© Sean Gallup/Getty Images LUSA 21/09/2026
"Sim, absolutamente", respondeu o porta-voz adjunto do Governo de coligação formado pela CDU, pela sua aliada bávara União Social-Cristã (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), Sebastian Hille, quando questionado sobre a capacidade do executivo para continuar a governar e tomar decisões.
A CDU sofreu uma derrota em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde, pela primeira vez na sua história, não conseguiu representação no parlamento regional e viu a Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita) ultrapassar o SPD.
Em Berlim, os democratas-cristãos perderam o governo regional, que lideravam desde 2023 em coligação com os sociais-democratas, após uma vitória inédita do partido A Esquerda (Die Linke).
Apesar dos resultados eleitorais e da baixa popularidade do chanceler Friedrich Merz, o dirigente recusou no domingo abandonar a chefia do Governo ou a presidência da CDU e prometeu manter o programa de reformas, mesmo que os resultados não sejam imediatos.
Numa intervenção após a divulgação das primeiras sondagens à boca das urnas, quando ainda não era conhecida a exclusão da CDU do parlamento de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Merz classificou o resultado como "um desastre".
Antes de se dirigir aos apoiantes na sede do partido, em Berlim, o chanceler reuniu-se com a direção da CDU e com os oito chefes de governos regionais democratas-cristãos, que não lhe retiraram a confiança.
Segundo a revista Stern, os dirigentes regionais voltaram, contudo, a reunir-se separadamente durante mais de duas horas, na representação da Renânia-Palatinado em Berlim, sem a presença de Merz.
Questionado sobre o significado desse encontro, Hille desvalorizou a possibilidade de uma contestação interna ao chanceler.
"Não é proibido em lado nenhum, nem há nada de suspeito no facto de os políticos se reunirem e falarem entre si", afirmou Hille, que afastou igualmente a possibilidade de os resultados eleitorais comprometerem o calendário das reformas económicas e sociais previstas pelo executivo.
Entre as medidas em discussão está o fim da possibilidade de reforma antecipada aos 63 anos, sem penalização, para trabalhadores com 45 anos de contribuições, proposta contestada por três chefes de governos regionais do leste alemão.
O porta-voz recordou que Merz transmitiu no domingo "um sinal muito claro sobre a direção a seguir", ao afirmar que o Governo manterá o programa de reformas.
Reconheceu, ainda assim, que existem vozes no SPD favoráveis a ajustamentos e que "a política consiste constantemente em reconsiderar e refletir sobre as coisas".
"Mas isso não significa que vamos agora questionar todo o rumo das reformas", insistiu Merz.
Leia Também: Dirigente da extrema-direita alemã prevê que Merz deixe cargo este ano
Um dirigente do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) previu hoje que o chanceler alemão, Friedrich Merz, já não estará no poder "no final do ano".
"O crepúsculo do chanceler começou", disse em conferência de imprensa Leif-Erik Holm, que venceu no domingo as eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha...


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