terça-feira, 6 de outubro de 2026

Protestos em França? "Não é sobre escolas, é sobre o Islão", diz Trump... O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou que os protestos que decorrem em França desde meados de setembro são "nada menos do que uma migração em massa fora de controlo", apontando que o "Islão quer assumir um país que já foi grande".

© Kent NISHIMURA / AFP via Getty Images   Por  Notícias ao Minuto  06/10/2026 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou, esta segunda-feira, dia 6 de outubro, que os protestos que decorrem em França são "nada menos do que uma migração em massa fora de controlo", apontando que o "Islão quer assumir um país que já foi grande".

"O que está a acontecer em França é nada menos do que uma migração fora de controlo. Isto não é sobre escolas, é sobre o Islão que quer assumir um país que já foi grande", escreveu Donald Trump na plataforma social Truth Social. 

Recorde-se que, iniciado a 17 de setembro na região parisiense, um movimento de estudantes que reivindica mais recursos para as suas escolas expandiu-se gradualmente, no meio de um clima social tenso, a pouco mais de seis meses da eleição presidencial.

Notícias ao Minuto

A mobilização ocorre em plena polémica devido às acusações mútuas de violência entre polícias e menores, que teve segunda-feira outro dos seus pontos altos, quando um adolescente de 15 anos perdeu uma mão, em circunstâncias ainda sob investigação, durante confrontos à porta de uma escola secundária de Lens (norte de França).

Hoje, os protestos estudantis reuniram entre 256.000 e 450.000 manifestantes, segundo os diferentes números divulgados pelas autoridades e pelos sindicatos, respetivamente, numa jornada que decorreu de manhã sem grandes incidentes.

Apenas em Paris, o Ministério do Interior francês calculou em 56.000 o número de participantes na marcha encabeçada pelos alunos do ensino secundário, enquanto as centrais sindicais elevaram esse número para 100.000. Em todo o país o governo francês calcula em 256 mil o total de manifestantes, enquanto os sindicatos falam em cerca de 450 mil.

Em todo o caso, trata-se de um dos maiores protestos deste ano e de um reflexo do descontentamento social de uma boa parte dos franceses com a deterioração dos serviços públicos e com o aumento do custo de serviços básicos, como os de energia.

Desde que a revolta eclodiu, em meados de setembro, foram registados mais de 600 polícias e agentes da Gendarmaria e pouco mais de 200 estudantes feridos e mais de 5.000 detenções em todo o país, além de danos nos estabelecimentos de ensino e no mobiliário urbano já avaliados em várias dezenas de milhões de euros.

A convergência das lutas entre estudantes, sindicatos e a esquerda ocorre após a apresentação do plano orçamental para 2027 do Governo de Sébastien Lecornu, criticado por incluir medidas de poupança que o executivo justifica devido à elevada dívida do país (quase 120% do PIB) e à pressão que as obrigações francesas sofrem nos mercado.


Leia Também: Protestos estudantis juntam 86 mil e fecham quase 900 escolas em França

O protesto estudantil em França juntou hoje de manhã 86 mil pessoas em manifestações em várias cidades ao redor de Paris e fechou, parcial ou totalmente, quase 900 escolas, avançou o Ministério do Interior.

Segundo o ministério, um quarto do total de escolas secundárias suspendeu as aulas hoje antes do início de uma manifestação em Paris, apoiada pelos sindicatos de professores e que, de acordo com fonte policial, deverá reunir entre 20 mil e 40 mil manifestantes.

O protesto começou há cerca de duas semanas numa escola secundária da região de Paris, mas rapidamente se transformou num movimento nacional de pressão sobre o Governo do Presidente cessante Emmanuel Macron, marcado por confrontos com a polícia e tumultos...

Presidente de Transição exonera dois membros do Governo... O Presidente de Transição da República da Guiné-Bissau, General de Exército Horta Inta-a, exonerou dois membros do Governo, através do Decreto Presidencial n.º 22/2026, datado de 6 de outubro.

Foram exonerados o Brigadeiro-General Mamasaliu Embaló, do cargo de Ministro do Interior e da Ordem Pública, e Virgínia Maria da Cruz Godinho Pires Correia, do cargo de Ministra das Pescas e Economia Marítima.

Segundo a nota informativa da Presidência da República, as exonerações produzem efeitos imediatos.

A decisão foi assinada pelo Presidente de Transição, General de Exército Horta Inta-a, em Bissau, a 6 de outubro de 2026

Por  Radio TV Bantaba    06/10/2026 

Explosão a norte de Riade após ataques dos rebeldes do Iémen... Uma explosão foi ouvida hoje no norte da capital da Arábia Saudita, disseram residentes à agência francesa AFP, horas depois de ataques ao aeroporto internacional de Riade reivindicados pelos huthis do Iémen.

© FAYEZ NURELDINE/AFP via Getty Images  Por  LUSA   06/10/2026 

Desconhece-se ainda o local onde ocorreu a explosão e se causou vítimas ou danos.

A nova explosão surge em plena intensificação das trocas de tiros entre a Arábia Saudita e os combatentes huthis pró-iranianos do Iémen.

Os rebeldes disseram que atingiram na segunda-feira o aeroporto internacional da capital saudita, Riade, e uma refinaria da petrolífera estatal Aramco.

Justificaram que os ataques constituem uma resposta ao apoio aéreo do reino saudita à contraofensiva lançada pelas forças iemenitas no domingo.

A coligação que apoia o Governo iemenita desde 2015 disse estar em curso a operação "Alvorecer do Iémen" para recuperar partes do território do Iémen nas mãos dos huthis, incluindo a capital, Sana.

As forças da coligação reivindicaram na segunda-feira à noite ganhos territoriais em zonas estratégicas do litoral do mar Vermelho perdidos em setembro para os huthis.

A coligação liderada pela Arábia Saudita afirmou que estava a prestar um "apoio aéreo 24 horas por dia às forças armadas iemenitas no terreno".

Os huthis denunciaram 60 ataques aéreos sauditas em 24 horas.

Em resposta, afirmaram que atacaram o aeroporto de Riade com drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

Visaram também uma refinaria da Aramco em Rabigh, instalações militares e dois aeroportos no sul do país, disse o porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree.

A Arábia Saudita confirmou hoje os ataques dos huthis contra os aeroportos em Jizan e Najran, que causaram três feridos ligeiros e danos materiais.

Os combatentes huthis alertaram as companhias aéreas de que o espaço aéreo sobre a Arábia Saudita "não é seguro", com exceção das cidades santas de Medina e Meca, que sustentam nunca ter tido como alvo.

As hostilidades entre as forças governamentais e os huthis, no poder numa grande parte do Iémen há uma década, reataram em julho após anos de acalmia, abrindo uma nova frente na guerra no Médio Oriente.

Após ofensiva relâmpago em setembro, os huthis tomaram o controlo de todo o litoral oeste do Iémen, que confina com o mar Vermelho.

Desde então, visam regularmente as instalações petrolíferas e militares do reino vizinho.

A Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas pediram apoio internacional, nomeadamente aos Estados Unidos, sem sucesso até ao momento.

Após uma reunião em Riade, a Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita concordaram em passar "imediatamente à aplicação prática do acordo de defesa mútua" que assinaram em agosto em Meca.

Decidiram "tomar as medidas necessárias para fornecer as forças e meios militares acordados, e implantá-los rapidamente no reino", de acordo com um comunicado conjunto dos três países.

