Domingos Simões Pereira quis assinalar o "sentimento de alívio dos cidadãos guineenses, tanto no país como na diáspora, perante o desmantelamento do esquadrão de terror que esse senhor [Umaro Sissoco Embaló] havia implantado no país".
Em Lisboa, na Faculdade de Direito onde vai apresentar o seu livro recentemente publicado, o líder do PAIGC sublinhou que há uma "enorme expectativa quanto aos próximos passos".
Esta semana, os acontecimentos precipitaram-se na Guiné-Bissau desde o anúncio por Umaro Sissoco Embaló do seu regresso ao país para se candidatar à Presidência. Desde então, o Alto Comando Militar comunicou que as condições de segurança não estão reunidas para o regresso de Embaló e procederam a movimentações nas Forças Armadas.
Informações segundo as quais foram desarmadas as estruturas militares próximas de Umaro Sissoco Embaló contribuíram para a construcção da narrativa segundo a qual está em curso uma "ruptura política".
Em comunicado, a Frente Popular e o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil saúdam o "fim da instrumentalização das actuais autoridades de facto por Umaro Sissoco Embaló" e exigem o regresso do antigo presidente para que responda perante a justiça "pelos graves crimes que lhe são imputados".
As autoridades de transição fixaram as eleições presidenciais para 6 de Dezembro. No entanto, continuam em vigor medidas de restrições políticas, nomeadamente o encerramento de várias sedes políticas.
Domingos Simões Pereira, detido em Julho pelos militares no poder, foi autorizado no mesmo mês a viajar para Portugal por alegadas questões de saúde, de acordo com o Conselho Nacional de Transição - o que nunca foi confirmado pelo próprio.
Desde Lisboa, o líder na oposição questiona:
Até onde estará disposto a ir o Comando Militar? Aproveitará esta oportunidade para se distanciar claramente de todos os desmandos cometidos à sombra dessa milícia, incluindo aqueles protagonizados por responsáveis políticos? Estou a referir-me aos assaltos às instituições do Estado, e à alteração da ordem constitucional pela via da força. Estará o Alto Comando disposto a assumir a responsabilidade de criar condições objectivas para um diálogo que seja verdadeiramente inclusivo, capaz de conduzir o país ao restabelecimento da normalidade constitucional?

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