terça-feira, 30 de junho de 2026

Irão rejeita reunião com os EUA no Qatar para discutir programa nuclear... O Irão voltou hoje a descartar a possibilidade de manter conversações com os Estados Unidos em Doha, depois de o Presidente norte-americano ter afirmado que os dois países se reuniriam para discutir o programa nuclear iraniano.

© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images     Por LUSA   30/06/2026 

"Não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte norte-americana", declarou na segunda-feira à noite o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, citado pela agência IRNA.

O diplomata acrescentou que a deslocação de representantes dos EUA "não tem relação com a viagem da delegação iraniana".

Segundo Baghaei, uma equipa técnica iraniana desloca-se hoje a Doha apenas para abordar com as autoridades cataris a libertação de ativos bloqueados, no âmbito da aplicação do memorando de entendimento assinado com Washington a 17 de junho para pôr fim à guerra.

O porta-voz sublinhou que a prioridade da República Islâmica é garantir a execução das cláusulas do memorando, nomeadamente a cláusula 11, que prevê a libertação dos ativos iranianos.

Acrescentou que o país "ainda não entrou na fase de negociação para um acordo definitivo", já que, de acordo com a cláusula 13, essas conversações só poderão começar quando forem aplicadas as disposições relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a reabertura do estreito de Ormuz, a suspensão das sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos e a libertação dos fundos iranianos.

Na mesma linha, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, reiterou que em Doha não será mantida "nenhuma negociação com os Estados Unidos", embora tenha admitido que o memorando "está a avançar em alguns aspetos". Denunciou ao mesmo tempo incumprimentos relacionados com o Líbano.

As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que os enviados especiais da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, se reuniriam hoje em Doha com representantes iranianos para abordar o programa nuclear.

No passado dia 21 de junho, Teerão e Washington acordaram um calendário de 60 dias para alcançar um acordo definitivo de paz que inclua o programa nuclear iraniano.

Contudo, a tensão voltou a aumentar nos últimos dias com ataques iranianos contra navios e bombardeamentos norte-americanos contra alvos militares na costa sul do Irão, seguidos de represálias iranianas contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein.

Estes foram os primeiros ataques trocados entre as partes desde o memorando de entendimento assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irão em 17 de junho.

Ao abrigo do memorando, os dois lados vão prosseguir negociações com um prazo de 60 dias, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.

Também hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou ter discutido a futura gestão de Ormuz com Omã, país situado no extremo oposto do estreito.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) - adotada em 1982, mas não ratificada por Teerão - garante o direito de "passagem em trânsito" por estreitos utilizados para a navegação internacional, como o de Ormuz, essencial para ligar o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Além da tensão em torno do estreito, o diálogo encontra-se também ameaçado pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.


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RELATÓRIO: Portugal e Espanha entre os destinos industriais mais atrativos da Europa... Portugal e Espanha estão entre os destinos industriais mais atrativos da Europa devido aos custos competitivos da energia e a níveis de investimento produtivo superiores aos das principais economias europeias, concluiu um relatório do McKinsey Global Institute (MGI).

© Lusa    30/06/2026 

De acordo com o "Catalyzing competitiveness: Where investment happens and why", divulgado hoje, a Europa enfrenta um défice estrutural de investimento de cerca de 800 mil milhões de euros por ano, o que compromete o crescimento e a competitividade de longo prazo.

O estudo sustenta que o investimento produtivo tornou-se o principal indicador da competitividade das economias e refere que as decisões de localização são cada vez mais determinadas por fatores como custos, produtividade e rapidez de execução, em detrimento de fatores históricos ou geográficos.

Neste contexto, a Península Ibérica destaca-se pela disponibilidade de energia renovável a custos mais baixos, oferecendo condições mais favoráveis para indústrias intensivas em eletricidade.

Segundo o MGI, Portugal constitui um dos casos mais expressivos de recuperação do investimento na Europa após a crise da dívida soberana da zona euro.

Em 2024, a taxa de investimento produtivo líquido atingiu 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em Espanha superou os 2% do PIB.

Em comparação, a Alemanha registou uma taxa de cerca de 0,2% do PIB no mesmo período, segundo o relatório.

