domingo, 3 de maio de 2026

Teerão recebeu resposta dos EUA à proposta para acabar com guerra... O Irão confirmou hoje que já recebeu, através do Paquistão, a resposta dos Estados Unidos à proposta iraniana de 14 pontos para acabar com a guerra, estando a analisar o conteúdo antes de emitir uma resposta oficial.

© ATTA KENARE / AFP via Getty Images  Por  LUSA  03/05/2026 

"A posição dos Estados Unidos sobre a proposta de Teerão chegou ao Irão através do Paquistão", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, à televisão estatal.

O diplomata explicou que a posição norte-americana "está a ser avaliada" e que, uma vez concluída a análise, o Irão apresentará a sua resposta.

Ismail Bagaei insistiu que a proposta iraniana "está exclusivamente centrada em pôr fim à guerra" e sublinhou que "as questões relacionadas com o programa nuclear não têm absolutamente lugar" nesse plano.

"O plano do Irão está condicionado exclusivamente ao fim da guerra. Nesta fase não mantemos negociações nucleares", acrescentou.

O porta-voz da diplomacia iraniana rejeitou ainda que o Irão tenha dado um prazo de 30 dias aos Estados Unidos para pôr fim à guerra.

"O prazo de 30 dias destina-se a acordar a forma como o acordo de paz deve ser implementado", explicou.

Segundo informações divulgadas na véspera pela agência Tasnim News Agency, o Irão apresentou, através do Paquistão, um plano de 14 pontos centrado no fim definitivo da guerra.

A proposta inclui garantias de não agressão militar, a retirada das forças norte-americanas da região envolvente, o levantamento do bloqueio naval, a libertação de ativos iranianos congelados, o pagamento de compensações, o levantamento de sanções e o fim da guerra em todas as frentes, incluindo Líbano, bem como um novo mecanismo para o Estreito de Ormuz.

No sábado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que iria analisar o plano enviado pelo Irão, mas adiantou: "Não consigo imaginar que seja aceitável".

Horas depois, meios de comunicação ligados à Guarda Revolucionária iraniana afirmaram que Trump enfrenta uma escolha limitada entre uma operação militar "impossível" ou alcançar um "mau acordo" com o Irão.

O Irão e os Estados Unidos realizaram uma reunião de alto nível em Islamabad, Paquistão, nos dias 11 e 12 de abril, mas não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim ao conflito e, desde então, não alcançaram consenso para retomar as negociações.


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A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) deu hoje conta de um ataque com um drone contra o laboratório externo de controlo de radiação da central nuclear ucraniana de Zaporijia, ocupada pela Rússia desde março de 2022.

IRÃO: "Trump tem de escolher entre operação militar impossível ou mau acordo"... A Guarda Revolucionária do Irão desafiou hoje os Estados Unidos a escolherem entre uma operação militar "impossível" ou um "mau acordo" no conflito no Médio Oriente.

© REUTERS/Morteza Nikoubazl   Por LUSA  03/05/2026 

"A margem de manobra dos Estados Unidos na tomada de decisões diminuiu" e o presidente norte-americano, "tem de escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica", afirmou o serviço de informações da Guarda Revolucionária Islâmica num comunicado divulgado pela televisão estatal.

O serviço de informações iraniano citou, entre outras coisas, um "ultimato" iraniano em relação ao bloqueio norte-americano aos portos do país e uma "mudança de tom" da China, Rússia e Europa em relação a Washington.

"Os Estados Unidos são os únicos piratas do mundo com porta-aviões. A nossa capacidade de enfrentar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra. Preparem-se para ver os vossos porta-aviões e as vossas forças acabarem no cemitério de navios", ameaçou Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária, nomeado em março como conselheiro militar do novo líder supremo Mojtaba Khamenei, na rede social X.

A situação entre os dois países mantém-se num impasse desde que um cessar-fogo entrou em vigor em 08 de abril, após quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão e de ataques de retaliação de Teerão na região do Médio Oriente. Os esforços diplomáticos não conseguiram relançar as negociações diretas, após o encontro infrutífero realizado em Islamabade em 11 de abril, uma vez que as divergências continuam a ser significativas, desde o estreito de Ormuz até à questão nuclear iraniana.

O Presidente dos EUA declarou no sábado, na rede social Truth Social, que "vai estudar em breve um plano que o Irão" havia acabado de apresentar, mas mostrou-se muito cético sobre o assunto.

As agências de notícias iranianas informaram que o Irão havia apresentado um plano de 14 pontos a Washington, via Paquistão, com o objetivo de pôr fim ao conflito no prazo de 30 dias.

