domingo, 1 de fevereiro de 2026

Trump espera "um acordo" com Irão. "Se não houver acordo, veremos"... O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que espera um acordo com o Irão, após o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ter alertado para o risco de uma "guerra regional" se a República Islâmica for atacada.

Por LUSA 

"Espero que cheguemos a um acordo", disse Trump aos jornalistas na Florida, acrescentando, em resposta às declarações de Khamenei: "Se não houver acordo, veremos se ele tinha ou não razão".

O líder supremo iraniano avisou hoje que qualquer ataque norte-americano contra o seu país desencadeará "uma guerra regional" no Médio Oriente.

"Não somos os instigadores e não procuramos atacar nenhum país. Mas a nação iraniana desferirá um golpe firme a qualquer um que a ataque ou assedie", prosseguiu.

Khamenei também endureceu a sua posição sobre os protestos que agitaram o Irão ao longo de janeiro, comparando-os a um "golpe de Estado" que tinha de ser reprimido.

O Presidente norte-americano tem dirigido nas últimas semanas repetidas ameaças de ataque militar no Irão, que começaram por ser justificadas como uma resposta à repressão das autoridades de Teerão dos protestos antigovernamentais ao longo de janeiro.

Posteriormente, Trump exigiu também um acordo sobre a política nuclear de Teerão, reforçando as suas ameaças com o destacamento de uma frota naval dos Estados Unidos para o Médio Oriente, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln.

"Temos lá os maiores e mais poderosos navios do mundo", advertiu o líder da Casa Branca, depois de ter indicado na sexta-feira que Teerão pretendia chegar a um acordo e que tinha sido estabelecido um prazo não divulgado.

As palavras de Ali Khamenei foram hoje reforçadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, que, em entrevista à cadeia televisiva norte-americana CNN, considerou que uma guerra com os Estados Unidos não "é inevitável", embora adicionando que seria "uma catástrofe para todos" se fosse iniciada.

"Não considero uma ameaça existencial, mas será certamente uma grande ameaça para todos. Se uma guerra começar, será uma catástrofe para todos", declarou Abbas Araqchi.

O chefe da diplomacia de Teerão referiu que, dada a dispersão das bases americanas no Médio Oriente, "grandes partes da região seriam envolvidas, e isso seria extremamente perigoso".

Araqchi pediu racionalidade para evitar a guerra, apesar de reafirmar que as Forças Armadas "estão preparadas para qualquer cenário", mais ainda do que no anterior conflito, em junho passado, quando a aviação norte-americana bombardeou instalações nucleares iranianas, no final da guerra de 12 dias entre Israel e a República Islâmica.

O ministro referiu que a troca de mensagens com Washington, através de intermediários, tem sido "frutífera", mas ressalvou que Teerão precisa reconstruir a confiança após a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 e os bombardeamentos de junho.

"Estamos a trabalhar com os nossos amigos da região para encontrar uma forma de criar este nível de confiança e retomar as negociações", observou.

Abbas Araqchi reiterou, no entanto, que o Irão deve ver reconhecido o seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e que as sanções internacionais devem ser retiradas.

A entrevista à CNN surge após o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Larijani, ter comentado na rede X que estão a ser feitos progressos no estabelecimento de uma estrutura para as negociações com os Estados Unidos.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou, numa audição na quarta-feira na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a economia "em colapso", e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.

Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos, iniciados em 28 de dezembro contra a elevada inflação e desvalorização da moeda nacional.

Os números oficiais são contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.


Leia Também: Líder supremo do Irão compara recentes protestos a um "golpe de Estado"

O líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, considerou hoje que os protestos antigovernamentais em janeiro, que causaram vários milhares de mortos, assemelham-se a um "golpe de Estado".



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Liam Conejo Ramos, o menino de cinco anos detido pelo Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), e o pai, Adrian Conejo Arias, já regressaram a casa, no estado norte-americano do Minnesota, após um juiz ter ordenado as suas libertações no sábado.

CNT aprova revisão da Lei-Quadro dos Partidos Políticos e prevê extinção de formações sem representação parlamentar... O Conselho Nacional de Transição (CNT) aprovou, esta sexta-feira (30), por unanimidade, a revisão da Lei-Quadro dos Partidos Políticos, que passa a prever a extinção dos partidos que não consigam eleger deputados.