Neste sentido, vários projetos industriais intensivos em energia estão já a ser direcionados para a Península Ibérica e para os países nórdicos, em detrimento dos tradicionais centros industriais europeus, refletindo uma alteração da geografia industrial do continente.

A nível global, o MGI aponta para uma crescente divergência entre as principais economias.

Enquanto a Europa apresenta um investimento insuficiente, os Estados Unidos procuram reforçar a capacidade industrial para reduzir dependências externas e a China continua a expandir a capacidade produtiva a um ritmo cerca de três vezes superior ao dos Estados Unidos e da Europa em conjunto.

O relatório indica igualmente que produzir na Europa ou nos Estados Unidos pode custar, em média, pelo menos mais 50% do que nas economias que atualmente captam mais investimento.

No caso da investigação e desenvolvimento, essa diferença poderá atingir cerca de 300%, devido a processos mais demorados e a um tempo mais longo de colocação de novos produtos no mercado.

Entre os fatores que penalizam a competitividade europeia, o MGI destacou os custos da energia e das matérias-primas, bem como diferenças nos apoios públicos ao investimento, que podem variar até oito vezes entre regiões.

Para reforçar a competitividade europeia, o instituto defende medidas como o aumento da produtividade através da automatização e da Inteligência Artificial (IA), a simplificação de processos administrativos, o acesso a energia limpa e competitiva, a aceleração do desenvolvimento de novos produtos, o reforço da inovação e a especialização em setores estratégicos, como os semicondutores, a biotecnologia e as infraestruturas para IA.

Segundo o relatório, ganhos de produtividade de cerca de 30%, aliados à redução dos custos de equipamentos, energia e materiais e a uma maior rapidez na execução de projetos, poderão reduzir entre 30% e 80% o diferencial de custos que atualmente separa a Europa das economias mais competitivas.

Zelensky recorda 15 prazos falhados pela Rússia para captura de Donetsk... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recordou segunda-feira que a Rússia já falhou 15 prazos para captura da província de Donetsk desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, há quatro anos.

© Alberto Gardin/SOPA Images/LightRocket via Getty Image     Por LUSA   30/06/2026 

No seu pronunciamento diário ao país, o líder ucraniano atribuiu os "15 prazos diferentes para a captura da região de Donetsk", desde 2022, à "obsessão" da liderança política russa.

"Quinze vezes sucumbiram a esta ilusão de que tomariam todo o Donbass", região no leste do país que inclui também a província de Lugansk, declarou.

"Em 2022, a data era 31 de março. Depois, 09 de maio. A seguir, 01 de junho, 15 de setembro e 31 de dezembro. Em 2023, [o Presidente russo, Vladimir] Putin estabeleceu duas datas para a captura de Donbass: 01 de março e, após mais uma tentativa falhada, 31 de dezembro", relatou Zelensky.

O Presidente ucraniano recordou ainda as duas datas mencionadas em 2024 e as de 2025, quando "os russos tentaram convencer o Presidente [norte-americano] Donald Trump de que a Ucrânia acabaria por entrar em colapso".

Este ano, afirmou Zelensky, "os russos adiaram mais uma vez a data para a captura da região de Donetsk". "Primeiro disseram 31 de março deste ano, depois 01 de setembro e agora a data mais recente é 31 de dezembro", declarou.

"Se a Rússia não acabar com esta guerra, terá de adiar novamente este prazo final", disse Zelensky na mensagem.

O Presidente ucraniano denunciou ainda a "caça a civis", referindo-se aos recentes ataques russos em Zaporijia com 'drones' e outros veículos aéreos não tripulados.

Criticou em particular o ataque russo "brutal e totalmente insensato" a Dnipro, como parte da "guerra de terror" da Rússia e avisou que haverá uma "resposta justa".

Resultado do sucesso dos ataques ucranianos a refinarias russas, Zelensky destacou ainda as longas filas nos postos de abastecimento russos como uma "consequência direta da guerra".

"Estamos a trazer a realidade da guerra de volta para a Rússia e a tornar o mais difícil possível para eles continuarem a ocupar as nossas terras", argumentou.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.  

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).  

AFRICOM defende investimento como motor de estabilidade em África... O comandante do AFRICOM rejeitou hoje a presença de tropas americanas para assegurar a paz na República Democrática do Congo e defendeu que o plano para a região assenta no investimento como motor de estabilidade.

