terça-feira, 7 de julho de 2026

PROMOTORIA MILITAR PEDE PRISÃO PREVENTIVA DE DOMINGOS SIMÕES PEREIRA POR ALEGADA CUMPLICIDADE EM TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO

Por  Rádio Sol Mansi   07.06.2026 

A Promotoria do Tribunal Militar Superior requereu ao Juiz de Instrução Criminal a aplicação da medida de prisão preventiva ao presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, por alegada participação, na qualidade de cúmplice, na preparação da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 25 de outubro de 2025.

Segundo o requerimento consultado pela Rádio Sol Mansi, os investigadores consideram existirem "fortes indícios" de que o suspeito participou de forma consciente na preparação e no apoio logístico da operação, alegações que ainda serão apreciadas pelo tribunal.

A Promotoria sustenta que um testemunho e um co-suspeito afirmaram que Domingos Simões Pereira terá disponibilizado cerca de 300 milhões de francos CFA para financiar a logística da alegada operação.

O documento refere ainda que várias reuniões relacionadas com o alegado plano terão ocorrido na residência do suspeito, com o seu conhecimento e consentimento.

De acordo com os autos, o testemunho Júlio Mam Bali terá sido colocado em contacto com Domingos Simões Pereira através de uma videochamada realizada por Alexandre Patrão Indin, igualmente investigado no processo.

A Promotoria enquadra os factos como alegada cumplicidade na tentativa de golpe de Estado, indicando os crimes de Alteração do Estado de Direito e Atentado Contra o Chefe de Estado, previstos no Código Penal e no Código de Justiça Militar.

No requerimento, o Ministério Público defende que a prisão preventiva é necessária devido aos

Alegado perigo de fuga, face à gravidade dos crimes investigados, possível influência sobre testemunhas, co-suspeitos e outros intervenientes no processo, risco de destruição, ocultação ou manipulação de provas, alegado perigo de continuação da atividade criminosa ou de atos que possam comprometer a ordem constitucional e a segurança pública.

Segundo a Promotoria, medidas de coação menos gravosas seriam insuficientes para assegurar o normal decurso do inquérito.

O pedido baseia-se em elementos constantes do processo, incluindo denúncia inicial, declarações de testemunhas, declarações de co-suspeitos, declarações prestadas por Domingos Simões Pereira e autos de acareação.

Compete agora ao Juiz de Instrução Criminal analisar o requerimento e decidir se estão reunidos os pressupostos legais para decretar ou não a prisão preventiva. Até eventual decisão judicial definitiva, as alegações constantes do requerimento representam a posição da Promotoria e não constituem prova de culpa.

Estados Unidos lançam vaga de "ataques poderosos" contra o Irão... Os Estados Unidos lançaram vários ataques contra o Irão. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) trata-se de retaliação a uma série de ataques contra navios comerciais perto do Estreito de Ormuz.

© AFP via Getty Images   Por  Notícias ao Minuto   07/07/2026 

Os Estados Unidos lançaram, esta terça-feira, "uma série de ataques poderosos" contra o Irão. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM) avança trata-se de retaliação a ataques contra navios comerciais perto do Estreito de Ormuz.

"As forças do Comando Central dos EUA iniciaram uma série de ataques poderosos contra o Irão para impor consequências pesadas a quem visa navios mercantes tripulados por civis inocentes numa via navegável internacional", começa por escrever o Centcom numa publicação na rede social X.

E continua: "Os ataques norte-americanos são uma resposta aos ataques iranianos contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. A agressão demonstrada pelo Irão foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo".

A imprensa estrangeira já dá conta de que foram ouvidas várias explosões em Sirik, uma cidade portuária perto do Estreito de Ormuz, e estrondos na ilha de Qeshm e em Bandar Abbas. Foram ainda reportados projéteis que caíram em Taheroui. 

Irão acusa EUA de violar memorando de entendimento

Os Estados Unidos restabeleceram as sanções ao petróleo iraniano e o Irão avisou que as negociações para um acordo final com os Estados Unidos não começarão enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar a República Islâmica.

Segundo o MNE iraniano a suspensão da isenção das sanções é uma "clara violação" do memorando assinado em junho. Essa declaração, referem em comunicado, citado pela Al Jazeera, demonstra "má-fé" e comprova que não se pode confiar na administração norte-americana.

