domingo, 9 de agosto de 2026

Guiné-Bissau: "Prémio da Justiça" atribuído à Embaixada de Portugal... A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau atribuiu hoje à Embaixada de Portugal o "Prémio da Justiça" pelo contributo na promoção do acesso à justiça e direitos humanos naquele país, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

© Shutterstock    Por LUSA  09/08/2026 

A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau atribuiu também o prémio à União Europeia, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e ao presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, indicou à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. 

De acordo com o MNE, o "Prémio da Justiça" foi atribuído àquelas quatro entidades "em reconhecimento pelo respetivo contributo para a promoção do acesso à justiça e dos direitos humanos na Guiné-Bissau".

O galardão foi atribuído no âmbito das comemorações do 35.º aniversário da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau.

Em 2024, a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau já tinha também atribuído o "Prémio da Justiça" ao Camões -- Instituto da Cooperação e da Língua pelo contributo e apoio que a cooperação portuguesa tem prestado à Guiné-Bissau nas áreas da defesa da justiça, dos direitos humanos e do Estado de direito democrático.

A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância.


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A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) foi distinguida este sábado (08.08) pela Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau (OAGB) com o "Prémio Justiça", em reconhecimento do seu "relevante papel" na promoção e proteção dos direitos humanos no país.

Gabú: Criança de 13 anos morre após alegado ataque de abelhas em Afia Ocumaunde

Por Saliu Sera  Radio Sintchan ôcco   09.08.2026

Uma criança de aproximadamente 13 anos, identificada como Bubacar Camara, morreu neste domingo (09/08/2026) após ser alegadamente atacada por abelhas enquanto se encontrava em cima de uma árvore, nas matas da zona de Afia Ocumaunde, região de Gabú.

Segundo informações de uma fonte a que a TV Sintchan Occo teve acesso, a vítima encontrava-se nas matas na companhia de alguns colegas, à procura de foles, quando foi surpreendida por um enxame de abelhas.

A criança não terá resistido aos ataques e acabou por morrer no local.

Ainda de acordo com a mesma fonte, uma equipa dos Bombeiros da Região de Gabú deslocou-se ao local para retirar a vítima e encaminhá-la para o Hospital Regional de Gabú. No entanto, à chegada ao hospital, a criança já se encontrava sem vida.

Guiné-Bissau - Boé: Falta de água potável continua a preocupar responsável do Centro de Saúde de Lugadjol

Por: Saliu Sera  Radio Sintchan ôcco   09.08.2026

A situação do Centro de Saúde de Lugadjol, no setor de Boé, continua a preocupar o responsável da área sanitária, devido às dificuldades no acesso à água potável.

Segundo o responsável, o centro de saúde enfrenta sérias limitações no abastecimento de água, obrigando os funcionários a percorrer longas distâncias para conseguir água necessária ao funcionamento da unidade sanitária.

Perante a situação, foi lançado um pedido de socorro às autoridades competentes e às pessoas de boa vontade, no sentido de apoiarem o Centro de Saúde de Lugadjol e ajudarem a minimizar as dificuldades enfrentadas diariamente.

De referir que, na semana passada, a Direção Regional de Saúde de Gabú deslocou-se a Lugadjol e Beli para tentar resolver alguns dos problemas existentes. Em Lugadjol, foram recuperadas as baterias dos painéis solares do centro de saúde, enquanto em Beli foram realizados trabalhos no furo de água.

Para minimizar a falta de água em Lugadjol, foi também adquirida uma motobomba. Embora o equipamento já permita a produção de alguma água, a quantidade continua insuficiente para responder às necessidades do centro de saúde.

O responsável apela, por isso, à solidariedade das autoridades, organizações e pessoas de boa vontade para apoiarem o Centro de Saúde de Lugadjol, sobretudo na resolução definitiva do problema de abastecimento de água potável.

