segunda-feira, 10 de agosto de 2026

CRIMEIA: Ataques à Crimeia destinados a tornar península "inutilizável" para operações... O comandante responsável pela guerra de drones da Ucrânia afirmou hoje que os recentes ataques na Crimeia representam a primeira fase de uma campanha destinada a tornar a península, anexada pela Rússia em 2014, inutilizável para operações militares.

© REUTERS     Por LUSA   10/08/2026 

O major Robert Brovdi, um dos comandantes mais proeminentes da nova geração de militares ucranianos, disse à agência Associated Press (AP) que as suas forças poderiam atingir sete vezes mais alvos militares na Crimeia se o financiamento prometido pelos aliados ocidentais chegasse mais rapidamente.

"A Crimeia insere-se nos pilares conceptuais essenciais para pôr fim à guerra", declarou.

Apesar dessa limitação, a campanha de verão já provocou danos significativos, atingindo pontes ferroviárias, depósitos de combustível e infraestruturas elétricas para cortar linhas de abastecimento e cegar as defesas aéreas russas à medida que os drones avançam.

Segundo Brovdi, as suas forças dispõem apenas de 14% da capacidade necessária para executar a campanha na Crimeia em pleno.

Antigo empresário do comércio internacional de cereais, Brovdi juntou-se voluntariamente à defesa territorial nos primeiros dias da invasão e rapidamente ascendeu ao comando de uma das brigadas de drones mais eficazes do país, antes de ser nomeado líder das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, uma estrutura sem precedentes antes da guerra.

"Não se trata de falta de capacidade de produção dos fabricantes ucranianos para produzir drones em quantidade suficiente", explicou. "É o problema banal do financiamento tardio atribuido pelos nossos parceiros, mas que chega muito mais devagar do que os nossos planos exigem."

Patrono dedicado das artes, Brovdi transformou o seu posto de comando subterrâneo num espaço semelhante a um museu, com obras de artistas ucranianos, incluindo da pintora Maria Prymachenko, acompanhadas de legendas e códigos QR.

As peças convivem com dezenas de ecrãs que transmitem imagens em direto da frente de combate e dados em tempo real para decisões militares. Os soldados podem beber café, ler, treinar ou descansar em cápsulas, um ambiente mais próximo de um escritório do que de uma sala de guerra.

Brovdi destacou que, em quatro recentes ataques maciços de mísseis russos a partir da Crimeia, apenas cinco foram lançados, atribuindo a redução à destruição sistemática de mais de 300 ativos de defesa aérea russos, incluindo sistemas antiaéreos, radares e equipamentos de guerra eletrónica.

A infraestrutura elétrica da península tornou-se um alvo recorrente, deixando os militares russos "cegos", dependentes apenas de armas ligeiras, com Brovdi a dizer já ter pedido desculpa publicamente aos civis da Crimeia pelos cortes de energia.

Com recurso à ligação Starlink, as forças ucranianas conseguem destruir alvos fortemente defendidos com apenas três drones, calibrando munições diferentes consoante o objetivo - uma ponte, um camião cisterna ou um comboio em movimento - e evitando atingir infraestruturas civis.

"Criar condições que impossibilitem qualquer capacidade militar de permanecer ali tornará a Crimeia irrelevante como base de operações", afirmou, acrescentando que Kyiv procura também desmantelar o papel da península como base naval russa.

Moscovo procura contrariar a vantagem ucraniana instalando sistemas de bloqueio para degradar a ligação Starlink e desenvolvendo um sistema próprio de comunicações por satélite.

Brovdi alertou ainda para o aumento de drones iranianos Shahed a jato, mais difíceis de abater, e para a capacidade russa de lançar salvas de até 77 mísseis balísticos, com planos para elevar esse número a 200, enquanto a Ucrânia enfrenta escassez de mísseis interceptores Patriot.

Entre os novos alvos está a plataforma russa de comércio online Wildberries, que o comandante descreveu como um "administrador da guerra", por vender produtos destinados às forças armadas. Os ataques visam também fazer os cidadãos russos sentir diretamente o impacto da guerra.

Brovdi sublinhou que a perda de acesso à plataforma afeta o quotidiano de milhões de russos que se julgavam imunes às ações do seu país agressor.

"Acabou por ser um sensor sensível do conforto da vasta população russa - pessoas que se consideram completamente intocadas pelas ações do país agressor", acrescentou.