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, ao mesmo tempo que alerta para as consequências da violação do acordo, tomará todas as medidas que considere necessárias para proteger os seus interesses nacionais", lê-se no documento.

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito. Desde então o Irão e os Estados Unidos realizaram duas rondas de negociações de alto nível.

Em 2024, circulavam diariamente pelo estreito cerca de 20 milhões de barris de crude, o equivalente a quase 20% do consumo mundial de petróleo líquido, segundo a Agência de Energia norte-americana. 


Leia Também: Irão ameaça retaliar "de forma decisiva" por ataques dos EUA

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão ameaçou hoje retaliar "de forma decisiva", após os Estados Unidos atacarem o país em resposta a ataques da República Islâmica a navios no estreito de Ormuz.

RGPH4 conclui recolha de dados e marca o primeiro recenseamento digital da Guiné-Bissau

Por Radio Voz Do Povo 

O Instituto Nacional de Estatística, INE, concluiu a etapa de recolha de dados do IV Recenseamento Geral da População e Habitação, RGPH4. É a maior operação estatística realizada no país desde 2009 e o primeiro censo integralmente digital da Guiné-Bissau.

A operação mobilizou milhares de agentes em todo o território nacional. Entre eles, Recenseadores, Controladores, Supervisores, Assistentes TIC, Coordenadores Regionais e equipas técnicas do Departamento Central de Recenseamento. O trabalho foi precedido de atualização cartográfica, recrutamento, formação e distribuição de equipamentos.

Pela primeira vez, a recolha foi feita com recurso a tablets, georreferenciação de edifícios e sistemas de monitorização em tempo real. Segundo o INE, esta mudança representa “um legado importante para o fortalecimento do Sistema Estatístico Nacional”.

Durante a recolha, o INE enfrentou dificuldades de acesso a algumas localidades, mobilidade da população, ausência de moradores e necessidade de revisitas. Para garantir a qualidade, foi criado um sistema de controlo diário na Sala de Situação, com produção de listagens de revisão e retorno das equipas ao terreno.

O processo de revisão permitiu corrigir inconsistências e reforçar a cobertura, assegurando que o maior número possível de pessoas e alojamentos fosse incluído.

O INE informa que os resultados preliminares do RGPH4 serão divulgados no dia 23 de julho. Serão apresentados os primeiros totais da população recenseada e indicadores básicos por região e setor.

O trabalho não termina aqui. Segue-se agora a fase de processamento detalhado: crítica, validação, análise de consistência, tratamento de duplicidades e codificação de respostas.

O programa de divulgação prevê ainda a publicação de tabelas oficiais, relatórios temáticos, monografias regionais, atlas geodemográfico, portal de dados e base nacional de alojamentos georreferenciados. A disseminação será feita de forma progressiva até ao final de 2027.

O INE agradeceu à população guineense pela colaboração, bem como a autoridades locais, líderes comunitários, parceiros técnicos e financeiros, órgãos de comunicação social e todas as instituições envolvidas.

“RGPH4 – Djuntus, pa disenvulvimentu di Guiné-Bissau”, refere o comunicado do Instituto.

Polónia confirma envio de mísseis Patriot para a Ucrânia: disputa política continua

Direitos de autor Bernd Wuestneck/dpa za pośrednictwem AP, Władysław Kosniniak-Kamysz/Facebook, Paweł Głogowski      Por  pt.euronews.com 07/07/2026

O Ministério da Defesa confirmou que a Polónia entregou à Ucrânia mísseis Patriot, decisão que encerrou as especulações sobre a ajuda, mas gerou tensão entre o governo e a Presidência.

Segundo o Ministério da Defesa Nacional (MON), a decisão de enviar os mísseis foi tomada após consultas com os aliados e na sequência de um pedido das estruturas da NATO responsáveis pelo planeamento das operações de defesa.

O ministério sublinha que o número de projéteis enviados representou apenas uma pequena parte das reservas polacas e não afetou a capacidade das Forças Armadas polacas de proteger o espaço aéreo nacional. O MON assinala também que a Polónia continua a ser um dos países com acesso prioritário a novas entregas de mísseis PAC-3 no âmbito da cooperação com os aliados.

Polónia: Ministério da Defesa garante que segurança não foi enfraquecida

De acordo com os dados divulgados, o valor da ajuda militar polaca à Ucrânia ultrapassou os 16 mil milhões de zlotys. A maior parte do apoio foi enviada para Kiev em 2022–2023 e incluiu, entre outros, carros de combate, veículos de combate de infantaria, sistemas de artilharia, aviões, helicópteros e diversos tipos de munições. A lista inclui também mísseis para o sistema Patriot, cujo envio não tinha sido previamente confirmado oficialmente.

