quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Especialistas pedem que alterações climáticas sejam declaradas emergência... Especialistas defendem que as alterações climáticas sejam declaradas uma emergência global de saúde, segundo um relatório divulgado hoje. O estudo aponta que os impactos na saúde estão a avançar mais rapidamente do que as ações para combater as mudanças climáticas.

© Lusa   28/10/2026 

As alterações climáticas devem ser declaradas uma emergência global de saúde, já que os seus impactos sobre esta avançam mais rapidamente do que as ações para as combater, defendem especialistas num relatório divulgado hoje.

O relatório do "Lancet Countdown sobre Saúde e Alterações Climáticas" indica que alguns dos danos para a saúde causados pelas alterações climáticas se intensificaram mais rapidamente na década seguinte à entrada em vigor do Acordo de Paris (2016–2025) do que na década anterior (2006–2015).

E isto deve-se, segundo os especialistas, ao facto de as medidas de combate às mudanças climáticas não avançarem "ao ritmo necessário", refere um comunicado da revista científica Lancet.

Os autores do relatório, liderado pelo University College London (UCL) em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), defendem assim que "as alterações climáticas sejam oficialmente reconhecidas e tratadas como uma emergência de saúde global e que a saúde oriente tanto as políticas quanto as prioridades de financiamento para combater" aquelas mudanças.

Os investimentos em energia limpa, sistemas de saúde mais resilientes, uma legislação mais abrangente em matéria de proteção da saúde e um número crescente de evidências científicas desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, " trouxeram benefícios concretos" para a saúde da população, mas estes avanços são "demasiado lentos, insuficientes e inconsistentes" para compensar "os danos crescentes causados pelas alterações climáticas provocadas pelo uso dos combustíveis fósseis", explica o comunicado.

Segundo o relatório, "o calor esteve associado a uma média estimada de 540.800 mortes por ano entre 2016 e 2023, 68% delas (369.900) causadas pelas alterações climáticas, um aumento em relação aos 55% (219.100) por ano no período de 2006 a 2015".

Na 21.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações sobre Alterações Climáticas (COP21), realizada em Paris, os países do mundo acordaram impedir que as temperaturas a nível global subissem além dos 2ºC (graus Celsius) em relação à época pré-industrial, e que de preferência esse aumento não ultrapassasse os 1,5ºC.

"Uma década após o Acordo de Paris, as nossas conclusões são inequívocas: os danos para a saúde causados pelas alterações climáticas estão a crescer mais rapidamente do que a resposta global às mesmas e, em muitos casos, até a acelerar", afirma Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, citada no comunicado.

O relatório representa o trabalho de 146 investigadores multidisciplinares de mais de 100 instituições de uma trintena de países e os seus números "apontam para uma clara emergência", adianta.

"Não se trata de um agravamento gradual, é uma mudança drástica que precisa de ser reconhecida como a emergência de saúde global que é", reforça Marina Romanello.

Publicado a pouco mais de uma semana do início da COP31, que decorre de 9 a 20 de novembro, na Turquia, o relatório monitoriza 54 indicadores sobre os impactos das alterações climáticas e das medidas para as combater na saúde.

O 10.º relatório do Lancet Countdown constata que "continua aquém do esperado" o progresso na transição climática, que prevê o abandono gradual dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) e a sua substituição por fontes de energia renováveis (solar, eólica e hídrica), para limitar o aquecimento global.

Aponta também que os governos nacionais, as organizações internacionais e o setor privado estão agora menos empenhados nas questões de saúde e nas alterações climáticas, revertendo progressos anteriores, bem como que o financiamento para a adaptação às mudanças no clima está muito abaixo do necessário.

"Este relatório é um alerta contundente de que as alterações climáticas representam uma emergência de saúde. O que falta não são evidências, mas vontade política para agir", afirma Helen Clark, antiga primeira-ministra da Nova Zelândia e presidente do Conselho do Lancet Countdown, citada no comunicado.

"Os governos devem reforçar os seus compromissos de ação climática e retomar a cooperação internacional. Isto deve ser acompanhado por reduções rápidas das emissões e um apoio significativamente maior à adaptação, particularmente para as comunidades menos responsáveis pelas alterações climáticas e mais vulneráveis aos seus impactos".


terça-feira, 27 de outubro de 2026

ESTADOS UNIDOS: Donald Trump só aceitará resultados eleitorais se votação for "limpa"... O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que só aceitará os resultados das eleições intercalares de novembro se considerar que a votação foi "limpa", apesar de as sondagens apontarem vantagem democrata.

© Chip Somodevilla/Getty Images    Por  LUSA   27/10/2026 

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que só aceitará os resultados das eleições intercalares de novembro se considerar que a votação foi "limpa", quando as sondagens favorecem os democratas.

Questionado sobre se respeitaria os resultados eleitorais independentemente do partido vencedor, Trump respondeu: "Aceitarei, se forem eleições limpas".

O Presidente fez estas declarações antes de partir para dois comícios de campanha no Texas, destinados a mobilizar o eleitorado republicano na reta final das eleições legislativas.

Trump acrescentou que encontrará uma forma de trabalhar com os democratas caso estes conquistem o controlo da Câmara de Representantes, atualmente nas mãos dos republicanos.

O chefe de Estado tem manifestado repetidamente dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral norte-americano, apesar de especialistas e autoridades eleitorais defenderem a sua fiabilidade.

Segundo uma sondagem divulgada na semana passada pelo meios de comunicação The Washington Post, ABC News e Ipsos, 70% dos norte-americanos não confiam que Trump aceite os resultados caso os republicanos sejam derrotados.

O Presidente continua a recusar reconhecer a derrota nas eleições presidenciais de 2020, que perdeu para o democrata Joe Biden, insistindo, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral.

Na segunda-feira, Trump anunciou uma recompensa de um milhão de dólares (cerca de 850 mil euros) para quem denuncie casos de fraude nas próximas eleições legislativas ou em eleições anteriores, desde que as informações permitam acusar formalmente ou condenar os alegados responsáveis.

Em 16 de julho, o Presidente voltou a contestar os resultados de 2020, num discurso à nação transmitido em horário nobre, reiterando acusações de manipulação eleitoral sem apresentar provas conclusivas.

As declarações surgem a uma semana das eleições intercalares, que determinarão o controlo do Congresso durante a segunda metade do mandato presidencial.

As sondagens apontam para uma vantagem democrata na disputa pela Câmara de Representantes e para uma corrida mais equilibrada pelo Senado.

Os republicanos controlam atualmente as duas câmaras do Congresso, mas enfrentam um contexto político marcado pelo descontentamento com a inflação elevada e a guerra contra o Irão.

Uma sondagem Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira situou a taxa de aprovação de Trump em 32%, próxima dos níveis mais baixos do seu atual mandato.


Leia Também:  Trump diz que eleições no Brasil foram fraudulentas (sem mostrar provas)

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje que as eleições presidenciais no Brasil foram fraudulentas, mas não apresentou provas ou indícios de irregularidade.

OPresidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje que as eleições presidenciais no Brasil foram fraudulentas, mas não apresentou qualquer prova ou indícios de irregularidade.

"Pareceu terrível para mim. Pareceu mais uma eleição fraudulenta, francamente. Eu não tomei partido, mas foi uma aparência terrível", declarou em referência ao facto de o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro ter prorrogado o horário de votação por mais duas horas...

PM guineense anuncia missão da CPLP ao país entre 03 e 05 de novembro... O primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau anunciou a chegada ao país de uma missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), prevista para de 03 a 05 de novembro, informaram hoje `media` guineenses.

