domingo, 15 de março de 2026

Zelensky acusa europeus de chantagem com oleoduto russo para a Hungria... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou os aliados europeus de chantagem por pressionarem Kyiv a reparar o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo, numa disputa que envolve a Hungria.

Por LUSA 

"Estão a forçar-me a restabelecer o Druzhba", declarou Zelensky a um grupo de jornalistas no sábado, com embargo até hoje.

Zelensky disse que a reparação do oleoduto está a ser condicionada a um empréstimo de 90 mil milhões de dólares (78 mil milhões de euros, ao câmbio atual), bloqueado pela Hungria, destinado à compra de armas para a Ucrânia.

"Disse aos nossos amigos na Europa que isso se chama chantagem", afirmou o líder ucraniano perante um grupo de jornalistas, incluindo da agência de notícias francesa AFP.

A Ucrânia declarou-se, contudo, disposta a trabalhar com qualquer dirigente húngaro que "não seja um aliado" de Vladimir Putin, a poucas semanas das eleições legislativas na Hungria que poderão ditar uma mudança de governo.

"Trabalharemos com qualquer líder na Hungria (...), desde que essa pessoa não seja um aliado de Putin", afirmou o Presidente ucraniano.

Zelensky acusou o atual Governo ultranacionalista de Viktor Orbán de "difundir um sentimento anti-ucraniano" e de utilizar conselheiros de comunicação russos na campanha eleitoral.

Afirmou ainda que a Ucrânia não quer perder o apoio norte-americano devido à crise no Médio Oriente, onde os Estados Unidos e Israel têm em curso uma guerra contra o Irão desde 28 de fevereiro.

"Demonstramos a nossa vontade de ajudar os Estados Unidos e os seus aliados no Médio Oriente", oferecendo a experiência ucraniana em drones, referiu.

"Esperamos muito que, devido ao Médio Oriente, os Estados Unidos não se afastem da questão da guerra na Ucrânia", disse Zelensky, cujo país enfrenta uma invasão da Rússia desde fevereiro de 2022.

Para combater as tropas russas, a Ucrânia tem contado com apoio financeiro e em armamento dos aliados ocidentais, sobretudo a União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos.

A relação com a administração do Presidente Donald Trump, no poder desde fevereiro de 2025, tem conhecido altos e baixos, sobretudo devido à proximidade do líder norte-americano com Putin.

Os aliados de Kyiv têm imposto sanções económicas a Moscovo, mas Trump autorizou temporariamente na semana passada a venda de petróleo russo já carregado em petroleiros, o que motivou duras críticas ucranianas e europeias.

Zelensky anunciou também que a Ucrânia vai receber este ano de França um novo sistema de defesa SAMP/T, que será testado contra mísseis balísticos russos como alternativa ao sistema norte-americano "Patriot".

Trata-se do "tema mais importante" das discussões mantidas com Emmanuel Macron, na passada sexta-feira, em Paris, acrescentou.


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As autoridades da região de Krasnodar, no sul da Rússia, anunciaram hoje que drones ucranianos voltaram a atacar, pela segunda vez numa semana a refinaria de Tikhoretsk-Nafta, uma das maiores da Rússia.


Israel lança nova ofensiva e Teerão ataca base dos EUA e alvos israelitas... Israel anunciou hoje o lançamento de uma nova ofensiva no oeste do Irão e a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou ataques com mísseis contra uma base aérea norte-americana e alvos israelitas, ao 16.º dia de guerra.

Por LUSA 

O exército israelita lançou "uma vaga de ataques contra infraestruturas do regime terrorista iraniano no oeste do Irão", disseram os militares num comunicado citado pela agência francesa AFP.

Desde o início da operação militar conjunta com os Estados Unidos, em 28 de fevereiro, Israel realizou mais de 400 vagas de bombardeamentos no Irão, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Os caças israelitas atacaram mais de 200 objetivos no Irão ao longo do dia de sábado, incluindo dezenas de lançadores de mísseis balísticos, sistemas de defesa aérea e depósitos de armas, informou o exército.

Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária reivindicou hoje o lançamento de 10 mísseis e de um número não especificado de drones contra as forças norte-americanas destacadas na base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos.

