quinta-feira, 29 de outubro de 2026

ESPANHA: Acidente "inverosímil" e ordem "inexplicável". O que se passou em Espanha... Dois comboios de alta velocidade colidiram em Toledo, Espanha, na quarta-feira, causando pelo menos 68 mortos, num acidente que o governo descreveu como "verdadeiramente inverosímil". Um dos comboios recebeu uma ordem "inexplicável" para avançar. O que já se sabe?

© Getty Images     Por  Notícias ao Minuto com Lusa   29/10/2026 

Dois comboios de passageiros - um da Renfe e outro da Iryo -  colidiram, na quarta-feira, dia 28 de outubro, perto da estação de Urda, em Toledo, Espanha, pouco antes das 9h00 locais (8h00 em Lisboa). O acidente envolveu duas composições de alta velocidade que faziam ligações entre Madrid e Sevilha, no sul. O governo espanhol descreveu o acidente como "verdadeiramente inverosímil", ocorrido após uma ter sido dada uma ordem "inexplicável".

O número de mortos, que ultrapassa já as seis dezenas (68), poderá ainda subir à medida que continuam os trabalhos de resgate e salvamento. A bordo dos dois comboios seguiam 544 pessoas.

A ex-ministra do Trabalho, Fátima Báñez, é uma das vítimas mortais, noticiou o ABC. A ex-governante, de 59 anos, atual presidente da Fundação CEOE, seguia numa viagem para Sevilha onde iria participar na cerimónia do Dia da Empresa da CEA. Um agente da Guardia Civil está também entre os mortos já confirmados.

A colisão entre os dois comboios de alta velocidade aconteceu um dia antes da greve de maquinistas da Renfe, que estava marcada para esta quinta-feira. Tratava-se, aliás, de um protesto contra a falta de segurança.

Comboio recebeu ordem "inexplicável"

O acidente ferroviário de ontem em Espanha é "verdadeiramente inverosímil" e deu-se após um dos comboios ter recebido uma ordem "inexplicável" para avançar quando havia um sinal vermelho e outras composições paradas na mesma linha, segundo o governo.

De acordo com o ministro dos Transportes de Espanha, Oscar Puente, houve, por volta das 08h30 locais (07h30 em Lisboa), uma falha no sistema automático de segurança, por causa de falhas nas redes de comunicação, o que obrigou a parar de forma automática todos os comboios que circulavam num troço de 63 quilómetros.

Devido à falha informática, o controlo da circulação passou a ser assumida por um centro de controlo que funciona em Madrid.

Foi então que, às 08h36, um dos comboios (um AVE, da empresa pública Renfe) recebeu uma ordem ou foi autorizado a "retomar a marcha com normalidade" e chocou com um outro comboio, da empresa privada Iryo, que continuava parado à entrada da estação de Urda, segundo Puente revelou ontem numa conferência de imprensa em Madrid.

Nesse momento, segundo todos os protocolos, o comboio AVE, como os restantes que estavam nesse troço de 63 quilómetros, "tinha obrigatoriamente de estar parado e não podia retomar a marcha", havendo, além disso, outro comboio na mesma via e um sinal vermelho que o deveria impedir de avançar, afirmou.

O comboio da Renfe percorreu ainda 25 quilómetros, em 15 a 17 minutos, antes de chocar com o Iryo, num tramo de via em que estas composições podem alcançar os 200 quilómetros por hora, acrescentou.

"Um acidente por alcance na rede ferroviária espanhola é verdadeiramente inverosímil" e a indicação dada pelo centro de controlo é "inexplicável", considerou o ministro.

Revelados três áudios sobre tragédia: "Viagem normal"?

Três gravações de áudio foram também reveladas na quarta-feira após a colisão - e mostram as falhas que terão sido cometidas e que culminaram no fatídico acidente.

Duas das gravações mostram conversas entre o maquinista do comboio da Iryo e a central de controlo. A outra é a ordem dada para a composição da Renfe seguir viagem.

Segundo o El País, o controlador ordenou ao comboio da Renfe, o AVE, que estava 25 quilómetros atrás do comboio da Iryo, para que retomasse a "viagem normal" e não estipulou o que dita o protocolo, que é um limite de velocidade de 40 km/h.

A par disto, o controlador deu a ordem sem verificar se havia algum comboio a obstruir a via.

Ora, o maquinista do comboio da Iryo também recebeu a mesma ordem. No entanto, sete minutos depois liga ao centro de controlo e afirma ainda estar parado porque não consegue reiniciar o comboio através do sistema LZB. 

O comboio AVE, que vinha atrás, não foi informado de que um comboio estava parado e que deveria travar.

Três dias de luto. "Se houve negligência, será conhecida"

Na sequência do acidente, o governo espanhol decretou três dias de luto. De acordo com a RTVE, esta medida foi sugestão do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, "em sinal de luto pelas vítimas". Começam esta quinta-feira às 00h00 locais e terminam no dia 31 de outubro às 24h00 locais.

Pedro Sánchez garantiu ainda que as autoridades irão "até ao fim" para descobrir as causas do acidente ferroviário: "Se houve negligência, será conhecida".

Já a juíza instrutora do processo de investigação do acidente ferroviário em Urda proibiu o acesso à zona e a remoção de elementos para "preservar as evidências, provas e indícios".

O acidente ferroviário de quarta-feira é ainda mais grave do que o ocorrido em Adamuz, no início deste ano. A 18 de janeiro, recorde-se, outro incidente envolveu dois comboios de alta velocidade, um da Renfe e outro da Iryo.

O comboio da Renfe, que fazia a ligação entre Madrid e Huelva (no sudoeste de Espanha, perto da fronteira com o sul de Portugal) chocou com composições da Renfe que tinham descarrilado poucos segundos antes. No acidente morreram 46 pessoas e cerca de 120 ficaram feridas.


Leia Também: Guardia Civil regista 64 pessoas dadas como desaparecidas em colisão

A Guarda Civil espanhola registou 64 casos de familiares desaparecidos após o acidente ferroviário em Urda, Toledo, que resultou em pelo menos 68 mortos. O acidente ocorreu na quarta-feira, quando um comboio de alta velocidade embateu em outro na linha entre Madrid e Sevilha...

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