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TUPAC SHAKUR: Suspeito da morte de Tupac vai a julgamento 30 anos depois: O que se sabe.... O julgamento de um ex-líder de um grupo criminoso acusado de ter orquestrado o homicídio de Tupac Shakur começa hoje em Las Vegas, 30 anos após a morte do famoso rapper norte-americano.

© Lusa   10/08/2026 

O julgamento provavelmente não deverá desvendar quem disparou contra o músico na noite de 07 de setembro de 1996, que visitava a cidade para assistir a um combate de boxe de Mike Tyson.

Contudo, a acusação espera demonstrar que Duane "Keffe D" Davis, o ex-líder do gangue South Side Compton Crips, encomendou o homicídio e forneceu a arma do crime. Aos 63 anos, arrisca uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O homicídio continua a ser um dos casos não desvendados mais famosos dos Estados Unidos, e objeto de debates sem fim entre os fãs de música. Morto aos 25 anos, '2Pac' era uma figura central na famosa rivalidade entre as cenas de rap da costa oeste e da costa leste dos Estados Unidos.

Com os seus êxitos "California Love" e "All Eyez on Me", interpretados sobre melodias que misturavam melodias suaves com batidas intensas, este filho de uma membro dos Panteras Negras, conhecido grupo militante afro-americano, encarnava a ideia de um rapaz rebelde da "West Coast".

O julgamento promete mergulhar de novo nas guerras de egos entre a sua editora Death Row Records, fundada por Marion "Suge" Knight, e a Bad Boy Records, criada na costa leste por Sean "P. Diddy" Combs, onde trabalhava Christopher "The Notorious B.I.G." Wallace - outro rapper notório morto seis meses após a morte de Tupac Shakur.

Segundo a acusação, a Death Row Records era protegida pelos Mob Piru, uma gangue de Los Angeles da qual Suge era membro; enquanto a Bad Boy Records tinha contratado para a sua proteção a organização rival dos South Side Compton Crips, liderada por Duane Davis.

Após o combate de Mike Tyson no casino MGM Grand, Suge e Tupac agrediram o sobrinho de Duane Davis, Orlando "Baby Lane" Anderson, por este ter arrancado um medalhão do pescoço de um dos funcionários da Death Row. O chefe da gangue terá então organizado uma vingança, segundo a acusação.

Por falta de provas, a investigação estagnou durante décadas, antes de ser reativada pela publicação, em 2019, das memórias de Duane Davis.

No livro, relata que se encontrava no banco da frente do Cadillac branco de onde foram disparadas as balas fatais contra Tupac. Explica também ter passado uma pistola para o banco traseiro, sem nunca dizer quem disparou. Todos os passageiros do veículo faleceram entretanto.

Declarações comprometedoras e coerentes com entrevistas anteriormente concedidas à imprensa, que se voltaram contra ele e levaram à sua detenção em setembro de 2023. No entanto, o ex-chefe de gangue nega agora essas confissões e declara-se não culpado.

"Sou inocente. Nunca matei ninguém", assegurou Davis em março de 2025 à emissora ABC News, numa entrevista a partir da prisão. "Não têm qualquer prova contra mim. Nem sequer conseguem provar que eu estava em Las Vegas."

O mesmo assegura agora que se encontrava em Los Angeles na noite do crime e que nunca leu as suas próprias memórias, segundo ele romantizadas pelo seu coautor por razões comerciais.

"Apenas lhe dei detalhes sobre a minha vida", afirmou. "E ele foi fazer a sua pequena investigação e escreveu o livro sozinho."

Antes do julgamento, os seus advogados lutaram para que o livro, bem como um interrogatório policial realizado em 2008 como testemunha, não pudessem ser utilizados como elementos de acusação. Em vão.

A audiência deverá durar quatro semanas, sendo a primeira inteiramente dedicada à seleção dos jurados. Qualquer que seja o veredicto, é pouco provável que satisfaça os familiares de Tupac Shakur.

Em maio, o seu meio-irmão apresentou uma ação civil na qual considera que "continuam a existir indivíduos envolvidos no homicídio de Tupac que, há 30 anos, não foram responsabilizados pelos seus crimes".

A queixa menciona, nomeadamente, a recente minissérie documental "Sean Combs: The Reckoning" onde Duane Davis assegura, num interrogatório policial, que P. Diddy lhe terá oferecido um milhão de dólares (865.360 euros) para assassinar Tupac.