© Lusa   30/06/2026 

Dagvin Anderson, general que lidera a estrutura do Departamento de Defesa norte-americano responsável pelas relações militares com os países africanos, falava à Lusa à margem da Conferência de Chefes de Defesa do AFRICOM (Comando dos Estados Unidos para África), que reúne hoje e quarta-feira representantes de 35 países, em Luanda.

Questionado sobre se os acordos de paz para a República Democrática do Congo (RDCongo), negociados pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington, poderiam implicar presença militar dos EUA no terreno, Anderson foi categórico: "Não estamos a planear ter quaisquer tropas americanas no terreno. Não há nenhuma discussão sobre isso neste momento".

O general reconheceu que os chamados Acordos de Washington para a Paz e a Prosperidade --- que incluem um cessar-fogo permanente entre a RDCongo e o Ruanda, o desarmamento de grupos armados e acordos bilaterais que concedem a empresas norte-americanas prioridade no acesso a reservas de minerais críticos --- associam paz e investimento económico, mas rejeitou que se trate de uma troca direta.

"Não diria que é um 'quid pro quo', mas permitem o investimento e o desenvolvimento para beneficiar desses minerais que lá estão, tanto para os países anfitriões como para outras empresas que estejam disponíveis e sejam capazes de investir", acrescentou.

 Anderson reconheceu que o Presidente angolano, João Lourenço, tem estado muito envolvido na mediação do conflito, adiantando que há oportunidades para que as nações da região trabalhem em conjunto, com o AFRICOM a disponibilizar-se para apoiar, nomeadamente, na partilha de experiências no combate ao terrorismo.

Sobre a escolha de Luanda para acolher a conferência, Anderson sublinhou o papel central de Angola na região e no continente, referindo que a relação bilateral tem vindo a aprofundar-se ao longo dos últimos cinco a seis anos.

Relativamente ao Corredor do Lobito - projeto ferroviário que atravessa Angola, ligando o porto angolano do Lobito à RDCongo e considerado estratégico por Washington ---, Anderson afirmou que o AFRICOM não terá um papel direto na sua segurança, mas destacou que o investimento económico e estabilidade andam lado a lado: "O investimento ajuda a construir estabilidade e a construir prosperidade em geral, e isso acaba por levar à segurança".

O general afastou, por outro lado, a hipótese de instalação de uma base militar norte-americana em Angola, esclarecendo que o Acordo de Aquisição e Serviços Recíproco assinado entre os dois países estabelece apenas um quadro logístico para cooperação pontual e não implica uma presença permanente.

A visita coincidiu com a assinatura, segunda-feira, de uma parceria entre a Guarda Nacional do estado norte-americano do Ohio e Angola, no âmbito do State Partnership Program, iniciativa que, segundo Anderson, permite construir relações entre forças armadas que vão além do domínio militar, estendendo-se a instituições académicas, sociais e oportunidades de investimento.

O general citou o exemplo da parceria entre o Ohio e a Hungria, como modelo do tipo de envolvimento de longo prazo que os EUA pretendem replicar em Angola.

Sobre o fim de projetos da USAID (agência dos EUA para o desenvolvimento internacional), o fecho de embaixadas e a redução de pessoal diplomático norte-americano em África, Anderson negou que o AFRICOM pretenda substituir o "soft power" pelo poder militar, afirmando que o papel das forças armadas é complementar e não substituto dos restantes instrumentos de poder.

Quanto às principais ameaças para o continente, o comandante identificou o terrorismo 'jihadista' como preocupação central, alertando que a Al-Qaida e o Estado Islâmico transferiram liderança e operações para África, que se tornou "o epicentro do terrorismo global".

Anderson destacou a este propósito a colaboração recente com a Nigéria, que resultou na eliminação de Al-Minuki, que descreveu como o segundo terrorista mais procurado do Estado Islâmico a nível mundial.

Sobre uma eventual relocalização do quartel-general do AFRICOM, atualmente sediado na Alemanha, para o continente africano, Anderson disse não antever mudanças a curto prazo, invocando os custos de uma tal transferência e o atual contexto orçamental norte-americano, mas remeteu qualquer decisão para os responsáveis políticos.