quarta-feira, 10 de junho de 2026

Irão: 20.000 pessoas sem água após ataques dos Estados Unidos... Cerca de 20.000 pessoas ficaram sem acesso a água potável em Sirik, cidade portuária no sul do Irão, após bombardeamentos norte-americanos contra dois reservatórios, informou hoje a televisão estatal iraniana.

© ATTA KENARE / AFP via Getty Images    Por  LUSA   10/06/2026 

Os Estados Unidos realizaram ataques durante a noite contra Jask, Sirik e a ilha de Qeshm, na costa sul do Irão, no Estreito de Ormuz, que continua bloqueado, depois de um helicóptero norte-americano ter sido abatido no Golfo Pérsico.

"Infelizmente, após este ataque, 20.000 habitantes da região ficaram sem água potável e, com as temperaturas a oscilarem entre os 45 e os 50 graus, as condições são extremamente difíceis", indicou um responsável da empresa local de abastecimento de água, segundo a televisão estatal.

"Os recursos de água subterrânea são insuficientes" para substituir os reservatórios danificados, sublinhou.

O Irão denunciou os ataques norte-americanos conduzidos "sob um falso pretexto" e respondeu com ataques com mísseis contra a Jordânia e o Bahrein, países aliados dos Estados Unidos.

Estes novos confrontos ocorrem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter garantido na terça-feira estar perto de um "acordo muito, muito bom" para pôr fim à guerra no Médio Oriente, desencadeada a 28 de fevereiro por uma ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão.


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A China apelou hoje à "calma e moderação" após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática.

Kyiv atingiu vários alvos na Rússia, russos atacaram Odessa e Kharkiv... A Ucrânia atacou esta madrugada uma empresa militar, 600 quilómetros a leste de Moscovo, enquanto os russos atingiram com drones as cidades ucranianas de Odessa e Kharkiv, anunciaram hoje autoridades dos dois países.

© Ukrinform/NurPhoto via Getty Images    Por  LUSA   10/06/2026 

Segundo o governador da região da Chuvásia, Oleg Nikoláyev, uma empresa em Cheboksari, foi atacada por drones e mísseis de cruzeiro.

"Esta madrugada, Cheboksari foi atacada com mísseis. Está a ser apurado o número de vítimas e os danos na infraestrutura", referiu o responsável, enquanto outras autoridades russas alegavam ter intercetado mais de 300 drones em todo o país.

Segundo canais do Telegram, o alvo principal de Kyiv foi a empresa militar VNIIR-Progress, que já tinha sido alvo de outros ataques com drones e mísseis anteriormente.

Entretanto, na região de Vladimir, a 170 quilómetros a leste de Moscovo, registaram-se dois incêndios causados por ataques com drones.

Em Samara, a 855 quilómetros a sudeste da capital russa, drones ucranianos atingiram com uma refinaria de petróleo da empresa estatal Rosneft, uma das maiores da região, embora as autoridades não tenham confirmado o facto.

O presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobianin, afirmou que foram abatidos quatro drones que se dirigiam contra a cidade.

Na península ucraniana da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, drones ucranianos atingiram o edifício do museu e o monumento à Defesa de Sebastopol de 1854-1855, provocando um incêndio.

"Bárbaros e monstros atacaram deliberadamente aquilo que mais apreciamos, tentando destruir a nossa essência. Só uns degenerados absolutos poderiam fazer tal coisa: atacar deliberadamente um museu", disse o governador da cidade, Mikhail Ravzovzháyev.

No total, o Ministério da Defesa russo comunicou ter abatido 326 drones ucranianos sobre as regiões de Belgorod, Bryansk, Volgogrado, Voronezh, Kursk, Kaluga, Lipetsk, Nizhni Novgorod, Rostov, Ryazan, Samara, Saratov, Smolensk, Oryol, Tver, Tula, Ulyanovsk, Krasnodar e na região de Moscovo.

Por seu turno, a Rússia atacou hoje com dezenas de drones as cidades ucranianas de Odessa e Kharkiv.

O governador da região de Odessa, Oleg Kiper, explicou que o ataque russo contra a zona causou danos em pelo menos dois edifícios residenciais e feriu uma mulher.

Por sua vez, o governador de Kharkiv, Oleg Siniégubov, disse que a capital regional foi atacada ao amanhecer com 26 drones.

A Força Aérea ucraniana informou no seu comunicado de hoje que a Rússia lançou um total de 207 drones de longo alcance, dos quais 181 foram neutralizados pelas defesas aéreas.

Outros 21 drones não puderam ser intercetados e atingiram 14 locais do país não especificados.


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Ataques russos na região de Kharkiv, no leste da Ucrânia, causaram quatro mortos e cerca de quinze feridos, anunciaram as autoridades locais.

Amnistia acusa Israel de acelerar "limpeza étnica" na Cisjordânia... A Amnistia Internacional (AI) acusou hoje Israel de desenvolver uma campanha de "limpeza étnica" na Cisjordânia ocupada, através da deslocação forçada de comunidades palestinianas, denunciando a passividade da comunidade internacional.

© JOHN WESSELS / AFP via Getty Images      Por  LUSA    10/06/2026 

Num relatório divulgado hoje em Berlim - intitulado "Eliminar tudo o que é palestiniano: a limpeza étnica de Israel contra as comunidades beduínas e pastoris da Cisjordânia" - a organização de defesa dos direitos humanos sustenta que as autoridades israelitas intensificaram nos últimos anos uma estratégia coordenada para consolidar o controlo sobre a Área C da Cisjordânia, que representa mais de 60% do território ocupado. 

