© Shutterstock Por noticiasaominuto.com 05/10/2026
Os automóveis atuais têm uma componente digital cada vez mais forte, o que está a dar aso a recolha de dados sem que os utilizadores se apercebam. É o que mostra um estudo realizado nos Estados Unidos da América.
O trabalho da Northeastern University decorreu entre outubro de 2024 e agosto de 2025, abrangendo 21 viaturas e 30 aplicações móveis num ambiente controlado e espaço fechado. Muitos dos automóveis testados neste trabalho eram elétricos, de várias marcas e modelos - incluindo de luxo.
Foi registado o tráfego de rede de cada carro em diferentes cenários: parado sem atividade, parado com todas as ações possíveis realizadas e em condução a velocidades entre 8 e 72 km/h. E também foram recolhidos dados com os veículos dentro de uma gaiola de Faraday, que bloqueia ondas eletromagnéticas - deixando-os isolados de sinais de wifi e redes móveis.
Os investigadores concluíram que 19 automóveis "contactaram pelo menos uma terceira parte via wifi, incluindo domínios conhecidos de publicidade e rastreamento". E os condutores nem se apercebem. No que toca às aplicações móveis, sete delas transmitiram a partes externas dados sensíveis de identificação - desde números de identificação do veículo (VIN) à localização precisa, passando por números telefónicos e até endereços de correio eletrónico (e-mail). E 28 enviaram dados a pelo menos uma empresa externa de publicidade ou análise de dados.
Há diferentes comportamentos entre modelos da mesma marca, sendo que o Cadillac Lyriq, o Chevrolet Blazer, o Lucid Air e os Tesla Model 3 e Cybertruck são dos que enviam dados a mais empresas externas.
Citada pela Consumer Reports, a co-autora Nicole Zagson referiu: "Estejam ou não conscientes, as grandes empresas de tecnologia estão presentes em todos os veículos que conduzimos".
E Sarah Elizabeth Gillespie, que também participou no estudo, foi mesmo mais longe: "Não parece que um cliente possa comprar um carro novo que não o rastreie".
A Honda, por exemplo, deu instruções à fornecedora Amplitude para excluir todos os dados de localização que tinha recebido, depois de ter sido confrontada com os resultados do estudo.
Os nipónicos, assim como a General Motors ou a Stellantis, garantiram que entidades externas estão proibidas de fazer uso dos dados dos condutores ou de os vender independentemente. E vários construtores explicaram à Consumer Reports que algumas ligações das aplicações abrem páginas externas em que empresas terceiras podem aí recolher dados sem que o utilizador saiba.
Este trabalho identificou uma "grande distância entre o que os fabricantes de automóveis revelaram publicamente e a forma como o ecossistema de um veículo conectado partilha dados na internet".
Assim, considera que urge "melhor transparência para garantir uma maior visibilidade de todo o ecossistema para identificar e resolver os prejuízos associados".
Leia Também: Ataque informático extrai dados de 8,8 milhões de pessoas na Dinamarca
A base de dados das pessoas residentes ou registadas na Dinamarca foi alvo de um ataque informático, que permitiu o acesso aos dados de 8,8 milhões de pessoas, anunciou hoje o Ministério dinamarquês responsável pelas questões digitais.
"Aadministração do registo nacional constatou que pessoas não autorizadas obtiveram acesso ilegal, nomeadamente a nomes, moradas e números CPR (equivalente ao número de segurança social) de cerca de 8,8 milhões de pessoas registadas", segundo um comunicado.
Está em curso uma investigação, mas, nesta fase, os autores desta intrusão ainda não foram identificados, segundo a mesma fonte...


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