© Shutterstock LUSA 01/10/2026
Salah Sarsour foi detido em Milwaukee, em março, por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE).
Sarsour classificou a decisão do tribunal como "profundamente dececionante", mas disse que pretende recorrer.
"Continuarei a lutar para defender o direito à liberdade de expressão e o direito de permanecer no país a que chamo casa há mais de três décadas", destacou Sarsour em comunicado.
Os advogados do executivo liderado por Donald Trump apontaram que as condenações de Sarsour em Israel, ocorridas há décadas, fazem dele uma ameaça à segurança nacional e acusam-no de mentir no seu pedido de residência permanente (green card) e de alegar falsamente ter cidadania para votar.
O juiz Jayme Salinardi, do Tribunal de Imigração de Chicago, decidiu que é passível de deportação por motivos de política externa, mas rejeitou a alegação do governo de que Sarsour mentiu às autoridades de imigração.
"Todos os imigrantes em situação irregular têm direito a um processo equitativo. Se um juiz determinar que um imigrante em situação irregular não tem direito a permanecer neste país, iremos retirá-lo. Ponto final", realçou o Departamento de Segurança Interna (DHS) em comunicado.
O líder da maior mesquita do Estado Wisconsin, no centro-oeste dos EUA, nascido na Cisjordânia ocupada por Israel, foi detido em Israel em 1988, depois de ter sido condenado por atirar pedras contra militares israelitas.
O DHS afirmou que também foi condenado por lançar um cocktail Molotov. A sua equipa de defesa diz que foi acusado disso, mas não condenado.
Em 1995, foi condenado por tentativa de posse de armas. Sarsour nega ter cometido estes crimes, e os seus advogados afirmam que foi torturado e coagido a confessar em ambos os casos.
Sarsour, presidente da Sociedade Islâmica de Milwaukee, não tem antecedentes criminais nos EUA, onde vive desde 1993.
Os seus advogados afirmaram também que o governo norte-americano tem conhecimento das condenações de Sarsour em Israel desde que chegou ao país.
A deportação para a Cisjordânia "significa o fim da minha vida", realçou Sarsour à agência Associated Press (AP) na terça-feira.
Numa audiência de acompanhamento realizada na quarta-feira, um dos seus advogados, Patrick Taurel, insistiu para que o juiz especificasse que Sarsour só poderia ser deportado para Israel ou para os territórios palestinianos.
A Jordânia, país com o qual Sarsour não tem qualquer ligação, aparece como um possível destino na ordem de expulsão.
Se fosse enviado para a Jordânia, Sarsour "seria imediatamente entregue a Israel", alertou Taurel durante uma conferência de imprensa na quarta-feira.
Taurel explicou ainda que Sarsour terá que demonstrar que corre o risco de ser novamente torturado caso seja deportado, descrevendo esta como uma "exigência muito rigorosa" que, segundo ele, a sua equipa "tem condições para cumprir neste caso".
A notificação de recurso deve ser apresentada no prazo de 30 dias, e Sarsour dispõe de 60 dias para apresentar um pedido de medida de proteção ou de recurso.
O governo não pode deportar Sarsour antes de este ter esgotado todas as vias legais disponíveis.
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