Novo Governo da Colômbia começa com vários ataques com explosivos registados no país

Bandeira da Colômbia (Fernando Vergara/AP)   Por CNN  09/08/2026

Durante a sua tomada de posse, o novo Presidente de direita, prometeu combater "sem tréguas o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas", e afirmou que a opção do diálogo com os principais grupos armados estava completamente esgotada

Vários ataques com explosivos contra esquadras policiais e portagens municipais foram registados em diferentes regiões da Colômbia, no primeiro dia do novo Governo do Presidente Abelardo de la Espriella.

O primeiro ataque, perpetrado durante a madrugada de sábado, destruiu uma portagem em construção na Via Pan-Americana, entre as cidades de Popayán e Cali, onde na sexta-feira se realizou a tomada de posse de De la Espriella.

O Ministério da Defesa colombiano denunciou outro "atentado terrorista" no sábado com um veículo carregado de explosivos contra uma portagem em construção no município de Santander de Quilichao, em Cauca (sudoeste), que provocou ferimentos em dois seguranças.

O novo chefe de Estado condenou o sucedido e assinalou que atentar contra "a infraestrutura do país é atacar o progresso, a mobilidade e a tranquilidade de milhões de colombianos".

Pouco depois foi informada a morte do subintendente Argemiro Rodelo Canchila, que faleceu após um ataque com explosivos lançados a partir de drones contra o posto de Polícia de San Roque, na região de Cesar (nordeste).

"Este crime não ficará impune. Os responsáveis serão encontrados e enfrentarão todo o peso da lei. Cada ataque contra os nossos homens da Força Pública fortalece ainda mais a nossa determinação em derrotar o terrorismo e devolver a tranquilidade aos colombianos", afirmou De la Espriella.

Por sua vez, o governador de Antioquia, Andrés Julián Rendón, denunciou um ataque com drones contra a esquadra de Polícia Porce III, localizada no município de Guadalupe (noroeste).

Rendón assegurou que o atentado, que não fez qualquer ferido, foi executado pela Frente 36 das antigas FARC, sob o comando de Alexander Díaz Mendoza.

A autoridade qualificou o ato como uma "provocação ao novo Governo" de De la Espriella, que sublinhou durante o seu primeiro discurso a intenção de combater sem tréguas o "narcotráfico, a delinquência e a narcoguerrilha".

Como parte da "luta frontal" contra o conflito armado que prometeu, De la Espriella anunciou a captura de Héctor Bastidas, no município de Guamal (centro), identificado como o segundo comandante dos Comandos de la Frontera, um grupo armado ilegal que fazia parte da Coordinadora Nacional Ejército Bolivariano (CNEB), um grupo dissidente das FARC.

"Esta captura, realizada por ordem judicial e graças ao trabalho de inteligência, demonstra que a Força Pública está a agir para recuperar a segurança e a tranquilidade dos colombianos. Acabou-se a impunidade para os criminosos. A autoridade do Estado respeita-se", afirmou De la Espriella na sua conta da rede social X.

Este antigo advogado, representante da direita dura, iniciou o seu mandato com Presidente num momento em que a Colômbia atravessa a sua pior vaga de violência da última década.

Durante a sua tomada de posse, o novo Presidente de direita, prometeu combater "sem tréguas o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas", e afirmou que a opção do diálogo com os principais grupos armados estava completamente esgotada.

De la Espriella prometeu intensificar, com o apoio de Israel e dos Estados Unidos, os bombardeamentos contra as guerrilhas e os narcotraficantes que estão ativos na Colômbia, e construir megaprisões semelhantes às de El Salvador.

Anunciou também a intenção de interromper as negociações de paz iniciadas pelo seu antecessor, o líder de esquerda Gustavo Petro.

Entre as suas primeiras medidas, De la Espriella ordenou a transferência para prisões de alta segurança de 117 detidos "de alto perfil" que participaram nos diálogos de paz com Petro, assegurou o Governo colombiano num comunicado publicado no sábado.

Pentágono pressiona indústria de Defesa a acelerar produção perante escassez de munições... O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) está a pressionar a indústria de armamento do país a acelerar a produção, de maneira a restabelecer o seu arsenal de munições reduzido pela guerra com o Irão.