©Digital Mídia Global TV   Por RTP/Lusa  27/10/2026 

De acordo com os meios de comunicação social guineenses, a que a Lusa teve acesso nas redes sociais, Ilídio Vieira Té esteve reunido, segunda-feira, com uma delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), liderada pelo ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, Cheikh Niang.

Durante a visita do ministro senegalês, que, segundo os `media` locais, se enquadra nos esforços de mediação da organização regional para encontrar uma solução negociada para a crise política guineense e criar condições para o regresso à normalidade democrática, Vieira Té anunciou a visita da missão diplomática da CPLP ao país.

"De acordo com o comunicado, a deslocação [da CPLP] poderá contribuir para ultrapassar o atual contencioso entre a Guiné-Bissau e a organização lusófona e permitir a normalização das relações institucionais", noticiaram.

A Lusa tentou confirmar esta informação junto da CPLP, do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e da missão permanente timorense junto da CPLP em Lisboa, cujo país preside à organização desde dezembro do ano passado, mas, até ao momento, não obteve respostas.

A Guiné-Bissau está suspensa da participação nas atividades da CPLP desde dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de novembro desse ano, que interrompeu o processo eleitoral. A decisão da CPLP determina que a suspensão vigore até à retoma da ordem constitucional.

Bissau detinha a presidência do bloco lusófono, mas foi substituída, temporariamente, por Timor-Leste.

Esteve prevista, para fevereiro, uma missão de bons ofícios a Bissau, liderada por Timor-Leste, mas, nas vésperas, acabou por ser cancelada.

No início deste mês, o chefe da diplomacia cabo-verdiana tinha confirmado à agência Lusa que os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP recomendaram o envio de uma missão de alto nível à Guiné-Bissau.

"Reunimos em sede informal com os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP sob a égide de Timor-Leste para analisar a situação na Guiné-Bissau", referiu Manuel Amante da Rosa numa conferência de imprensa sobre os encontros que Cabo Verde manteve em Nova Iorque, em setembro, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Até ao momento, desconhece-se qual será a próxima nação a presidir à organização e, consequentemente, não se sabe onde ocorrerá a próxima cimeira de alto nível da CPLP.

A CPLP foi criada em 17 de julho de 1996, em Lisboa, por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Atualmente integra nove Estados-membros, após a entrada de Timor-Leste e da Guiné Equatorial.

Khamenei insiste que se cumpram condições de Teerão para pôr fim à guerra... O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sublinhou a necessidade de cumprimento das "condições" do Irão para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro por Israel e Estados Unidos e para que cessem as tensões sobre o estreito de Ormuz.

© Rouzbeh Fouladi / Middle East Images / AFP via Getty Images  Por  LUSA   27/10/2026 

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sublinhou hoje a necessidade de cumprimento das "condições" do Irão para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro por Israel e Estados Unidos e para que cessem as tensões sobre o estreito de Ormuz. 

A posição foi transmitida ao secretário do Conselho de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei.

Num comunicado divulgado pelo seu gabinete, Khamenei apontou "o desespero" dos Estados Unidos perante o desenrolar da guerra "como um dos frutos da resistência nacional", ao mesmo tempo reiterando a Rezaei a importância de Teerão "manter uma comunicação proativa e atempada para garantir a participação contínua do povo na defesa do país e do sistema".

"Insistiu na necessidade de defender os direitos e interesses da nação iraniana e da 'frente de resistência', assegurando o cumprimento das condições estabelecidas pelas autoridades do país para pôr fim à guerra e superar a atual situação de 'nem guerra, nem paz'", lê-se na nota de imprensa sobre a reunião do líder supremo iraniano com o seu principal conselheiro de segurança.

Por sua vez, Rezaei apresentou a Khamenei um relatório pormenorizando a aplicação da política estratégica de "criar estruturas e uma ordem regional endógenas", referindo-se à tentativa de promover uma segurança regional e reduzir a influência militar dos Estados Unidos na zona, sendo essa uma das iniciativas desenvolvidas pela instituição que dirige.

Tratou-se de uma reunião importante entre o líder supremo da República Islâmica e um dos órgãos mais influentes na definição da política de segurança do país, segundo o próprio gabinete de Khamenei, que salientou que, para a tomada de "decisões acertadas e bem fundamentadas", é necessário "contar com um plano assente numa compreensão integral de cada tarefa".

Esta reunião ocorreu após a cimeira de segurança realizada na segunda-feira por altos representantes do Irão, da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão — em que Rezaei participou —, na qual concordaram manter conversações para "reforçar a cooperação" na matéria.

Tal encontro representou uma aproximação do chamado Acordo de Meca, a aliança defensiva composta por Paquistão, Arábia Saudita e Turquia, numa tentativa para reduzir as tensões a nível regional, em pleno "impasse" da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro.

A ofensiva foi justificada com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que sempre afirmou destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

O Paquistão posicionou-se como um mediador fundamental no conflito que alastrou ao Médio Oriente, negociando com êxito um cessar-fogo de duas semanas entre Teerão e Washington a 08 de abril, depois várias vezes prorrogado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

O objetivo era prosseguir as conversações indiretas, mediadas por Islamabad, para alcançar o levantamento das sanções internacionais ao Irão e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

Entretanto, Teerão mantém o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo mundial, e Washington, por sua vez, impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.


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Os rebeldes huthis do Iémen reivindicaram um ataque com um míssil balístico ao Ministério da Defesa da Arábia Saudita, em Riade, onde as autoridades anunciaram a interceção de dois projéteis.

Os rebeldes huthis do Iémen reivindicaram hoje um ataque com um míssil balístico contra o Ministério da Defesa da Arábia Saudita, em Riade, onde as autoridades anunciaram a interceção de dois projéteis.

Os combatentes do movimento apoiado pelo Irão "atingiram o Ministério da Defesa na capital do inimigo saudita com um míssil balístico", afirmou o porta-voz militar dos huthis, Yahya Saree, numa mensagem publicada na rede social X...

GUERRA NA UCRÂNIA: ONU pede apoio contínuo aos ucranianos e refugiados face ao inverno... A ONU apelou à comunidade internacional para manter o apoio aos ucranianos no país e aos refugiados no estrangeiro, face aos ataques às infraestruturas energéticas e ao inverno.

© Diego Herrera Carcedo/Anadolu via Getty Images   Por LUSA   27/10/2026 

A ONU apelou hoje à comunidade internacional que mantenha o compromisso e continue a apoiar tanto os ucranianos no país como os refugiados no estrangeiro, face aos ataques que atingem as infraestruturas energéticas e o aproximar do inverno. 

Philippe Leclerc, diretor regional para a Europa da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), declarou hoje, através de um comunicado, que os ataques russos à Ucrânia estão a ser implacáveis, ocorrendo de dia e de noite, e têm como alvo infraestruturas energéticas críticas.

Estes ataques trazem "o risco de cortes prolongados de energia, deixando milhões de pessoas sem aquecimento, eletricidade e com acesso limitado a água e outros bens essenciais".

O aumento dos ataques com mísseis de longo alcance e drones significa que não há lugar seguro na Ucrânia, enfatizou o responsável do ACNUR, segundo o qual os civis, incluindo os que estão longe da linha da frente, enfrentam ameaças à sua segurança e às suas casas e encontram frequentemente dificuldades em aceder aos serviços básicos.

"O ACNUR, em conjunto com uma sólida rede de organizações não-governamentais (ONG) parceiras ucranianas, continua a prestar assistência e proteção de emergência, o que inclui apoio a abrigos, assistência jurídica, aconselhamento em saúde mental e ajuda financeira", referiu o responsável.

No entanto, indicou que os seus parceiros têm enfrentado ataques recorrentes que afetam as suas equipas, veículos e instalações.

