Os Huthis, que controlavam grande parte do norte do país, incluindo a capital Sanaa e Hodeida (a oeste), avançaram ao longo da costa em poucos dias e tomaram a cidade portuária de Mokha na quinta-feira. Assumiram depois o controlo da costa e das ilhas do Mar Vermelho, consolidando no dia seguinte a sua posição no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, por onde passa o tráfego marítimo de e para o Canal do Suez.
Na sua conta na rede social X, Ilyas Moussa Dawaleh indicou: "1.400 refugiados chegaram ao Djibuti vindos do Iémen nas últimas 24 horas".
Pequeno país do Corno de África, o Djibuti faz fronteira com o Iémen e com o Estreito de Bab-el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho a partir do Golfo de Aden e por onde passa grande parte do comércio entre a Ásia e a Europa.
Esta passagem ganhou importância, sobretudo para as exportações de petróleo da Arábia Saudita, desde que o Irão fechou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
Safiya Ibrahim, coordenadora de resposta humanitária da Organização Internacional para as Migrações (OIM), disse à agência France-Presse que, entre os que chegaram a Obock, no norte do Djibuti, estão "mulheres e crianças", acrescentando que "são esperadas mais chegadas nos próximos dias".
Segundo a ONU, pelo menos 76 mil pessoas fugiram das suas casas no Iémen desde julho devido aos confrontos, que terão causado centenas de mortos de ambos os lados.
As forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, disseram hoje ter atacado os Huthis, pró-Irão, na região do Mar Vermelho.
"As forças armadas destruíram hoje veículos e armas e eliminaram membros da milícia terrorista Huthi, apoiada pelo regime iraniano, perto do porto de Mokha", informou a agência noticiosa oficial Saba.
Também visaram os arredores da cidade e a estrada que conduz a Dhubab, mais a sul, acrescentou, citando o porta-voz das forças armadas, Majid al-Nazili.
A Arábia Saudita também realizou ataques aéreos no aeroporto de Mokha, segundo o canal de televisão Almasirah, controlado pelos Huthis.
"Nas últimas 48 horas, a aviação saudita realizou 129 ataques aéreos nas províncias de Taiz, Hodeida, Marib, al-Jawf, Saada, Amran e Hajjah", disse o porta-voz dos Huthis, Yahya Sarea.
Os Huthis, que anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita em julho e visaram os seus petroleiros, lançaram esta semana um grande ataque contra o reino.
Após anos de relativa calma graças a uma trégua entre o Governo e os Huthis, os confrontos no Iémen voltaram a intensificar-se em julho, tendo como pano de fundo o conflito entre o Irão e os Estados Unidos.
O Presidente norte-americano afirmou hoje que os Huthis, alvos de ataques aéreos norte-americanos em 2025 por atacarem navios mercantes no estreito de Bab el-Mandeb em apoio do movimento radical palestiniano Hamas na sua guerra contra Israel, lhe pediram que não interviesse na guerra no Iémen.
Segundo o portal de notícias norte-americano Axios, o príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, telefonou duas vezes a Donald Trump na quinta-feira para instar o presidente a atacar os combatentes iemenitas, mas viu os seus pedidos recusados.