Esta é a primeira vez que é acionado o acordo, que associa o segundo maior exército da NATO (Turquia), a principal potência do golfo Pérsico (Arábia Saudita e a única potência nuclear do mundo muçulmano (Paquistão).

A coligação dirigida pela Arábia Saudita no Iémen anunciou na segunda-feira à noite ter atingido alvos militares em Al-Hodeida, grande porto do mar Vermelho sob controlo dos huthis.

Os huthis reforçaram em setembro o controlo sobre o estreito de Bab el-Mandeb, na região.

A importância estratégica de Bab el-Mandeb aumentou com o bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, do outro lado da península Arábica, após o início da guerra no Médio Oriente em fevereiro.

As forças governamentais reivindicaram na segunda-feira à noite ter "repelido os huthis da zona de Bab el-Mandeb, do aeroporto de Dhubab, do campo de al-Omari e da cidade de Mokha".

Fontes militares abstiveram-se, contudo, de confirmar oficialmente a retomada de Mokha.

A coligação declarou igualmente "assegurar a proteção aérea do estreito de Bab el-Mandeb", essencial para o transporte de hidrocarbonetos.


Guarda Nacional detém suspeito de homicídio à facada em Sedengal... O Núcleo de Investigação Criminal da UT n.° 02/NORTE da Guarda Nacional (GN) deteve, na manhã desta terça-feira, 6 de outubro, um indivíduo de 25 anos de idade, indiciado pelo homicídio de Quiletche N'TCHAMA.

Por  GN - Guarda Nacional   06/10/2026 

A detenção ocorreu por volta das 09h00, na localidade de Sedengal, no norte da Guiné-Bissau.

O suspeito encontrava-se em fuga desde a madrugada do passado dia 4 de outubro. 

O crime ocorreu por volta da 01h00 desse dia, na aldeia de Lopaz — uma zona fronteiriça nos arredores de Sedengal —, na sequência de uma discussão motivada por um telemóvel pertencente à vítima. 

A altercação escalou rapidamente para agressões físicas, culminando no esfaqueamento mortal de Quiletche N'TCHAMA.

Após dois dias de diligências e buscas consecutivas, a GN conseguiu localizar e intercetar o jovem na aldeia de Catel, que será colocado à disposição das instâncias judiciais competentes do país.

CRONOLOGIA: Do 7 de Outubro à guerra no Irão: Cronologia do conflito no Médio Oriente... Os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 em Israel lançaram uma vaga de conflitos que atingiu desde logo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, mas também vários países do Médio Oriente até chegar ao Irão.

© Amir Levy/Getty Images   Por   LUSA   06/10/2026 

Durante a devastadora campanha israelita de resposta aos islamitas no enclave palestiniano, a guerra atraiu os aliados do Irão no Médio Oriente, o chamado "Eixo da Resistência" que também integra o Hamas, arrastando vários países da região, a começar pelo Líbano.

Mas o conflito foi alargado ao longo dos últimos três anos, passando por Síria, Iraque e Iémen, até chegar ao próprio Irão e à região do Golfo.

Eis uma cronologia de alguns dos principais conflitos no Médio Oriente desde o 7 de Outubro:

2023

07 Out – Às primeiras horas da manhã, milhares de 'rockets' são disparadas sobre Israel a partir da Faixa de Gaza, antes de combatentes palestinianos liderados pelo Hamas romperem as linhas de separação entre os dois territórios.

Durante a "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", cerca de 1.200 pessoas são mortas em comunidades israelitas, instalações militares e da polícia e no festival de música Nova, e outras 251 são levadas como reféns.

Os ataques mais sangrentos de sempre em Israel chocam a comunidade internacional e, no mesmo dia, Telavive lança a "Operação Espada de Ferro" na Faixa de Gaza.

08 out - O grupo xiita libanês Hezbollah dispara dezenas de projéteis contra posições militares no norte de Israel, em solidariedade com a "resistência palestiniana".

Israel responde com tiros de artilharia em zonas do sul do Líbano.

16 out - Começa a retirada de civis do norte de Israel, onde cerca de 60 mil pessoas ficarão deslocadas junto da fronteira com o Líbano.

27 out – Início da invasão terrestre do norte de Faixa de Gaza, levando mais de um milhão de pessoas a fugir das suas casas.

31 out – Os rebeldes Huthis, aliados do Irão no Iémen, lançam mísseis balísticos e drones contra Israel, em apoio dos "irmãos oprimidos na Palestina" e ameaçam manter os ataques até ao fim da guerra na Faixa de Gaza.

02 nov – A Resistência Islâmica no Iraque, uma aliança de grupos xiitas apoiados pelo Irão, reivindica o primeiro de vários ataques aéreos contra Israel.

24 nov – Primeira trégua entre Israel e Hamas: durante uma semana, são trocados 105 reféns (81 dos quais israelitas) por 240 prisioneiros palestinianos e entra ajuda humanitária no território.

Nesta altura, as autoridades do enclave palestiniano, controladas pelo Hamas, registam cerca de 15 mil mortos, na maioria civis.

2024

11 jan – Uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos lança uma ofensiva contra os Huthis no Iémen, em resposta às ameaças dos rebeldes à navegação no Mar Vermelho.

26 jan – Após uma queixa da África do Sul, o Tribunal Internacional de Justiça ordena a Israel que tome "todas as medidas possíveis para proteger a população palestiniana e evitar qualquer ato de genocídio na Faixa de Gaza".

01 abr - Um ataque aéreo atribuído a Israel atinge o consulado do Irão em Damasco e mata 16 pessoas, incluindo dois generais iranianos e outros cinco membros da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime iraniano.

13 abr – O Irão realiza o primeiro ataque direto contra Israel, disparando mais de 300 mísseis e drones.

19 abr – Teerão confirma "fortes explosões" na província de Isfahan, no centro do país, após Israel ter anunciado que iria responder aos ataques iranianos.

07 mai - O exército israelita assume o controlo do lado palestiniano da passagem fronteiriça com o Egito em Rafah, durante as operações terrestres no sul do enclave.

O balanço de mortes na Faixa de Gaza é nesta altura de cerca de 34 mil, na maioria civis, segundo as autoridades locais.

22 mai - Espanha, Irlanda e Noruega anunciam a intenção de reconhecer o Estado da Palestina, decisão formalizada dias depois, a 28 de maio.

31 jul - O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, é morto num ataque em Teerão atribuído a Israel, depois de assistir à posse do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

25 ago – O Hezbollah desencadeia um vasto ataque com centenas de 'rockets' e drones contra o norte Israel, em retaliação pelo assassínio, em Beirute no mês anterior, de Fuad Shukr, braço direito do líder do movimento, Hassan Nasrallah.

17 e 18 set - Numa ação de sabotagem sem precedentes, Israel faz explodir simultaneamente milhares de aparelhos de comunicação e 'pagers' de membros do Hezbollah em várias partes do Líbano, causando 37 mortos e 3.000 feridos.

22 set – Após fortes ataques aéreos cruzados entre Israel e Hezbollah, a ONU alerta para "uma catástrofe iminente" na região.

No dia seguinte, o exército israelita recomenda aos habitantes do sul do Líbano que abandonem zonas próximas de potenciais alvos do Hezbollah.

28 set - Israel mata Hassan Nasrallah e outros altos dirigentes do Hezbollah num ataque à sede do movimento, em Dahieh, na periferia sul de Beirute.

