sexta-feira, 15 de maio de 2026

Forças israelitas lançam ataque contra presumível líder do Hamas em Gaza... As forças israelitas realizaram hoje um ataque contra um edifício residencial na Cidade de Gaza, que, segundo o Governo, visava o presumível líder do grupo islamita Hamas no enclave palestiniano e alegado mentor do 7 de outubro.

© Mahmoud Issa/Anadolu via Getty Images   Por Lusa  15/05/2026 

Os ataques da força aérea foram dirigidos a Izz ad-Din al-Haddad, de acordo com uma declaração conjunta do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do ministro da Defesa, Israel Katz, apontado como líder do Hamas na Faixa de Gaza e um dos "arquitetos" dos massacres de 07 de outubro de 2023 em solo israelita, que desencadearam a guerra no território palestiniano.

As autoridades israelitas não confirmaram oficialmente a morte do alegado líder do grupo palestiniano, embora um alto responsável de segurança, citado pelo jornal The Times of Israel, tenha noticiado que ele foi eliminado, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro passado.

O mesmo responsável disse que esta operação foi aprovada pelas lideranças políticas há cerca de uma semana e meia e que, durante esse período, o dirigente do Hamas esteve sob vigilância contínua.

O ataque foi realizado "devido a uma oportunidade operacional com elevada probabilidade de eliminação", prosseguiu, após os serviços de informações terem recebido dados sobre a localização.

De acordo com fontes da agência de notícias espanhola EFE na cidade palestiniana, cinco mísseis atingiram o edifício residencial, provocando um grande incêndio que as equipas da Defesa Civil no enclave ainda tentavam controlar.

A EFE relatou que quatro mortos chegaram aos hospitais da capital da Faixa de Gaza, disseram fontes da saúde, enquanto a organização Crescente Vermelho Palestiniano transferiu pelo menos 20 feridos para o hospital de campanha Al-Saraya.

As forças israelitas atacaram ainda um veículo numa artéria da Cidade de Gaza.

Al-Haddad é o último membro de alto escalão e de longa data ainda vivo das Brigadas al-Qassam, o braço armado do Hamas.

"Manteve os nossos reféns num cativeiro brutal, dirigiu operações terroristas contra as nossas forças e recusou-se a implementar o acordo liderado pelo Presidente norte-americano, [Donald] Trump, para desmantelar o arsenal do Hamas e desmilitarizar a Faixa de Gaza", afirmaram Netanyahu e Katz, na declaração conjunta difundida pelo Ministério da Defesa.

Segundo o The Times of Israel, Katz deu conta do ataque de hoje à família da ex-refém e militar Liri Albag, que regressou viva a Israel depois de um cativeiro na Cidade de Gaza quando Al-Haddad comandava a Brigada al-Qassam na capital do território palestiniano.

Mais de 850 pessoas morreram na Faixa de Gaza em consequência de bombardeamentos e operações israelitas desde o início do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025.

A trégua, obtida com mediação dos Estados Unidos, Egito, Qatar e Turquia, permitiu a troca de reféns e prisioneiros, o recuo das tropas israelitas e o acesso de ajuda humanitária ao território devastado, mas não evoluiu ainda para a segunda fase, visando uma paz permanente.

As etapas seguintes preveem o desarmamento do Hamas e a continuação da retirada gradual do exército israelita, que ainda controla mais de 50% da Faixa de Gaza, mas o diálogo encontra-se paralisado há semanas, desde que o foco internacional se desviou para os conflitos no Irão e no Líbano, igualmente com a participação de Israel.

Ao longo dos últimos sete meses, Israel e o Hamas trocaram acusações frequentes de violações do cessar-fogo e as organizações de ajuda humanitária alegam que as autoridades israelitas não permitem a entrada da quantidade de assistência prometida no território.

A guerra foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelos islamitas palestinianos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.


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Zelensky defende ataques à Rússia após bombardeamento mortal em Kyiv... O Presidente ucraniano defendeu hoje que o país tem o direito de atacar infraestruturas petrolíferas e militares da Rússia, depois do bombardeamento russo que matou pelo menos 24 pessoas em Kyiv.

© Francesco Militello Mirto/NurPhoto via Getty Images   Por  Lusa  15/05/2026 

Volodymyr Zelensky visitou durante a manhã o local atingido por um míssil russo num bairro residencial da capital ucraniana, um dos ataques mais mortíferos em Kyiv desde o início da invasão russa, em 2022. 

Entre os escombros do edifício parcialmente destruído, o chefe de Estado ucraniano depositou flores vermelhas em homenagem às vítimas.

"Estamos plenamente justificados em responder visando a indústria petrolífera russa, a produção militar e os responsáveis diretos pelos crimes de guerra cometidos contra a Ucrânia e os ucranianos", escreveu Zelensky nas redes sociais.

O balanço final do ataque russo, ocorrido na madrugada de quinta-feira, aponta para 24 mortos e cerca de 50 feridos.

Entre as vítimas mortais encontram-se três raparigas de 12, 15 e 17 anos.

Duas delas, Lyubava e Vira, de 12 e 17 anos, eram irmãs, de acordo com a escola frequentada por uma das jovens, que indicou também que o pai das adolescentes morreu anteriormente em combate.

A cidade de Kyiv observou um dia de luto, com bandeiras a meia haste e visitas de dezenas de diplomatas estrangeiros ao local do ataque.

"Esta não é uma zona militar, nem sequer uma infraestrutura energética. É simplesmente um edifício civil", esclareceu o encarregado de negócios da Polónia na Ucrânia, Piotr Lukasiewicz.

