quarta-feira, 23 de setembro de 2026

SERGEI LAVROV garante na ONU que Rússia "não vai interromper" guerra na Ucrânia... A Rússia "não vai interromper" a sua guerra com a Ucrânia, garantiu hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, acusando a Europa de estar a tentar sabotar os esforços de paz.

© Lusa  23/09/2026 

"Gostaria de reiterar que não vamos interromper a nossa operação militar especial", disse Lavrov, numa reunião do Conselho de Segurança sobre a Ucrânia, convocada pelos membros europeus desse órgão da ONU.

"A Europa só quer uma pausa e quer usá-la para encher o regime de Kyiv com armas", acrescentou.

No dia anterior, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, havia dito estar "pronto" para uma moratória nos ataques contra instalações de energia, caso Moscovo fizesse o mesmo.

Já o Presidente norte-americano, Donald Trump, havia assegurado à Assembleia-Geral da ONU que um acordo entre a Ucrânia e a Rússia seria alcançado "mais cedo do que pensamos".

Acusando os países europeus de obstruírem repetidamente os esforços para resolver a guerra na Ucrânia, Lavrov argumentou hoje que o envolvimento ocidental remonta à crise política em Kyiv, em 2014.

O ministro russo afirmou que os governos europeus não conseguiram garantir a implementação dos Acordos de Minsk - assinados em 2014 e 2015 para pôr fim à guerra no Donbass, leste da Ucrânia - e, posteriormente, usaram a diplomacia para ganhar tempo e armar a Ucrânia.

Acusou ainda a Europa de ter trabalhado para sabotar os entendimentos alcançados entre Moscovo e Washington numa cimeira realizada no Alasca no ano passado.

A Federação Russa continua interessada numa solução negociada, disse Lavrov, embora insistindo que não interromperá as operações militares durante as negociações.

Em relação aos objetivos declarados de Moscovo, o líder da diplomacia russa afirmou que qualquer acordo deve levar em conta os interesses de segurança de Moscovo e os direitos dos falantes de russo na Ucrânia.

Lavrov acusou Kyiv de "nazismo" e de "terrorismo", assim como de restringir a língua russa e a Igreja Ortodoxa Ucraniana. Criticou os países europeus e a NATO por apoiarem a Ucrânia apesar dessas supostas políticas.

Também questionou a forma como os princípios da integridade territorial e da autodeterminação são aplicados à Ucrânia, à Crimeia e ao Donbass, argumentando que os governos ocidentais aplicam o direito internacional de forma seletiva.

Na mesma reunião, o embaixador norte-americano junto da ONU insistiu que Donald Trump não defende "que um ou outro lado tem que vencer", estando sim totalmente comprometido em facilitar a paz nesta guerra.

"Devemos notar que a retórica neste Conselho e noutros lugares mudou para o fim da guerra, o que é positivo. Mas agora temos violações do espaço aéreo vizinho, incluindo o espaço aéreo da NATO, que criam riscos que ninguém nesta sala encara com leviandade. E quero deixar claro que condenamos, nos termos mais fortes, quaisquer tentativas de alargar a guerra", disse Mike Waltz.

O representante norte-americano condenou igualmente qualquer tentativa de alargar a guerra.

"Os Estados Unidos estão preparados para mediar, facilitar negociações trilaterais e usar todas as oportunidades diplomáticas disponíveis para aproximar as partes", transmitiu Waltz.

O embaixador destacou ainda o exemplo da primeira-dama norte-americana, Melania Trump, por trabalhar com a Rússia e com a Ucrânia para garantir o retorno de crianças separadas das suas famílias durante a guerra.

"A paz exigirá escolhas difíceis de todos os lados. Exigirá concessões. (...) O Presidente Trump e o Governo dos Estados Unidos estão a fazer a sua parte. Esperamos e rezamos para que a Rússia e a Ucrânia façam a delas. Por favor, vamos parar com a matança e abrir caminho para a paz", concluiu.

Já o representante permanente da China instou todas as partes a exercerem moderação, a cumprirem o Direito internacional humanitário e a absterem-se de atacar civis, infraestruturas civis e trabalhadores humanitários

"A mesa de negociações é o ponto de partida para a paz", afirmou Fu Cong.

Antes da reunião, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, garantiu que o seu país quer a paz e pediu que a Rússia cesse a sua agressão, aceite um cessar-fogo e envolva-se de forma significativa em negociações para uma paz abrangente, justa e duradoura, em conformidade com o direito internacional.


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