Segundo a agência noticiosa Tasnim, Teerão exige a retirada das forças norte-americanas das zonas próximas do Irão, o fim do bloqueio aos portos iranianos e do congelamento dos ativos iranianos, o pagamento de reparações, o levantamento das sanções, um "mecanismo" relativo ao estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano".

A guerra já fez milhares de mortos, principalmente no Irão e no Líbano, e as suas repercussões continuam a abalar a economia global, com os preços do petróleo a atingirem níveis que não se viam desde 2022.


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Um tribunal israelita ordenou hoje o prolongamento por dois dias da detenção de dois ativistas da "Flotilha para Gaza", detidos por Israel ao largo da Grécia.

Israel ordena novas evacuações para lá da zona que controla no sul do Líbano... O exército israelita emitiu hoje novas ordens de evacuação "urgentes" para localidades situadas para além da zona que controla no sul do Líbano e que designa como uma "zona de segurança".

© Lusa   03/05/2026 

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) em língua árabe, Avichai Adraee, publicou na rede social X um aviso dirigido aos habitantes de várias localidades, incluindo Nabatiyé.

Esta cidade situa-se vários quilómetros a norte da chamada "linha amarela", que delimita a "zona de segurança" com cerca de dez quilómetros de profundidade, no interior da qual Israel se autoriza a operar desde a entrada em vigor, a 17 de abril, de um frágil cessar-fogo com o Hezbollah, aliado do Irão no Líbano.

"Qualquer ameaça (...) mesmo para além da linha amarela e a norte do rio Litani [a cerca de 30 quilómetros da fronteira] será eliminada", advertiu na quarta-feira o chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, durante uma visita a esta zona do território libanês.

Dois soldados israelitas e um contratado do exército foram mortos, e dezenas de militares ficaram feridos no espaço de uma semana, devido a ataques com drones explosivos no sul do Líbano.

O movimento xiita libanês passou recentemente a recorrer a este tipo de aparelhos, guiados por fibra ótica, praticamente indetetáveis e com um alcance de várias dezenas de quilómetros, para realizar ataques diários contra as tropas israelitas no Líbano.

Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, continuam a trocar ataques apesar da trégua em vigor desde 17 de abril, tendo o exército israelita já realizado bombardeamentos além da "linha amarela".

O Presidente libanês, Joseph Aoun, apelou na quarta-feira a Israel para que cumpra "plenamente o cessar-fogo", antes do arranque das negociações de paz previstas entre os dois países, sob mediação dos Estados Unidos.

De acordo com os termos do acordo de cessar-fogo, Israel reserva-se "o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa" contra o Hezbollah.


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Trump planeia retirar "muito mais do que 5.000" soldados da Alemanha... O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou no sábado que planeia retirar "muito mais do que 5.000" soldados norte-americanos das bases na Alemanha, entre críticas aos aliados europeus pela falta de apoio na guerra contra o Irão.

© Fox News    Por  LUSA   03/05/2026 

"Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Donald Trump aos jornalistas na Florida. Uma declaração também interpretada como uma reação às críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, que acusou o Presidente republicano de ter sido "humilhado" por Teerão nas negociações para chegar a um acordo final sobre o conflito. 

Os comentários de Donald Trump surgem um dia depois de o Pentágono ter anunciado que o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ordenou a retirada de "aproximadamente 5.000 soldados da Alemanha".

Segundo fontes do Pentágono, "a retirada estará concluída nos próximos seis a doze meses".

Atualmente, as forças armadas dos Estados Unidos têm uma presença maciça na Alemanha, com mais de 36.000 militares no ativo, distribuídos por várias instalações.

Nas declarações aos jornalistas na Florida o Presidente disse também que estava a analisar uma nova proposta iraniana para pôr fim à guerra, mas também expressou ceticismo de que esta levaria a um acordo.

"Informar-vos-ei mais tarde", disse antes de embarcar no Air Force One, acrescentando: "vão dar-me a redação exata agora".

Pouco depois de falar com os jornalistas, Donald Trump publicou nas redes sociais sobre a nova proposta, dizendo que "não consegue imaginar que seja aceitável, uma vez que ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à Humanidade e ao Mundo nos últimos 47 anos".

As autoridades iranianas apresentaram aos Estados Unidos uma proposta para "terminar a guerra" em 30 dias, informou a agência de notícias Tasnim, dependente da Guarda Revolucionária iraniana.

Os Estados Unidos propuseram um cessar-fogo de dois meses, mas a resposta de Teerão visa resolver o conflito no prazo de um mês, com pontos-chave como as garantias de não-agressão, a retirada das forças norte-americanas das proximidades do Irão, o fim do bloqueio naval e a libertação de bens iranianos congelados.


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