Os aliados ocidentais de Kyiv condenaram o ataque russo.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, considerou na quinta-feira que os bombardeamentos demonstram "a fraqueza" de Moscovo e a incapacidade russa de "pôr fim à sua guerra de agressão".

Ao mesmo tempo, as autoridades russas acusaram a Ucrânia de ataques com drones contra a cidade de Ryazan, a sudeste de Moscovo, que causaram pelo menos quatro mortos e 12 feridos.

O exército ucraniano reivindicou um ataque contra uma refinaria petrolífera na região.

Segundo o governador regional, Pavel Malkov, a região foi alvo de 99 drones ucranianos durante a noite.

O Ministério da Defesa russo afirmou ter abatido 355 drones ucranianos sobre cerca de 15 regiões russas e sobre a Crimeia anexada.

Apesar da intensificação dos ataques, Kyiv e Moscovo realizaram hoje mais uma troca de prisioneiros de guerra.

A Rússia anunciou o regresso de 205 militares russos, enquanto Zelensky confirmou a libertação de 205 soldados ucranianos, muitos deles capturados em 2022 durante a defesa da cidade de Mariupol.

A troca integra uma operação mais ampla anunciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, depois de uma breve trégua de três dias mediada por Washington.

A anterior grande troca de prisioneiros, envolvendo mil pessoas de cada lado, ocorreu em maio de 2025, na sequência de negociações diretas entre russos e ucranianos em Istambul.


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As três grandes fabricantes de automóveis de Detroit, General Motors (GM), Ford e Stellantis, eliminaram mais de 20.000 postos de trabalho administrativos nos Estados Unidos nos últimos anos, o que representa 19% da força de trabalho combinada.

Líbano e Israel realizam segundo dia de negociações em Washington... Representantes de Israel e do Líbano iniciaram hoje o segundo dia de negociações de paz em Washington, após um mês de um cessar-fogo que não é reconhecido pelo grupo xiita Hezbollah e marcado pela persistência de confrontos.

© REUTERS/Shir Torem  Por Lusa 15/05/2026 

Fontes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, país anfitrião do diálogo Israelo-libanês, confirmaram às agências France-Presse (AFP) e EFE que a reunião foi iniciada, um dia depois das primeiras conversações, que duraram oito horas e que a diplomacia de Washington descreveu como "positivas e produtivas". 

A delegação israelita é composta pelo embaixador nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, e pelo vice-conselheiro de Segurança Nacional, Yossi Draznin, enquanto a parte libanesa é igualmente representada pela embaixadora em Washington, Nada Hamadeh, e pelo enviado especial Simon Karam.

Os Estados Unidos destacaram pelo seu lado o conselheiro do Departamento de Estado Michael Needham e os embaixadores em Israel, Mike Huckabee, e no Líbano, Michel Issa.

Israel e Líbano, que não têm relações diplomáticas, realizaram duas rondas de diálogo inicial na capital norte-americana, em 14 e 23 de abril, que resultaram num acordo de cessar-fogo nos ataques israelitas em território libanês.

No entanto, Israel continuou a bombardear o Líbano e as suas operações terrestres no sul do país, enquanto o Hezbollah prossegue os ataques contra o território israelita e as suas tropas.

O Presidente libanês, Josef Aoun, avisou, na véspera da primeira ronda de negociações de paz, que os ataques israelitas "estão a minar os esforços para consolidar a cessação das hostilidades".

O Hezbollah opõe-se a estas conversações e o seu líder, Naim Qassem, ameaçou que vai tornar os confrontos "num inferno" para Israel, que por sua vez avisou repetidamente as autoridades de Beirute que, se não desarmar nem controlar as milícias libanesas, irá fazê-lo no seu lugar.

O Líbano foi arrastado pelo grupo xiita apoiado e financiado pelo Irão para a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 2.882 pessoas foram mortas, incluindo 200 crianças, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também mais de um milhão de deslocados.

Neste novo conflito, o exército israelita estabeleceu uma "linha amarela" no sul do Líbano, a cerca de 10 quilómetros da fronteira, e, segundo com o acordo de cessar-fogo, reserva-se "o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa".

O coordenador humanitário da ONU no Líbano, Imran Riza, considerou hoje que as negociações em curso representam uma "oportunidade única" para pôr fim à guerra, que provocou um número "inaceitável" de mortes civis.

"Os esforços diplomáticos oferecem uma oportunidade única para pôr fim à violência", disse Riza em comunicado, manifestando a esperança de que "as negociações em curso abram caminho a uma solução política".

O coordenador das Nações Unidas lamentou que "os ataques aéreos e as demolições continuam diariamente", provocando "um número inaceitável de vítimas civis, além dos danos infligidos nas infraestruturas".

O Conselho Nacional de Investigação Científica (CNRS) do Líbano indicou na quarta-feira que mais de 10 mil casas foram destruídas ou danificadas no Líbano desde o cessar-fogo de 17 de abril.

"Desde o cessar-fogo, verificámos que 5.386 casas foram completamente destruídas e 5.246 danificadas", indicou o diretor do CNRS, Chadi Abdallah, em conferência de imprensa.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito no golfo Pérsico.


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O grupo xiita Hezbollah reclamou hoje um ataque contra um quartel no norte de Israel, que por sua vez contabilizou mais de 200 combatentes das milícias libanesas mortos na última semana, apesar do cessar-fogo em vigor.