© Getty Images Por LUSA 18/08/2026 Davis, de 63 anos, poderá ser condenado a prisão perpétua se for considerado culpado de homicídio com arma letal com intenção de promover ou apoiar um grupo criminoso.
O arguido declarou-se inocente na segunda-feira, com o advogado a descrever a narrativa da acusação como ficção.
Na abertura do julgamento, um procurador afirmou que, embora poucos tenham estado dispostos a falar sobre o homicídio de Tupac, Davis é "a única pessoa que tem tido dificuldades em ficar em silêncio".
"Sejamos claros: Duane Davis não puxou o gatilho. Mas planeou o tiroteio em retaliação pela agressão ao seu sobrinho", disse o procurador-adjunto Binu Palal aos jurados no início do julgamento em Las Vegas. "Notavelmente, vão ouvir isso do próprio Duane Davis", acrescentou.
Palal mostrou imagens da comitiva de Shakur a agredir Orlando "Baby Lane" Anderson, sobrinho de Davis, à saída de um combate de boxe no MGM Grand, horas antes do tiroteio de 07 de setembro de 1996.
Segundo o procurador, Davis passou as duas horas seguintes a planear a vingança, e Shakur foi abatido "num ato de retaliação".
Shakur continua a ser um ícone cultural e é considerado um dos rappers mais influentes e versáteis de sempre, apesar de ter morrido aos 25 anos.
Em entrevistas a investigadores entre 1998 e 2009, Davis admitiu ter estado em Las Vegas na noite do crime e descreveu ter entregue a arma aos homens no banco de trás de um Cadillac branco, que dispararam contra o BMW negro onde seguiam Shakur e Marion "Suge" Knight, empresário da indústria musical do hip-hop e ex-CEO da produtora Death Row Records.
Knight, figura central do hip-hop da Costa Oeste e único sobrevivente do ataque, consta da lista de testemunhas, embora tenha declarado não querer participar.
O antigo produtor cumpre uma pena de 28 anos de prisão na Califórnia por ter atropelado mortalmente um empresário em 2015.
A acusação também pretende usar o livro de memórias de Davis, Compton Street Legend (2019), e várias entrevistas, apesar da oposição da defesa.
O advogado Michael Sanft insistiu que "não há factos" e que Davis nunca foi acusado antes porque as autoridades sabiam que ele estava "a inventar".
O defensor criticou ainda falhas na investigação inicial e descreveu o trabalho de um detetive como "tendencioso, descuidado e incompleto".
O caso, que durante décadas intrigou a comunidade hip-hop, só levou a uma acusação formal em 2023, contra Davis.
O julgamento, que deverá durar cerca de um mês, contará com 35 a 45 testemunhas. Entre elas, antigos agentes da polícia de Las Vegas que relataram ter visto Shakur ferido e Knight a pedir que cuidassem do rapper.
Grande parte das testemunhas já morreu, incluindo os outros três ocupantes do Cadillac.
Orlando "Baby Lane" Anderson, suspeito de ter sido o atirador, morreu dois anos depois num tiroteio em Compton, enquanto Deandrae "Freaky" Smith, que estaria no banco de trás ao lado de Anderson, e também suspeito dos disparos, morreu em 2004 de causas naturais.
Terry "Bubble Up" Brown, condutor do Cadillac, foi morto em 2015, num tiroteio num dispensário de marijuana medicinal em Compton.
Testemunhos perante o júri de instrução criminal descreveram o tiroteio como o culminar de uma rivalidade prolongada entre as editoras Death Row Records e Bad Boy Records, bem como entre as fações rivais Mob Piru e South Side Compton Crips.