01 out - As forças israelitas iniciam uma invasão terrestre no sul do Líbano, na mesma área de atuação dos militares da missão da ONU (FINUL). Ao mesmo tempo, prosseguem os bombardeamentos intensivos em zonas do Hezbollah, eliminando vários dos seus dirigentes políticos e militares. No mesmo dia, o Irão lança bombardeamentos com 180 mísseis balísticos contra Israel, em retaliação pelos assassínios dos líderes do Hamas e do Hezbollah.

28 out – Israel responde com vagas de ataques aéreos em várias regiões da República Islâmica, incluindo Teerão.

21 nov – O Tribunal Penal Internacional (TPI) emite mandados de captura para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para o seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes de guerra e contra a humanidade e uso da fome como método de guerra na Faixa de Gaza.

O TPI visa também o antigo líder militar do Hamas Mohammed Deif, que tinha sido eliminado em 13 de julho, embora a sua morte só tenha sido confirmada mais tarde.

27 nov - Israel e Hezbollah acordam um cessar-fogo, com mediação de França e Estados Unidos, que prevê a retirada das tropas israelitas e das milícias do Hezbollah no sul do Líbano.

As autoridades libanesas registam quase quatro mil mortos e perto de 1,4 milhões de deslocados até ao anúncio da trégua. Do lado israelita, são contabilizadas as mortes de 82 soldados e 47 civis.

08 dez - O Presidente sírio, Bashar al-Assad, é derrubado por uma aliança de grupos rebeldes liderada por Ahmad al-Sharaa, um ex-jihadista apoiado pela Turquia e com passado ligado a grupos terroristas, com os quais já tinha entretanto rompido.

No mesmo dia, Israel anuncia que se posicionou na zona tampão desmilitarizada no sul da Síria, com vista a proteger as suas comunidades nos Montes Golã ocupados.

Nas semanas seguintes, as forças israelitas bombardeiam centenas de alvos militares na Síria.

2025

19 jan – Entra em vigor o segundo cessar-fogo entre Israel e o Hamas, durante o qual 33 reféns são trocados por cerca de dois mil prisioneiros palestinianos.

Em menos de dois meses, o exército israelita retomará as operações militares na Faixa de Gaza.

13 jun – Israel lança uma ofensiva aérea contra o Irão, visando o seu programa de enriquecimento de urânio, incluindo cientistas e também dirigentes e altas patentes militares.

Durante a chamada "guerra dos 12 dias", os dois países lançam fortes ataques mútuos com mísseis e drones até à declaração de um cessar-fogo.

O anúncio da trégua é feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, depois de ordenar que bombardeiros B2 atingissem três instalações nucleares na República Islâmica.

22 ago – Peritos de uma comissão independente da ONU declaram fome na Cidade de Gaza e pela primeira vez no Médio Oriente, alertando que 500.000 pessoas enfrentam uma situação catastrófica.

O primeiro-ministro israelita rejeita o que classifica de uma "mentira descarada" manipulada pelo Hamas.

09 set – Israel reivindica um "ataque dirigido" contra líderes do Hamas, sem especificar o local, pouco depois de terem sido registadas explosões em Doha, Qatar, no local onde se reuniam negociadores do grupo palestiniano.

16 set - Uma comissão internacional independente de investigação da ONU acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza.

A diplomacia de Telavive "rejeita categoricamente" este "relatório tendencioso e mentiroso" e pede a dissolução imediata da comissão.

21 e 22 set – Uma dezena de países ocidentais reconhecem oficialmente o Estado da Palestina - entre os quais Portugal ao lado de potências como Reino Unido, França e Canadá.

Esta vaga de reconhecimentos ocorre em plena guerra na Faixa de Gaza e aplicação de fortes restrições impostas à população da Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde o 07 de Outubro, acompanhadas de uma escalada de violência "sem precedentes", segundo a ONU, atribuída ao exército israelita e colonos radicais.

Em resposta a este movimento diplomático, Netanyahu comenta que se trata de "uma enorme recompensa ao terrorismo" e avisa que o Estado da Palestina "não vai acontecer".

29 set – O Presidente norte-americano anuncia um roteiro de 20 pontos para a Faixa de Gaza, que inclui um cessar-fogo e a libertação de todos os reféns, bem como a abertura do diálogo com vista a um acordo definitivo.

10 out – O cessar-fogo na Faixa de Gaza entra em vigor e, nos dias seguintes, são devolvidos os últimos 20 reféns vivos e 28 mortos, em troca de quase dois mil prisioneiros palestinianos.

O compromisso prevê também o reforço da entrada de ajuda humanitária no território e a retirada das forças israelitas para trás do que designaram como "linha amarela".

Os meses seguintes serão marcados por sucessivas acusações mútuas de violação do acordo e os ataques israelitas tornam-se quase diários.

2026

28 fev – Após uma série de ultimatos de Donald Trump ao Irão relacionados com o seu programa nuclear, os Estados Unidos e Israel iniciam uma ofensiva aérea conjunta contra a República Islâmica e matam o seu líder supremo, Ali Khamenei, e outras altas personalidades iranianas.

O Irão responde de imediato contra Israel e países do Golfo, sob o pretexto de albergarem bases militares norte-americanas.

Ao mesmo tempo, impõem um bloqueio naval no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais, fazendo disparar os preços dos combustíveis.

02 mar – O Hezbollah retoma os ataques aéreos contra o norte de Israel, em solidariedade com o Irão.

18 mar – O Irão lança bombardeamentos contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar, onde atinge a principal instalação de gás qatari, em Ras Laffan.

Os ataques contra instalações energéticas no Golfo surgem em resposta a bombardeamentos israelitas do campo de gás de South Pars, integrado no maior complexo do mundo e partilhado com o Qatar.

Além daqueles três países, as forças iranianas atacam em várias ocasiões ao longo do conflito o Iraque, Omã, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Síria, visando não só alvos relacionados com os Estados Unidos, mas também infraestruturas económicas, sobretudo petrolíferas.

12 abril – Delegações dos Estados Unidos e do Irão terminam horas de negociações históricas frente a frente na capital do Paquistão mas não chegam a acordo sobre os temas essenciais do programa nuclear e de produção de mísseis de Teerão. As conversações também são infrutíferas ao nível do apoio iraniano a grupos armados no Médio Oriente, em troca da suspensão de sanções.

No dia seguinte, o Presidente norte-americano ordena um bloqueio naval aos portos iranianos.

14 abr – Representantes do Líbano e Israel, países sem relações diplomáticas, realizam um primeiro encontro de paz em Washington. O Hezbollah não reconhece este diálogo, tal como rejeita o seu desarmamento ordenado por Beirute.

31 mai – Após várias semanas de bombardeamentos intensivos no Líbano, Israel alarga as posições militares que mantinha desde o conflito anterior no sul do país para zonas que não ocupava há mais de um quarto de século.

O novo conflito aberto repete o cenário já vivido em 2024, provocando nos meses seguintes mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades de Beirute, e acima de 1,2 milhões de deslocados.

17 jun – Estados Unidos e Irão acordam um memorando de entendimento, que inclui um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano.

No entanto, o memorando vai colapsar com os dois lados a retomar os respetivos bloqueios, sem que prossigam negociações previstas no memorando para um acordo de paz definitivo em menos de dois meses.

26 jun – Israel e Líbano aceitam um acordo-quadro, que prevê o posicionamento de forças regulares libanesas em zonas-piloto no sul do país, das quais os militares israelitas deverão retirar-se.

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah prosseguem.

08 jul – Donald Trump declara que o cessar-fogo com o Irão "acabou", mas que as negociações podem continuar.

Seguem-se vários dias de novos bombardeamentos contra a República Islâmica, que responde contra países árabes da região.