A secretária-geral da Amnistia, Agnès Callamard, defende que o Governo israelita lidera uma "anexação deliberada" do território, em violação do direito internacional, recorrendo à deslocação forçada de comunidades palestinianas, à expansão dos colonatos e ao apoio a colonos envolvidos em atos de violência.

Segundo o relatório, pelo menos 117 comunidades palestinianas, maioritariamente beduínas e pastoris, enfrentaram deslocações totais ou parciais entre janeiro de 2023 e abril de 2026, enquanto cerca de 5.910 pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas durante o mesmo período, de acordo com dados das Nações Unidas.

A organização refere ainda que os colonos israelitas estabeleceram 363 postos avançados na Cisjordânia ocupada até abril deste ano, dos quais 212 foram criados desde 2023, alegadamente com o incentivo ou a tolerância das autoridades israelitas.

A AI acusa igualmente o executivo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de incorporar as prioridades do movimento dos colonos na política estatal, apontando para o aumento da construção de habitações em colonatos, a expansão de infraestruturas e o reforço do financiamento público destinado aos assentamentos.

O documento destaca o caso da aldeia palestiniana de Zanuta, no sul da Cisjordânia, cujos habitantes abandonaram a localidade após sucessivos ataques e intimidações atribuídos a colonos israelitas.

A Amnistia Internacional denuncia ainda um aumento acentuado da violência dos colonos contra palestinianos, incluindo agressões físicas, destruição de propriedades, incêndios e ataques a meios de subsistência, alegando que as autoridades israelitas não apenas falham em prevenir esses atos, mas também contribuem para um clima de impunidade.

A organização apela aos Estados com influência sobre Israel, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e países da União Europeia (UE), para suspenderem qualquer forma de cooperação que contribua para a ocupação dos territórios palestinianos e para imporem sanções contra responsáveis israelitas envolvidos nas políticas denunciadas.

A AI defende igualmente o apoio às investigações do Tribunal Penal Internacional sobre alegados crimes cometidos nos Territórios Palestinianos Ocupados.

As conclusões do relatório foram enviadas às autoridades israelitas em maio.

Numa resposta citada pela organização, o Ministério da Defesa de Israel afirmou que as forças israelitas investigam incidentes de violência atribuídos a colonos e atuam quando necessário para impedir ataques.


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O movimento islamita palestiniano Hamas acusou hoje Israel de aumentar a destruição de infraestruturas na Cisjordânia, referindo avisos de demolição de "dezenas de instalações comerciais e residenciais" na cidade de Hebron.

Irão anuncia ataques contra bases norte-americanas no Bahrein e Jordânia... O Irão anunciou hoje ataques contra bases norte-americanas no Bahrein e Jordânia, em resposta a ataques dos Estados Unidos, por sua vez justificados como retaliação contra o abate de um helicóptero norte-americano no estreito de Ormuz.

© Lusa   10/06/2026 

Os alvos dos ataques aéreos iranianos foram a Quinta Frota dos Estados Unidos, estacionada no Bahrein, e uma base aérea norte-americana na Jordânia, indicaram em comunicados separados a Guarda da Revolução Islâmica e o Exército iranianos, citados pela agência Fars.

O Irão utilizou mísseis e drones para atacar cerca de vinte alvos, entre os quais hangares de caças F-35 em território jordano e sistemas de radar no Bahrein, avançou a Fars.

Teerão advertiu para uma "resposta mais severa", caso continue o que descreveu como "agressão" norte-americana, acrescenta a agência iraniana próxima da Guarda da Revolução.

O Exército do Kuwait indicou na rede social X que os seus sistemas de defesa aérea "estão a intercetar alvos hostis", sem fornecer detalhes.

Os Estados Unidos lançaram novos ataques sobre solo iraniano às 17h00 de terça-feira em Washington, (21h00 TMG), em retaliação pelo abate de um helicóptero norte-americano Apache no estreito de Ormuz.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha anunciado esta terça-feira que haveria represálias pelo ataque iraniano.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou hoje que concluiu uma série de ataques contra alvos iranianos por ordem de Trump, incluindo sistemas de defesa aérea, estações de controlo terrestres e radares de vigilância iranianos localizados perto do estreito de Ormuz.

O CENTCOM assegurou que a operação constituiu uma resposta "proporcional" aos recentes ataques contra forças norte-americanas e embarcações comerciais que transitam pelas águas da região, e afirmou que as suas tropas permanecem preparadas para responder a novas ações que considere agressões por parte do Irão.

Por seu lado, a Guarda da Revolução Islâmica referiu no comunicado que os ataques norte-americanos danificaram uma torre de telecomunicações e dois reservatórios de água na cidade portuária de Sirik, no sudeste do Irão, próxima do estreito.

O helicóptero que desencadeou esta nova escalada de tensões, supostamente atacado pelo Irão, caiu perto da costa de Omã e os dois tripulantes a bordo foram resgatados com vida pelas forças norte-americanas, como anunciou o próprio Trump ao início da madrugada de terça-feira em Nova Iorque, após um jogo da final da NBA.

Antes desta troca de ataques entre EUA e Irão, Israel e a República Islâmica visaram-se mutuamente com o lançamento de mísseis no domingo e na segunda-feira, o que levou Trump a exigir o fim "imediato" das agressões, incluindo pela parte do aliado israelita.

O Presidente norte-americano afirmou na madrugada desta terça-feira que um acordo com o Irão estava em fase de "últimos esforços" e poderia ser assinado em "dois ou três dias", mais um prazo que apresenta após várias semanas de negociações com a República Islâmica.


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O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou hoje que a República Islâmica "não deixará sem resposta qualquer ataque ou ameaça", após forças norte-americanas terem voltado a bombardear o país em retaliação pelo abate de um helicóptero.