A operação visou centros de comando e controlo regionais e a gestão da frente interna israelita, num ataque simultâneo a instalações ligadas aos Estados Unidos e a Israel, disse a Guarda Revolucionária num comunicado divulgado pela agência iraniana Fars.

A força ideológica do regime da República Islâmica dedicou a ação aos "84 mártires" do navio "Dena", que foi afundado por um submarino norte-americano ao largo do Sri Lança em 04 de março.

Foram usados na operação mísseis hipersónicos e drones "com capacidade destrutiva", precisou a Guarda Revolucionária no comunicado, também citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

Disse também que os alvos atingidos na base de Al Dhafra teriam servido como apoio informativo no planeamento de operações contra o Irão.

"Com a graça de Deus, os contínuos e esmagadores ataques contra os alvos dos centros e interesses dos Estados Unidos e do regime sionista continuarão com maior poder e alcance até que o agressor se renda e seja castigado", acrescentou.

As forças israelitas disseram ter detetado mísseis lançados do Irão em direção a Israel, embora não tenham esclarecido o número exato de alvos identificados.

O exército disse que os sistemas de defesa estavam "a trabalhar para intercetar a ameaça" e que o centro de comando da frente interna tinha distribuído alertas por telemóvel para residentes nas zonas afetadas.

A guerra em curso no Médio Oriente foi desencadeada por uma ofensiva de grande escala lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que respondeu com ataques contra os países vizinhos.

O conflito já causou mais de dois mil mortos, maioritariamente iranianos, e centenas de milhares de deslocados, sobretudo no Líbano.

A guerra provocou também uma crise nos mercados petrolíferos, com o preço do barril de crude a passar a barreira psicológica dos 100 dólares.


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Pelo menos 29 pessoas morreram em novos ataques no Líbano e no Irão, enquanto o Irão voltou a lançar mísseis contra Israel e drones contra países do Golfo. Em entrevista à NBC News, Donald Trump admite que Teerão estava disposto a negociar um acordo de paz, mas diz que recusou porque os termos não eram suficientemente favoráveis.


Drones ucranianos voltam a atacar uma das maiores refinarias da Rússia... As autoridades da região de Krasnodar, no sul da Rússia, anunciaram hoje que drones ucranianos voltaram a atacar, pela segunda vez numa semana a refinaria de Tikhoretsk-Nafta, uma das maiores da Rússia.

Por  LUSA 

As autoridades regionais informaram que fragmentos de drones abatidos pelas defesa aéreas causaram um incêndio nas instalações, embora não haja relatos de feridos, segundo agências de notícias russas.

O ataque danificou ainda duas linhas de transmissão de alta tensão numa cidade situada a mais de 120 quilómetros da capital da região de Krasnodar, a cidade com o mesmo nome.

Drones ucranianos já tinham provocado na quinta-feira um grande incêndio na refinaria, considerada um dos pontos de transbordo de petróleo mais importantes da Rússia.

No sábado, Kyiv tinha ainda atacado o porto de Kavkaz, também situado na região de Krasnodar, uma operação que fez três feridos, um deles em estado grave.

O governador da região fronteiriça de Belgorod afirmou hoje que um ataque maciço de artilharia da Ucrânia causou graves danos nas infraestruturas energéticas.

Vyacheslav Gladkov admitiu que esta é a razão dos cortes de energia, aquecimento e água em Belgorod, a região russa mais afetada pela guerra.

Também hoje, o Ministério da Defesa da Rússia disse num relatório que as defesas aéreas abateram durante a noite 170 drones ucranianos em 13 regiões da parte europeia do país.

Este foi um dos maiores ataques inimigos das últimas semanas, de acordo com o relatório militar.

O documento especifica que 20 das aeronaves não tripuladas foram abatidas quando se dirigiam para Moscovo, que já tinha sido atacada por 64 drones no sábado, segundo a autarquia da capital russa.

As regiões fronteiriças de Belgorod, Kursk e Bryansk também foram atacadas, assim como as regiões de Krasnodar, Rostov e Adiguésia (todas no sul), as regiões de Tver, Kaluga, Tula, Volgogrado, Saratov e a península anexada da Crimeia.

