© Lusa 08/10/2026
"Hoje fala-se muito em crise do multilateralismo, mas esta ideia é, do meu ponto de vista, completamente errada. Nunca houve tantas intervenções multilaterais como há agora", defendeu Paulo Rangel, que falava no colóquio "CPLP 30 anos – Uma Comunidade de Língua e de Futuro", no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
O ministro destacou a importância de os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estarem também integrados noutras organizações regionais, considerando que essa realidade pode reforçar a projeção da comunidade.
"No caso da CPLP é a língua que une os Estados-membros, mas em muitos [casos] são as organizações internacionais. Temos que criar uma rede de organizações regionais multilaterais ou de organizações temáticas multilaterais. É fundamental pôr em rede", disse.
Rangel apontou como exemplo Timor-Leste, que aderiu à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), considerando que a integração dos países da CPLP noutras organizações regionais "dá uma projeção, uma profundidade aos restantes membros da CPLP que é enorme".
"Porque cria aqui um laço comum", acrescentou.
Sobre as Nações Unidas, rejeitou igualmente visões catastrofistas, lembrando que a organização já enfrentou dificuldades no passado, nomeadamente durante a Guerra Fria, quando "nenhuma resolução passava".
"O que acontece é que isso é da natureza das Nações Unidas", afirmou, salientando existir "um desajustamento daquelas que são as potências que têm acesso permanente ao processo de segurança, e aquela que é a multipolaridade que existe".
Rangel acrescentou que Portugal "tem sido um grande advogado da reforma das Nações Unidas".
O ministro destacou ainda a importância da língua portuguesa, afirmando que "a CPLP também é um promotor e um defensor da língua portuguesa".
"Dito isto, eu queria dizer que nós, na CPLP, e vou dizê-lo expressamente, sem nenhum problema, temos hoje uma preocupação que é a Guiné-Bissau", afirmou.
"Porque nós gostávamos de fazer este seminário, este colóquio, com todos os membros da CPLP. E é por isso que nós estamos todos a trabalhar."
A Guiné-Bissau está suspensa da participação nas atividades da CPLP desde dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de novembro desse ano, que interrompeu o processo eleitoral. A decisão da CPLP determina que a suspensão vigore até à retoma da ordem constitucional.
Estavam previstas para 06 de dezembro deste ano novas eleições, mas foi hoje anunciado não estarem reunidas as condições para a votação.
As eleições anteriores, presidenciais e legislativas antecipadas, tinham decorrido em 23 de novembro de 2025, mas o processo foi interrompido pelo golpe militar de 26 de novembro, antes da conclusão do apuramento dos resultados.
Rangel afirmou que essa é uma vontade partilhada pelos Estados-membros e pelos seus responsáveis políticos, sublinhando a importância da Guiné-Bissau para a organização.
"Porque são Estados fundadores, são Estados que amamos muito. E eu queria dizer isto porque para nós isto é uma questão fundamental", afirmou.
O ministro manifestou-se, por isso, esperançado em que o diálogo em curso permita ultrapassar a situação na Guiné-Bissau.
"Estamos esperançados que este diálogo com certeza vai produzir frutos a prazo. Mas queria dizer isto para dizer que aqui, neste dia, para nós não há suspensão sob esse ponto de vista. Nesta discussão em que nós estamos, estamos todos emanados de um mesmo espírito", declarou.
"Queria dar essa palavra quer ao povo guineense, quer às suas autoridades atuais, de que nós queremos mesmo ultrapassar esta situação o mais depressa possível. E temos a certeza de que isso vai ser conseguido", concluiu.
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Bragança, 08 out 2026 (Lusa) — O líder da oposição guineense, Domingos Simões Pereira, disse hoje, em Bragança, esperar que os militares não se eternizem no poder na Guiné-Bissau e pediu um sinal de que querem o regresso à normalidade constitucional.
“Eu espero que não, por isso é que eu disse e continuo a reiterar que se as entidades que controlam o país querem um voto de confiança e uma oportunidade devem alinhar-se com os princípios da reposição da normalidade constitucional”, afirmou, quando questionado pela Lusa sobre se teme que a Guiné-Bissau siga o caminho dos Estados do Sahel que sofreram golpes de Estado...


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