terça-feira, 7 de julho de 2026

Cientistas descobrem nova forma de combater bactérias resistentes a antibióticos

Direitos de autor Janice Haney Carr, Jeff Hageman, M.H.S, USCDCP vía Pixnio   Por  pt.euronews.com  07/07/2026 

Estudo com participação da Universidade Pompeu Fabra identifica mecanismo que remove proteção das bactérias em laboratório e pode abrir novas vias contra a resistência aos antibióticos

Uma equipa internacional de investigadores identificou um mecanismo até agora desconhecido que permite às bactérias libertarem-se dos biofilmes, ou seja, das estruturas que lhes servem de refúgio contra os antibióticos e o sistema imunitário. A descoberta, feita numa bactéria modelo, permitiu ainda provocar a desintegração destas comunidades em laboratório sem utilizar fármacos, um avanço que poderá inspirar futuras estratégias para combater infeções persistentes.

O estudo, publicado na revista 'Nature Microbiology (fonte em espanhol)', é liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego e conta com a participação de investigadores da Universitat Pompeu Fabra (UPF). O trabalho descreve como determinadas bactérias produzem um hidrogel que, ao absorver água, acumula pressão suficiente para expulsar células a partir do interior do biofilme.

Os biofilmes são agrupamentos de bactérias que vivem agregadas e protegidas por uma espécie de camada pegajosa que elas próprias produzem. Essa barreira dificulta a ação dos antibióticos e do sistema imunitário e está na origem de muitas infeções persistentes associadas a próteses, cateteres ou feridas que não chegam a cicatrizar.

Os investigadores descobriram que, quando chega o momento de dispersarem, as bactérias produzem uma substância gelatinosa que absorve água e gera força suficiente para empurrar algumas células para fora do biofilme. Desta forma, esses microrganismos conseguem deslocar-se e colonizar outros locais.

Além disso, a equipa conseguiu manipular esse mecanismo. Ao potenciá-lo, fez com que os biofilmes se quebrassem sem necessidade de recorrer a antibióticos, embora os autores alertem que, para já, o trabalho foi realizado apenas em laboratório e ainda está longe de se traduzir num tratamento para doentes.

Alemanha defende que Líbano deve eliminar ameaça do Hezbollah... O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, apelou hoje, em Jerusalém, às autoridades libanesas para que ponham termo ao "controlo" exercido pelo movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, no sul do Líbano.

© Osmancan Gurdogan/Anadolu via Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"É fundamental que o Líbano demonstre agora determinação, afirme a sua autoridade e garanta que o Hezbollah deixe de exercer um controlo efetivo sobre o sul do país", declarou Wadephul numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo israelita, Gideon Saar, no âmbito de uma visita a Jerusalém.

"Nenhuma ameaça, seja qual for, deve partir do território libanês contra Israel", acrescentou.

O Hezbollah envolveu o Líbano no mais recente conflito no Médio Oriente a 02 de março, ao disparar foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, em ataques norte-americanos e israelitas, que tiveram início a 28 de fevereiro.

Desde então, Israel tem conduzido uma vasta campanha de bombardeamentos e operações militares no sul do Líbano, que provocaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas, mantendo igualmente a ocupação de uma parte significativa daquela região. Do lado israelita, morreram 38 militares e um contratado civil.

A situação estabilizou parcialmente após a entrada em vigor, a 21 de junho, de um frágil cessar-fogo, antes da assinatura, cinco dias depois, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma "paz duradoura".

O acordo condiciona a retirada israelita ao desarmamento do Hezbollah, exigência que o movimento xiita rejeita.

Wadephul, que apoia a ofensiva terrestre israelita no Líbano, classificou como um "passo histórico" as negociações em curso entre Israel e o Líbano, sob mediação dos Estados Unidos, que deverão ser retomadas em Roma na próxima semana.

O chefe da diplomacia alemã abordou também a situação na Cisjordânia ocupada, criticando a expansão dos colonatos israelitas, que, na sua opinião, compromete "as perspetivas de paz".