"Entre 01 de setembro e 14 de outubro, 10 incidentes de segurança atingiram funcionários ou parceiros do ACNUR, incluindo ataques com drones e bombardeamentos aéreos contra — ou nas proximidades de — equipas humanitárias, escritórios, armazéns e veículos claramente identificados como transportando ajuda", afirmou.

Tais ações, segundo o comunicado do ACNUR, colocam os trabalhadores humanitários em risco e danificam recursos essenciais utilizados para a prestação de assistência.

O ACNUR instou à Rússia a cessar os ataques contra civis e reiterou que os trabalhadores e os recursos humanitários devem ser protegidos, não podendo, em caso algum, ser tratados como alvos.

Segundo a agência da ONU, espera-se que o deslocamento interno continue, uma vez que as retiradas das áreas próximas da linha da frente aumentaram significativamente - desde janeiro de 2026, mais de 136 mil pessoas foram acolhidas em centros de trânsito apoiados pelo ACNURm um número cerca de 70% superior aos quase 80 mil que passaram por locais situados em comunidades na linha da frente durante 2025.

Este dado representa apenas uma parcela do total de pessoas retiradas de zonas de conflito, uma vez que muitos não procuram apoio nestas instalações de trânsito.

Muitos dos que foram obrigados a fugir encontram-se numa situação de grande vulnerabilidade: quase 40% são idosos e um número expressivo é composto por pessoas com deficiência.

Ao todo, 10,8 milhões de pessoas dentro da Ucrânia necessitam de assistência humanitária, sublinha a agência das Nações Unidas.

Paralelamente, há quase 5,2 milhões de refugiados ucranianos em vários países da Europa. Com o início do conflito em grande escala em 2022, as nações europeias reagiram com uma solidariedade extraordinária, garantindo a milhões de pessoas o acesso imediato a proteção e assistência.

Mecanismos como a Proteção Temporária — e outros arranjos semelhantes — permitiram que milhões de refugiados obtivessem, de forma ágil, um estatuto legal, bem como o acesso a direitos e serviços.

Com o passar do tempo, a resposta evoluiu da assistência de emergência para o foco na inserção no mercado de trabalho, na integração nos serviços nacionais e no reforço da autonomia dos refugiados, referiu o ACNUR.

É visível o progresso no sentido de uma inclusão a longo prazo nos sistemas nacionais: segundo um inquérito interinstitucional divulgado na segunda-feira, em 2025, 67% dos refugiados ucranianos adultos em nove países estavam empregados, e 84% das crianças refugiadas encontravam-se matriculadas em escolas nacionais.

O aumento da empregabilidade entre os refugiados tem contribuído para a oferta de mão-de-obra, o consumo local e a cobrança de impostos. Um inquérito recente da Deloitte revelou que, em 2025, os refugiados ucranianos foram responsáveis por 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) da Polónia, o que equivale a cerca de 24,4 mil milhões de dólares.

Por outro lado, após quatro anos e meio de deslocação, começam a surgir sinais de desgaste, à medida que cresce a pressão sobre os países e comunidades de acolhimento.

Face ao aumento da retórica anti-refugiados e da hostilidade em algumas partes da Europa, torna-se fundamental manter a solidariedade e o apoio tanto aos refugiados como às comunidades que os acolhem, defende a agência da ONU.

Muitos refugiados ucranianos continuam a enfrentar dificuldades em encontrar habitação acessível ou um emprego que corresponda às suas competências e qualificações, entre outros problemas, referiu a ACNUR.

O ACNUR conclui assim que "este não é o momento para se distanciar, é o momento de proteger os avanços já alcançados e de permanecer ao lado dos ucranianos enquanto se preparam para as incertezas dos próximos meses".


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Um ataque russo com mísseis balísticos danificou uma universidade em Kiev e fez pelo menos um morto e oito feridos, segundo as autoridades ucranianas.

Um ataque russo com mísseis balísticos danificou uma universidade em Kyiv e fez pelo menos um morto e oito feridos, adiantaram hoje as autoridades ucranianas.

"Ainda não se sabe o número exato de baixas. Mas, infelizmente, há vítimas. Há pessoas feridas. As operações de resgate estão em curso", realçou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na rede social X...

Banco Mundial tem 750 milhões de dólares em projetos nos PALOP... O diretor regional da IFC para a África Ocidental e Sahel disse à Lusa que a organização aposta no agronegócio, turismo e logística como setores capazes de impulsionar emprego e crescimento económico na África lusófona.

© Lusa     27/10/2026 

O diretor regional da Corporação Financeira Internacional (IFC) para a África Ocidental e Sahel disse à Lusa que a organização aposta no agronegócio, turismo e logística como setores capazes de impulsionar emprego e crescimento económico na África lusófona.

"O agronegócio e o turismo são setores focais no BM [Banco Mundial] porque têm capacidade de criar empregos para muitas pessoas", com agregação de pequenos produtores e efeitos multiplicadores, referiu em Sameh Wahba, responsável regional do IFC - braço do BM para o setor privado.

"Para cada emprego direto que é criado pelo turismo, surgem dois ou três empregos indiretos", exemplificou.

Os dois setores "são um grande foco do BM e a logística é muito importante para o movimento de cargas e pessoas, é um pilar principal para o crescimento económico", assinalou, à margem do 2.º Fórum Empresarial da África Lusófona, que hoje termina, em Cabo Verde, e dedicado àquelas áreas.

"É por isso que esses setores foram priorizados" a par das infraestruturas, incluindo a energia, que classificou como essenciais para o crescimento.

O número de inscrições no fórum cresceu de 250 para 420 desde a edição de 2025, referiu, entre investidores e representantes de vários governos, permitindo que, na mesma sala, se conheçam exemplos do que está a avançar num mercado fragmentado, de Cabo Verde a Moçambique.

"No espaço africano fala-se bastante, por exemplo, do espaço francófono, que é um mercado que está estabelecido e tem os seus apoios. A lusofonia, se calhar pelo distanciamento dos mercados, nunca esteve constituída como um mercado, sempre foi mais fragmentada", acrescentou por seu turno a diretora regional da IFC para a África Austral, Cláudia da Conceição.

O fórum permite "olhar de forma mais consolidada" para o bloco que fala português, defendeu.

"Do ponto de vista de novos negócios [entre as duas edições], houve vários a acontecer no setor do agronegócio", em especial em Moçambique e Angola, a par de novas iniciativas no setor da energia "onde a IFC está envolvida".

A carteira de projetos ativos nos PALOP tem crescido, referiu, ascendendo a 750 milhões de dólares (672 milhões de euros), com novas parcerias em empresas agrícolas que trabalham com produtores locais a serem anunciadas em breve.

Apesar de grande parte do volume financeiro estar dedicado à área das infraestruturas, "a área do agronegócio, incluindo processamento, está de facto a aumentar bastante", indicou Cláudia da Conceição.

Em termos acumulados, nos últimos cinco anos, a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em 10 projetos nos seis países: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.

A IFC é uma instituição multilateral de financiamento do desenvolvimento, vocacionada para o sector privado dos países em desenvolvimento, que concede empréstimos, participa no capital de empresas, mobiliza investimento e presta assistência técnica, mas não é a única.

"As necessidades são enormes, mas há uma coordenação entre instituições de financiamento que nunca existiu", referiu Sameh Wahba, apontando exemplos de parcerias com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ou Banco Europeu de Investimento (BEI).

Questionado sobre o efeito das disrupções geopolíticas globais, aquele responsável considera que as respostas variam entre setores, "mas estão a criar oportunidades, não [representam] só insegurança".

O aumento do preço dos combustíveis "está a criar muitas oportunidades para os países introduzirem projetos de energia renovável ou criar projetos da conversão do gás para a eletricidade" de forma a compensar "a dinâmica geopolítica".

