quinta-feira, 8 de outubro de 2026

ONU alerta: Falta de fertilizantes pode deixar 45 milhões à fome... O subsecretário-geral da ONU, Jorge Moreira da Silva, alertou hoje para a probabilidade de haver "uma crise humanitária sem precedentes" nos próximos meses devido à falta mundial de fertilizantes, decorrente do conflito no golfo pérsico.

© Global Imagens     Por  LUSA   08/10/2026 

"Os países que produzem fertilizantes decidiram fechar as portas" e "o preço disparou", o que vai provocar uma "crise humanitária sem precedentes", afirmou o também diretor executivo da UNOPS (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos), durante a 7ª conferência de Lisboa, a decorrer em Lisboa para debater a Reconfiguração da Ordem Global.

Avisando que, ao contrário de uma crise alimentar, em que as consequências são imediatas, a falta de fertilizantes só vai mostrar efeitos daqui a alguns meses, Moreira da Silva defendeu que a crise está à porta.

"E o que dizem os meus colegas da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] e do Programa Mundial Alimentar: vamos ter 45 milhões de pessoas atiradas para a fome nos próximos meses", disse.

O especialista da ONU, que lidera um grupo de trabalho para negociar a autorização de passagem de navios com fertilizantes pelo estreito de Ormuz, lembrou que um terço destes bens é originário do Golfo da Pérsia.

Com o conflito no Irão, que depois se espalhou por toda a região, a distribuição de fertilizantes e outras matérias-primas essenciais à agricultura, praticamente parou.

"Os países mais dependentes dos fertilizantes que saem do golfo pérsico são os países mais pobres, como Somália, Sudão, Moçambique, Tanzânia", mas não são só esses países que estão a ser penalizados, sublinhou o responsável.

O próprio mercado internacional de fertilizantes "entrou em disrupção", lembrou, adiantando que a produtividade agrícola, nomeadamente em países africanos, "caiu a pico" por falta de fertilizantes.

Face à perspetiva de crise iminente, as Nações Unidas estão "à espera que a vontade política prevaleça", admitiu Moreira da Silva.

O subsecretário-geral da ONU adiantou que já foram feitas e até testadas propostas para fazer verificação das embarcações que passam no estreito, para que "pelo menos as embarcações com fertilizantes possam passar".

No entanto, lamentou, "neste momento, e ao fim de sete meses de conversas e negociações, que partes no conflito ainda não aceitaram esta ideia".

O estreito de Ormuz é o canal por onde escoa cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes e uma parcela massiva de matérias-primas energéticas, como o petróleo e o gás natural.

Em março passado, a Guarda Revolucionária do Irão reteve dezenas de navios na região do golfo Pérsico, impossibilitando o transporte de cerca de um milhão de toneladas de fertilizantes destinados a mercados como a Europa, Índia, China, Indonésia, EUA e Austrália.


Leia Também:  UE prolonga sanções à Rússia por sabotagens e ataques híbridos

O Conselho da União Europeia prolongou hoje até 09 de outubro de 2027 as sanções à Rússia por atividades híbridas, numa altura em que vários Estados-membros têm atribuído incidentes de sabotagem e incursões de drones a Moscovo.

No total, este regime de sanções abrange 80 indivíduos e 20 entidades, visados com congelamento de bens, interdição de entrada em território europeu e proibição de lhes serem facultados fundos por empresas ou cidadãos europeus.

Este regime de sanções foi criado em outubro de 2024 para visar "pessoas e entidades envolvidas em ações e políticas do Governo da Federação da Rússia que põem em causa os valores fundamentais da UE e dos seus Estados-membros, bem como a sua segurança, estabilidade, independência e integridade"...

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