sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Porta-aviões ruma ao Médio Oriente após relatos de problemas no USS Lincoln... O porta-aviões norte-americano USS George Washington, a operar no Pacífico, zarpou hoje para o Médio Oriente, enquanto surgem relatos de problemas de saúde mental e de mantimentos a bordo do USS Abraham Lincoln, em missão há nove meses.

© Getty Images    Por LUSA   13/08/2026 

O USS George Washington deixou o porto de Da Nang, no Vietname, na semana passada, segundo um comunicado da Marinha. O porta-aviões, juntamente com um cruzador e um contratorpedeiro, foram avistados a atravessar o estreito de Singapura.

Um oficial da Marinha, que falou sob anonimato à agência Associated Press (AP) para detalhar informações sensíveis sobre o navio, confirmou que o Washington estava no estreito de Malaca, que liga os oceanos Pacífico e Índico e coloca o porta-aviões em rota para o oceano Índico.

O Lincoln tem apoiado os ataques dos Estados Unidos ao Irão, e a sua missão incluiu um período recorde de mais de 240 dias ininterruptos no mar.

Vários congressistas democratas estão a pressionar o Departamento de Defesa (Pentágono) para prestar contas sobre as condições a bordo do porta-aviões.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, garantiu hoje que estas informações foram "completamente deturpadas".

Embora as hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão tenham diminuído nas últimas semanas, a Marinha norte-americana reimplantou o bloqueio aos portos iranianos no crucial estreito de Ormuz, e o Governo liderado por Donald Trump não esclareceu como pretende pôr fim à guerra.

Hegseth frisou aos jornalistas que Washington pode manter o bloqueio "por tempo indeterminado".

O Wall Street Journal noticiou anteriormente que o Washington iria substituir o Lincoln como um dos dois porta-aviões atualmente estacionados no Médio Oriente.

A medida deixaria as águas do Pacífico sem a presença de um porta-aviões norte-americano por um período indeterminado.

A administração Trump vê a China, potência dominante na região, como "uma força consolidada" que apenas precisa de ser dissuadida de dominar os Estados Unidos ou aliados, e não como o principal adversário global, como era classificada pelo governo de Joe Biden.

O porta-aviões Lincoln foi originalmente enviado de San Diego em 21 de novembro e chegou ao Médio Oriente em janeiro, antes do início da guerra com o Irão em 28 de fevereiro.

As missões prolongadas de porta-aviões durante o conflito com o Irão aumentaram as preocupações sobre o impacto nos militares em destacamentos longos, bem como sobre a crescente sobrecarga no navio e no seu equipamento.

A Marinha admitiu que o conflito criou um "ambiente altamente disputado, onde os centros de abastecimento tradicionais no Médio Oriente foram afetados pelas ações de combate".

A situação, por sua vez, levou à escassez e à perda de correspondência a bordo do porta-aviões, admitiu a Marinha em comunicado.

Surgiram ainda relatos de que os marinheiros a bordo do Lincoln estão a enfrentar problemas de saúde mental.

A Marinha garantiu em comunicado que "não observou um aumento de idealizações ou tentativas de suicídio a bordo do navio", mas as autoridades recusaram-se a fornecer dados, alegando questões de segurança operacional e privacidade dos doentes.

Emirados Árabes Unidos denunciam ataque iraniano a dois navios em Ormuz... Os Emirados Árabes Unidos denunciaram e condenaram hoje um ataque do Irão contra dois navios pertencentes à empresa estatal ADNOC enquanto transitavam pelo estreito de Ormuz.

© AFP via Getty Images  Por   RTP  13 Agosto 2026 

"Os Emirados Árabes Unidos condenam e repudiam veementemente o ataque hostil iraniano que teve como alvo dois navios afiliados à ADNOC (Abu Dhabi National Oil Company) enquanto transitavam pelo estreito de Ormuz, sem relatos de feridos", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos em comunicado.

A diplomacia dos emirados classificou o ataque como um ato de pirataria perpetrado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão que "representa uma ameaça direta à estabilidade da região, à sua população e à segurança energética global".

O ataque ocorreu na noite de hoje, segundo a agência de notícias WAM, que citou a empresa.

Abu Dhabi exigiu também que o Irão "reabra o Estreito de Ormuz de forma plena e incondicional, a fim de preservar a segurança regional e manter a estabilidade da economia e do comércio globais".

Antes do início da guerra no Médio Oriente, um quinto do petróleo mundial transitava pelo estreito de Ormuz, que liga o golfo Pérsico, do qual fazem parte os Emirados Árabes Unidos, ao oceano Índico.

Esta via navegável estratégica para o comércio global de petróleo está bloqueada pelo Irão desde o início da guerra, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.

Teerão exige que os navios obtenham autorização e pretende, eventualmente, impor taxas de serviço, uma medida fortemente contestada por Washington.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, realçou na quarta-feira que os Estados Unidos tinham o controlo total do estreito de Ormuz, uma alegação que os militares iranianos rejeitaram hoje como "mentiras" e "invenções".

Os Estados Unidos e o Irão retomaram as hostilidades no início de julho, quando colapsou o protocolo de acordo concluído em junho para pôr fim de forma duradoura à guerra no Médio Oriente.

Os ataques diminuíram de intensidade, com Trump a assegurar que estavam em curso negociações com o Irão, o que Teerão desmentiu.

O regime iraniano afirmou que estava apenas a conversar com Omã sobre um futuro itinerário para atravessar o estreito de Ormuz.

A guerra foi desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel, quando lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irão em 28 de fevereiro, apesar de na altura decorrerem negociações entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano.