terça-feira, 18 de agosto de 2026

Moscovo ameaça Londres após informações sobre uso de drones britânicos... A embaixada da Rússia em Londres avisou que o Reino Unido terá de "responder" pela colaboração militar com a Ucrânia, após informações de que drones britânicos foram utilizados por Kyiv para ataques em território russo.

© Getty Images   Por  LUSA  18/08/2026 

O jornal Sunday Times afirmou no domingo que drones produzidos por duas empresas britânicas e fornecidos à Ucrânia foram utilizados na vaga de ataques ucranianos contra alvos militares e industriais dentro do território russo.

Numa declaração publicada na segunda-feira, a embaixada da Rússia em Londres considerou que o Reino Unido tornou-se assim "cúmplice e coautor" desses ataques e "optou deliberadamente por uma escalada" do conflito.

"As ações de Londres irão inevitavelmente gerar consequências pelas quais terá de responder. Quanto mais profunda for a sua participação no conflito e maior for o seu apoio à máquina terrorista de Kyiv, maior será o preço a pagar", ameaça no comunicado.

Segundo o Sunday Times, uma das duas empresas é uma filial da BAE Systems, mas o jornal não revelou o nome da segunda empresa "por razões de segurança".

Contactado, o Ministério da Defesa britânico não respondeu.

O Reino Unido é um dos principais apoiantes financeiros de Kyiv desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, com cerca de 25 mil milhões de libras (29 mil milhões de euros) mobilizados, dos quais 16 mil milhões em ajuda militar.

Nos últimos meses, a Ucrânia multiplicou os ataques em profundidade no território russo, enquanto Moscovo também intensificou consideravelmente os ataques à capital ucraniana, geralmente com mísseis balísticos difíceis de intercetar.

No domingo, uma vaga de centenas de drones fez 12 mortos na Rússia, enquanto ataques russos fizeram sete mortos na Ucrânia.


Exercícios militares com EUA não pretendem "atacar Coreia do Norte"... A Presidência da Coreia do Sul garantiu hoje que os exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos não demonstram "qualquer intenção de atacar a Coreia do Norte ou de aumentar as tensões na península coreana".

© Getty Images  Por  LUSA  18/08/2026 

O objetivo fundamental dos exercícios anuais, que o líder norte-americano Donald Trump anunciou que iria reduzir, não é "tratar qualquer entidade específica como adversária, mas preservar, em segurança e paz, a vida quotidiana das pessoas", declarou o Presidente sul-coreano Lee Jae-myung.

O exercício conjunto, iniciado na segunda-feira e que vai decorrer até 27 de agosto, é um dos dois principais realizados anualmente pelas forças sul-coreanas e norte-americanas.

De acordo com um comunicado divulgado pela Presidência, Seul afirmou que as manobras começaram "como planeado" e manifestou esperança de que a relação pessoal entre Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un leve a um "diálogo construtivo" propício a negociações.

Na segunda-feira, Trump anunciou a redução da escala dos exercícios militares com a Coreia do Sul, decisão que justificou com a "muito boa relação" que disse manter com Kim.

"Dada a minha muito boa relação com Kim Jong-un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o facto de os Estados Unidos terem acordado há já muito tempo participar em exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul", afirmou.

Os exercícios militares anuais "Escudo da Liberdade de Ulchi" normalmente envolvem 18 mil soldados sul-coreanos, bem como pessoal do contingente norte-americano de 28.500 soldados estacionado na Coreia do Sul.

O Presidente dos EUA disse que era "demasiado tarde para cancelar" os exercícios, pelo que ordenou ao secretário da Defesa, Pete Hegseth, para "reduzir substancialmente" as manobras.

Trump considerou exercícios dispendiosos e acrescentou que enviavam "um sinal totalmente inadequado e hostil" à Coreia do Norte.

Também na segunda-feira, o chefe de Estado afirmou que Pyongyang respondeu às suas aberturas para iniciar um diálogo e considerou "muito positiva" a troca de mensagens com Pyongyang.

Questionado sobre o motivo pelo qual Kim não lhe tinha respondido publicamente após a mensagem que publicou no domingo nas redes sociais, o Presidente norte-americano disse que o líder norte-coreano "o fez", sem dar mais detalhes.

Sobre como estão a decorrer as trocas de mensagens, Trump limitou-se a acrescentar que são "muito positivas".

Durante o primeiro mandato (2017-2021), Trump reuniu-se três vezes com Kim para tentar chegar a um acordo sobre a desnuclearização da península coreana, mas abandonou as negociações de forma abrupta, por considerar insuficiente a oferta de Pyongyang.

Para favorecer o diálogo com Pyongyang, Trump chegou mesmo a ordenar na altura a suspensão dos exercícios militares de verão de Seul e Washington.


DONALD TRUMP manda calar repórter da CNN que lhe perguntou sobre Coreia do Norte... O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou calar esta segunda-feira, por várias vezes, a correspondente da CNN na Casa Branca, Kristen Holmes, quando a jornalista o questionou sobre contactos recentes com o líder da Coreia do Norte.

