© Tonny Linke/NurPhoto via Getty Images Por Notícias ao Minuto com Lusa 18/10/2026
Paris e outras cidades francesas anoiteceram mergulhadas em caos e violência depois de milhares terem saído às ruas no âmbito da jornada nacional de protesto contra o aumento do custo de vida e em apoio à reivindicações dos estudantes do ensino secundário.
O dia de sábado ficou marcado por uma forte mobilização contra o aumento do custo de vida com centenas de milhares nas ruas. No entanto, o dia ficou também marcado por numerosos incidentes em Paris e noutras localidades francesas, incluindo lojas vandalizadas e saqueadas.
Esta manhã, em algumas zonas comerciais do centro de Paris, o cenário era de montras de lojas totalmente destruídas, com vidros espalhados pelas ruas e, em algumas delas, ainda barricadas com contentores, vedações, bicicletas e mobiliário urbano.
Segundo os jornais franceses, que citam fontes policiais, só em Paris foram detidos 855 manifestantes de acordo com o último balanço feito. A Prefeitura de Polícia de Paris assegurou ainda que o trabalho judicial vai continuar, nomeadamente com a análise de imagens de vídeo, que permitirá identificar outros autores de atos violentos.
Note-se que o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, havia adiantado no sábado que as forças de segurança tinham detido mais de 1.200 pessoas durante episódios de violência à margem das manifestações em várias cidades de França. Além das detenções, 150 polícias e gendarmes ficaram feridos.
Vários feridos e um morto
Noutras cidades de França, foram registados pelo menos 10 feridos em Lyon, 12 em Lille, cinco em Dijon e 15 em Rennes. De acordo com a BFMTV, todos se encontram em urgência relativa, sem apresentarem risco de vida imediato.
Houve ainda o caso de um manifestante que ficou com a mão amputada, em Saint-Étienne, no centro de França, na sequência de o lançamento de uma granada por parte das forças policiais.
Saliente-se que este é o segundo caso deste género depois de no início de outubro um adolescente de 15 anos ter perdido a mão em devido a uma granada de atordoamento disparada pela polícia em Lens.
De acordo com a BFMTV, há também a registar uma vítima mortal. A morte é mencionada num relatório das autoridades parisienses e, segundo o que se sabe, trata-se de um manifestante que desmaiou na Boulevard Mangenta. Apesar da assistência prestada, a pessoa acabou por morrer antes de chegar ao hospital. As circunstâncias exatas do desmaio estão a ser investigadas.
Danos em edifícios e incêndios
Em Paris, registaram-se também confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes. A polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que arremessavam petardos e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República, ao mesmo tempo que gritavam "Macron, demissão". Para o local foi destacado um forte contingente do corpo de intervenção.
Por toda a França, milhares de pessoas responderam a apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos "coletes amarelos", que surgiu em 2018 contra a injustiça social.
O gabinete do ministro do Interior assinalou atos de violência praticados por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de pilhagem, agressões a agentes policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e órgãos de comunicação social.
Na cidade portuária de Marselha, no sul do país, alguns estabelecimentos comerciais e uma esquadra da polícia municipal sofreram estragos, e manifestantes invadiram por momentos o átrio da Câmara Municipal.
Na sexta-feira, o Presidente Emmanuel Macron reconheceu "o direito constitucional de protestar e de expressão", mas fez um apelo à calma.
"Este direito exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo património e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir", disse.
A polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o encerramento de estações de metro durante o dia de hoje, incluindo as que se situam em redor dos Campos Elísios e nas proximidades do Palácio do Eliseu, do parlamento e de edifícios governamentais.
Nas últimas semanas, França registou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas, num início de ano letivo marcado por protestos estudantis à escala nacional que estão a condicionar a campanha para as eleições presenciais e a atrair as atenções internacionais.
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A Câmara Municipal de Limoges, em França, ficou "praticamente destruída" após ser incendiada por manifestantes encapuzados este sábado. A destruição do edifício histórico de 1883 ocorreu no âmbito de protestos nacionais contra o elevado custo de vida.
ACâmara Municipal de Limoges, em França, ficou "praticamente destruída" após um incêndio provocado por manifestantes encapuzados, este sábado, num dia em que quase um milhão de pessoas saíram às ruas francesas para protestar contra o elevado custo de vida.
"O telhado desabou sobre os pisos inferiores, com exceção da ala oeste, e dois terços da parte exterior já desapareceram", declarou o autarca de Limoges, Maurice Barate, à agência de notícias France-Presse (AFP)...