Kent Nishimura - AFP   Por  RTP  9 Agosto 2026 

O porta-voz do Pentágono Sean Parnell, afirmou num comunicado no sábado que o Departamento estava ativamente focado em impulsionar a aquisição de munições para fornecer "as armas" de que o Exército dos Estados Unidos precisa "ao ritmo que a ameaça exige".

Parnell confirmou os esforços do Pentágono na última semana para acelerar significativamente a produção de armas, mas insistiu que isso fazia parte de um esforço de modernização mais amplo, anterior ao conflito que dura há cinco meses.

O vice-secretário norte-americano da Defesa, Steve Feinberg, escreveu na quarta-feira a líderes da indústria, concedendo-lhes no máximo 21 dias para apresentar planos para "promover calendários de entrega significativamente mais rápidos e agressivos e/ou o aumento da produção de capacidades críticas", de acordo com um memorando obtido pelo jornal The Washington Post.

"Ciclos de desenvolvimento de vários anos não são aceitáveis", escreveu Feinberg. "Temos de acelerar dramaticamente os calendários dos nossos programas e expandir a nossa capacidade de produção agora."

O memorando surge num momento em que os combates recentes com o Irão consumiram ainda mais os arsenais já reduzidos de intercetores de mísseis avançados dos Exército norte-americano, o que pode colocar as tropas americanas em maior risco caso as hostilidades recomecem, segundo uma nova análise.

De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), um `think tank` (grupo de reflexão) de Washington, a diminuição dos inventários de intercetores Patriot e THAAD pode forçar os EUA e os seus aliados do Médio Oriente a assumir mais riscos para conservar essas defesas aéreas.

O Centro referiu que as forças norte-americanas poderão lançar menos mísseis contra drones e mísseis iranianos que se aproximem, aumentando a probabilidade de um deles conseguir passar.

Nos últimos dias, o Presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu com irritação aos relatos públicos de uma escassez de munições, publicando na sua rede social Truth Social no sábado que os EUA dispõem de "quantidades massivas" de munições, e que "grandes quantidades estão a ser fabricadas e enviadas para os EUA conforme necessário".

No sábado, Parnell confirmou que o memorando, que procura uma escalada rápida na produção de armas, é "real", acrescentando que este "irá informar o orçamento do ano fiscal de 2028 submetido ao Congresso para financiamento, e é inteiramente coerente com o nosso esforço contínuo para reconstruir a base industrial de defesa".

Um projeto de lei sobre despesas de defesa está atualmente estagnado no Congresso, com os legisladores indignados com a ação militar de Trump contra o Irão e a resistirem ao pedido da Casa Branca para aumentar substancialmente o orçamento do Pentágono para 1,5 biliões de dólares (1,37 biliões de euros), em comparação com os cerca de 900 mil milhões (825 mil milhões de euros) do ano passado.

O número de mísseis intercetores Patriot caiu de 2.330 antes da guerra para 1.030 quando o cessar-fogo de abril entrou em vigor, estimou o CSIS no mês passado. Após os combates recentes, estima-se agora que o stock esteja entre 759 e 827, uma diminuição de pelo menos 65% em relação ao período anterior ao início do conflito.

O número de intercetores THAAD caiu de 452 antes da guerra para entre 232 e 262 no início do cessar-fogo de abril, indicou o CSIS. Os EUA conseguiram reabastecer parte do inventário para entre 234 e 278 intercetores. Contudo, o stock continua pelo menos 38% menor do que era antes do conflito.

As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram também esta semana estar a abrir campos de testes a empresas privadas que desenvolvem mísseis, drones e outras armas, esperando conseguir comprá-las mais rapidamente para utilização no campo de batalha.

Equador. Sete pessoas acusadas por assassinato de candidato à presidência... O Ministério Público do Equador acusou formalmente no sábado sete pessoas suspeitas de envolvimento na morte do candidato à presidência Fernando Villavicencio em 2023, incluindo dois antigos políticos, um empresário, e vários membros de um grupo criminoso.