© cnn    Por  LUSA  18/08/2026 

Trump interrompeu Holmes enquanto esta formulava perguntas sobre contactos com Kim Jong-un, e sobre a decisão de reduzir a escala das manobras militares entre Washington e Seul, classificando-a como "barulhenta" e "buliçosa", além de a acusar de fazer "notícias falsas".

A repórter tentava saber por que razão Kim não se tinha pronunciado publicamente sobre o anúncio de Trump de reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

Perante a insistência da jornalista, o chefe de Estado assegurou que Kim respondeu às mensagens que lhe enviou e que os intercâmbios entre ambos estão a ser "muito positivos", embora não tenha dado detalhes sobre o conteúdo dessas comunicações.

Trump voltou a defender a decisão de reduzir as manobras militares e sustentou que tal tornará a península coreana um lugar "mais seguro".

O episódio ocorreu durante um encontro com jornalistas na Sala Oval, onde Trump já protagonizou outros confrontos com membros da imprensa quando as perguntas não lhe agradam. Desta vez, os reparos foram dirigidos especificamente contra Holmes, que procurava obter mais informações sobre o seu novo entendimento com Pyongyang.

No domingo, Trump tinha anunciado nas redes sociais que o Pentágono reduzirá a escala dos exercícios militares entre os EUA e a Coreia do Sul porque, na sua opinião, essas manobras enviam uma mensagem inadequada à Coreia do Norte, país que considerou "respeitoso" durante os seus mandatos.

O Presidente reiterou esta segunda-feira a decisão e afirmou que Kim sempre o "tratou com respeito" e que ambos se entendem bem.

Trump reuniu-se em três ocasiões com Kim durante o primeiro mandato (2017-2021), numa tentativa de alcançar um acordo para a desnuclearização da península coreana. As negociações terminaram sem acordo, depois de Trump considerar insuficiente a proposta de Pyongyang, que posteriormente estreitou laços com a Rússia.

Este novo entendimento surge ainda num contexto de tensão entre Washington e Seul. Trump afirmou no domingo e voltou a sublinhar esta segunda-feira que a Coreia do Sul se recusou a apoiar os EUA na guerra para "desnuclearizar" o Irão e acusou o Governo de Joe Biden de ter reduzido o aumento da contribuição sul-coreana para o gasto militar partilhado.

Questionado sobre quem considera que a sua política o aproxima mais da Coreia do Norte do que dos aliados tradicionais, Trump respondeu que a sua estratégia torna a península coreana um lugar "mais seguro".

Julgamento de suspeito começa 30 anos após homicídio de Tupac Shakur... Começou em Las Vegas o julgamento de Duane "Keffe D" Davis, um dos principais suspeitos de planear o assassínio do conhecido rapper norte-americano Tupac Shakur, em 1996.

© Getty Images    Por  LUSA   18/08/2026 

Davis, de 63 anos, poderá ser condenado a prisão perpétua se for considerado culpado de homicídio com arma letal com intenção de promover ou apoiar um grupo criminoso.

O arguido declarou-se inocente na segunda-feira, com o advogado a descrever a narrativa da acusação como ficção.

Na abertura do julgamento, um procurador afirmou que, embora poucos tenham estado dispostos a falar sobre o homicídio de Tupac, Davis é "a única pessoa que tem tido dificuldades em ficar em silêncio".

"Sejamos claros: Duane Davis não puxou o gatilho. Mas planeou o tiroteio em retaliação pela agressão ao seu sobrinho", disse o procurador-adjunto Binu Palal aos jurados no início do julgamento em Las Vegas. "Notavelmente, vão ouvir isso do próprio Duane Davis", acrescentou.

Palal mostrou imagens da comitiva de Shakur a agredir Orlando "Baby Lane" Anderson, sobrinho de Davis, à saída de um combate de boxe no MGM Grand, horas antes do tiroteio de 07 de setembro de 1996.

Segundo o procurador, Davis passou as duas horas seguintes a planear a vingança, e Shakur foi abatido "num ato de retaliação".

Shakur continua a ser um ícone cultural e é considerado um dos rappers mais influentes e versáteis de sempre, apesar de ter morrido aos 25 anos.

Em entrevistas a investigadores entre 1998 e 2009, Davis admitiu ter estado em Las Vegas na noite do crime e descreveu ter entregue a arma aos homens no banco de trás de um Cadillac branco, que dispararam contra o BMW negro onde seguiam Shakur e Marion "Suge" Knight, empresário da indústria musical do hip-hop e ex-CEO da produtora Death Row Records.

Knight, figura central do hip-hop da Costa Oeste e único sobrevivente do ataque, consta da lista de testemunhas, embora tenha declarado não querer participar.

O antigo produtor cumpre uma pena de 28 anos de prisão na Califórnia por ter atropelado mortalmente um empresário em 2015.

A acusação também pretende usar o livro de memórias de Davis, Compton Street Legend (2019), e várias entrevistas, apesar da oposição da defesa.

