Por Jornal Económico com Lusa 11 Outubro 2026
O primeiro-ministro checo, Andrej Babis, qualificou hoje o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para comercializar gasóleo russo como uma “grande bofetada” para a União Europeia (UE).
“Compreendo que [o Presidente norte-americano, Donald Trump] tem eleições pela frente, mas para a Europa isto é uma grande bofetada”, comentou o primeiro-ministro populista de direita no sábado à noite, citado pela agência checa CTK.
“Veremos o que dizem os nossos colegas europeus”, afirmou, recordando que os líderes da UE se vão reunir na quinta e na sexta-feira.
Babis considerou o acordo surpreendente, depois de Trump ter criticado repetidamente os países europeus pelas compras de hidrocarbonetos russos, que contribuem para financiar a guerra de Moscovo contra a Ucrânia.
“Se nem depois disto a Europa compreender que deve finalmente começar a fazer algo, as coisas não vão acabar bem”, disse Babis, também citado pela agência espanhola EFE.
As críticas de Babis a Trump partem de um político que partilha muitas das posições do Presidente norte-americano, especialmente em matéria migratória.
Após chegar ao poder em dezembro de 2025, Babis pôs fim ao financiamento checo da ajuda militar à Ucrânia.
Trump anunciou na sexta-feira um acordo com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, para fornecer de forma imediata 300.000 toneladas de gasóleo russo ao mercado norte-americano e mundial.
O acordo contempla entregas maiores previstas para os próximos meses, o que serviria para baixar o preço do gasóleo, uma das críticas dos norte-americanos a Trump a poucas semanas das eleições intercalares de novembro.
Trump, que abriu na primavera um conflito bélico com o Irão que reduziu o trânsito de petróleo pelo estratégico estreito de Ormuz, culpou a Ucrânia pelo encarecimento do gasóleo devido aos ataques às refinarias russas.
O líder dos Estados Unidos sugeriu mesmo que os ucranianos mudassem de presidente para que seja possível acabar com a guerra com a Rússia, afirmando que Volodymyr Zelensky “não quer chegar a um acordo” com Moscovo.

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