© Reuters Por LUSA 03/10/2026
"Reunimos em sede informal com os ministros dos negócios estrangeiros da CPLP sob a égide de Timor-Leste para analisar a situação na Guiné-Bissau", referiu Manuel Amante da Rosa numa conferência de imprensa sobre os encontros que Cabo Verde manteve em Nova Iorque, em setembro, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
"Consertámos posições e recomendámos o envio de uma missão de bons ofícios de alto nível à Guiné-Bissau para apoiar a estabilização política e o retorno à normalidade democrática", referiu.
A reunião decorreu a 25 de setembro, em Nova Iorque, e deu origem a um comunicado, publicado no portal da CPLP, onde se reiterou o apoio para o regresso à "normalidade constitucional de um estado democrático", mas sem fazer referência à missão.
A Guiné-Bissau foi suspensa da organização lusófona em dezembro de 2025, após um golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral e depôs o Presidente Umaro Sissoco Embaló, que a oposição acusa de ter encenado um golpe contra si próprio.
A presidência da CPLP, que era detida por aquele país africano, passou para Timor-Leste.
A propósito da situação na Guiné-Bissau, Manuel Amante da Rosa classificou hoje como "morno" o estado da relação entre aquele país e Cabo Verde.
"A nossa relação, por causa de certas declarações que foram feitas há uns meses, está, eu não diria congelada, mas está num ritmo morno", disse.
"Nós não temos contatos oficiais com a Guiné, apesar de mantermos um diplomata em Bissau", referiu, recordando que o embaixador foi retirado, mas mantém-se um encarregado de negócios na capital guineense.
Questionado sobre um vídeo com alegadas ameaças à representação cabo-verdiana, Manuel Amante da Rosa referiu que o encarregado de negócios optou por ficar em Bissau perto da comunidade, contactou as autoridades e a situação é "tranquila".
O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau anunciou a 15 de julho o "congelamento prático" das relações políticas com o Governo de Cabo Verde, acusando o executivo da Praia de interferência nos assuntos internos do país.
A decisão surgiu em resposta a um apelo feito pelo Governo cabo-verdiano, que solicitou a libertação de Domingos Simões Pereira e manifestou disponibilidade para mediar uma solução pacífica para a crise guineense.

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