© Lusa 04/11/2026
Os deputados do parlamento moçambicano vão doar pelo menos um dia de salário para apoiar a reposição dos serviços de oncologia do Hospital Central de Maputo, afetados por um incêndio ocorrido no domingo, foi hoje anunciado.
"A casa do povo decidiu destinar um dia de salário dos deputados como expressão concreta do nosso contributo para os esforços de recuperação dos serviços de oncologia", disse hoje a presidente do parlamento moçambicano, Margarida Talapa, ao arrancar com a sessão plenária, em que o Governo responde a perguntas de deputados.
Segundo a presidente da Assembleia da República, a doação de um dia de salário faz parte dos esforços para apoiar a recuperação daquele centro, único no país, frisando que é em momentos de necessidade que a solidariedade deve prevalecer.
"Que este momento nos inspire a fortalecer os laços de união, compaixão e fraternidade conscientes de que a força da nossa nação reside na capacidade de nos apoiarmos mutuamente sobretudo nos momentos de maior dificuldade", apelou Talapa.
Na terça-feira, o Conselho de Ministros também anunciou a doação de um dia de salário, com o porta-voz do órgão, Inocêncio Impissa, a adiantar decorrem investigações para apurar as causas do incidente e continuam os levantamentos dos danos provocados pelo fogo no único centro de tratamento oncológico do país.
O incêndio ocorreu domingo no serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo, único de Moçambique, que tinha 22 doentes internados, retirados a tempo, sem registo de vítimas, segundo informação avançada pelo Governo.
Segundo o porta-voz, o Governo continua a acompanhar os trabalhos de avaliação das consequências do incêndio para determinar as necessidades de recuperação da unidade.
Impissa adiantou que ainda não existe uma estimativa financeira para a reconstrução dos serviços afetados, uma vez que a avaliação se encontra numa fase inicial: "Primeiro é identificar as causas, identificar os danos. Inclusive fazer um levantamento dos equipamentos destruídos".
De acordo com o responsável, os levantamentos preliminares indicam que nem todos os equipamentos foram destruídos pelas chamas.
Dos 22 pacientes internados na altura do incêndio, 12 já tiveram alta, enquanto os restantes continuam sob acompanhamento médico. Paralelamente, os serviços mantêm o atendimento diário de cerca de 90 doentes em regime ambulatório e de consulta.
O Governo moçambicano criou uma unidade de apoio a doentes oncológicos, após o incêndio, para acolher doentes que necessitam de internamento e os que fazem tratamento ambulatório, que se deslocam ao hospital para receber cuidados e regressam a casa no mesmo dia.
Foi também criado um gabinete de atendimento aos utentes e familiares afetados pela situação, cujos contactos serão divulgados posteriormente, anunciou anteriormente o ministro da Saúde, Ussene Isse.
Durante o incêndio, a intervenção dos bombeiros impediu que as chamas se propagassem a outras áreas, nomeadamente ao piso térreo, onde funciona o serviço de radioterapia.
O fogo não atingiu a parte inferior do abrigo subterrâneo onde se encontra o acelerador linear, mas os equipamentos de radioterapia são sensíveis ao calor e à energia, pelo que os danos continuam a ser avaliados por peritos.



