segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO-MINISTRO ORDENA ENCERRAMENTO DE POSTOS IMPROVISADOS DE COMBUSTÍVEL

Por: Natcha Mário M’bundé  JORNAL ODEMOCRATA  16/02/2026 

O primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, anunciou esta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, o encerramento de todos os contentores improvisados como postos de venda de combustível em todo o território nacional.

O anúncio foi feito no Hospital Nacional Simão Mendes, durante uma visita às vítimas do incêndio ocorrido num posto de venda de combustível em Bafatá. Na ocasião, o chefe do Governo informou que o sinistro provocou a morte de um adolescente de 15 anos, deixando o Estado profundamente preocupado e constrangido.

Segundo o governante, desde 2022 o Executivo vinha alertando para a proliferação de contentores utilizados de forma improvisada como bombas de combustível, advertindo que acidentes dessa natureza poderiam ter consequências graves.

“Não devemos esperar que o mal aconteça para agir. Esta medida está a ser tomada agora. Solicitei ao ministro da área que me forneça toda a documentação relativa aos contentores de combustível existentes a nível nacional. A vida humana é o bem mais precioso que existe, e hoje muitas famílias estão a sofrer, assim como as vítimas deste incêndio”, declarou.

O chefe do Executivo guineense garantiu ainda que haverá responsabilização dos proprietários dos contentores, a fim de apurar quem autorizou a sua instalação. Ilídio Vieira Té informou também que, de acordo com informações prestadas pelo ministro do setor, o local onde ocorreu o incêndio funcionava de forma clandestina, o que considera particularmente grave.

“Não é aceitável que uma atividade dessas funcione dessa forma, com a presença das autoridades, sem que tenham sido tomadas medidas, até que se chegasse a este tipo de desastre”, sublinhou.

O primeiro-ministro destacou que o acontecimento não trouxe apenas sofrimento às famílias afetadas, mas representa também um encargo para o Estado. O Hospital Nacional Simão Mendes recebeu 19 pessoas evacuadas de Bafatá para Bissau, de um total de 28 vítimas.

Acrescentou ainda que o Governo não dispõe, até ao momento, de informações precisas sobre as causas do incêndio, uma vez que a equipa interministerial criada limitou-se a fazer o levantamento das necessidades, com base num relatório destinado a reforçar a capacidade do hospital de Bafatá no tratamento das vítimas.

“A população não pode viver nas proximidades de bombas de combustível. Uma das primeiras medidas deveria ter sido a delimitação de um perímetro de segurança, impedindo a circulação de pessoas na zona de risco durante o incêndio, de forma a garantir a sua proteção. Houve falhas: os proprietários são responsáveis, assim como os agentes de segurança e da proteção civil, que têm o dever de proteger a população”, afirmou.

O porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT) Fernando Vaz, em conferência de imprensa.

Xanana pede desculpa ao governo de transição da Guiné-Bissau... O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, pediu hoje desculpa ao Governo de transição guineense, por dizer, na passada quarta-feira, que a Guiné-Bissau é um Estado falhado.

© Lusa  16/02/2026 

"Eu peço desculpa ao governo de transição da Guiné-Bissau. Também ouvi dizer que sou um 'coitado'. Aqui digo sempre que o herói da luta da resistência é o novo povo. Não há outro herói. Eu não sou herói. Não me defendo. Inclino-me profundamente, mas com o Presidente da República [José Ramos-Horta] já decidimos não enviar a missão", afirmou Xanana Gusmão aos jornalistas, após ter participado num workshop nacional de validação da língua gestual em Timor-Leste.

"Fomos nós que cancelámos, porque eles disseram: 'para quê vem Timor? Vocês não têm valor nenhum e ainda vêm ajudar-nos novamente'", afirmou o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro de Timor-Leste tinha afirmado na quarta-feira que o golpe de Estado de novembro, na Guiné-Bissau, demonstra que o país é um Estado falhado e salientou que é preciso ajudar no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.

"Fomos ajudar a montar todo o sistema, nomeadamente a CNE [Comissão Nacional de Eleições] (....) , para realizarem as primeiras eleições democráticas na Guiné-Bissau. Mas depois disto, voltar agora com um golpe militar ou golpe de Estado, já não falamos de Estado frágil, falamos de Estado falhado", salientou Xanana Gusmão.

Timor-Leste assumiu em dezembro a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado no país africano, em 26 de novembro, que depôs o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

Na sequência do golpe de Estado de 2012, Timor-Leste prestou durante vários anos apoio à Guiné-Bissau na organização de eleições.

O Governo guineense de transição repudiou, também na quarta-feira, as declarações de Xanana Gusmão.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense considerou que "as declarações revelam falta de dignidade e de postura política e moral" de Gusmão "para avaliar a realidade" institucional do país.

"Xanana Gusmão, tal como José Ramos-Horta, possui um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre a governação de outros Estados", enfatiza-se na nota.

Na sequência daquela nota, Timor-Leste cancelou a missão de bons ofícios da CPLP a Bissau, que deveria chegar ao país esta semana, mas o Governo de transição guineense afirmou que foi sua a iniciativa de a cancelar por não reconhecer legitimidade à presidência timorense da organização de países de língua portuguesa.


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