segunda-feira, 11 de maio de 2026

BRASIL: Mais de 40% dos brasileiros convivem com crime organizado onde moram... Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que 41,2% dos brasileiros afirmam reconhecer a presença de fações criminosas ou milícias na freguesia onde moram.

© Lusa  11/05/2026 

Segundo o relatório "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança", divulgado no domingo, a presença do crime organizado "não apenas amplia a vitimização, mas interfere nas regras de convivência, altera sociabilidades e restringe a confiança nas instituições". 

A pesquisa indica que cerca de 68,7 milhões de pessoas convivem diretamente com o poder territorial exercido por essas organizações criminosas.

Destaca ainda que, embora a perceção da presença das fações seja maior nas capitais e nos grandes centros urbanos, a expansão dos grupos criminosos "passou a operar por difusão territorial, capilarização e interiorização".

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fações como o Comando Vermelho, nascida no Rio de Janeiro, e Primeiro Comando da Capital (PCC), nascida em São Paulo, expandiram a sua atuação na última década para cidades médias e pequenas.

Para essa expansão, valem-se de "rotas logísticas, alianças com grupos locais, dinâmicas prisionais e inserção em mercados ilícitos e lícitos", observa a organização não-governamental (ONG) no relatório. 

"Esse resultado reforça a ideia de que a circulação da violência armada não obedece a uma hierarquia simples de porte urbano: ela é forte nas grandes cidades, mas também alcança com intensidade cidades médias-grandes e, em certa medida, municípios pequenos", frisou.

Encomendada pela ONG, a pesquisa foi realizada pelo Instituto Datafolha com pessoas de 16 anos ou mais, em 09 e 10 de março, em 137 cidades, com 2.004 entrevistas presenciais e margem de erro de dois pontos percentuais. 

A maioria dos entrevistados que reconhecem a presença dos grupos criminosos nas suas freguesias, ou seja, 61,4%, reconhecem que a atuação das fações não é invisível. 

Essa percentagem representa "cerca de 42,2 milhões de pessoas vivendo em contextos nos quais o crime organizado é percebido como força que regula a vida local", segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

A pesquisa também mostrou que o medo da violência altera a rotina de 57% dos inquiridos e afeta mais intensamente mulheres e população de baixo rendimento, as chamadas classes D e E.

A pesquisa identificou ainda que 59,6% dos brasileiros inquiridos afirmaram ter medo de sofrer agressão física por suas escolhas políticas ou partidárias, o que representa seis em cada dez pessoas e aproximadamente 99,4 milhões da população. 

O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o medo de ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária, que era de 68% em 2022, agora é de quase 60%.

A organização não governamental destaca que os resultados de 2026 parecem indicar que não se está perante "uma dissipação do medo", uma vez que os índices "permanecem muito elevados", mas "sim para uma acomodação em patamar elevado do medo da violência, depois de um momento excecionalmente tensionado em 2022".  

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela ainda que 40,1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido pelo menos uma situação de violência ou crime nos últimos 12 meses no país.

Segundo o estudo, "a insegurança, no Brasil, ultrapassa a condição de perceção episódica e assume a forma de um clima social persistente".


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Uma mulher foi morta pelo marido no dia do próprio casamento, que aconteceu no sábado, em Campinas, no Brasil. Na véspera, a vítima tinha celebrado a união com o guarda municipal, numa troca de mensagens com uma familiar: "Quem diria que um dia me casaria."

MINISTROS DA CEDEAO COMPROMETEM-SE COM INTEGRAÇÃO DAS FRONTEIRAS E LIVRE CIRCULAÇÃO NA REGIÃO

Por  Rádio Sol Mansi   11 05 2026 

Os ministros responsáveis pelo Interior, Imigração e Gestão de Fronteiras dos Estados-membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO ) reafirmaram o compromisso com uma governação harmonizada da migração e uma gestão integrada das fronteiras na África Ocidental.

