segunda-feira, 13 de julho de 2026

Rangel responsabiliza Irão por retomar das hostilidades... O ministro dos Negócios Estrangeiros responsabilizou hoje o Irão pelo retomar das hostilidades no Médio Oriente, acusando o regime de quebrar o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos ao atacar navios em Ormuz.

© Zed Jameson/Bloomberg via Getty Images    Por LUSA   13/07/2026

Em declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, Paulo Rangel afirmou que "não há dúvida que estas últimas hostilidades foram muito provocadas pela forma como o Irão esteve em Ormuz".

"Estou a falar mesmo do início desta última fase -- enfim, agora já temos quatro ou cinco dias disso -- mas, de facto, o Irão não está a cumprir aquele que era o memorando de entendimento e isso levou obviamente a um escalar de reações recíprocas", sustentou.

Paulo Rangel defendeu que o mais importante agora é "voltar à diplomacia", considerando que países como o Paquistão e o Qatar têm tido um "papel importante" nessa vertente.

"Agora, o facto de o Irão ter atacado outra vez os Estados do Golfo evidentemente também não ajuda, porque esses Estados, especialmente aqueles que tinham alguma capacidade de mediação, ficam numa situação difícil para o fazer", afirmou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros referiu que Portugal olha para a situação "com muita preocupação".

"Aquilo que a UE pode fazer é exortar as partes a voltarem ao quadro do memorando de entendimento para se poder fechar um acordo", disse, reiterando que a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é um assunto "inegociável".

"E se o Irão não é capaz de a respeitar, evidentemente que isso não vai ajudar a que tenhamos paz o mais depressa possível", disse.

Esta noite, os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irão, e Teerão retaliou hoje atacando os aliados regionais de Washington --- ações de escala sem precedentes de ambos os lados desde o cessar-fogo de 08 de abril.

A causa das novas hostilidades concentrou-se na questão do Estreito de Ormuz.

Teerão procura manter o controlo da via marítima estabelecido nos primeiros dias da guerra.

O anúncio feito pela República Islâmica no fim de semana, informando que iria voltar a fechar a rota estratégica global para o transporte de petróleo e gás, provocou uma forte subida dos preços do petróleo.

O petróleo Brent do Mar do Norte para entrega em setembro --- a referência internacional --- aumentou mais de 4%, atingindo os 79,13 dólares.

Após quase 40 dias de bombardeamentos num conflito desencadeado por ataques de Israel e dos Estados Unidos a 28 de Fevereiro, um cessar-fogo tinha entrado em vigor em Abril, foi posteriormente formalizado a 17 de junho através de um memorando de entendimento assinado por Washington e Teerão, apesar dos confrontos esporádicos nas imediações do estreito.

No entanto, após ataques na terça-feira passada contra embarcações que tentavam passar por Ormuz, os confrontos foram retomados com intensidade.


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O Irão ameaçou hoje abandonar o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos em junho caso Washington não cumpra os compromissos assumidos para pôr fim à guerra.

Timor-Leste: 90 estrangeiros detidos por atividades ilegais 'online'... A Polícia de Investigação Criminal de Timor-Leste deteve hoje mais 90 cidadãos estrangeiros, entre indonésios e chineses, suspeitos de envolvimento em atividades ilegais 'online'.

© Lusa   13/07/2026 

"Hoje realizámos duas operações. Uma em Díli onde detivemos 14 cidadãos chineses em flagrante delito. A outra ocorreu em Liquiçá, onde capturámos 75 cidadãos indonésios e um cidadão chinês. No total, as duas operações resultaram na detenção de 90 pessoas", declarou à Lusa, por telefone, o porta-voz da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), superintendente-chefe João Belo.

As operações decorreram na zona de Comoro, em Díli, e em Ulmera, no município de Liquiçá, situado a cerca de 17 quilómetros de Díli. O objetivo foi localizar e desmantelar atividades ilícitas relacionadas com esquemas de fraude através de centros de atendimento.

