sexta-feira, 6 de março de 2026

Israel anuncia "nova fase" na guerra contra Teerão... A guerra no Médio Oriente entra hoje no sétimo dia, após Israel anunciar uma "nova fase" no conflito contra o Irão, em paralelo com novos ataques contra o Hezbollah no Líbano.

Por LUSA 

"Depois de ter concluído com sucesso a fase de ataque surpresa, durante a qual estabelecemos a nossa superioridade aérea e neutralizámos a rede de mísseis balísticos, passamos agora à fase seguinte da operação", anunciou na quinta-feira à noite, numa declaração televisiva, o chefe do Estado-Maior israelita.

O tenente-general Eyal Zamir afirmou que Israel vai continuar a "desmantelar o regime" iraniano e as capacidades militares durante esta nova fase.

"Ainda temos outras surpresas reservadas, que não pretendo revelar", acrescentou.

No sexto dia de uma guerra lançada pela ofensiva americano-israelita contra o Irão, no sábado passado, as hostilidades continuaram a alastrar-se na região, nomeadamente em Beirute, com o conflito a opor o grupo xiita Hezbollah, pró-Irão, e as forças israelitas.

Estas últimas receberam ordens para avançar mais profundamente no sul do Líbano, a fim de alargar a zona de controlo na fronteira, disse Eyal Zamir.

O pânico já se tinha alastrado a Beirute, após um apelo sem precedentes de Israel para evacuar os subúrbios a sul da capital, tendo-se formado de imediato engarrafamentos gigantescos neste bastião do Hezbollah, onde residem centenas de milhares de pessoas.

À noite, a zona foi atingida por ataques, um dos quais "muito violento", de acordo a agência de notícias oficial libanesa Ani, tendo o exército israelita anunciado que começou a atacar "infraestruturas do Hezbollah".

O Ministério da Saúde libanês disse na quinta-feira à noite que pelo menos 123 pessoas foram mortas e 683 ficaram feridas desde segunda-feira.

"Tudo deve ser feito" para impedir que o Líbano "seja novamente arrastado para a guerra", exortou o Presidente francês, Emmanuel Macron, respondendo a um apelo nesse sentido do homólogo libanês, Joseph Aoun.

Em Washington, Donald Trump exigiu "ser envolvido" na escolha do sucessor do ayatollah Ali Khamenei e afirmou que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo iraniano, não é aceitável para governar o país.

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou a determinação de Teerão nesta guerra e afirmou à rede norte-americana NBC que não busca nem um cessar-fogo nem negociações.


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O movimento é impulsionado pelo conflito na região, mas tabém pelo medo, já que o ministro das Finanças israelita ameaçou transformar partes da capital do Líbano numa Khan Younis, cidade da Faixa de Gaza que foi completamente arrasada pelas forças israelitas.


Hezbollah libanês e Guardas da Revolução atacam separadamente Israel... O Hezbollah libanês, movimento xiita pró-Irão, reivindicou hoje uma ofensiva com artilharia e foguetes contra posições do exército israelita perto da fronteira, e Teerão anunciou ataques com mísseis e drones contra a cidade israelita de Telavive.

Por LUSA 

"Em resposta à agressão criminosa israelita que atingiu dezenas de cidades e aldeias libanesas, incluindo os subúrbios a sul de Beirute, os combatentes da Resistência Islâmica lançaram um ataque (...) com salvas de foguetes e tiros de artilharia", escreveu o Hezbollah num comunicado.

No momento do ataque, por volta das 02h10 (00h10 em Lisboa), sirenes soaram nas localidades israelitas visadas, sem que fossem registadas vítimas ou danos.

Também hoje os Guardas da Revolução iranianos anunciaram terem lançado mísseis e drones contra Telavive, em Israel.

"A operação inclui um ataque combinado de mísseis e drones, bem como o lançamento de uma barragem de mísseis Kheibar, visando alvos localizados no centro de Telavive", de acordo com um comunicado dos Guardas citado pela agência de notícias oficial iraniana Irna.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, que era o líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção do país.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.


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O exército israelita afirmou hoje ter realizado ataques em grande escala contra "a infraestrutura do regime" iraniano em Teerão, e a televisão pública iraniana relatou uma série de explosões.