Segundo o gabinete de comunicação da mesma organização, a decisão foi tomada durante a reunião do Diálogo sobre Migração para a África Ocidental (MIDWA), realizada no dia 29 de abril de 2026, em Abidjan, sob coordenação da Comissão da CEDEAO, através da Direção de Livre Circulação de Pessoas, Migração e Turismo.

O encontro de alto nível contou com o apoio da Organização Internacional para as Migrações e serviu para validar recomendações estratégicas desenvolvidas ao longo dos últimos dois anos, no âmbito do Programa FMM II, relacionadas com a gestão de fronteiras, recolha de dados migratórios e impactos das alterações climáticas na migração.

Entre os principais resultados alcançados está o endosso formal da Estratégia e do Plano de Ação para a Gestão de Fronteiras. 

Os ministros concordaram igualmente com a criação de uma plataforma integrada destinada a interligar os Sistemas de Informação de Gestão de Fronteiras, com o objetivo de reforçar o armazenamento de dados e melhorar a interoperabilidade entre os países da sub-região.

Outro ponto considerado fundamental foi o compromisso assumido pelos Estados-membros para garantir a aceitação mútua do Cartão de Identidade Biométrico Nacional da CEDEAO em todas as fronteiras aéreas, terrestres e marítimas até dezembro de 2026, medida vista como essencial para facilitar a livre circulação de pessoas no espaço comunitário.

⚡🇬🇼 Gabú: Foi realizado entrega certificados a 25 jovens formados em eletricidade e energia solar

Por Radio TV Bantaba 

Vinte e cinco jovens de diferentes comunidades da região de Gabú celebraram a conclusão de uma formação profissional nas áreas de Eletricidade, Instalação e Manutenção de Painéis Solares e Eletrobombas, promovida pelo centro DIVUTEC ao longo de três meses.

Mais do que a entrega de certificados, a cerimónia simbolizou novas oportunidades, sonhos reforçados e caminhos abertos para os participantes, que agora possuem competências técnicas capazes de transformar as suas vidas e contribuir para o desenvolvimento das suas comunidades.

Além da componente técnica em eletricidade, os formandos beneficiaram também de uma formação complementar de 10 dias nas áreas de empreendedorismo, sustentabilidade e género, encerrada no mesmo dia da cerimónia.

A iniciativa permitiu fortalecer não apenas as capacidades profissionais dos jovens, mas também a consciência social, a autonomia e o espírito empreendedor, incentivando a criação de iniciativas sustentáveis nas comunidades locais.

A cerimónia contou com a presença de representantes de associações, organizações da sociedade civil, familiares e outras personalidades da região, que testemunharam com orgulho esta importante conquista juvenil.

O apoio das famílias e da comunidade foi apontado como fundamental ao longo do percurso formativo, reforçando a ideia de que investir na juventude significa investir num futuro mais digno e sustentável para todos.

Hoje, estes jovens levam consigo não apenas certificados, mas também esperança, responsabilidade e determinação para construir um futuro melhor através do trabalho, do conhecimento e do empreendedorismo.

ASAD 

ZELENSKY: "Não houve silêncio" na frente apesar de cessar-fogo, diz Zelensky... O presidente ucraniano afirmou hoje que os combates com o Exército russo continuaram apesar do cessar-fogo de três dias mediado pelos Estados Unidos, acusando Moscovo de não querer o fim de quatro anos de guerra.

© Ukrinform/NurPhoto via Getty Images    Por  LUSA   11/05/2026 

"Hoje, não houve silêncio na frente, houve combates. Testemunhámos tudo", declarou Volodymyr Zelensky na mensagem noturna ao país, nas últimas horas da trégua. 

"Constatámos também que a Rússia não tem qualquer intenção de pôr fim a esta guerra. Infelizmente, está a preparar novos ataques", lamentou.

Russos e ucranianos acusaram-se mutuamente de violar o cessar-fogo anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, entre sábado e hoje.

Zelensky afirmou ainda que o seu principal negociador, Rustem Umerov, o informou sobre recentes reuniões "políticas e tecnológicas" nos Estados Unidos.

"É evidente que é a guerra no Irão que está atualmente a atrair a maior atenção dos Estados Unidos, mas também lá existe apoio do povo norte-americano para o fim desta guerra na Europa", sublinhou.

