quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Pentágono rejeita investigar limitações ao Starlink na Ucrânia... O órgão de supervisão do Pentágono recusou um pedido de nove senadores norte-americanos para investigar as recentes limitações no fornecimento à Ucrânia de serviços de internet por satélite Starlink e Starshield.

© Niall Carson/PA Images via Getty Images  Por  LUSA   29/10/2026 

O órgão de supervisão do Pentágono recusou um pedido de nove senadores norte-americanos para investigar as recentes limitações no fornecimento à Ucrânia de serviços de internet por satélite Starlink e Starshield.

Numa resposta obtida pela agência noticiosa AP, datada de terça-feira, o inspetor-geral do Pentágono informou os nove legisladores — quatro republicanos e cinco democratas — que as preocupações apresentadas seriam mais bem respondidas pela Força Aérea.

Os senadores pretendem que sejam investigadas as circunstâncias das limitações, relatadas pelas autoridades ucranianas, das velocidades de ligação no serviço Starlink e na sua versão de uso militar, o Starshield, que prejudicaram a capacidade de intercetar drones de ataque russos, que se deslocam a alta velocidade.

A resposta, segundo a AP, suscitou preocupações entre os legisladores de que os militares — e até o inspetor-geral independente — estariam relutantes em confrontar a influência que o bilionário Elon Musk, dono da SpaceX e aliado do Presidente, exerce sobre as comunicações de defesa.

Jeanne Shaheen, principal democrata no Comité de Relações Exteriores do Senado e uma das signatárias do pedido, afirmou à AP ser «preocupante que o inspetor-geral tenha, aparentemente, decidido não investigar as interrupções nas comunicações via satélite das quais a Ucrânia depende para proteger os seus civis».

«A administração Trump e a SpaceX apresentaram relatos contraditórios sobre o que causou estas interrupções» e «é necessária uma investigação e verificação independentes para determinar as responsabilidades e evitar que isto volte a acontecer no futuro», frisou.

Questionados sobre a restrição, os representantes do governo ofereceram explicações confusas e, por vezes, contraditórias sobre quem teria tomado a decisão.

No passado fim de semana, Musk reconheceu que a SpaceX limitou o serviço da Starlink na Ucrânia, acusando o país de violar os seus termos de serviço — uma alegação que as autoridades ucranianas negaram. Contudo, Musk sustentou que o governo norte-americano controlava quaisquer alterações realizadas no Starshield.

Em 2022, logo no início do conflito, Musk ordenou a interrupção do serviço Starlink em regiões como Kherson e Donetsk, justificando que estava preocupado com uma possível escalada por parte da Rússia.

O Presidente Donald Trump afirmou que não ordenou restrições, enquanto o vice-presidente JD Vance sugeriu que houve uma coordenação entre a Casa Branca e Musk.

Mollie Halpern, porta-voz do gabinete do inspetor-geral, declarou que o órgão de supervisão «analisou cuidadosamente o pedido do Congresso e determinou que as questões levantadas seriam mais adequadamente tratadas pelo Departamento» de Defesa.

«Caso surjam novas informações, poderemos reavaliar a situação», acrescentou Halpern à AP.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou restrições à partilha de informações dos serviços de informações norte-americanos, além das limitações ao funcionamento do Starlink, que já foi restabelecido aos níveis normais.

Zelensky atribuiu os alegados atrasos e restrições a uma tentativa do Presidente norte-americano, Donald Trump, de pressionar Kiev a aceitar as condições exigidas pelo Kremlin para pôr fim à guerra.

Esta semana, Zelensky afirmou que Kiev espera há quase um mês pela autorização norte-americana para receber mísseis de defesa antiaérea para enfrentar os ataques russos.

"Concretamente, estamos há quase um mês à espera de que o senhor Hegseth dê a sua aprovação aos mísseis para os Patriot e NASAMS", acrescentou Zelensky, referindo-se ao secretário da Guerra norte-americano, Pete Hegseth.

Zelensky afirmou ter dado instruções à sua equipa para voltar a abordar a questão com representantes da Casa Branca nos próximos contactos bilaterais.

A Ucrânia enfrenta atualmente uma escassez acentuada de munições para estes sistemas de defesa antiaérea, que são fundamentais para intercetar os mísseis balísticos utilizados pelas forças russas.

A falta de intercetores aumenta a vulnerabilidade das cidades e infraestruturas ucranianas aos ataques aéreos russos.

Os Estados Unidos negaram, contudo, estar a atrasar deliberadamente o fornecimento de armamento à Ucrânia.


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