Sobre a dimensão deste apoio falou na TVN24 o vice-ministro da Defesa Nacional, Cezary Tomczyk. Salientou que a Polónia não entregou à Ucrânia todo o sistema Patriot, mas apenas um número reduzido de mísseis destinados a esse sistema. Segundo explicou, a decisão foi precedida por uma análise militar e por consultas com os aliados.

«Falamos de um número residual. Não posso falar em valores, posso dizer que a Polónia está protegida», afirmou Tomczyk. Acrescentou que a Polónia entregou à Ucrânia «alguns mísseis» e que toda a operação foi acordada com o secretário-geral da NATO e com a parte norte-americana.

O vice-chefe do MON garantiu, ainda, que a ajuda enviada não enfraqueceu as capacidades de defesa do país. Sublinhou que a Polónia dispõe das salvaguardas necessárias e pode contar com o apoio dos aliados em caso de ameaça.

Militares norte-americanos do 5.º Batalhão do 7.º Regimento de Defesa Aérea são vistos no campo de treino de Sochaczew, na Polónia, sábado, 21 de março de 2015, durante exercícios conjuntos Fot. AP/Czarek Sokołowski

Os peritos têm, porém, uma opinião diferente, lembrando que cada envio de mísseis implica a redução das reservas e, por isso, não é totalmente neutro para as capacidades de defesa do Estado.

«O que é decisivo é a dimensão da doação e a situação das reservas, e esses dados não são conhecidos. Se forem mantidos os níveis de reserva operacional exigidos, o envio dos mísseis não enfraquecerá necessariamente de forma significativa as capacidades polacas. É preciso recordar também que um míssil russo destruído sobre a Ucrânia não será usado contra a Polónia nem contra outro país da NATO», afirmou em declarações à Euronews Jędrzej Graf, do Defence24.

Polónia: presidente responde ao governo e disputa vai além dos próprios mísseis

A confirmação do envio dos mísseis levou rapidamente o debate para o plano político. Representantes da Chancelaria do Presidente já tinham alegado que não foram devidamente informados da decisão nem dos respetivos pormenores. O governo rejeita firmemente essas acusações, sustentando que a questão foi discutida em reuniões dedicadas à segurança do Estado, às quais também participaram representantes do presidente.

O presidente Karol Nawrocki também comentou o caso. Em resposta às declarações do ministro da Defesa, sublinhou que a responsabilidade pela decisão de enviar os mísseis recai sobre o governo. Ao mesmo tempo, manifestou disponibilidade para colaborar na preparação de soluções legais que regulem futuras doações de material militar.

Como resultado, a disputa já não se limita ao envio dos mísseis para a Ucrânia. Abrange igualmente a forma como são tomadas as decisões e as regras de cooperação entre as principais instituições responsáveis pela segurança do Estado.

«As decisões sobre o envio de armamento são sobretudo competência do governo e do MON e devem basear-se em análises militares. Não é necessária a concordância formal do presidente para cada doação. No caso de sistemas com importância estratégica, o fluxo de informação entre o governo, o MON, o presidente e o BBN deveria, no entanto, ser prática corrente. O conflito atual revela, acima de tudo, um problema de comunicação entre os principais centros de poder do Estado», sublinha Jędrzej Graf.

O especialista chama a atenção para o facto do sistema Patriot continuar a ser um dos elementos centrais da defesa antiaérea e antimísseis contemporânea. Os mísseis PAC-3 estão entre os meios mais avançados destinados a combater mísseis balísticos e outros alvos aéreos.

«São atualmente alguns dos mísseis mais valiosos que a Ucrânia pode receber. Os PAC-3 MSE destinam-se a enfrentar as ameaças balísticas mais avançadas, incluindo os Iskander russos. Protegem cidades, infraestruturas críticas e instalações militares-chave. Com reservas limitadas de efetores, cada lote adicional tem um impacto operacional real e imediato», destaca.

Polónia reforça arsenal de Patriot: assinado contrato para novos mísseis

Em paralelo com o debate sobre o envio de parte dos mísseis para a Ucrânia, a Polónia está a desenvolver as suas próprias capacidades de defesa aérea. Na terça-feira, o ministro da Defesa anunciou a assinatura de um acordo relativo ao sistema Patriot, que inclui a compra de novos mísseis. Estes deverão aumentar as reservas de munições destinadas às baterias polacas de defesa antiaérea.