"Também no setor da agricultura, com a insegurança alimentar que aumentou com a guerra na Ucrânia, há mais oportunidades" para "investir em agronegócios", com a disrupção dos sistemas mundiais de comércio a incentivar a produção local, disse.

Cláudia da Conceição defendeu que os projetos em África apresentam menor probabilidade de incumprimento e retornos superiores aos de outras geografias.

"Temos dois objetivos: aumentar a presença da IFC", seja através de empréstimos como participação no capital, "e acrescentar apoio para micro, pequenas e médias empresas. Mas onde vai acontecer, vamos ver", conclui Sameh Wahba.

A IFC vai acompanhar os contactos resultantes do fórum focado na África lusófona, como um mercado com uma população a rondar 80 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 174 mil milhões de dólares.


GUINÉ-BISSAU: COMUNICADO FINAL DO CONSELHO DE MINISTROS 27 de outubro 2026

Radio TV Bantaba

Terça-feira amanhece com boato (publicado na Argentina) de que Flavio Bolsonaro teria fugido para os Estados Unidos após ordem de Moraes

Por jb.com.br   27/10/2026 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria fugido do Brasil pela fronteira com a Argentina na madrugada desta terça-feira (27), segundo reportagem do portal argentino Infobae. A publicação afirma que ele teria seguido para Puerto Iguazú e, de lá, embarcado em um avião particular com destino aos Estados Unidos, onde vive seu irmão, Eduardo Bolsonaro.

Até o momento, não há confirmação oficial de que o senador tenha cruzado a fronteira ou embarcado na aeronave. O texto cita registros aeroportuários e uma operação organizada pela empresa Baires Fly S.A., mas não apresenta prova de que Flávio estivesse entre os passageiros do voo mencionado.

O que diz a reportagem argentina

De acordo com o Infobae, a aeronave identificada seria um Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, com partida prevista de Puerto Iguazú às 2h da madrugada. A reportagem menciona um pedido de procedimentos de Aduana e Migrações para um voo com quatro passageiros e três tripulantes, mas esse registro, por si só, não confirma a presença do senador a bordo.

As informações divulgadas até agora também não comprovam que o voo tenha efetivamente ocorrido. A identidade dos ocupantes não foi confirmada oficialmente, o que mantém a suspeita em aberto e sem validação por autoridades brasileiras ou argentinas.

Decisão de Moraes e reação de Flávio Bolsonaro

A notícia aparece menos de 24 horas depois de Flávio Bolsonaro afirmar que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do país. A medida está ligada a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Além da restrição de viagens, a decisão prevê a proibição de contato entre Flávio e Tomaz e a entrega de passaportes brasileiros e estrangeiros, incluindo o italiano. Em vídeo divulgado na segunda-feira (26), o senador disse ter sido abordado por agentes da Polícia Federal após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília, e classificou a medida como intimidação.

Como o caso ganhou força política

A hipótese de saída do país já havia sido levantada publicamente por Eduardo Bolsonaro. Na sexta-feira (23), dois dias antes do segundo turno, ele sugeriu em um podcast norte-americano que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado por Lula. Depois da vitória do petista, a fala passou a ser retomada com mais intensidade.

Flávio nega que tenha tentado fugir e atribui a decisão de Moraes às declarações do irmão. Se a eventual saída do país for confirmada após a proibição judicial, o caso pode abrir uma nova crise envolvendo o senador, o STF e o núcleo político ligado à família Bolsonaro.

Investigações em andamento

A possível fuga ocorre em meio ao avanço de investigações que atingem o entorno de Flávio Bolsonaro. Uma das frentes apura suspeitas ligadas ao financiamento de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, e repasses atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Outra investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro ao lado de Willer Tomaz, advogado também citado em apurações sobre movimentações financeiras no setor de apostas. Flávio nega irregularidades e sustenta que não houve tentativa de deixar o país para escapar das decisões judiciais. (reportagem ampliada com informações de Plinio Teodoro, da revista Fórum)


Leia Também: Flávio Bolsonaro fugiu para EUA? Argentina diz que "não há registos"

Candidato derrotado das presidenciais do Brasil terá fugido esta madrugada para os EUA, refere a imprensa argentina.

Flávio Bolsonaro terá deixado o Brasil na madrugada desta terça-feira, pela fronteira com a Argentina, com destino aos Estados Unidos, num jato particular. A informação foi avançada pela imprensa argentina, esta manhã.

A Polícia Federal (PF) entrou em contato com as autoridades argentinas para verificar a concretização da dita viagem...

ISRAEL: Netanyahu acusa opositores de tentarem roubar eleição em Israel... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelou ao voto dos eleitores e acusou os opositores árabes israelitas de tentarem "roubar a eleição", depois de os ter visado durante toda a sua campanha.

© Lusa    27/10/2026 

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelou hoje ao voto dos eleitores e acusou os opositores árabes israelitas de tentarem "roubar a eleição", depois de os ter visado durante toda a sua campanha.

O também líder do Likud, que, segundo as sondagens, não parte como favorito, falou aos jornalistas após votar numa assembleia em Jerusalém Ocidental, acompanhado pela mulher, Sara, segundo um comunicado divulgado pelo seu Gabinete.

"Vão votar!", exortou Netanyahu aos israelitas em hebraico, segundo o texto do comunicado, numa eleição crucial que se revela extremamente renhida e que se realiza três anos após os ataques do Hamas e a ofensiva contra Gaza.

Netanyahu afirmou que "três altos dirigentes" de um partido de maioria árabe foram detidos no sul do país, transportando envelopes cheios de dinheiro em numerário, sem que a denúncia tenha sido confirmada por fonte independente.

As autoridades eleitorais esclareceram, no entanto, que estas pessoas – abordadas perto das suas residências – "ainda não tinham chegado aos locais de voto" e que está em curso uma investigação.

Já hoje de manhã, também o partido da oposição Yashar!, favorito nas sondagens, denunciou uma "manipulação deliberada" dos boletins de voto e vai apresentar uma queixa formal à Comissão Eleitoral.

"Nas últimas horas, foram recebidos relatos sobre a manipulação deliberada, o roubo, a inversão e a retirada de boletins de voto do Yashar! em locais de voto por todo o país", informou o partido.

Entretanto, a Comissão Eleitoral Central (CEC) de Israel já reagiu, descartando a existência de quaisquer irregularidades.

"Ao contrário do que sugerem as informações que circulam, não há, neste momento, qualquer indício ou prova que aponte para irregularidades no âmbito das eleições", pronunciou-se a comissão em comunicado, afirmando que os casos estão a ser analisados um a um de forma "imediata"

A participação nas eleições atingiu os 16,7% às 10:00 (08:00 em Lisboa), três horas após a abertura das mesas de voto.

De acordo com a Comissão Eleitoral de Israel, a afluência difere um ponto percentual ao registado nas eleições de 2022: 15,9% de participação nas primeiras horas de votação.

Israel realiza hoje as eleições legislativas decisivas para o futuro político de Netanyahu.

Mais de 7,3 milhões de israelitas são chamados às urnas para eleger os 120 deputados do Knesset (Parlamento).

As assembleias de voto encerram às 22:00 (20:00 em Lisboa), altura em que as estações de televisão devem divulgar as primeiras sondagens à boca das urnas.

Segundo as sondagens efetuadas durante a campanha eleitoral, a vitória – por uma curta margem – pode ser alcançada por Gadi Eisenkot, o principal candidato da oposição ao líder do Likud, que votará, segundo as indicações conhecidas, às 13:45 locais (11:45 em Lisboa)


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O partido da oposição israelita Yashar!, favorito nas sondagens de intenção de voto nas eleições que decorrem hoje em Israel, denunciou uma "manipulação deliberada" dos boletins de voto e vai apresentar uma queixa formal à Comissão Eleitoral...

