Por Lusa 07/10/2026
O Presidente de transição da Guiné-Bissau, general Horta Inta-a, alertou hoje para o "grave perigo" associado à posse de armas de fogo "escondidas em residências" por militares, noticiou a imprensa local consultada pela Lusa nas redes sociais.
Intervindo no palácio da república, em Bissau, durante a cerimónia de graduação de oficiais-generais, Horta Inta-a exigiu uma "ação firme" dos comandantes para recuperar o armamento e assegurar o cumprimento rigoroso da lei.
A declaração surgiu durante a explicação do Presidente de transição guineense sobre as circunstâncias em que ocorreram algumas movimentações de efetivos militares nos últimos dias, que, disse, têm sido "erradamente" consideradas como "desmantelamento de milícias".
A oposição guineense tem-se referido a "milícias" de jovens soldados recrutados pelo ex-presidente guineense Umaro Sissoco Embaló, colocados como "força anti golpe" no palácio da presidência, em Bissau.
Horta Inta-a explicou que esses militares não foram "mandados para casa", mas sim transferidos para outras unidades militares, nomeadamente para a Polícia de Ordem Pública, Guarda Nacional, Brigada de Ação Fiscal ou SIS (Serviços de Informação de Estado, a "secreta" guineense).
"Tenho recebido informações de que alguns deles têm armas nas suas posses, nas suas casas. Cada comandante que peça a esses jovens para que entreguem as armas e as pistolas. A lei não dá direito a nenhum cidadão para que tenha na sua posse uma arma de fogo de uso militar. Quem for apanhado com arma em casa pode ser expulso da estrutura militar", advertiu.
O Presidente de transição recordou a sua própria experiência profissional, que, disse, é marcada por transferências e despromoções no passado, que sempre aceitou por necessidade de serviço.
O general apelou ao "fim da cultura de força e da intimidação", sublinhando que a estabilidade nacional repousa sobre a coesão e a "estrita obediência" à cadeia de comando.
"Nas Forças Armadas as ordens partem de cima para baixo, do chefe do Estado-Maior para todos os militares. Ordens isoladas, que não tenham partido da hierarquia, não são para serem cumpridas. Militar que cumpre ordem do seu superior hierárquico não está a infringir nenhuma lei", vincou.
Invocando o legado da luta armada pela independência, Horta Inta-a lembrou que a união entre os "combatentes de ontem" foi decisiva para derrotar o colonialismo e o fascismo, assinalando também que o próprio povo português sofreu com aquele regime, marcado pela imposição da guerra colonial aos jovens da época.
Por fim, o general criticou "duramente" o uso das redes sociais para a instrumentalização política, a propagação de divisões e a exibição de força, apelando à moderação e rejeitando discursos extremados que alimentam a tensão institucional no país.
Os militares guineenses protagonizaram no dia 26 de novembro passado um golpe de Estado liderado pelo general Horta Inta-a, antigo chefe de segurança na Presidência da República.
A oposição considerou que se tratou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais, que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa.
O general Horta Inta-a marcou para o dia 06 de dezembro próximo novas eleições legislativas e presidenciais.

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