A expansão do sistema Patriot é um dos pilares do programa «Wisła», que visa criar um sistema de defesa aérea em múltiplas camadas na Polónia. O Ministério da Defesa Nacional sublinha que o aumento do número de mísseis disponíveis é essencial para manter a prontidão operacional e garantir a segurança do país.

As novas aquisições inserem-se também no contexto mais amplo do apoio prestado à Ucrânia. Ao enviar parte das suas próprias reservas, a Polónia, em simultâneo, repõe os stocks e investe num reforço adicional do sistema nacional de defesa aérea, para manter as capacidades de defesa exigidas.


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O primeiro-ministro canadiano anunciou hoje uma nova ajuda militar à Ucrânia no valor de 570 milhões de euros durante uma reunião com o Presidente ucraniano, à margem da cimeira da NATO em Ancara.

Cientistas descobrem nova forma de combater bactérias resistentes a antibióticos

Direitos de autor Janice Haney Carr, Jeff Hageman, M.H.S, USCDCP vía Pixnio   Por  pt.euronews.com  07/07/2026 

Estudo com participação da Universidade Pompeu Fabra identifica mecanismo que remove proteção das bactérias em laboratório e pode abrir novas vias contra a resistência aos antibióticos

Uma equipa internacional de investigadores identificou um mecanismo até agora desconhecido que permite às bactérias libertarem-se dos biofilmes, ou seja, das estruturas que lhes servem de refúgio contra os antibióticos e o sistema imunitário. A descoberta, feita numa bactéria modelo, permitiu ainda provocar a desintegração destas comunidades em laboratório sem utilizar fármacos, um avanço que poderá inspirar futuras estratégias para combater infeções persistentes.

O estudo, publicado na revista 'Nature Microbiology (fonte em espanhol)', é liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego e conta com a participação de investigadores da Universitat Pompeu Fabra (UPF). O trabalho descreve como determinadas bactérias produzem um hidrogel que, ao absorver água, acumula pressão suficiente para expulsar células a partir do interior do biofilme.

Os biofilmes são agrupamentos de bactérias que vivem agregadas e protegidas por uma espécie de camada pegajosa que elas próprias produzem. Essa barreira dificulta a ação dos antibióticos e do sistema imunitário e está na origem de muitas infeções persistentes associadas a próteses, cateteres ou feridas que não chegam a cicatrizar.

Os investigadores descobriram que, quando chega o momento de dispersarem, as bactérias produzem uma substância gelatinosa que absorve água e gera força suficiente para empurrar algumas células para fora do biofilme. Desta forma, esses microrganismos conseguem deslocar-se e colonizar outros locais.

Além disso, a equipa conseguiu manipular esse mecanismo. Ao potenciá-lo, fez com que os biofilmes se quebrassem sem necessidade de recorrer a antibióticos, embora os autores alertem que, para já, o trabalho foi realizado apenas em laboratório e ainda está longe de se traduzir num tratamento para doentes.

Alemanha defende que Líbano deve eliminar ameaça do Hezbollah... O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, apelou hoje, em Jerusalém, às autoridades libanesas para que ponham termo ao "controlo" exercido pelo movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, no sul do Líbano.

© Osmancan Gurdogan/Anadolu via Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"É fundamental que o Líbano demonstre agora determinação, afirme a sua autoridade e garanta que o Hezbollah deixe de exercer um controlo efetivo sobre o sul do país", declarou Wadephul numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo israelita, Gideon Saar, no âmbito de uma visita a Jerusalém.

"Nenhuma ameaça, seja qual for, deve partir do território libanês contra Israel", acrescentou.

O Hezbollah envolveu o Líbano no mais recente conflito no Médio Oriente a 02 de março, ao disparar foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, em ataques norte-americanos e israelitas, que tiveram início a 28 de fevereiro.

Desde então, Israel tem conduzido uma vasta campanha de bombardeamentos e operações militares no sul do Líbano, que provocaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas, mantendo igualmente a ocupação de uma parte significativa daquela região. Do lado israelita, morreram 38 militares e um contratado civil.