PGR reitera: "Parlamento é que é competente para mudar a lei"... O Procurador-Geral da República rejeitou pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização da lei das manifestações, defendendo que não se deve alterar a legislação "ao sabor de factos concretos". Amadeu Guerra remeteu para o Parlamento a competência de refletir sobre o diploma aprovado em 1974.

© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images   Notícias ao Minuto com Lusa  27/10/2026 

O Procurador-Geral da República (PGR), Amadeu Guerra, reiterou esta terça-feira que não irá pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização do decreto-lei de 1974 sobre o direito de manifestação, remetendo a decisão para o Parlamento.

"O que eu disse ontem, e hoje reafirmo, é que estou certo que o Parlamento vai refletir - e não a meu pedido - porque sabe bem que é uma realidade. Ainda ontem disse que não sou favorável a alterações legislativas quando decorrem determinados factos", afirmou Amadeu Guerra em declarações aos jornalistas, em Lisboa.

"Ao sabor do momento não me afigura que seja favorável fazer ou alterar a legislação por força de factos concretos que estejam a ocorrer", reiterou.

Neste sentido, considerou que o Parlamento é que "é competente para modificar a lei" e, por isso, não é necessário, "da parte do Procurador-Geral suscitar qualquer inconstitucionalidade de normas".

Na segunda-feira, Amadeu Guerra desafiou a Assembleia da República a revisar a lei das manifestações de 1974, rejeitando pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização do decreto-lei, que tem sido questionado após as acampadas recentes no Porto e em Lisboa.

"As alterações legislativas não podem ir ao sabor dos factos concretos. Temos de amadurecer essa situação e eu estou convicto de que a entidade competente para isso, que é o parlamento, amadurecerá e pensará nisso. [...] É uma competência do parlamento e o parlamento deverá fazê-lo", defendeu Amadeu Guerra, à margem de uma aula sobre recuperação de ativos, na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

O líder máximo do Ministério Público sustentou ainda que, "para já", não vê "em termos evidentes que seja necessário" pedir ao Tribunal Constitucional para fiscalizar a constitucionalidade do diploma em causa, que tem sido posta em dúvida a propósito das acampadas das duas últimas semanas no Porto e em Lisboa pelo direito à habitação, dispersadas com o uso da força pela PSP.

No entanto, o presidente da Assembleia da República afirmou que compete ao Tribunal Constitucional apurar se a lei do direito de manifestação "é ou não é" constitucional, considerando que "ninguém está acima da lei", manifestantes ou forças policiais.

"Compete à Assembleia da República, mas compete também ao Tribunal Constitucional o apuramento se a lei é ou não é constitucional (...) É o quadro legal que temos, se há alguma situação de inconstitucionalidade, ela tem que ser declarada pelo Tribunal Constitucional", referiu José Pedro Aguiar-Branco, em Amarante, distrito do Porto, onde participou num tributo a António Cândido. 

A PSP dispersou na madrugada de domingo, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

A intervenção aconteceu depois de outras similares no Porto, em 15 de outubro, e em Lisboa, em 20 de outubro, tendo todas originado detenções e feridos.

O Ministério Público abriu um inquérito relativamente à intervenção da PSP em 15 de outubro no Porto, informou na sexta-feira a Procuradoria-Geral da República, acrescentando que, em relação à situação de 20 de outubro em Lisboa não tinha sido até então "localizado qualquer inquérito".


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Vários constitucionalistas analisaram as acampadas e protestos pelo direito à habitação, assim como a atuação da polícia e do Governo. E há opiniões contrárias. Afinal houve "violação" do direito à manifestação ou há "abuso de direito"?...

China enfrenta declínio populacional irreversível no curto prazo... O declínio populacional da China é irreversível no curto prazo, mas poderá ser contrariado a longo prazo se Pequim reforçar significativamente os incentivos à natalidade, afirmou hoje à Agência Lusa o demógrafo independente chinês He Yafu.

© REUTERS/Florence Lo    Por  LUSA  27/10/2026 

O declínio populacional da China é irreversível no curto prazo, mas poderá ser contrariado a longo prazo se Pequim reforçar significativamente os incentivos à natalidade, afirmou hoje à Agência Lusa o demógrafo independente chinês He Yafu.

"A tendência de declínio da população chinesa é, de facto, irreversível no curto prazo. Mas, a longo prazo, se o Governo adotar políticas de apoio à natalidade suficientemente fortes, ainda será possível inverter essa tendência", considerou o especialista.

He Yafu, que acompanha há vários anos a evolução demográfica do país, apontou a capacidade de execução do Governo chinês como um fator que poderá contribuir para essa inversão.

"Afinal, o Governo chinês tem uma capacidade de execução muito forte", observou.

A China registou em 2025 o quarto ano consecutivo de diminuição da população, que caiu para 1.404,9 milhões de habitantes, num contexto de envelhecimento acelerado e redução persistente dos nascimentos.

Segundo os dados oficiais, nasceram 7,92 milhões de crianças no ano passado, um novo mínimo histórico, depois dos 9,54 milhões registados em 2024.

O demógrafo identificou vários fatores estruturais que explicam a tendência.

"As principais razões para o declínio da população chinesa são a taxa de fecundidade persistentemente baixa, a diminuição contínua dos nascimentos, a redução do número de mulheres em idade fértil, o adiamento significativo do casamento e da maternidade e os custos excessivamente elevados de criar filhos", enumerou.

Nos últimos anos, Pequim lançou várias medidas visando incentivar a natalidade, incluindo subsídios à criação dos filhos, o prolongamento das licenças parentais e o reforço dos serviços de apoio às famílias.

No entanto, He Yafu considera que os incentivos continuam a ser insuficientes.

"Creio que estas políticas seguem a direção correta, mas a sua dimensão não é suficientemente grande para inverter a tendência de diminuição dos nascimentos", afirmou.

O especialista defendeu um aumento substancial dos apoios financeiros, propondo que o subsídio mensal por criança passe dos atuais 300 yuan (40 euros) para 1.000 yuan (cerca de 134 euros).

As preocupações demográficas estiveram também em destaque numa reunião do Conselho de Estado, realizada na sexta-feira, durante a qual o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, apelou à estabilização do número de nascimentos.

Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, Li defendeu o reforço das políticas de apoio ao casamento, à natalidade, à educação e à habitação, bem como a utilização de benefícios fiscais e medidas de segurança social para aliviar os encargos das famílias.

Apesar da tendência nacional, os dados do Anuário Estatístico da China 2026 revelam diferenças significativas entre as regiões.

A província de Guangdong (sul), a maior economia regional do país, concentrou aproximadamente um em cada oito nascimentos registados em 2025, mantendo uma taxa de crescimento natural positiva de 2,26 por mil habitantes.

Em contraste, a província de Heilongjiang, no nordeste, registou uma diminuição natural de sete habitantes por mil, a mais acentuada do país.

He Yafu explicou que a capacidade de Guangdong para atrair trabalhadores jovens constitui um fator determinante para a manutenção de níveis de natalidade superiores à média nacional.

"A vantagem demográfica de Guangdong resulta sobretudo da entrada de população, que lhe proporciona uma grande base de jovens em idade fértil", afirmou.

"Como Guangdong tem uma economia relativamente desenvolvida, continua a atrair jovens, o que mantém elevado o número de pessoas em idade de casar e ter filhos e, consequentemente, o número total de nascimentos", acrescentou.

Segundo o especialista, as diferenças regionais resultam da combinação entre estrutura etária, capacidade de atração económica, cultura familiar e políticas públicas.