04 ago – O chefe do Governo israelita recusa retirar as suas tropas da Faixa de Gaza até ao completo desarmamento do Hamas, em reação ao acordo anunciado na semana anterior pelo líder da Casa Branca, entretanto já aceite pelos islamitas palestinianos.

Em pausa, ficam os 15 pontos previstos no roteiro (que inicialmente eram 20 pontos) apresentado pelo Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, que, além da retirada israelita e desmilitarização do enclave, inclui a criação de um governo tecnocrático palestiniano, uma força internacional de estabilização e a reconstrução do território.

07 ago – Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam um acordo de defesa mútua para fazer face à escalada de confrontação militar no Médio Oriente.

19 ago – Benjamin Netanyahu avisa a Turquia que não vai permitir o aumento da presença militar turca na Síria, um dia depois de Israel bombardear uma base aérea no norte do país, sob justificação da alegada presença de uma delegação de Ancara.

25 ago - O líder das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de maioria curda, anuncia a dissolução do grupo armado que lutou contra a organização terrorista Estado Islâmico e a integração dos seus combatentes no exército regular, adiando a aspiração a uma autonomia alargada no norte do país.

25 ago – O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apresenta a "Operação Pária Económico", que procura isolar a economia iraniana, através de sanções secundárias a entidades e indivíduos que desenvolvam relações comerciais com Teerão.

27 ago - Irão e Omã declaram progressos nas negociações da gestão conjunta do estreito de Ormuz, com eventual cobrança de portagens, mas o acordo fica por formalizar.

08 set - Doze países ocidentais, na maioria europeus e incluindo Portugal, anunciam a preparação de sanções contra colonos israelitas na Cisjordânia

Segundo as Nações Unidas, a escalada de violência nos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, resultaram na morte de mais de 1.100 palestinianos desde 07 de outubro de 2023, dos quais 250 eram crianças.

10 set - Os Huthis conquistam a cidade de Moka, numa vasta operação militar contras as tropas governamentais, e alargam o seu controlo no oeste do Iémen junto ao mar Vermelho e estreito de Bab el-Mandeb, que serve de alternativa a Ormuz.

Os Huthis alegam que os seus avanços militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial, exceto para os navios da Arábia Saudita, aliado do Governo iemenita, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.

O reacendimento da guerra civil no Iémen leva a uma sequência de bombardeamentos entre Huthis e Arábia Saudita.

22 set – O Departamento do Tesouro norte-americano anuncia uma proibição dos voos de companhias aéreas iranianas. Apesar de as ligações com China e Rússia, parceiros próximos da República Islâmica, continuarem, vários países do Médio Oriente aderem às novas sanções, que Teerão classifica como "desumanas".

23 set – Mais de 1.400 palestinianos foram mortos em ataques israelitas desde a entrada em vigor do cessar-fogo na Faixa de Gaza, segundos dados das autoridades do território considerados fiáveis pela ONU, elevando o total de vítimas mortais para acima de 74 mil.

24 set - Dezenas de delegações abandonam a sala plenária da 81.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, e boicotam o discurso de Benjamin Netanyahu.

Antes de começar a sua intervenção, o líder israelita convida os "cobardes morais" que ainda não tinham saído do local a fazê-lo naquele momento.

30 set – O copiloto de um avião da FlyDubai com destino a Telavive, com 180 passageiros israelitas a bordo, ataca o comandante, supostamente com a intenção de derrubar o aparelho.

Os relatos descrevem que só a resistência do comandante e a ação de vários passageiros impediram os planos do copiloto, um cidadão de Omã com registos de radicalismo islâmico, e permitiram uma aterragem de emergência na Arábia Saudita com todos os ocupantes a salvo.

O caso é tratado pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos e de Israel como um ato terrorista e ocorreu um dia depois de Netanyahu ter alertado para a possibilidade de um ataque ao seu país até às eleições legislativas de 27 de outubro.

30 set - Os Estados Unidos concluem a sua retirada militar oficial do Iraque, país que invadiram há mais de 20 anos para derrubar o regime de Saddam Hussein e onde liderava uma coligação internacional de combate ao Estado Islâmico.

A saída é celebrada em Teerão, que vê uma oportunidade de alargar a sua influência num país de maioria xiita, e ocorre a par do objetivo do Governo de Bagdad de desarmar os grupos integrados na Resistência Islâmica no Iraque, que, ao longo do conflito no Golfo, atacaram Estados vizinhos, em apoio a Teerão.

04 out - O Irão está a analisar a mais recente proposta feita pelos Estados Unidos, através do Qatar e adverte para a impossibilidade de uma "solução militar" para a guerra.

Dias antes, Donald Trump tinha rejeitado uma proposta iraniana para reabrir o estreito de Ormuz e discutir o programa nuclear de Teerão, em troca do levantamento das restrições à economia iraniana.

Durante a Assembleia-Geral da ONU, o líder da Casa Branca disse que tinha de escolher entre "aniquilar" o Irão ou chegar a um acordo, advertindo que uma solução diplomática só seria possível após as eleições intercalares para o Congresso norte-americano, agendadas para 03 de novembro.


OMS: Dois em cada três jovens europeus sofreram abusos... Dois em cada três jovens europeus afirmam ter sido vítimas de abusos, negligência, violência doméstica ou outras experiências adversas semelhantes durante a infância, segundo um inquérito divulgado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

© Lusa   06/10/2026 

De acordo com o estudo, realizado junto de 26 mil pessoas com idades entre os 18 e os 30 anos na União Europeia, Noruega e Islândia, um em cada cinco inquiridos revelou ter vivido quatro ou mais tipos de experiências adversas na infância.

Entre estes, 76,3% afirmaram ter necessitado de apoio profissional em matéria de saúde mental.

Segundo os resultados, este grupo apresenta uma maior probabilidade de sofrer violência, mas também de a exercer, tendo frequentemente sido alvo de 'ciberbullying' durante a infância. Os dados foram recolhidos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

A OMS indica que uma maior exposição a experiências adversas na infância aumenta o risco de abandono escolar, desemprego ou de viver em agregados familiares de baixos rendimentos. Os inquiridos tendem também a revelar menor confiança nos outros e um fraco sentimento de pertença à comunidade.

"Quando uma criança cresce num ambiente de violência ou num lar em crise, não deve surpreender-nos que essas experiências a acompanhem anos mais tarde na escola, no mercado de trabalho e nas suas relações", afirmou a diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa, Natasha Azzopardi-Muscat.

A responsável sublinhou que não se trata de um problema que afeta apenas uma minoria nem apenas uma questão de saúde mental, mas também de um desafio social e económico que exige a intervenção de vários setores para além dos serviços de saúde.

Face aos resultados, a OMS apelou a medidas para combater as condições que favorecem estas situações, nomeadamente a pobreza, a exclusão social e a violência nas comunidades.

A organização recomendou ainda que os sistemas de saúde e apoio social, bem como os setores da educação e da justiça, sejam capazes de identificar e responder de forma adequada às pessoas afetadas por adversidades na infância, ajudando-as a "quebrar o ciclo antes de este ser transmitido à geração seguinte".


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

GUINÉ-BISSAU: TOMADA DE POSSE DE NOVOS RESPONSÁVEIS DO DIPIC... Realizou-se hoje dia 5 outubro, nas instalações do Comissariado Nacional da POP, cerimónia de tomada de posse de novos responsáveis do Departamento de Informação Policial e Investigação Criminal (DIPIC) da POP na sequência das nomeações em comissão de serviço para o exercício de diferentes funções de responsabilidade no seio daquela estrutura.