 Wadephul apelou ainda a Israel para desbloquear as receitas fiscais e aduaneiras destinadas à Autoridade Palestiniana, com sede em Ramallah, de forma a evitar o seu colapso.

"A Autoridade Palestiniana necessita urgentemente de reformas, mas enfraquecê-la não contribui para a segurança de Israel", afirmou, alertando para o risco de se criar "um vazio que poderá ser ocupado por forças mais radicais".

"Os palestinianos precisam de uma perspetiva de futuro político e económico", sublinhou.

Durante o encontro de hoje entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, o nono realizado no último ano, a Alemanha comprometeu-se a apoiar o memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, com cinco milhões de euros por ano até 2030.

Devido à sua responsabilidade histórica pelo Holocausto, a Alemanha tornou-se, nas últimas décadas, um dos principais aliados de Israel.

Terceiro navio atingido no estreito de Ormuz em 24 horas... Um terceiro navio foi atingido no estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, disse hoje a agência de segurança marítima britânica UKMTO, depois de um ataque contra um petroleiro ter sido atribuído pelo Qatar ao Irão.

© Amirhossein KHORGOOEI / ISNA / AFP via Getty Images     Por  LUSA   07/07/2026 

"A UKMTO recebeu um relato de um novo incidente envolvendo um navio-cisterna em trânsito no estreito de Ormuz. O navio foi atingido por um drone de origem desconhecida e sofreu danos estruturais ligeiros. Não há registo de feridos nem de qualquer derrame de poluentes", indicou a agência nas redes sociais.

Momentos antes, a UKMTO tinha indicado que um segundo navio foi atingido por um projétil não identificado igualmente no estreito de Ormuz.

"O navio-petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e terá sofrido danos estruturais. Não foram registados feridos nem qualquer impacto ambiental", indicou a UKMTO em comunicado.

Pouco antes, o Qatar acusou o Irão de ter visado um dos seus petroleiros quando este navegava ao largo da costa de Omã.

Na segunda-feira à noite, a UKMTO avançou que um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado ao largo de Omã, na região do estreito de Ormuz.

O ataque, que não causou feridos nem danos ambientais, ocorreu a oito milhas náuticas (15 quilómetros) a leste de Limah, no Sultanato de Omã.

Os navios mercantes têm sido fortemente afetados pelo conflito no Médio Oriente desde 01 de março, quando o Irão fechou esta passagem vital em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, tendo os EUA, por seu lado, imposto um bloqueio aos portos iranianos.

O tráfego marítimo foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito.

Mas o Irão reiterou, apesar da oposição dos EUA, que não haverá regresso à situação pré-guerra, quando a passagem pelo estreito era gratuita, e ameaçou os navios que tentarem contornar a única rota que autorizou, ao longo das suas costas.

No final de junho, ao acusar Teerão de ter atacado dois navios, os Estados Unidos bombardearam o país em retaliação, e o Irão, por sua vez, atacou o Kuwait e o Bahrein.

Teerão e Washington chegaram depois a novo acordo sobre uma trégua nas hostilidades.

O estreito de Ormuz constitui a principal rota marítima que liga os países petrolíferos do Médio Oriente ao resto do mundo, em particular aos mercados asiáticos.

Em 2024, circulavam diariamente pelo estreito cerca de 20 milhões de barris de crude, o equivalente a quase 20% do consumo mundial de petróleo líquido, segundo a Agência de Energia norte-americana.


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O Qatar condenou hoje um ataque a um dos seus navios de transporte de gás natural liquefeito (GNL), quando navegava ao largo da costa de Omã, responsabilizando o Irão pelo incidente.

Trump considera venda de F-35 à Turquia (mesmo após pedido de Israel)... O Presidente norte-americano disse hoje que está a ponderar vender caças F-35 à Turquia, um dia depois do primeiro-ministro israelita ter pedido aos Estados Unidos para não venderem estas aeronaves a Ancara.

