© Fabrice COFFRINI / AFP via Getty Images Por LUSA 21/09/2026
"Nos últimos três anos, descrevi perante este Conselho o reinado do medo na Rússia. Hoje, dou conta da forma como a Rússia exporta esse reinado do medo", declarou a especialista, Mariana Katzarova, perante o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
"A repressão transnacional não é uma série de incidentes isolados, mas sim a continuação, para além das fronteiras russas, do mesmo sistema estrutural de repressão, apoiado pelo Estado, que documentei na Rússia", acrescentou.
O seu relatório, apresentado diante do Conselho, baseia-se em cerca de 400 casos documentados. A relatora concluiu que esta repressão transnacional constitui "uma estratégia de Estado sistemática e institucionalizada, indissociável da consolidação do regime autoritário no seu território e da guerra de agressão contra a Ucrânia".
A Rússia não reagiu imediatamente ao relatório e não assistiu à sessão do Conselho dos Direitos Humanos.
A perseguição aos exilados políticos "faz parte das práticas do Estado soviético e russo há mais de um século", mas a Rússia tornou-se desde a invasão em grande escala da Ucrânia em 2022 "um dos principais autores de repressão transnacional", segundo Katzarova.
"Esta prática ganhou força, diversificou os seus métodos e expandiu-se geograficamente, voltando-se para os meios clandestinos, administrativos e digitais, assim como para o uso de intermediários, o que torna mais difícil determinar a autoria", observou.
Segundo a especialista - que trabalha sob mandato do Conselho de Direitos Humanos, mas não fala em nome da organização -, a repressão transnacional conduzida pela Rússia envolve, entre outras coisas, vigilância digital, ameaças e intimidações, pressões administrativas ou judiciais e o recurso a intermediários para visar opositores no estrangeiro.
Desde fevereiro de 2022, entre 650 mil e 900 mil pessoas abandonaram a Rússia, sendo a maior onda de emigração política do país desde o século XX, afirmou Katzarova.
"As autoridades russas negam qualquer envolvimento e, por vezes, promovem ou homenageiam os alegados autores" dos crimes, lamentou a especialista.
A relatora da ONU defendeu a adoção de uma convenção internacional vinculativa sobre a repressão transnacional, visando prevenir esta prática, estabelecer responsabilidades e proteger melhor as pessoas visadas.

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