Por  Comissariado Nacional da Polícia de Ordem Pública Guiné-Bissau  05/10/2026 

Um momento que representa um reforço do compromisso institucional com a disciplina, a competência, a responsabilidade e o profissionalismo no exercício da missão policial.

Foram nomeados para as seguintes funções:

● Subinspetor/Mestre Zeca Sousa Cordeiro -  Coordenador do Departamento de Informação Policial e Investigação Criminal Centro;

● Subinspetor Félix Batista -  Coordenador do DIPIC no Comando Regional Norte;

● Subinspetor Alfucene Embaló -  Conselheiro do Comandante do DIPIC;

● Inspetor Isnaba Ndetche Intchene -  Delegado Regional do DIPIC na Região de Cacheu;

● Inspetor António Mendes - Adjunto do Chefe da Divisão de Delitos Económicos do DIPIC;

● Agente Domingos Tambá - Adjunto do Chefe da Divisão de Informação Policial do DIPIC;

● 1.º Subchefe Marcelino Bosse - Chefe da Brigada de Análise e Avaliação do DIPIC;

● 2.º Subchefe Fatu Djau - Chefe da Brigada de Registo e Arquivo do DIPIC;

● Agente Demba Baldé - Chefe da Brigada de Narcotráfico do DIPIC;

● Agente João Bacar Jalo - Chefe da Brigada de Delitos Económicos do DIPIC;

● Agente João Bacas Mendes - Chefe da Brigada de Recolha de Dados de Informação do DIPIC;

● Agente Aniquela S. G. Fernandes- Delegada do DIPIC na 1.ª Esquadra da POP;

● Agente Abdu Djassi- Chefe da Brigada de Gestão e Base de Dados do DIPIC;

● Agente Ivanildo Gomes- Chefe da Brigada de Furto do DIPIC;

● Agente Jailson A. Mango- Chefe da Brigada de Instrução de Processos do DIPIC.

A Polícia de Ordem Pública felicita os empossados e formula votos de êxito no desempenho das novas funções, apelando ao elevado sentido de responsabilidade, dedicação e espírito de missão, em prol do reforço da segurança e da proteção dos cidadãos.

PJ DETÉM SUSPEITO DE ABUSOS SEXUAIS EM SÉRIE CONTRA MENORES

Por  Polícia Judiciária da Guiné-Bissau   05/10/2026 

A Polícia Judiciária (PJ), através da Brigada de Combate aos Crimes contra Mulheres e Crianças, deteve e apresentou ao Ministério Público, esta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, um homem de cerca de 30 anos, suspeito de abusos sexuais reiterados contra menores, sobretudo crianças do sexo masculino.

O indivíduo volta a ser alvo de investigação por factos de natureza sexual envolvendo menores, sendo este, segundo os elementos disponíveis na Polícia Judiciária, o quarto processo em que surge referenciado por suspeitas semelhantes.

A repetição das denúncias e a natureza dos factos investigados levam as autoridades a tratar o caso com particular preocupação, por revelar um padrão reiterado de alegadas condutas de natureza sexual dirigidas contra crianças, circunstância que coloca o suspeito sob investigação por possíveis abusos sexuais em série.

Todos os processos anteriormente registados envolvendo o mesmo indivíduo foram remetidos ao Ministério Público para os competentes procedimentos de investigação e eventual responsabilização criminal 

16 de Outubro de 2026 - Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo” de Nely Nyaka na UCCLA

Fonte Anabela Carvalho,  Assessora de Comunicação  UCCLA   05-10-2026 

Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo” na UCCLA

A solidariedade e o apoio aos mais necessitados ocupam um lugar de destaque nas memórias de Nely Nyaka, reunidas no livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”, que será apresentado no dia 16 de outubro, pelas 18 horas, no auditório da UCCLA.

Relatada na primeira pessoa, a obra cruza o percurso pessoal da autora com as transformações históricas e sociais do país onde nasceu, incluindo o processo revolucionário. Entre experiências, desafios e vivências, sobressai a atenção dedicada aos outros e à ajuda a quem mais precisa, conferindo ao seu testemunho uma forte dimensão humana e solidária.

A sessão será moderada por Fernando Jorge Cardoso, especialista em assuntos africanos, e contará com a presença de Gita Honwana Welch, coautora e apresentadora da obra, e de José Manuel Lopes de Castro, editor da Blue Book.

O lançamento do livro será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa/ 

Biografia:

Nely Nyaka nasceu no dia 2 de novembro de 1920, na Catembe, Moçambique. O seu ativismo social começou cedo, primeiro no seio da Igreja Metodista Wesleyana e, mais tarde, no Instituto Negrófilo (que depois assumiu a designação de Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique). Esteve na criação e foi uma das mais notáveis dinamizadoras da Associação Pfuna, dedicada a mitigar a pobreza e a miséria de crianças órfãs.

Em 1939, casou-se com Raul Bernardo Honwana e foram viver para a Moamba, tiveram oito filhos.

Raul, que militou no Grémio Africano nos tempos de Karel Pott, publicou, em 1984, um livro de memórias, que vem constituindo referência em muitos trabalhos académicos.

Inspirada pelos trabalhos do seu marido, que faleceu em 1994, Nely decidiu também deixar, por escrito, o seu legado às novas gerações. Estas memórias percorrem uma longa e enriquecida vida de uma extraordinária personagem deste século moçambicano, mulher dotada de uma memória prodigiosa, exemplo de probidade e repositórios de valores.

Profunda conhecedora de Lourenço Marques (Maputo) e, mais particularmente, dos seus bairros periféricos, onde cresceu, Nely Nyaka fala-nos, em Mahanyela - A vida na periferia da grande cidade, dos marcos geográficos e sociológicos da sua cidade, das famílias que a habitavam, das práticas e dos costumes da comunidade e dos artifícios a que se recorria para mitigar a pobreza, e para vencer as enormes barreiras criadas pelo poder colonial a todos os que não fossem brancos.

Estendendo-se até aos nossos dias, o relato da Vovó Nely, como era carinhosamente chamada, acompanha com muito humor e surpreendente lucidez - que desmente os seus quase 100 anos de idade - as profundas transformações que ocorreram na história recente do país. Pelo seu ineditismo, este livro é um acervo imprescindível para o conhecimento e estudo futuros, transformando-se assim num referencial importante da moçambicanidade.

Faleceu a 5 de abril de 2024, aos 103 anos. 

Sinopse:

O livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”, da autoria da minha Mãe, Nely Nyaka, abrange um período de cerca de 100 anos.  Nasceu a 2 de novembro de 1920, em Ka Tembe, e veio a falecer a 5 de abril de 2024, aos 103 anos.

Mahanyela é uma palavra na língua Ronga (uma das mais de 40 línguas nacionais em Moçambique) que se traduz literalmente por ´Forma de Viver´/Forma de Ser/Forma de Estar.

O livro foi inicialmente publicado em outubro de 2018, uma semana antes de autora completar 98 anos, com o título ´Mahanyela: a Vida na Periferia da Grande Cidade´, sob chancela da editora Moçambicana Marimbique.  

Através da sua história pessoal, a autora põe o leitor em contacto com a vida nos bairros suburbanos da grande cidade de Ka Mpfumo, mais tarde Lourenço Marques e hoje Maputo.  