As negociações entre a Rússia e a Ucrânia não produziram, até agora, resultados e foram relegadas para segundo plano pelo conflito no Médio Oriente.

Contudo, o anúncio deste cessar-fogo tinha gerado alguma esperança quanto a um reinício das conversações de paz.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kyiv têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Estas condições para solucionar o conflito - constantes do plano de paz apresentado por Donald Trump - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.


IRÃO: Proposta iraniana "estúpida". Trump pondera retomar operações em Ormuz... O presidente norte-americano, Donald Trump, descreveu hoje a última proposta de paz do Irão como lixo e alertou que o cessar-fogo em vigor se encontra sob "respiração assistida", enquanto pondera o recomeço das operações militares no estreito de Ormuz.

© Getty Images    Por LUSA  11/05/2026 

"Neste momento, o cessar-fogo ainda está em vigor, mas é incrivelmente frágil, diria eu. O mais frágil que já esteve. E digo isto depois de ler o lixo que nos enviaram. Ainda nem acabei de ler", disse o governante aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca, referindo-se à última proposta de Teerão.

O líder norte-americano afirmou que, ao ler o texto iraniano, sentiu que estava a "perder tempo" e, por isso, considerou que o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril se encontra reduzido à condição de "respiração assistida", como um médico que diz "o seu ente querido tem exatamente 1% de hipóteses de sobreviver".

Anteriormente, Donald Trump disse, durante uma entrevista telefónica com a Fox News, que estava a considerar relançar a operação "Projeto Liberdade", que visa garantir proteção a centenas de navios comerciais retidos pelo bloqueio iraniano no estreito de Ormuz, e que foi brevemente implementada na semana passada.

"Querem negociar e apresentam-nos uma proposta estúpida, uma proposta estúpida, e ninguém a aceitaria. Só Obama [antigo presidente norte-americano] a teria aceitado", disse, aludindo ao seu antecessor democrata.

O político republicano insistiu que a sua administração tem "um plano", que consiste em garantir que a República Islâmica nunca obtenha uma arma nuclear, e criticou que este compromisso estivesse omisso na resposta de Teerão.

Donald Trump admitiu no entanto, em resposta a uma questão da imprensa na Casa Branca, que uma solução diplomática continua a ser "muito possível", apesar do impasse negocial.

"Teremos uma vitória completa. Já tivemos, em teoria, uma vitória completa do ponto de vista militar", declarou.

A trégua na guerra, iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro, está no seu ponto mais crítico depois de o próprio Trump ter considerado no domingo que a resposta de Teerão à proposta de paz de Washington era "completamente inaceitável".

O Paquistão, país mediador nas negociações, confirmou ter recebido a resposta iraniana à última proposta norte-americana, em plena escalada das hostilidades de Teerão, que incluíram no domingo um ataque com um drone contra um navio comercial em águas do Qatar.

Desde o início da ofensiva israelo-americana, o Irão mantém sob ameaça militar o estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, fazendo disparar os preços internacionais.

Depois do fracasso da única ronda negocial formal, em Islamabad em 11 de abril, os Estados Unidos impuseram pelo seu lado um bloqueio naval aos portos iranianos, como uma tentativa de asfixiar a economia da República Islâmica.

Como resposta à crise energética, que atinge também os seus índices de popularidade interna antes das eleições intercalares de novembro, Donald Trump indicou hoje a intenção de suspender o imposto federal sobre a gasolina.

Respondendo a uma pergunta de um jornalista na Casa Branca, o Presidente norte-americano afirmou que iria suspender o imposto "durante o tempo que for necessário", referindo que se trata de "uma pequena percentagem", mas que "ainda é dinheiro".

Esta medida requer a aprovação do Congresso, onde o Partido Republicano detém uma maioria escassa.

O senador republicano Josh Hawley, do Missouri, reagiu às declarações do líder norte-americano, anunciando que iria apresentar um projeto de lei ainda hoje e a congressista Anna Paulina Luna, da Florida e também republicana, planeia fazer o mesmo "esta semana".