A migração interna desempenha um papel particularmente importante, beneficiando regiões como Guangdong, Zhejiang e Xangai, em detrimento de províncias como Henan, Hunan, Sichuan e as do nordeste.

O envelhecimento constitui outro desafio para as autoridades chinesas.

Em 2025, a China tinha 223,65 milhões de pessoas com 65 ou mais anos, equivalentes a 15,9% da população, ultrapassando pela primeira vez o número de menores de 15 anos, que totalizavam 212,76 milhões.

He Yafu citou um estudo publicado em janeiro de 2025 pela Universidade de Finanças e Economia do Sudoeste e pela Universidade Tsinghua, que projeta uma redução da população chinesa para 1.190 milhões de habitantes em 2050, num cenário de fecundidade média de 1,05 filhos por mulher.

Nesse cenário, a proporção de pessoas com 65 ou mais anos atingirá 29,5%, quase o dobro dos 15,9% registados em 2025.

"Por conseguinte, nessa altura, o encargo associado ao apoio aos idosos será muito maior do que atualmente", alertou o demógrafo.


ELEIÇÕES ISRAELITAS: Israelitas vão hoje às urnas para votação com desfecho imprevisível... Mais de sete milhões de eleitores são hoje chamados às urnas para eleger uma nova composição do parlamento israelita (Knesset), o primeiro ato eleitoral desde os ataques do Hamas em 2023.

© Lusa   27/10/2026 

Mais de sete milhões de eleitores são hoje chamados às urnas para eleger uma nova composição do parlamento israelita (Knesset), o primeiro ato eleitoral desde os ataques do Hamas que em 2023 atingiram Israel e destabilizaram o Médio Oriente.

Em jogo nestas eleições, já classificadas como uma das mais incertas de sempre em Israel, estão os 120 lugares do Knesset e a consequente governação do país.

Para governar com maioria absoluta, um partido ou coligação precisa de reunir pelo menos 61 lugares parlamentares.

Os israelitas votam em listas partidárias e não em candidatos individuais. Neste escrutínio, constam no boletim de voto 37 partidos, mas apenas aqueles que ultrapassem a fasquia eleitoral de 3,25% entram no Knesset.

As atenções estão centradas em dois nomes: o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (partido Likud) e o antigo general das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot (partido Yashar!), um recém-chegado à política israelita.

As últimas sondagens indicam que o Yashar! de Eisenkot tem ligeira vantagem sobre o Likud de Netanyahu, mas nenhum consegue atingir o "número mágico" dos 61 assentos parlamentares, nem através de alianças pós-eleitorais com forças pró-governamentais ou do chamado bloco da mudança, a não ser que este último se entenda com os partidos árabes.

Três anos depois do ataque mais mortífero da história de Israel, que mergulhou o país numa guerra na Faixa de Gaza e em outras frentes de conflito, as eleições de hoje decorrem num contexto de profundas divisões internas sobre várias questões, que incluem a responsabilização pelas falhas que permitiram o ataque do grupo extremista Hamas naquela manhã de 07 de outubro de 2023, o peso do serviço militar e a independência das instituições democráticas e do poder judicial.

A capacidade de Israel para preservar a sua prosperidade económica e as suas alianças internacionais, num contexto de polarização interna cada vez mais acentuada e de isolamento global, foram outros temas a dominar o debate político.

A votação decorre entre as 07:00 e as 22:00 locais (mais duas horas em relação ao fuso horário de Lisboa).

Os resultados são confirmados até 04 de novembro, mas podem ser apresentados recursos até ao dia 18, sendo porém raro que sejam aceites ou que possam alterar o desfecho eleitoral.

Cabe depois ao Presidente israelita, Isaac Herzog, indicar o líder de um dos partidos, geralmente o mais votado, para constituir governo. A partir desse momento, segundo um explicador do Instituto da Democracia de Israel, decorrem 28 dias para negociações e formação de um executivo, prorrogáveis por mais 14.

Se o candidato não for bem sucedido, o processo volta à estaca zero e Herzog deverá indicar outro nome para formar governo no máximo de outros 28 dias, mas sem possibilidade de prorrogação. Caso o impasse persista, um grupo de deputados eleitos pode fazer uma terceira tentativa, num prazo de 14 dias.

Na sua história, os governos costumam ser constituídos logo à primeira, mas, se todas as três possibilidades falharem, o Knesset é dissolvido automaticamente e terá de haver novas eleições.

O voto não é obrigatório e a lei eleitoral israelita não permite que cidadãos residentes fora de Israel votem no estrangeiro, com exceção dos funcionários consulares e militares.

COP31: Super-ricos poluem mais do que quase metade da humanidade... A Oxfam revela que os 0,1% mais ricos do mundo produzem mais poluição do que os 3,5 mil milhões de pessoas mais pobres, em análise divulgada antes da COP31 na Turquia.

© Cole BURSTON / AFP via Getty Images   Por  LUSA  27/10/2026 

Os 0,1% mais ricos do mundo produzem mais poluição do que os 3,5 mil milhões de pessoas mais pobres do planeta em conjunto, revela hoje uma análise da Oxfam, divulgada antes da COP31 na Turquia.

Segundo a confederação internacional de organizações contra a pobreza e a desigualdade, os 0,1% mais ricos equivalem a oito milhões de pessoas e cada uma destas contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais vagas de calor extremo do que alguém pertencente aos 50% mais pobres da humanidade.

Coletivamente, este grupo emite mais de três vezes a poluição com gases com efeito de estufa produzida por toda a população da África Subsaariana, estimada em 1,3 mil milhões de pessoas.

A Oxfam calculou ainda que os 1% mais ricos são responsáveis por 20% do aquecimento global registado desde 1990, emitindo, em média, 100 vezes mais por pessoa do que alguém dos 50% mais pobres.

As emissões deste grupo poderão causar 1,9 milhões de mortes adicionais relacionadas com o calor num único ano, 78% das quais em países de baixo rendimento ou de rendimento médio-baixo, apesar de estes representarem apenas 8% das emissões globais.

"Quem menos contribuiu para esta crise está a perder as suas casas, colheitas e, cada vez mais, as suas vidas", lamentou o diretor-executivo da Oxfam International, Amitabh Behar, citado num comunicado.

A Oxfam alega que os super-ricos conseguem proteger-se através de seguros privados, habitações em zonas mais seguras e serviços privados de combate a incêndios, enquanto a maioria da população enfrenta inundações, incêndios e insegurança alimentar.

A aviação privada é apresentada como um dos exemplos mais evidentes da desigualdade: em conjunto, os jatos privados emitem mais gases com efeito de estufa em dois segundos do que uma pessoa dos 50% mais pobres emite durante um ano.

No estudo intitulado "Índice Destruir e Reconstruir", a Oxfam apela aos Governos que vão reunir-se em novembro em Antalya, Turquia, na 31ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31) para fazerem pagar os grandes poluidores, através de impostos permanentes sobre a riqueza e os rendimentos elevados, taxas sobre as empresas de combustíveis fósseis e impostos sobre bens de luxo que produzem muitos gases com efeito de estufa, como os jatos privados.

A organização defende igualmente um aumento substancial do financiamento climático para o Sul Global, com prioridade para financiamento público e subsídios em vez de empréstimos, e pede que o financiamento para adaptação seja triplicado até 2035.

A Oxfam estima que, até 2050, cerca de mil milhões de pessoas, cerca de 10% da população mundial, possam ser deslocadas devido à crise climática, sobretudo no Sul Global.