Ela fá-lo assinalando os principais marcos geográficos e sociológicos da ‘sua’ zona da cidade. Mahanyela presenteia o leitor com uma cartografia urbana em que as referências importantes sãos os caminhos, as casas de famílias e os moradores,  as cantinas, as escolas, os locais de culto, os mercados, as relações entre os diferentes grupos de moradores, no contexto de mudanças profundas, convulsões sociais e transformações sociopolíticas e culturais que, ao longo de várias décadas foram influenciando as formas de viver dos habitantes de Ka Mpfumo/Lourenço Marques/Maputo, nos subúrbios da grande cidade e não só. 

Os meus pais, acreditavam fervorosamente na importância de mandar os filhos à escola, custasse o que custasse, mas isso não diminuía a necessidade que sentiam de nos equipar, com outras formas de conhecimento, especialmente aquelas que nos dessem a consciência de quem somos e donde viemos. 

Inspirada pela publicação, em 1985, do livro de Memórias do seu marido, Raúl Bernardo Honwana, Nely Nyaka achou importante deixar também por escrito a sua história de vida, como parte do um legado comum. 

Neste livro ela refere também alguns dos temas que foram tratados no livro Memórias do meu pai, consequência inevitável dos 54 anos que tiveram de vida em comum e que a ambos marcaram profundamente. Mas no livro Mahanyela esses temas têm um tratamento diferente por ser também diferente a perspetiva do narrador. No relato da minha mãe (ao invés da dimensão política claramente presente em Memórias), ela ressalta a perspetiva local, o lado doméstico, da comunidade, a abordagem feminina, a candura da observação.

Dos 54 anos do seu casamento com o meu pai (falecido em outubro de 1994), 27 foram vividos na Moamba, uma vila localizada a 75 quilómetros da capital, onde o meu pai era o intérprete da administração. Segundo a autora, a Moamba moldou-nos de uma forma muito especial, a nós e aos nossos filhos.

Foi efetivamente na Moamba aonde ela começou a sua vida de mulher adulta, casada e mãe de família. Nesse percurso, ela invoca e reconhece a importância do apoio e solidariedade dos locais, nomeadamente amigos, compadres, régulos, comerciantes, pessoal para as crianças da saúde e caminhos de ferro. Mas é também nesse período que ela aprofunda laços de parentesco e amizade com famílias que viviam nas proximidades da Moamba, no Sábie, em Ressano Garcia, Pessene, Dingue, Tenga, entre outros.

A vila de Ressano Garcia próximo da fronteira de Komatipoort entre Moçambique e a África do Sul, tinha para nós um charme especial que incluía as compras anuais de Natal. Depois do ritual das compras em Komatipoort, havia os almoços e jantares em casa dos nossos familiares, os Mognes, e frequentemente a convivência com amigos de família como os Garridos, os Pintos, os Isaías, entre tantos outros. No fim da visita a Ressano Garcia havia sempre um refresco, na esplanada do glamoroso Hotel Costa Pereira. 

A autora esteve no centro de grandes realizações e sucessos, que partilha connosco na sua narrativa - o seu ativismo social, capacidade de organização, carácter de grande frontalidade e coragem e extrema facilidade de criar empatia e se relacionar com outros seres humanos, incluindo, de origens, raças e culturas diferentes da sua. Mas ela esteve também no centro de grandes tragédias pessoais que partilha igualmente connosco, em Mahanyela - a cegueira do seu filho Raúl, aos seis anos, resultado de uma febre meningite, a prisão pela PIDE do seu marido, Raul Honwana em 1962, do seu filho Luís a 23 de dezembro de 1964, a morte trágica do seu filho Fernando, no desastre aéreo que igualmente vitimou o primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, e tantos outros episódios.

Nesta obra, a autora não se limitou a contar como eram as coisas no antigamente. Ela expressa preocupação com questões candentes da nossa sociedade, como a relação dos diferentes grupos linguísticos no mosaico nacional e os resquícios de tribalismo que ainda existem. Discute também temas da vida política do país, não hesitando em exprimir discordância ou desagrado em relação a certos posicionamentos oficiais no processo de governação de Moçambique. 

Este livro contém histórias que ultrapassam, na sua dimensão, a memória de uma só família ou de uma só pessoa. 

Coube-me a mim o privilégio de recolher da minha mãe esta narrativa, que é inteiramente sua, para a transformar num livro, que é agora publicado em Portugal. 

Que privilégio!

Gita Honwana Welch

Comandante da NATO vai apresentar "teoria da vitória" sobre Rússia... O comandante supremo aliado da NATO na Europa, o general norte-americano Alexus Grynkewich, apresenta na próxima semana a sua "teoria da vitória" sobre a melhor forma de derrotar a Rússia em caso de ataque, foi hoje anunciado.

© Omar Havana/Getty Images  Por  LUSA   05/10/2026 

"O conceito de vitória do comandante supremo aliado na Europa é simples: manter a vantagem da NATO, o que é consistente com os planos de dissuasão e defesa da Aliança e os complementa", afirmou o porta-voz do general norte-americano, o coronel Martin O'Donnell.

"Dado o ambiente de segurança global volátil e complexo, devemos agora criar as condições para dissuadir qualquer agressão e, se necessário, prevalecer em caso de ataque", acrescentou O'Donnell.

Segundo o porta-voz, o responsável máximo pelo planeamento e pela execução de todas as operações militares da NATO irá detalhar as suas ideias numa conferência de segurança a realizar em Varsóvia na próxima segunda-feira.

Esta iniciativa do responsável militar de mais alta patente da organização surge numa altura em que a NATO procura enviar uma mensagem a Moscovo para que ponha fim ao que as autoridades ocidentais descrevem como uma "campanha híbrida" contra os apoiantes da Ucrânia.

Tradicionalmente, a NATO mantém em segredo os seus elaborados planos de defesa para neutralizar qualquer ataque da Rússia.

Os receios têm aumentado nos últimos meses, à medida que a presidência russa (Kremlin) parece intensificar as suas ações com vários incidentes de grande impacto, incluindo a descoberta de um drone carregado de explosivos num aeroporto alemão.

O chefe do serviço de informações externas da Alemanha, Martin Jager, acusou hoje a Rússia de intensificar a sua "guerra secreta" contra a Alemanha, aumentando o risco de conflito armado.

Jager afirmou que o confronto com Moscovo assumiu uma "nova e mais perigosa dimensão" através de campanhas híbridas de espionagem, cibercrimes e sabotagem.


Leia Também: Fortes explosões ouvidas em Riade e ONU alerta para escalada

Fortes explosões foram ouvidas esta segunda-feira à noite em Riade, na Arábia Saudita, país que tem sido alvo frequente de ataques dos huthis do Iémen, segundo residentes e um jornalista da agência France-Presse (AFP).

Uma das explosões foi ouvida em zonas próximas do aeroporto internacional da capital saudita e fez "tremer as janelas", relatou um residente à AFP.

As explosões ocorrem num contexto de intensificação dos combates no Iémen e dos ataques transfronteiriços contra a Arábia Saudita...

COMUNICADO DE IMPRENSA... Sobre as notícias relativas à alegada interdição do Estádio Nacional 24 de Setembro e a um suposto pedido de desculpas da CAF à Federação Nigeriana de Futebol

Por  Federação de Futebol da Guiné-Bissau   05/10/2026 

A Federação de Futebol da Guiné-Bissau tomou conhecimento das notícias postas a circular nas últimas horas, originárias de uma conta de redes sociais da imprensa desportiva nigeriana e reproduzidas por alguns órgãos nacionais, segundo as quais a Confederação Africana de Futebol teria interditado o Estádio Nacional 24 de Setembro e apresentado desculpas à Federação Nigeriana de Futebol. Perante a perturbação que tais notícias causaram na opinião pública, a FFGB vem esclarecer o seguinte:

A FFGB não recebeu, até à presente data, qualquer notificação, decisão, relatório ou comunicação da CAF relativa à interdição do Estádio Nacional 24 de Setembro, nem tem conhecimento de qualquer pedido de desculpas dirigido pela CAF a outra federação.