"Neste momento, os detidos encontram-se nas instalações do quartel-geral da Investigação Criminal para serem submetidos ao respetivo processo de investigação", explicou o porta-voz da PNTL.

João Belo acrescentou que a polícia está também a proceder à verificação de dinheiro apreendido, equipamentos e de outros documentos.

"Estamos a fazer as verificações", disse o comandante, remetendo para terça-feira mais esclarecimentos.

Na semana passada, as autoridades policiais de Timor-Leste já tinham detido cerca de 200 pessoas, na sua maioria cidadãos da China, do Camboja e da Indonésia, por suspeitas de envolvimento em atividades ilegais 'online', sobretudo relacionadas com jogo ilegal e fraude.

Em setembro do ano passado, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou para o aumento da presença de redes criminosas em Oecusse, o enclave timorense situado em território indonésio, na ilha de Timor. Segundo o UNODC, investigações recentes demonstram que a região começou a ser influenciada por atividades criminosas organizadas.

Na sequência desse alerta público, o Governo de Timor-Leste decidiu cancelar todas as licenças anteriormente concedidas para operações de jogos e apostas 'online', bem como suspender a atribuição de novas licenças, devido aos riscos para a segurança e a estabilidade social.

Segundo a UNODC, quando redes criminosas digitais se instalam numa determinada região, "essa região torna-se frequentemente um centro de fraude cibernética, bem como de tráfico de droga e de seres humanos".


ONU acusa Hamas de obstruir entrega de ajuda humanitária... Um alto funcionário da ONU acusou hoje o grupo islamita palestiniano Hamas de obstruir a entrega de ajuda em Gaza, alertando que torna as operações humanitárias cada vez mais perigosas.

© Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images      Por LUSA   13/07/2026 

Num comunicado, o coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Médio Oriente, Ramiz Alakbarov, condenou os obstáculos às operações humanitárias atribuídos às autoridades de facto em Gaza, em referência ao Hamas.

Estas ações "colocaram em perigo o pessoal humanitário, intimidaram os trabalhadores responsáveis pela distribuição de ajuda alimentar vital e interromperam operações essenciais", descreveu.

Os incidentes ocorreram no sábado num ponto de distribuição em Jabalia (norte), que homens armados ligados ao Hamas terão invadido.

De acordo com o comunicado da ONU, os combatentes "também entraram num armazém do Programa Alimentar Mundial (PAM) e alegadamente atacaram dois camionistas que entregavam ajuda humanitária".

Alakbarov disse que "estes incidentes não foram isolados" e que "testemunham uma tendência cada vez mais preocupante de intimidação, violência e obstrução, incluindo tentativas de rapto, contra as operações humanitárias".

O responsável da ONU alertou que tais ações estavam a comprometer a entrega da ajuda tão necessária, uma vez que os civis no território devastado pela guerra enfrentam uma grave crise humanitária.

O Hamas rejeitou as acusações, considerando-as infundadas.

"A polícia e as forças de segurança continuam a proteger os camiões e os centros de distribuição de ajuda humanitária e a facilitar o trabalho das organizações internacionais", não tolerando qualquer ataque, declarou à agência de notícias AFP um responsável do chamado Ministério do Interior do Hamas.

Um cessar-fogo entrou em vigor em Gaza em outubro, após dois anos de guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023.

A segunda fase da trégua, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas de Gaza, está parada há vários meses.

As forças israelitas expandiram a sua presença nos últimos meses e controlam agora mais de 60% do território.

O Hamas continua a exercer autoridade sobre o resto da Faixa de Gaza, mas anunciou na semana passada a dissolução do organismo de 15 membros que geriu o território durante quase duas décadas.


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O Ministério da Saúde de Gaza alertou hoje para a ameaça de "paralisia total" do serviço de ambulâncias do território palestiniano, com 70 % dos veículos de emergência parados.