Benjamin Netanyahu discursa durante cerimónia oficial em memória das vítimas do ataque de 7 de outubro em Monte Herzl, Jerusalém, a 5 de outubro de 2026DEBBIE HILL / POOL Por expresso.pt/Agência Lusa 07/10/2026
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, avisou esta quarta-feira que vai continuar "a acertar contas" com os "monstros do Hamas", numa mensagem por ocasião dos três anos dos ataques liderados pelos islamitas palestinianos no sul de Israel, que mataram cerca de 1.200 pessoas.
"A nação une-se neste dia na saudade dos nossos entes queridos. Cumprimos a nossa missão: acertámos contas e continuaremos a acertar contas com todos os assassinos", afirmou o líder israelita, referindo-se à operação militar em grande escala na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023.
Na sua curta mensagem, Netanyahu disse que esta quarta-feira acendeu uma "vela memorial" no seu gabinete, em Jerusalém, "em memória de cada vítima assassinada no dia 7 de outubro pelos monstros do Hamas".
Este ano marca a primeira vez que Israel assinala os ataques de 7 de outubro desde o cessar-fogo alcançado há um ano com o Hamas, e a libertação dos últimos reféns em posse das milícias palestinianas.
Apesar da trégua, a confrontação prossegue. Três palestinianos foram mortos esta quarta-feira em ataques aéreos israelitas na Faixa de Gaza segundo várias fontes locais citadas pela agência France-Presse (AFP).
Em comunicado de imprensa, o exército israelita declarou ter "neutralizado" dois "terroristas", acusando um deles de plantar explosivos no Hospital Kamal Adwan, no norte de Faixa de Gaza, e outro de pertencer ao braço armado do Hamas apesar de ter sido apresentado como funcionário da Defesa Civil do Território.
Israel prestou homenagem às vítimas do 7 de outubro em várias cerimónias e eventos públicos, entre eles um minuto de silêncio em Rems às 6h29 locais (4h29 Lisboa), a hora exata em que começou o massacre no festival de Música Nova, que fez mais de 300 mortos.
Estas homenagens distinguem-se dos eventos oficiais marcados pelo Governo para o dia 5 de outubro, a fim de coincidirem com a efeméride no calendário hebraico.
Esta data serviu igualmente para a realização de protestos. Em Telavive, ativistas desenharam silhuetas na praia simbolizando as vítimas, e exigiram responsabilização pela falha na prevenção dos ataques, num momento em que Netanyahu tem divulgado sucessivos desmentidos sobre avisos prévios que recebeu alegadamente dos Emirados Árabes Unidos e Egito aquando da iminência dos ataques.
Três anos depois, continuam os apelos em Israel para a criação de uma comissão independente de inquérito ao 7 de Outubro, que o primeiro-ministro tem recusado até ao momento.
A imprensa israelita relata também que ativistas tingiram de vermelho a icónica fonte na praça Dizengoff, em Telavive, a par de manifestações em várias localidades do país, incluindo protestos junto das casas de membros do Governo.
Memorial das vítimas de 7 de outubro na fonte da Praça Dizengoff, em Tel Aviv, tingida de vermelho por manifestantes críticos ao Governo de Benjamin Netanyahu EPA/ABIR SULTAN
Ao meio-dia, O Conselho de Outubro, um grupo que reúne sobreviventes dos ataques e famílias atingidas, também observou um minuto de silêncio em todo o país, apesar da principal cerimónia de sobreviventes e familiares estar prevista para a noite desta quarta-feira no centro de Telavive, promovida pela organização Kumu (Ergue-te).
A menos de um mês das legislativas de 27 de outubro, as primeiras desde o início da guerra na Faixa de Gaza, os adversários de Netanyahu - como o ex-primeiro-ministro e líder da coligação Juntos, Naftali Bennett, presente nas cerimónias em Rems - aproveitaram também a data para criticar "um fracasso colossal do Estado".
O principal rival de Netanyahu, o ex-chefe das forças armadas Gadi Eisenkot, que lidera o Yashar e a maioria das sondagens, também se deslocou à mesma área no sul de Israel para visitar um abrigo antibomba atacado durante o 7 de Outubro, junto de uma colega do mesmo partido que perdeu um filho neste local durante os ataques do Hamas.
Eisenkot, que subscreveu um acordo com outros líderes de oposição, também perdeu um filho em combate contra o Hamas nos primeiros meses de guerra na Faixa de Gaza.
Apesar de concorrerem em listas separadas, os principais políticos de oposição pretendem "reparação e reconstrução" do 7 de outubro, incluindo uma comissão oficial de inquérito e o fim das isenções do serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos.
Esta política de longa data tem indignado a maioria secular em tempo de guerra, e está a ser usada pelos opositores para acusar Netanyahu de ameaçar as instituições democráticas do país.
Outdoor de campanha eleitoral exibe o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e o líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, em Tel Aviv, Israel que vai a eleições legislativas a 27 de outubroEPA/ABIR SULTAN
"As eleições mais decisivas da história do Estado de Israel são "entre assumir a responsabilidade e fugir à responsabilidade", escreveu Eisenkot no X, enquanto o Likud, de Netanyahu, adota o lema "a direita ou a Palestina", sugerindo que os seus adversários têm planos de retirada militar da Faixa de Gaza, Líbano, Síria e Cisjordânia, bem como de aceitar o Estado palestiniano.
O chefe do executivo israelita tem alertado nos últimos dias para a possibilidade de ataques contra o seu país até às eleições legislativas, nas quais enfrenta sondagens desfavoráveis. Segundo estudos de opinião, nenhum dos blocos de apoio ao Governo ou da oposição consegue uma maioria para controlar o parlamento.



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