Por SIC NotíciasEsta é a primeira estátua do mundo dedicada a um rato detetor de minas terrestres, de acordo com a BBC. A homenagem, trabalhada por um conjunto de artistas, foi inaugurada em Siem Reap, no Camboja, na sexta-feira, a tempo do Dia Internacional de Sensibilização para as Minas, a 4 de abril.
Magawa, um rato gigante africano, viveu oito anos e, durante parte da sua vida, foi treinado pela organização de caridade belga Apopo antes de se mudar para o Camboja, onde começou, em 2016, a carreira de farejador de explosivos.
O gestor do programa da Apopo no Camboja, Michael Raine, afirmou, na sexta-feira, que o monumento dedicado a Magawa "é um lembrete para a comunidade internacional" do trabalho que ainda é preciso fazer quanto ao problema na região.
Magawa, o rato detetor de minas
Com o olfato apurado e treinado para detetar um composto químico dos explosivos, o roedor alertava os treinadores assim que farejava alguma mina. Depois de identificadas por Magawa, estas eram removidas em segurança.
Durante os anos de serviço, Magawa limpou mais de 141 mil metros quadrados de terreno, o equivalente a 20 campos de futebol. Em apenas 20 minutos, o animal conseguia percorrer e procurar uma área do tamanho de um campo de ténis.
Em 2020, o roedor recebeu uma medalha de ouro da associação britânica de bem-estar animal PSDA, que galardoa anualmente um animal pela sua bravura.
Magawa foi distinguido pela sua "bravura e devoção ao dever" e tornou-se no primeiro rato a receber a medalha nos 77 anos de história da instituição, considerada o equivalente para os animais da Cruz de Georges, a maior honra concedida a civis.
Após uma breve reforma devido à idade avançada que lhe roubou a rapidez e agilidade, Magawa acabou por morrer em 2022.
Segundo as Nações Unidas, mais de um milhão de pessoas continua a trabalhar e a viver em terrenos contaminados por minas e engenhos explosivos não detonados no Camboja, o que representa um risco constante para as populações.
Michael Raine acrescentou ainda que o Camboja tem como meta tornar-se um país livre de minas até 2030. A instituição de caridade tem vindo a treinar os seus roedores, também conhecidos como "HeroRATS", desde a década de 1990.
Treinados para prevenir tráfico e detetar tuberculose
Devido ao seu tamanho, os ratos não têm peso suficiente para acionar as minas, o que os torna numa opção mais segura para identificar os explosivos.
Ronin é outro rato treinado pela Apopo, que estabeleceu um novo recorde mundial em 2025 ao descobrir 109 minas terrestres e 15 explosivos não detonados desde 2021.
O trabalho de Ronin na província de Preah Vihear, no norte do Camboja, superou o recorde detido por Magawa.
Para além da identificação de explosivos, os roedores são treinados para prevenir o tráfico ilegal de animais selvagens na Tanzânia ao reconhecer odores de produtos frequentemente traficados, como chifres de rinoceronte, presas de elefante (marfim) e escamas de pangolim.
Segundo a instituição belga, os ratos também conseguem detetar a tuberculose.