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

RÚSSIA: ONU classifica ataques russos à Ucrânia como crimes de lesa-humanidade... A ONU classificou os ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia como crimes de lesa-humanidade, segundo um relatório apresentado hoje à Assembleia-Geral das Nações Unidas.

© Lusa   26/10/2026 

Uma comissão independente de inquérito declarou como crimes de guerra e contra a humanidade os contínuos ataques da Rússia contra a infraestrutura energética da Ucrânia, num relatório que vai ser apresentado hoje à ONU.

Os ataques "foram realizados de forma deliberada e no âmbito de uma política estatal [russa] destinada a privar a população civil de eletricidade e outros serviços essenciais, bem como a causar-lhe sofrimento", concluiu a comissão.

A equipa internacional de três peritos denunciou que todos os que ordenaram os ataques estavam conscientes do sofrimento que iriam causar à população da Ucrânia, que enfrenta uma invasão russa desde fevereiro de 2022.

A comissão referiu em particular a destruição intencional de instalações de aquecimento em grandes centros urbanos que são indispensáveis para a população civil durante invernos duros como o passado, com temperaturas inferiores a 20 graus negativos.

Os crimes de lesa-humanidade, ou contra a humanidade, são considerados delitos que façam parte de um ataque generalizado ou sistemático contra civis para lhes causar sofrimento coletivo.

Para elaborar o relatório, os peritos nomeados pela ONU analisaram testemunhos de 255 pessoas que enfrentaram o inverno em condições difíceis em nove regiões da Ucrânia, incluindo Kiev, Kharkiv, Odessa e Kherson.

O relatório da comissão independente internacional vai ser apresentado hoje perante a Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Os peritos disseram também que a frequência, intensidade e extensão geográfica das vagas sistemáticas de ataques, nas quais os russos empregam centenas de drones e mísseis em cada ocasião, aumentaram com os anos.

"Quando se aproximam os meses mais frios, os ataques intensificam-se, apresentando uma preocupante ameaça para a vida e a saúde da população civil", disse o presidente da comissão, o juiz norueguês Erik Mose, citado pela agência espanhola EFE.

A comissão concluiu que entre as principais vítimas da estratégia de guerra da Rússia estão os grupos mais vulneráveis, desde pessoas idosas e com mobilidade reduzida a crianças.

A falta de energia na Ucrânia devido aos ataques russos obrigou muitas escolas a permanecerem fechadas ou deixou sem aquecimento muitas famílias.

A comissão analisou igualmente a questão dos estrangeiros que combatem nas forças armadas russas e reuniu provas de que redes de tráfico de seres humanos já recrutaram indivíduos de 29 países mediante enganos e coação.

Agentes ou agências que operam em diferentes países contactam as pessoas com ofertas de trabalho e tratam dos vistos e da documentação para entrar na Rússia.

Uma vez em território russo, as vítimas são obrigadas a assinar contratos em russo, língua que algumas não conhecem, com o Ministério da Defesa.

Muitos dos recrutas são enviados para a frente ucraniana, onde lhes são atribuídas tarefas perigosas.

"Muitos morreram, desapareceram ou foram capturados pelas forças ucranianas", denunciou a comissão no relatório divulgado em Genebra, Suíça.

A Rússia invadiu a Ucrânia para "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho, como anunciou então o Presidente russo, Vladimir Putin.

A invasão desencadeou um conflito armado que tem sido considerado como o mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), embora se desconheça o número exato de vítimas, tanto militares como civis.

A Rússia já tinha invadido a Ucrânia em 2014, quando anexou a península da Crimeia.

A Ucrânia foi uma república da União Soviética desde a fundação do bloco comunista controlado por Moscovo, em 1922, até à sua dissolução em 1991.


Portugal passa a ter 171 vagas em centros temporários para estrangeiros... Portugal passa hoje a contar com 171 lugares em instalações temporárias para estrangeiros em situação irregular, ultrapassando o referencial europeu de 102, anunciou o ministro da Administração Interna após inaugurar uma nova ala num destes centros.

© Lusa   26/10/2026 

Portugal passa hoje a contar com 171 lugares em instalações temporárias para estrangeiros em situação irregular, ultrapassando o referencial europeu de 102, anunciou hoje o ministro da Administração Interna após inaugurar uma nova ala num destes centros.

"Estamos a assinalar a conclusão de uma intervenção importante para o reforço da capacidade nacional de instalação temporária de cidadãos estrangeiros que aqui permanecem numa situação de manifesta ilegalidade. A abertura destas novas instalações permite melhorar a resposta aos desafios que Portugal enfrenta na gestão das migrações, do asilo e do retorno", disse Luís Neves.

O ministro da Administração Interna, acompanhado do ministro da Presidência, Leitão Amaro, inaugurou hoje a nova ala modular do Centro de Instalação Temporária (CIT) da Unidade Habitacional de Santo António, no Porto, com 80 novas camas.

Segundo o ministro, com a abertura desta unidade, Portugal passa a ter, em termos de centros de instalação temporária e juntando Lisboa, Porto, Faro e Beja, "capacidade nacional para um total de 171 lugares".

"Para Portugal, o valor das referências estabelecidas ao nível europeu é de 102 lugares. Com este reforço (…) ultrapassamos quantitativamente esse referencial e criamos melhores condições para responder, no imediato, às obrigações decorrentes deste novo pacto", concluiu.

A Unidade Habitacional de Santo António passa assim a dispor de uma capacidade operacional total de 114 lugares, o que representa dois terços da capacidade nacional total.

"Estes números são relevantes perante a mudança na política migratória europeia a que aderimos. O novo Pacto Europeu em Matéria de Migração e Asilo, cuja aplicação teve início em junho deste ano, vai estabelecer novas exigências para os Estados-membros", disse Luís Neves.

Após um fim de semana marcado pelos pelas intervenções policiais nas acampadas do Porto e de Lisboa, o ministro da Administração Interna falou apenas no período reservado aos discursos e sem responder a perguntas à margem, apesar da insistência dos jornalistas.

Numa informação enviada às redações pela Direção Nacional da PSP lê-se que a infraestrutura hoje inaugurada representa "um reforço significativo da capacidade de instalação temporária de cidadãos estrangeiros", num investimento de aproximadamente um milhão de euros.

"Esta ampliação visa assegurar melhores condições de acolhimento, higiene, avaliação clínica, segurança e acompanhamento dos cidadãos durante os procedimentos legalmente previstos, tendo como princípio orientador o respeito pela dignidade da pessoa humana. A intervenção contribui, igualmente, para reforçar a capacidade de resposta do Estado em matéria de estrangeiros e fronteiras, face às atuais exigências nacionais e europeias", lê-se na informação da PSP.


Leia Também: Imigração: Governo promete plano de integração para breve

O secretário de Estado Adjunto da Presidência e da Imigração afirmou hoje que em breve será apresentado o Plano Nacional de Integração de estrangeiros e salientou que, na habitação e saúde, o país não estava preparado para tantos imigrantes...

ENVIADO DA CEDEAO DIZ SENTIR ENGAJAMENTO REAL DAS AUTORIDADES DE TRANSIÇÃO PARA REGRESSO À NORMALIDADE CONSTITUCIONAL

Por  Rádio Sol Mansi   26-10-2026 

O Ministro da Integração Africana e dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Niang, chegou este domingo a Bissau para uma visita de trabalho.

O diplomata e mandatário da CEDEAO, tem em agenda encontros com atores políticos e organizações da sociedade civil para analisar a situação política da Guiné-Bissau e discutir a definição de uma nova data para as eleições gerais.

Em declarações hoje à imprensa, Cheikh Niang afirmou sentir um "engajamento real" das autoridades de transição.

"Viemos escutar os atores políticos e a sociedade civil sobre o que acham que pode ser feito, o que esperam e o que pode ser implementado neste período da transição", declarou o chefe da diplomacia senegalesa.

