto puderem", observou.

Já "provas mais do que suficientes", adiantou, de que muita da desinformação, em concreto sobre a covid-19 e a vacinação, é proveniente de meios de comunicação, contas de redes sociais e 'blogs' e outros sítios "intimamente associados ao Partido Comunista Chinês e ao Kremlin" e que depois são amplamente partilhados.

O especialista sustentou, porém que o mundo já acordou para esta realidade e que cada vez mais pessoas estão preocupadas com o que o Partido Comunista Chinês está a fazer no ambiente de informação, seja ataques cibernéticos, roubo de endereços IP ou propaganda ou desinformação, como sucedeu nas eleições nos Estados Unidos em 2016 e atualmente na guerra na Ucrânia.

Os Estados Unidos e a Europa "têm sido mais ativos para detetar e combater a desinformação russa", mas ações muito ativas do Partido Comunista Chinês têm ajudado o Kremlin a promover a sua narrativa.

Ao mesmo tempo, a Ucrânia é, por sua vez, "um grande exemplo", porque as autoridades perceberam, após a anexação russa da Crimeia e da crise no Donbass (leste do país), em 2014, que enfrentavam uma ameaça de desinformação, ataques cibernéticos e propaganda tão grandes, promovida pelo Kremlin", que não conseguiam resolvê-la sozinhos.

Desde 2014, o Governo de Kiev começou a trabalhar com empresas de tecnologia, sociedade civil, 'think tanks' e jornalistas ucranianos, mas também europeus e norte-americanos, num "enorme consórcio de verificadores de factos", em que Doowan Lee esteve envolvido, o que levou a que Ucrânia esteja hoje muito mais preparada para ameaça russa e chinesa do que no passado.

Os Estados Unidos e a Europa têm, por sua vez, trabalhado muito bem, opinou, para serem capazes de detetar e essencialmente repelir a desinformação estrangeira ou extremista", criando o que chama mais inoculação ou imunização, por via de centros de excelência e envolvendo entidades como a União Europeia ou a NATO.

No entanto, advertiu, não existe a mesma capacidade quando se trata de segurança da informação em regiões como África, Sudeste Asiático ou América Latina, que não foram preparados para detetar, defender-se, denunciar e desmascarar as campanhas estrangeira e extremistas e "esses são os ambientes onde as narrativas russas sobre a guerra na Ucrânia ganham mais atração", tal como no passado recente sucedeu com a pandemia, atacando os mais vulneráveis.


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"Para nós ucranianos, as declarações de Lula não fazem sentido nenhum"

Pavlo Sadoka, presidente da Associação dos Ucranianos, participou na manifestação e foi um dos representantes da Associação recebido pelo ministro da Secretaria-Geral do Brasil em Lisboa, a quem entregou uma carta a expressar indignação por Lula da Silva ter responsabilizado também a Ucrânia pela guerra, e sugerido que a Crimeira fosse cedida à Rússia.

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MONTEVIDEO MARU: Encontrado navio que afundou na II Guerra Mundial com mil pessoas a bordo

© Australian War Memorial

POR LUSA  22/04/23 

O navio Montevideo Maru, que naufragou em 1942 após ser atacado por um submarino norte-americano, foi encontrado nas profundezas do mar da China Meridional, encerrando as buscas pelos destroços e restos mortais do pior desastre marítimo da Austrália.

Mais de 1.060 pessoas perderam a vida, incluindo 979 australianos, quando o submarino dos EUA atacou o navio de bandeira japonesa sem saber quem seguia lá dentro. Soldados japoneses, prisioneiros de guerra e civis de 14 países encontravam-se na embarcação.

A fundação Silentworld disse hoje, em comunicado, que uma equipa, apoiada pela Fugro, empresa especializada em águas profundas, e pelo Ministério da Defesa australiano, fizeram buscas no fundo do mar ao longo de mais de duas semanas até encontrar os destroços.

"A descoberta do Montevideo Maru fecha um capítulo terrível na história militar e marítima da Austrália", notou o diretor da Silentworld, John Mullen.

Os destroços do navio foram encontrados a uma profundidade de mais de quatro mil metros - superior aos do Titanic - na costa das Filipinas.