A agência de inteligência militar da Ucrânia, HUR, disse no sábado à noite que tinha "atacado e danificado" dois navios utilizados pelas forças armadas russas no Mar Negro.

Segundo a HUR, o ferry ferroviário Slavyanin foi retirado de serviço, enquanto o Avantgarde sofreu danos significativos.

Ambas as embarcações faziam parte da rede logística militar russa, utilizada sobretudo para transportar armas, munições e equipamento militar entre a Rússia continental e a Crimeia, anexada por Moscovo em 2014.

O ataque teve como alvo o porto de Kavkaz, que também foi danificado durante a operação.

Imagens divulgadas pela HUR sugerem que os ataques foram realizados com recurso a drones. As autoridades russas confirmaram os danos no porto e num dos navios, embora não tenham adiantado mais detalhes sobre a extensão ou o impacto dos danos.


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A Rússia efetuou hoje um novo ataque em grande escala contra a Ucrânia que causou pelo menos quatro mortos e 15 feridos na área de Kiev, denunciou o Presidente Volodymyr Zelensky.


PM de Cabo Verde e líder do MpD acusa PAICV de "condicionar ação da justiça"... O primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do Movimento para a Democracia (MpD, no poder) acusou o principal partido da oposição de "condicionar a ação da justiça" e disse que nas legislativas está em causa "a estabilidade do sistema" político.

Por LUSA 

Ulisses Correia e Silva discursava, no sábado, como líder do partido, durante um jantar comemorativo dos 36 anos do MpD, na cidade da Praia, em que classificou como "muito preocupantes" algumas posições do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) que comparou às de movimentos "populistas e extremistas".

Quando faltam cerca de dois meses para as eleições (agendadas para 17 de maio), Ulisses Correia e Silva disse que, "num país como Cabo Verde não se pode permitir que nenhum movimento ou líder ponha em causa a democracia".

Entre os sinais a que deve ser dada "muita atenção", Ulisses Correia e Silva apontou "o ataque à Procuradoria-Geral da República [PGR] e ao procurador relativamente a interesses diretos e concretos".

"Não se põe em causa o modelo de justiça ou a forma como opera, no abstrato. Isso seria uma coisa", mas outra é "pôr em causa a justiça por causa de um processo em que o mesmo está envolvido" referiu, numa alusão a declarações de Francisco Carvalho, autarca da cidade da Praia, presidente do PAICV e candidato a primeiro-ministro.

"Imagine-se, se todo o cidadão começa a atuar assim. Perante um processo, faz uma manifestação, ataca a PGR. Não se está a defender um modelo de justiça, mas um processo, para condicionar a ação da justiça, claramente, e sem pudor de atacar as instituições", acrescentou.

Ulisses Correia e Silva comentou também declarações do líder do PAICV sobre mudanças à lei magna do país, considerando que "alterar a Constituição 'à la carte', também por causa de um processo, é outro sinal extremamente preocupante".

"O 'não' ao retrocesso tem de ser muito claro, 'sim' ao reforço das instituições da República, 'sim' à criação de condições para que as pessoas entendam exatamente o que está em causa e 'não' ao medo das instituições em atuar quando têm de atuar", acrescentou.

Segundo referiu, o que está em causa nas legislativas de 17 de maio, "não é quem vai construir mais casas ou estradas, é a estabilidade do sistema, é a credibilidade e integração internacional de Cabo Verde. Quebrando estes fatores, nós vamos para o fim da linha".

Sem petróleo, diamantes ou minerais, "aquilo que distingue Cabo Verde é a estabilidade, democracia, a força das suas instituições e o baixo nível de corrupção", disse.

Na mesma intervenção, o presidente do MpD aludiu às ameaças globais e regionais à democracia, fazendo referência a "países africanos que promovem quem dá golpes de estado e os apresenta como grandes heróis. Isso, em Cabo Verde, não se pode passar".

O Ministério Público cabo-verdiano realizou, a 12 de dezembro, buscas na Câmara Municipal da Praia e ordenou a apreensão de terrenos, no âmbito de investigações em curso.