© Emrah Gurel - Pool/Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"Temos uma relação muito boa. Porque não havíamos de fazer isso? Temos uma relação melhor com a Turquia, e a Turquia tem sido, em muitos aspetos, muito mais leal do que outros países de quem esperávamos lealdade", afirmou Donald Trump aos jornalistas depois de chegar à capital turca para a cimeira da NATO. 

"Por isso, é algo que estamos, sem dúvida, a considerar. É um excelente avião, é o melhor, atualmente o melhor avião e é certamente algo que voltaremos a considerar", acrescentou Trump depois de ser questionado sobre a possível venda desses caças à Turquia, algo que Washington tinha descartado após Ancara ter recebido sistemas antiaéreos da Rússia em 2019.

Já o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia recebeu "um compromisso" relativamente aos F-35 e Trump deu a sua palavra.

"Durante as nossas conversas nesta cimeira, iremos valorizar positivamente o compromisso que recebemos da sua parte relativamente aos F-35 no que diz respeito ao futuro. Trump sempre cumpriu a sua palavra nesta matéria. Creio que também será tomada uma decisão favorável sobre a questão dos F-35", afirmou Erdogan.

Trump, por outro lado, destacou a boa relação que mantém com o líder turco, no poder há quase 25 anos e acusado pela oposição do país de governar de forma cada vez mais autoritária.

"Nunca se sabe por que razão uma relação é especial, por vezes, damo-nos bem com as pessoas mais fortes, como ele [Erdogan], e outras vezes não se dá bem com as pessoas mais fracas e patéticas. Mas desde o momento em que nos conhecemos que nos damos bem", afirmou o líder republicano.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu aos EUA para não venderem caças F-35 e os motores destas aeronaves à Turquia, por considerar que tal podia desencadear uma "alteração no equilíbrio de poder" na região.

Netanyahu referiu-se então à Turquia como um "grande país", mas lamentou que seja liderada por Erdogan, que "ameaça abertamente Israel" e "ocupa metade de Chipre".

A diplomacia turca criticou já o pedido do primeiro-ministro israelita, feito algumas horas antes do início da cimeira da NATO. São "acusações sem qualquer fundamento" que circularam "de forma coordenada", promovidas por Telavive no âmbito de "uma campanha que visa desinformar", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, em comunicado.

"Netanyahu e os seus cúmplices procuram distorcer deliberadamente qualquer crítica contra si e desviar a atenção através de propaganda sistemática", salientou o ministério turco, antes de sublinhar que estes esforços "já não convencem a comunidade internacional nem conseguem ocultar o genocídio perpetrado pelo Governo de Netanyahu em Gaza, as políticas de ocupação e anexação e as ações de desestabilização na região".

"O objetivo da Turquia é que todos os países e povos da região vivam em paz, estabilidade e prosperidade. Com este entendimento, voltamos a exortar Israel a adotar uma política construtiva e pacífica. A Turquia continuará a dizer a verdade", referiu ainda na mesma nota.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, reiterou que Israel se opõe à venda dos caças.

"É fundamental que Israel, na região em que vivemos, mantenha a sua vantagem militar qualitativa. Sempre foi política dos Estados Unidos apoiar essa vantagem. E estou certo de que esta é também a política do Presidente Trump e da sua administração, que é uma administração muito amiga. Por isso, espero que isso não venha a acontecer", afirmou Saar numa conferência de imprensa em Jerusalém com o homólogo alemão, Johann Wadephul, citado pelo jornal Times of Israel.

Os EUA retiraram a Turquia do programa de desenvolvimento e aquisição dos caças F-35 em 2019, na sequência da compra, por Ancara, do sistema russo de defesa antiaérea S-400, cuja aquisição tinha sido anunciada em 2017.

No entanto, Erdogan poderá tentar capitalizar as boas relações que mantém com o homólogo norte-americano para garantir a entrega de seis caças F-35 já pagos por Ancara, de acordo com a agência de notícias France-Presse.


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O presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que provavelmente não estaria a participar na cimeira da NATO se o encontro fosse realizado na Europa, reiterando as críticas aos aliados europeus no âmbito da guerra no Irão.