"Esperamos que as notícias de hoje tragam algum conforto aos entes queridos que mantiveram uma longa espera", reagiu o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, nas redes sociais, destacando o "esforço extraordinário por trás" da descoberta e "a promessa solene da Austrália de recordar e honrar sempre aqueles que serviram" o país.

Já o ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro australiano, Richard Marles, referiu, em comunicado, que "estes australianos nunca foram esquecidos".

"Perdidos nas profundezas dos mares, o seu local de descanso final é agora conhecido".

A Silentworld enfatizou que nem os destroços do navio nem restos humanos ou pertences pessoais serão recuperados "por respeito a todas as famílias daqueles a bordo".

Só neste incidente perderam a vida duas vezes mais soldados australianos e civis do que em toda a Guerra do Vietname, superando o naufrágio do HMAS Sydney, em 1941, com 645 mortes, e do navio-hospital Centaur, em 1943, com 268 mortes.



EUA vão usar inteligência artificial na luta contra tráfico de fentanil

© Reuters

POR LUSA  22/04/23 

Os Estados Unidos (EUA) vão utilizar inteligência artificial (IA) para combater o tráfico de fentanil (analgésico opióide) para o país, disse sexta-feira o Secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, noticiou a EFE.

Mayorkas anunciou hoje a criação de um grupo de trabalho dentro do seu departamento para explorar a forma como esta tecnologia pode ser utilizada para aumentar a segurança nos EUA, controlar o uso da substância e acabar com o tráfico de fentanil.

"Vamos explorar os diferentes usos desta tecnologia para melhor detetar os carregamentos de fentanil, identificar e apreender o fluxo de produtos químicos precursores, e localizar os núcleos de organizações criminosas para os desmantelar", referiu o mesmo responsável, numa conferência no Conselho de Relações Exteriores, com sede em Washington.

O seu departamento está também interessado em explorar a forma como a IA pode ser utilizada para combater ataques de ciber-segurança por atores estrangeiros, incluindo a China e a Rússia.

"Temos de abordar as muitas formas através das quais a inteligência artificial irá alterar dramaticamente o cenário de ameaças e aumentar os instrumentos que possuímos para ter sucesso contra estas ameaças", salientou Mayorkas.

O uso de fentanil nos EUA, uma substância que deixou mais de 100 mil pessoas no país mortas por overdoses no ano passado, levou a administração do Presidente Joe Biden a tomar medidas para refrear a utilização da substância.

Entre elas está uma tentativa de reforçar a cooperação com o vizinho México, que os EUA apontam como um dos principais países através dos quais a droga entra no seu território.

O Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, respondeu que a crise da overdose opióide é uma questão de saúde pública que os EUA devem abordar, tendo mesmo negado que o fentanil seja fabricado no seu país, argumentando que a substância vem da Ásia para a América do Norte.

Na sua proposta de orçamento para 2024, Biden pediu ao Congresso 46,1 mil milhões de dólares (cerca de 41 mil milhões de euros) para a sua estratégia anti-droga.


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Empresa francesa quer levá-lo a jantar ao Espaço... Cada passageiro terá de pagar 120 mil euros.

© Zephalto

Notícias ao Minuto  21/04/23 

Uma ‘startup’ francesa de nome Zephalto anunciou planos para permitir que os casais aficionados pelo Espaço possam ter jantares a dois na estratosfera num balão espacial de nome Celeste. O preço é de 120 mil euros por pessoa.

A viagem dura seis horas e permite aos clientes da Zephalto desfrutarem de “paisagens sem paralelo” da Terra e uma experiência de restauração também de alta qualidade. “Escolhemos uma altitude de 25 quilómetros porque é a altitude em que estás na escuridão do Espaço, com 98% da atmosfera por baixo de ti para que possas desfrutar da curvatura da Terra na linha azul”, contou à Bloomberg o engenheiro aeroespacial e fundador da Zephalto, Vincent Farret d’Astiès.

Notar que, apesar de toda a experiência ocorrer no Espaço, os turistas espaciais não poderão desfrutar de gravidade zero. No entanto, a cápsula de 20 metros permite desfrutar de aperitivos, prova de vinhos, sessões de fotografia e também ligação à Internet via Wi-Fi. A cápsula tem capacidade total para seis passageiros, além dos dois pilotos.

A Zephalto acredita que tem capacidade para realizar 60 voos por ano, com o primeiro a estar previsto para daqui a dois anos.


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