Francisco Carvalho afirmou, na altura, numa publicação na rede social Facebook, que as buscas constituíam uma "utilização dos órgãos institucionais por motivações políticas".

Mais tarde, defendeu uma alteração à Constituição.

"Há muito tempo, venho defendendo que cargos-chave das nossas instituições devem ser ocupados com base no mérito, em critérios técnicos e não por indicação do Governo. A história do mundo demonstra-nos que, quando assim não acontece, corre-se o risco de não haver a necessária isenção. Para isso, é preciso alterar este ponto da nossa Constituição e é essa mudança que defendo", escreveu, na mesma plataforma - em que afirmou ser alvo de uma "justiça politizada" que lhe atribui "infrações jamais cometidas".

Luís Landim, procurador-geral da República, refutou, em janeiro, as acusações de politização, mas o líder do PAICV tem reafirmado em diversas ocasiões que está a ser perseguido.

"A justiça persegue um cidadão cabo-verdiano, Francisco Carvalho, na tentativa de fazer com que não seja candidato [a primeiro-ministro], que é um direito político", referiu a 05 de março, à Televisão de Cabo Verde.


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Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do Movimento para a Democracia (MpD, no poder), defendeu que o recenseamento eleitoral no país deve ser automático, considerando o sistema atual insatisfatório.



Alegada morte de Mojtaba Khamenei é apenas "um rumor"... O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, considera a alegada morte do líder supremo do Irão "um rumor", embora tenha sublinhado que Mojtaba Khamenei não foi visto em público desde o início do conflito.

Por LUSA 

Na quinta-feira, Khamenei dirigiu-se pela primeira vez à nação desde que foi eleito, em 08 de março, como novo líder supremo, mas o discurso foi lido por uma apresentadora na televisão nacional.

"Nem sei se [Khamenei] está vivo. Até agora, ninguém conseguiu prová-lo", disse o líder dos EUA no sábado, durante uma entrevista telefónica à emissora norte-americana NBC.

Segundo relatos de várias fontes próximas do regime, o clérigo de 56 anos foi ferido no mesmo ataque que matou o pai, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, o primeiro dia de bombardeamentos em Teerão.

Trump insistiu que ouviu dizer que o novo líder supremo do Irão "não está vivo", mas acrescentou que "se estiver, deve fazer algo muito inteligente pelo seu país, que é render-se".

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth indicou na sexta-feira que Khamenei foi ferido no decurso da ofensiva aérea israelo-americana e ficou provavelmente desfigurado.

Apesar disso, Donald Trump afastou a notícia da morte do clérigo como "um rumor".

No sábado, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que "não há qualquer problema" com Mojtaba Khamenei e disse que o líder supremo "está a cumprir os seus deveres de acordo com a Constituição".

Na sexta-feira, os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) por informações sobre a localização de altos dirigentes iranianos.

Na mesma entrevista, Donald Trump indicou que os EUA poderão voltar a atacar a ilha de Kharg, o centro da indústria petrolífera do Irão, que disse ter sido alvo de "um dos bombardeamentos mais poderosos" na história do Médio Oriente.

"Talvez" a bombardeiem "mais algumas vezes, só por diversão", disse o Presidente norte-americano.

Trump disse ainda que não está disposto a chegar a um acordo com Teerão.

"O Irão quer chegar a um acordo, e eu não quero porque as condições ainda não são suficientemente boas", afirmou, acrescentando que qualquer acordo teria de ser "muito sólido".

O líder dos EUA recusou-se a dar mais detalhes, mas afirmou que o acordo incluiria um compromisso do Irão de abandonar qualquer pretensão de desenvolver armas nucleares.

Sobre o estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do abastecimento mundial de petróleo, Trump indicou que não é claro se o Irão instalou minas na zona e, por isso, garantiu que seria realizado "um extenso esforço de limpeza".

"Acreditamos que outros países que estão a enfrentar dificuldades e, em alguns casos, a ser impedidos de obter petróleo, se juntarão a nós", acrescentou o republicano.


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Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita relataram ter intercetado vários ataques lançados hoje a partir do Irão, marcando o início do 16.º dia de conflito no Médio Oriente.