Nos postos de abastecimento de combustível norte-americanos, a gasolina comum é agora vendida a uma média de 4,52 dólares (3,38 euros) por galão (3,78 litros), quando antes da guerra custava cerca de três dólares.

De acordo com dados oficiais, o imposto federal atual é de 18,4 cêntimos de dólar por galão de gasolina e 24,4 cêntimos de dólar por galão de gasóleo.

Os 50 estados acrescentam os seus próprios impostos, que variam consideravelmente. Em média, equivalem a 29 cêntimos de dólar por galão de gasolina.

A Casa Branca já anunciou várias medidas para limitar o aumento dos preços, incluindo a suspensão temporária das sanções ao petróleo russo e a facilitação do transporte marítimo de combustível entre portos norte-americanos.


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O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano voltou hoje a falar com os homólogos saudita e egípcio sobre as conversações de paz com os Estados Unidos depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a última proposta de Teerão.

ONU: Bloqueio do transporte de fertilizantes arrisca crise humanitária... O chefe do grupo de trabalho da ONU para facilitar o tráfego de matérias-primas através do estreito de Ormuz alertou hoje que o bloqueio do transporte de fertilizantes pode provocar dentro de algumas semanas uma "grave crise humanitária".

© Lusa    11/05/2026 

"Temos algumas semanas para evitar o que será provavelmente uma grave crise humanitária. Podemos assistir a uma crise que mergulhará mais 45 milhões de pessoas na fome", afirmou o português Jorge Moreira da Silva numa entrevista à agência de notícias France-Presse (AFP).

O secretário-geral da ONU, António Guterres, criou em março um grupo de trabalho, liderado pelo diretor-executivo do Gabinete das Nações Unidas para os Serviços de Apoio a Projetos (UNOPS), Jorge Moreira da Silva, com o objetivo de implementar um mecanismo que permita a passagem de fertilizantes e matérias-primas relacionadas, tais como amoníaco, enxofre e ureia.

As exportações que habitualmente transitam por esta passagem estratégica do comércio marítimo mundial destinam-se geralmente ao Brasil, à China, à Índia e ao continente africano.

Jorge Moreira da Silva afirmou ter contactado mais de 100 países para angariar, nomeadamente, o apoio dos Estados-Membros da ONU a este mecanismo.

No entanto, as partes envolvidas no conflito --- Estados Unidos, Irão e países do Golfo --- ainda não estão convencidas.

"O problema é que a época de sementeira não espera", sublinhou Jorge Moreira da Silva, uma vez que algumas sementeiras terminam dentro de algumas semanas nos países africanos.

O português, que foi nomeado diretor-executivo do UNOPS em março de 2023, estima que a passagem de cinco navios carregados com fertilizantes e matérias-primas relacionadas por dia permitiria evitar uma crise para os agricultores.

"É uma questão de tempo. Se não atacarmos rapidamente a origem da crise, teremos de gerir as consequências com ajuda humanitária", continuou.

Em caso de acordo, o mecanismo poderia estar operacional em sete dias, afirmou o responsável da ONU.

Mas mesmo que o estreito de Ormuz reabrisse imediatamente, seriam necessários, segundo o representante, três a quatro meses para um regresso à normalidade.

Apesar de os preços dos alimentos ainda não terem disparado, Moreira da Silva assinalou um "forte aumento" do custo dos fertilizantes que, de acordo com os especialistas, provocará automaticamente uma queda na produtividade agrícola, seguida de uma subida vertiginosa dos preços dos alimentos.

"Não podemos hesitar sobre o que é possível e urgente: permitir a passagem de fertilizantes através do estreito e, assim, minimizar o risco de uma grave insegurança alimentar mundial", insistiu.

O Irão bloqueia há vários meses o estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um terço dos fertilizantes mundiais, em retaliação à guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro.


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O secretário-geral da ONU alertou hoje em Nairóbi que África está a ser gravemente afetada pela guerra no Irão, sobretudo porque muitos países estão asfixiados pela dívida.