A situação estabilizou parcialmente após a entrada em vigor, a 21 de junho, de um frágil cessar-fogo, antes da assinatura, cinco dias depois, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma "paz duradoura".

O acordo condiciona a retirada israelita ao desarmamento do Hezbollah, exigência que o movimento xiita rejeita.

Wadephul, que apoia a ofensiva terrestre israelita no Líbano, classificou como um "passo histórico" as negociações em curso entre Israel e o Líbano, sob mediação dos Estados Unidos, que deverão ser retomadas em Roma na próxima semana.

O chefe da diplomacia alemã abordou também a situação na Cisjordânia ocupada, criticando a expansão dos colonatos israelitas, que, na sua opinião, compromete "as perspetivas de paz".

 Wadephul apelou ainda a Israel para desbloquear as receitas fiscais e aduaneiras destinadas à Autoridade Palestiniana, com sede em Ramallah, de forma a evitar o seu colapso.

"A Autoridade Palestiniana necessita urgentemente de reformas, mas enfraquecê-la não contribui para a segurança de Israel", afirmou, alertando para o risco de se criar "um vazio que poderá ser ocupado por forças mais radicais".

"Os palestinianos precisam de uma perspetiva de futuro político e económico", sublinhou.

Durante o encontro de hoje entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, o nono realizado no último ano, a Alemanha comprometeu-se a apoiar o memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, com cinco milhões de euros por ano até 2030.

Devido à sua responsabilidade histórica pelo Holocausto, a Alemanha tornou-se, nas últimas décadas, um dos principais aliados de Israel.

Terceiro navio atingido no estreito de Ormuz em 24 horas... Um terceiro navio foi atingido no estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, disse hoje a agência de segurança marítima britânica UKMTO, depois de um ataque contra um petroleiro ter sido atribuído pelo Qatar ao Irão.

© Amirhossein KHORGOOEI / ISNA / AFP via Getty Images     Por  LUSA   07/07/2026 

"A UKMTO recebeu um relato de um novo incidente envolvendo um navio-cisterna em trânsito no estreito de Ormuz. O navio foi atingido por um drone de origem desconhecida e sofreu danos estruturais ligeiros. Não há registo de feridos nem de qualquer derrame de poluentes", indicou a agência nas redes sociais.

Momentos antes, a UKMTO tinha indicado que um segundo navio foi atingido por um projétil não identificado igualmente no estreito de Ormuz.

"O navio-petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e terá sofrido danos estruturais. Não foram registados feridos nem qualquer impacto ambiental", indicou a UKMTO em comunicado.

Pouco antes, o Qatar acusou o Irão de ter visado um dos seus petroleiros quando este navegava ao largo da costa de Omã.

Na segunda-feira à noite, a UKMTO avançou que um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado ao largo de Omã, na região do estreito de Ormuz.

O ataque, que não causou feridos nem danos ambientais, ocorreu a oito milhas náuticas (15 quilómetros) a leste de Limah, no Sultanato de Omã.

Os navios mercantes têm sido fortemente afetados pelo conflito no Médio Oriente desde 01 de março, quando o Irão fechou esta passagem vital em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, tendo os EUA, por seu lado, imposto um bloqueio aos portos iranianos.

O tráfego marítimo foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito.

Mas o Irão reiterou, apesar da oposição dos EUA, que não haverá regresso à situação pré-guerra, quando a passagem pelo estreito era gratuita, e ameaçou os navios que tentarem contornar a única rota que autorizou, ao longo das suas costas.

No final de junho, ao acusar Teerão de ter atacado dois navios, os Estados Unidos bombardearam o país em retaliação, e o Irão, por sua vez, atacou o Kuwait e o Bahrein.

Teerão e Washington chegaram depois a novo acordo sobre uma trégua nas hostilidades.

O estreito de Ormuz constitui a principal rota marítima que liga os países petrolíferos do Médio Oriente ao resto do mundo, em particular aos mercados asiáticos.

Em 2024, circulavam diariamente pelo estreito cerca de 20 milhões de barris de crude, o equivalente a quase 20% do consumo mundial de petróleo líquido, segundo a Agência de Energia norte-americana.


Leia Também: Qatar condena ataque contra navio e atribui responsabilidade ao Irão

O Qatar condenou hoje um ataque a um dos seus navios de transporte de gás natural liquefeito (GNL), quando navegava ao largo da costa de Omã, responsabilizando o Irão pelo incidente.