As notícias em causa não provêm de nenhum canal oficial da CAF. Assentam numa publicação de uma conta de redes sociais nigeriana, e os próprios órgãos de comunicação que as reproduziram apresentam-nas como meras informações alegadas, sem documento, sem comunicado e sem qualquer fonte institucional identificada.

A CAF é uma instituição que se rege por regras e procedimentos próprios. Uma decisão sobre a homologação ou interdição de um recinto desportivo pressupõe, nos termos da regulamentação aplicável, uma inspeção técnica realizada no terreno pelos serviços competentes, a elaboração do respetivo relatório e a sua comunicação prévia à federação membro interessada, à qual é sempre assegurado o direito de se pronunciar. Nenhum destes passos ocorreu. A CAF não decide através da imprensa, nem por intermédio de terceiros, matérias que dizem respeito a uma federação sua associada.

Recorda-se que o Estádio Nacional 24 de Setembro foi inspecionado e homologado pela CAF para acolher os jogos das eliminatórias do Campeonato Africano das Nações de 2027, e que o encontro entre a Guiné-Bissau e a Nigéria se realizou com a aprovação do Comissário de Jogo e da equipa de arbitragem designados pela CAF, sem que tenha sido determinada qualquer medida em contrário.

O resultado desportivo de 3-0 foi conquistado em campo, com mérito e de forma inequívoca. O próprio selecionador e jogadores da Nigéria reconheceram publicamente a superioridade da seleção guineense e assumiram a responsabilidade pela derrota. Nenhuma narrativa posterior altera esse facto.

A FFGB lamenta que se procure desvalorizar uma vitória legítima dos Djurtus através da difusão de informações não confirmadas, e apela aos órgãos de comunicação social nacionais para que, antes de publicarem matérias desta gravidade, procedam à confirmação junto das fontes oficiais, em respeito pelo dever de rigor e pela confiança do público.

A FFGB mantém com a CAF um relacionamento institucional regular e permanece em contacto com os seus serviços. Caso venha a ser recebida qualquer comunicação oficial sobre esta matéria, a FFGB exercerá os direitos que lhe assistem e informará de imediato a opinião pública.

A FFGB tranquiliza toda a sociedade guineense, os adeptos e a família do futebol nacional: as notícias em causa não têm, até ao momento, qualquer suporte oficial. A Federação continuará a trabalhar, em articulação com o Governo e as entidades competentes, na melhoria contínua das condições do Estádio Nacional, e a seleção prossegue serenamente a sua preparação para os próximos compromissos.

Os Djurtus lideram o Grupo L com mérito. Unidos, seguimos rumo ao CAN 2027.

Bissau, 5 de outubro de 2026

Rivaldo Cá

O Comité Executivo da FFGB 

ESTUDO: Cerca de 50 eurodeputados aparecem em pornografia 'deepfake"... Pelo menos 46 eurodeputadas – uma em cada seis – e quatro eurodeputados apareceram em imagens de pornografia 'deepfake' gerada por inteligência artificial sem o seu consentimento, avança uma investigação hoje divulgada no Parlamento Europeu.

© Getty    Por  LUSA    05/10/2026 

O estudo, realizado pela plataforma alemã Agora Digitale Transformation e liderado pelo investigador Benjamin Shultz, examinou 200 domínios conhecidos por acolherem pornografia 'deepfake' e, pesquisando os nomes de todos os eurodeputados, encontrou 50 casos, 46 deles envolvendo mulheres, de sete dos oito grupos do Parlamento Europeu.

Entre os 50 casos, há material que pode ser acedido diretamente ou que liga os nomes dos eurodeputados a "aplicações de nudismo", mas também conteúdo indexado de páginas retiradas do ar pelos tribunais.

O documento não nomeia nenhum dos eurodeputados afetados, mas alguns, como Lena Schilling, dos Verdes alemães, decidiram tornar públicas as suas experiências.

"Estou tão indignada que preciso de falar sobre isto. Imagine chegar ao trabalho um dia, abrir o portátil e descobrir que há fotografias suas, nua, 'online', fotografias que nunca tirou. Foi o que aconteceu comigo e com muitas outras mulheres. É uma sensação horrível", disse Schilling em conferência de imprensa.

Num outro relatório, a Agora Digitale Transformation explorou também o impacto da pornografia 'deepfake' nos membros dos parlamentos nacionais europeus e encontrou 147 casos, 138 deles envolvendo mulheres.

Tanto a eurodeputada como o relatório apontam para o efeito intimidatório que a existência destas imagens pode ter nas mulheres jovens que estão na vida pública, com cerca de 22% das políticas a ponderarem abandonar os seus cargos após sofrerem violência digital, segundo a organização de defesa dos direitos humanos Hate Aid.

"As 'deepfakes' sexualizadas não são tanto um novo fenómeno tecnológico, mas antes uma nova ferramenta para um problema antigo: a violência contra as mulheres. As tendências da nossa análise têm as mesmas raízes misóginas do assédio e do 'bullying' 'offline'", refere.

Os investigadores alertam que, embora a inteligência artificial generativa não tenha criado este fenómeno, tornou a sua produção mais barata e rápida, além de muito mais difícil de detetar.

O relatório sublinha que a legislação europeia sobre a chamada "pornografia 'deepfake'" é insuficiente para proteger as vítimas, uma vez que só atua depois de o dano já ter acontecido e depende de as próprias vítimas encontrarem o conteúdo e o denunciarem.

Além disso, salienta que a maioria das obrigações legais "se aplica apenas a grandes plataformas 'online', enquanto a maior parte dos danos ocorre em 'sites' pequenos e, muitas vezes, 'offshore'".

Vítimas e investigadores estão focados no dia 02 de dezembro, data limite para as plataformas se adaptarem às últimas alterações à lei da inteligência artificial, que proíbe sistemas de IA que geram material de abuso sexual infantil ou criam conteúdo que mostre as partes íntimas de uma pessoa identificável, ou atividades sexualmente explícitas, sem o seu consentimento.

"Não pode haver lacunas nem atrasos", enfatizou Schilling.


Leia Também: Metsola promete resposta a caso de eurodeputados vítimas de 'deepfakes'

A presidente do Parlamento Europeu disse hoje que a instituição vai responder "com todos os meios ao seu alcance" após cerca de 60 eurodeputadas terem sido vítimas de imagens geradas por inteligência artificial em 'sites' de pornografia.

"Fui informada de que cerca de 60 membros desta casa foram alvos de 'deepfakes' [imagens, vídeos ou áudios gerados por inteligência artificial] em 'sites' de pornografia que publicam imagens falsas e manipuladas, sobretudo de mulheres", afirmou Roberta Metsola no início da sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo...

ESPANHA: Das tensões ao bloqueio no parlamento: Sánchez põe fim a legislatura... O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convocou hoje eleições antecipadas para 29 de novembro, pondo fim a uma legislatura marcada por casos judiciais, tensões do poder executivo com juízes e um bloqueio legislativo no parlamento.