© Lusa   09/08/2026 

Fernando Villavicencio, crítico do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), foi abatido a tiro a 09 de agosto de 2023 por um assassino contratado colombiano em Quito, uma semana antes das eleições presenciais. O atirador foi morto por seguranças.

No sábado à noite, o Ministério Público anunciou na rede social X que acusou sete pessoas "pela alegada participação no delito de assassínio".

Entre as sete pessoas acusadas figuram o empresário Xavier Jordán, o ex-ministro do Interior José Serrano, o ex-deputado Ronny Aleaga, bem como o principal líder do grupo criminoso 'Los Lobos', Wilmer Chavarría, conhecido como 'Pipo', além de três outras pessoas ligadas a esta organização.

O Ministério Público pediu que a ordem de prisão preventiva fosse mantida contra os sete e solicitou às autoridades a emissão de uma difusão vermelha através da Interpol contra quatro deles que residem no estrangeiro.

No início de julho, o Ministério Público já tinha anunciado as acusações contra as sete pessoas mencionadas.

Jordán, que reside nos Estados Unidos, é suspeito de ter "financiado e planeado" o assassínio, enquanto Serrano, ex-ministro do Interior sob a presidência de Rafael Correa, encontra-se atualmente num centro de controlo migratório nos Estados Unidos. O antigo político é suspeito de ter fornecido informações "sensíveis" ao grupo 'Los Lobos' relativamente às deslocações do candidato Villavicencio.

Por seu lado, Aleaga é suspeito de ter coordenado "as ações com vista a concretizar o assassínio", enquanto 'Pipo', que enfrenta em Espanha um processo de extradição para o Equador, terá planeado o homicídio em troca de um milhão de dólares (864.950 euros).

Cinco pessoas ligadas ao homicídio foram condenadas em 2024 a penas de até 34 anos de prisão, enquanto seis homens de nacionalidade colombiana, alegadamente associados a este caso, foram assassinados na prisão.

Antes de se lançar na política, Fernando Villavicencio era jornalista e investigava casos de corrupção que envolviam o Governo de Rafael Correa. As suas investigações anticorrupção também tinham implicado o acusado Xavier Jordán.


Leia Também: Israel reforça aproximação a governos da direita latino-americana

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, iniciou hoje uma visita à Colômbia e ao Equador, no âmbito de uma estratégia de aproximação de Israel a governos de direita na América Latina.

UNICEF: Uma em cada 3 crianças africanas sem acesso a água potável, diz UNICEF... Uma em cada três crianças africanas não tem acesso a água potável e mais de metade vive sem saneamento, situação que está a piorar, disse à Lusa a coordenadora da Unicef Martina Rama.

 Por  LUSA   09/08/2026 

Apesar de a falta de água, saneamento e higiene ser um grave problema em vários países, é sobretudo na região do Sahel - faixa semiárida que se estende horizontalmente por todo o continente africano --, que se registam mais mortes, mais abandonos escolares, mais doenças e mais migrações.

Dados relativos a 2025 compilados pela Unicef e pela Organização Mundial de Saúde, mas ainda não publicados, mostram que cerca de 28% das crianças em África não têm acesso a água potável, avançou a especialista e responsável pelo programa WASH (Água, Saneamento e Higiene) da ONU.

"Há quase 200 milhões de crianças em África sem água corrente", alertou, lembrando que o número quase duplica quando a questão é a falta de saneamento em condições.

Até aos cinco anos de idade, as crianças têm um sistema imunitário mais frágil e "a falta de acesso à água e saneamento causa muitas doenças, das quais a mais frequente é a diarreia, mas também as infeções respiratórias, a desnutrição e os parasitas", disse Martina Rama.

Segundo avançou, os últimos dados recolhidos - referentes a 2019 - já indicavam que 264 mil crianças desta idade morreram num só ano devido a doenças relacionadas com falta de água e saneamento.

E se as crianças são as mais afetadas, as meninas são o grupo que mais perde com a situação.