Trump considera venda de F-35 à Turquia (mesmo após pedido de Israel)... O Presidente norte-americano disse hoje que está a ponderar vender caças F-35 à Turquia, um dia depois do primeiro-ministro israelita ter pedido aos Estados Unidos para não venderem estas aeronaves a Ancara.

© Emrah Gurel - Pool/Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"Temos uma relação muito boa. Porque não havíamos de fazer isso? Temos uma relação melhor com a Turquia, e a Turquia tem sido, em muitos aspetos, muito mais leal do que outros países de quem esperávamos lealdade", afirmou Donald Trump aos jornalistas depois de chegar à capital turca para a cimeira da NATO. 

"Por isso, é algo que estamos, sem dúvida, a considerar. É um excelente avião, é o melhor, atualmente o melhor avião e é certamente algo que voltaremos a considerar", acrescentou Trump depois de ser questionado sobre a possível venda desses caças à Turquia, algo que Washington tinha descartado após Ancara ter recebido sistemas antiaéreos da Rússia em 2019.

Já o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia recebeu "um compromisso" relativamente aos F-35 e Trump deu a sua palavra.

"Durante as nossas conversas nesta cimeira, iremos valorizar positivamente o compromisso que recebemos da sua parte relativamente aos F-35 no que diz respeito ao futuro. Trump sempre cumpriu a sua palavra nesta matéria. Creio que também será tomada uma decisão favorável sobre a questão dos F-35", afirmou Erdogan.

Trump, por outro lado, destacou a boa relação que mantém com o líder turco, no poder há quase 25 anos e acusado pela oposição do país de governar de forma cada vez mais autoritária.

"Nunca se sabe por que razão uma relação é especial, por vezes, damo-nos bem com as pessoas mais fortes, como ele [Erdogan], e outras vezes não se dá bem com as pessoas mais fracas e patéticas. Mas desde o momento em que nos conhecemos que nos damos bem", afirmou o líder republicano.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu aos EUA para não venderem caças F-35 e os motores destas aeronaves à Turquia, por considerar que tal podia desencadear uma "alteração no equilíbrio de poder" na região.

Netanyahu referiu-se então à Turquia como um "grande país", mas lamentou que seja liderada por Erdogan, que "ameaça abertamente Israel" e "ocupa metade de Chipre".

A diplomacia turca criticou já o pedido do primeiro-ministro israelita, feito algumas horas antes do início da cimeira da NATO. São "acusações sem qualquer fundamento" que circularam "de forma coordenada", promovidas por Telavive no âmbito de "uma campanha que visa desinformar", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, em comunicado.

"Netanyahu e os seus cúmplices procuram distorcer deliberadamente qualquer crítica contra si e desviar a atenção através de propaganda sistemática", salientou o ministério turco, antes de sublinhar que estes esforços "já não convencem a comunidade internacional nem conseguem ocultar o genocídio perpetrado pelo Governo de Netanyahu em Gaza, as políticas de ocupação e anexação e as ações de desestabilização na região".

"O objetivo da Turquia é que todos os países e povos da região vivam em paz, estabilidade e prosperidade. Com este entendimento, voltamos a exortar Israel a adotar uma política construtiva e pacífica. A Turquia continuará a dizer a verdade", referiu ainda na mesma nota.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, reiterou que Israel se opõe à venda dos caças.

"É fundamental que Israel, na região em que vivemos, mantenha a sua vantagem militar qualitativa. Sempre foi política dos Estados Unidos apoiar essa vantagem. E estou certo de que esta é também a política do Presidente Trump e da sua administração, que é uma administração muito amiga. Por isso, espero que isso não venha a acontecer", afirmou Saar numa conferência de imprensa em Jerusalém com o homólogo alemão, Johann Wadephul, citado pelo jornal Times of Israel.

Os EUA retiraram a Turquia do programa de desenvolvimento e aquisição dos caças F-35 em 2019, na sequência da compra, por Ancara, do sistema russo de defesa antiaérea S-400, cuja aquisição tinha sido anunciada em 2017.

No entanto, Erdogan poderá tentar capitalizar as boas relações que mantém com o homólogo norte-americano para garantir a entrega de seis caças F-35 já pagos por Ancara, de acordo com a agência de notícias France-Presse.


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O presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que provavelmente não estaria a participar na cimeira da NATO se o encontro fosse realizado na Europa, reiterando as críticas aos aliados europeus no âmbito da guerra no Irão.