© Eduardo Parra/Europa Press via Getty Images   Por  LUSA   05/10/2026 

Sánchez, primeiro-ministro desde 2018, foi reinvestido no cargo em 2023 após acordos com oito partidos, de esquerda e de direita, incluindo independentistas do País Basco e da Catalunha.

A legislatura só arrancou depois de ter aceitado levar uma lei de amnistia para independentistas catalães ao parlamento, algo que disse que não faria até à véspera das eleições.

A amnistia foi aprovada pelo parlamento (pela mesma geringonça), levou à rua centenas de milhares de pessoas e marcou o início de uma tensão com o poder judicial, com o Tribunal Supremo a negar até hoje a amnistia ao ex-presidente regional Carles Puigdemont, que continua a viver na Bélgica para escapar à justiça.

Seguiu-se uma série de investigações judiciais que envolvem pessoas próximas de Sánchez, por suspeita de corrupção, e que acabaram por marcar a legislatura.

Em paralelo, a geringonça de sensibilidades tão diferentes revelou-se difícil de gerir, com o Governo a ter de negociar medida a medida com todos os partidos e a ver rejeitadas propostas que considerava essenciais, como as destinadas à habitação, que acabaram por precipitar a convocatória de eleições hoje.

O bloqueio parlamentar acabou mesmo por transformar a legislatura atual na primeira da história democrática de Espanha que termina sem que o Governo tenha apresentado uma única proposta de Orçamento do Estado aos deputados.

Quando aos casos judiciais, serviram reiteradamente de argumento para pressionar uma antecipação das legislativas previstas para 2027.

Sánchez disse sempre que tanto o Governo como o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que também lidera, estão "limpos", e que por causa dos casos que envolvem a mulher, Begoña Gómez, e o irmão, David Sánchez, disse mesmo que há juízes em Espanha que fazem política.

Estes são os principais casos judiciais que envolvem familiares de Pedro Sánchez e antigos dirigentes do PSOE:

Irmão condenado por prevaricação

David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, foi condenado este ano "prevaricação administrativa" por um tribunal de Badajoz, que lhe aplicou a pena de inibição de exercer um trabalho público durante nove anos.

O irmão do primeiro-ministro foi condenado "como autor por cooperação necessária de um delito de prevaricação administrativa", depois de ter sido julgado, em primeira instância, por prevaricação e tráfico de influências, tendo sido absolvido deste último delito.

Em causa está a suspeita de que em 2017 foi criado um posto de trabalho propositadamente para David Sánchez na administração da província de Badajoz, liderada pelos socialistas, numa altura em que Pedro Sánchez ainda não era primeiro-ministro, mas estava já à frente do PSOE.

O próprio Pedro Sánchez anunciou um recurso do irmão para uma instância superior, ainda sem desfecho.

Mulher processada por dois crimes

Begoña Gómez, casada com Pedro Sánchez, vai ser julgada por tráfico de influências e desvio de fundos públicos, por um júri popular.

Em causa está o trabalho de Begoña Gómez com uma universidade, que o juiz de instrução considerou ter sido favorecido por "determinadas decisões públicas".

A acusação de desvio de fundos públicos está relacionada com uma assessora da Presidência do Governo que, por isso, auferia um salário pago com dinheiro público, mas, segundo o juiz, também prestava serviços a Begoña Gómez ligados à atividade profissional da mulher do primeiro-ministro.

Ex-ministro condenado a 24 anos de prisão por corrupção com máscaras

O ex-ministro dos Transportes e antigo dirigente do PSOE José Luis Ábalos, que foi um "braço direito" de Pedro Sánchez no Governo e no partido, foi condenado este ano a 24 anos e três meses de prisão por corrupção na compra de máscaras durante a pandemia de covid-19, quando ainda estava no executivo.

Perante as suspeitas de corrupção, Ábalos, ministro entre 2018 e 2021, foi expulso do PSOE em 2024.

Foi um dos dirigentes do PSOE mais próximos de Sánchez, por fazer parte, com Santos Cerdán, do núcleo duro que o acompanhou no percurso até à liderança do PSOE (em 2017) e do Governo (em 2018).

Suspeitas de corrupção na cúpula do PSOE

O caso das máscaras originou outro processo mais alargado, ainda em curso, em que estão a ser investigadas suspeitas de corrupção na cúpula do PSOE, relacionadas com eventuais comissões na adjudicação de obras públicas.

Além de Ábalos, esta investigação envolve um antigo "número 3" do PSOE e ex-deputado Santos Cerdán, que também fez parte do núcleo que levou Sánchez à liderança do partido e do Governo.

"Caso Leire Diez" e a alegada tentativa de influenciar e desprestigiar investigações

Esta investigação judicial tem no centro uma antiga militante do PSOE, Leire Diez, com suspeitas de ter havido dentro do partido uma operação que tentaria interferir ou desprestigiar as investigações policiais e do Ministério Público que envolvem familiares de Sánchez e ex-dirigentes socialistas.

Segundo o sumário judicial do caso, seria "uma organização estruturada", em torno de Leire Diez e coordenada por Santos Cerdán, que pretendia "desestabilizar de maneira sistemática" as investigações, incluindo com campanhas mediáticas e de desinformação.

Zapatero indiciado por tráfico de influências

O antigo primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero está indiciado por tráfico e influências e lavagem de dinheiro num processo judicial aberto para investigar o resgate da companhia aérea Plus Ultra em 2021.

A Plus Ultra, de pequena dimensão, beneficiou em 2021 de um resgate financeiro de 53 milhões de euros, concedidos na modalidade de empréstimo pelo Governo espanhol de Sánchez, que na altura criou um fundo para resgatar empresas consideradas estratégicas que estavam com dificuldades por causa da covid-19.

A investigação a Zapatero envolve ainda suspeitas de fraude fiscal e contrabando por terem sido encontradas joias avaliadas em 1,3 milhões de euros num cofre durante buscas no escritório do ex-primeiro-ministro. As joias não estavam declaradas como património.

GUINÉ-BISSAU: ÚLTIMA HORA: ESTÁDIO 24 DE SETEMBRO INTERDITADO E CAF PEDE DESCULPAS À NIGÉRIA

Por OwnGoalNig eria / Desporto Moçambicano em Acção  05/10/2026 

A Confederação Africana de Futebol (CAF) pediu desculpas oficialmente à Federação Nigeriana de Futebol (NFF) pelas condições do relvado do Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau, e decidiu interditar o recinto para os próximos jogos das eliminatórias do CAN 2027.

A decisão surge na sequência das fortes críticas às condições do terreno de jogo durante o encontro entre a Guiné-Bissau e a Nigéria, que terminou com uma vitória dos Djurtus por 3-0.

Antes e durante a partida, jogadores e responsáveis das duas seleções manifestaram preocupação com o estado do relvado, alertando para o risco de lesões.

Segundo informações divulgadas pela imprensa desportiva nigeriana, a CAF justificou o pedido de desculpas à NFF, explicando que o relvado não se encontrava nas atuais condições no momento em que o estádio foi aprovado para receber o jogo.

A Guiné-Bissau tinha sido anteriormente orientada a disputar os seus jogos internacionais em Marrocos devido às condições do Estádio 24 de Setembro. Após obras de recuperação, o recinto recebeu nova autorização da CAF cerca de um mês antes do confronto com a Nigéria.

No entanto, o relvado voltou a deteriorar-se antes da partida, levando a novas preocupações sobre a segurança dos jogadores.

Com a interdição, a Guiné-Bissau terá agora de indicar um estádio alternativo para receber os próximos jogos em casa nas eliminatórias do CAN 2027.