O advogado Michael Sanft insistiu que "não há factos" e que Davis nunca foi acusado antes porque as autoridades sabiam que ele estava "a inventar".

O defensor criticou ainda falhas na investigação inicial e descreveu o trabalho de um detetive como "tendencioso, descuidado e incompleto".

O caso, que durante décadas intrigou a comunidade hip-hop, só levou a uma acusação formal em 2023, contra Davis.

O julgamento, que deverá durar cerca de um mês, contará com 35 a 45 testemunhas. Entre elas, antigos agentes da polícia de Las Vegas que relataram ter visto Shakur ferido e Knight a pedir que cuidassem do rapper.

Grande parte das testemunhas já morreu, incluindo os outros três ocupantes do Cadillac.

Orlando "Baby Lane" Anderson, suspeito de ter sido o atirador, morreu dois anos depois num tiroteio em Compton, enquanto Deandrae "Freaky" Smith, que estaria no banco de trás ao lado de Anderson, e também suspeito dos disparos, morreu em 2004 de causas naturais.

Terry "Bubble Up" Brown, condutor do Cadillac, foi morto em 2015, num tiroteio num dispensário de marijuana medicinal em Compton.

Testemunhos perante o júri de instrução criminal descreveram o tiroteio como o culminar de uma rivalidade prolongada entre as editoras Death Row Records e Bad Boy Records, bem como entre as fações rivais Mob Piru e South Side Compton Crips.

Trump ameaça bombardear Omã se colocar entraves a acordo sobre Ormuz... O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou esta segunda-feira bombardear Omã caso o país coloque obstáculos "no caminho" de um acordo sobre o estreito de Ormuz, numa altura em que negociações prosseguem com o Irão.

© Bastien Ohier / Hans Lucas / AFP via Getty Images     Por  LUSA   18/08/2026 

"Se Omã se meter no nosso caminho, vamos bombardeá-los", declarou o Presidente norte-americano durante uma entrevista à emissora Fox News, em resposta a uma pergunta sobre os contactos em curso entre os dois países.

Desde o início do conflito com o Irão, em fevereiro, Trump tem multiplicado declarações contundentes sem seguimento. Responsáveis iranianos e omanis discutem há várias semanas formas de garantir a circulação de navios no estreito, por onde transitava cerca de um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.

O sultanato de Omã, que cultiva uma posição de neutralidade numa região marcada por tensões, tem desempenhado papéis de mediação em vários conflitos, do Irão ao Iémen.

Esta segunda-feira chegou ao fim o prazo de 60 dias previsto no memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão para negociar um acordo definitivo destinado a pôr termo ao conflito e alcançar um compromisso sobre o programa nuclear da República Islâmica.

O acordo provisório destinava-se a criar um período sem hostilidades que permitisse às duas partes negociar uma solução mais duradoura para o conflito, mas as hostilidades foram retomadas menos de três semanas depois, num contexto de divergências sobre o controlo da navegação no estreito de Ormuz.

Perante o agravamento da situação, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, falou por telefone com Trump para sublinhar a importância da via diplomática e reafirmar o apoio da Turquia aos esforços de paz.

"O resultado final destas ameaças contra Omã é apenas reflexo da frustração de Trump perante uma situação criada por ele próprio, sem boas opções", avaliou Nate Swanson, do Iran Strategy Project do Atlantic Council, citado pelo jornal New York Times.

As declarações tiveram impacto imediato nos mercados: às 03h30 em Lisboa, o barril de WTI subiu 0,6% para 84,99 dólares (77 euros), enquanto o Brent cresceu 0,4% para 91,22 dólares (82,6 euros).

Teerão mantém o estreito de Ormuz praticamente bloqueado desde a ofensiva israelo-americana que desencadeou a guerra no Médio Oriente, com os EUA a impor um bloqueio aos portos iranianos em resposta,. Trump insiste que Washington tem o "controlo" da via, algo que o Irão classificou como "mentira".

O Presidente norte-americano chegou a afirmar que declararia o estreito "território dos Estados Unidos" após a vitória na guerra, embora o tom sugerisse uma provocação. Teerão respondeu: "O estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará a ser iraniano. Só o Irão decide quando abrir ou fechar."

Na segunda-feira, um porta-voz da diplomacia iraniana confirmou que "os contactos com Omã prosseguem de forma séria" e que decorrem trocas de pontos de vista sobre uma declaração conjunta.

Washington tem participado também nas negociações, com o emissário norte-americano Jared Kushner a descrever as conversações como "muito positivas e animadas", embora tenha admitido que não existe "muita confiança" entre as partes.

Trump apelou ainda ao Irão para "hastar a bandeira branca da capitulação", acrescentando que não tem pressa e que as eleições intercalares de novembro "não mudam nada" nas suas reflexões.

Durante a entrevista, o Presidente norte-americano reconheceu também a existência de uma linha de comunicação direta entre Washington e os Guardiões da Revolução, a poderosa força ideológica iraniana.