Vídeo: Cortesia TGB / TV VOZ DO POVO

FAMÍLIA DE DOMINGOS SIMÕES PEREIRA DIZ QUE LÍDER POLÍTICO CONTINUA PRIVADO DE LIBERDADE, MESMO EM CASA, E PEDE INTERVENÇÃO DA CEDEAO

Por RSM

Bissau, 31 de janeiro de 2026 – A família de Domingos Simões Pereira afirmou que o político continua privado de liberdade, apesar de se encontrar na sua residência, denunciando que vive sob confinamento forçado desde o seu sequestro, ocorrido a 26 de novembro de 2025.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, a família lembrou a resolução da CEDEAO de 14 de dezembro de 2025, que exige a proteção dos líderes políticos e das instituições nacionais da Guiné-Bissau, bem como a libertação imediata e incondicional dos detidos arbitrariamente. Segundo o documento, a resolução ainda não foi cumprida.

A nota refere que Domingos Simões Pereira está há 66 dias sem liberdade, sem acusação formal, sem acesso à justiça e sem garantias processuais. A família esclarece que a permanência na residência não equivale à liberdade, uma vez que há presença permanente de forças armadas e restrições à circulação dos familiares.

Os familiares rejeitam ainda a utilização dos termos “libertação”, “detenção” ou “prisão domiciliária”, alegando que não houve qualquer procedimento judicial que justificasse tais medidas, sublinhando que a prisão domiciliária só pode ser aplicada mediante decisão judicial.

No comunicado, Domingos Simões Pereira, Presidente do PAIGC, Deputado da Nação e Presidente da Assembleia Nacional Popular, é descrito como tendo sido capturado por forças militares, mantido sem acesso a advogado ou familiares, em violação de instrumentos internacionais de direitos humanos, nomeadamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.

A família manifestou preocupação pelo facto de os mesmos agentes envolvidos no sequestro serem agora apresentados como responsáveis pela sua proteção, levantando dúvidas quanto à segurança física e psicológica do líder político.

Por fim, a família apelou à CEDEAO e à Comun

Trump ordena retirada de agentes federais dos protestos em Minneapolis... O presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou hoje a retirada dos agentes federais de manifestações em Minneapolis, no Minnesota, e outras cidades governadas pelos democratas, mas prometeu que estes continuarão a defender as instalações do Governo federal.

Por  LUSA 

A ordem de Trump surge após a indignação nacional com a morte de dois manifestantes abatidos a tiro por agentes federais durante protestos contra operações para captura de migrantes ilegais em Minneapolis.

"Dei instruções à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, de que em nenhuma circunstância participaremos nos protestos ou tumultos em diversas cidades governadas por democratas, a menos que solicitem a nossa assistência", anunciou Donald Trump na sua rede social, Truth Social.

O chefe de Estado deixa, assim, a responsabilidade de garantir a segurança durante os protestos e responder a possíveis distúrbios nas mãos dos governos estaduais e das autoridades locais.

Acrescentou, porém, que os agentes federais "protegerão firmemente todos os edifícios federais que estejam a ser atacados por estes lunáticos, agitadores e insurgentes pagos".

"Não será permitido cuspir na cara dos nossos agentes, nem esmurrar ou pontapear os faróis dos nossos veículos, nem atirar pedras ou tijolos aos nossos veículos ou aos nossos Guerreiros Patriotas. Aqueles que o fizerem sofrerão consequências iguais ou maiores", advertiu.

O Governo Trump lançou em dezembro passado a chamada operação "Metro Surge", uma série de rusgas para deter migrantes indocumentados no Minnesota, um Estado governado pelos democratas.

As agressivas rusgas foram condenadas pelas autoridades locais e por milhares de manifestantes, que protestaram nas últimas semanas para exigir a saída daquele Estado dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE).

Durante os protestos, agentes da imigração mataram a tiro dois manifestantes, Renée Good e Alex Pretti, ambos de 37 anos e nacionalidade norte-americana, o que causou indignação em todo o país.

Perante a crescente tensão, Trump substituiu esta semana o comandante das operações, enviando para a zona o seu "czar da fronteira", Tom Homan, com vista a um "apaziguamento", apesar de ter assegurado que as rusgas prosseguirão.


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Um juiz norte-americano ordenou hoje que as autoridades libertem um menino de cinco anos e o pai de um centro de detenção no Texas, para onde foram levados após detidos num subúrbio de Minneapolis.