terça-feira, 20 de outubro de 2026

Província de Alberta rejeita organizar referendo de independência do Canadá... Os eleitores da província de Alberta, no oeste do Canadá, rejeitaram uma proposta para iniciar um processo rumo à independência, segundo os resultados divulgados esta madrugada.

Por  swissinfo.ch  20 outubro 2026 

A província canadense de Alberta rejeitou por ampla maioria um plano para organizar um referendo de independência, segundo resultados divulgados nesta terça-feira (20), uma derrota para os separatistas, que tinham entre seus apoiadores alguns aliados do presidente americano Donald Trump.

A emissora pública CBC e o canal privado CTV projetaram uma ampla vitória para o campo federalista. Segundo resultados oficiais baseados na apuração de mais de um terço das cédulas, mais de 76% dos eleitores votaram a favor da unidade nacional.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou na rede social X que os cidadãos de Alberta “fizeram uma escolha clara”.

“Eles escolheram a unidade para construir juntos e cuidar uns dos outros”, destacou o chefe de Governo, que defendeu a necessidade de estabilidade nacional, enquanto o presidente americano Donald Trump trava uma guerra comercial e não para de anunciar ameaças de anexação.

As pesquisas indicavam que menos de 25% da população da província do oeste do país deseja a independência.

A Autoridade Eleitoral de Alberta informou que 1,4 milhão dos 3,1 milhões de eleitores registrados votaram de maneira antecipada. 

“Foi incrível ver o entusiasmo e a determinação dos canadenses”, disse Thomas Lukaszuk, que dirige o ‘Forever Canadian’, grupo que fez campanha pela unidade nacional em toda a província.

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, conservadora, disse que votou contra a independência, mas que convocou o referendo para encerrar uma questão que dividia a província.

Se a maioria votasse a favor da separação, ela prometeu que avançaria com o processo para um referendo vinculante. Em contrapartida, se os federalistas vencessem, Danielle afirmou que a questão da secessão deveria ser considerada concluída.

– “Perigoso” –

Carney, que cresceu em Alberta, qualificou o referendo como um sinal “perigoso”, enquanto Trump prossegue com uma guerra comercial contra seu país e faz ameaças de anexação destinadas – segundo o primeiro-ministro – a abalar a determinação canadense.

Alberta possui a quarta maior reserva comprovada de petróleo do mundo. O impulso independentista da província despertou interesse entre os aliados de Trump.

Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo e apoiador de primeira linha de Trump, publicou no X este mês que Alberta “deveria se separar”. Líderes separatistas também compareceram a reuniões no Departamento de Estado americano e se encontraram com políticos republicanos.

Grande parte do impulso separatista de Alberta é consequência do descontentamento com a gestão do setor energético por parte de Ottawa. Muitos habitantes de Alberta detestavam o antecessor de Carney, Justin Trudeau, a quem acusavam de tentar frear a produção de petróleo para promover sua agenda climática.

“Se você quer que eu aponte quem é responsável pelo sentimento separatista, acho que é Justin Trudeau”, declarou a primeira-ministra Danielle Smith ao podcast Canadaland neste mês.

Em um comício separatista em Edmonton no sábado, Sandy Martel, de 61 anos, disse que as pessoas ligadas à indústria do petróleo se sentem “roubadas, enganadas e maltratadas”.

– Tática –

Analistas compararam as táticas de Danielle Smith — de encerrar a questão da separação com um referendo — com as do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron, que esperava resolver o debate sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia por meio de uma votação.

O Reino Unido acabou saindo da UE no processo conhecido como Brexit. O referendo de segunda-feira incluiu 10 perguntas, entre elas várias relacionadas à imigração.

No entanto, a principal era a número 10, que pediu aos eleitores para escolher entre: “Alberta deve continuar sendo uma província do Canadá?” ou se a província deve iniciar o processo para um referendo vinculante sobre “se Alberta deve ou não se separar”.

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