"São elas que têm o papel de ir buscar água quando não têm acesso a uma torneira em casa ou no quintal", esclareceu Martina Rama, adiantando que têm, muitas vezes, de caminhar uma ou duas horas por dia para chegarem a um poço, esperar na fila pela sua vez de recolher água e, depois, regressar a casa.

Por causa disso, muitas meninas não têm a possibilidade de ir à escola ou acabam por abandoná-la muito cedo, referiu.

Mesmo quando conseguem manter uma educação escolar durante alguns anos, deparam-se com problemas práticos logo na adolescência.

"A higiene menstrual, muito ligada ao saneamento, é um grande obstáculo quando não há uma casa de banho" na escola, expôs a especialista, sublinhando que isto, misturado com a vergonha inata naquela idade, leva mutas raparigas a faltar às aulas uma semana por mês.

Mais tarde ou mais cedo, muitas desistem completamente, lamentou.

O problema não afeta só os mais novos, é suficientemente grave para ter impacto em toda uma comunidade ou país e está a causar conflitos entre vizinhos, previne a especialista, para quem esta vai ser uma das questões mais prementes do futuro breve.

"Sobretudo na zona do Sahel, onde há um grande problema de secas e os recursos hídricos são muito baixos, estão a criar-se conflitos entre as comunidades sedentárias, os agricultores, e as comunidades nómadas, os pastores. Havia alguns equilíbrios históricos entre estes dois grupos, mas agora não", admitiu.

Quando uma comunidade tem água, por exemplo através de um poço, e outra tenta lá ir abastecer-se, "os 'donos' do poço dizem que não, que a água é deles e não querem partilhar. Criam-se muitos conflitos".

Os confrontos escalam facilmente e, muitas vezes, como referiu Marina Rama, a solução passa por migrar, seja para outras regiões do continente, seja para países mais desenvolvidos.

"As alterações climáticas estão a agravar o problema porque chove menos e as fontes de água, como os rios e os lagos, não se enchem suficientemente para poder fornecer água durante todos os meses de seca", avisou a responsável.

Mesmo com as autoridades a tentar criar mais infraestruturas, não têm capacidade para resolver o problema e as organizações humanitárias, como é o caso da ONU, têm cada vez menos orçamento para ajudar.

"O Banco Mundial estima que, para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no âmbito da água e saneamento a nível global, os investimentos devam atingir entre 130 e 140 mil milhões de dólares [cerca de 112 a 120 mil milhões de euros] por ano", avançou, reconhecendo que esse valor "nunca será atingido".

Embora o problema da falta de água seja mais crítico em África, a questão está a tornar-se crucial também na América Latina, como avançou à Lusa o coordenador da Unicef para esta região do mundo, Franck Bouvet.

Nesta zona, além da pobreza e das secas, também as chuvas persistentes e consequentes inundações têm destruído as poucas infraestruturas que algumas regiões têm.

"A magnitude da crise é enorme", sublinhou Franck Bouvet, para quem o investimento neste setor é um caso de sobrevivência.

"A comunidade humanitária [as organizações] considera que é necessário fornecer um mínimo de cinco litros de água para a sobrevivência de uma pessoa, mas é preciso atingir os 20 litros para uma situação normal", que inclua higiene ou limpeza do ambiente.

"Nos países desenvolvidos, o padrão é de cerca de 250 a 350 litros de água por dia por pessoa, sendo que em Nova Iorque, por exemplo, chega aos 500 litros", comparou o responsável, segundo quem esta desigualdade tem um impacto real na saúde, na sobrevivência e no desenvolvimento infantil, assim como na capacidade das comunidades crescerem economicamente.

Segundo os últimos dados publicados, em 2024, há 2,1 mil milhões de pessoas no mundo sem acesso a água potável e 3,4 mil milhões sem acesso a saneamento seguro.

Mais de 106 milhões só conseguem beber água em rios, lagos ou canais e 1,7 mil milhões nunca souberam o que é ter uma casa de banho em casa.