Segundo o enviado, já entregou a carta de mandato confiada pela CEDEAO ao Presidente de Transição e foi bem recebido pelo Primeiro-Ministro e pelo Conselho Nacional de Transição, órgão que substitui o Parlamento.

"Sentimos que há um engajamento real e, não como Senegal, mas como mandatário da CEDEAO, vamos continuar a interagir para que o processo eleitoral seja adaptado ao tempo", frisou.

A comunidade regional aguarda agora que as autoridades de transição apresentem um calendário eleitoral credível e consensual.

COMUNICADO DE IMPRENSA: PRIMEIRO-MINISTRO DEFENDE PACTO NACIONAL PARA RESTABELECER A NORMALIDADE DEMOCRÁTICA... Ilídio Vieira Té propõe diálogo inclusivo entre partidos, Conselho Nacional de Transição, Alto Comando Militar e Governo para definir um calendário eleitoral consensual.

Por RTB

Bissau, 26 de Outubro de 2026 — O Primeiro-Ministro do Governo de Transição, Ilídio Vieira Té, recebeu hoje uma delegação da CEDEAO, liderada pelo chefe da diplomacia senegalesa, Cheikh Niang, Ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, no âmbito dos esforços de mediação para superar a crise política e restabelecer a normalidade constitucional e democrática na Guiné-Bissau.

A delegação regional elogiou a cooperação das autoridades guineenses e deverá prosseguir as consultas com partidos políticos e organizações da sociedade civil, com o objectivo de identificar pontos de convergência para uma solução negociada.

Diálogo inclusivo e «Fórmula IVT»

Ilídio Vieira Té agradeceu a mediação da CEDEAO e defendeu um compromisso político nacional baseado na inclusão de todas as sensibilidades e no respeito pelas instituições.

O Primeiro-Ministro apresentou a «Fórmula IVT», que prevê a auscultação de todos os actores políticos, sem exclusões. As diferentes alas do PRS e do MADEM-G15 deverão ser ouvidas separadamente, sem prejuízo da competência dos tribunais para resolver os litígios internos dos partidos.

Reformas constitucionais exigem adaptação institucional

As conversações abordaram também as alterações constitucionais e eleitorais aprovadas pelo Conselho Nacional de Transição e submetidas a referendo.

O Chefe do Governo destacou a redução do número de deputados, de 102 para 65, e a necessidade de adaptar os círculos eleitorais, as estratégias partidárias e o funcionamento do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE).

Os partidos deverão igualmente realizar os congressos previstos nos seus estatutos e cumprir os requisitos legais para garantir a sua participação nos próximos actos eleitorais.

Eleições autárquicas e financiamento

A inclusão das eleições autárquicas no processo de democratização foi considerada um avanço institucional, mas também um desafio logístico e financeiro.

As necessidades globais para a realização dos processos eleitorais estão estimadas entre 11 e 12 mil milhões de francos CFA, montante que ultrapassa as actuais disponibilidades do Tesouro Público.

Ilídio Vieira Té defendeu, por isso, a mobilização de apoio financeiro internacional, mantendo a responsabilidade primária do Estado guineense e a natureza soberana dos actos eleitorais.

Pacto Nacional e calendário eleitoral

O Primeiro-Ministro considerou que a saída da crise exige mais do que a simples marcação de eleições. Propôs negociações entre o Conselho Nacional de Transição, os partidos políticos, o Alto Comando Militar e o Governo de Transição.

O processo deverá conduzir à celebração de um Pacto Nacional de Reconciliação e Garantias Eleitorais, acompanhado de um calendário eleitoral consensual, realista e juridicamente sustentado.

Segundo Ilídio Vieira Té, este entendimento é essencial para garantir estabilidade institucional, confiança entre os actores e eleições livres, transparentes, inclusivas e credíveis.

Relações com a CPLP e circulação fronteiriça

O Primeiro-Ministro informou ainda a delegação da CEDEAO sobre a visita de uma missão da CPLP, prevista para os dias 3 a 5 de Novembro. A deslocação poderá contribuir para ultrapassar o actual contencioso e normalizar as relações entre a Guiné-Bissau e a organização lusófona.

As partes abordaram igualmente os constrangimentos à circulação de pessoas e mercadorias na fronteira com o Senegal. Foi reafirmada a intenção de encontrar soluções rápidas para facilitar a circulação e reforçar as relações económicas e comerciais entre os dois países.

Compromisso com uma solução negociada

A audiência confirmou a convergência entre a CEDEAO e o Governo de Transição quanto à necessidade de uma solução política negociada.

Ilídio Vieira Té reiterou a disponibilidade do Governo para apoiar os esforços de mediação e criar as condições políticas, jurídicas, institucionais e financeiras necessárias à realização de eleições credíveis e a uma transição pacífica.

Gabinete de Comunicação e Imagem do Primeiro-Ministro

O Presidente da República de Transição da Guiné-Bissau, General Horta Inta-A, recebeu em audiência, em Bissau, uma delegação senegalesa chefiada pelo ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Niang. No final do encontro, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Niang, falou sobre os objetivos da visita na Guiné-Bissau.


China tem pela 1.ª vez mais idosos do que menores face à população ativa... A proporção de pessoas com 65 ou mais anos superou, em 2025, a dos menores de 15 anos, segundo o Anuário Estatístico da China 2026.

© CFOTO/Future Publishing via Getty Images    Por  LUSA  26/10/2026 

A proporção de pessoas com 65 ou mais anos face à população chinesa em idade ativa ultrapassou, em 2025, pela primeira vez, a dos menores de 15 anos, segundo dados do Anuário Estatístico da China 2026.

A China terminou 2025 com 223,65 milhões de pessoas com 65 ou mais anos, equivalentes a 15,9% da população, contra 212,76 milhões de menores entre os zero e os 14 anos, que representavam 15,1%, segundo os dados do anuário, recentemente publicado.

A chamada taxa de dependência dos idosos, que mede a proporção de pessoas com 65 ou mais anos relativamente à população entre os 15 e os 64 anos, atingiu 23,1%, acima dos 22% correspondentes aos menores.

No conjunto, a taxa de dependência demográfica situou-se em 45,1%, resultado da soma dos dois grupos em relação à população considerada em idade ativa.

A mudança ocorre após anos de rápido envelhecimento: a taxa de dependência dos idosos era de 15% em 2016, ultrapassou pela primeira vez os 20% em 2021, quando atingiu 20,8%, e chegou a 22,8% em 2024, apenas duas décimas abaixo da correspondente aos menores.

A inversão coincide com uma queda prolongada da natalidade. A China registou 7,92 milhões de nascimentos em 2025, um novo mínimo histórico, após a recuperação para 9,54 milhões em 2024, e acumulou o quarto ano consecutivo de diminuição da população.

No final de 2025, o país contava com 323,38 milhões de pessoas com 60 ou mais anos, o equivalente a 23% dos habitantes, contra 22% um ano antes.

As autoridades responderam à mudança demográfica com medidas destinadas a incentivar os nascimentos e aliviar os custos associados à criação dos filhos, incluindo um subsídio nacional para crianças com menos de três anos.

Paralelamente, estão a alargar os serviços de apoio aos idosos e a aplicar desde 2025 um aumento gradual da idade da reforma.

Contudo, as medidas adotadas até agora não conseguiram inverter as principais tendências: os nascimentos mantêm-se em níveis historicamente baixos e as autoridades preveem que, por volta de 2035, mais de 400 milhões de pessoas terão 60 ou mais anos, o que deverá aumentar a pressão sobre o mercado de trabalho, o sistema de pensões e os serviços de cuidados a idosos.